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Predestinados - Duas Almas que se Completam

Predestinados - Duas Almas que se Completam

Autor:: Morgan@
Gênero: Lobisomem
A Deusa da Lua não facilita as coisas para nossa amada Emilly quando decide escrever seu destino com um lobo pra lá de gostoso. Desde pequena ela admirava a relação dos seus pais e sonhava em um dia ser assim com o seu companheiro, mas o que seu futuro reservava eram revelações inesperadas e um romance avassalador que mudaria completamente sua vida. Com o passar do tempo, Emilly percebeu que sua ligação com o lobo não era apenas física, mas também espiritual e emocional. Havia algo mais profundo os unindo, algo que transcendia as diferenças entre as espécies e os tornava um só. Essa é uma história com uma conexão profunda e genuína entre duas almas que se completam.

Capítulo 1 Prólogo.

9 anos atrás...

Observo a minha mãe colocar o meu sapatinho com um sorriso no rosto, bem diferente de mim, já que eu não estou nada feliz em ir ver aquele menino de novo, eu gosto da tia Alice e do tio Carlos, mas não gosto nem um pouco do seu filho, o Dylan, aquele menino me deixa muito nervosa.

-Por que está com essa carinha emburrada, Emi?– minha mãe pergunta me pegando no colo.

-Não gosto do Dylan!– encho as minhas bochechas de ar e cruzo os braços.

-Mas você gosta de brincar com o Pietro, por que não brinca com o Dylan também?

-O Pietro não joga areia nos meus cabelos ou no meu rosto, ele não pega os meus docinhos e se aproveita da minha altura para não me devolver.

-Não se esqueça que você deu um chute na perna dele da última vez, mocinha, aliás, você sempre bate nele. O que ele faz é errado, mas você não pode usar a violência para cima dos seus amigos!

-Ele não é o meu amigo, então com ele eu posso bater!

-Vocês ainda vão se dar bem, Emilly.

-Duvido, mamãe!

-Já está na hora, eles devem estar nos esperando!

-Cadê o papai?

-Ele já está lá!

Ela me coloca no chão, pegando na minha mão e fomos em direção a casa dos nossos vizinhos, onde o chato do Dylan mora.

Avisto a tia Alice vindo em nossa direção com um sorriso no rosto, mamãe me disse que a tia Alice é a sua melhor amiga, como eu e a Iza.

-Olá princesa, vai lá no quarto do Dylan brincar um pouco, o Pietro está lá.– olho para a minha mamãe e ela balança a cabeça confirmando.

Vou em direção à escada e começo a subir degrau por degrau, as minhas perninhas são pequenas e isso não facilitou muito a subida. Chego no topo da escada cansada e vou em direção a porta do quarto do Dylan, e abro sem bater.

-A tia Ana não te deu educação não, Emilly?– ouço a voz do Dylan, mas nem me importo pro que ele fala, olho para o lado e vejo o Pietro na cama do Dylan.

-PIETRO!– corro na direção do Pietro e dou um abraço nele, mas escuto um som esquisito atrás de mim.

É um rosnado?

Olho pro Dylan e parece que ele quer pular em cima de mim, os seus olhos estão vermelhos e isso me dá medo, essa cor vermelha é diferente dos outros lobos.

Mamãe disse que só podemos nos transformar em nossa forma de lobo com dezesseis anos, mas a nossa cor dos olhos podem mudar e podemos rosnar quando ficamos com raiva.

Me encolho mais ainda no Pietro e ouço o Dylan rosnar mais uma vez.

-Para com isso Dylan, está assustando ela!– o Pietro fala me abraçando por trás.

-A minha intenção é essa, e larga ela! Emilly, vá brincar lá fora!– observo os olhos do Dylan que ainda não voltou ao normal e me levanto da cama.

Dou mais um abraço no Pietro e estremeço ao escutar mais rosnados atrás de mim.

-O que você está esperando para ir logo embora do meu quarto?– Dylan pergunta e eu solto o Pietro.

-Não queria ficar no seu quarto mesmo e nem brincar contigo, a sua presença me incomoda.

