PREDADOR NARRANDO
Minha vida não tem sido fácil nos últimos dias.
- Queimem nos pneus.. Não, esse traidor não merece ser enterrado, ele merece virar pó. - Saí andando e coloquei a arma no coldre nas minhas costas, nervoso e impaciente.
É difícil lidar com traidores. Julio conspirava contra mim junto com mais algumas pessoas, eu já dei um jeito de matar todos, não tenho tempo pra ficar dando chance pra ninguém. Essas pessoas iriam me trair com minhas armas, metralhar minha casa e meu carro, provavelmente matar minha esposa, meu cachorro, e depois me torturar até a morte mas não antes de eu passar o poder do morro pra eles. Eles acham que sou burro? Não, eu não sou. Deixei claro quando assumi o morro.
Um plano bizarro como esse merece aplausos, devo dizer. Eu não posso negar a genialidade de um homem que conseguiu convencer seis dos meus a me trair, mesmo sabendo do quanto eu sou macabro. Depois dessas mortes, tudo que eu queria era um tempo para relaxar.
Cheguei em casa e precisava de um banho. Minha esposa Aline estava deitada na cama, coberta com o lençol, sem roupas. É uma morena dos cabelos lisos e longos, unhas sempre feitas e com alongamento, cílios, siliconada, fez lipo e vive nos salões de granfina fora do morro. A mulher sabe se cuidar... Para uma mulher da idade dela, entrando nos quarenta, aparenta uns trinta. É uma tremenda de uma gostosa. Nos conhecemos ainda na escola e ela ascendeu ao morro comigo.
- Aline, vem tomar banho comigo. - Falei. - To querendo te dar um cheiro.
- Tô exausta e já tomei banho bonitão, mas quando você chegar, vou estar aqui pra você. Tô louca pra dar pro dono do morro... - Ela disse de forma maliciosa.
Temos um casamento bom. Eu gosto de como vivemos.
Alguns dias se passaram desde que tudo aconteceu. Minha esposa Aline começou a me ignorar, o que me deixou irritado, afinal, eu tenho um monte de vadias me rondando e me querendo... E ela fica me ignorando sem motivo? Não faz sentido, essa puta tá querendo apanhar.
- Mano, você enlouqueceu? Tá me ignorando pra caralho tem uns dias... O que caralhos eu fiz? Eu tô tentando consertar as coisas entre a gente, tentando falar contigo, e você me ignora. Você nunca fez isso, Aline! O que houve?
- Eu estou de saco cheio de você descontar suas frustrações e suas paranoias nos seus súditos. Eu sei que você matou o Julio e ele era meu amigo! Eu não sou idiota, sei que você matou ele por ciúme de mim por causa dos boatos que rolam no morro. O Julio era meu amigo desde a infância, e você o matou e...- Ela abraçou o travesseiro e eu dei um soco na porta do banheiro da nossa suíte.
- Mas que porra, mulher! Eu não tô acreditando que você tá defendendo esse vagabundo traidor! Eu lá tô sabendo de boato de você com ele, velho, não quero saber! Ele já tá morto e antes disso eu não tava nem aí pro que ele fazia ou deixava de fazer... E outra... Cheio de vagabunda querendo sentar na minha rola e você de frescura! - Gritei. - Quer saber? Eu vou começar a comer todo mundo, já que de mim você só quer o dinheiro! Sua vagabunda mal caráter! - Ela se irritou e se levantou da cama onde estava sentada. Estava com um short muito curto e uma camiseta mostrando a barriga reta da lipo que eu paguei. O que ela tem de irritante, tem de linda.
- Eu, vagabunda e mal caráter? Acho que você tá confundindo as pessoas e falando de você mesmo, seu imbecil. É você quem não presta aqui, você quem é um merda violento e ridículo. - Me aproximei dela, apontando o dedo na cara dela e a olhando com ódio.
- Nunca fui violento com você, diferente dos outros homens que passaram pela sua vida. Quer que eu cite os nomes? Você sabe quem eu sou e o que eu tenho que fazer. Você tá reclamando porque eu matei seu amiguinho? Ele merecia mais que isso, acredite, eu queria ter esfolado ele vivo, mas por misericórdia dei um tiro nele e mandei queimar. Acho que essa misericórdia veio por sua causa. - Ela soltou uma risada.
