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Por amor a minha filha, me tornei uma noiva falsa

Por amor a minha filha, me tornei uma noiva falsa

Autor:: IVI SANTIAGO
Gênero: Romance
Eva Sollis, acreditou que estava livre para sempre dos Mullers, ao ser expulsa de casa, gravida, sob falsas acusações de sua irmã e madrasta, anos depois, com a sua filha, em terras distantes, ela se vê forçada a assumir a identidade da sua irmã gêmea, para salvar a vida de sua filha. Ao substituir Ezra Muller no casamento com o implacável Mason Dasílis. Mason Dasílis, um magnata frio e calculista, parece ter tudo sob controle, mas a identidade falsa de Eva começa a desestabilizar suas certezas. À medida que ela se adapta ao papel de esposa, a tensão entre manter a fachada e a necessidade de proteger a filha aumenta, desafiando cada fibra de seu ser. Eva precisa não só garantir a segurança da sua família, mas também descobrir a verdade por trás dos mistérios que cercam Mason e seu mundo opulento. À medida que os dias passam, os limites entre a verdade e a ficção se tornam cada vez mais embaçados, e Eva se vê lutando contra sentimentos inesperados por Mason. Com cada nova revelação, a linha entre o amor verdadeiro e o engano se torna mais tênue. Ela terá coragem suficiente para desvendar a verdade e enfrentar o que seu passado e presente lhe reservam, ou será que a mentira a consumirá por completo?

Capítulo 1 Retorno a Carleon

Narrado por Eva Solis:

Era mais um dia comum de semana, trabalho e escola, e, por mais que tudo parecesse costumeiro, as folhas de outono cruzando o chão cinza de pedras nova-iorquino, as misturas de aromas de café, flores e cigarros, não consegui ignorar como meu coração batia pesado enquanto seguia o caminho habitual para a escola de Isabela.

A rotina matinal era uma espécie de rito, um momento de tentativa de conexão com a minha filha de três anos, mas a comunicação, como sempre, se limitava a caretas e palavras sem muito sentido. Apesar disso, a sua companhia me deixava muito feliz.

- Me diga Bella, como está o dia hoje? - perguntei a Isabela, tentando capturar a sua atenção, com um tom pouco animado, mas o sorriso, como sempre, não veio de volta, e seus olhos buscavam por todos os lados, como se procurassem uma fuga dos meus.

Seus olhos são grandes e curiosos, mas ela não me responde. O que me fez apenas sorri, tentando manter o clima leve. O silêncio de Isabela, porém, era uma constante que eu não conseguia ignorar, mesmo sabendo que ela sempre poderia ser assim. Ainda assim, eu não me conformava com as teorias dos médicos.

Depois de deixar minha filha na escola, era o momento de seguir para a empresa de perfumes, onde trabalho como recepcionista: a Salus Perfumaria. Não é uma empresa de grande porte, mas está em crescimento. A sala de recepção, como sempre, está cheia do aroma suave e sofisticado dos perfumes, uma atmosfera que eu já conheço perfeitamente. Entre o cheiro das essências e o som das conversas ao fundo, sempre busco me concentrar nas tarefas do dia.

Foi somente ao final do expediente que a realidade me atingiu. Quando Fátima, minha amiga mais próxima, ligou para o telefone da recepção, não pude deixar de notar sua voz preocupada assim que atendi a chamada.

- Eva, você pegou a Isa na escola e não me disse nada? - perguntou-me com voz chateada. Eu ainda ia demorar um pouco para sair, pois a senhora Ine ainda estava em reunião na sua sala. Isso me fez sorrir vagamente; será que Fátima estava brincando comigo, tentando me trolar com outra piada?

Apenas ergui uma sobrancelha, notando a seriedade de Fátima do outro lado da linha.

- O que aconteceu? - perguntei, pensando em como levar adiante a situação, era óbvio que ambas estavam tentando me assustar.

- Isabela não está na escola - anunciou Fátima, com um sussurro angustiado.

