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Proibidamente Sua

Proibidamente Sua

Autor:: Nayara Barbosa
Gênero: Romance
🔥 SINOPSE - PROIBIDAMENTE SUA 🔥 Traição dói - mas ser enganada dentro da própria casa destrói qualquer coração. Depois de flagrar o namorado com outra, Letícia vê seu mundo desmoronar. Só não imaginava que, entre os pedaços quebrados de sua vida, seus olhos fossem atraídos por alguém que sempre esteve ali... Adrian Cortez: o homem mais poderoso que ela já conheceu, dono de uma presença arrebatadora - e pai do traidor. Adrian sempre a tratou com respeito, distância e uma educação impecável. Mas agora, há algo diferente em seu olhar. Algo quente. Algo proibido. E Letícia sente. No corpo. Na pele. No centro do desejo. Enquanto tenta reconstruir a própria vida, ela se vê presa em um jogo perigoso com um homem mais velho, mais experiente e completamente intoxicante. Adrian sabe o que quer - e o que deseja é justamente o que ele nunca deveria tocar. Mas o proibido sempre foi o mais tentador. O que começa com olhares desliza para provocações, que avançam para toques, que explodem em noites capazes de virar qualquer mundo de cabeça para baixo. E quando o ex descobre que perdeu muito mais do que imaginava, o perigo toma forma. Entre paixão, limites rompidos e segredos capazes de destruir reputações... Letícia vai precisar decidir até onde está disposta a ir para ser, de fato, Proibidamente Sua.

Capítulo 1 Prólogo

LETÍCIA

Confesso que eu preferia mil vezes que ele tivesse me traído com um homem.

É absurdo? Talvez.

Mas naquele momento... qualquer coisa seria menos humilhante do que aquilo que meus olhos estavam vendo.

Porque não era só traição.

Era mentira.

Era encenação.

Era ele me abraçando todos os dias, me chamando de amor, me olhando nos olhos... enquanto me fazia de idiota.

E não foi com qualquer mulher.

Foi com ela.

A "secretária".

A "amiga de infância".

A mulher que ele jurava, com a maior naturalidade do mundo, que era como uma irmã.

Irmã.

Eu solto uma risada baixa, amarga, completamente quebrada.

Claro.

Faz todo sentido.

Tudo faz sentido agora.

Os atrasos.

As mensagens apagadas.

Os "vou trabalhar até mais tarde".

As vezes em que ele parecia distante... frio... ausente.

Tudo estava ali.

Sempre esteve.

Eu que não quis ver.

Eu que escolhi confiar.

Eu que escolhi amar.

Idiota.

Estupidamente idiota.

Meus olhos continuam presos naquela cena.

Os dois na minha cama.

Na nossa cama.

Os lençóis bagunçados.

O corpo dela exposto sem o menor pudor.

E ele...

Ele em cima dela.

Como se eu nunca tivesse existido.

Como se tudo que a gente construiu fosse nada.

Como se eu fosse nada.

- Letícia, por favor... - a voz dele corta o silêncio.

Eu nem sei em que momento ele percebeu que eu estava ali.

Mas agora ele está se afastando dela, se levantando rápido demais, desesperado demais, tentando vestir a calça como se isso fosse apagar o que eu vi.

Como se fosse possível voltar no tempo.

Como se fosse possível consertar isso.

Não é.

Nunca vai ser.

- Não me toca.

Minha voz sai baixa.

Fria.

Cortante.

Ele congela por um segundo.

Mas então vem na minha direção mesmo assim.

- Leti, por favor... me escuta.

- Pra você é Letícia.

Eu levanto o olhar e encaro ele de verdade.

E Deus...

Como eu fui capaz de amar esse homem?

- Seu estrume. - minha voz falha, mas eu continuo. - Infeliz.

Atrás dele, ela continua deitada.

Nua.

Sem vergonha.

Sem culpa.

Sem absolutamente nada.

Só... um sorriso.

Um sorriso pequeno, lento, cheio de deboche.

