Enora Miller
Olhar a Torre Eiffel enquanto tomo o meu chá com alguns biscoitos é apenas para conseguir pensar em como posso ajudar Tom a largar essa vida de libertino que ele tanto preza.
Ele precisa se tornar um homem com responsabilidades familiares. Mesmo que a Noely administre a Miller e ainda consiga criar obras tão incríveis que sempre estão em destaque na semana de moda, não posso deixar tudo nas costas da minha filha.
Preciso que meu Tommáz se interesse em administrar as empresas aqui, Larissa não se interessou pela empresa como ela mesmo diz, o foco dela esta na diretoria que ela comanda com mãos de ferro na Walker o que me dá um enorme orgulho da minha Neta. Já o Ethan sei que será excelente no comando da Walker em Chicago.
- Conheço essa carinha, minha sogra. - Ouço a voz doce de minha nora Emily, me tirando dos devaneios de uma mente cansada.
- Pensando em como fazer o Tom desejar comandar a Miller e deixar essa vida de mulherengo que ele leva. - Digo olhando para os olhos verdes da esposa do meu filho, que acaba caindo na gargalhada.
- Minha sogra, a senhora tem um senso de humor enorme... - Ela continua rindo do que falei. - Já tentamos de tudo para que esse menino se tornasse um pouco mais responsável.
Um plano começa a se formar em minha cabeça enquanto olho para a minha nora rindo, uma coisa que sei sobre meus netos é que nenhum deles deseja que a fortuna da família caia em mãos erradas, todos eles preferem perder as duas mãos do que perder o comando das empresas da família, enquanto a única que não pensa assim é a Noely. Ela apenas se importa em criar tendências, se a empresa que o pai dela montou está sob o comando da família ou não isso é irrelevante.
- Já sei o que farei! - Exclamo calando minha nora que me olha esperando que conte a minha ideia. - Vou modificar o meu testamento, deixarei a empresa apenas para os herdeiros casados.
Isso aguçará o meu neto, ainda mais que a única que está se casando é a Elisa, meu neto não aceitará ficar de fora da partilha.
- Não acredito que dará certo Enora, Tom é competitivo, mas ele preza a vida de libertino que têm! - Estalo a língua menosprezando o que a minha nora acabou de falar.
- Parece que não conhece o meu neto, dará certo o plano, então prepare-se ele vai enlouquecer atrás de uma noiva. - Ela volta a rir.
- Essa aposta eu pago e dobro com a senhora. - Vejo a minha nora estendendo a mão para mim, a pego com segurança.
Transformarei o meu neto em um homem responsável e ainda tirarei um dinheiro a mais da minha nora amada.
- Senhora Miller, a equipe do salão acabou de chegar! - Minha governanta me comunica. - Vamos Emy, está na hora de nos arrumar para o nosso evento. - Digo me levantando da cadeira, puxo a minha nora em direção a minha sala que virou um pequeno salão.
Tommáz Walker
Viro a cadeira em direção a grande parede de vidro que ocupava toda a sala do último andar da Walker Corporation, finalmente meu pai Noah estava deixando a empresa sobre os meus comandos, mesmo ele dizendo ser apenas uma aposta, adoro os meus pais e sei que ele confia em mim, mas ainda não estou pronto para realizar o que eles mais desejam.
Casar!
Só de pensar sobre isso sinto um arrepio de mau agouro correndo pela minha espinha, não que não acredite na instituição do casamento, até por que vejo que os que me cercam deram muito certo, olhando para os meus pais e meus tios Mike e Emma, todos eles são extremamente felizes em seus casamentos.
Mas, eu adoro a minha vida, toda noite ter um bucetinha diferente e não quero e nem planejo tão cedo me prender em apenas uma. Não consigo me ver, vivendo essa vida de homem de apenas uma mulher.
