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Prometida a Um, Entregue a Outro

Prometida a Um, Entregue a Outro

Autor:: Brunaschaves
Gênero: Romance
Desde muito jovem, Elara Montclair acreditava que seu coração tinha dono: Noah Vireaux, o mais novo e indomável herdeiro da família mais poderosa de Valenor, um país pequeno, luxuoso e praticamente intocável, escondido entre montanhas e segredos. Noah era tudo o que Elara sonhava viver um dia: livre, intenso, imprudente... e inalcançável. Até a noite em que, escondida atrás de uma porta, ela escuta suas palavras cortarem mais fundo do que qualquer rejeição: para ele, Elara nunca passou de uma distração conveniente. Com o coração em ruínas, ela jamais imaginaria que sua dor abriria caminho para algo ainda maior. Edric Vireaux, o patriarca da família, lhe faz uma proposta impensável: ao completar dezoito anos, Elara poderá se casar com qualquer um de seus seis filhos. Todos esperam que ela escolha Noah. Ela não escolhe. Diante do espanto da elite de Valenor, Elara diz "sim" a Lucien Vireaux, o primogênito. Frio. Reservado. CEO da maior corporação do país. Um homem moldado pelo controle, pelo dever e por um silêncio que afasta qualquer tentativa de aproximação. Lucien parece feito de gelo... até que Elara descobre que, por trás da frieza, existe um homem capaz de proteger, cuidar e amar com uma intensidade que ela nunca imaginou merecer. E se o homem errado nunca foi o erro? E se o amor verdadeiro não precisa ser escolhido... apenas reconhecido?

Capítulo 1 Prometida a Um, Entregue a Outro

Elara Montclair aprendeu cedo que existiam silêncios que falavam mais do que qualquer palavra. O da família Vireaux era assim. Denso. Elegante. Carregado de segredos que nunca eram ditos em voz alta.

A mansão Vireaux se erguia no alto das colinas de Valenor como uma promessa inalcançável. Pedra clara, janelas altas, jardins perfeitamente desenhados. Tudo ali parecia eterno, imutável. Assim como a família que a habitava.

Elara cresceu naquele lugar sem jamais realmente pertencer a ele.

Filha de uma amiga distante da falecida senhora Vireaux, ela fora acolhida ainda criança, quando perdera os pais em um acidente que ninguém mais comentava. Recebera educação, conforto, proteção. Mas não um sobrenome. Não um lugar definitivo.

Ainda assim, seu coração nunca soube disso.

Desde que se lembrava, seus olhos procuravam por Noah Vireaux.

O sexto filho. O mais novo. O mais imprudente. O único que sorria sem cálculo.

Noah nunca foi como os irmãos. Enquanto os outros carregavam nos ombros o peso do nome Vireaux, ele parecia existir à margem de tudo. Ria alto, desaparecia por dias, quebrava regras que ninguém mais ousava tocar. E quando voltava, trazia nos olhos aquele brilho que sempre fazia o peito de Elara apertar.

Ela o amava em silêncio.

Um amor que nunca foi declarado, mas que cresceu nos detalhes. No jeito como ela reconhecia seus passos no corredor. No modo como seu corpo reagia quando ele se aproximava demais. Na esperança infantil de que, um dia, ele a enxergaria não como a garota que cresceu na casa... mas como mulher.

Naquela noite, a mansão estava cheia.

Um jantar formal reunia investidores, aliados políticos e membros da alta sociedade de Valenor. Elara usava um vestido azul-claro que havia escolhido com cuidado, na esperança tola de que Noah notasse. Seus cabelos estavam presos de forma simples. Nada chamativo demais. Ela nunca quis parecer alguém que não era.

O salão principal estava iluminado por lustres antigos, e as conversas se misturavam ao som suave de um quarteto de cordas. Elara caminhava com uma bandeja nas mãos quando ouviu risadas vindas da biblioteca.

A voz de Noah.

Seu coração reagiu antes mesmo que sua mente pudesse impedir.

Ela se aproximou devagar, sem intenção de ouvir. Pelo menos foi isso que disse a si mesma. A porta estava entreaberta. Lá dentro, Noah conversava com dois homens mais velhos, amigos da família.

- Você sabe que seu pai já pensa em casamento - disse um deles, em tom provocador. - Uma aliança estratégica cairia bem.

Noah riu. Um riso leve. Despreocupado.

- Casamento não é para mim - respondeu. - Muito menos agora.

- E aquela garota? A Elara. Vive grudada em você desde criança - comentou o outro, com um sorriso malicioso. - Bonita. Discreta. Poderia ser uma boa escolha.