Saio do quarto e bato a porta com força para mostrar o quanto estou irritada com esse menino, desço as escadas com mais facilidade e quando chego na sala avisto a tia Nanda servindo os meus tios e pais.

-Querida, já desceu?– tia Alice pergunta para mim.

-Não vai me dizer que vocês brigaram de novo!– minha mãe pergunta sem me deixar responder a tia Alice.

-Dessa vez não fui eu que comecei a briga, o Dylan que é muito besta e fica rosnando para mim, me expulsando do quarto dele!– cruzo os meus braços e me sento no sofá, balançando as minhas pernas no ar, sem conseguir tocar no chão.

-Ele rosnou para você?– agora é a vez do tio Carlos perguntar.

-Sim, ainda ficou com os olhos vermelhos para cima de mim!

-Emilly, eu te conheço, o que você fez para ele agir assim com você?– meu pai pergunta.

-Mas dessa vez eu juro que não fiz nada. Eu só entrei no quarto e abracei o Pietro, nem pirracei ele!

-Ah, tá explicado!– tia Alice começa a rir, me deixando confusa.

-Tia Alice, como assim?

-Querida, vamos lá na cozinha, preparei um bolo de chocolate para você!– ao ouvir a tia Nanda mencionar bolo de chocolate, levanto rapidamente do sofá e me aproximo dela com um sorriso no rosto.

Pego na sua mão animada para comer bolo, caminhando na direção da cozinha enorme dessa casa.

Tempo atual...

Sou acordada brutalmente pela luz que invadiu o meu quarto e a coberta sendo tirada do meu corpo, me deixando desconfortável. Sem nem mesmo abrir os meus olhos, pego o meu travesseiro e abraço ele, querendo voltar pro meu sono profundo.

-Até que você é bonitinha.

Ah não, essa voz!

Assim que percebo o dono dessa voz, o meu corpo deixa de lado o resto da preguiça e em um ato involuntário, acabo levantando rapidamente da cama, sentindo a tontura me atingir por conta dos movimentos bruscos e por pouco não acabo indo direto para o chão, já que os braços dele foram de encontro com a para minha cintura, me impedindo de cair.

-Não se levante assim. Se você estivesse desmaiado, o tio Pedro iria literalmente me matar!

-Era para eu ter desmaiado. Dylan, o que você está fazendo no meu quarto?– falo saindo de perto dele.

-Só vim fazer o grande favor de te acordar.– ele me responde e começa a mexer nas minhas coisas no quarto, sem se importar com a minha presença.

-Reformulando a pergunta. O que você está fazendo na minha casa?– tiro a sua mão do meu estojo de maquiagem.

-Como o meu pai e a minha mãe estão viajando para resolver uns assuntos da alcatéia, a sua mãe falou que cuidaria de mim até eles voltarem.

O que? Acho que estou dormindo ainda e tendo um pesadelo, só pode!

-Relaxa, você já está ficando vermelha demais, daqui a pouco explode! Eles irão voltar na semana do meu aniversário, não irei ficar tanto tempo assim!

-Por que você não fica na sua casa?

-A tia Nanda está cuidando de uns assuntos familiares e não vai trabalhar esses dias. Como eu não sei cozinhar para me alimentar, vou ter que ficar uns dias aqui.

-Já ouviu falar em comer fora ou internet com informações para poder cozinhar algo?

-Sim, mas a sua casa é muito melhor!– reviro os olhos.

-Eu não acredito que vou ter que conviver na mesma casa que você por duas semanas!– resmungo chateada.

-Então pode ir acreditando. Ah, não se esquece que temos aula, toma logo o seu banho!– ele fala com um sorriso estranho no rosto e sai pela porta do meu quarto.

Não consigo ficar no mesmo lugar com ele por mais de dois minutos sem brigar e agora vou ter que passar duas semanas com esse alfa ridículo.

Calma, Emilly, está perto para ele finalmente se transformar por completo e encontrar a companheira dele, então você vai ficar finalmente em paz!

Pelo menos ele é alfa e não vai demorar para encontrar a pessoa que está ligada com ele, tenho pena da coitada. No meu caso vai demorar para minha alma gêmea aparecer, ainda nem fiz dezesseis anos e nem sou alfa, mas quero muito o encontrar antes de me formar.

