Um forte trovão despertou Aurora que dormia como uma pedra por passar mais uma noite atormentada emocionalmente, e dessa vez com uma garrafa de vodka na metade, e um copo com um pouco de líquido do resto da noite anterior.
Ela acordou assustada, ainda com os olhos fechados, e uma terrível dor de cabeça que nunca tivera sentido antes.
Havia um boato que dizia que beber fazia aliviar as dores emocionais. E essa foi a primeira vez que ela teve que recorrer, pois não queria encarar a realidade que lhe cercava.
Ainda com os olhos embaçados, colocou as mãos debaixo do seu travesseiro, e pegou o seu celular.
Se sentou na cama e abriu as suas notificações, e viu que havia várias mensagens da sua amiga Dafne:
'Cadê você?'
'Deu certo identidade falsa?'
'Estou muito preocupada, você saiu para comprar bebida e não voltou a falar comigo mais.'
'Pq não me responde? Já vou denunciar na rede social desaparecida' - então, Aurora fechou as mensagens e foi logo ao aplicativo verificar.
'Não, não, não...' Pensou Aurora, desesperada abrindo o Facebook, ciente que Dafne era capaz de fazer coisas impulsivas quando era dominada pelas suas preocupações.
Logo, suspirou aliviada vendo que não iria passar mais essa vergonha nessa cidade. Em seguida, digitou:
'Você quase me mata do coração!!! Ufa, ainda bem que você não postou nada. Desculpe não ter te respondido ontem, sei que você se preocupa comigo, mas eu queria ficar um tempo sozinha. Estou bem, e hoje vou voltar ao trabalho. Vou começar a me arrumar aqui'. E clicou em enviar.
Respirou fundo antes de criar forças para levantar e se olhar no espelho.
Seu rosto estava completamente abatido, seco e pálido, logo sentiu o seu bafo, e foi direto para o banheiro tomar um banho para ver se recuperava um pouco mais da sua dignidade.
Ela não estava preparada para voltar a sua rotina normal.
Há uma semana atrás perdeu a sua avó por um maldito câncer, ela era a única que cuidava do jeito que podia dela, logo após a morte da sua mãe que faleceu quando Aurora tinha doze anos de idade.
Essa semana, ela completaria dezessete.
Mas isso só despertava mais tristeza, pois ela se lembrava daqueles momentos com avó e a mãe na cozinha fazendo bolo, e docinhos. Momentos que não existirão mais no presente, só na memória.
Enquanto pensava nisso no banho, chorava o que lhe restava de lágrimas e sua dor de cabeça piorava cada vez mais.
Pensava que podia ter feito mais, conseguido mais dinheiro, se tivesse utilizado mais recursos, poderia ter salvado a sua avó.
Essa culpa havia consumido o seu coração.
'Droga, Aurora! Seja forte, a sua avó lhe disse para você ser resistente...agora ela e a minha mãe continuarão me guiando pelos céus'. Pensou, passando a mão nas suas bochechas e lavando o seu rosto.
Assim que terminou o banho, ela se enrolou na toalha, e se olhou no espelho novamente.
Seu rosto estava todo vermelho, logo, ela começou a passar uma base com mais cobertura, e fez uma maquiagem de rotina para ir trabalhar: base, rímel, blush, e um batom cor nude.
Ela trabalhava desde os catorze anos como atendente em uma pequena cafeteria no período da tarde, guardava as suas economias em uma poupança, e também ajudava com as despesas de casa.
Mas agora ela não teria ajuda da sua avó para ajudar nas despesas, e o salário de meio período não era o suficiente para manter a vida todas as necessidades da sua vida.
A sua avó tinha deixado duas casas de herança, uma tinha sido vendida para as despesas médicas, e outra ficou na condição judicial para o irmão da sua mãe - George, que é o seu tio.
Ela não podia ter muitas esperanças perante alguma herança, sabia o gênio de George, ele esperava o momento para colocar a mão do que era por direito da sua avó, e também não tinha forças para entrar em qualquer luta judicial nesse momento.
Por ora, Aurora morava no apartamento que George considera seu, pois ele morava na capital, e ainda não havia retornado para falar nada depois do funeral.
Depois da maquiagem, Aurora hidratou o seu corpo, penteou o seu cabelo, vestiu uma calça jeans, t-shirt branca, colocou uma jaqueta preta de couro por cima, calçou a sua bota coturno.
Foi em direção a área de serviço procurar um guarda-chuva, e teve um leve susto quando ouviu a campainha.
'Dafne tinha que me visitar agora?' Ela pensou enquanto revirava os olhos.
Ela foi em direção da porta com uma postura hesitante já pensando no que iria falar para não enrolar e não chegar atrasada no trabalho.
Quando ela e Dafne se uniam era assunto que não acabava. Ela amava a sua presença, mas precisava encarar a realidade hoje.
Abriu a porta, e cambaleou para trás, incrédula, sem acreditar no que estava vendo.
"P-p-pai?" Ela arregalou os olhos e ainda recuperava a respiração do susto.
"Olá Aurora, quanto tempo...não é mesmo?" Ele sorriu com um rosto inexpressivo.
Mesmo não acreditando no que estava vendo, assumiu uma postura ereta, olhou para o rosto dele, e perguntou:
"O que você está fazendo aqui?"
"Nossa, você não vai nem me dizer 'olá', ou me convidar para entrar?" O pai dela disse já empurrando a porta com força, arrastando a filha para dentro, e colocando o seu guarda-chuva molhado encostado na parede perto da entrada.
Depois de fazer isso, completou:
"Não importa, vamos nos sentar na sala, trouxe aquele café para você."
Hanzel suspirou pesadamente, e proferiu com um tom amargo na voz pensando alto:
"Veja só esse lugarzinho...não mudou nada."
Ela olhou para o saco que o pai carregava com a logomarca da empresa de café do seu atual emprego, e se perguntou o que ele foi fazer lá já que nunca havia pisado os pés dentro da casa da sua avó enquanto ela era viva.
Se sentindo muito desconfortável com a situação, ela ignorou toda essa entrada, cruzou os braços, e esperou até que ele começasse a falar.
O que podia vir daquele homem não era boas intenções, mesmo sendo o seu pai, ela tinha um mal pressentimento.
Após um momento de silêncio, ela já estava impaciente.
Aurora reparou que ele ainda observava o ambiente, e retirava dois copos de café recicláveis do saco.
"Por que foi no meu local de trabalho? Por que veio me procurar? Já te adianto, não quero nada de você." Ela exprimiu com ansiedade, esperando que ele fosse embora dali o mais rápido possível.
Se pudesse ignoraria o resto da vida que àquele homem à sua frente era o seu pai.
Hanzel, pai de Aurora, era dono de bordéis, motéis, casas noturnas, de jogos, e bares na cidade, e também nas pequenas cidades interioranas aos arredores.
Seus negócios guardavam os segredos mais podres das famílias de alta classe até as mais miseráveis.
A sua diversão era pregar peças e manipular tudo à favor de ganhar mais dinheiro, e conquistar mais poder.
Era um homem que ganhava algum dinheiro, mas gastava na mesma proporção. Um péssimo administrador, por isso, os seus negócios estavam sempre à um triz.
Ele sempre precisava de investidores ou fazia alguma ameaça para conseguir o que precisava.
A reputação do seu pai afetava diretamente a vida social de Aurora, desde quando ele tinha voltado do exterior e começado a ameaçar diversas famílias . E acontecia desde quando ela tinha sete anos de idade.
Ele deixou a sua mãe quando ela tinha quatro anos de idade, e o que a sua mãe contava para ela do seu pai, era que ele havia traído ela com uma mulher qualquer, ou especificamente falando, uma prostituta.
E apesar de ser muito pequena, Aurora tinha ainda vagas lembranças daquele dia, mesmo que tivesse pouca idade, era como se tivesse aquela memória cravada no cérebro.
Quando a sua mãe pegou Hanzel traindo ela, ficou irada e muito abalada.
Aurora ainda se lembrava da fúria da sua mãe, e do seu pai que chegara bêbado naquela noite. Foi um dia terrível.
Ao percorrer do seu crescimento, foi explicado à Aurora que seu pai tinha ido embora porque ele também devia muita gente na cidade, muitos queriam matar ele, e então ele foi para o exterior quando Aurora tinha quatro anos de idade.
Deixou ela e a sua mãe para trás, e voltou quando Aurora tinha sete anos de idade, ela não entendia muito bem quem era o seu pai naquela época, mas muitos olhares de famílias e de colegas de classe a faziam se sentir retraída, e às vezes, culpada.
Ele nunca demonstrou nenhum interesse pela vida da sua filha, e desde que havia voltado do exterior não havia dado um único centavo para as suas necessidades.
Para Hanzel, ela foi apenas um acidente que havia tido com a sua mãe.
Ele não se interessava por uma vida familiar, e Aurora era a sua única filha.
Luna, a mãe de Aurora, foi a única mulher que assumiu um compromisso durante toda a sua vida.
'Ainda bem!' Refletiu Aurora em transe, recordando de quem realmente era aquele homem sentado na sua frente por todos os relatos que já tinham contado.
'Imagina se ele tivesse outro filho pra ter esse tormento, só eu já basta!'
Hanzel ignorou o comportamento nervoso da filha, olhou em volta, fixou o olhar por uns 15 segundos no porta retrato de Luna, e depois encarou Aurora de novo de cima a baixo.
Ela não tinha se sentado, então ele encarou os seus quadris.
"Parece que a minha menininha cresceu..." E continuou com os seus olhos em seus quadris, cintura e logo depois fitou os seus seios, mas desviou o olhar pois a aquela jaqueta não dava para ver as suas curvas.
Ele deu um pequeno sorriso perverso com os cantos do lábios, e bebeu um gole do café.