Mesmo sabendo que tenho dado bastante trabalho com a imprensa nos últimos anos, sendo fotografado sempre com uma mulher diferente, o que me fez comprar um apartamento diferente para usar em meus encontros casuais, no mesmo prédio onde tenho meu apartamento.
Minha assistente pessoal, não suportava mais limpar a sujeira que sempre fazia depois de uma noite de gandaia, então ela me deu a ideia de ter um abatedouro alguns andares abaixo, e assim eu fiz.
Infelizmente nessa sexta-feira, não terei meu prazer de todo dia, já que assim que sair da empresa vou direto para a pista de voo, me encontrar com a família para aproveitarmos a semana de moda em Paris, o que é ótimo, aproveitarei algumas das melhores modelos mundiais para realizar uma orgia.
O império que meu pai iniciou cresceu ainda mais e sob meu comando nos últimos meses cresceu a ponto de ser necessário criar uma filial na Itália, já que o Spa com os Lancellot acabou se tornando uma cadeia de hotéis e vinícolas, hoje temos uma fatia bem pequena dos lucros da Lancellot, conforme meu pai fez com o falecido senhor Pierre e seu filho Pietro assumiu o comando de tudo fazendo prosperar...
- Continua aqui Tom? - Viro a cadeira em direção à voz do meu melhor amigo Kevin.
- Sim, terminei agora de olhar os balancetes, estava de saída. - Digo sorrindo para ele. - E aí, vai conosco ou prefere ir com meus tios na terça? - Pergunto na esperança que ele aceite ir comigo.
- Vou com vocês, mas preciso preparar a minha bagagem. - Reviro os olhos para o meu amigo quase um primo.
Pego o telefone e meus pertences, ligo para os meus pais, sei que eles não vão se importar de esperar enquanto Kevin se apronta para ir no mesmo voo.
Para os meus pais, os filhos do tio Mike e tia Emma é uma extensão da própria família, já que crescemos todos juntos e praticamente estudamos na mesma escola.
Saímos da empresa e vou com meu amigo em direção o apartamento que tem, infelizmente não moramos no mesmo prédio, ele ganhou dos pais um apartamento alguns andares abaixo dos próprios pais no dia seguinte que ele chegou tão bêbado que deixou a minha tia muito irritada, que decidiu por ele no seu próprio espaço, irritando as minhas primas que ainda vivem embaixo do mesmo teto que meus tios.
Com uma hora de atraso chegamos no aeroporto, entramos na pequena aeronave e caminho em direção a minha mãe que tem quase uma semana que não a vejo, ela estava tão envolvida com o casamento da minha prima Elisa que praticamente estava mais em Paris que em casa.
- Oi! Mamãe, por que não ficou por lá? - Pergunto beijando a sua testa e lhe abraçando com saudades.
- Porque sua mãe tem um marido que estava com saudades dela na cama. - Reviro os olhos para o meu pai que não se importa nenhum um pouco de falar das intimidades deles na frente da família, fazendo todos ficarem com vergonha.
- Credo velho, ninguém precisa saber que vocês dois continuam parecendo dois coelhos cheios de fogo. - Tiro uma gargalhada do meu pai que me puxa para um abraço.
- Deixe disso moleque, vocês acham que foram feitos como? Ele pergunta com um sorriso irônico. - Deixem esse assunto para outro momento, oi Kevin. - Meu pai estende a mão para o meu amigo e o abraça.
Me sento na poltrona ao lado do meu irmão Ethan que estava mexendo em algum gráfico e pelo visto, ele não estava muito satisfeito com o que estava vendo.
Conversei com todos e finalmente o nosso voo foi liberado para decolar, aproveitei para por os assuntos em dia e ouvir cada uma das reclamações de minha mãe, porque tenho certeza que ela reclamará mais uma vez, por ser fotografado com a atriz que protagonizará o novo filme de heróis da Marvel, que estava filmando em Chicago.