Como se estivesse assistindo a um espetáculo.

Como se eu fosse a palhaça da história.

E talvez eu seja mesmo.

- Eu tenho nojo de você, Enzo. - digo, sentindo minha garganta queimar. - Nojo de mim por ter deixado você me tocar.

Eu me viro antes que ele veja meus olhos marejando e caminho direto até o guarda-roupa.

Abro com força.

Minhas mãos tremem.

Meu corpo inteiro treme.

Mas eu não posso parar.

Se eu parar... eu desmorono.

Pego duas malas.

Começo a jogar roupas dentro sem nem olhar.

Vestidos.

Blusas.

Calças.

Nada importa.

Nada ali parece mais meu.

Nada ali parece real.

- Letícia, calma... - ele tenta de novo, a voz agora mais baixa, quase suplicante. - Vamos conversar-

- Conversar? - eu rio, um riso seco, sem vida. - Você quer conversar agora?

Eu me viro bruscamente.

- Você jogou uma vida inteira fora, Enzo! - minha voz sobe, ecoando pelo quarto. - Uma vida inteira por uma maldita noite!

- Não foi assim.-

- Não foi assim? - repito, incrédula. - Eu acabei de pegar você com ela na nossa cama!

- Foi um erro!

- Não. - balanço a cabeça devagar. - Não foi.

Eu aponto pra ele.

- Erro é esquecer uma data. Erro é perder um compromisso. Isso aqui... - aponto para os dois - ...isso aqui é escolha.

O silêncio pesa.

Mas não dura.

Porque ela se mexe.

Devagar.

Preguiçosa.

Como se nada daquilo fosse com ela.

- Já acabou o drama? - a voz dela é doce demais... falsa demais.

Eu fecho os olhos por um segundo.

Respiro.

Mas quando abro...

A raiva já tomou conta.

Eu caminho até ela.

Passos firmes.

Controlados.

Paro a poucos centímetros da cama.

- Fica quieta. - digo, baixo, mas carregado de ameaça. - Eu não estou falando com você.

Ela ergue uma sobrancelha.

Sorri.

- Mas devia. - dá de ombros. - Afinal... eu estou na cama dele.

Aquilo acerta em cheio.

Como um soco.

Meu corpo inteiro reage.

Minha mão até se move.

Mas eu paro.

Eu paro porque sei...

Se eu encostar nela, eu acabo com tudo.

E eu não vou me rebaixar a isso.

Não por eles.

Nunca.

- Aproveita. - digo, recuando um passo. - Aproveita bem. Porque homem que trai uma vez... trai sempre.

O sorriso dela vacila.

Só por um segundo.

Mas eu vejo.

E isso basta.

Eu volto para as malas.

Fecho com força.

- Aproveita que ela está aqui. - continuo, sem olhar pra ele - e pede ajuda pra arrumar suas coisas.

- Minhas coisas? - ele franze a testa.

Eu rio.

Frio.

Vazio.

- E vai os dois pra casa do caralho.

O silêncio cai.

Pesado.

Cortante.

E então ele fala.

- Eu acho que você deveria arrumar suas coisas e ir pra casa do caralho.

Eu paro.

Devagar.

Viro o rosto.

- O quê?

Ele cruza os braços.

Seguro.

Frio.

- Esse apartamento está no meu nome.

Meu coração falha.

- Não. - nego automaticamente. - Não. Eu paguei esse apartamento. Eu paguei tudo.

- Pagou. - ele dá de ombros. - Mas lembra quando deu problema com seus documentos?

Eu fico em silêncio.

Meu estômago revira.

- Você colocou no meu nome até resolver.

Não.

- Você resolveu... - ele continua - ...mas nunca transferiu de volta.

O mundo gira.

- Então... - ele se aproxima um pouco mais - ...esse apartamento é meu.

Silêncio.

Total.

Absoluto.

E então eu entendo.

Não foi só traição.

Foi cálculo.

Foi interesse.

Foi traição em todos os sentidos possíveis.

- Você é um maldito. - minha voz sai baixa.