Aurora totalmente constrangida com aquela olhada e situação, revirou os olhos, se sentou em um sofá distante do que ele estava sentado, colocou uma almofada na sua frente, e quando abriu a boca para falar algo, ele a interrompeu:
"Aurora, quer você queira ou não, eu sou seu pai. Não tem como eu ou você fugir disso. Não te visitei, e não te procurei por anos, porque sei da sua repulsa por mim, também não estava interessado em ficar atrás das suas desculpas, afinal de contas, você tinha a sua mãe e a sua avó do seu lado..." Ele fez uma pausa, ele ainda a encarava com desdém. "Ah é, isso mesmo...tinha né?"
Hanzel não se importava com os sentimentos que abalava em outras pessoas, agia estupidamente até conseguir o que queria. Não importava a pessoa que estava à sua frente. Até mesmo se fosse a sua filha.
Os olhos de Aurora se encheram de lágrimas, mas ela segurou pois não queria demonstrar qualquer emoção perto dele.
Ele levantou e caminhou até a metade da direção dela.
"Ah...não chore minha pequena...o que te resta agora?" Ele disse com um tom quase irônico, e continuou: "...o seu papai aqui, né?"
Ele andou mais três passos em direção da Aurora, e estendeu a mão com o copo de café para ela.
"Tome aqui antes que esfrie. Esse será o seu último copo de café dessa cafeteria." Insinuou Hanzel querendo dizer algo com duplo sentido.
Ela não se moveu um centímetro, olhou para baixo para tentar assimilar essas últimas palavras.
"Ú-último copo? O que você quer dizer com isso?" Aurora sussurrou gaguejando, abalada emocionalmente.
E logo, recuperou o fôlego e disse em um tom alto: "Se afaste de mim!" Ela se levantou e deu dois passos para trás, ainda de frente pra ele.
Hanzel se aproximou dela, encostou na sua mão bochecha rosada, e disse ainda com um tom irônico:
"Querida, olha só pra você, cresceu, e certamente acha que pode fugir-"
Aurora bateu em sua mão, e deu mais dois passos para trás.
"Diz logo o que você quer!" Ela rosnou. Já estava muito irritada com essa situação.
Hanzel franziu a testa com a reação, mas depois voltou a ficar inexpressivo, virou de costas para voltar a seu lugar no sofá, e antes de se sentar, disse em um tom imperativo:
"Você vai trabalhar no meu bordel principal." Após dizer se virou para encará-la.
"Nunca!" Aurora gritou com muita raiva no olhar.
"Essa semana você completou dezessete anos, ainda é menor de idade, não tem ninguém, não tem emprego, não tem casa, não tem dinheiro, não tem nenhuma perspectiva de futuro-" Ele falava com muita normalidade e convicção.
"O quê?! Você está dizendo que o que você quer para o meu futuro é trabalhar no seu bordel? Eu te odeio! Vai embora daqui, e não volte nem pintado de ouro! Eu tenho um emprego, e ele é digno. Não vou seguir os seus rastros!" Gritou Aurora, furiosa.
Em seguida, deu passos firmes até a porta para abri-la e expulsá-lo.
"Você será despedida do seu emprego essa tarde, eu já resolvi isso, e você sabe como...afinal, o dono daquele negócio..." Hanzel bufou, se lembrando de uma coisa nojenta e comprometedora do dono da cafeteria.
"...enfim, você não tem mais emprego. E quem irá te dar alguma coisa sendo que você tem a reputação de ser a minha filha? Eu nem sei como você conseguiu aquele negócio que você chamou de emprego!" Ele deu uma risada baixa e esnobe.
Aurora começou a chorar de raiva. Ela não conseguia acreditar. Aquele salário era a única coisa que lhe restava para suprir as suas necessidades.
Hanzel não se importou com a sua reação, se sentou, e se sentiu acomodado.
"Aurora, eu sou responsável por você, e ao invés de te dar uma emancipação, eu vou te dar um emprego, isso não é comovente, minha filha?!" Ele olhou-a de cima a baixo de novo, dando uma gargalhada maléfica.
Depois parou, e ficou sério novamente, e completou a sua fala: "Você deveria me agradecer."
"Vai embora!" Aurora não conseguia mais pensar em nada.
Ela estava cuspindo raiva dos olhos com a porta já aberta.
Hanzel se levantou, mexeu em seu bolso, pegou um cigarro, e foi andando em direção da filha.
"Você tem 24hrs, docinho. Não estou te dando escolha. Estou te dando um tempo para arrumar as suas coisas e ir ao meu encontro. Infelizmente, sou responsável por você até que seja maior de idade, a não ser que você consiga suprir as suas próprias necessidades, ou se case. Ah...sobre casar..." Ele fez uma pausa e colocou o dedo no próprio queixo.
"Somente sob minha autorização, afinal, é o que dita a lei." Depois de completar a frase, Hanzel soltou mais um risadinha irônica.
E então, parou na frente dela, encarou-a no rosto, e disse com sarcasmo:
"Oh, bebezinho, não chore! O papai vai cuidar de você." Ele abriu um sorriso malicioso, e depois ficou inexpressivo novamente.
"Não se esqueça: 24hrs. Te encontro lá-"
Antes de dizer mais alguma palavra, Aurora bateu a porta na cara dele, e trancou rapidamente.
Ela estava tremendo de nervoso e extremamente irritada. Não conseguia parar de chorar de raiva.
Estava sem chão. Não conseguia pensar, só sentir raiva. O seu coração estava consumido por aflição.
Depois de um instante, o celular dela apitou, e ela recebeu uma mensagem com a localização do bordel principal. Ela viu aquela mensagem com os olhos turvos com lágrimas, e jogou com raiva no sofá.
Tinha que ter um jeito de sair dessa situação.
Aurora estava atordoada ainda agachada e encostada na porta sem saber quantas horas já se havia se passado, até que uma voz vindo ao lado de fora a trouxe de volta a noção de tempo e espaço.
"Aurora, abra a porta! Eu sei que você está do outro lado dessa porta!" Gritou Dafne preocupada, e girou a maçaneta com aflição, depois deu três batidas com as palmas da mão com pressa de encontrar a amiga o mais rápido possível.
Aurora passou a mão no rosto para enxugar as suas bochechas quentes e molhadas pelas lágrimas de desamparo. Só queria achar uma saída para tudo aquilo.
Ela levantou, destrancou, e abriu para Dafne, ela ainda não conseguia dizer nada, e não conseguia disfarçar a sua angústia.
Dafne olhou para ela, logo sentiu o desespero da amiga, e a abraçou forte.
"Ei..." Suspirou profundamente, enquanto a abraçava forte ela sentia o seu desamparo.
Pensou que poderia ter alguma melhora mesmo depois de uma semana de luto, mas parecia que ela estava pior.
"Vai ficar tudo bem, Aurora. Eu trouxe comida!" Aurora apenas abraçou forte de volta.
Aurora sentia sua mente e seu corpo frágil. Todas aquelas palavras do seu pai giravam em pensamentos.
Dafne soltou do abraço dela, e a encarou, percebeu que ela estava aterrorizada.
"Aconteceu alguma coisa? Você falou que ia trabalhar hoje, eu fui até a cafeteria te fazer uma visita, e quando cheguei estavam todos com uma cara igual a sua agora, parecia que tinham acabado de ver uma assombração...depois perguntei se você iria ir trabalhar hoje, e eles me disseram que 'não', e depois acresceram que você também não retornaria, por isso corri para aqui!" Depois de falar isso, Dafne percebeu que a expressão de Aurora foi de surpresa para raiva, e ela deu uma leve sacudida em seus ombros, pois esperava uma resposta.
"Meu p-pai...meu pai esteve aqui, Dafne." Aurora respirou fundo depois de sussurrar essas palavras.
"Como? Eu ouvi direito? O seu pai?" Ela encarou a amiga perplexa, e logo ficou com uma expressão carrancuda.
Dafne nunca tinha visto o pai de Aurora, o que ela sabia dele era o que todos falavam na cidade, e o que Aurora tinha á contado.
Ela sabia que Hanzel Klein era desprezível, e que sua amiga carregava um peso enorme nas costas por causa da reputação dele.
Muitas pessoas da cidade não queriam se aproximar de Aurora por causa disso, e a julgavam com muita maldade, achava que ela também era desprezível. Mas Dafne nunca se importou com esses rumores, e também nunca achou perigoso estar perto dela. Para Dafne o que importava era o valor da amizade que elas tinham.
Aurora balançou a cabeça para amiga ainda assimilando o que estava acontecendo com a sua vida.
Nos seus pensamentos só passava: '24h, 24h, 24h, e aquela maldita localização'.
Dafne percebendo a situação dela, levou para a mesa da cozinha, e sentou ela na cadeira. Parecia que sua melhor amiga estava mesmo desorientada, perdida em pensamentos, seu rosto demonstrava o seu desespero. Ela precisava de cuidados.
Ela olhou ao redor da casa e percebeu que o ambiente estava uma completa bagunça. Ela olhava o ambiente e o rosto de Aurora, que fitava o nada, pegou a sua mão por um instante, e percebeu que estava gelada e que tremia.
Dafne suspirou, pegou uma água com açúcar pra ela, e colocou na sua mão.
"Tome, e fique aqui. Vou arrumar a mesa pra nós comermos o sanduíche que eu comprei." Dafne disse em um tom suave.
Por mais curiosa e preocupada que estivesse, não queria forçar a sua amiga a falar nada, ela compreendia que podia ser difícil pra ela conversar sobre o luto, mas ao mesmo tempo sabia que desabafar poderia aliviá-la.
Aurora percebeu o que amiga pretendia fazer, não era só fazer a mesa, era também organizar aquele ambiente, e logo ela segurou o pulso da amiga, impedindo-a.
"Não precisa se preocupar Dafne, eu vou organizar tudo...por favor..." Aurora tentou soltar algumas palavras para Dafne, mas foi interrompida por um soluço. Estava dominada pelas suas emoções.
Dafne se agachou e olhou para ela.