O nome dela no meio daquela frase fez o mundo parecer inclinar.

Elara parou.

Do outro lado da porta, Noah suspirou, impaciente.

- Elara? - repetiu, como se a ideia fosse absurda. - Não levem isso a sério. Ela é só... confortável. Uma distração. Sempre esteve ali. Nada além disso.

As palavras caíram como vidro quebrado.

- Então nunca pensou nela como algo mais? - insistiu o homem.

- Nunca - respondeu Noah, sem hesitar. - Ela nunca passaria de uma diversão passageira.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Elara sentiu o corpo inteiro travar. O ar parecia ter sido arrancado de seus pulmões. Por um instante, pensou que fosse desmaiar ali mesmo, com a bandeja escorregando de suas mãos, denunciando sua presença.

Mas não caiu.

Não chorou.

Não fez barulho algum.

Ela simplesmente se afastou.

Caminhou pelo corredor como se cada passo não estivesse rasgando algo dentro dela. Entrou no jardim lateral e deixou que o ar frio da noite tocasse seu rosto. Só então as lágrimas vieram. Silenciosas. Quentes. Incontroláveis.

Tudo o que ela acreditou, tudo o que alimentou em silêncio durante anos, foi reduzido a uma frase cruel dita com naturalidade.

Distração.

Diversão passageira.

Ela apertou os braços contra o próprio corpo, tentando se manter de pé. Naquele instante, algo dentro dela mudou. Um ponto sem retorno foi atravessado.

- Elara.

A voz masculina soou atrás dela.

Ela se virou assustada, limpando o rosto rapidamente. Não era Noah.

Era Lucien Vireaux.

O filho mais velho.

O homem que poucos ousavam encarar diretamente.

Lucien estava impecável em seu terno escuro. Alto, imponente, expressão neutra. Os olhos cinzentos a observavam com atenção silenciosa, como se ele enxergasse mais do que ela queria mostrar.

- Você está bem? - perguntou, em tom baixo.

Elara assentiu rápido demais.

- Estou. Só precisava de ar.

Lucien a estudou por mais um segundo. Não disse nada. Não fez perguntas. Apenas tirou o paletó e colocou sobre os ombros dela com um gesto firme, inesperadamente cuidadoso.

- Está frio - disse. - Volte para dentro quando se sentir pronta.

E então se afastou.

Elara ficou ali, imóvel, sentindo o peso do tecido masculino sobre si. O perfume discreto. A presença que permanecia mesmo depois que ele se fora.

Naquela noite, ela entendeu duas coisas.

A primeira: o homem que ela sempre amou nunca a escolheria.

A segunda: às vezes, o silêncio mais seguro vinha de quem menos falava.

Capítulo 2 A PROPOSTA

Elara passou a noite em claro.

O quarto que ocupava desde a adolescência parecia menor, sufocante. As paredes claras, os móveis delicados, tudo ali carregava lembranças demais. Cada canto tinha um pedaço da menina que acreditou em promessas que nunca foram feitas.

Ela não chorava mais. As lágrimas haviam secado em algum ponto da madrugada, substituídas por um vazio estranho, quase anestésico. O que doía não era apenas o que Noah dissera, mas a naturalidade cruel com que ele a descartara. Como se ela nunca tivesse sido nada além de um hábito confortável.

Ao amanhecer, Elara se levantou, lavou o rosto e se olhou no espelho.

Reconheceu ali uma mulher que precisava reaprender a existir.

Vestiu-se com simplicidade e desceu para o café da manhã. A mansão estava silenciosa demais para um lugar que abrigava tantos segredos. Alguns empregados circulavam discretos, como sombras treinadas para não ouvir nem ver demais.

Ela estava prestes a se servir quando ouviu a voz firme que fez seus ombros enrijecerem.

- Elara.

Edric Vireaux estava sentado à cabeceira da mesa principal.

O patriarca da família raramente aparecia fora de reuniões formais ou eventos estratégicos. Alto, cabelos grisalhos perfeitamente alinhados, olhar calculado. Um homem acostumado a decidir destinos com poucas palavras.

- Bom dia, senhor - respondeu ela, educada.

- Sente-se - pediu, sem levantar a voz.

Ela obedeceu.

Edric a observou por alguns segundos. Seus olhos não eram frios, mas eram afiados. Nada escapava àquele homem.

- Você parece cansada - comentou.

- Foi uma noite difícil.

Ele assentiu lentamente, como se já soubesse.

- Imagino.