- Sou prático. - ele responde.

Algo dentro de mim se parte.

De vez.

- Infeliz. - digo, com desprezo. - Filho de chocadeira. Porque eu me recuso a acreditar que você é filho do Adrian. Eu nunca vi duas pessoas tão diferentes compartilharem o mesmo sangue.

O nome pesa no ar.

E, por um segundo...

Ele hesita.

Mas é rápido.

- Vaza da minha casa, corna. - ela dispara.

Acabou.

Eu não falo mais nada.

Não olho mais.

Não sinto mais.

Eu só ando.

Saio do quarto.

Passo pelo corredor.

Entro no escritório.

Minhas mãos ainda tremem quando pego minhas pastas.

Documentos.

Minha vida.

Reduzida a papéis.

Eu não levo mais nada.

Nada daquele lugar me pertence.

Eu saio.

Sem olhar pra trás.

Porque se eu olhar...

Eu fico.

E eu não posso ficar.

Nunca mais.

---

O elevador demora.

Cada segundo ali dentro é uma tortura.

O silêncio.

O reflexo.

Eu me encaro no espelho.

Olhos vermelhos.

Respiração irregular.

Cabelos bagunçados.

Essa sou eu agora.

Uma mulher que acabou de perder tudo.

Quando a porta abre, o som da chuva invade o ambiente.

Forte.

Constante.

Pesada.

Eu caminho até a saída.

Vejo o vidro molhado.

A cidade cinza.

- Droga... - murmuro.

Só faltava isso.

Mas talvez...

Talvez seja melhor assim.

Coloco as pastas dentro da mochila.

Jogo nas costas.

E saio.

A água me atinge com força.

Gelada.

As roupas grudam no meu corpo.

Meu cabelo encharca.

E então...

Eu paro.

No meio da calçada.

Deixo a chuva cair.

Deixo tudo cair.

As lágrimas vêm.

Mas ninguém vê.

Porque a chuva esconde tudo.

Perfeito.

Eu rio.

Baixo.

Quebrado.

- Parabéns, Letícia... - sussurro. - Você conseguiu.

Dou alguns passos.

Sem direção.

Sem rumo.

Sem nada.

Até que...

Um carro para ao meu lado.

Preto.

Luxuoso.

Imponente.

Meu coração aperta.

Eu já sei.

A janela abaixa lentamente.

E lá está ele.

Adrian Cortez.

Os olhos escuros fixos em mim.

Sérios.

Intensos.

Diferentes.

Ele me observa por alguns segundos.

Como se estivesse lendo tudo que eu não disse.

E então, com a voz firme, autoritária... impossível de ignorar:

- Entra no carro, Letícia!

{...}

Capítulo 2 01

ADRIAN CORTEZ

Eu já tinha visto muita coisa nessa vida.

Negócios sujos.

Homens mentindo olhando nos meus olhos.

Traições mascaradas de lealdade.

Mas aquilo...

Aquilo me fez apertar o volante com tanta força que meus dedos chegaram a doer.

A chuva caía pesada, quase violenta, batendo contra o para-brisa enquanto o limpador tentava inutilmente manter alguma visibilidade. E foi ali, no meio daquele cenário cinza e caótico, que eu a vi.

Letícia.

Sozinha.

Molhada.

Pequena demais diante de um mundo que, claramente, tinha acabado de desabar sobre ela.

Meu maxilar travou.

Que porra o meu filho fez dessa vez?

Porque não... não era normal. Não era só uma briga. Não era um desentendimento qualquer.

Eu conhecia aquela postura.

O jeito como ela andava sem direção.

Os ombros caídos.

O olhar perdido.

Aquilo era dor.

E não era pouca.

Pisei no freio antes mesmo de pensar duas vezes.

O carro parou ao lado dela, e por alguns segundos eu apenas observei.

A água escorrendo pelo rosto dela.

Os lábios trêmulos.

Os olhos... vermelhos.

Aquilo não era só chuva.

- Entra no carro, Letícia! - minha voz saiu firme, autoritária, sem espaço para discussão.

