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Preso por Atração

Preso por Atração

Autor:: sofabarrios17
Gênero: Romance
Marina sempre encontrou paz à beira-mar, num pequeno restaurante que é quase seu refúgio, até que um dia, um homem vestido com um uniforme azul irrompe em seu mundo. Javier é um policial, mas para ela ele é muito mais que isso: ele é a tentação personificada, um homem com uma presença poderosa e um olhar penetrante que rapidamente captura sua atenção. Em um instante, um simples encontro casual se transforma em algo impossível de ignorar, um desejo mútuo que surge sem aviso. Mas a conexão deles não é nada simples. Enquanto Javier e Marina exploram os limites de um relacionamento que os consome por dentro, os obstáculos são intransponíveis. Antonio, o homem que ama Marina secretamente, não gosta da presença do policial em sua vida, e sua família profundamente conservadora não está disposta a aceitar o relacionamento. Entre os silêncios ciumentos, os confrontos familiares e os segredos de um passado que Marina ainda não está preparada para enfrentar, tudo parece conspirar contra o que eles sentem. À medida que a atração entre Javier e Marina cresce, também aumentam as ameaças de amor proibido. Será que ambos conseguirão superar as expectativas familiares, as regras sociais e as sombras do passado para ficarem juntos? Ou, como seu próprio destino parece sugerir, sua história será uma paixão passageira que o tempo não perdoará? "Presos pela Atração: Série Uniforme e Desejo" é um conto eletrizante sobre a luta entre o desejo e a razão, entre o amor e a tradição. Nesta história, corpos não apenas se encontram, mas também se desafiam, desejam e questionam, enquanto os ecos de um amor que não pode ser vivido livremente ameaçam destruir tudo.

Capítulo 1 Sob o sal e o azul

Antes que alguém se aproximasse da mesa - talvez um dos garçons, uma família agitada que tivesse acabado de chegar, ou até mesmo Leo ou Luis, os donos do lugar - Marina deu um passo à frente.

-Você tem um número de telefone? - disse-lhe ele, como se estivesse fazendo uma pergunta trivial. Só por precaução... Não sei, preciso de alguns dados ou informações. Sobre segurança ou... seja lá o que for.

Ele sorriu e ditou seu número para ela, enquanto ela o anotava com os dedos ainda úmidos.

"Agora você tem uma linha direta com a lei", ele brincou.

"E com tentação", pensou ela, sem dizer nada.

O sal ainda ardia em sua pele. O vento da praia, que entrava pelas dobras do vestido molhado, deixava seus cabelos negros desgrenhados, grudados no rosto, e com aquele cheiro de maresia que ela tanto gostava. Marina estava no seu restaurante de sempre - o dos amigos Leo e Luis - com uma toalha no ombro, sandálias na mão e aquela deliciosa sensação de liberdade que só vem quando você sai da água.

Às vezes, seu olhar se desviava para algum barco distante, mas logo retornava para as mãos daquele homem. Inquieta, ela olhou para baixo e apertou os olhos; sentiu seu olhar sobre ela. Num ato de bravura, ela procurou os olhos dele, apenas para confirmar o que sua pele já estava gritando.

O lugar era perfeito para se perder nas paisagens. Era uma churuata, mas não qualquer uma. Tinha um telhado feito de grossas toras de madeira que sustentavam uma estrutura sólida, coberta com telhas rústicas de cor terracota que se destacavam à luz do sol. Não tinha paredes, apenas a sombra generosa oferecida pelo telhado e um piso de cerâmica terracota que retinha o calor do dia. Ficava bem na beira do mar, o que permitia que o som das ondas, o cheiro do sal e a brisa do mar fossem partes essenciais da experiência.

Marina escolheu uma das mesas mais próximas da borda, de onde podia ver o movimento das ondas e sentir o vento quente acariciando sua pele. Ela sentou-se sozinha, como fazia tantas vezes. Aquele lugar era quase uma extensão de sua casa, um refúgio da rotina, onde ele sempre sabia o que esperar: uma refeição saborosa, um papo com os amigos quando podiam sentar um pouco, e seu momento de paz em frente ao mar.

De qualquer ponto do restaurante era possível ver o oceano se estendendo como uma promessa sem fim. Barcos de diversos tipos e alguns cais completavam a paisagem. Tudo era aberto, natural, envolto em luz dourada. Só que dessa vez a paisagem que ele tanto apreciava tinha um primeiro plano que capturou toda a sua atenção: um homem, um policial.

Naquela tarde, a rotina foi quebrada.

