Capítulo 01
Por Contrato
O Sentido do Amor
Cansada e sem ânimo devido a uma forte gripe que se arrastava há semanas, Thaila fingia reagir à sua supervisora, enquanto recebia as recomendações.
Sua rotina árdua de estudos e horas extras de trabalho parecia sem fim, e o dia de 24 horas nunca era suficiente. Porém, essa era atualmente sua vida, e ela não tinha dúvida de que, apesar de tudo, estava correndo atrás dos seus sonhos.
Com passos sem energia, entrou na van da equipe, que fazia a rota do dia para deixar todas as faxineiras. Enquanto isso, ela pensava na vida e curtia a paisagem até o local de trabalho, que não fazia ideia de onde seria, em Milano.
Sem se lamentar por ter vindo para a Itália apesar de que nem de longe pensara em trabalhar como faxineira, afinal, ela viera por uma ilusão criada pela prima, que lhe dizia que sua vida seria só de estudante.
Uma baita mentira de Aline, e quase Thaila se vira em algo muito errado para seu modo de ver a vida. Porém, ela conseguiu escapar da rede de prostituição, e mesmo tendo que quase morrer de tanto trabalhar, para pagar uma dívida enorme com prima, ela preferia mil vezes isso à vida de mulher fácil.
Além disso, para ela, não tinha preço ainda ser virgem.Talvez algo bobo hoje em dia.
Ela até chegou a pensar sobre isso, e quase mudou de ideia ao conhecer um rapaz legal na escola de gastronomia que frequentava, mas ela era tímida e com pensamentos quadrados, além disso ser virgem era um tipo de orgulho por ter visto algumas amigas da adolescência se dar muito mal.
Valent só queria levá-la para a cama, como fazia com todas, e seu lindo rosto escondia bem o cafajeste que ele era.
Ainda bem que ela não cairá no papo dele e só agradecia o livramento, e assim Thaila resolveu focar definitivamente nos estudos e trabalho, e esqueceu a parte de relacionamento, ficando sempre sozinha e aproveitando totalmente o tempo com trabalho extras que arrumava.
Desde muito cedo, no Brasil, ela sonhava em se tornar uma chef de renome. E quando Aline, depois de dois anos morando na Itália, a convidou dizendo que conseguiria uma bolsa para ela de gastronomia.
Thaila chorou com sua grande sorte. Afinal, a Itália é um dos berços da culinária mundial, e ser uma grande chef era sua meta de sucesso na vida.
A família de Aline, e Thaila nem sonhava que ela, tão querida por todos, a trouxera para a Itália com segundas intenções. Mas Thaila entendia que a prima estava desesperada com a doença da mãe dela e, no fim, pela família, ela perdoou tudo.
Criada pela tia Ângela, mãe de Aline desde pequena, já que sua mãe Regina, e seu pai Carlos haviam morrido no hospital quando ela tinha apenas três anos, por um acidente de carro.
Thaila só não se tornará uma órfã problemática, graças ao carinho da tia, que a tratava igual a uma filha. E, isso sempre fez Thaila se sentir amada, apesar do tio, que nunca a aceitava e sempre a criticava.
Pois ele reclamava de tudo que ela fazia e só elogiava a filha dele, Aline.
Por esse motivo, Thaila fazia serviços domésticos com extrema qualidade, cozinhava e fazia tudo dentro de casa. Afinal, ela passou toda a infância e adolescência tentando mudar a opinião do tio Gilson, mas infelizmente sem sucesso.
Porém, graças a isso ela se tornou uma obsessiva por limpeza. Sendo assim uma profissional na escala ouro na empresa de limpeza Bianchi, e também com muito empenho ela já estava fazendo estágio na cozinha de um grande restaurante famoso da Itália.
Sua vida corrida e diária era extremamente exaustiva, porém finalmente estava dando muito certo, e nenhuma gripe nojenta iria fazê-la parar.
Thaila fungou, limpando o nariz.
Mesmo porque ela agora finalmente iria começar a trabalhar para os mais VIPs da empresa Bianchi, e isso certamente iria aumentar seu salário e melhorar ainda mais seu currículo.
Apesar do alto padrão e dos valores excelentes, os ricos que solicitavam os serviços eram muito exigentes.
Lhe disse Sônia, a gerente, mais cedo, quando explicava a mudança de escala.
Na verdade, alguns eram excêntricos, com manias de limpeza específicas. Como nunca tirar nada do lugar, era preciso manter lustres e espelhos brilhando com produtos de limpeza importados.