"Sei que é difícil pra você, mas você precisa me contar o que está acontecendo, se não o que me resta é só ficar mais preocupada! Do nada você me diz que o seu pai vem aqui, e ele nunca fez isso desde que te abandonou, e você também se demitiu..." Dafne olhou ela esperançosa esperando uma explicação.
Aurora hesitou por um momento, porque achava que poderia ser perigoso pra sua amiga caso contasse algo, não queria envolvê-la nos casos do pai. Mas, sabia que Dafne ia continuar insistindo, e não tinha cabeça para inventar ou distorcer o que havia acontecido.
Aurora acabou contando tudo para amiga.
"Que monstro! Vamos fazer uma denúncia!" Dafne exclamou impulsivamente revoltada, e bateu as duas mãos na mesa com força.
"Isso é abuso de menor, Aurora! Por mais que ele seja o seu pai, e o seu "responsável", ele não pode fazer isso! De forma alguma!" Expressou com raiva, totalmente encabulada com a situação da amiga.
"Denunciar..." Aurora sussurrou para si mesma com uma fita de esperança nos olhos. Depois ela se lembrou de tudo que falavam do seu pai pela cidade, por que ele ainda não estava atrás das celas?
"Denunciar..." Ela repetiu bufando a palavra dessa vez com amargura. Logo, ela colocou a mão em seu cabelo, escorando o seu cotovelo na mesa, e olhou para Dafne cética.
"Sim, denunciar! Hoje ainda!" Dafne continuou insistindo na ideia.
Ela não podia ficar parada vendo a vida da sua amiga desmoronar dessa forma.
"Não faça nada, Dafne. Você não entende? Por que o meu pai ainda não está atrás das grades?" Aurora perguntou com uma voz firme e com os seus olhos nos olhos de Dafne, "Por favor amiga, não faça nada, tá bom? Eu vou resolver isso. Não quero te colocar nessa situação, é perigoso. Não conte pra ninguém, tá?" Ela segurou a mão de Dafne e continuou: "Me prometa."
Antes de Dafne responder, ela ouviu o estômago de Aurora roncar, suspirou e disse:
"Como eu posso te prometer isso se não consegue nem cuidar das suas necessidades básicas?!" Ela cortou o sanduíche ao meio, e colocou na frente da Aurora.
Aurora continuou encarando ela. "Me prometa, Dafne." Em sua voz tinha nervosismo, não queria que a sua amiga se intrometesse nisso, pois sabia que não conseguiria impedir as consequências dos métodos do seu pai. Já sabia que era demais ter Dafne como a sua amiga, e não queria colocá-la em problemas.
"Só se você comer, agora!" Dafne retrucou.
Aurora assentiu, pegou um guardanapo, segurou o sanduíche, e mordeu um pedaço. Dafne deu um leve sorriso.
Enquanto saboreavam os seus sanduíches preferidos, ouviram a campainha.
Aurora levantou prontamente, respirou fundo, e pediu pra Deus não ser mais uma surpresa desagradável. Ela destrancou e abriu, e logo ela encarava um buquê de rosas cor-de-rosa enorme em sua frente.
Ela instantaneamente olhou para o entregador: "Desculpe, houve um engano?" Interrogou, não acreditando no que tava acontecendo.
"Senhorita Klein?" O entregador questionou olhando para um pequeno pedaço de papel.
"Sim...sou eu." Respondeu com autodepreciação.
"O senhor John Foster pediu pra entregar para a senhorita." Disse o entregador, passando o buquê para os braços de Aurora. "E vejo que fez muito bem, pois vai melhorar o seu rosto abatido." Completou de forma intrusa.
'Esse entregador sempre tenta puxar conversa comigo!' Aurora revirou os olhos, e escutou uma risadinha baixa vindo de atrás dela.
Era Dafne se divertindo um pouco com a situação, logo ela se aproximou e disse ao entregador:
"Já que só isso, nós já vamos nos retirar." Ela se enfiou na frente de Aurora fechando a porta na cara do entregador.
"Ei, esperem aí!" Exclamou barrando a porta para que ela não fosse fechada. "Tem mais uma caixa de chocolate, e um bilhete. E você também tem que assinar senhorita Klein."
Ele colocou a mão entre a abertura que ele segurou, e balançou os dois últimos itens que falou.
Aurora pegou, assinou e se despediu rapidamente.
Antes dela fechar, se sentiu sendo observada, ela olhou ao redor da rua, e viu que tinha um Audi vermelho com um homem com uniforme de guarda costas fumando na porta do carro.
Ele parecia distraído com o seu cigarro, mas logo que voltou aos olhos a porta de Aurora, ficou á encarando.
Aurora se sentiu constrangida, e se perguntou se era um dos capangas do seu pai. Ele estava a observando?
"Por que está parada na porta, amiga? Algum problema?" Dafne estranhou a demora para ela entrar.
"Não...não é nada. Só acho que estou sendo observada." Aurora fechou a porta apreensiva e trancou.
Logo, seus olhos voltaram para as flores que estava em cima da mesinha da sala, e assim que pensou na situação que acabara de acontecer, revirou os olhos.
"Eu não acredito que John não vai parar!" Ela exclamou reclamando.
"Ah...pare com isso, elas são lindas!" Dafne provocou ela. "Pelo menos, vai ter um pouco de cor nessa casa!" Aurora deu um sorriso de leve para a sua amiga, era bom que Dafne enxergava o lado bom das situações.
Então Aurora pegou as rosas cor-de-rosa e colocou no vaso, ela ficou olhando para elas uns segundos, e podia realmente contemplar alguma beleza em algo depois de uma semana.
Logo Dafne veio com um tom de zombaria nos fundos:
"Rosas são vermelhas,
Violetas são azuis,
Mas nada se compara a ti,
Aurora minha luz!"
Dafne caiu na gargalhada ao recitar o poema escrito no bilhete das flores, Aurora não pode se conter com aquela gargalhada, e acabou rindo também.
"Quando ele vai parar, hein?!" Aurora bateu com os pés no chão fazendo birra.
Havia tantas situações para fugir. Pelo menos, dessa ela podia rir um pouco.
"Esses mulherengos sabem o que dizer...por mim ele podia continuar, nós nos divertimos assim!" Dafne deu uma piscadinha animada para Aurora.
"Amiga, você que se diverte! Aliás, por que ele não vai atrás de você? Vocês já ficaram, tenho certeza que ele vem atrás de mim com intenção de te provocar!" Aurora zombou de toda essa situação.
"Eeei!" Dafne chamou atenção da amiga mal-humorada, e continuou:
"Não ficamos não...você sabe o que eu fiz, e ele bem que merecia coisa pior! Coloquei ele em uma 'friendzone'...ele achou que ia me conquistar naquele dia no cinema e quando ele estava prestes estava prestes a me beijar, falei que ia no banheiro, e nunca mais olhei na sua cara. O que eu fiz foi pouco, ele merecia ter sofrido mais!" Ela deu risada perversa.
"Se bem que isso é foi bem divertido...Principalmente, ver a sua insistência!" Dafne sussurrou entre as risadas pensando alto, e voltou a olhar a Aurora que tava se fazendo de brava com toda aquela situação das flores.
"Vamos, Aurora! Você e eu sabemos porque John age assim, ele só quer tirar a sua virgindade, e se vangloriar com aqueles malditos amigos." Depois dessas palavras Aurora fez cara de nojo.
Ela se lembrou de todas as perversidades que John fazia com as meninas com as turmas inferiores, e as garotas mais jovens do colégio.
Um dia ela escutou os meninos no fundo quando sentou no meio da sala de aula, eles estavam rindo de uma situação em que John se gabava por fazer uma estudante do ensino fundamental de boba, enquanto eles escutavam gemidos dela no vídeo do celular dele, e os canalhas davam aquelas risadas eufóricas. Quantos vídeos, e quantas meninas sofriam psicologicamente com aqueles abusados? Principalmente, de John.
Aurora revirou os olhos de novo e encarou as flores, ela não enxergava mais nenhuma beleza.
Assim que Dafne reparou, ela disse alto: "Ei, não culpe essas belas flores! Vamos comer esses chocolates caríssimos, e aproveitar dessa situação!" A amiga tentava distrair Aurora.
"Não quero me aproveitar de maneira nenhuma dessa situação, fique com essas flores, Dafne. Não quero fazer parte desse jogo idiota! Detesto isso!" Aurora cuspiu essas palavras com muita raiva.
"Você sabe que quanto mais você rejeitar ele, mais ele vai atrás de você." Dafne retrucou, tentando ela fazer entender a cabeça daquele mulherengo.
Aurora sentou de novo na cadeira, cruzou os braços e fez beicinho. Dafne viu ela se rendendo e abriu um chocolate pra ela.
"Isso é injusto, Dafne!" Choramingou. Aurora viu o chocolate na sua frente, pegou e comeu um pedaço.
O caso era que Aurora não ia ficar de forma nenhuma com John, mas não queria obrigar a Dafne a ficar com aquele cafajeste também, ela sabia que John só fazia isso para provocar Dafne, era um jogo do tipo: tudo bem, se eu não comer você, posso comer a sua melhor amiga.
"Fique com Nate amiga, assim John desiste de você." Dafne a cutucou.
"Eu não vou usá-lo dessa forma, Dafne. E também amanhã..." Aurora começou a ficar ansiosa de novo, e virou os seus olhos para o relógio.
A Dafne segurou forte a mão da amiga vendo que ela se lembrou das palavras do seu pai.
Logo ela achou que teve uma brilhante ideia. "E se você se casar com Nate?! Você já teria a sua emancipação!" Dafne disse impulsivamente.
Aurora bufou, e depois soltou uma risada amarga parecendo rir da própria desgraça.