O que parecia ser uma brincadeira me fez congelar. Se fosse uma piada, seria de muito mau gosto. Afinal, o tom de Fátima era tão verdadeiro que minhas pernas começaram a fraquejar. Sem pensar, desliguei a chamada e iniciei outra imediatamente, ligando para a escola, mas a resposta foi a mesma: não havia sinal de Isabela desde o início do dia.

O pânico instalou-se rapidamente em mim. Passei dois dias em um estado de pânico, vasculhando cada canto da cidade, contatando amigos, vizinhos, qualquer pessoa que pudesse ter visto algo. Minha mente estava numa tempestade de desespero e incerteza. A busca era exaustiva e a sensação de impotência quase me fez desistir, mas eu nunca conseguiria.

Isabela é minha filha, verdadeira e legítima. É tudo que tenho!

Foi quando a polícia me chamou para uma conversa. As imagens das câmeras de segurança mostravam-me saindo da escola com Isabela, vestindo as mesmas roupas que usava pela manhã, ou, se não fossem idênticas, eram muito parecidas.

Entrei em choque, cheia de incertezas naquele momento. A insegurança de haver algo de errado comigo fez-me negar com veemência qualquer envolvimento no desaparecimento da minha filha. A dúvida e o medo de ser acusada pesavam sobre mim como uma nuvem escura, sequer confiava no que os meus olhos viram naquelas filmagens.

Naquele instante, meu telefone tocou e eu atendi com tremor na voz, desejando que fosse algum conhecido que tivesse encontrado Isabela. Sequer atentei-me ao numero desconhecido. - Alô?- Meus amigos e conhecidos conheciam da situação de Isabela e do meu cuidado excessivo com ela.

- Eva, é Ezra - a voz do outro lado da linha era fria e calculista.

Ezra, minha irmã, nunca foi uma figura acolhedora. Na verdade, sua presença na minha vida sempre foi marcada por rivalidade e hostilidade.

- Ezra, o que você quer? - perguntei, tentando manter a calma. Eu não queria falar com ela, não naquele momento. Aquelas pessoas haviam ficado para trás em minha vida. Desde que fui obrigada a partir, foi para um recomeço. Já se passavam três anos, não, quatro anos que não nos víamos.

- Não se faça de desentendida. Se você não vier a Carleon imediatamente, farei com que sua filha pague por isso. - A ameaça foi clara e cortante, fazendo-me saltar da cadeira. Como era possível?

Meu mundo girou.

Carleon, o lugar de minhas lembranças mais dolorosas, estava agora de volta à minha vida de maneira aterradora. Junto com a madrasta cruel, o pai ausente, a irmã implacável e o namorado que me abandonou ao saber da gravidez, todos os fantasmas do passado estavam de volta?

Com o coração pesado e a mente cheia de medo, eu sabia que não tinha escolha. Eu não poderia arriscar a vida de Isabela. Com Fátima ao meu lado, preparei-me para o retorno a Carleon, a minha situação não era boa, meu estado deplorável.

A viagem foi silenciosa, com a tensão palpável no ar. Cada quilômetro que me aproximava de Carleon parecia trazer de volta todas as dores do passado. Recordava-me das brigas com Ivone, das decepções com Ezra, da ignorância do meu pai diante dos acontecimentos e, principalmente, do abandono de Aquiles Ramão, meu ex-namorado. Cada lembrança era um golpe em meu coração, tornando o retorno ainda mais doloroso.

Quando chegamos à cidade, o sentimento de opressão tornou-se quase físico. Carleon não havia mudado muito, os mesmos edifícios antigos, as mesmas ruas que pareciam apertar as lembranças dolorosas ao meu redor. Sentia-me encolhida sob o peso de memórias tão amargas e dolorosas.

Ezra avisou-me que estava me esperando em uma casa antiga, o mesmo lugar que crescemos na infância. As lembranças dela eram frias e autoritária.

O dia em que retornei a Carleon é marcado por uma combinação de medo e nostalgia. A cidade que eu havia tentado deixar para trás agora me recebe com um abraço gelado e opressor, como se o passado nunca tivesse realmente ido embora. Cada rua, cada edifício carrega uma memória pesada, um lembrete constante das feridas que eu tentei esquecer.