Espero que ele seja o meu príncipe encantado, que me entenda como ninguém, que me ame do jeito que eu sou, que não seja insuportável e que consiga me aturar.

As típicas coisas que todos querem!

Capítulo 2 1.

Entro no banheiro e começo a tomar o meu banho, infelizmente hoje tem aula e para completar a minha felicidade diária o meu querido "amiguinho" estuda na minha sala, parece praga só pode, que encosto na minha vida esse menino, não dá pra fugir. Desde o ensino fundamental eu estudo com o Dylan, ele sempre implicava comigo na sala de aula, sempre pegava os meus brinquedos para me provocar, sempre os desenhos que eu fazia simplesmente desapareciam e eu sabia que era ele que os jogava fora, às minhas amizades sempre eram contadas a dedo porque o Dylan sempre chegava para interferir em algo.

Só o quero o mais longe possível de mim!

Desligo o chuveiro, pego a minha toalha preta e enrolo pelo meu corpo, não estou com paciência de secar o meu cabelo com a toalha, demora muito e dá preguiça, então optei pelo secador. Abri o armário do banheiro e peguei o secador, pego o pente para desembaraçar e conecto o secador na tomada, selecionei a força do vento e o quão quente gostaria e liguei, no mesmo momento acabo fechando os olhos rapidamente quando algo atinge o meu rosto e um pouco do meu cabelo. Aperto rapidamente o botão de desligar, abro os meus olhos com calma e olho o meu reflexo no espelho.

O meu dia mal começou e já acontece merda na minha vida!

Alguém jogou corante vermelho no secador. Parece que eu enfiei o rosto no saco de corante vermelho ou tinta em pó, passo a mão pelos meus fios de cabelo e percebo que a tinta está se misturando com a humidade do meu cabelo recém lavado.

Agora eu sei o que aquele idiota estava fazendo no meu quarto.

Hoje eu cometo um assassinato!

Abro a porta do banheiro com força e desço as escadas com passos pesados, sinto as minhas pupilas dilatarem e um rosnado alto a cada passo que eu dou. Olho ao redor da sala e avisto o Dylan deitado no sofá rindo da minha situação.

Senhor me dê paciência, se não vou parar na cadeia hoje!

Vou em sua direção com o máximo de velocidade possível, subo em cima dele e começo a distribuir socos e tapas em seu rosto.

-EU VOU TE CASTRAR SEU ALFA IDIOTA!

-AÍ, EMILLY, PARA, tá doendo caralho!– ele grita e tenta se proteger colocando o braço na frente do seu rosto.

-Emilly Smith, o que está acontecendo aqui?– ouço a voz da minha mãe e levanto o meu olhar para poder vê-lá.

Pensei que a minha mãe iria surta comigo por estar batendo no queridinho dela, mas não foi isso que aconteceu, ela está vermelha de tanto rir.

É sério isso, até a minha própria mãe?

-Mãe!

-Desculpa filha, é que você está parecendo o cosplay da curupira!– ela tenta falar mesmo ainda estando rindo da própria filha.

-Agora que eu reparei, está parecendo mesmo, amei a minha obra prima!– olho para baixo e observo o sorriso convencido dele, mas logo dou mais um tapa no seu rosto.

-Idiota!– resmungo.

-Essa doeu, lobinha!– ele diz massageando o local vermelho.

-Emily, você já percebeu que está só de toalha?– escuto a fala da minha mãe e logo olho para baixo, percebendo que estou só de toalha.

Saio de cima do Dylan em um piscar de olhos, apertando firme o nó que prende a toalha no meu corpo. Tenho certeza que nesse momento o pimentão está com inveja da minha coloração do rosto.

-Vo‐u sub-ir para tomar outro banho.– infelizmente acabo gaguejando e começo a ir em direção à escada.

Antes da minha visão perder o Dylan de vista, percebo o seu olhar incógnita em cima de mim, as vezes ele é indecifrável e confesso que me sinto intrigada a descobrir esse lado dele, só por curiosidade.

(...)