O silêncio se instalou entre eles. Não era constrangedor, mas pesado. Elara sentiu o estômago apertar. Tinha a estranha sensação de estar sendo avaliada, medida, colocada em uma balança invisível.

- Elara - começou Edric -, você cresceu nesta casa. Sempre foi tratada com respeito. Sempre honrou o nome que carrega, mesmo não sendo um Vireaux.

Ela engoliu em seco.

- Sou grata por tudo - respondeu, sincera.

- Eu sei. E justamente por isso, não posso fingir que não vejo o que acontece diante dos meus olhos.

Elara ergueu o olhar.

- O que o senhor quer dizer?

Edric apoiou as mãos sobre a mesa.

- Me refiro a Noah.

O nome dele ainda doía como uma ferida aberta.

- Não é necessário - disse ela, rapidamente. - O que quer que tenha acontecido... eu lido com isso.

- Não duvido - respondeu Edric. - Mas decisões tomadas por impulso nem sempre são as mais sábias. E Noah... - fez uma pausa breve - nunca foi cuidadoso com aquilo que não teme perder.

Elara permaneceu em silêncio.

- Você não pertence à margem desta família - continuou ele. - Nunca pertenceu. Apenas nunca percebeu isso.

Ela franziu a testa.

- Senhor, eu não entendo.

Edric se levantou. Caminhou até a janela, observando os jardins ainda cobertos pelo orvalho da manhã.

- Quando minha esposa morreu, prometi a mim mesmo que não permitiria que injustiças silenciosas se perpetuassem dentro desta casa. Você cresceu aqui. Foi moldada por este ambiente. Carrega o peso e a elegância do nome Vireaux mais do que alguns que nasceram com ele.

Ele se virou para ela.

- Por isso, farei algo que ninguém espera.

O coração de Elara começou a bater mais rápido.

- Quando completar dezoito anos - disse Edric, com firmeza -, você terá o direito de escolher com qual dos meus seis filhos deseja se casar.

O mundo pareceu parar.

- O quê? - sussurrou ela, incrédula.

- Não é uma brincadeira - afirmou ele. - Será um casamento legítimo, público, com todos os direitos que isso implica. Você deixará de ser apenas a jovem acolhida pela família. Tornar-se-á uma Vireaux.

Elara sentiu o chão desaparecer sob seus pés.

- Eu... eu não posso - balbuciou. - Isso é... é impossível.

- Nada que envolve poder e estratégia é impossível - respondeu Edric. - E este casamento será tanto uma escolha sua quanto uma aliança que beneficiará a família.

Ela se levantou, nervosa.

- Todos esperariam que eu escolhesse Noah.

- Exatamente - disse Edric, com um leve arquejar de sobrancelha. - E é por isso que essa escolha precisa ser sua, não deles.

Elara respirava rápido demais.

- O senhor está me pedindo para decidir o meu futuro dessa forma?

- Estou lhe oferecendo algo que poucas mulheres teriam coragem de recusar - respondeu ele. - Um lugar definitivo. Uma voz. Um destino.

Ela fechou os olhos por um instante.

Noah.

As palavras dele ecoaram com crueldade.

Diversão passageira.

Quando voltou a abrir os olhos, algo havia se endurecido dentro dela.

- Eu não darei uma resposta agora - disse, com firmeza contida. - Preciso pensar.

Edric assentiu.

- Claro. O tempo é seu. Mas saiba de uma coisa, Elara: esta proposta não é apenas sobre casamento. É sobre quem você decide ser a partir de agora.

Ela saiu da sala sentindo o corpo trêmulo.

No corredor, vozes vinham da escada principal. Risadas masculinas. Noah descia acompanhado de dois irmãos, despreocupado, bonito, intacto. Ele a viu. Sorriu.

- Bom dia, Elara.

Ela o encarou por um segundo que pareceu longo demais.

- Bom dia - respondeu, fria.

Passou por ele sem diminuir o passo.

Noah franziu a testa, confuso.

Do outro lado do salão, Lucien observava tudo em silêncio.

Seus olhos encontraram os dela por um breve instante. Não havia curiosidade ali. Havia atenção. Como se ele soubesse que algo havia sido colocado em movimento.

Elara subiu as escadas com o coração em guerra.

Ela ainda não sabia qual seria sua escolha.

Mas tinha certeza de uma coisa.

Nunca mais seria apenas uma distração.

Capítulo 3 SILÊNCIOS QUE OBSERVAM

Os dias seguintes passaram como se Elara estivesse vivendo dentro de uma casa que não reconhecia mais. A mansão Vireaux continuava imponente, organizada, perfeita. Mas agora ela via rachaduras onde antes enxergava segurança.