Poucos minutos depois de se sentar, com água salgada ainda pingando na cadeira de plástico, uma sombra foi projetada sobre a mesa. Ela olhou para cima... e lá estava ele.

Um homem alto - muito alto, ela pensou - com um uniforme azul imaculado e uma presença que fez todo o restaurante desaparecer ao seu redor por um momento. Ele estimou que ele tinha cerca de dois metros de altura, talvez um pouco mais. O uniforme lhe caía perfeitamente: destacava ombros largos, braços grossos e peludos e um porte que parecia saído de um filme. Mas não era ficção. Estava ali, na frente dela.

-Este lugar está ocupado? - perguntou ele com uma voz profunda e clara, e com um tom respeitoso que a desarmou imediatamente. Só quero tomar uma bebida rápida, se não se importar.

Marina hesitou por meio segundo, não por desconforto, mas por surpresa. Em tantos anos frequentando aquele restaurante, nunca um estranho - muito menos um como ele - pediu para sentar à sua mesa. Era uma cena nova. Inesperado. E profundamente agradável. Principalmente se o resto das mesas estivessem vazias.

"Não, claro que não", ela respondeu com um sorriso tímido e um nó curioso no estômago. Avançar.

Ele sentou-se cuidadosamente, como alguém que sabe que está ocupando espaço e não quer invadir. Seus movimentos eram calmos, controlados, mas ainda firmes. De perto, Marina conseguia perceber ainda mais detalhes. Ele tinha pele clara, dourada pelo sol, com grossos cabelos castanhos cobrindo seus braços e aparecendo pela gola da camisa. Ele tinha um corpo forte e sólido. Ele devia pesar pelo menos cem quilos. Cem quilos de pura presença.

E então ele viu o rosto dela.

Os olhos. Verdes. Incrivelmente verdes, como se contivessem uma história ainda a ser contada. Ele tinha sobrancelhas grossas e masculinas que emolduravam seu olhar com intensidade. Um pescoço firme e masculino, e lábios carnudos que completavam aquela expressão entre séria e serena, o que provocava um pequeno incêndio interno.

Ela, encharcada, com o vestido molhado grudado no corpo, os cabelos ainda pingando, sentiu por um momento que não poderia estar pior. Mas ele olhou para ela como se ela fosse a imagem mais bonita da tarde.

E o que mais a cativava, o que a fazia engolir em seco, era aquela deliciosa mistura de elegância e cavalheirismo, reforçada pelo azul do uniforme. Um uniforme que em qualquer outro poderia ser intimidador, mas que nele o fazia parecer tão atraente, tão provocativo. Como se a seriedade do dever estivesse revestida de desejo.

-Você vem aqui com frequência? "Eu nunca vi você antes", ele perguntou, com aquela voz profunda, mas gentil.

"Ele costumava vir com frequência", ela respondeu, deixando seu sorriso falar mais alto que sua voz. Mas já faz sete meses que não venho aqui.

Ele ergueu as sobrancelhas, curioso.

"Que coincidência..." ele disse pensativo. Estou na sede da polícia na praia, bem aqui, há exatamente sete meses. Fui transferido para esta área e desde então trabalho a poucos metros deste lugar.

Os dois ficaram em silêncio por um momento. Não era preciso dizer em voz alta: algo os mantinha separados, como se o universo estivesse esperando por esse exato momento para uni-los.

Eles conversaram por um longo tempo. Mais tempo do que ela havia planejado ficar. Ele contou a ela sobre seu trabalho, sua paixão pelo mar, o quanto gostava de trabalhar perto da costa, mesmo que o uniforme às vezes fosse um fardo. Ela lhe contou sobre seu trabalho como escritora, seu amor pela tranquilidade, pela arte, pelos pequenos detalhes.

A conversa fluiu facilmente, como se eles se conhecessem antes. Seus olhares se entrelaçavam com cada vez menos dissimulação. A tensão era doce, mas clara.

Marina aproveitou o momento, com medo de que algo o interrompesse. Embora, de fato, ela estivesse sendo observada. Antonio, que sempre se interessou por ela, aproximou-se e sentou-se à sua frente. Felizmente, não por muito tempo.

Antonio era um homem trabalhador, atencioso, amoroso... e ciumento. A presença de Javier na mesma mesa que a mulher que ele amava silenciosamente não lhe caía bem. Marina percebeu isso imediatamente.

Javier se levantou e, com uma expressão amigável, perguntou se poderia levá-la para tomar café da manhã. O nervosismo a deixou sem palavras por um segundo. Ele pensou rápido: Se eu aceitar, Antonio vai ficar chateado.