"Ai amiga! Você tem cada ideia!" Aurora se recompôs para olhar para Dafne. "Acabei de dizer que não quero usá-lo, e você vem me dizer em casamento?! Eu te disse que o meu pai falou que eu só ia casar com quem ele quisesse..." Ela cerrou os punhos repetindo essas palavras.
"Colocar Nate nessa situação só vai complicar mais pra mim, vai ser perigoso pra ele. E não conte nada pra ele sobre o que tá acontecendo na minha vida! Afinal, o que ele vai pensar de mim? Que eu decidi viver minha vida em um bordel?" Aurora passou a mão na cabeça enquanto tentava suavizar a dor que ainda sentia da ressaca.
"E o que eu vou dizer pra ele então? Todos os dias ele estava parado na frente do colégio, ele dizia que tava respeitando o seu tempo de luto, mas sempre me questionava como você tava lidando, morrendo de preocupação. Não queria vir até aqui porque você disse á ele que precisava de um tempo sozinha. Fiquei até com pena..." Dafne esperava uma reação da sua amiga com o Nate após dizer o que ele fez durante a semana.
"Ele tem Patrícia. Logo ele vai se acostumar com a minha ausência." Aurora suspirou triste, "E eu não quero envolvê-lo nisso." Completou Aurora.
Dafne se frustrou depois que ouviu a amiga.
Ela simplesmente não suportava a ideia de ficar apenas de braços cruzados olhando tudo desmoronando na vida de Aurora. Enfim, Dafne resolveu a voltar distrair ela com outro assunto.
As duas conversaram sobre tudo que estava acontecendo na cidade, sobre séries, sobre a vida de Dafne, tudo que fugisse do que estava prestes acontecer daqui 10hrs.
Quando deu dez horas da noite Dafne decidiu dormir na casa de Aurora. Ela ajudou a amiga a limpar todos os cômodos.
Quando Aurora foi levar o lixo para fora, ela viu que o Audi vermelho ainda estava ali. Mas, eram outros homens.
Os guardas estavam fazendo uma troca de turno para que não deixasse nenhum erro acontecer. Principalmente, o de Aurora fugir.
Assim que deixou o lixo, ela voltou rapidamente, e trancou a casa.
Será que não havia outro jeito? Havia uma forma de fugir? Ela andou de um lado para o outro nervosa. A sua mente estava esgotada.
Fugir? Sim! Mas para onde? O primeiro ônibus da rodoviária? Com qual dinheiro? Não podia ficar sem tentar fazer nada, simplesmente aceitar o que o seu pai estava fazendo.
Dafne viu a inquietude da amiga, logo ela esquentou um leite, voltou para o quarto, e ofereceu pra ela. Deu um tapinha nas suas costas.
"Estou contigo pra tudo, Aurora. Se você tem alguma ideia, me avise, eu quero te ajudar." Dafne disse suavemente.
"Só estava pensando se tem alguma forma de fugir...mas todas as minhas economias foram para a internação da minha avó. Tem 500 dólares do que ainda mantive para as minhas necessidades desse mês com o pagamento da cafeteria." Aurora estava refletindo, logo ela franziu o semblante.
'E se tiver guardas do meu pai na rodoviária só esperando eu fazer isso? Não importa! Eu tenho que tentar.' Seus pensamentos a faziam tentar dar coragem para agir contra aquilo que o seu pai planejava.
"Eu te dou o que tenho na poupança, Aurora." Dafne disse com um tom firme.
"Não, nem pensar, não quero que a nossa amizade passe por essas situações de empréstimo. E depois, como eu vou te devolver? Não tem como eu pensar em alguma coisa agora.", Aurora não queria envolver mais a Dafne nisso.
"Eu te falei que eu te dou. Eu não preciso dele, nem mesmo para a faculdade. Você sabe que o meu pai já tem tudo encaminhado pra mim, ele me dá para lazer. Só que eu sempre guardei as mesadas, nunca achei necessário ficar gastando por aí com coisas que eu não preciso! E agora eu preciso ajudar a minha melhor amiga, então, se você recusar vai estar me ofendendo. Como você pode me deixar apenas observando isso tudo acontecer com você?! Não vou ficar de braços cruzados." Afirmou Dafne com uma voz alta.
Mesmo com o olhar hesitante de Aurora, Dafne pegou o celular, entrou no aplicativo de banco, achou a conta da sua amiga em seu histórico e fez a transferência de 37 mil dólares para ela. E exibiu o comprovante em sua frente.
"Eu não acredito nisso! Que absurdo! Desfaça imediatamente!" Aurora gritou indo para cima da amiga e tentando pegar o seu celular. Dafne escondeu atrás das suas costas.
"Nossa amizade nunca vai estragar por isso, ela é muito mais forte que isso. Sei que vai te ajudar!" Dafne disse confortando a amiga e bloqueando o celular.
37 mil dólares? Como a Aurora ia pagar isso? Claro que ela não ia aceitar isso de mão beijada.
Vendo que Dafne não ia ceder, ela desistiu de tentar pegar o celular da amiga. Agora ela tinha mais uma dívida.
"Esquece Dafne! Tem guardas ali fora, e deve ter guardas de patrulha na rodoviária, e no aeroporto deve ter também."Aurora estava pessimista diante da análise de toda essa situação.
"Vamos planejar como se livrar deles, temos a noite inteira para isso." Dafne se levantou e pegou um papel A4 para organizar o plano.
Sentou na cadeira da mesa da sala de jantar, e bateu as mãos insinuando para que Aurora também se sentasse.
Aurora observou os movimentos da amiga por uns segundos e se sentou ao lado da amiga.
Juntas ficaram à noite planejando. Pesquisaram o primeiro horário do ônibus, e armaram em como distrair os guardas.
Elas não dormiram, às 5 horas da manhã a mala pequena com os pertences de Aurora estava pronta.
"Vamos começar! Vou distrair eles!" Dafne estava com uma blusa com decote saliente, e com dois copos de cafés na mão.
Aurora assentiu. Ela estava nervosa, pensando o que aconteceria se tudo que planejaram fosse por água a baixo.
Dafne saiu da casa e foi em direção ao Audi vermelho, parou em frente à porta do motorista, e deu um leve toque na janela.
Os dois guardas estranharam, olharam para o relógio. '5 horas da manhã? Que diabos essa menina quer?' Logo a janela do motorista abriu.
"Hey, sei que vocês estão aí a muito tempo, eu e a minha amiga não conseguimos dormir hoje à noite, vocês devem imaginar o por quê...não conseguimos dormir essa noite...nós estávamos nos divertindo um pouco..." Dafne pausou a fala, e deu uma risadinha maliciosa. "E eu pensei, por quê não levar dois cafés para eles?" Ela fez uma voz de boba.
Dafne se abaixou um pouco e deixou o seu decote um pouco mais a mostra, e colocou os copos na altura do seus seios. Ela sabia que eles não fariam nada pela a posição importante que a sua família na cidade, por isso não tinha medo de ajudar Aurora dessa forma.
Os guardas se perderam com os olhos no decote de Dafne, enquanto isso, ela mexeu as pernas como sinal para Aurora sair da casa.
Aurora cobriu o seu rosto com o cabelo e foi andando rápido até a esquina na esperança de pegar o primeiro táxi ou ônibus que aparecesse.
Logo o guarda que estava no banco passageiro deu uma cotovelada no braço do outro ao seu lado.
"Não olhe assim para ela, lembre-se de quem ela é filha e para quem estamos aqui." Alertou o guarda do banco de passageiro ao parceiro.
Logo Dafne se aproximou um pouco, "O que você está dizendo? Não quer aceitar o meu café?" Ela fez uma carinha de coitada, fingiu tropeçar e conduziu o seu corpo pra frente e derramou o café quente no guarda que estava no banco do motorista.
"Caralho! Sua pu..." O guarda gritou em pânico, desesperado com a queimadura na sua barriga, logo ele sentiu outra cotovelada como um aviso para tomar cuidado com as palavras com Dafne.
Afinal estavam ali para vigiar e esperar as 24hrs de Aurora e não arrumar mais problemas.
O outro olhou para frente e viu uma mulher loira parada na esquina esperando. Logo voltou os seus olhos para a casa. E olhou para a mulher de novo que estava entrando no táxi. Logo, ele ligou os pontos.
"Porra! É a Aurora!" Ele apontou na direção do táxi para o seu parceiro ao lado que ainda estava em pânico.
"Corre em direção daquele táxi!" Berrou o homem do banco de motorista.
O outro ligou o carro sem pensar na dor da queimadura, pois as consequências que seria perder a filha do senhor Hanzel seria pior.
Eles foram tão rápidos que entraram na frente do táxi assim que o carro estava partindo a largada para a estrada.
Nos planos de Aurora, ela iria de táxi até a cidade de Scarle, uma cidade próxima que ficava á 400km dali.
Assim que travaram o caminho do táxi, o guarda do banco do passageiro desceu, e arrancou brutalmente Aurora e a mala dela pequena dali. E a enfiou dentro do Audi vermelho.
Ele pegou o celular e discou o número de Hanzel.
Nos fundos dava para ouvir Dafne gritando com uma voz desesperada: "Nããão! Solte ela agora!"
Os guardas ignoraram as súplicas de Dafne, o motorista do táxi deu largada saindo correndo daquele local porque não queria problemas naquela madrugada.
Do carro a Aurora olhou pra a Dafne, e acenou negativamente para ela, era um pedido que ela se afastasse, e voltasse para a sua casa. Não queria causar mais problemas para amiga.
Aurora estava sofrendo, mas de forma alguma queria causar sofrimento para a amiga, e se Dafne tentasse ajudar ela agora as consequências seriam piores.
"Isso não vai ficar assim, vou fazer uma denúncia imediatamente!" Dafne sussurrou para si mesma revoltada com tudo que estava acontecendo na sua frente.
Em seu avião particular, Leon Ferri passava os dedos concentrado em seu iPad Pro se atualizando das notícias da bolsa de valores, quando foi interrompido pelo seu secretário particular Thomas.