Chegamos a Paris e fomos todos para a mansão da família Miller, chamar de casa é até uma ofensa, a mansão tem nada mais, nada menos que quinze quartos, tudo isso para evitar a nos separar quando viéssemos para a casa da vovó Enora, que tenho certeza que puxará a minha orelha pela manhã quando descer para o café.
Mas agora é hora de gastar um pouco as nossas energias, chamo Kevin para ir ao Moulin Rouge, a casa de show mais icônica de Paris, mas existe uma porta exclusiva apenas para a alta sociedade.
Uma casa de stripper, em grande maioria as garotas são apenas dançarinas sensuais para alguns empresários, mas existe garotas de programas que aceitam dar um pouco de prazer para seus clientes, eu mesmo já transei com algumas modelos mundias aqui mesmo, nesses bancos aveludados.
Assim que entramos pelas portas escuras escondidas por uma decoração sofisticada, o ambiente se torna escuro, estava acontecendo o segundo show da noite, o som alto e as luzes baixas dava apenas para olhar por onde caminhávamos.
Caminho devagar entre algumas poltronas para não pisar no pé de nenhum dos clientes que estava ali apreciando uma modelo que se não fosse pela máscara teria certeza que a conheceria.
Entro com o Kevin na saleta privativa com um mini bar a disposição para o nosso consumo, começo a olhar para as mulheres que estavam caminhando pelo salão com uma bandeja oferecendo algumas taças de champanhe ou copos de uísque.
Continuo observando o show da mascarada que parece ter um charme interessante e aquela máscara com penas de pavão saindo por cima de sua cabeça, o que evitava conferir o tom de seus cabelos. Estava me deixando intrigado, tenho a sensação que já a vi em algum lugar, talvez a chame para uma noite e descubra de onde a conheço.
- Quero aquela ali. - Kevin aponta para uma ruiva que estava usando uma máscara veneziana.
A mulher muito bonita, tinha um corpo que lembrava muito as brasileiras, com curvas nos lugares certos, seios fartos e uma bunda arrebitada, percebo quando meu amigo acena para o garçom que caminha lentamente em nossa direção.
- Boa noite, senhores em que posso ser útil? - O garçom nos cumprimenta.
- Gostaria de convidar a Veneziana para o nosso camarote, isso claro se ela for adepta a dar prazer! - Kevin fala com os olhos fixos na mulher.
- Creio que a Veneziana já tenha sido solicitada senhor, temos algumas outras se quiser conferir... - Meu amigo interrompe a fala do garçom.
- Diga a ela que dobro o valor que lhe foi proposto. - O garçom meneia a cabeça e antes que ele saia o chamo.
- A dançarina principal, ela faz parte do catálogo? - Pergunto com interesse, olhando diretamente para a mulher no palco, elaborando sua apresentação no pole dance.
- Não, ela é novata, mas posso perguntar se ela tem interesse de uma exclusividade. - Aceno com a cabeça, mantendo o meu olhar na desconhecida.
Ela dançava exibindo uma cintura fina e um rebolado que estava me deixando de pau duro, observo o garçom se aproximando do palco chamando a sua atenção e pelo que pude ver ele gesticula em nossa direção.
Noto quando ela nega com a cabeça, o garçom acena para a mulher com a máscara de pavão e se aproxima da ruiva que confirma com a cabeça e a vemos indo em direção a outra porta que até onde me lembrava é onde ficam pequenas suítes. O cretino do meu amigo se levanta com um sorriso na cara debochando do fora que levei e vai em direção à ruiva que lhe chamou a atenção.
Continuo olhando para a loira que se negou para mim, tento massagear o meu pau que está ficando cada vez mais duro por não conseguir me enterrar dentro dela. A safada percebe os meus olhares em sua direção e começa a rebolar a bunda dela na minha direção, estava usando uma lingerie branca que parece muito com uma das criações da minha tia.
- Foda-se, terei você assim que sair desse palco. - Saio do meu camarote e vou caminhando em direção ao bar que ficava próximo à saída do palco.
