"Sofia, preciso te contar uma coisa." A voz de Pedro me tirou do nosso silêncio confortável, com o macarrão de jantar esquecido na mesa de centro.
Meu noivo, o homem com quem eu planejava uma vida, um futuro. "A Juliana... minha chefe... ela está grávida." Ele disse, e em seguida, como uma pedrada, "O filho é meu, Sofia."
As palavras dele caíram como pedras no ar. Meu cérebro levou um segundo para processar. Sentindo meu corpo gelar, eu sussurrei: "Você... você me traiu?"
Ele não sorriu de volta. Seus olhos evitaram os meus. "Não é sobre a promoção." Ele se apressou em dizer, "Escuta, eu tenho um plano. A Juliana é poderosa. Essa criança vai solidificar minha posição na empresa."
Ele falava como se estivesse me oferecendo o negócio mais razoável do mundo, me colocando na prateleira como um objeto em espera. "Eu estou fazendo isso por nós, Sofia. Pelo nosso futuro." Ele não tinha ideia de quem eu era.
A dor no meu peito se transformou em uma raiva fria e cortante. A ingenuidade que me fez amá-lo se quebrou em mil pedaços.
"Acabou, Pedro." Minha voz estava sem nenhum tremor. "Pegue suas coisas e saia do meu apartamento."
Ele me olhou com desprezo. "Você não vai encontrar ninguém que se importe com você como eu."
Eu ri. "Ah, Pedro. Você não faz a menor ideia do erro que você cometeu."
"Sofia, preciso te contar uma coisa."
A voz de Pedro soou séria, quebrando o silêncio confortável do nosso pequeno apartamento. Estávamos sentados no sofá, o prato de macarrão que eu tinha preparado para o jantar esquecido na mesinha de centro.
Eu me virei para ele, um sorriso leve nos lábios.
"O que foi, meu amor? Conseguiu a promoção?"
Pedro era gerente de marketing, ambicioso e dedicado, e eu sempre apoiei sua carreira.
Ele não sorriu de volta. Seus olhos, que eu tanto amava, evitaram os meus. Ele respirou fundo, como se estivesse se preparando para um mergulho em águas geladas.
"Não é sobre a promoção."
Ele fez uma pausa, e um frio começou a subir pela minha espinha.
"A Juliana... minha chefe... ela está grávida."
Eu o encarei, confusa.
"Que pena. O marido dela deve estar..."
"O filho é meu, Sofia."
As palavras dele caíram no ar como pedras. Meu cérebro demorou um segundo para processar. O som da TV ligada no mudo pareceu de repente alto demais. O cheiro do molho de tomate, enjoativo.
Meu noivo. O homem com quem eu planejava casar, ter filhos. Tinha engravidado outra mulher. Sua chefe.
"O quê?" Eu sussurrei, a voz falhando.
"Aconteceu. Eu não planejei, foi um erro," ele disse rapidamente, as palavras tropeçando umas nas outras. "Mas agora é uma realidade. Ela está grávida."
Eu senti meu corpo todo ficar gelado. Choque. Incredulidade. Uma dor oca se abrindo no meu peito.
"Você... você me traiu?"
"Sofia, não veja dessa forma," ele disse, e pela primeira vez, ele estendeu a mão para tocar a minha, mas eu a puxei de volta como se ele estivesse em chamas.
"Não veja dessa forma?" minha voz subiu uma oitava. "Como você quer que eu veja, Pedro? Você engravidou outra mulher!"
"Escuta, eu tenho um plano," ele disse, a voz baixa e conspiratória, como se estivéssemos planejando uma festa surpresa e não discutindo a ruína da nossa vida. "A Juliana é poderosa. Ela pode me dar a carreira que eu sempre sonhei. Essa criança vai solidificar minha posição na empresa. É uma oportunidade única."
Eu o olhei, enojada. Ele não estava se desculpando. Ele estava me apresentando um plano de negócios.
"Você está me dizendo que vai ficar com ela por causa da sua carreira?"
"Não, claro que não," ele se apressou em dizer, mas seus olhos brilhavam com uma ambição que me assustou. "Vou ficar com ela por um tempo. Só até a poeira baixar, até o bebê nascer. Juliana se cansa das coisas rápido. Ela vai se cansar de mim, vai se cansar de ser mãe. E quando isso acontecer, eu volto para você. Nós podemos ter a vida que sempre planejamos."