Ao chegar à entrada da velha casa, senti um nó em meu estômago. A casa era a mesma, porém com suas paredes desgastadas e o jardim mal cuidado. Muito havia mudado desde a última vez em que eu estive aqui, o que tornava a situação ainda mais assustadora. Ezra estava esperando na varanda, com um olhar frio e calculista, como se estivesse disposta a tudo para me matar.

Mal adentrei o mausoléu, meus olhos a procuravam por todos os lugares possíveis, mas nenhum sinal de Isabela foi percebido.

- Finalmente, Eva - cumprimentou-me Ezra com um sorriso frio. - Como você pode ver, não estou brincando. Se você não colaborar, essa coisa sofrerá as consequências.

Apenas engoli em seco, sabendo que, apesar de todo o meu desejo de retornar a Nova York, eu precisava enfrentar o passado para garantir a segurança de minha filha. Com um nó na garganta, preparei-me para o confronto com os demônios de minha infância, determinada a fazer qualquer coisa para proteger a infância da minha filha.

Meu retorno a Carleon era inevitável algum dia. Eu só não entendia por que Ezra tinha tanta pressa em me trazer de volta, já não havia me magoado, humilhado e roubado o bastante?

Nossos olhares mantiveram-se fixos e, sem suportar mais, e olhar ao redor, perguntei.

- Onde está a minha filha, Ezra? O que você quer com tudo isso?

Capítulo 2 O Jogo de Máscaras

Narrado por Mason Dasílis:

Meu escritório, o famoso Blackwood, localizado no topo de um elegante edifício de vidro, é um refúgio de luxo e sofisticação. Com paredes revestidas de painéis de madeira escura, móveis de couro e uma vista deslumbrante da cidade, o ambiente reflete perfeitamente o status e a riqueza que possuo. Sou um homem de negócios, que muitos consideram astuto e calculista, já estou acostumado a lidar com situações complicadas. No entanto, hoje me preparo para algo fora do comum.

A reunião com a família Muller estava marcada para a tarde. Quando os Muller entraram no escritório, foi como se uma nuvem de desespero e tensão pairasse sobre eles. O pai, Walter Muller, estava visivelmente nervoso, enquanto a esposa, Ivone, mantinha uma expressão de resignação. A filha, Ezra, parecia inquieta, tentando não olhar para mim. Sentado atrás de uma grande mesa de mogno, eu os observava, intrigado e um pouco surpreso pela coragem de vir juntos sem o meu dinheiro para me pagar.

- Boa tarde, Sr. e Sra. Muller, senhorita - cumprimentei, levantando-me e oferecendo um sorriso cortês, mas sem calor genuíno, claramente ignorando o seu corpo bem moldado, desejosamente marcado no tecido rosa, além dos lábios carnudos, vermelhos. - Sentem-se. Espero que tenham encontrando uma solução boa para nós, já que a dívida é exorbitante.

Os Muller tomaram seus assentos, cada um revelando sua apreensão pela postura. Eu me acomodei em minha cadeira, cruzando as pernas e estudando-os com um olhar perspicaz.

- Estou ciente da situação financeira complicada em que vocês se encontram - comecei a falar, com palavras precisas e controladas. - A dívida com meu escritório é substancial, temos discutido as opções de pagamento. - Eu sabia que eles não tinham nada a não ser trabalhar para mim, e não havia outras maneiras de pagar.

Walter Muller limpou a garganta tentando falar, mas foi Ivone quem tomou a frente.

- Senhor Dasílis, queremos resolver isso da melhor maneira possível - disse a senhora Muller, com a voz trêmula. - Estamos dispostos a negociar qualquer coisa para quitar a dívida, podemos lhe entregar a mansão Muller como pagamento.

Ela disse isso como se fosse um alívio, talvez não soubesse que a mansão está hipotecada, tlavez o senhor Muller não tenha revelado seus negócios, meus olhos permaneceram frios e calculistas.