Mantenho os meus olhos na mulher que continua dançando e pelo jeito que a sua cabeça ia em direção meu camarote ela parecia me procurar onde estava. A música acaba a vejo se despedindo dos diversos clientes que estavam sentados praticamente com o pau na mão ou com alguma outra mulher os chupando. A vejo se abaixar e pegar as diversas gorjetas que estavam oferecendo a ela por sua apresentação.
Ela desce do palco e assim que passa por trás de mim seguro em seu pulso, acabo deixando assustada com a minha invasão em seu espaço. Mas nesse momento não me importava com nada, ela passou o resto de sua dança se insinuando para mim, então ela fará isso num desses quartos.
- Vem! - Seus olhos azuis eram a única coisa que conseguia observar pela máscara.
Senti a sua resistência e olhei para o seu rosto e se a luz fosse um pouco mais forte poderia ter certeza que ela tinha um brilho em seu olhar.
- Não! Você que vem comigo! - Um sorriso satisfeito com a mudança, surge em meu rosto.
Ela me puxa para um dos quartos privativos que estava com uma lâmpada verde acima da fechadura e entramos no quarto. Ouço quando tranca a porta e deixa o quarto com uma iluminação quase que completamente escura, apenas com as led da cama acesa.
- O que deseja de mim, Senhor? - A ouço perguntando.
- Quero tudo... - Digo quando sinto suas mãos se aproximando do meu corpo, quando ia tocar em sua máscara seus dedos delicados me impede.
- Darei tudo, mas não pode me ver, serei apenas uma lembrança sem rosto e sem nome em sua mente, mais uma entre tantas que já teve senhor Walker. - A desgraçada me conhece.
- Tenho uma ideia, você me venda e poderei sentir o sabor de seus lábios. - Ela curva a cabeça, sei que ela está pensando na minha proposta.
- Tudo bem! - Ela se afasta e procura algo em uma mesa que nem havia percebido haver ali.
A vejo caminhando em minha direção com uma venda em suas mãos, olho novamente para o lábio inferior e seu queixo era tudo o que podia ver de seu rosto. Ela estica a venda e passa por cima da minha cabeça me deixando impossibilitado de ver o que fará comigo.
A venda me deixa ansioso, me sinto refém dos desejos dessa pequena mulher, suas mãos vão para o meu rosto enquanto ela brinca com os pelos do meu peito, estico as minhas mãos e encontro o seu pescoço esguio e fino, com delicadeza toco em seu rosto e noto que ela já não estava mais com a máscara, sorrio e a puxo para um beijo.
Não é porque sou um libertino que não gosto de dar uma boa foda para que todas elas, sou um homem carinhoso, mesmo que todas elas sejam apenas por uma noite, quero sempre que todas se lembrem que já foram minha um dia.
Nossos lábios se encostam e o sabor adocicado de algo que ela tomou faz com que sinta um frenesi absurdo, meus pés acompanham os seus movimentos e passo meus braços por sua cintura fazendo com que ela caia por cima, sem deixar de beijar seus lábios macios.
Essa noite ela conhecerá Tommáz Walker e será ela que nunca me esquecerá.
Amélie Petit
Onde estava com a cabeça quando aceitei vir com a Laura para o Moulin Rouge, sei que meu emprego como assistente da Noely me dá uma boa renda, tenho todas as minhas contas do mês paga, existe apenas uma que tenho certeza que não conseguirei honrar.
Se não fosse meu pai se meter nessa enrascada e o agiota que ele deve, me encontrar não estaria aqui me sujeitando a isso, não que esteja desmerecendo a vida de prostituição que a minha melhor amiga vive, mas sei muito bem que nem sempre ela tem sorte de pegar um bom cliente que a trate com carinho e não apenas como um saco de pancadas.