Fora os aromas caros de especiarias de rosas, e até muitas das vezes sigilo sobre a vigência de contratos, e endereço onde a confidencialidade era firmada com uma alta multa, caso fosse quebrada.
Além disso, em sua maioria, a solicitação das limpezas era sempre quando o cliente estivesse fora, para evitar contato com os empregados.
Nem todas regras chatas citadas faria Thaila desistir de passar para a escala VIP da empresa Bianchi Limpo, e assim, ela não pensou duas vezes ao assinar o contrato, com cláusula confidencial de até nunca, em nenhuma circunstância, alegar que fora assediada ou algo do tipo.
Já era tarde quando Thaila finalmente estava quase iniciando a limpeza do último cliente novo do seu turno.
O apartamento era mais luxuoso que ela já havia feito faxina, e sinceramente, a surpreendeu com a organização e beleza de cada item charmoso da decoração moderna. Mas o excesso de vidros, espelhos e aço foi algo que a deixou no limite, e, para piorar, a gripe que ela estava desde da semana passada não ajudava em nada, e a medicação cheia de corticóide só piorava tudo.
Com sua dedicação exemplar, ela tentava deixar tudo impecável, mas realmente estava péssima e precisava de algo para se manter em pé.
Mas sua sorte estava boa, e ao abrir a geladeira moderna de duas portas logo encontrou várias latas de energéticos.
E com alívio ela suspirou sabendo que tinha finalmente algo para acordá-la. Enfim ela não resistiu, acabou pegando uma lata e tomou seu remédio junto, para aguentar até o final do trabalho.
Com certeza um cliente tão VIP não iria fazer conta de um simples energético, pensou ela, finalizando de bebe a lata.
Em seguida, ela saiu andando pelo apartamento luxuoso, marcando as tarefas a realizar. Porém, de repente, viu o bar na lateral da sala de estar. E por que não fazer um drink? Parecia uma ideia maluca, mas ela não estava normal, apesar de nunca ter gostado tanto de beber, e realmente ela precisava de um gás extra para dar conta de fazer uma limpeza bem feita, sendo assim andou até o local repleto de garrafas caras e começou a verificar cada bebida disponível.
Thaila, assim que chegou do Brasil, trabalhou como ajudante do barman da casa noturna Blue Nightclub onde Aline trabalhava.
Isso fora sua tábua de salvação, pois ela se deu muito bem com Mário, um ex-soldado aposentado que tomava conta do bar, Ele gostou tanto dela que a livrou da loucura que Aline, sua prima, armara para ela. Só pela proteção do senhor já idoso, Aline desistiu de forçá-la a ser como ela era, uma prostituta profissional.
Depois disso, por um tempo, Thaila até queria seguir trabalhando no bar, pois gostava de Mário. Mas Fred, o dono da casa noturna e filho dele, logo tentou convencê-la a aceitar ser uma das garotas do local.
Mário a ajudou novamente, ficando contra o filho, e logo a aconselhou a esquecer o trabalho de barman, já que infelizmente a profissão não era segura para uma mulher tão jovem e bonita.
Uma pena, ela lamentou, pois realmente era boa com drinks e aprendera tudo que Mário lhe ensinara. Todos diziam até que ela fazia uma mistura sensacional, que dava um gás de fazer até a alma mais cansada reagir.
Pensando nisso, ela sem pensar, fez a sua mistura favorita de drinks, que ela mesma batizou como "Viva a Primavera". Em seguida, tomou degustando cada gole. Realmente, a sensação foi maravilhosa, deixando-a leve, e o sabor incrível a fez suspirar.
Em seguida, ela com calma tomou todo drinks, e totalmente relaxada, sem sintomas de gripe e muito animada, voltou ao serviço.
Acabou sendo irresistível fazer mais outro copo do mesmo drink delicioso, afinal era muito trabalho para fazer, e assim ela foi limpando e bebendo sem ver, mas ao terminar de limpar, tomou um susto quando deu por si.
Thaila, já havia tomado mais de três latas de energético, fora os drinks que nem fazia ideia da quantidade, e ainda estava fazendo mais, afinal era muito grande a quantidade de bebida da adega, e o cliente nunca iria perceber.
Como sabia que o cliente estava fora, viajando segundo as informações da escala de trabalho, ela sabia que podia continuar sem medo a loucura que começará.
-01-
Autora: Graciliane Guimarães
Capítulo 02
Por Contrato
O Sentido do Amor
A mistura estava deliciosa demais para ela parar, e Thaila se sentia tão bem, tão relaxada... Contudo, ela não fazia ideia de que o remédio de corticoide que havia tomado reagiria tão mal com o álcool.