- Você é ridículo... Misericórdia? Misericórdia do que? Olha, quer saber... Nosso casamento já acabou faz tempo, Predador... E só você não viu. - Ela cruzou os braços e se sentou na cama.
- Tá louca, mulher? Tu tá cada dia mais perturbada. Não merece mais meu dinheiro.
- Quer saber de uma coisa, Henrique? Eu cansei. Cansei de você jogar na minha cara as coisas que você paga pra mim. Se não fosse por mim, você não teria chegado aonde chegou. Eu estive do seu lado controlando essa sua impulsividade por muito tempo, e você não mudou, não melhorou em nada, continua o mesmo ridículo de sempre. Você não me merece. Eu vou embora, e você que fique chupando o dedo... E aliás, se você quer saber, eu... Eu dormi com o Júlio!
Ela foi até o armário e começou a retirar as roupas. Eu comecei a rir de forma impulsiva e nervosa ao ouvir o que ela disse. Imaginei que ela estivesse falando para me provocar... Ou ao menos era o que eu queria acreditar.
- Vai embora e se sustentar como? Vai virar puta, né? Porque não tem mais nenhum atributo além da beleza. Você é uma tapada, não passa disso. - Ela colocava as coisas na mala de forma rápida. Ela chorava e ao mesmo tempo guardava tudo com ódio.
- Viro puta mas não fico mais no mesmo teto que você. Eu nem sei porque ainda estou aqui, sinceramente. - Disse. Eu a segurei pelo braço, a fazendo me olhar e ela começou a gritar. - Me solta!
- Você tá falando sério sobre ir embora?
- Toda essa situação é uma merda e eu não quero mais. - Ela fechou a bolsa e começou a se trocar com a roupa que havia separado. - Eu não aguento mais você! Você matou o meu Julio!
Naquele momento, ela me atacou e começou a me socar. Eu empurrei Aline longe, e ela bateu na parede de costas. Ela me olhou como se aquilo fosse a maior das agressões.
- Seu agressor de mulheres!
- Eu? Você não me viu agredindo alguém pra falar que isso foi uma agressão. Se eu quisesse te bater, você tava moída. Eu te empurrei porque você tava fazendo drama me estapeando!
Essa mulher não tem moral nenhuma de julgar em quem eu bato ou coisa do tipo. Ela é doida, por acaso? Fala sério...
Eu a vi sair pela porta com a mala dela, parecendo uma adolescente fugitiva, mas não disse ou fiz nada. Eu também estou cansado dessa louca. Acho que nosso casamento já deu, o único problema, é que eu sempre fui muito apaixonado nessa maluca. Agora, eu não sei o que fazer.
Talvez eu deva encher meu rabo de droga e bebida, comer umas mulheres por aí e esquecer dela. Mas é inegável que meu coração se partiu. Ela conseguiu lascar com o pouco de sanidade que eu tinha.
ANA NARRANDO
Meu nome é Ana, e eu sou garçonete em um restaurante nada convencional no centro da cidade. Basicamente, meu trabalho é me exibir de biquini para os homens e entregar lanches e bebidas, e é claro, eu acabo usando isso para divulgar meu outro trabalho: Tenho uma conta em um site de conteúdo adulto onde posto fotos sensuais. Já fui convidada para fazer programas e aceitei alguns, é claro, não sou burra... Eles fazem ofertas e eu aceito suas propostas caso sejam boas o suficiente. Não é nada difícil, e eu estou bem com isso. No início era complicado... Mas a gente tem que se virar pra sustentar quem amamos.
Moro com meu filho de oito anos e com minha mãe em um apartamento que eu pago bem caro por mês. Dona Elenita, minha mãe, me acolheu quando fugi de casa grávida. Eu tinha vinte anos, estava com quase sete meses de gravidez e perdida porque não aguentava mais apanhar do esposo da minha irmã, que hoje já está morta. Hoje, quem a acolhe sou eu, já que tenho melhores condições. Está um pouco frágil pela idade, tem sessenta anos e foi doméstica a vida toda, esse foi um dos motivos de eu ter morado na casa da minha irmã desde cedo, ela não tinha dinheiro. Agora que eu tenho, a trouxe para morar comigo em uma casa mais segura do que a dela.