Ela virou o rosto devagar.

E quando nossos olhares se encontraram...

Algo estranho aconteceu.

Algo que eu não soube nomear na hora.

Mas eu senti.

Forte demais.

Os olhos dela estavam molhados, sim.

Mas não era só por causa da chuva.

Era tristeza.

Era raiva.

Era algo quebrado ali dentro.

E, por um instante, ela hesitou.

Claro que hesitou.

Letícia sempre foi orgulhosa demais pra aceitar ajuda fácil.

Principalmente de mim.

Eu abri a porta antes mesmo que ela tivesse tempo de recusar.

Saí do carro, sentindo a chuva pesada molhar meu terno em segundos.

Ela deu um passo pra trás.

- Não precisa, Adrian... eu-

- Chega. - cortei, firme.

Segurei o braço dela.

E foi aí que aconteceu.

Contato.

Simples.

Direto.

Mas intenso demais.

A pele dela estava fria por causa da chuva... mas, mesmo assim, eu senti.

E ela também.

Porque o corpo dela reagiu.

Sutil.

Mas eu percebi.

Sempre percebo.

- Você está tremendo. - falei, baixo, encarando ela.

- É só a chuva... - ela desviou o olhar, tentando se soltar.

Não deixei.

Abri a porta do carro e a conduzi pra dentro com cuidado, mas sem dar espaço pra discussão.

Ela protestou.

Claro que protestou.

- Eu não preciso disso, eu vou me virar, eu...

- Foda-se você se virar, Letícia. - fechei a porta com mais força do que o necessário e entrei no carro logo depois.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Carregado.

Denso.

Eu liguei o carro novamente, mas não arranquei.

Virei o rosto devagar pra ela.

Ela estava encolhida no banco.

Molhada.

Respiração descompassada.

E linda.

Perigosamente linda.

Meu olhar desceu por um segundo.

A roupa grudada no corpo dela por causa da chuva.

O contorno marcado.

A pele arrepiada.

Droga.

Eu fechei os olhos por um instante.

Controle, Adrian.

Controle.

- Eu gostaria de saber... - minha voz saiu mais baixa agora, mas ainda firme - ...por que você está debaixo de chuva, desse jeito e chorando.

Ela virou o rosto na minha direção.

E, por um segundo, parecia ofendida.

- Como você sabe que eu estou chorando?

Eu soltei um riso sem humor.

- É nítido.

Silêncio.

Ela desviou o olhar.

E foi aí que a ficha caiu de verdade.

Aquilo não era só uma discussão.

Era algo maior.

Muito maior.

Meu maxilar travou novamente.

- Quem fez isso com você?

Ela demorou a responder.

Respirou fundo.

E quando falou...

A voz saiu amarga.

Quebrada.

- Você não acreditaria.

Meu estômago revirou.

Mas eu já sabia.

Eu conhecia meu filho.

Conhecia as falhas dele.

Mas queria estar errado.

Por uma vez.

- Enzo? - falei o nome devagar, controlando a raiva que começava a crescer dentro de mim. - Foi aquele infeliz? O que ele fez?

Ela soltou uma risada fraca.

Sem humor.

Sem vida.

- Me traiu.

As palavras vieram secas.

Diretas.

Sem rodeio.

Eu fechei os olhos por um segundo.

Mas ela continuou.

- Com a secretária. - pausou. - E me expulsou do apartamento que eu paguei.

Silêncio.

Total.

Absoluto.

E então...

A raiva veio.

Forte.

Violenta.

Crua.

Minhas mãos apertaram o volante com força.

- Eu não posso acreditar numa putaria dessa... - minha voz saiu baixa, mas carregada de ódio. - Esse não é o homem que eu criei.

Mas talvez fosse.

Talvez eu tivesse ignorado sinais.

Talvez eu também tivesse fechado os olhos.

Droga.

- Mas ele vai me pagar. - continuei, olhando pra frente. - Ele vai aprender.