Então ele disse não.

Capítulo 2 O que a maré deixou para trás

Naquela noite, Marina não conseguiu dormir.

Ele foi para a cama cedo, seu corpo ainda salgado e sua mente em turbulência. Ela fechou os olhos e voltou várias vezes ao momento exato em que ele se sentou ao lado dela. Ao seu lado. Na sua mesa. Como se fosse a coisa mais natural do mundo. Como se o universo tivesse escolhido aquele exato dia, aquela exata hora, para romper com o costume e alterar o roteiro habitual.

Ele se revirou nos lençóis, sentindo como se algo importante tivesse acontecido, como se o dia não tivesse terminado ali, como se sua história tivesse acabado de começar com uma cena inesperada.

Da sua janela, o som do mar continuava como um eco de fundo, como uma presença fiel. As ondas quebravam com a mesma cadência de sempre, mas agora falavam com ele de forma diferente. Eles trouxeram consigo uma imagem, uma voz, um olhar verde que ele não conseguia tirar da cabeça. O vento noturno entrava pela janela entreaberta e acariciava seus tornozelos nus, tão parecido com o vento que havia penetrado pelas dobras úmidas de seu vestido naquela tarde.

Xavier.

Até o nome parecia forte para ele. Concreto. Como ele.

Ele sentou-se na cama e apoiou os pés no chão frio. Ela caminhou descalça até a cozinha e se serviu de um copo de água. Ele segurou-a nas mãos por um longo tempo antes de bebê-la, como se precisasse esfriar por dentro. Eu ainda sentia a presença daquele homem, sua voz profunda e calma, suas mãos grandes e seu jeito de olhar. Uma mistura impossível de firmeza e doçura, autoridade e ternura. Parecia-lhe incrível que um único encontro pudesse deixá-lo com tantas sensações.

Não havia passado nem uma hora quando, ao chegar em casa, ele anotou o número dela na agenda do celular. Ele fez isso sem pensar muito, como se estivesse tentando salvar algo valioso que não queria perder. Ela o registrou sob o nome "Javier Policía" e, ao fazê-lo, sorriu sozinha, um daqueles sorrisos que saem suavemente, sem força, mas com significado.

Eu não sabia se ele esperava que eu lhe escrevesse. Ela nem tinha certeza se eles se encontrariam novamente. Talvez tenha sido apenas uma cena passageira, uma tarde diferente que depois se dissolveria como a espuma do mar. Mas ainda assim, era dele. Já fazia parte da história deles, mesmo que fosse apenas um pequeno capítulo.

Ele voltou para a sala de estar, acendeu uma luminária baixa e sentou-se no sofá, com as pernas cruzadas. Seu cabelo ainda estava molhado, e o vestido que ela usou na praia estava pendurado no encosto de uma cadeira. O cheiro do mar ainda estava presente, impregnado em sua pele, em suas roupas, em todo o apartamento. Mas não era só o mar. Era ele. Era a imagem de seu uniforme, aquele azul que teria parecido intimidante em qualquer outra pessoa, mas que em Javier era misteriosamente sedutor. Como se a autoridade tivesse corpo e alma.

Ele se lembrou do sorriso dela. O tom exato com que ele disse a ela que agora ela tinha "uma linha direta com a lei". Sua resposta foi uma risada leve, mas no fundo ele achava que também tinha uma linha direta para a tentação.

A cena exata em que ele se sentou ao lado dela voltou à sua mente. Aquele momento suspenso quando a rotina foi quebrada. As gotas ainda escorriam pelas costas, o vestido úmido, os cabelos emaranhados pelo vento... e ele, com aquele ar firme, perguntando com toda naturalidade se poderia acompanhá-la. Como se se conhecessem. Como se eu o estivesse procurando entre as mesas.

Ela não pôde deixar de se perguntar se ele já a havia notado antes. Talvez ele a tivesse visto entrar, talvez seu olhar a tivesse seguido até aquela mesa à beira-mar. Mas ele não tinha como saber disso.

Ele pensou em Antonio novamente.

Seu gesto desconfortável quando se aproximava, seu olhar irritado fixo em Javier, seu silêncio denso quando se sentava sem ser convidado. Antonio sempre esteve lá, como uma sombra amigável, mas persistente. E embora nunca tivessem dito nada de concreto um ao outro, Marina sabia que ele nutria sentimentos por ela. Eu vi isso em suas atenções, nos pequenos ciúmes mal disfarçados, na maneira como ele sempre parecia disponível. Mas a verdade é que ela nunca sentiu por Antonio o que aquele desconhecido, Javier, havia despertado nela em uma única conversa.