"Com licença senhor Ferri, a reunião com o senhor Klein foi confirmada hoje mesmo para ás 14h. Precisa que seja feito algo a mais?" Disse Thomas com uma voz neutra, que soava automática sempre que estava relembrando a sua agenda.
Leon balançou a cabeça e fez um gesto com a mão que indicava que ele já podia se retirar após de dar aquele aviso.
Mesmo que Leon tivesse pedido para marcar aquela reunião em cima da hora, ninguém recusava o pedido de um homem com tanto poder, influência, território e dinheiro, até mesmo um estúpido como Hanzel Klein.
Assim que Leon terminou de ler as notícias, ele abriu um pouco a janela do banco, e logo avistou Watervill, e ficou observando a cidade de cima com olhos sombrios, se lembrando de tudo que aquela cidade o causou no passado.
Já havia se passado 10 anos desde que saiu de lá, e depois do que conquistou e se tornou, agora era a hora certa de colocar o seu plano de destruir tudo da familia Klein tinha erguido.
Tudo que Leon conquistou foi através da raiva, dor, ódio e a angústia que todo aquele esquema oculto e sombrio daquela cidade o fez passar. Todos os responsáveis iam pagar. Um por um.
Tudo aquilo que Hanzel Klein levantou, ele iria demolir. E queria que ele assistisse, e sentisse toda a dor da perda, e depois o torturar até a morte.
Hanzel Klein devia sangrar e sofrer, assim como muitos daquela cidade sangraram, inclusive toda a família de Leon.
"Senhor Ferri, tem certeza que pretende continuar com esse plano? Watervill vale tanto assim?" Disse seu assistente Freddy. Ele era seu braço direito, e estava sentado ao banco da frente.
Leon o ouviu, fechou a janela, e depois o encarou: "Continuar?" Bufou. E completou com um uma voz firme: "Ainda nem comecei."
Leon abriu o vidro de whisky, se serviu, e virou o copo tomando tudo em um gole.
Freddy desviou o olhar dele e se serviu um copo de whisky para aliviar a tensão que Leon tinha causado com aquela fala.
Ele estava com ele desde o começo, mas ainda sempre se surpreendia com todos as suas atitudes e habilidades. Ele não ousava ir longe demais nas conversas, apenas fazia o que tinha que ser feito.
Apesar de não ir frequentemente naquela cidade, ele mantinha uma mansão dentro de um condomínio de luxo. Ela sempre estava pronta para a sua chegada.
Toda a sua rotina era passada diretamente para os funcionários ficarem atentos.
Tudo devia ocorrer sob seu devido controle. Na cabeça de Leon, ele não tinha tempo para desperdiçar, apenas quando queria ceder aos seus prazeres e necessidades.
Quando chegou em sua mansão, Nancy o recebeu prontamente.
Ela já tinha 58 anos de idade, e Leon deixava Nancy, sua filha Rose, e sua neta Tina morarem na área de empregados da mansão.
Ela havia sido a sua babá, e conhecido a sua mãe e o seu pai.
E a filha de Nancy, a Rose, teve a gravidez de Tina quando tinha 16 anos de idade. O pai de Tina morreu em uma troca de tiros no mesmo dia que Rose tinha descoberto a gravidez, e Leon ajudou ela atendendo o seu pedido de tirar do colégio e negociar com o diretor para que ela pudesse viver a gravidez em casa. Ele conseguiu negociar tudo para que Rose pudesse viver livre de vergonha.
Leon sentia um carinho fraterno por Nancy, e queria que sua filha, e sua neta vivessem tranquilas.
Por isso, deixou que elas vivessem ali naquela mansão. Pediu para que continuassem trabalhando e mantendo o lugar.
Nancy e Rose eram muito gratas á ele. Ele tinha livrado Rose da vergonha de ser humilhada pelos colegas de sala, e também dos comentários da cidade com a sua gravidez inesperada.
Elas receberam ele como tudo foi solicitado, apesar de Nancy ter uma grande consideração pessoal por Leon, ela tratava sempre com muito profissionalismo, e não dava opinião em sua vida.
Leon quando entrou na mansão não conseguiu dar atenção a nostalgia que aquele ambiente o causava, pois o seu corpo estava cedendo a exaustão das viagens e reuniões.
Subiu para o seu quarto, tomou banho, e tinha planejou tirar um cochilo, para que depois do almoço estivesse pronto para a reunião com Hanzel.
Hoje finalmente ele iria se encontrar com aquele verme.
Enquanto isso, quando Aurora chegou no principal bordel do seu pai, ficou assustada com o tamanho daquele local.
Tinha muitos tipos de ambientes: para o bar, para strippers se exibirem, as salas privativas, os quartos, para eventos e festas comemorativas.
Aquilo não era só um bordel, era um centro para todos os negócios do seu pai. Era tudo em uma coisa só. E chamar de 'bordel' era só uma fachada.
Aurora ficou um pouco constrangida quando via mulheres semi-nuas passando com naturalidade com homens recebendo pagamento, e muitas acenavam para os guardas que passavam com Aurora caminhando.
Apesar do clube estar parado naquela manhã, havia alguns clientes que saiam do quarto todos desajeitados, e com roupas amarrotadas.
Quando Aurora reconheceu alguns rostos dos pais de colegas de classe e também de clientes que iam na cafeteria, abaixou a cabeça rapidamente, não queria de jeito nenhum ser reconhecida.
Ela ainda estava sendo levada para mais fundo do grande clube, dava passos largos seguindo o guarda que estava responsável por vigiar desde a fuga.
Nesse outro andar ela ouvia risadas histéricas de mulheres, e uma música alta lenta com uma melodia sensual vindo de uma sala de dança. Muitas mulheres já estavam treinando ali o que elas fariam a noite.
Toda aquela visão de Aurora foi totalmente desfocada quando ela olhou para o guarda falando com o seu pai, ele estava informando que ela já tinha chegado.
Ela estava muito tensa, assustada e atordoada, com os lábios secos, e com a pele fria. Se perguntando o que seria dessa sua vida á partir desse momento.
Haveria chance de terminar seus estudos? Construir a sua própria carreira? Ser livre para tomar as suas próprias decisões?
'Ah, se pelo menos aquele táxi tivesse acelerado um pouco mais.' Ela lamentou em seus pensamentos.
O guarda agarrou a puxou e a jogou dentro de um quarto daquele corredor.
Ela cambaleou quase caindo no chão.
"Fique aqui! Eu vou pegar um uniforme de garçonete, trazer um maquiador e cabeleireiro. O senhor Klein disse que você irá trabalhar como garçonete no clube hoje, isso inclui atender nas reuniões, eventos, e durante os shows, servindo sempre que for preciso." O guarda estava passando as instruções como havia sido ordenado por telefone.
Antes dele sair, Aurora agarrou a manga da sua camisa e disse: "Por favor, não deixe ninguém vir aqui me ver! Pode me trazer o material? Eu mesma posso fazer a minha maquiagem e cabelo. Olhe o meu estado!" Ela implorou.
Ele olhou para a garota, e a princípio ficou encantado com o seu rosto pidão, e inconsciente desceu os seus olhos para olhar os seus seios.
Quando Aurora percebeu isso, deu dois passos para trás.
Ela sabia que qualquer coisa que pedisse naquele local era considerado um favor, e ficar devendo um favor ali poderia condenar o seu futuro.
Ao pensar nisso, um desespero sucumbiu a sua mente, só depois de pedir, percebeu que agiu por impulso por implorar algo ao guarda do seu pai.
O guarda ficou relutante a princípio, mas como o dever hoje era somente trabalhar como garçonete, achou que não devia ser exigente com esses detalhes.
"Tudo bem senhorita Klein, mas não se acostume." Dessa vez ele ia deixar passa.
É claro que ele queria ter algo com a filha do chefe, mas não ousaria, pois não sabia quais eram os reais planos para ela.
Assim que o guarda saiu, Aurora pegou o seu celular para saber notícias de Dafne, e viu que não tinha nada ali. Ela achou muito estranho, porque a sua amiga sempre mantinha contato.
Depois ela viu que em sua tela de bloqueio havia mais de 30 notificações de Nate. Ela respirou pesado, ver essas mensagens só gerava mais frustração. Precisava cortar laços com ele imediatamente, sem incluir Dafne nisso. Não queria mais problemas para a sua amiga.
Colocou a sua mão tremendo na testa, esfregou, tentando raciocinar. Resolveu mandar uma mensagem pra Nate dizendo:
'Está tudo bem, não preocupe. Antes de ir dormir hoje, eu te ligo!' Clicou em enviar.
Depois voltou a pensar em Dafne. E decidiu ligar para ela, mas a chamada só dava na caixa postal.
'Cadê você? O que aconteceu? Estou muito preocupada! Me mande notícias URGENTE!' Aurora tava muito preocupada com a amiga.
Logo ela se lembrou dos 37 mil dólares.
Rapidamente abriu o aplicativo do banco com a intenção de transferir todo aquele dinheiro para a amiga novamente.
Quando abriu o aplicativo, recebeu uma notificação do banco que ela estava bloqueada: não podia fazer transferências e nem movimentar a conta.
Aurora franziu a testa. Se pudesse quebraria o seu celular no chão depois de ler aquilo.
Isso só podia ser coisa do seu pai.
'E agora? Como eu vou devolver esse dinheiro para Dafne?' Pensou Aurora cada vez mais tensa, e se sentindo sufocada com tantas situações sem saída.
De repente, a porta se abriu, e era o guarda com o uniforme de garçonete nos braços, e com uma maleta que havia acessórios e pincéis de maquiagem.
"Tome banho, descanse, e se você quiser comer algo pode ir até a cozinha das meninas, fica no final do corredor. Não saia desse andar, venho te buscar ás 14h." Ele instruiu como Hanzel tinha ordenado na ligação.
Antes de dele ir embora, Aurora pediu o seu nome, ele disse rapidamente Dante.