- Eu aprecio a disposição de vocês para negociar, mas, infelizmente, a situação é mais complicada do que parece - respondi diretamente, tomando toda e qualquer contramedida que eles pudessem oferecer. - Precisamos de uma solução que seja benéfica para ambas as partes. E aquele lugar além de velho, caindo aos pedaços, esta hipotecado. - Revelei percebendo que não houve sequer um tom de surpresa em seus olhares.

Foi então que a jovem Muller pigarreou ao lado da sua madrasta, tomando a minha atenção, pegando na mão da sua mãe substituta, erguendo um pouco o toráx, com a intenção de exibir um par fartos de seios, no vestido rosa claro, franzi um pouco o cenho buscando compreender a sua intenção.

- Eu tenho uma proposta. - Sussurrou apesar da sua postura austera, me deixando um pouco intrigado, que proposta uma jovem teria a fazer como solução dos problemas financeiros da sua família, pela maneira que olhou para os seus seios, e em seguida olhou para mim, não pude deixar de observar o seu rosto, a pele clara, os olhos incrivelmente pretos, tão redondos, quanto graúdos, os cílios grandes, evidentemente marcados pelo excesso de maquiagem.

O Nariz bastante fino, arrebitado, os lábios cheios e vermelhos por excesso de batom. Ergui uma das minhas sobrancelhas, mas não fiz comentários, a suposta jovem, parecia-me um pavão, ao exibir sua calda, mas o seu charme, eram definitivamente o seu par de seios bem fartos, quase a saltar do vestido.

Em vez de continuar a olhar, indiquei uma cadeira para a jovem Muller, e ao sentar, a observei com interesse genuinamente sexual.

- Ezra, fique calada. - disse o seu pai, um pouco surpreso. -Que proposta você pode ter para o senhor Dasílis? - Disse ele demonstra tão surpresa quanto eu, a jovem Ezra segura da mão da madrasta sorri fraco.

Ezra assentiu e, em seguida, se voltou para os Muller.

-Papai, Ivone- começou Ezra, sua voz firme e controlada. - Tenho uma proposta que pode resolver a situação de forma rápida e eficaz.

Os Muller olharam para Ezra, confundidos e curiosos, enquanto eu aguardei.

- Do que você está falando? - perguntou Walter, a preocupação evidente em sua voz.

Ezra olhou para mim, novamente e então se voltou novamente para os Muller.

- O senhor Dasílis e eu podemos chegar a um acordo - disse Ezra. - Estou disposta a assumir a dívida da família Muller, sob uma condição. - Ergui ambas a sobrancelhas, sem imaginar qualquer condição possível, o que ela poderia fazer?

Os seus olhos brilharam com um brilho calculista. Ela havia planejado algo mais complexo e oportuno do que parecia.

- Qual é a condição? - perguntou sua madrasta, seu tom revelando a mistura de esperança e ceticismo.

Ezra respirou fundo antes de revelar o que parecia ser a solução para o problema.

- Soube que o senhor Dasílis não é casado, e certamente num futuro próximo ele deseja ter um herdeiro. - anunciou ela, sua voz implacável. - Desculpe senhor Dasílis, mas todos comentam...seus herdeiros são seu irmão, e sobrinho, imagino que queira algum dia ter um sucessor.

A notícia me deixa desconfortável, era algo sigiloso, como essa mulher poderia saber disto? - Sei que o senhor se envolve com mulheres, bem...paga por serviços...

- Como soube disto? - Indaguei notando que pela expressão frígida em seu rosto, também era de conhecimento de sua madrasta. A verdade é que eu não desejava uma esposa, mas ter um herdeiro já havia passado em minha mente.

-Notícias correm, boatos, senhor Dasílis. - A sua madrasta interviu pouco sorridente.

- Eu me proponho a ser sua esposa, lhe dar um herdeiro, ainda temos um sobrenome de respeito, bem...como quiser, mas num acordo, o acordo é que, como parte desse casamento, a dívida da família Muller será quitada.