Meu filho se chama João Gabriel e não tem pai em sua certidão de nascimento. Eu não me importo assim como não me importo de ser o que os outros chamam por aí de "puta". Jamais direi a ele quem é seu pai, porque Gabriel é fruto de um abuso do esposo da minha irmã, e isso é uma merda. Não pude nem ao menos contar pra ela. E mesmo que ele tenha vindo dessa forma, ele é o motor que me motiva a continuar vivendo. E ele foi minha melhor escolha. Eu poderia ter abortado, mas eu decidi continuar com a gravidez porque não gosto desse papo de aborto, pelo menos não pra mim. Cada um que faça com seu corpo o que quiser, é claro, mas pra mim, não rola.
Hoje, faço essas coisas para sustentar minha família: Dona Elenita e João Gabriel. Eles merecem o melhor, e eu dou meu máximo para conseguir isso.
Cheguei no meu trabalho como sempre. Era apenas mais um dia comum. Eu fiz o que tinha que ser feito. Entreguei bebidas de biquini e é claro, divulguei minha conta no site adulto para os homens ali. E hoje foi um dia ótimo, porque as gorjetas foram bem altas.
Quando terminei meu turno, depois de me trocar, olhei para o dinheiro e sorri satisfeita. Foi um pouco mais de mil reais, o que é ótimo.
Meu telefone começou a tocar antes de eu entrar no carro e eu atendi.
- Oi, mãe. - Falei, sorrindo ao telefone. - Quer que eu leve algo para a senhora comer? O João tá bem?
- Não precisa, minha querida. Já comi e o João tá ótimo. Conseguiu trabalhar?
- Sim, consegui.
Minha mãe não tem ideia do que eu faço. Ela acha que trabalho com marketing digital e dou aulas de dança. Tadinha. Ela sabe que faço bicos de garçonete, mas se ela soubesse que eu sirvo os clientes de biquini, ficaria bem chateada.
- Bom, eu vou buscar o João Gabriel e vou dar uma volta com ele no shopping. Ele precisa de roupas novas e as gorjetas hoje foram excelentes, acredita que tirei quase mil reais? Louco, né?
- Caramba, mil reais? Isso é muita coisa! Queria eu ter essa sorte de ter tido um emprego em um restaurante de granfino igual você. Bom, querida... Se você precisar de mim, me liga.
Cheguei na escola do meu filho com meu carro. Minha vida não é fácil, e eu não sou rica. Preciso ser cautelosa porque tem meses que consigo quase dez mil reais, e em outros, não consigo atingir dois salários mínimos mesmo trabalhando todos os dias. É complicado, mas eu decidi investir na educação dele de qualquer forma. Meu filho vai em uma boa escola, pois quero que seja alguém de sucesso.
- Oi, mãe! - Ele veio andando calmamente. Eu o abracei e dei um beijo demorado em sua bochecha. - Senti saudade. Seu turno demorou muito ontem... Não ganhei meu beijo de boa noite.
- Também estava, filho. - Falei. Sorri para a monitora e acenei, indo em direção ao carro. - Meu turno demorou mesmo, acabei tendo que cobrir uma colega, mas enfim... Como foi seu dia?
- Muito bom, mãe. Deu tudo certo aqui na escola e aprendi muitas palavras legais em inglês.
Entramos no carro. João Gabriel tá naquela idade que quer ser menos criança. Ele adora andar no banco da frente, e eu deixo, porque o menino é alto pra caramba.
- Vamos almoçar em algum lugar legal? - Ele perguntou. Foi meio que um pedido.
- Vamos no shopping comprar umas roupas pra você.
- Aí sim! Eu posso comprar minha corrente de aço hoje?
- Pode, muleque. Vai ficar chave. - Pisquei um dos olhos e ele sorriu.
Dirigi até o shopping calmamente. Chegamos, e enquanto meu filho escolhia uma das correntes eu fiquei gerenciando minhas redes sociais.
Depois das compras, fomos pra casa. Lá, meu filho me entregou a agenda e eu vi o que estava sendo dito ali: As crianças iriam viajar para um intercâmbio. É claro que eu quero que meu filho participe...
- Eu vou ter que trabalhar mais, preciso pagar isso daqui. - Sussurrei comigo mesma.