Ela olhou para o uniforme e suspirou pesadamente.
Que tipo de vida levaria á partir de agora? O que o seu pai planejava? Onde estava Dafne? Como ela recuperaria o dinheiro? O que diria para Nate na ligação? Todas essas preocupações giravam em torno da sua cabeça.
Ela caminhou até o banheiro do quarto, ficou observando o novo ambiente, olhou para o espelho, e percebeu que estava com uma aparência cansada. Havia um peso embaixo dos seus olhos, parecia que um trator tinha passado por cima dela.
Colocou tudo que Dante tinha levado pra ela na prateleira do banheiro, estava muito insegura de sair enrolada em uma toalha para se vestir no quarto.
Tinha medo de qualquer guarda ter uma chave reserva e que entrasse sem permissão. Afinal, não conhecia os métodos daquele lugar.
Trancou a porta do banheiro, e tomou um banho quente para tentar relaxar o corpo e aliviar a pressão que estava acontecendo nas suas últimas 24 horas.
Enquanto Aurora se arrumava, ela cantava para se distrair dos próprios pensamentos. A sua avó sempre mantinha a rotina de Aurora ocupada desde quando era criança, ela já havia praticado canto, ballet, piano, aulas de espanhol, alemão, italiano, e francês, ela dizia que um ditado "mente vazia, oficina do diabo", e não queria que Aurora ficasse pensando muito no seu passado, ou desse atenção as pessoas julgando ela. Ela também cobrava ela nos estudos, e se sobrasse tempo aos finais de semana, elas se dedicavam aos serviços de casa.
Muitas cargas horárias diminuíram quando Aurora começou a trabalhar com a sua mãe no salão de beleza, e depois na cafeteria, mas ela já estava acostumada a levar uma vida disciplinada desde criança.
Grace passava pelo corredor quando ouviu uma voz afinada e doce vindo do quarto que havia sido arrumado na última noite. Ela ainda não acreditava que a filha do patrão havia aceitado a levar essa vida por vontade própria.
'É obvio que ela quer herdar tudo isso!' Pensou Grace consigo mesmo.
Logo, avistou Jéssica, gesticulou pra ela vir até onde ela estava. Jessica obedeceu o comando da amiga, e foi até a sua direção.
"Ouça! É ela!" Cochichou para Jessica.
"Pelo jeito, é metida! Já está querendo exibir as suas qualidades!" Exclamou Jessica com inveja.
"Meninas!" A voz autoritária de Ranya veio por trás chamando atenção. "Estou vendo que vocês estão com muito tempo livre! Já acabaram o ensaio por hoje? Se não melhorarem os passos no 'pole dance' não vão atrair mais homens, e assim a casa não vai gerar mais lucros, e a comissão de vocês vai decair!" Repreendeu a mulher, ela parecia estar furiosa com as duas.
"S-Senhora Ranya?" Jessica pulou para frente do susto que tomou e segurou no braço de Grace.
Grace olhou assustada para Ranya, e rapidamente recompôs a postura, pois sabia que devia levar aquela mulher a sério.
"Olha para a cara de vocês duas! Como vão seduzir algum homem essa noite? Vocês não estão em qualquer categoria pra ficarem passeando por aí! Precisam se preocupar em manter uma boa aparência, ou não terão nenhuma serventia aqui!" Ranya olhou as duas com desdém como se elas fossem objetos.
"Peço desculpa senhora Ranya, não era a nossa intenção...eu estava indo na sua direção para entregar o caixa que fiz essa noite." Grace balançou a sua mão direita com o dinheiro que havia recebido da noite anterior.
"Você acha que me engana Grace?" Rapidamente Ranya arrancou o dinheiro da mão dela, e a encarou irritada e desconfiada.
Logo o seu olhar foi para o dinheiro, e ela foi contabilizando ele em seus dedos conferindo a quantia.
"Dez mil doláres?" Ranya disse com um tom esnobe. "Foi isso que você conseguiu arrancar daquele velho mórbido?"
Grace ficou sem palavras apesar que já estava acostumada a ser ofendida por Ranya há anos. Ela não conseguia disfarçar a raiva no seu olhar.
"Tô achando que você precisa ser rebaixada para aprender uma lição, Grace. Você sabe qual tipo de mulheres priorizamos aqui. Se você não consegue tirar mais dinheiro da elite, então o seu corpo, e a sua beleza não são úteis pra permanecer, e você deveria ir para outro clube...é isso que você quer, se juntar aqueles pobretões? Burguesinhos de classe média? Adolescentes desesperados para perder a virgindade? Talvez seja essa merreca que você quer receber! Ou será que talvez você esteja escondendo algo...mas acho que você não se atreveria...não preciso ditar as consequências de novo pra você, não é?" Ranya se aproximou das duas que estavam paralisadas, olhando com arrogância para Grace.
Sem dar tempo para Grace abrir a boca, Ranya encarou Jessica que estava como um coelho encolhido. "E você Jessica? O que você tem pra me entregar?"
"Senhora, e-eu já levei tudo para o caixa que recebi de dinheiro. M-m-meu trabalho terminou mais cedo, p-pois atingi a quantia antes mesmo das 2 horas da manhã, e e-eu estava no treino de pole dance, mas já terminei. Estava voltando para o dormitório." Jessica gaguejou e seu tom de voz era baixo, ela se sentia culpada mesmo sem razão.
"Hum, é mesmo?! Então por que ainda está aqui, e já não está cuidando dessa sua cara de morta e sonsa?" Ranya aproximou o rosto para perto da Jessica, arqueando a sobrancelha com um tom intimidador.
"E-entendi senhora!" Jessica saiu ás pressas dali diretamente para o seu quarto sem olhar para trás.
Grace revirou os olhos após ver Jessica quase tropeçando de tão rápido que estava o seu andar, e depois olhou para baixo esperando o próximo comando.
"Fique esperta Grace! Posso acabar todo o seu glamour em 5 minutos de conversa com o senhor Hanzel. Sei muito bem o que você está fazendo aqui em frente dessa porta...e se eu descobrir que você guarda algum dinheiro, ou está planejando algo...lembre-se de Clara. Oh, a sua irmã iria sofrer muito, não é?" Ranya disse em um tom baixo e ameaçador perto do seu ouvido. E depois fez um gesto com um olhar que ela já podia ir.
Grace estremeceu com aquelas palavras, cerrou levemente os punhos, deu uma breve olhada aquela porta que tinha ouvido a mulher cantando. Quando Ranya mexeu o seu corpo para o lado para que ela pudesse passar, saiu dali rapidamente.
Ranya se virou para encarar Grace saindo, e depois olhou para aquela porta, girou a maçaneta, e percebeu que estava trancada.
Ela já tinha sido informada que Aurora já tinha chegado. Ela deu três batidas fortes na porta.
Aurora estava assustada, pois tinha parado de se arrumar após ouvir um grito de "meninas" por de atrás da porta do seu quarto, e tinha escutado a discussão das mulheres até Jessica sair.
Ela foi a direção a porta e abriu, viu a mulher com um vestido preto no material de couro, ele destacava bem seus seios volumosos que fitava bem o seu silicone, cabelo preto com corte chanel, olhos com sombra escura, e com um batom vermelho escuro.
A sua presença era dominante, aparentava ter quarenta anos pelo seu rosto mais maduro, mas era bem retocado pela sua maquiagem, Ranya tinha o corpo em forma e tinha uma postura elegante.
"Olha só! Nunca pensei que teria a oportunidade de conhecer a filha de Hanzel Klein na minha vida!" Ranya saudou aquela mulher com um tom alto na sua voz, enquanto olhava o seu corpo de cima a baixo abrindo um sorriso travesso.
'Ah! Nem eu pensei que ia estar nesse lugar algum dia!' Pensou Aurora consigo mesma, encolheu os ombros após ouvir a mulher, olhou vagamente para baixo, e depois voltou a olhar para ela.
"Desculpe...Quem é você?" Disse Aurora com uma voz sútil.
Ainda era de manhã, já tinha acontecido muitos transtornos, e apesar de Aurora não querer falar com ninguém, ela não queria problemas, por isso tentou ao máximo manter a educação.
"Sou Ranya Charlotte, olhos e ouvidos de tudo que acontece aqui dentro do clube. Gerencio todas as mulheres aqui senhorita Klein. Seu pai tem confiança em mim desde o começo do negócio, e eu nunca o decepcionei." Ela sorriu confiante e estufou o peito. Ela ainda notava o semblante da Aurora, e percebia que ela estava insegura e confusa.
"Sabe senhorita Klein, nunca pensei que cederia tão facilmente á esse trabalho por vontade própria. Você devia estar esperando mesmo a morte da sua avó para vir correndo pra aqui...bom, sorte a sua que tem um rosto angelical e um corpo escultural..." Ranya sorriu de canto, entrou no quarto, fechou a porta, e deu passos largos para dentro do cômodo.
Se virou para encará-la novamente e continuou dizendo: "Mas você acha que é só isso que precisa para manter uma vida boa por aqui? É preciso ter um pouco mais de experiência. Diga-me, com quantos homens já dormiu?"
Vontade própria? Rosto angelical? Corpo escultural? Experiência? Era muita informação para Aurora processar.
'Essa mulher realmente achava que eu escolhi essa vida? É isso que meu pai falou para ela?' Ao pensar nisso Aurora franziu a testa, e ainda estava em silêncio, parecia que não tinha ouvido a pergunta.
Ela percebeu que a mulher continuava a encarando, esperando uma resposta. Na expressão de Ranya parecia ter alguma expectativa.
"Você sabe do que os homens gostam?" Ranya insistiu na sua pergunta, se aproximando dela, e colocando a sua mão esquerda na cintura fina de Aurora, e depois olhou para os seus seios.