- Não precisa, Adrian. - ela cortou rápido. - Pelo amor de Deus.

Eu virei o rosto pra ela.

- Você está defendendo ele?

- Não. - ela respondeu firme. - Eu só... não quero mais confusão. Eu vou pra um hotel.

- Nem pensar.

A resposta saiu automática.

Sem filtro.

Sem espaço.

- Você vai pra minha casa.

Ela me encarou.

- Não precisa. Eu tenho meus pais.

- Seus pais estão em outro estado, Letícia. - falei com calma, mas firme. - E sua vida está aqui.

Ela desviou o olhar.

Insegura.

Vulnerável.

- Eu não quero incomodar.

Eu soltei um suspiro.

Inclinei levemente o corpo na direção dela.

Mais perto.

Perto demais.

- Não é incômodo nenhum.

Ela levantou o olhar.

E, por um segundo...

A gente ficou assim.

Próximos.

Demais.

O ar dentro do carro parecia mais pesado.

Mais quente.

Minha atenção caiu nos lábios dela.

Ainda levemente entreabertos.

Respiração irregular.

Droga.

- Felizmente... - comecei, mantendo o olhar preso ao dela. - ...você não é mais minha nora.

O silêncio caiu.

Pesado.

Carregado de algo que nenhum dos dois nomeou.

Mas estava ali.

Claro.

Presente.

Ela engoliu seco.

- Felizmente?

A pergunta veio baixa.

Mas cheia de significado.

Eu sustentei o olhar dela.

Sem recuar.

Sem desviar.

- Sim. - respondi, com a voz mais grave do que o normal.

Porque a verdade era simples.

Perigosa.

E eu já estava começando a perceber.

Letícia nunca foi só a namorada do meu filho.

E, naquele momento...

Ela definitivamente deixou de ser só isso.

E isso...

Isso era um problema.

Um grande problema.

Mas, estranhamente...

Eu não estava com vontade nenhuma de fugir disso.

Soltei o cinto.

Inclinei ainda mais o corpo.

Parei a poucos centímetros dela.

- Você vem comigo. - falei baixo, firme. - E dessa vez... não é um pedido.

Os olhos dela vacilaram.

A respiração falhou.

E, por um segundo...

Eu tive a impressão de que ela não ia dizer não.

{...}

Capítulo 3 02

ADRIAN CORTEZ

Estar tão perto dela estava acabando comigo.

Era simples assim.

Cruel.

Perigoso.

Insuportavelmente tentador.

O cheiro dela misturado com chuva invadia o carro inteiro, me deixando inquieto de uma forma que eu odiava admitir. Letícia estava encolhida no banco do passageiro, abraçando o próprio corpo enquanto tremia de frio, e mesmo daquele jeito - destruída, molhada, vulnerável - ela continuava absurdamente linda.

Talvez linda demais.

E isso era um problema.

Um maldito problema.

Porque eu conhecia aquele sentimento.

Conhecia há anos.

Desde o dia em que Enzo apareceu em casa dizendo que tinha conhecido alguém na faculdade.

Desde o primeiro jantar.

Desde o instante em que ela sorriu pra mim e estendeu a mão delicada enquanto dizia:

"Prazer, senhor Cortez."

Foi ali.

Naquele maldito instante.

Eu soube que estava fodido.

E passar todos esses anos fingindo normalidade foi uma tortura silenciosa.

Assistir ela ao lado do meu filho.

Ouvir ela rir com ele.

Ver os dois juntos em reuniões de família enquanto eu precisava me controlar pra não olhar tempo demais.

Pra não pensar demais.

Pra não desejar demais.

Porque desejar a noiva do meu filho era errado.

Doentio.

Imperdoável.

Mas eu desejava.

Desejava mais do que devia.

Muito mais.

E agora ela estava ali.

No meu carro.

Sem ele.

Vulnerável.

Machucada.

E aquilo despertava o pior em mim.

Ou talvez... o mais verdadeiro.

- Você me olhando desse jeito... parece que vai me devorar.

A voz dela me arrancou dos pensamentos.