De repente, a bebida fez efeito, e, como em um sonho, ela se viu curtindo um pouco do luxo que jamais lhe seria permitido.
Só dessa vez, prometeu a si mesma, quebraria as regras e fingiria ser dona daquele lugar. Uma loucura, mas a combinação de bebida e remédio a fez agir de uma forma que nunca teria cogitado antes.
Sem pensar nas consequências, Thaila simplesmente tomou um banho na incrível banheira que mais cedo ela mesma havia higienizado com tanto capricho.
Em seguida, vestiu um roupão felpudo azul-escuro, absurdamente grande, deixando claro que o dono só poderia ser um homem bem grande ou talvez verdadeiro gigante.
Totalmente fora de si, rindo solta pelo efeito do álcool e da sensação surreal de estar eufórica e quase sonhando, Thaila passou a procurar, curiosa, qualquer indício do cliente, dono daquele luxuoso apartamento.
E então teve um pensamento louco: poderia viver no luxo se fosse uma acompanhante profissional no estilo da sua prima Aline...
Mas não. Ela jamais teria coragem de seduzir um homem, muito menos teria alguma chance com alguém tão rico.
- Nem uma foto... fungou, triste, frustrada por não saber nem como ele era.
- Ótimo, estou louca!
Falando e respondendo a mim mesma.
Rindo alto, Thaila colocou as mãos na cintura antes de começar a vasculhar os armários de roupa.
- Hmm... Deve ser um italiano feio! Seguiu conversando consigo mesma em voz alta, e rindo muito, Ah mas, pelo menos, ele tem bom gosto...
Completou, tomando mais um gole do drink, em seguida acabou levando um pequeno susto ao perceber que a taça estava novamente vazia.
- Aí que droga! - reclamou.
Eu jurei que seria o último...
Voltou a rir eufórica sozinha, se sentindo divertida, mas por um momento ela teve um lapso de consciência de que estava longe demais de sua versão sensata e comedida que era seu normal.
Mas continuou, ainda aproveitou para borrifar um dos perfumes do dono. Inspirou profundamente e suspirou, encantada com o aroma sofisticado e sutil...
Ou talvez fosse só o álcool deixando tudo mais agradável, já que sua cabeça rodava e nada fazia sentido.
Thaila estava sem dúvida completamente bêbada. Seus pensamentos eram aleatórios, desconexos, sem o menor sentido do mundo real.
Depois de toda essa extravagância, o sono chegou com força, e ela acabou desabando em um sono profundo, na imensa cama do quarto principal.
************
Alexissuos Giordanni estava furioso. Com a exigência inesperada de casamento arranjado, fruto de um acordo entre sua avó e aceito por seus pais com outra família igualmente rica, o acordo o deixava completamente revoltado.
O mais absurdo era que tudo isso fora decidido anos atrás, sem seu consentimento.
Afinal ele, claro, jamais levou a sério aquelas conversas de acordo de casamento que ouvirá da sua mãe Olívia certa vez.
Embora todos na família sempre tivessem se casado dessa forma: casamentos arranjados por interesse, sobre condições de alianças empresariais disfarçadas de matrimônio.
A raiva era, sem dúvida, o sentimento que melhor definia Alexissuos naquele momento.
E ele precisava se controlar muito para não explodir e descontar sua ira na velha matriarca da família, que achava que ainda mandava em todos, inclusive nele.
Por isso, anos atrás, ele fizera a melhor escolha: sair da mansão dos Giordanni, em Florença, comandada por sua avó dominadora.
Como o neto mais velho da família, ele tinha acertado em cheio ao decidir viver seu próprio destino. Claro que seus pais o ajudaram, presenteando-o com um apartamento e custeando seus estudos na faculdade, mas, fora isso, Alexissuos trilhou seu caminho com esforço e dedicação, tornando-se o melhor aluno de medicina da turma.
Sua vida bem-sucedida era seu maior trunfo contra os desmandos de sua avó Eugêni.
Porém, contudo o encontro inesperado com sua ex -namorada da adolescência, que agora era a escolhida de sua avó, para ser sua esposa durante um jantar formal na grande mansão. O irritou profundamente, pois sua avó Eugêni fez de propósito, pois claro ela só estava fazendo questão de lembrá-lo de que ele ainda era um herdeiro do grupo Giordanni, e que ela tinha poder sobre a vida dele.