Ela não conseguia ter noção do seu tamanho real, porque Aurora estava vestida com a roupa de garçonete. Era um vestido curto mas modesto que evidencia mais a suas coxas pois era 5cm acima do seu joelho, mas ele não tinha abertura na parte superior para não distrair os funcionários e guardas durante o período diurno.
"Você se toca?" Ranya apertou a mão na sua cintura com a intenção de provocar uma reação em Aurora.
Aurora estremeceu não sabia quais eram as intenções daquela mulher nesse momento, deu um passo para trás ao sentir as suas mãos.
"Dona Ranya, não sei o que está pensando sobre mim, mas as coisas não são assim como aparentam." Aurora tentou manter uma voz firme, mas a presença intrusa de Ranya e as suas provocações incomodava extremamente Aurora e a deixava insegura.
A mulher soltou um gargalhada teatral.
"Não me diga que a princesinha ainda é virgem?!" Ela disse no meio da gargalhada.
"Não vá pensando que é fácil me enganar, senhorita Klein!" Completou Ranya com um tom amargo.
Sem compreender muito o que ela quis dizer, Aurora continuou observando aquela situação, e estava cada vez mais preocupada.
Ela sabia que não seria bom reagir a nada que acontecesse aquele ambiente, pois ainda não conhecia nada e ninguém. Não sabia do que realmente Ranya era capaz.
"Bom, mas se for esse realmente for o caso, você terá que adquirir experiências senhorita Klein. E eu vou fazer questão de preparar uma noite especial para a sua "primeira vez..." Ranya soltou uma risadinha sarcástica o dizer as duas palavras, e notou a expressão de medo na Aurora. "Aproveite o seu primeiro dia aqui como garçonete, assim que o seu pai der as primeiras ordens para mim, irei fazer questão de aprimorar o seu trabalho, como uma boa putinha de luxo."
"Cadê o meu pai?" Questionou Aurora espantada com as palavras de Ranya.
Ela tinha que impedir que isso acontecesse, preferia trabalhar como garçonete até atingir sua maior idade.
"Não se preocupe, senhorita Klein. Você vai começar servindo ele na sala de reuniões, com certeza isso é um teste para ver como você se comporta. Ele ainda não me contou qual é o plano pra você, mas te aconselho a ser uma boa menina, porque apesar de ser filha dele, creio que as coisas não vão sair mais fáceis para você, sabe?! Nem quando eu dei o maior orgasmo para senhor Klein, ele não deixava nos seus desabafos após o sexo de desprezar a sua querida filha, dizendo que você não passa de um acidente! Realmente me surpreende a sua atitude de querer começar a trabalhar aqui! Acha que é só abrir as pernas?" Ranya bufou, levantou o queixo de Aurora para olhar em seus olhos, abriu um sorriso sarcástico e exclamou: "Vamos ver que vantagens terá a filhinha do papai!"
Aurora começou a balançar a cabeça com negação espantada com o que Ranya estava enfatizando, e disse em desespero: "Não estou aqui por vontade própria! Meu pai me tirou de casa, me demitiu do meu próprio emprego, e ainda não sei a minha situação no colégio! Eu não quero trabalhar aqui, eu não quero isso pra minha vida!"
Ranya soltou outra gargalhada histérica. Não conseguia acreditar em nenhuma palavra. Para ela, Aurora queria se fazer de coitada e ir conquistando aos poucos tudo e todos que estavam ali.
Aurora respirava nervosa enquanto via Ranya rir da sua cara.
"Use essas habilidades de atriz, senhorita Klein. Vai ser bom pra conquistar muitos clientes no futuro, e fazer os negócios do seu pai faturar cada vez mais!" Ranya se afastou e caminhou até a direção da porta.
"Não me faça perder tempo com essas atuações! E...hum...te aconselho comer alguma coisa antes de começar o seu trabalho, você vai precisar de muita energia, e não vai ser legal se você desmaiar no primeiro dia né?! Lembre-se: o seu dia só está começando." Após dizer com desdém, Ranya saiu do quarto.
Aurora se sentia um pouco tonta após escutar tudo aquilo.
Se sentou na cama, colocou a mão na testa esfregando. Ela estava á beira de um colapso de estresse. Não conseguia pensar em nada, se tivesse como, sairia daquele lugar correndo agora.
Em outra parte do clube, Hanzel estava no seu salão de reuniões, acedendo um charuto e conferindo os relatórios dos lucros que havia dado a última noite.
Quando finalizou, acenou para Dante que estava parado na porta do ambiente.
Dante se aproximou, e ele disse com uma voz autoritária: "Tudo ocorreu como eu ordenei?"
"Sim, senhor Hanzel. Ela já está no quarto, no corredor da categoria A. Me encarreguei do uniforme, e ela me pediu que ela mesma fizesse a própria maquiagem, e cabelo. Deduzi que isso não era muito importante porque ela só irá trabalhar de garçonete hoje, então não solicitei a presença de cabeleireiro e maquiador." Dante explicou com um tom ansioso.
"Não faça o que ela pede, faça o que eu mando!" Repreendeu Hanzel. Mas não estava surpreendido com esse pedido, afinal a sua mãe trabalhou os seus últimos anos em um salão de beleza.
"Sim, senhor, só achei que-" Dante tentava ainda explicar a situação.
"Você não tem que achar nada, só seguir as minhas ordens. Se isso repetir novamente, irá ter consequências." Repreendeu Hanzel novamente o guarda, dessa vez gritando.
Na verdade ele não se importava com esse fato, só queria mostrar quem manda, e deixar eles nunca poderiam obedecer nenhuma ordem da sua filha.
"Sim senhor Hanzel, isso nunca acontecerá novamente." Dante disse com firmeza.
"Ótimo!" Hanzel sorriu satisfeito. "E a filha de Domenico Moore?" Perguntou Hanzel com descaso.
"Já cuidamos de tudo senhor Hanzel. Levamos Dafne Moore para casa assim que a encontramos na porta da delegacia, demos um jeito no boletim de ocorrência que ela fez, o guarda que estava no turno era Patrick, e ele tornou a situação muito mais ágil como o senhor mesmo tinha dito. Erico, o guarda que levou Dafne para casa, explicou que negociou com o senhor Moore, e assim que ele viu as imagens e os videos dele mesmo aqui no clube, teve certeza que aquilo destruiria a sua imagem profissional, e a sua esposa faria a sua vida um verdadeiro inferno! Foi o que Erico me contou! Ele disse que dentro de três dias, ele e a sua família sairão da cidade, e irão para a casa no interior á 300km daqui. Nem muito perto, nem muito longe, assim como o senhor ordenou." Depois dessa explicação Hanzel deu um sorriso de canto, bateu a palma da sua mão na mesa animado, e exclamou uma palavra em alemão que parecia uma comemoração, ele se sentia vitorioso.
"Que pena que eu perdi isso! Gostaria de ter visto a cara desse canalha quando olhou aquele pen-drive! Todos eles fogem que nem ratos!" Disse Hanzel se divertindo com o seu sabor de vitória.
"Nunca se case, Dante! Só assim a sua vida não se transformará em um inferno!" Hanzel aproveitou para debochar e expressar a sua euforia.
"Sim, senhor Hanzel. Este é um ótimo conselho." Dante concordou, não ousaria atrapalhar o divertimento daquele homem.
"E quais são as prioridades para o dia?" Hanzel tragou o charuto e soltou a fumaça após a pergunta.
"O senhor tem uma reunião com Leon Ferri às 14h. Às 17h com a contabilidade para resolver aquele assunto importante dos impostos, o assistente do prefeito disse que irá comparecer. E hoje à noite tem a reserva do filho do senhor Foster, o nome dele é John Foster, ele decidiu dar a festa de aniversário do seu filho, está no pacote de 200 mil dólares, quer que deixe reservado as melhores mulheres. Já solicitei que se encarreguem disso senhor Hanzel. O senhor vai comparecer no evento?" Dante ditou a agenda casualmente.
"Deixe somente o salão 5 disponível hoje, separe as mulheres que dão menos lucro pra lá, e libere a entrada lateral, não vamos fechar o clube inteiro só porque o senhor Foster contratou o pacote de 200 mil doláres." Hanzel ignorou a pergunta e disse com um tom arrogante.
"Certo, senhor Hanzel. Precisa de algo á mais?" Dante perguntou.
"Chame Ranya, e peça pra ela vir até aqui preparada! Preciso relaxar um pouco para clarear a minha mente antes dessa reunião com Leon Ferri." Depois que Hanzel ordenou, ele continuou fumando o seu charuto com o propósito de aliviar a sua tensão.
Sabia que poderia mudar a sua vida negociando com Leon. Ele era influente, e tinha uma enorme expansão no mundo dos negócios em vários nichos em todo o país e exterior. Mas, Hanzel não deixaria se intimidar facilmente.
Seus pensamentos foram interrompidos por uma leve batida na porta.
"Mandou me chamar, senhor Hanzel?" Ranya disse forjando uma voz suave e sedutora.
"Saiam todos!" Gritou Hanzel para os guardas que se encontravam perto da porta.
Quando todos saíram, olhou para direção de Ranya e ordenou: "Tranque a porta!"
Ranya obedeceu, e começou caminhar em sua direção, elegantemente balançando os seus quadris.
Hanzel soltava fumaça do charuto enquanto a observava sem expressão, não dava pra saber se ele estava ou não satisfeito. Ele parecia estar de mal-humor.
Quando Ranya parou em sua frente, ela se arriscou em passar as suas mãos em seus ombros e disse suavemente: "Eu sei bem do que você precisa, meu-" Ela foi interrompida..
"Ajoelhe-se!" Ordenou Hanzel, ele a encarava como se fosse apenas um meio de utilidade. Logo que sentiu as mãos de Ranya em seus ombros, as tirou rapidamente.
Ranya se ajoelhou, e com o olhar de Hanzel, ela já sabia o que fazer.
Ela começou abrir o seu zíper, e passar a sua mão em cima da sua genitália.