Desço as escadas com a mochila nas costas e arrumada para enfrentar o colégio, estou no primeiro ano do ensino médio, infelizmente ainda falta dois anos e alguns meses para me formar, mas pelo menos estou quase no final do ano.

Vou em direção à mesa que ainda está com o café da manhã e começo a comer rápido, pois não estou com muito tempo para isso.

-Vamos, Emilly, você está muito atrasada, vai ficar do lado de fora da sala!– avisto a minha mãe com uma roupa formal e a sua bolsa no braço.

-Já acabei, vou comer essa maçã no caminho.– levanto da mesa e pego a minha mochila.

-Dylan foi na frente. Tenta não parar na secretária por causa dele, nada de brigas!

-Ainda bem que ele já foi, não aguentaria ver aquele ridículo, e pode deixar, dona Ana.– vou em direção ao carro e sento no banco do passageiro.

-Não sei pra que tanta briga, se vocês se pegassem ia ser mais fácil.– eu ouvi mesmo isso?

-Mãe, é mais fácil os alienígenas me abduzirem do que eu ter algum contato íntimo com aquele alfa sarnento.

-Esses jovens de hoje, todos complicados!– dou de ombros com a fala da minha mãe e desvio o meu olhar para janela.

A nossa alcateia é uma das maiores, mas para os humanos é só uma simples cidade como as outras, mas aqui é o lugar onde eu não quero sair, as plantas e árvores ao nosso arredor é o que torna essa simples cidade aconchegante. Não demorou muito para chegar no meu colégio, saio do carro quando aceno para minha mãe e caminho para dentro dos grandes portões, avistando o Pietro sentado nos degraus na pequena escada me esperando.

-Estamos atrasados, mas a nossa sorte é que agora é aula de Matemática!– ele fala assim que o abraço.

-Sim, ele não vai nem notar que chegamos atrasados!– começamos a subir os degraus que nos leva ao segundo andar, onde nossa sala fica.

O professor de Matemática é lerdo e não percebe os alunos que fila ou chega atrasados, o que vai nos ajudar a não levar falta.

-Eu me atrasei porque estava te esperando, mas e você?– ele pergunta quando estamos perto da porta da nossa sala.

-Depois te explico direito!– respondo e ele confirma com a cabeça.

Olho ao redor do refeitório, há vários adolescente sentados em seus próprios grupinhos, outros apenas tentando ignorar as pessoas ao seu redor. Mas dentre tantas pessoas não consigo achar o Pietro ou a Iza, e me pergunto na onde eles se meteram, era para ter aceitado que o Pietro me esperasse enquanto eu ia no banheiro.

Infelizmente Iza não está na minha sala e sim no segundo ano, sempre penso no quanto iria ser divertido ter ela junto comigo e o Pietro estudando em uma mesma sala, pois ignorando o fato do Pietro ser melhor amigo do Dylan, somos bem próximos desde pequenos.

Pensando naquele sarnento, acabo o encontrando em uma das mesas dos populares, com apenas os jogadores de futebol americano e as líderes de torcida, e infelizmente me deparo com a cena da Camilla querendo se sentar no colo do Dylan, pois convenhamos que interesse no futuro posto de alfa do Dylan é o que predomina a cabeça dessa garota surtada e mimada, só porque a minha família e a dos Harris são próximas ela ficou por dois anos pegando no meu pé achando que tenho interesse nesse sarnento, me ferrei muito por conta dela.

Não sei como ele consegue ficar perto dessa garota, apesar que eles se merecem!

Sem perceber que estava olhando fixamente para os dois, sou despertada dos meus pensamentos com o olhar penetrante do Dylan na minha direção, desvio o olhar e sigo na direção do balcão para pegar a minha comida.

Minha barriga já está roncando, então pego três pastéis de queijo e presunto e um refrigerante. Me viro para ir em direção a uma mesa vazia, mas avisto o Pietro vindo na minha direção.

-Emi, estava te procurando!

-Eu sai do banheiro e vim direto para o refeitório. Você estava fazendo o quê?

-Conversando com a Stella.– ele fala sem muita importância, mas essa frase me deixa um pouco de esperança.

-Só conversando? Nenhum encontro ou beijo?