Mas ele não pensou duas vezes: em seguida já deixou claro, ali mesmo, que nunca seria manipulado, como os outros membros da família.
Levantou-se bruscamente da mesa, saindo sem olhar para trás e deixando todos perplexos após o anúncio repentino da avó sobre o iminente casamento.
- Seu rebelde! Irresponsável! Volte aqui, Alexissuos! ...Ainda não terminei de falar sobre seu casamento!
Gritou: Eugêni, tentando contê-lo com a mesma voz autoritária que usava na infância.
Sem se importar, ele seguiu em frente, sem se dar ao trabalho de responder, andando com passos largos em direção à saída.
Enquanto se afastava, ainda ouvia a discussão acalorada entre os parentes, mas a única voz que se destacou, clara, foi a de seu pai:
- Calma, mamã. Ele não tem escolha. Alexissuos vai ceder!
Ignorando as palavras do pai e da mãe, que claramente concordavam com tudo, Alexissuos deixou a mansão dos Giordanni em Florença, entrando em disparada no seu carro conversível.
Seus planos eram passar o fim de semana na casa dos pais, mas, diante daquela situação, o melhor era voltar imediatamente para seu apartamento em Milano.
Pisando fundo no acelerador, ele chegou à cidade em tempo recorde. A cidade que prometera conquistar desde muito jovem, e de fato, estava se saindo muito bem, graças à sua dedicação à medicina, profissão que tanto amava.
Ser médico era um sonho de infância. Na verdade, era um sonho compartilhado com seu melhor amigo, Paolo, um irmão de vida.
Eles passavam horas brincando de médicos e prometeram juntos, que um dia teriam seu próprio hospital.
Mas a vida foi cruel. Paolo morreu tragicamente em um acidente de carro logo após ambos passarem no vestibular.
O pior foi que Paolo poderia ter sobrevivido...
Se o médico não tivesse demorado tanto para operá-lo.
A agonia do amigo preso a uma cama, implorando para ao menos sentir o vento no rosto, foi como faca em Alexissuos, pois era como se seu querido amigo soubesse que não teria muito tempo, esse foi um trauma que Alexissuos jamais conseguiu esquecer.
Por pouco, ele não desistiu de tudo. Mas, graças à terapia com um bom psicanalista, entendeu que o legado do amigo não podia ser esquecido. E, como médico, ele poderia fazer a diferença, salvando vidas e não permitindo que ninguém morresse por negligência.
E assim cumpriu a promessa. Formou-se médico, e com apoio financeiro da família, comprou um hospital. Em homenagem ao amigo, deu-lhe o nome de hospital San Paolo, o que irritou profundamente sua avó Eugêni, que havia organizado uma grande festa de inauguração, esperando que o hospital levasse o nome da família: Giordanni, assim como todos os empreendimentos do grupo.
Para se livrar, de uma vez por todas, desse controle sufocante da avó, Alexissuos preferiu buscar ajuda, e acabou aceitando ter um sócio ao invés de dever favores à família.
E foi assim que Giancarlo entrou em sua vida, não só como sócio, mas também como um grande amigo e parceiro de confiança e confidente.
Claro que isso deixou Eugêni ainda mais furiosa. E, com certeza, sua vingança estava vindo na forma desta tentativa de intervir na sua vida pessoal, afinal ela só queria controlar ele arranjando-lhe um casamento forçado. Alexissuos bufava de raiva só de pensar nisso.
Para aplacar sua raiva, antes de subir para seu apartamento, decidiu ligar para Giancarlo. Pouco tempo depois, já estavam juntos, tomando várias dose de uísque em um bar badalado no centro de Milano.
Enquanto Alexissuos contava as últimas novidades, Giancarlo falava sobre o plantão puxado que tivera, cheio de cirurgias. Mas, definitivamente, o assunto que dominou a conversa foi a família de Alexissuos.
- Isso é inacreditável! - indignou-se Giancarlo. - Sua família quer mesmo te forçar a um casamento arranjado?
- Isso não é tudo, meu amigo. A velha megera da minha avó disse que essa é a nossa tradição familiar. Que eu já fui rebelde por tempo demais, afinal, sou o único longe da empresa da família e que seguiu seu próprio caminho... E aquele blá blá blá de sempre! Que as irmãs do meu pai já estão cuidando do legado dela, mas que, pelo menos, o meu casamento quem vai decidir será ela!
- E a tal da sua futura noiva? Como ela é? Pergunta curioso, Giancarlo.