Baixa.

Tensa.

Eu virei o rosto lentamente.

Ela ainda estava abraçada ao próprio corpo, os cabelos molhados grudando na pele, os lábios levemente arroxeados por causa do frio.

Mas eram os olhos dela que me prendiam.

Sempre os olhos.

Porque Letícia tinha aquele tipo de olhar perigoso.

Expressivo demais.

Honesto demais.

Ela sentia tudo intensamente.

E eu conseguia ver.

A dor.

A vergonha.

A insegurança.

E, no meio de tudo aquilo...

A tensão.

Ela também sentia.

Talvez não entendesse ainda.

Mas sentia.

Eu apoiei uma mão no volante.

Inclinei levemente o corpo na direção dela.

- Minha vontade era fazer outras coisas, Letícia. - falei devagar, sustentando seu olhar. - Não apenas te devorar.

O ar dentro do carro mudou.

Pesou.

Ela prendeu a respiração.

Eu vi.

Droga...

Aquela mulher tinha consciência do efeito que causava?

Porque eu estava perigosamente perto de perder o controle.

- Adrian...

Ela não terminou.

Porque um espirro interrompeu tudo.

- Atchim!

Eu fechei os olhos por um segundo e passei a mão pelo rosto.

Ótimo.

Perfeito.

- Droga! - rosnei baixo. - Meu filho inútil te fez pegar chuva desse jeito.

Ela tentou minimizar.

Claro que tentou.

- Não é pra tanto...

- Minha vontade é matar aquele moleque.

Ela soltou uma pequena risada sem humor.

Fraca.

Cansada.

E aquilo me irritou ainda mais.

Porque ela ainda tentava proteger o idiota que acabou de destruí-la.

Eu parei o carro na garagem da minha casa e saí imediatamente, caminhando até o lado dela antes mesmo que pudesse protestar.

Quando abri a porta, ela tentou descer sozinha.

Mas quase caiu.

Eu segurei sua cintura por reflexo.

Firme.

E o contato...

Merda.

O corpo dela estremeceu sob minhas mãos.

O meu também reagiu.

Silenciosamente.

Perigosamente.

Ela levantou o rosto devagar.

Próxima demais.

Bonita demais.

Os lábios entreabertos.

A respiração falhando.

Por um segundo inteiro...

Eu pensei em beijá-la.

Ali mesmo.

Na garagem.

Sem pensar nas consequências.

Sem pensar em Enzo.

Sem pensar em nada.

Mas então ela voltou a tremer de frio.

E a realidade voltou junto.

Sem dizer nada, passei um braço por trás das pernas dela e a peguei no colo.

Leve.

Quente mesmo molhada.

Perfeita demais encaixada em mim.

- Adrian! - ela protestou imediatamente, segurando meu ombro. - Não precisa disso!

- Fica quieta, Letícia. - comecei a andar em direção à entrada da casa. - Estou tentando me concentrar pra não ir agora mesmo quebrar a cara daquele moleque.

Ela soltou um suspiro frustrado.

Mas não tentou descer novamente.

E isso...

Isso mexeu comigo mais do que deveria.

O silêncio entre nós ficou estranho.

Intenso.

Eu conseguia sentir a respiração dela contra meu pescoço.

Conseguia sentir o perfume suave misturado à chuva.

Conseguia sentir tudo.

Cada detalhe.

Cada maldito detalhe.

Entrei em casa rapidamente.

Aquecimento ligado.

Luzes baixas.

Silêncio absoluto.

Apenas nós dois.

E aquilo parecia perigosamente íntimo.

Subi as escadas sem dificuldade, caminhando diretamente para meu quarto.

Porque o banheiro da suíte era maior.

Mais quente.

Melhor pra ela.

Quando entrei, coloquei Letícia cuidadosamente no chão.

Ela parecia um pouco zonza.

Exausta.

Eu imediatamente liguei a banheira, ajustando a temperatura morna da água.

Depois liguei o aquecedor do banheiro.

Só então voltei a olhar pra ela.