Ele falava como se estivesse me oferecendo o negócio mais razoável do mundo. Como se me colocar na prateleira, como um objeto em espera, fosse um ato de amor e sacrifício.
"Eu estou fazendo isso por nós, Sofia. Pelo nosso futuro. Pense no que eu posso conseguir com essa conexão. Dinheiro, status... tudo que eu nunca pude te dar."
Meu estômago se revirou.
Tudo que ele nunca pôde me dar.
A ironia era tão cruel, tão amarga, que eu quase ri.
Ele não fazia ideia de quem eu era.
Para ele, eu era apenas Sofia, uma garota simples que trabalhava como assistente administrativa em uma pequena empresa, que vivia com ele neste apartamento alugado e sonhava com um casamento modesto.
Ele não sabia que meu nome completo é Sofia Monteiro de Albuquerque. Filha única de Ricardo Monteiro de Albuquerque, o dono da maior e mais luxuosa rede de hotéis da América Latina.
Eu escondi minha identidade porque queria viver de verdade. Queria ser amada por quem eu era, não pelo sobrenome da minha família ou pelo dinheiro na minha conta. Eu queria uma experiência autêntica.
E ali estava ela. A experiência mais autêntica e brutal que eu poderia imaginar. O homem que eu amava me via como tão insignificante, tão pobre, que achava que me trair e me oferecer como plano B era um favor. Uma estratégia para me dar uma vida melhor.
A dor no meu peito se transformou em uma raiva fria e cortante. A ingenuidade que me fez amá-lo se quebrou em mil pedaços, e no lugar dela, algo novo e duro começou a se formar.
Eu me levantei. Meus movimentos eram firmes, precisos.
"Acabou, Pedro."
Ele me olhou, surpreso, como se não tivesse considerado essa possibilidade.
"O quê? Sofia, não seja dramática. Eu acabei de te explicar o plano. É temporário."
"Acabou," repeti, minha voz agora sem nenhum tremor. "Pegue suas coisas e saia do meu apartamento."
A surpresa no rosto dele se transformou em irritação.
"Seu apartamento? Nós pagamos o aluguel juntos!"
"O contrato está no meu nome. A porta também. Saia."
Ele se levantou, o rosto vermelho de raiva. Ele não estava triste. Ele estava furioso porque seu plano perfeito havia encontrado um obstáculo. Eu.
"Eu não acredito que você está fazendo isso," ele disse, a voz cheia de uma indignação falsa. "Eu me sacrificando, pensando no nosso futuro, e você joga tudo fora por causa de um orgulho idiota? Você é ingênua, Sofia. O mundo real não é um conto de fadas. Às vezes, a gente precisa fazer o que é necessário."
"Sim, eu preciso," eu concordei, caminhando até a porta e a abrindo. "E o que é necessário agora é que você saia da minha vida."
Ele me encarou, os olhos cheios de desprezo.
"Você vai se arrepender disso, Sofia. Você não vai encontrar ninguém que se importe com você como eu. Você não tem nada, não é ninguém. Vai voltar rastejando pra mim quando perceber o erro que cometeu."
Eu o observei pegar o casaco e a chave do carro, o maxilar travado de raiva. Ele não olhou para trás quando saiu, batendo a porta com uma força que fez os quadros na parede tremerem.
Eu fechei a porta e a tranquei.
O silêncio do apartamento era ensurdecedor.
Rastejando de volta para ele.
Eu andei até a janela e olhei para a rua lá embaixo. As luzes da cidade brilhavam, indiferentes à minha dor.
Um sorriso frio tocou meus lábios.
Ah, Pedro. Você não faz a menor ideia do erro que você cometeu.
Dois dias se passaram em um borrão de dor e raiva. Eu não fui trabalhar. Não conseguia encarar as paredes do escritório, o mesmo lugar onde ele e Juliana haviam planejado meu descarte.
Na terceira noite, ouvi a chave girando na fechadura. Meu coração parou. Ele tinha uma cópia. Eu tinha me esquecido completamente.
Pedro entrou no apartamento como se ainda morasse ali. Ele não parecia arrependido. Parecia irritado.
"Sofia, a gente precisa conversar. Você não pode simplesmente desaparecer. Eu preciso das minhas coisas."
Eu estava sentada no sofá, enrolada em um cobertor. Eu não me movi.
"Pegue e vá embora."