Quantas vezes precisei ajudá-la chegar em casa, depois que ela me ligava pedindo ajuda, porque sofreu mais uma agressão de algum político sujo de Paris ou da Europa que adoram vir até o Moulin Rouge para aproveitar alguma das meninas da casa de prostituição mais famosa do mundo.
- Escolha uma máscara e rebole no palco, você dança tão bem, sabe que não precisa ir para os privativos se não quiser, mas se decidir precisa apenas pagar a taxa da casa e o resto é seu. - Laura fala, enquanto termina de se maquiar.
Mesmo que estejamos usando máscaras, a dona da casa pede que estejamos sempre impecáveis, porque a decisão de nos revelar cade somente a nós. E os clientes conhecem as regras da casa. Antes de entrar no camarim, a madame Françoasi, me mostrou o lugar e disse que sempre seria bem-vinda a dançar.
Minha beleza era exótica, dizendo ela. Graças, uma anomalia que herdei da minha mãe, tenho uma mecha de cabelo em um tom mais escuro em meio aos meus cabelos dourados e lisos, é algo que amo.
Infelizmente perdi a minha mãe durante um assalto que ela e meu pai sofreram enquanto ele foi buscá-la no serviço, passamos por tempos terríveis após essa fatalidade. Ainda era muito pequena, tinha apenas oito anos, mas mesmo assim vi como a depressão profunda que meu pai sofreu o afundou quando ele entrou de cabeça no vício da jogatina.
Sai de casa quando tinha dezesseis, no momento que ele resolveu vender a minha virgindade para algum idiota que ele iria jogar, consegui escapar com muita sorte. A mesma que tive por encontrar pessoas tão boas que me ajudaram muito, até que um dia tropecei na Laura, uma imigrante brasileira que não falava nada de francês e não conseguia compra uma garrafa de água.
Sorte que aprendi um pouco de português, mas o de Portugal, então nossa amizade surgiu e até hoje moramos juntas, uma sendo apoio da outra, nas alegrias e principalmente nas decepções amorosas.
Porque uma coisa que temos em comum é dedo podre para homem, que às vezes é até inacreditável. Enquanto penso na tragédia cômica que é a minha vida escolho uma das peças exclusivas que a Noely Miller desenhou e elaborou para mim, usarei uma pequena branca com algumas rendas cobrindo uma parte da minha bunda.
Me aproximo da minha amiga que já estava com uma peça escura e meias finas na altura das coxas, segurando a sua máscara.
- Está linda, não esqueça de pôr a máscara, acho que o próximo show é o seu, caminharei um pouco entre os clientes para ver se consigo algum cliente para essa noite. - Ela fala me deixando um pouquinho mais confiante.
Vejo quando ela se afasta, respiro fundo e pego a primeira máscara que me é oferecida por outra menina que dançaria essa noite. A mascara veneziana com penas de pavão saindo pela lateral deixando que algumas caíssem sobre os meus seios, ela é linda, retribuo o sorriso meigo e a ouço me desejar sorte na minha apresentação, subo no palco e deixo que meu corpo seja conduzido pelo som sensual que sai dos amplificadores.
Enquanto uso a barra de poli dance, meu olhar cai até um dos camarotes e uma corrente elétrica passa pelo meu corpo assim que reconheço o olhar do sobrinho mulherengo da minha chefe, continuo dançando exibindo a minha bunda na direção ao camarote que ele estava.
A cada rebolada é como se estivesse me oferecendo para o Tommáz Walker, o maior mulherengo da América e provavelmente de Paris, pelo menos quando ele está aqui para visitar a sua avó Enora Miller e a tia. Me rendo as batidas da música e a cada acrobacia dou um leve olhar na direção que ele estava, sentia seus olhos me queimando e me deixando ainda mais excitada.
- Amélie? - Ouço o meu nome sendo chamado por um garçom que se aproximou do palco, paro a apresentação e me aproximo dele. - Um cliente do camarote pede exclusividade.