A Proposta caiu como uma bomba em meu colo. Walter e Ivone olharam para Ezra com uma mistura de choque e confusão em seus rostos.

- Casamento? - Walter repetiu, sua voz cheia de incredulidade. - Como isso resolve nossa situação?- Eu havia pensado em oferecer uma boa quantia em dinheiro para possíveis mulheres que o fizesse o proposto, mas até o momento nada era certo, era apenas planos.

- Com um casamento, o senhor não precisará de uma barriga de aluguel, nem comprar uma esposa, senhor Dasílis. - Ezra disse, com uma voz macia. A boca do seu pai ficou entreaberta com tal proposta, em silêncio mantive-me, a proposta não era de tão mal ou ruim.

Ezra continuou, com uma frieza calculista.

- O senhor e eu teremos um acordo formal, e como parte disso, a dívida da família Muller será cancelada. O casamento será um meio de assegurar que a dívida seja liquidada e que nossos interesses mútuos sejam protegidos.

Mantive-me apenas, observando a reação dos Muller, não pôde deixar de sentir um certo prazer ao ver a perplexidade em seus rostos. Para mim, o casamento com Ezra era uma oportunidade de resolver um problema financeiro com algo muito desejado, mas a oferta era boa demais vindo de uma mulher jovem, e bem sexy no auge da sua juventude.

- Portanto, - disse, interrompendo o silêncio que se seguiu -, se você aceitar o acordo, a dívida deverá ser totalmente quitada, e nós poderemos começar de novo sem esse peso. Caso contrário, continuaremos a buscar outras formas de negociação.

Os Muller estavam atônitos, sem saber como reagir. Ivone olhou para o marido, e Walter, embora ainda visivelmente perturbado, parecia estar considerando a proposta. Enquanto eu, achei corajoso da sua parte, evidente que ela lucraria bem com isso, mas era um filho.

- Mason, Ezra - disse Ivone, sua voz agora um pouco mais firme - precisamos de um tempo para pensar sobre isso. Essa proposta é inesperada e complicada.

Apenas acenei com a cabeça, compreendendo a necessidade de um tempo para reflexão, uma boa investigação sobre aquela jovem.

- Claro, - digo-lhe com um tom compreensivo, mas com um sorriso que não alcançava seus olhos -, tomem o tempo que precisarem. No entanto, peço que façam uma decisão o mais breve possível, para que possamos seguir com os próximos passos.- A dívida deles estava prestes a vencer, algo deveria ser feito sobre isto.

Os Muller levantaram-se lentamente, ainda processando a proposta. Ezra observou-os sair do escritório, seu olhar firme e determinado. Eu permaneci na cadeira, processando o desenrolar dos eventos. Até que sem muita cerimonia, a jovem levantou-se em seguida. - Até mais senhor Dasílis.

Disse, ganhando a porta, por trás daquela mente havia algo, o que não demoraria tanto a descobrir. Iniciando uma investigação minuciosa sobre a mesma, uma mulher de cunho interesseiro que se envolve com homens sem compromisso, sem ao menos importa-se se são casados, o sorriso lascivo brotou em meus lábios a cada informação que obtive sobre Ezra e sua madrasta, despertou-me mais interesse, eu não precisaria ir devagar com ela.

Logo, se tornara a candidata perfeita, casar, engravida-la e ao ter meu herdeiro, qualquer quantia seria suficiente para me livrar dela sem problemas. Apagando os seus vestígios da vida do meu filho. Alguns dias se passaram.

- Parece que temos um acordo, então - digo-lhe ao nos encontrar outra vez. Ezra sorri, e diz sim sua voz baixa.

Ezra me olha com um brilho de satisfação em seus olhos, mas nada parecia mais radiante que o seu pai e sua madrasta, o casamento lhe beneficiaria de todas as maneiras, já que estão na lama.

Reunindo-me com advogados, não fora difícil elaborar um contrato, tudo estava indo bem, mas do que o esperado.

- Sim, parece que temos. Agora, vamos garantir que tudo corra como planejado.

Era o negócio perfeito para mim.