E assim, depois de pouco tempo com meu filho jogando um pouco de videogame, tive que voltar para o quarto mais uma vez e procurar algum cliente para me vender, para tentar conseguir mais dinheiro. É exaustivo, mas é meu trabalho. Eu não consegui nenhum outro que pagasse bem, que me fizesse ter uma boa projeção de futuro... Então continuo assim. Confesso que vez ou outra me dói...
- Vou te pegar as sete. - O cliente disse.
- Certo, eu te espero.
PREDADOR NARRANDO
Meus dias tem sido uma merda desde que Aline me deixou. Eu sou completamente apaixonado por ela, queria me curar logo, isso tá afetando minha imagem de durão. É que nossa história é complicada, manja?
A gente se conheceu muito jovem e eu me apaixonei na hora, ela era gostosa demais, primeiro fomos amigos depois eu comecei a partir pra ação.
Com o tempo, fui ficando mais instável. A vida não é feita só de amor e eu sempre soube disso, fiz coisas que até Deus em sua infinita bondade duvida. Eu me envolvi cada vez mais fundo no crime, nas drogas, em assassinatos... E eu percebi que não queria ser apenas mais um, eu queria mais, queria tudo e tudo envolvia o morro todo. Eu tramei contra meu maior aliado e venci. Ele era muito louco e estava fazendo coisas bizarras, e eu não me arrependo de ter dado um belo tiro na cara dele.
Derramei muito sangue para chegar onde cheguei e não me arrependo. Hoje o morro do Caos é meu, eu sou o rei e dono dessa porra. Protejo minha comunidade com unhas e dentes, aqui eu faço as leis e gosto disso. Acredite, ser rei é bom, ter poder nas mãos é melhor ainda.
As pessoas do morro do Caos são sofridas. Metade tem antecedentes criminais por alguma coisa, a outra metade provavelmente vai ter algum dia considerando como as coisas tão feias aqui. As crianças crescem sem esperança e com ódio do governo, achando que o único herói possível sou eu e os caras que eu comando, e fora do morro eles chamam isso de valores invertidos. Considerando que os coxa sentem prazer em dar tiro em preto pobre, quem vira o vilão na cabeça dos meninos da favela? Não faz sentido considerar os cara da boca que dão botijão de gás pra mãe solteira como malvado, e o policial que deu um tiro na sua cabeça de bonzinho.
A gente tenta fazer o melhor que pode. Eu pago escola pra uma criançada daqui, porque as escolas do morro são pra vagabundo. Não dá. Criança que quer ter futuro tem que ser bolsista fora do morro, e eu faço questão de pagar. A gente dá coça em pai que deixa criança solta, dá tiro na mão de ladrão que rouba a comunidade pra tentar deixar as coisas mais pacíficas e mata os traidores pra mostrar que aqui o povo tem que ser unido em um só propósito. O povo sabe quem tá no comando porque eu cuido de todo mundo na mesma proporção que castigo. Ninguém aqui passa fome graças a mim.
Passei as duas mãos por meu rosto, cansado. Os últimos dias foram intensos considerando as traições e o que eu passei com minha mina, eu enchi o cu de droga e cachaça, fui em bailes pelo morro e comi mais mulheres do que comi em toda minha vida. E eu nem sou assim. Sou sério, fechado, na minha... Mas o desespero e o vazio fazem a gente fazer bosta.
Decidi dar uma volta fora do morro, abriu um restaurante bacana aqui perto, onde as meninas servem a gente de biquini.
Eu já estou na merda, mesmo. Quem sabe dar uma olhada em umas gostosas de fora me deixe mais animado com a vida né?
Cheguei lá todo bonito, no estilo. Eu sou alto, todo tatuado e gosto de usar anéis e correntes. Meu cabelo tá sempre bem arrumado, eu tenho um pouco mais de um e oitenta, malho bastante e gosto de estar sempre cheiroso e arrumado. Isso porque aparência é tudo nessa porra de morro.
– Oi, é... Esse é seu nome mesmo? Predador? – Disse, com um belo sorriso no rosto. Ela era a garçonete com o rosto mais lindo de todo o restaurante e por sorte, veio parar na minha mesa.
– Mais ou menos, mas pode me chamar assim. – Respondi.
– Você é bem bonito. Gostei das tatuagens. – Ela abriu um sorriso sacana. A parte foda é que eu não sei se ela está sendo sincera ou falando isso porque está sendo paga.
– Valeu. Você é bem gostosa. – Comentei.