"Exclusividade"
O nome usado para informar que existe uma pessoa interessada em ter uma hora de sexo sem compromisso e consensual, mas não é a minha intenção de ir para a cama com nenhum homem hoje, fico feliz apenas em receber os dois mil euros por dançar e ganhar a gorjeta após terminar a minha apresentação.
Nego com a cabeça, até porque como posso transar com o sobrinho da minha chefe!
Volto a dançar lentamente até chegar no centro do palco, continuo olhando em direção ao camarote, me preparo para realizar mais uma acrobacia no poli dance. Quando meu olhar não encontra os olhos azuis pertencentes ao homem mais galinha e mulherengo que conheço, me sinto frustrada por não encontrá-lo novamente, tento localizar, mas minha música está quase chegando ao fim, me aproximo da borda do palco e ganho algumas notas de euro, dólares e libras, que guardo e me retiro no palco.
Antes que pudesse entrar no camarim, mãos grandes se fecham em torno do meu pulso, quando olho para o homem me surpreendo com a sua audácia de se aproximar dessa forma sem a minha permissão.
Olho para o rosto que parecia autoritário e carregava um peso pela excitação em me ver dançando para ele, porque tenho certeza que ele notou que cada movimento que executei naquele palco foi exclusivamente para ele.
Tomo coragem e aceito o seu convite, o levo para o quarto ao lado do palco. Deixo o quarto com pouca luz, porque não posso deixar que ele me reconheça, darei uma noite intrigante ao sobrinho da minha chefe. Coloco uma das vendas que estavam disponíveis em uma das gavetas e cubro seus lindos olhos azuis, assim que ele não pode mais me ver retiro a minha máscara.
Dizem que o desconhecido instiga, fazendo com que procuremos uma forma de revelar aquilo que não conseguimos ver completamente a superfície, talvez seja por isso que tantas pessoas se aventuram em desbravar as profundezas do oceano ou a imensidão do céu.
Sinto o perfume amadeirado deixando ele ainda mais atrativo, subo minhas mãos por seu peito, abrindo os botões de sua camisa com lentidão, quero me deleitar em quanto aproveito de cada parte dessa noite com o herdeiro da Walker.
Tommáz é um homem alto, não sou tão baixa, mas mesmo com salto não passo do seu queixo, empurro o tecido da camisa que cai completamente no chão aos seus pés.
- Vejo que gosta de torturar um homem faminto, mademoiselle! - Sua pergunta massageia o meu ego, entendendo que ele aprova o que estou fazendo.
- Faminto? - Pergunto intrigada retirando o cinto que estava na sua calça. - Não me parece faminto, já que deixou ser vendado! - Digo com um pouco de arrogância.
Sinto quando seus dedos se fecham no meu pescoço e apertam tirando o meu fôlego, fico impressionada quando minha buceta fica molhada com essa demonstração de poder, porque não posso negar que ele é quente como o inferno.
- Não me teste mademoiselle, não sou um homem paciente... - Puxo o seu rosto em direção aos meus lábios, calando o que ele tinha intenção de falar.
Seus lábios estavam úmidos sendo pegos de surpresa quando o beijei, empurrei o seu corpo, fazendo que ele tire as mãos do meu pescoço e enlace a minha cintura, ando com ele até a cama e acabo caindo por cima do seu corpo, sem desgrudar nossos lábios que parecem guerrear por uma parte a mais de cada um, deixo um sorriso surgir enquanto o sinto chupando o meu lábio inferior.
- Espero que tenha preservativo com você Monsieur Walker? - Pergunto com o mesmo tratamento no meu idioma, carregando no sotaque francês
Minha intenção era apenas dançar, então não vim prevenida, para uma noite com sexo quente, então espero que ele seja um homem precavido e responsável, porque nem por todo dinheiro do mundo que transo sem camisinha, já tive a minha conta de idiotice e não farei novamente ainda mais com alguém que teoricamente conheço.
- Pode ter certeza que sim... - Ele me responde e nos vira na cama. - Deixe-me te ver?