Capítulo 3 Sacrifício nupcial

Narrado por Eva Sollis

A manhã está pesada com um céu nublado, refletindo o meu estado emocional. Dentro do banheiro de antigo cartório em Carleon, já não suportando mais o peso de tudo e o estado de desespero. Permitir as lágrimas correrem livremente por meu rosto enquanto eu busquei desesperadamente encontrar algum consolo.

O medo de que minha filha, Isabela, esteja em perigo, me consome. A única coisa que me mantêm em movimento é a esperança de que o casamento com um desconhecido poderá ser a chave para garantir a liberdade de minha filha.

Eu sei que o que estou prestes a fazer é um sacrifício imenso, mas as circunstâncias não me dão escolha. A voz de Ezra, minha irmã, ainda ecoava em meus pensamentos, com a ameaça cruel e fria de que Isabela sofrerá caso eu não cumpra as suas exigências. O peso dessas palavras era insuportável.

- Chega! - Grito, sem suportar mais tudo isso. Respirando profundamente seco as lágrimas, tento recompor-me e, com o coração pesado, saio do banheiro.

A cerimônia está prestes a começar.

A grande sala estava adornada com flores mortas e velas, criando um ambiente que contrastava fortemente com o meu tumulto interno. Não havia altar, a mesa de marmore por si só exalava elegância, não para um casamento. Adentro o cômodo com a cabeça pesada, vestida com um vestido pouco justo branco, tecido grosso, algum tipo cetim, que agora parece um manto de sacrifício, ando lentamente em direção a mesa.

Quando finalmente chego ao lugar, após revistar os presentes sem conhecer ninguém, exceto a infeliz da Ivone e o meu pai, me pergunto como ele pode colaborar com tudo isso.

Meus olhos vagam pelo chão, até erguer e encontraram um homem alto, loiro, forte. O homem que eu estou prestes a me casar esta de costas conversando com outro homem, até que ele se vira para mim, engulo em seco com o que vejo, ele é horrivel, tem uma aparência dura e desagradável, seus olhos azuis, cabelos loiro com alguns fios grisalhos, mas isso não é tudo. Seu rosto é marcado por uma cicatriz que pega do queixo a testa, linha horizontal, grossa, e certamente a coisa mais horrível que já vi, a cicatriz parece fresca, recente, a carne avermelhada que não se fechara, embora esteja cicatrizada, além de rugas prematuras e uma expressão que parece permanentemente severa, pouco o que salva é a barba, grossa, certamente áspera.

Ele é horrível, a coisa mais feia que já vi. Apesar do medo, apenas engulo em seco, após parar diante a revelação, tentando ignorar o desconforto que sinto, meu corpo treme.

O homem de pé a me olhar, parece perceber a minha apreensão, pois ele mantém seus olhos firmes em mim, não parecendo fazer nenhuma tentativa de amenizar o meu desconforto. Seu olhar frio, calculista não ajuda a aliviar a tensão que pairava no ar.

O celebrante começa a cerimônia, e as palavras de rito são proferidas com a formalidade que a ocasião exige, no mínimo silêncio, tento pensar em como Ezra pode elaborar um acordo com este homem horrivel, mil ideias passam a minha mente.

Eu mal escuto o que está sendo dito. A minha mente está focada em Isabela, imaginando onde a minha filha pode estar e como ela está sendo tratada. O tempo parece se arrastar, e cada minuto que passa parece um eterno tormento.

Finalmente, chega o momento das trocas de alianças. Ele pega a aliança de casamento, um anel elegante e de aparência extravagante, tenta colocá-la no meu dedo. No entanto, a aliança esta folgada. Faço um esforço para acomodá-la, mas, ao terminar, o anel escorrega do meu dedo e caindo no chão com um som metálico.

Os poucos presentes observam, e o meu olhar se desvia para o chão, onde a aliança repousa. Ivone, se inclina rapidamente e apanha o anel. Com um gesto rápido e eficiente, ela entrega a aliança ao celebrante, que a passa para o noivo.