Ela mudou sem anunciar.

Não foi algo visível de imediato. Não houve confronto, nem lágrimas públicas. Apenas uma distância nova, firme, que se instalou em seus gestos. Elara passou a acordar mais cedo, a ocupar menos espaço, a falar apenas o necessário. Observava mais do que respondia.

E isso incomodou.

Noah percebeu primeiro.

Ele tentou falar com ela no corredor, no jardim, durante o café. Sempre recebia respostas educadas, breves, quase formais. Nada do sorriso fácil. Nada do olhar que o seguia.

- Você está estranha - disse ele, certa tarde, enquanto caminhavam pelo jardim interno.

Elara parou.

- Estranha não - respondeu. - Apenas cansada de ser previsível.

Noah franziu a testa.

- Eu fiz alguma coisa?

Ela o encarou por um segundo longo demais.

- Fez - disse. - Mas não se preocupe. Já passou.

E seguiu em frente, deixando-o parado, confuso, com uma sensação incômoda que ele não sabia nomear.

Lucien, por outro lado, não perguntava.

Ele observava.

Do escritório envidraçado no segundo andar, via Elara atravessar os jardins com passos firmes, postura ereta, como alguém que havia decidido não se curvar mais. Havia algo novo nela. Algo que despertava sua atenção de forma silenciosa, quase perigosa.

Lucien sempre fora um homem de controle.

Controlava horários, decisões, emoções. Não permitia excessos. Não criava vínculos desnecessários. Sua vida era organizada como as planilhas que revisava diariamente. Previsível. Impecável.

Elara não fazia parte de seus cálculos.

Ou pelo menos não fazia.

Até aquela tarde.

Ela fora chamada ao escritório do patriarca novamente. Edric desejava esclarecer detalhes da proposta. Elara entrou com passos firmes, o que não passou despercebido.

Lucien estava lá.

Sentado à mesa lateral, revisando documentos. Ao erguer os olhos, encontrou os dela. Não houve sorriso. Apenas um reconhecimento silencioso.

- Sente-se, Elara - disse Edric. - Precisamos falar sobre prazos.

Ela obedeceu, tentando ignorar a presença de Lucien, mas sentia o olhar dele como um peso constante, atento, quase protetor.

- A escolha não será anunciada imediatamente - explicou Edric. - Quero que tenha tempo para amadurecer sua decisão. Mas saiba que todos saberão, em breve, que você tem esse direito.

Elara assentiu.

- Entendo.

- Os rumores já começaram - continuou ele. - E isso traz consequências. Você passará a ser observada. Avaliada.

Lucien fechou a pasta que tinha em mãos.

- Não permitirão que ela seja tratada como moeda de especulação - disse, com voz baixa, firme.

Edric ergueu uma sobrancelha.

- Está se oferecendo como guardião agora, Lucien?

- Estou afirmando um limite - respondeu ele. - Elara sempre foi respeitada nesta casa. Isso não muda.

Ela sentiu o coração bater mais rápido.

Não pelo tom possessivo. Mas pela naturalidade com que ele se posicionara.

Edric observou os dois por um instante e assentiu.

- Muito bem. Pode ir, Elara.

Ela se levantou.

- Obrigada, senhor.

Ao sair, sentiu passos atrás de si.

- Elara.

Ela se virou. Lucien estava parado a poucos metros, as mãos nos bolsos, o olhar sério.

- Precisa de algo? - perguntou ela.

- Apenas... um conselho - disse ele. - Não se deixe pressionar por expectativas alheias. A escolha é sua. E deve servir a você antes de qualquer outro.

Ela respirou fundo.

- O senhor não acha estranho me aconselhar sobre isso?

Lucien inclinou levemente a cabeça.

- Acho necessário.

Houve um silêncio breve. Denso.

- Obrigada - disse ela, por fim.

- Disponha.

Ele a observou se afastar, sentindo algo raro se formar em seu peito. Não era desejo. Não ainda. Era respeito. Interesse. Cuidado.

Naquela noite, Elara permaneceu acordada, sentada à beira da cama.

Pensou em Noah. Na leveza que sempre a atraíra. No riso fácil. Na imprudência.

Pensou em Lucien. No silêncio firme. Na presença constante. No modo como ele parecia enxergar além do que ela mostrava.

Ela ainda não sabia qual seria sua escolha.

Mas considerava que talvez o amor não fosse barulho.

Talvez fosse permanência.

E, em algum ponto da mansão, Lucien também não dormia.

Porque, sem perceber, aquela escolha que não era sua começava a importar demais.

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