- Negativo, seja um menino obediente e mantenha a venda. - Digo enquanto ele beija o vale dos meus seios e inala o meu perfume.
Suas mãos hábeis conseguem retirar um dos meus seios da armação do sutiã que estava usando, modéstia a parte trabalhar com a Noely tem seus privilégios e um deles é ganhar peças de alta costura.
Ofego quando o calor de sua boca toca em meu seio esquerdo, abro mais ainda as pernas, na tentativa de que a carne aquecida encontre um pouco de alívio, esfrego minha púbis na pelve do homem enlouquecido em meus seios.
Ouço seus grunhidos de satisfação enquanto toca em cada um dos meus seios intercalando de um para o outro, tendo o cuidado de não apertar seus lábios em meus mamilos. Olho para o emaranhado de cabelos loiros fazendo uma trilha de pequenos beijos indo em direção a minha fenda que implora por atenção.
- Você tem um cheiro tão doce mademoiselle... - Minha mente começa a se desconectar do meu corpo no momento que sinto seu nariz roçar pela minha abertura.
Suas mãos vão para a lateral da minha calcinha e puxa em direção das minhas coxas com delicadeza, ergo meu quadril da cama para o processo ser realizado sem dificuldade, deixo um sorriso escapar no canto da boca, quando noto o cuidado que ele tem com a peça intima que estava usando.
- Tenho uma conhecida que trabalha com moda intima. - Ele diz por fim.
No instante que Tommáz toca em minha fenda com a sua língua, chego tão próximo do precipício do prazer que vejo pontos brilhantes em minhas pálpebras. Ele brinca com meu clitóris como se estivesse sugando uma paleta de sua fruta preferida, me deixando enebriada de desejo por prazer, esperando que o orgasmo que estava se formando no meu ventre alcançasse o seu ápice a ponto de me molhar mais do que já estava.
Sentir seus dedos me invadindo, alcançando o ponto certo, faz com que meu corpo se desgrude da cama e deixe que um grito de prazer saia por minha garganta, meu orgasmo vem tão forte que minhas pernas começam a ficar moles, sinto uma letargia me alcançando mais sei que a última coisa que conseguirei aqui essa noite será dormir.
- Nem considere dormir mademoiselle, estamos apenas começando. - Tommáz se ergue da cama.
Vejo mesmo que o quarto esteja escuro quando ele retira a calça e apanha o preservativo de sua carteira, rasga o pacotinho com os dentes, mal consigo ver como ele põe o preservativo, mas não tem como errar em pôr.
Suas mãos encontram o meu tornozelo e o ajudo alcançar o meu corpo rindo sempre que ele tocava em pontos do meu corpo que me deixavam com cócegas, seguro algumas vezes as gargalhadas, ou ele achará que sou desequilibrada.
Descanso minhas mãos por seus ombros largos, aproveitando cada parte daquela musculatura que deve ter conquistados nas muitas horas de academia, deixando o seu corpo lindo, como vejo nas revistas. Queria poder vê-lo com mais clareza e sei que se aumentar a luz ele vai querer tirar a venda e isso não deixarei.
Sua ereção entra em minha abertura deslizando sem nenhum esforço ou barreira, tirando suspiros e gemidos de cada um. Tommáz tem um arsenal que me deixou a beira de outro orgasmo quando me penetrou. Fecho os olhos e deixo que as sensações tomem conta de cada parte do meu corpo.
- Porra de mulher gostosa... - Ouço-o xingando no seu idioma.
Respiro fundo em cada estocada que chega alcançar o colo do meu útero, uma dor prazerosa que me surpreende. Ele segura em meus pulsos e eleva acima da minha cabeça me deixando indefesa, o que me deixa ainda mais excitada.
Ele brinca entrando e saindo lentamente, me fazendo enlouquecer querendo um sexo mais bruto, gemo frustrada quando ele retira o seu pau da minha buceta.