Mason Dasílis, quem é ele? Com um sorriso frio, coloca a aliança no meu dedo, outra vez, e o gesto formaliza a união. O sentimento de derrota e desespero toma conta de mim. Cada movimento parece ser um lembrete doloroso desta situação entregue a um homem que não conheço, com a esperança de que isso fosse a chave para a segurança de a minha filha.

A cerimônia chega ao fim, sendo conduzida para fora, agora oficialmente casada com Mason. O meu olhar cruza com o olhar de Ivone e o meu pai, que sorri letárgico, o que me parece estranho, mas o olhar dela é de pura satisfação cruel.

Eu não consigo evitar em me sentir como um peão em um jogo onde todas as regras estavam contra mim, outra vez, e desta vez, a minha filha está em jogo.

Com a cerimônia concluída, chego a um canto separado da recepção, o tal Mason cercado por homens, usando um terno preto, sai em seguida, após falar algo com o meu pai.

Sinto um nó na garganta, a minha é mente preenchida com pensamentos angustiantes sobre sua filha. Ando na direção de Ivone, arrastando-lhe pelo braço, enquanto alguns saúdam o seu marido, meu pai. - Pronto, já fiz o que queriam, onde esta a minha filha? - Peço, segurando as lágrimas para não cair.

Mas Ivone, olhando em volta, apenas sorri. - Ainda não, e se falar mais sobre isso aqui, não a verá tão cedo. - Sussurra me olhando, o sorriso em seus lábios, contam uma vitória, o anel novamente cai, ela pega e em seguida sai me dando as costas, olho para Fátima, que lamenta, me olhando.

Eu achava que estava livre! Acreditei que ter ido embora, tinha me salvado, mas três curtos e maravilhosos anos se passaram, e aqui estou eu, outra vez!

Cada momento parece um passo em direção a uma nova e dolorosa realidade. Agora estou substuindo a minha irmã, para um casamento com um homem que não conheço, com a única esperança de que, ao cumprir esse sacrifício, conseguirei salvar a minha filha e garantir que ela estivesse a salvo, após a cerimonia, entro no carro ignorando os flashs e fotos. - Filha....você é um gênio...eu te amo tanto minha princesa!

Meu pai está a todo sorrisos, e por tudo que diz, parece não saber, o meu desejo é de gritar.

Mas sei que isso seria o fim para nós, Fátima não sei como veio, e onde está ficando, sigo em silêncio, enquanto o meu pai diz sorridente que alguém o cumprimentou, Ivone comemora por isso.

Respiro fundo, olhando para fora do carro, a nossa vida era tão diferente anos antes desta mulher entrar nela. - Tudo graças a você, minha princesa! - Ele diz virando-se e pegando em minha bochecha, como fazia quando criança.

- Deixe ela! Ainda está abalada com tudo, não é querida? - Ivone intervém, arrancando a sua mão do meu rosto, afirmo com a cabeça, é verdade estou em completo choque, que tipo de mulher a minha irmã se tornou, uma sequestradora de crianças indefesas e inocentes?

- Oh, meu amor, confesso que pensei que você ia desistir, mas você bravamente se casou, Ezra!- Ele solta e rapidamente agarra o volante em festa!- Se casou e logo nós voltaremos a ser ricos, milionários. - Meu pai diz satisfeito, é o que me faz concluir, ele realmente não sabe o que estão fazendo, e se soubesse?

- Vamos deixe-a, deixe-a Walter, não está vendo que a nossa menina está preocupada com a noite de núpcias? - O que Ivone diz me causa frio na espinha, imagino qualquer possibilidade, como me deitarei com aquele homem horrível? Submersa em pensamentos chegamos a mansão Muller, o lugar que nunca desejei retornar, a casa tornou-se sombria, como um mausoléu abandonado, embora viva pessoas nela.

Sou desperta do carro, por Ivone, meu pai segue na frente. - Ezra está te esperando no seu quarto. - Sussurra quase inaudível, meus batimentos aceleram ao saber.