-Só conversando, nada de beijo, você sabe que eu não iria conseguir!

Capítulo 3 2.

O Pietro é realmente lindo, o seu tom de pele é branca como a neve, os seus cabelos escuros como uma noite sem a luz da lua, os seus olhos azuis claros que hipnotiza qualquer uma com o olhar, o seu jeito carinhoso de ser atrai muitas lobas que são loucas para ser a sua companheira e ter a honra de levar a sua marca no pescoço.

Lembro-me da pequena quedinha que senti por ele, só uma pequena atração que logo passou, pois somos melhor sendo amigos do que outro tipo de relacionamento.

-Desculpa, não custava nada perguntar. Mas já que nós tocamos nesse assunto, onde estar a Iza?– pergunto.

-Ela está se pegando com o Stefan, depois que ela descobriu que ele é o seu companheiro não sai de perto dele.– observo o seu tom de voz sair um pouco triste.

Mordo o meu lábio inferior ao notar o seu tom de voz. Sempre notei o modo como ele agia perto da Iza, querendo sempre idolatrar ela, fazer os seus gostos, os seus desejos. Pietro era bem motivado no requisito conquistar a Iza, até entrou no time de futebol americano só porque soube que ela gostava de esportes. Mas por um lado a sua atitude beneficiou a ele, que acabou gostando desse esporte, ainda mais quando o seu melhor amigo se tornou capitão do time, o Dylan.

Mesmo com tantos esforços, a Iza nunca o quis como ele queria, ela queria ele apenas como amigo. No começo pensei que ela tinha medo de estragar a amizade deles, já que sempre fomos um trio muito grudado um no outro, mas não, não era esse o motivo para ela nunca ter dado uma chance para ele, pois ela realmente não sentia atração por ele, a sua loba o rejeitava.

E isso só piorou ainda mais quando o Stefan chegou na vida da Iza, declarando o laço de companheiros sendo ligado. Desde o início, quando o Pietro se transformou e foi atrás da Iza para saber se ela era a sua companheira, sabíamos que isso não ia dar certo, que eles não iriam dar certo, pois os seus lobos não reconheceram um ao outro, não havia nenhuma ligação entre eles dois, entre o Pietro e Iza. Mas só não esperávamos que o parceiro dela ia ser do time de futebol do Pietro.

Mesmo ele afirmando que não tem mais sentimentos pela Iza, sem ser o da amizade, sinto que ele não está falando a verdade. O conheço bem o suficiente para perceber o tom da sua voz ao falar deles, ou o olhar que desvia do meu sempre quando toco no assunto, por isso pedi para ele ser sincero comigo em relação a Iza, que não vou o julgar, mas ainda tem um pouco de receio de falar desse assunto vindo dele.

-Não vai comer?– pergunto mudando de assunto.

-Sim, vou pegar logo o meu lanche, me espera aqui.– quando ele termina de falar, confirmo com a cabeça.

Vou em direção a uma mesa vazia, me sento na cadeira e começo a comer, observando as pessoas ao meu redor, nenhuma que eu tenha alguma intimidade, apenas algumas do time que o Pietro já me apresentou, mas mesmo assim não tenho muita intiminadade, apenas um cumprimento quando me esbarro em alguns deles.

-Emi, você vai me assistir jogar na sexta?– levanto o meu olhar e percebo que o Pietro já se sentou no meu lado.

-É claro que eu vou, não vou perder as quedas dos meninos por nada!– começo a rir só de imaginar o Dylan caindo no campo.

-Pensei que fosse ver o seu melhor amigo jogar, mas não, você que ver é as nossas quedas e o nosso sofrimento.– ele diz fingindo estar chateado.

-Dramático!– exclamo dando uma mordida no meu pastel.

-Mas sério, o futebol americano vai me ajudar a entrar em uma boa faculdade, e isso me motiva a ganhar cada partida!

-Só em pensar na faculdade eu começo a ficar nervosa e ansiosa, ainda não tenho certeza qual eu quero ir.

-Ainda temos muito tempo para isso, não pense nisso agora!