– Posso te dar meu cartão? Eu tenho um site só meu onde posto foto de biquini... E algumas sem, se é que me entende. – Ela sorriu. Um belo sorriso.
Por que uma garota tão linda e agradável está se sujeitando a se vender assim?
- Pode, mas só se você sentar aqui na mesa comigo. Te pago o dobro do que tão te pagando pela noite. - Eu falei e sorri. Ela sorriu de volta.
- Meu chefe me mataria... - Ela girou os olhos. - Mas eu saio as duas da manhã. Acha que aguenta até lá? Vou ser sincera com você, bonitão... - Ela passou a mão em meu ombro, enquanto me olhava nos olhos. - Eu gostei de você. Não me ofereço assim para os clientes, mas você é irresistível.
- Ah, eu sou irresistível? E por que eu sou irresistível, qual vai ser seu preço? - Eu brinquei, a olhando de forma sacana.
- Quinhentos. Sem tocar na parte de trás e é claro, eu preciso de exames de DST recentes.
Caí na gargalhada.
- Que tipo de cara você acha que eu sou? Acha que eu pagaria por sexo? - Falei, rindo.
- Eu não sei, oras. Se eu fosse rico e não tivesse paciência de conquistar uma mulher por noite, com certeza contrataria uma gostosa como eu, sabe? - Ela disse e sorriu.
Incrível, gostei dela.
- Eu pago os quinhentos, mas não quero sexo. Quero sua companhia. - Falei. Ela concordou com a cabeça.
- Adorei. Você vai me dar um respiro ótimo. - Ela riu e saiu da minha mesa.
Quando acabou seu serviço, ela se trocou e apareceu na minha mesa.
- Me esperou mesmo. Gostei de você, homem de palavra. Quer ir no meu carro? - Ela perguntou e eu dei os ombros.
- Pode ser, mas seremos seguidos. - Avisei.
- Como assim?
- Eu sou levemente importante, então, ando com seguranças sempre.
– Isso é bem legal. – Afirmou.
Entramos em um carro simples, eu fui para o lado do passageiro. A garota colocou um motel no GPS e começou a dirigir.
- Eu disse que não quero transar com você. - Falei.
- Eu sei, mas esse motel tem uma hidromassagem fantástica e eu tive um dia péssimo. Um velho gordo apertou minha bunda seis vezes e me deu só vinte de gorjeta, foi ridículo. - Ela girou os olhos e riu. Eu ri também.
- Certo. Vamos para esse motel, então.
Ela é uma garota fantástica. Porra, o que eu encontrei aqui?
Entramos no motel e eu avisei meus caras pelo telefone que estava tudo bem, iria passar a noite com uma garota e que de manhã eles poderiam voltar. Aqui dentro eu estava seguro. Era um bom motel, entendi porque ela escolheu aqui.
Entramos e ela arrancou a roupa toda. Eu olhei aquela beldade nua, e fiquei meio chocado. Ela estava de costas para mim, indo em direção a hidro, e eu a via andar com um andar felino até lá. Ela virou apenas o rosto e olhou para mim.
- O que foi? Eu trabalho seminua, acha que tenho vergonha de alguma coisa? Por favor, Predador... Não precisamos disso. - Ela riu. - Vai querer dividir a banheira comigo?
- Hm, não. Vou me sentar... Aqui. - Eu peguei uma cadeira e me sentei perto da banheira. Ela jogou alguns sais na banheira e logo formou bastante espuma por causa da hidro.
– Me fala um pouco sobre você, Predador. Quem é você? Por que veio parar no restaurante onde trabalho e por que pagou uma puta pra conversar? – Questionou.
– Eu sou o chefe do tráfico de armas e drogas do morro do Caos. – Sorri de forma maliciosa. Ela ergueu as sobrancelhas.
– Acho que nunca estive com um homem tão importante. Quer dizer, já estive com um mafioso uma vez. Ele ficou falando umas bobagens sobre matar um cara e depois transamos. Ele tinha um negocinho minúsculo no meio das pernas.
Eu gargalhei.
- Que merda! - Falei.
- Acho que ele compensava o tamanho minúsculo do amiguinho com dinheiro, sei lá. Mas enfim... Continua falando sobre você.
– Ana, você é ótima... Então, eu comando esse morro que te falei... E eu estou aqui porque basicamente minha fiel me jogou no fundo do poço. Eu sou um merda sem coração? Sou. Mas eu amava a Aline. – Falei.