Olhou para ele, e perguntou com a voz baixa: "Senhor, posso começar?"
"Fique embaixo da mesa, assim eu não preciso olhar para sua cara." Ele disse em tom de desprezo.
Ele gostava de humilhar Ranya por diversão. Gostava que as mulheres se sentisse apenas uma ferramenta de prazer.
Ranya já estava acostumada com esse tratamento. Ele sempre agia de forma fria no começo do sexo, ás vezes ela achava que era até uma fantasia, mas não ousava perguntar nada no começo, apenas fazia o que ele mandava. Era assim que tinha aprendido a sobreviver ao lado de Hanzel.
Então ela foi para debaixo da mesa e começou a relaxá-lo com o seu toque, depois com a boca.
Hanzel continuava com o seu charuto, e respirava pesadamente com tesão e liberando o estresse.
"Mais fundo, vadia!" Hanzel suspirava enquanto Ranya intensificava os seus movimentos com a boca.
Ele colocou o charuto no cinzeiro, e começou a se movimentar fortemente para alcançar o fundo da sua garganta.
Ele socava com força para dentro daquela pequena boca, e ela suportava, mas quase sempre ficava sem fôlego, e lacrimejava por causa da força que ele aplicava no movimento.
Ele soltava uns gemidos abafados, e quando ia chegar ao seu ápice, pediu para que ela colocasse o seu rosto entre as suas pernas para que ele pudesse gozar na sua cara.
Ela agiu rapidamente assim como ele pediu.
Ele segurou a sua garganta com força, e com outra mão gesticulou com um movimento rápido jorrando todo o líquido no rosto de Ranya.
Ela ficou imóvel apenas o encarando com um olhar obediente, recuperando o fôlego. Ele olhou para ela e deu uma leve batida na sua bochecha.
"Muito bem, minha querida!" Ele colocou os seus dedos nos seus lábios. Os cantos dos lábios de Ranya estava borrado com o seu batom vermelho.
"Você gosta do meu sabor?" Hanzel perguntou com um tom de satisfação, ele gostava de olhar dentro dos seus olhos lacrimejando, de ver que ele podia abusar sempre que pudesse daquela mulher quando precisava desestressar.
"Sim senhor." Disse ela com uma voz baixa e mansa.
"Então implore por ele..." Hanzel olhando ela com um olhar perverso, pegou na sua nuca, segurou no seu cabelo, arrastou a sua cadeira para trás, e deu espaço para que ela pudesse sair debaixo da mesa, ele puxou o seu cabelo em sua direção.
Ranya aguentou aquele impulso e o puxão de cabelo sem gritar, apesar do seu coro cabeludo queimar, ela continuou olhando para Hanzel e disse: "Por favor senhor Hanzel, eu quero sentir o seu sabor nos meus lábios."
Ele segurou com mais força o seu cabelo sem puxar e continuou a encarando.
"Por favor...por favor, senhor Hanzel, posso sentir mais o seu gosto dentro de mim?" Ela não conseguiu disfarçar a dor após ele segurar mais forte, mas sabia que significava que ela não tinha implorado o suficiente.
Hanzel deu um sorriso de canto, já estava satisfeito com aquele momento, ele só queria que ela se humilhasse mais.
Ranya sabia exatamente como satisfazer as suas necessidades, afinal aquela mulher era só reservada para ele desde quando a trouxe do exterior, apesar dele nunca assumir compromisso com nenhuma desde a mãe de Aurora.
Hanzel tirou ela do centro das suas pernas, soltou a sua nuca, arrastou a sua cadeira para o lugar certo, e abotoou a sua calça.
"Pode ir se limpar! E depois, volte aqui, vou te recompensar, vamos almoçar juntos hoje." Disse Hanzel com um tom casual com um semblante mais relaxado, aproveitou e pegou um jornal do dia que estava em cima da sua mesa desde quando tinha chegado, e começou a ler as notícias.
"Obrigada senhor Hanzel." Ranya se levantou, e foi em direção ao banheiro que tinha na sala de reunião, logo que ela se olhou no espelho, e viu a sua cara lambuzada com a sua maquiagem toda borrada.
Começou a esfregar com força para que ninguém percebesse a humilhação que passava, ela tinha que manter a sua imagem de 'Senhora' para todos, mas para conseguir o que queria tinha que adotar outro comportamento com Hanzel.
Naquele banheiro do salão de reuniões não tinha o seu material de maquiagem, então ela decidiu que primeiro iria almoçar, e depois se arrumar no seu quarto porque sabia que Hanzel não gostava de esperar por nad.
Logo que acabou de se arrumar, voltou para a mesa, se sentou e não falou nada, apenas ficou esperando o almoço ser servido.
Ela olhou para o relógio e já era meio-dia e quarenta e cinco minutos.
Hanzel percebeu a sua presença, mas ainda mantinha a sua atenção no jornal.
Depois de tudo que Ranya havia passado esses anos, ela queria saber qual tipo de humilhação a Aurora ia receber, lembrando disso ela deu um sorriso distraidamente.
"Mulheres!" Hanzel zombou, terminando de ler o jornal, e colocando o seu olhar no rosto de Ranya, e continuou a sua fala: "Enganam sempre quando podem, basta você ir no banheiro e tirar o reboco que eu posso enxergar os defeitos daquilo que você aparentava ser minutos atrás! Ainda bem que eu te dou condições para você se cuidar, e não ficar uma velha descuidada. Sabe, baby posso ficar com várias mais novas, mas nenhuma faz como a sua experiência. Então, faça tudo que puder para manter o seu rosto belo e jovial, assim sempre você vai poder me dar prazer." Ele piscou para ela, e sorriu com normalidade.
Na concepção de Hanzel, falar isso era na verdade bom, ele achava que era até mesmo um elogio para Ranya, afinal ele á sustentava, e dava para ela condições para manter todos os seus caprichos. E ele confiava na sua capacidade profissional, ela estava com ele desde o início do negócio, tinha dado direitos para ela cuidar da gestão de todas as mulheres dos clubes. Então ele não se importava de falar o que pensava para ela.
"Você acha que eu estou velha?" Ranya não pode evitar de se sentir ofendida. "Sempre vou fazer o meu melhor por você, senhor Hanzel."
"Não precisa manter cordialidade agora, Ranya." Hanzel ignorou a sua pergunta.
Na verdade, ele não achava algum defeito em seu rosto, tão pouco a achava velha, pra ser sincero ela parecia muito mais nova do que aparentava, só queria dar um aviso á ela.
Ranya percebeu que Hanzel estava começando a dar abertura para tratá-lo com mais intimidade. Ela sempre esperava ele chegar esse ponto antes de começar a fazer perguntas.
"Encontrei com a sua filha nessa manhã, ela já estava vestida com o uniforme. Vai mantê-la trabalhando de garçonete aqui no clube ou tem outros planos?" Perguntou Ranya com a intenção de mudar de assunto para que não fosse mais ofendida.
Antes de Hanzel abrir a boca, o almoço dos dois foi servido. Ele colocou a comida em seu prato antes de respondê-la, e após ele se servir, ela fez o mesmo.
"Vamos ver como ela se comporta, e como atrai a atenção dos clientes hoje à noite. Até amanhã de manhã eu vou decidir definitivamente o que irá acontecer com ela. Agora, me atualize do fechamento de caixa de todas as categorias. Como está desempenho das garotas?" Depois de perguntar isso, ele começou a comer.
Ranya começou a informá-lo de todos os acontecimentos da última noite, destacou as melhores e as piores.
Hanzel franziu a testa pois não estava satisfeito que o seu faturamento não estava subindo conforme a sua expectativa. Ele esperava mais desempenho, e colocava mais pressão nas costas de Ranya.
"Chegará uma nova demanda de mulheres essa noite, a maioria são estrangeiras, separe as que tem melhor aparência, e se tiver, as virgens, na categoria A, e as outras mande para os outros clubes inferiores, pretendo negociar o valor dessas." Informou Hanzel com uma voz de comando, terminando a sua refeição.
"Certo. Quantas serão?" Perguntou Ranya.
"Vinte. Por volta das 23hrs estarão na 'dispensa'. Acostume elas com o novo ambiente. Você sabe...sempre tem umas que se assustam com o que escolheram e querem fugir. Não deixe que tenham escapatória!" Hanzel disse em tom frio, apoiando as suas mãos na mesa, e olhando seriamente para ela.
"Pode deixar, elas serão muito bem instruídas! Irei preparar umas experiências divertidas para testar a capacidade conforme a sua categoria." Ranya disse devolvendo o olhar sério para Hanzel.
Hanzel sorriu satisfeito com a sua resposta, e disse: "Você nunca me decepciona."
Ranya sorriu de volta, aliviada por ouvir aquilo depois de ter levado desaforo minutos atrás.
Quando Hanzel terminou a sua refeição, e viu que ela também, ele começou a dar ordens:
"Chame os guardas de volta, volte para a categoria A, e prepare Aurora para começar a trabalhar imediatamente. Ela vai começar servindo na reunião das 14h com Leon Ferri." Hanzel voltou a usar o seu tom autoritário.
'Leon Ferri? Meu Deus, o empresário e o maior produtor da indústria de entretenimento: Leon Ferri?!' Ranya pensou e ficou supresa com aquela notícia.
'Com certeza o meu trabalho estava sendo ótimo para alcançar até mesmo Leon Ferri para reuniões. Algum cliente de alguma mulher da categoria A deve ter amizade e contado pra ele a sua experiência no clube que chamou atenção.' Ela estava animada com os próprios pensamentos.
Hanzel olhou para o relógio, percebeu que Ranya estava distraida, e gritou com Ranya: "Depressa!"
Ranya levantou rapidamente assustada com a sua mudança de humor e grosseria.
"Sim senhor, já vou prepará-la!" Ranya saiu dali com uma postura elegante caminhando rapidamente. Chamou os guardas e foi em direção do corredor da categoria A.