Sinto uma sensação de estar sendo observada e isso está me incomodando, olho ao redor do refeitório e paro o meu olhar no Dylan, mais uma vez ele está me olhando estranho, eu sei que ele não gosta de mim, mas não precisa ficar me observando, isso é estranho.

A sensação de estar sozinha dentro de casa é gratificante, sem ninguém para te aborrecer, apenas a liberdade para se fazer o que quiser, já que minha mãe está trabalhando no hospital e só irá chegar a noite, meu pai viajando junto com os pais do Dylan, e esse sarnento provavelmente deve estar no treino de quarta, e só o que eu desejo é que ele volte tarde.

Depois que cheguei do colégio fui direto para o quarto tomar um longo banho para almoçar, a minha sorte é que minha mãe sempre deixa comida para mim esquentar no micro-ondas e não tenho que fazer, já que sou péssima na cozinha.

Uma lembrança de quando tinha onze anos invade a minha mente, o dia que a tia Nanda tentou ensinar a mim e ao Dylan a conseguir cozinhar um bolo, o que claramente não funcionou, no final os dois saíram melados de farinha e ovos por conta da briga que tivemos para dividir a farinha no saco, nem lembro mais quem que começou a guerra de comida primeiro, mas esse dia foi engraçado que até a tia Nanda saiu melada.

Não sei como tia Nanda nos aguenta até hoje na cozinha dela!

Saio dos meus pensamentos ao perceber que a melhor parte da série Lúcifer, que estou assistindo, está para acontecer, mas como a vida sempre arruma um jeito de tirar a minha paz e o meu momento de felicidade, escuto a porta da sala sendo aberta. Dou pausa na série e viro o meu olhar pra porta, para poder ver quem chegou.

O motivo dos meus estresses acaba de passar pela porta de entrada todo suado e nojento do treino, o que com certeza não tomou banho no vestiário e veio para casa assim que o treino acabou.

Que nojo!

-Você está fedendo!– digo ao observar o seu estado.

-Não pedi a sua opinião!– ele joga a mochila no sofá.

-Como se a sua palavra fosse importante para me fazer ficar calada!

-Mesmo que só falte alguns dias para que eu seja o seu alfa?– ele levanta uma de suas sobrancelhas em questionamento, me fazendo revirar os olhos com o seu sorriso.

-Mesmo você sendo o alfa da alcatéia que eu moro, não vai fazer a mínima de diferença!– digo sorrindo ao avistar o sorriso do seu rosto desaparecendo, deixando apenas uma expressão emburrada.

-É sério que você está assistindo Lúcifer?– ele pergunta com a feição ainda fechada, me fazendo revirar os olhos.

-Estou e pode ir levantando desse sofá.– falo ao perceber que ele se sentou no sofá todo suado.

-E por que eu faria isso mesmo?– ele se joga mais ainda no sofá e isso já está começando a me estressar.

-Você está parecendo um cachorro de rua... Não, coitado dos cachorros, não é fácil ser comparado com um lobo sarnento e imundo como você!

-Nossa quanto amor pela minha pessoa.– ele revira os olhos.

-Claro, agora vai tomar um banho!

-Já te disseram que você é muito mandona?– reviro os olhos mais uma vez.-E eu não estou sujo.

-Claro que não! Só está todo suado e fedendo.

-Que mentira, talvez eu esteja suado, mais não estou fedendo!

Me concerto novamente no sofá, pronta para dar o play na série e continuar assistindo, mas Dylan se aproxima de mim e sem me dar tempo de perguntar o motivo disso, ele retira rapidamente o controle da minha mão.

-Devolve agora, não queira me ver com raiva, já foi o suficiente aquele corante no secador!– tento pegar o controle mais ele sai do sofá e tira da minha série.

-Não sou obrigado a assistir as suas séries!

-Mas eu liguei a TV primeiro, me devolve!– tento ir em sua direção, mas o idiota só se afasta ainda mais.

Apresso os meus passos, correndo em volta do sofá, tentando alcançar esse lobo sarnento fedido, mas ele tem uma agilidade melhor que a minha e se esquiva sempre que estou chegando perto.

-Não!– ele rosna para mim e consigo ver os seus olhos mudarem da cor verde esmeralda para o vermelho sangue, me fazendo parar de correr.

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