- Noiva? - Alexissuos riu, irônico. - Isso nunca! Mas... Mariza é bonita. Nós nos conhecemos desde o ensino médio. Eu até tive uma queda por ela, namoramos na época... Mas, definitivamente, ela não vale nada. Me traiu. Então, o sentimento que eu tinha morreu naquela época.
- Merda... Então vamos beber! - respondeu Giancarlo, levantando o copo.
- Ei garçom mais duas rodadas, aqui!
Grita alto Alexissuos, exigindo ser atendido o quanto antes.
- Sim, senhor, aqui está!
Assim que foi servido pelo garçom.
Alexissuos voltou a exclamar alto:
- Maldita vadia traidora! Um brinde a todas as vadias, desculpa, amigo Giancarlo por tocar na sua ferida.
- Está tudo bem, Alexissuos, a mim isso já não me afeta.
Giancarlo, até pareceu ser sincero, mas Alexissuos sabia de tudo que o amigo passara recentemente, e por isso ele tinha certeza que Giancarlo ainda sofria pela ex-esposa.
Autora: Graciliane Guimarães
Capítulo 03
Por Contrato
O Sentido do Amor
- Sinto muito, Giancarlo amigo, realmente eu não tive intenção, e sei que esse assunto ainda não está superado por você, e comigo você não precisa bancar o forte.
- Nada disso, Alexissuos. e, só para constar, eu superei totalmente a Celine ok.
- Tá ok, vou anotar isso.
- É sério, olha eu agora só quero sair com profissionais. Ah, elas são muito melhores, não dão trabalho, nem decepção, e fazem tudo como tem que ser. Aliás, estou com o número de uma maravilhosa. Se quiser, te presenteio com uma noite ardente, pois garanto que você vai esquecer seus problemas familiares.
Giancarlo sorriu malicioso, levantando o copo.
- Não, obrigado. Hoje não quero mulher, só bebida. e para ser honesto, prefiro casos rápidos com mulheres do nosso círculo do que garotas de programa.
- Ah mas é claro, você sendo um homem todo certinho, é eleito como o galã romântico do nosso hospital, não poderia ter outra opinião!
- Espera aí... como assim?
Alexissuos arqueou uma sobrancelha, curioso.
- É isso mesmo amigo, e eu não acredito que você ainda não sabia da sua fama.
- Não juro que não fazia ideia, mas antes, vou pedir outra rodada, e depois você vai me contar toda essa história que está rolando no hospital.
- Ah, claro, será um prazer te contar, mas, sinceramente, Alexissuos eu acho que você ia relaxar bem mais se tivesse um pouco de sexo com uma daquelas mulheres de tirar o fôlego. Ouça só minha descrição: Peitões, cinturinha.... E ah, a parte de trás, um delírio. Merda, só de falar já fiquei excitado.
- Uau, que descrição interessante.
Ironizou Alexissuos, rindo.
- É verdade, eu não estou exagerando, Alexissuos, a garota é brasileira, e você sabe que essas latinas são puro fogo.
- Eu acredito, e talvez outro dia... Mas, hoje, realmente não. Pois, acho que a bebida vai ser suficiente.
- Tem certeza? Olha que eu já até mandei mensagem pra ela e...
- Não, Giancarlo, é sério, hoje eu prefiro só encher a cara. Afinal faz tempo que não sou irresponsável com a bebida, e sinceramente sinto que hoje preciso muito disso.
- Então tá, doutor. Um brinde à irresponsabilidade.
Finalmente com Giancarlo concordando, brindaram, gargalhando, e seguiram a conversa descontraída que fez Alexissuos relaxar. Rindo das histórias, principalmente das que nem sabia que contavam sobre ele no hospital, pois, ele não fazia ideia de que era considerado o galã, o doutor dos sonhos, aquele por quem várias mulheres do hospital faziam questão de circular só para vê-lo, mesmo que fosse por alguns segundos durante o expediente.
Quando percebeu que tinha exagerado na bebida, decidiu pegar um táxi. Ao entrar no apartamento, sentiu uma pontada de culpa por ter bebido tanto, afinal fazia anos que não bebia assim, mas, ao mesmo tempo, um alívio.
Era bom, por um momento, agir como o irresponsável rebelde que sua avó tanto dizia que ele era. Mesmo que, na verdade, só na cabeça dela, ele tenha sido assim, afinal, para ser médico, estudou dias e noites sem parar. Pois, nenhum dinheiro compraria aquele diploma para ele.