Segui até o quarto, onde Ezra esta, ao abrir a porta, a encontro deitada na cama, Isabela sentada no chão, corro em direção a minha filha, ainda com a farda da escola, os cabelos negros, trançados nas pontas bagunçados, o rosto sujo, a abraço fortemente, as lágrimas caem sem parar.

A atmosfera estava carregada de tensão, eu podia sentir o peso das palavras não ditas que pairavam entre elas, os olhos de Ezra em nós, como se estivesse divertindo-se com o que via.

- Oh meu amor, como você está? - perguntei, agarrada a Isabela, contra a sua vontade, ela me afasta, a minha voz tremendo de emoção, Bella não respondia, apenas brincando com um alguns lego. - O que você fez com ela? - Pergunto mais que perturbada.

Ezra olha para mim com um sorriso frio, um brilho de prazer perverso nos olhos.

- Oh, Eva - disse Ezra, com uma calma perturbadora. - Você ainda não entendeu? O casamento foi apenas uma parte do plano. A verdade é que eu tenho algo maior em mente.

Senti um frio correr pela espinha, escondendo Isabela atrás de mim.

- O que você está falando? - Eu gritei, transbordando a angústia evidente em cada palavra.

Ezra fez uma pausa, observando a minha reação com um prazer cruel.

- O casamento é apenas uma formalidade - continuou Ezra. - É uma forma de assegurar que você não tenha como escapar. Enquanto isso, estamos garantindo que sua filha esteja bem protegida.

Eu não consegui conter uma exclamação de pânico.

- Protegida? Do que você está falando? Eu só quero a minha filha de volta, Ezra!

Ezra balança a cabeça, o sorriso nunca abandonando seus lábios.

- Isabela está bem - garantiu Ezra, com um tom que tentava parecer tranquilizador, mas que me soava ameaçador. - No entanto, você precisará cumprir certas condições para mantê-la a salvo.

Eu tenho planos para garantir que tudo corra conforme o planejado.

Eu me senti atônita. A noção de que minha filha estava em perigo, mesmo que não fosse diretamente em risco, era demais para suportar. A ideia de ter que negociar com os caprichos de Ezra me deixa desesperada.

- O que mais você quer? Eu já fui ao cartório, já me casei com aquele homem horrivel, o que mais você quer para nos deixar em paz? - perguntei, a voz cheia de resignação.

Ezra me olha com uma expressão de satisfação calculada.

- Você já fez a parte mais difícil, casando-se com Mason - disse Ezra. - Agora, é apenas uma questão de cumprir com as obrigações que vierem a seguir. Garantindo que você mantenha sua parte do acordo, e sua filha será devolvida quando eu achar que a situação estiver segura para todos.

- Não! - Gritei.

Mas ela sorria, se alimentando do meu desespero, respiro fundo, tentando controlar a onda de desespero que quase me faz desabar. Cada momento parece uma tortura interminável, eu não sabia quanto mais poderia suportar.

-Saiba, Eva, qualquer desvio do plano pode ter consequências graves. Se prepare para ir para a mansão Dasílis e nada de abrir a boca, ou a sua filha já era!

- Ezra...- Eu já chorava.

Ezra virou-se e começou a se afastar, deixando-me sozinha com Isabela em pura de agonia. O peso da situação era esmagador, e o que restava era a necessidade desesperada de garantir a segurança de Isabela, mesmo que isso significasse enfrentar os monstros que controlam a minha vida agora.

Com o coração pesado e a mente tumultuada, agarro a minha filha outra vez, enquanto ela tenta se soltar. Dou-lhe um banho, e ao perguntar sobre comida ela não responde.

Isso me parecia que ela estava alimentada, mas não tanto, Fátima chegou em seguida, ficando conosco, até que Ezra entregou-me uma mala com algumas roupas e utilidades.

O casamento é apenas o começo, eu preciso encontrar uma maneira de salvar a minha filha antes que fosse tarde demais, sai da casa dos Muller em direção a residência Dasílis na tarde, deixando Isabela com Ezra, mas Fátima me prometeu cuidar dela como pudesse, as lágrimas submergirem os meus olhos, sem haver outra maneira de demonstrar a minha dor.

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