Ele bufou, impaciente, e começou a andar pelo apartamento, abrindo gavetas e armários. Enquanto ele juntava suas roupas, o celular dele tocou. Ele atendeu sem hesitar, na minha frente.
"Oi, meu amor."
A voz dele era melosa, cheia de uma ternura que ele raramente usava comigo nos últimos meses. Meu estômago se contraiu.
"Sim, já estou pegando o resto das minhas coisas... Não, ela está aqui. Sim, agindo como uma criança, como sempre."
Ele me lançou um olhar de desprezo.
"Não se preocupe, eu não vou demorar. A gente precisa comemorar direito. Nosso futuro presidente da empresa precisa de cuidados especiais."
Ele riu, uma risada íntima que me cortou profundamente. Ele estava ali, na minha casa, me humilhando abertamente, me tratando como um estorvo inconveniente em sua nova vida gloriosa.
"Também te amo. Beijo."
Ele desligou e jogou o celular no sofá.
"Satisfeita?", ele perguntou, com sarcasmo. "Ou quer que eu implore seu perdão de joelhos?"
Antes que eu pudesse responder, a campainha tocou.
Nós dois gelamos.
Pedro foi até a porta e a abriu.
Parada no corredor, com um sorriso vitorioso e a mão pousada protetoramente sobre a barriga, estava Juliana. Ela usava um vestido caro que realçava a pequena protuberância de sua gravidez e me olhava de cima a baixo com um ar de superioridade.
"Pedro, querido, você está demorando," ela disse, a voz doce e venenosa. Ela entrou no apartamento, ignorando minha presença, e passou os braços ao redor do pescoço de Pedro, beijando-o longamente na boca.
Foi um beijo calculado. Uma performance. Uma demonstração de poder feita para me quebrar.
E funcionou. Vê-los juntos, na minha sala, foi como levar um soco no estômago.
Juliana finalmente se afastou dele e se virou para mim. Seu sorriso era puro desprezo.
"Ah, Sofia. Você ainda está aqui."
Ela falou meu nome como se fosse uma sujeira em sua boca.
"Eu imaginava que você já teria tido o bom senso de ir embora."
"Esta é a minha casa," eu disse, minha voz saindo mais fraca do que eu gostaria.
"Era," ela corrigiu, passeando o olhar pelo meu pequeno apartamento com desdém. "Agora é só um lugar onde o Pedro guardava as coisas velhas dele. E falando nisso..."
Ela se virou para Pedro, que observava a cena com uma mistura de desconforto e submissão. Ele era um cachorrinho treinado na frente dela.
"Querido, por que você não me disse que ela ainda estava aqui? Eu não gosto de respirar o mesmo ar que perdedoras. Me dá náuseas."
Pedro encolheu os ombros, parecendo um menino pego fazendo travessura.
"Eu estou resolvendo isso, Ju. Ela já está de saída."
"De saída?", eu repeti, incrédula. "Você está me expulsando da minha própria casa?"
Juliana riu, uma risada curta e cruel.
"Sua casa? Não seja ridícula. Esse lugar é um cubículo. O Pedro merece coisa melhor. Nós merecemos coisa melhor. E estamos nos mudando para a minha cobertura na semana que vem."
Ela se aproximou do sofá onde eu estava sentada. Seu perfume caro invadiu meu espaço, sufocante.
"Então, sim. Você está de saída. Na verdade, eu quero que você saia agora. A sua presença me incomoda. E incomoda o nosso bebê."
Ela acariciou a barriga, usando seu filho ainda não nascido como uma arma contra mim.
Eu olhei para Pedro, esperando que ele dissesse alguma coisa. Que ele defendesse o mínimo de decência. Mas ele apenas desviou o olhar, concordando silenciosamente com a crueldade dela. Ele já tinha me descartado. Eu era o passado. Ela era o futuro brilhante dele.
"Faça suas malas, Sofia," Juliana ordenou, a voz fria como gelo. "O show acabou. Pegue sua vidinha medíocre e desapareça. O Pedro tem coisas mais importantes com que se preocupar agora."
Ela se sentou na minha poltrona favorita, cruzou as pernas e me encarou, esperando que eu obedecesse.
Naquele momento, eu não senti apenas dor. Senti uma humilhação tão profunda, tão avassaladora, que queimava por dentro. Eles não tinham apenas terminado comigo. Eles estavam tentando me apagar.