- Merda... não vou ceder a esse arranjo ridículo. Mariza nunca será minha esposa, resmungou, jogando a chave sobre o móvel.
Cambaleando, foi até o quarto, tentando no caminho arrancar as próprias roupas. Conhecia tanto aquele apartamento que nem precisou acender a luz. No automático, seguiu até sua cama, e assim que se jogou sobre ela, caiu sobre alguém.
Seu corpo imediatamente reconheceu o toque macio, o cheiro doce, o calor feminino, e no mesmo instante, um sorriso malicioso brotou em seus lábios.
Giancarlo, seu desgraçado... mandou mesmo ela, pensou sorrindo já cheio de desejo.
Sem refletir muito, e tomado pelos efeitos do álcool e pela fome de prazer, puxou aquele corpo pequeno comparado ao seu, e contratou que ela cheia de curvas e muito macia, seu tato aguçado, fruto de anos lidando com corpos na medicina, identificou cada uma delas, e os detalhes o agradou de forma quase automática.
Com rosna então ele tomou os lábios dela em um beijo intenso, urgente, sem perceber qualquer resistência naquele momento.
Seu corpo, instintivamente, buscava calor, contato, alívio para o louco desejo que acendeu quase automaticamente nele.
O gemido fraco e as mãos que tentaram empurrá-lo passaram despercebidos pela sua mente turva, ofuscada pela embriaguez e pela falsa certeza de que ela estava ali para aquilo.
- Shhh... quieta, bela mia. Eu sei muito bem por que você está aqui!
Sussurrou, deslizando as mãos, absorvendo cada curva como quem decifra um mapa cheio de tesouros fascinantes.
Thaila, no entanto, estava perdida, presa em meio à névoa pesada do álcool, sem entender se aquilo era um pesadelo ou uma alucinação. Suas tentativas de reagir eram fracas, desconexas, e seu corpo parecia não responder à própria vontade.
- N-não... eu... - tentou balbuciar, sem sucesso.
- Já disse, sem conversa gata gostosa, só abra bem as pernas para mim!
Alexissuos sussurrou, dominado pela ilusão de que ela estava ali exatamente para aquilo.
Guiado pelo instinto, mas também pela precisão de quem conhece o corpo humano profundamente, Alexissuos não percebeu os sinais, que se estivesse sóbrio, jamais ignoraria. Thaila mexeu as pernas mas, tentando o empurrar, porém ele não chegou a essa percepção, e início o toque, no centro feminino, o cheiro era muito bom, e tão quente e apertada.
Seu membro duro pulsando, era mais forte do que qualquer senso de realidade.
Os limites se desfizeram, e, movido por aquele impulso irracional, ele consumou o que acreditava ser um encontro consentido.
O ato luxuriante foi incrível, e a garota realmente fez o trabalho dela muito bem, pois ela obedeceu, e ele transou muito gostoso e segurou muita vezes, para não finalizar, afinal ela mesmo sendo deliciosa, era só uma garota de programa, e ele nunca mais repetiria o sexo com ela. Mas mesmo se controlando muito, seu corpo não aguentou e gozou.
Com o corpo satisfeito entregue ao cansaço e ao efeito da bebida, tombou ao lado dela, adormecendo em questão de segundos.
Thaila permaneceu imóvel. O corpo doía, sua mente girava, tentando entender o que acabara de acontecer. Tudo parecia desconexo, surreal, e uma única pergunta martelava dentro dela: Foi real?
O sono veio, como um bálsamo que a fez apagar antes que pudesse reagir, ou pensar em fugir.
Quando os primeiros raios do tímido sol de outono invadiram o quarto, ela acordou.
E, no exato momento em que seus olhos encontraram o homem adormecido ao seu lado, o horror a invadiu de uma forma tão brutal que a respiração ficou presa nos pulmões.
Não era um sonho. Nunca foi. O sangue no lençol, a dor... tudo era cruelmente real.
Desesperada, com o coração disparado, levantou-se, procurando pelas roupas. Lutava contra as mãos trêmulas, enquanto sua mente parecia gritar, implorando para que aquilo não tivesse acontecido.
Tentava não olhar para o homem nu de costas para ela jogado na cama, completamente inconsciente do que havia feito... ou talvez soubesse. Ela nem sabia mais o que pensar, e sim talvez até tenha consentido.
Vestiu-se às pressas, com a respiração descompassada, com a ideia de ter feito sexo casual, algo que jamais pensou ser capaz, e antes mesmo de conseguir entender, ela optou por sair dali.
Autora: Graciliane Guimarães