– Eu sinto muito, Predador. As pessoas são imprevisíveis e as duas Alines que conheci eram terríveis. – Falou e eu concordei.
– Estávamos juntos há anos. E eu tô muito puto, porque minha tristeza vai acabar manchando minha reputação. Eu preciso voltar ao normal e logo, cara, onde já se viu... Você tem razão sobre eu estar aqui, falando contigo, sei lá, isso já mostra que eu tô mal. Eu nunca contratei...
- Uma puta?
- É. Nunca. Mas eu prefiro te chamar de psicóloga no momento.
- Ah, eu adorei. Adoraria poder trabalhar dentro de uma banheira de hidromassagem ouvindo homens e não dando pra eles.
- Você seria ótima com isso, eu aposto. Quer um champagne? - Questionei e ela riu.
- Se você for pagar, eu quero. - Ela falou e eu sorri.
- Eu pago. Mas, como eu dizia... Eu preciso ficar bem... Ou aparentar isso... Eu não sei. – Eu respondi a ela. Meu cérebro começou a raciocinar coisas que até que faziam sentido. – Eu poderia contratar alguém pra botar ciúme na Aline. E pra mostrar pra todo mundo que eu tô de boa e superei aquela merda. Você acredita que ela foi embora porque eu matei um amigo de infância dela?
- Ah, jura? Que motivo pequeno para terminar um casamento. - Ela disse de forma irônica.
- Ele era traidor no morro, não matei ele por ser amigo dela, e sim por ser traidor.
- Amigo? Ai, Predador, você era corno. Desculpa. Ela te deixou porque você matou o amante dela, não o amigo. - Ana colocou as duas mãos na cabeça, fazendo um sinal de chifre.
- Claro que não! Ela não é doida! Mulher que trai perde o cabelo, e ela é vaidosa demais pra isso. Escuta, eu preciso de uma namorada falsa. Preciso mesmo, preciso aparecer com uma gostosona no morro, pra irritar a Aline e mostrar pra galera que segui em frente.
– Uma namorada falsa? – Eu concordei quando ela repetiu.
– Caralho. É isso. – Falei. – Você... Fica em pé aí, deixa eu ver teu corpo. – Ordenei e ela obedeceu, dando uma voltinha e se exibindo. Pensa numa mulher gostosa... Toda natural, pelo visto
– Gostou do que viu? Você tá me pagando, pode aproveitar... Psicóloga com benefícios especiais. – Perguntou.
– Não, eu tô de boa. Passei os últimos dias fodendo com umas amigas e enchendo o rabo de droga, acredite, eu tô bem satisfeito.
- Melhor pra mim. - Ela riu e deitou na banheira.
– Tenho uma proposta pra você. Eu vou te dar uma boa quantia se você fingir que é minha nova fiel. Eu não quero entrar em um relacionamento. A Aline vai ficar puta porque você é muito gostosa, vai voltar e... Porra, é genial. – Soltei uma risada comigo mesmo. - Nossa, isso seria muito bom. Você topa?
– Você vai quitar minha casa se eu fizer isso? – Perguntou. – Eu faço, mas você tem que quitar minha casa. E eu tenho meus termos.
–Tá, primeiro eu falo os meus termos. Eu quero fazer esse acordo com você de um mês, mas você não pode sair do morro sem mim, entendeu? – Concordou com a cabeça ao me ouvir. - Nada de namorados ou vir trabalhar aqui. Eu preciso que você fique integralmente comigo, e eu vou te exibir.
- Eu vou ser paga pra ser uma namorada troféu? Adorei, continue.
- Te dou acesso aos cartões de crédito e você pode comprar o que quiser no morro. Porém, eu quero saber seu endereço. Quero que me dê uma garantia de que você não vai aprontar.
- Afinal, eu sou uma puta, e faria qualquer coisa por dinheiro... Relaxa, cara, eu tenho família, tá? Eu faço isso pra sustentar minha mãe e meu filho.
- Sério? - Perguntei.
- Você achou que a gente era o quê? Alienígenas sem família? Moradoras de rua? Nah, por favor. Eu topo. Quero metade do dinheiro agora e metade no final. Fica bom pra todo mundo e eu te passo os endereços.
– Combinado.