- Vira mademoiselle. - Suas mãos me viram de uma vez, arrancando de mim uma exclamação pelo que ele vai fazer.
Empino a minha bunda ficando de quatro para que ele entre novamente, desejo tudo o que o Walker pode me dar. Sou uma mulher, obrigada a dar todo o seu dinheiro mensal para um agiota, hoje pelo menos teria o prazer de deitar na mesma cama e receber prazer com o homem mais cobiçado.
Relaxo quando ele começa a entrar lentamente e passa os dedos por cima da tatuagem que tenho na minha bunda, algo que fiz quando era inconsequente na minha juventude. Sinto um novo orgasmo se aproximando e me rendo as investidas que o meu parceiro de uma noite me dá.
Contraio a musculatura da minha buceta quando, o ouço dizer que estava próximo de gozar, inicio a brincadeira que todo homem gosta que façamos, mas nunca tem coragem de pedir, continuo contraindo e relaxando até ouvir o urro de prazer do Tommáz que me empurra mais duas vezes e desaba com cuidado sob meu corpo.
Ajudo-o se deitar na cama e percebo um sorriso enorme em seu rosto, assim como ele, estava satisfeita com o que acabamos fazer, mas agora é hora de acordar para a realidade, tenho que ir para casa.
Amanhã começa a semana de moda e sei que Noely tirará sangue de mim e de cada modelo que vai modelar cada uma de suas criações que modéstia parte estão espetaculares. E para deixar as coisas ainda mais corridas, Elisa resolveu casar no primeiro dia para enlouquecer cada um de nós.
- Monsieur, tenho que ir, essa noite foi uma surpresa, deveria apenas dançar. - Falo com sinceridade.
- Deixe ver o seu rosto, quero te levar até a sua casa ou que durma comigo. - Seu rosto vendado vira em minha direção.
- Nous ne pouvons pas monsieur. - "Não podemos, senhor".
Respondo no meu idioma, o que faz ele curvar o seu lindo sorriso para baixo, o deixando frustrado.
- Tudo bem, já que você é a única que enxerga aqui, minha carteira está caída aí no chão, pegue-a. - Deixo uma risadinha sair, o que me faz receber uma tapa na bunda.
Tommáz se senta na cama e entrego a carteira assim que a pego, deixo na sua coxa para que ele possa fazer o que ele deseja. Suas mãos procuram o meu queixo e beijo novamente seus lábios, com certa delicadeza e nos afasto porque preciso ir.
- Não faço ideia do valor que tem em mente para a nossa aventura, mas adoraria muito que me permita ter você novamente. - Ele insiste.
- Não podemos Monsieur. - Repito.
Mas meu corpo desejoso por mais prazer quase cede para que ele me deite novamente nessa cama, mas não posso como olharei para ele durante a semana inteira se ele souber que sou a mulher da máscara. Olho para ele novamente e beijo os seus lábios antes de recolocar a minha máscara.
Levanto da cama e recolho a minha calcinha, já que no desespero ele nem chegou a retirar a peça de cima.
- É tudo seu, mademoiselle malvada, deixará meu amigo aqui triste. - Ele faz um bico com seus lábios que quase me faz rir, mas preciso ir embora.
- Obrigada pelo prazer Monsieur, estou saindo do quarto. - Pego o valor que ele deixou em cima da sua perna e segura o meu pulso.
- Me diga o seu nome, por favor. - Resolvo dizer o nome da minha personagem preferida.
- Ella, adeus Monsieur Walker! - Saio do quarto deixando ele sozinho.
Não sou louca em dizer o meu nome verdadeiro para o homem que provavelmente passará a semana comendo as modelos que trabalhará para a tia dele. No camarim procuro pela Madame Françoasi e dou a parte que ela disse que seria pelo uso do privativo, ela me paga o valor por dançar e peço que ela avise para a Laura que já fui para casa, preciso me afastar do Tommáz Walker o máximo que puder.