Não se tratava de comparar. Era sobre sentimento.

E o que eu sentia agora era um formigamento diferente. Uma mistura de surpresa, desejo e uma espécie de intuição profunda que lhe dizia que aquele homem não era apenas mais um. Que sua presença não foi acidental. Que havia algo além da coincidência de datas, além do uniforme ou de seus olhos hipnóticos.

Ele se levantou, foi até o quarto e pegou um pequeno caderno que sempre deixava no criado-mudo. Um daqueles em que ele anotava ideias aleatórias, cenas para histórias ou frases que lhe vinham à mente no meio da noite. Ele abriu numa página em branco e, sem pensar muito, escreveu:

"Há pessoas que vêm como a maré. Não pedem permissão. Não perguntam se você está pronto. Elas simplesmente tocam a costa da sua vida e, quando recuam, nada é o mesmo."

Ele fechou o caderno. Eu ainda conseguia sentir o sal na minha pele, mas não era mais apenas sal marinho.

Ele deitou-se novamente. Desta vez com uma calma morna, com uma espécie de expectativa que não tinha nome. Ainda ela não sabia se o veria novamente, se ele pensava nela da mesma forma, se aquela centelha tinha destino ou se seria apagada pela brisa do dia seguinte. Mas a verdade é que, a partir daquele momento, algo mudou.

E quando ela finalmente adormeceu, ela o fez com uma imagem: dois olhos verdes olhando para ela como se a conhecessem de outra vida.

Capítulo 3 A mulher do mar

Javier ficou mais um pouco na viatura, ainda de uniforme, com a camisa desabotoada no pescoço, os botões marcando a tensão no peito. Não era o cansaço que o mantinha ali, mas algo mais difícil de explicar. Ele fechou os olhos por um momento e viu o rosto dela. O rosto dela. A mulher na mesa.

A mulher do mar.

Ele recostou a cabeça no assento e deixou o corpo relaxar, embora sua mente ainda estivesse ativa. Algo nele havia mudado naquela tarde. Ele soube disso assim que se sentou ao lado dela, como se uma parte dele, adormecida há anos, tivesse despertado de repente. A imagem se repetia com clareza: ela, com a pele salgada, os cabelos molhados caindo desgrenhados sobre os ombros, os lábios entreabertos num sorriso nervoso, e aquele vestido leve que ainda retinha o peso da água.

Nunca vi ninguém tão bonito. Não é bonito no sentido comum, é superficial. Era outra coisa. Ele tinha uma presença viva e natural, como se o mar estivesse grudado em seu corpo. Uma mistura de força e suavidade, de confiança e timidez. Uma mulher que parecia não pertencer inteiramente ao mundo cotidiano. Como se tivesse saído diretamente de um poema.

Ele ligou o ar condicionado do carro, mas não baixou as janelas. Lá fora, o mar continuava falando com ele com sua voz de ondas. A poucos metros de distância, eu ainda conseguia ouvir a música suave vinda do restaurante. Eu o conhecia bem. Nos últimos sete meses, desde que foi transferido para a sede da polícia na praia, ele passou por lá muitas vezes. Às vezes apenas para um café rápido, outras vezes para uma refeição no final do turno. Mas ele nunca parou por tempo suficiente. Eu nunca a tinha visto.

Até hoje.

Hoje o lugar era diferente. Hoje não foi uma parada qualquer, mas sim o cenário de algo que eu ainda não conseguia explicar. E tudo começou quando ele a viu sentada sozinha, com a toalha no ombro e as sandálias na mão, olhando o mar com a paz de quem pertence à paisagem. Ele se sentiu atraído sem saber por quê. Talvez fosse o seu jeito de estar ali, de não procurar nada, mas ter tudo. Ela era linda, sim, mas o que o levou a se aproximar dela foi algo mais sutil. Era uma energia, uma força calma e gentil.

E então, sem pensar muito, ele se aproximou.

-Este lugar está ocupado? - ele perguntou com uma voz profunda e suave, cuidadosa com cada palavra.

Ela olhou para cima e foi então que sentiu. Um clique, uma vibração interna, alguma coisa. E quando ele disse que não, que podia sentar-se, ele o fez sem hesitar. Mas ele escolheu sentar-se ao lado dela, não na frente dela. Não por estratégia, mas porque parecia natural. Como se daquele lugar eu pudesse compartilhar melhor a vista, o vento, a conversa.