E me arrependi no mesmo instante.

Porque a roupa molhada estava praticamente transparente.

Marcando cada curva do corpo dela.

Cada detalhe.

Cada tentação.

Meu maxilar travou.

- Tome um banho quente. - minha voz saiu mais rouca do que o normal. - Senão você vai adoecer.

Ela abriu a boca pra responder.

Mas o corpo vacilou antes.

- Eu...

E então ela desabou.

Droga.

Eu a segurei antes que atingisse o chão, trazendo o corpo imediatamente contra o meu.

Ela estava gelada.

Tremendo.

Fraca.

A preocupação apagou qualquer outro pensamento da minha mente.

- Minha vontade de matar aquele inútil só aumenta. - rosnei.

Levei ela até a pia e a sentei cuidadosamente sobre o balcão.

Ela respirava rápido.

Os olhos meio perdidos.

E eu sabia.

Se ela continuasse naquela roupa molhada, acabaria doente.

Talvez pior.

Então fiz a única coisa possível.

Comecei a abrir os botões da blusa dela.

Devagar.

Controlado.

Tentando ignorar o caos dentro de mim.

Mas quando a peça deslizou pelos ombros dela...

Letícia segurou meus pulsos imediatamente.

- Adrian!

A vergonha tomou conta do rosto dela no mesmo instante.

As bochechas ficaram rosadas.

Ela tentou cobrir os seios com as mãos, claramente desconcertada.

E Deus...

Aquilo me destruiu.

Porque ela era linda até envergonhada.

Principalmente envergonhada.

Eu respirei fundo.

Precisava manter o controle.

Precisava.

- Não se preocupe, Letícia. - falei baixo, sustentando seu olhar. - Eu não vou tocar em você se não quiser.

Ela continuou me olhando.

Desconfiada.

Confusa.

Então completei:

- Por mais que isso seja tudo que eu queira.

O silêncio caiu entre nós imediatamente.

Pesado.

Quente.

Ela arregalou os olhos.

A respiração falhou.

E eu sabia que tinha ido longe demais.

Mas já era tarde.

Porque era verdade.

Crua.

Feia.

Perigosa.

Mas verdade.

Eu queria ela.

Há anos.

E esconder aquilo estava começando a ficar impossível.

Desviei o olhar antes que acabasse fazendo alguma loucura.

Terminei de tirar cuidadosamente a roupa molhada dela sem ultrapassar nenhum limite.

Sem tocar mais do que o necessário.

Mesmo que meu corpo inteiro implorasse pelo contrário.

Então a peguei no colo novamente.

Nua.

Quente agora por causa da proximidade.

E a levei até a banheira.

Quando a coloquei dentro da água morna, ela soltou um suspiro involuntário de alívio.

Eu observei por um segundo.

A água cobrindo parcialmente o corpo dela.

Os cabelos molhados.

Os olhos ainda presos em mim.

E senti algo perigoso crescer dentro do peito.

Algo que já estava fora de controle.

Eu precisava sair dali.

Agora.

Antes que esquecesse quem ela era.

Ou pior...

Quem eu era.

Então me virei lentamente em direção à porta.

- Quando terminar... me chama. - falei sem olhar diretamente pra ela. - Eu venho te ajudar.

E saí.

Porque ficar naquele banheiro por mais um minuto seria a pior decisão da minha vida.

Desci as escadas tentando controlar a própria respiração.

Mas não adiantava.

A imagem dela continuava na minha cabeça.

A pele.

Os olhos.

A voz.

Droga.

Passei a mão no rosto e fui direto pra cozinha.

Precisava ocupar a mente.

Precisava fazer qualquer coisa.

Abri os armários, peguei os ingredientes e comecei a preparar uma sopa quente pra ela.

Mas até ali...

Até cortando legumes...

Eu ainda conseguia sentir o toque do corpo dela nos meus braços.

E isso era um problema.

Um grande problema.

Porque, pela primeira vez em anos...

Eu não tinha certeza se ainda queria resistir.

{...}

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