De perto, ela era ainda mais cativante. Havia gotas de água salgada escorrendo pelo seu pescoço, seu vestido grudado no corpo, seu cabelo despenteado pela brisa do mar. Cheirava a mar, a sol, a algo fresco. E ainda assim, ela não parecia desconfortável. Ela se movia com aquela facilidade que só quem conhece o próprio corpo e a própria beleza tem. Sem esforço, sem artifício.

Eles conversaram mais do que eu esperava. Mais do que falei com qualquer pessoa nas últimas semanas. Ela era inteligente, isso era evidente. Ele tinha um jeito de falar lento e claro, como quem escolhe as palavras sem pressa, mas com precisão. Ela lhe disse que era escritora. Isso o deixou sem palavras por um momento. Nunca conheci nenhum. Exceto uma como esta. Suave e profundo. Feliz e melancólico ao mesmo tempo.

Ele falou com ela também. Sobre seu trabalho, o mar, os longos turnos e o quanto ele gostava de patrulhar perto da costa. Sobre como em algumas manhãs ele gostava de parar o carro da polícia, desligar o motor e ouvir apenas o som das ondas. Sentindo que tudo fazia sentido, pelo menos por alguns minutos.

No meio daquela conversa tranquila, Marina se levantou da mesa e foi até o balcão onde as bebidas eram servidas. Ele deu apenas dois passos, mas naquele curto caminho, Javier sentiu o tempo passar mais devagar. O olhar dele a seguiu, inevitável. Ela seguiu em frente com uma confiança natural, sabendo que estava sendo observada. E então, pouco antes de chegar à pousada, ela virou o corpo levemente, como por acaso, permitindo que ele a visse de perfil, depois quase de frente, como se lhe mostrasse todo o seu corpo por um momento.

Era uma daquelas poses que não são planejadas, mas nascem do instinto. Marina apoiou o cotovelo no balcão, deixando sua silhueta falar sem dizer uma palavra. Javier sentiu o ar ficando mais denso e quente. Não se tratava apenas de desejo. Houve admiração, puro espanto. Como se estivesse pensando em algo que não sabia que precisava até aquele momento.

E então, quando eu senti que o momento era tão perfeito que tinha que acabar logo, ela voltou, sentou-se e pediu o número dele.

Ele fez isso como alguém que joga uma rede macia no mar. Não desajeitadamente, nem de brincadeira. Ele perguntou se ela tinha um número "caso precisasse de alguma informação ou detalhe de segurança". Uma desculpa tão óbvia quanto bonita. E ele deu a ele, é claro. Enquanto ela marcou com o dedo ainda molhado, ele brincou:

-Agora você tem uma linha direta com a lei.

Ela sorriu, e por um momento ele pensou ter visto algo mais naquele sorriso. Algo que ele não disse, mas que pareceu um eco. Como uma cumplicidade que acaba de nascer. Talvez fosse imaginação dele. Ou talvez não.

E então aquele outro homem apareceu.

Javier já tinha notado isso. Desde o momento em que ela entrou, ela o viu no bar, olhando para ela com uma mistura de intensidade e possessividade. O cara não era qualquer um. Ele tinha uma história com ela, ele soube disso imediatamente. E quando ele se aproximou e sentou-se também - mesmo que por pouco tempo - o ar mudou. Ficou mais denso. Mais conteúdo.

Ele se levantou com a intenção de dar espaço a ela, de não criar tensão. Mas também com a esperança de marcar seu lugar, de deixar claro que ele não era apenas mais um estranho. Ele perguntou se poderia comprar o café da manhã para ela. Um convite simples, honesto e sem enfeites. Mas ela disse não. Sua voz era suave, mas firme.

Javier não se incomodou. Ou pelo menos era isso que ele queria acreditar. Ele sabia ler os sinais. E esse não foi um "não" definitivo. Era um "agora não". Era um "este não é o momento".

Ele se despediu com um leve sorriso, um último olhar e foi embora do restaurante.

Agora, em sua patrulha, enquanto o céu ficava azul escuro e o mar respirava ao longe, Javier não pensava em nada além de vê-la novamente. Eu não iria apressá-la. Eu não iria forçar nada. Mas ele tinha certeza de uma coisa: nunca havia conhecido uma mulher assim duas vezes na vida.

E se o destino lhes deu essa coincidência - os mesmos sete meses, o mesmo lugar, o mesmo mar - foi porque algo mais queria nascer.

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