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Prometida ao Duque "Lordes Apaixonados - 2"

Prometida ao Duque "Lordes Apaixonados - 2"

Autor:: Lady Darkness
Gênero: Romance
Existem muitos vícios que os homens ficam dependentes, alguns são bons outros nem tantos. Para o duque Maximiliano Giuseppe Cavalieri seu vício era o jogo de cartas, mas ele era um exímio jogador e não perdia uma partida. Herdou o título de seu pai que era sobrinho do rei, o mesmo vivia cobrando que se casasse e desse netos, pois não viveria para sempre. No fundo desejava que seu filho fosse responsável e ele queria curtir a vida e a solteirice. Um jogo de azar, rendeu uma dívida alta de um dos seus "amigos" que não sabia parar de jogar, ele não possuía nada de valor para cobrir a dividida além da mais bela filha de toda a Itália. Um acordo foi proposto em troca do perdão da dívida, um belo acordo pois, assim o pai sairia de seu pé e de quebra teria uma mulher para esquentar suas noites e dar os netos que tanto seu pai queria. Só esqueceram de perguntar se ela queria se casar! Venha descobrir em "Prometida ao Duque!"

Capítulo 1 Prólogo

GRÉCIA, 1665

N

a metade do século XVII, na Itália, paixão, vícios, vingança e desejo se transformam no fio condutor deste romance.

Era o início de uma noite agitada para o duque, um amante da liberdade noturna, pois poderia ter qualquer mulher a seu bel prazer por algumas moedas de ouro.

Costumava frequentar clubes para cavalheiros com seus amigos, apreciar as belas moças e jogar cartas, o que era motivo das constantes discussões com seu pai; ultimatos para abandonar a libertinagem e contrair matrimônio com uma moça decente e de título, a todo custo.

Precisava se distrair, mas essa noite não foi nada comum. Nessa noite, ele ganhou muitas moedas de ouro do Conde Rovere, o que Max não sabia era que o conde estava à beira da falência. O patife fugiu na calada da noite para não pagar a dívida, mas o duque jamais permitia que o enganassem ou traíssem.

Na manhã seguinte, foi visitar o seu devedor e constatou que o filho se recusou a ajudá-lo, preferiam o nome da família na lama a ajudar novamente no vício do pai; uma atitude um tanto nobre se for contemplada como uma busca por aprendizado.

O conde, então, ofereceu algo mais valioso do que ouro e prata: um casamento com sua amada e belíssima filha. Max, após muito refletir e ter conselhos do seu sábio pai, resolveu aceitar a moça como pagamento de sua dívida, um tanto a contragosto, devemos ressaltar, pois acima de tudo e somente para alegrar seu pai, aquele casamento iria tirá-lo de seu pé.

Mas não seria nada fácil, ele via este casamento como uma espécie de prisão e resolveu tornar a vida da moça um inferno e, claro, que ela, de bom grado, aqueceria suas noites frias. O conde pediu um prazo de um mês para trazer a filha da corte e o acordo foi selado. Max voltaria para buscar o que era seu por direito.

Ao voltar para reivindicar sua noiva, foi recebido por lady Isabelle, sua futura esposa, que nada tinha da moça inocente, culta e gentil que seu pai prometera, pelo contrário, era uma mulher de temperamento e personalidade fortes, de considerável coragem, que não tinha medo de falar o que pensava e defender o que acreditava.

No entanto, era extremamente teimosa e, ao conhecer Max, expeliu seu ódio e desdém por seu futuro marido e o casamento proposto, recusando-se a aceitá-lo ao proferir que preferia a morte a um casamento por contrato.

Mas as mulheres daquela época não tinham opinião, opção de recusa, muito menos voz. Ela se viu perdida entre a obrigação, em que a ruína da sua família era eminente e o dever em restaurar a família e tirar o nome dela da lama e, consequentemente, perder sua liberdade.

Então, o duque resolveu barganhar com o que ela mais desejava, esquecendo que em uma partida de xadrez são dois que jogam.

Uma doce batalha que ambos estão dispostos a vencer, é como as melhores jogadas, vence aquele que souber melhor aproveitar as oportunidades.

Será o vício capaz de destruir o amor ou será o amor capaz de vencer a indiferença?

Capítulo 2 1

MAXIMILIANO

Ganhei o título de duque devido ao parentesco do meu pai com o rei, todo título é doado ou herdado e com ele vem grandes fortunas, terras e, claro, cobranças familiares. Meu pai me cobra nos últimos anos um bom casamento e netos, isso chega a ser deveras irritante, tendo em vista que cuido do negócio da família há anos e não vejo a necessidade de uma esposa.

Mamãe é a típica mulher obediente ao marido que nunca elevou o tom de voz para defender o filho e sempre apoia o marido em tudo. Ela se casou nova demais e os dois se amavam. Tiveram dois filhos, minha irmã Giulia e eu, que é perfeita, a menina dos olhos do nosso pai, para ela eram mimos de todas as formas e tudo que desejava conquistava através dele, mas era uma boa menina. Recentemente, ela conseguiu um lugar na Corte francesa da rainha Henriqueta e isso é benéfico, caso um nobre venha a querer desposá-la.

Nossa última discussão foi extrema e suas ameaças pareceram reais demais, um ultimato foi feito e um prazo de um ano para arrumar uma esposa foi dado ou cortaria minha mesada quinzenal. O casamento tem um conceito diferente para muitos casais, não é uma união por amor, mas sim uma transação de herdeiros e política, ou até mesmo acordos entre duas famílias rivais tentando trazer paz aos reinos.

Gritamos um com o outro e saí muito irritado. Precisava relaxar e, de algum modo, jogar cartas e ter uma bela dama em minha cama seria o suficiente para me deixar calmo.

Ando pelas ruas em direção à "Casa da Madame Louise", um lugar onde os cavalheiros podem participar de mesas com jogo de cartas e aproveitar dos quartos, já que há belíssimas moças que oferecem bebidas e prazer.

Como sei que muitas moças dormem com vários homens, peço um mimo à dona da casa e ela me cede a inexperiente e doce Eloise. Ela chegou na casa após um escândalo em sua reputação, muito embora a culpa tenha sido do patife do tio que tirou sua pureza e ainda a culpou. No começo, apenas conversávamos, mas depois virou carnal, nunca sentimental muito menos amoroso, sempre deixamos claro um ao outro que é apenas prazer e nada mais, nisso ganhei a exclusividade.

Entro na casa após passar pelo segurança e apresentar as moedas, logo Eloise me recebe e vamos para as mesas de jogos, preciso ganhar algo esta noite, mas se não ganhar, ao menos a cama ficará bem quente.

Sento-me em uma mesa com alguns nobres e noto entre eles uma figura em particular, o conde Lorenzo Rovere, conhecido por seu vício em jogos e, claro, jogar alto, mas quem o sustenta são seus filhos, pois ele delapidou o patrimônio familiar. Sei que tem uma filha da mesma idade que minha irmã e se não me falha a memória, ela também está na Corte da rainha Henriqueta.

Após algumas partidas, já ganhei uma boa soma em ouro e o conde não se dá por vencido, mesmo já tendo perdido uma boa quantia.

- Uma última rodada, senhor!

- Acho que já ganhei demais por uma noite, deixemos para o próximo sábado! - argumento, tentando tirar esta ideia da sua mente.

- Vamos jogar uma última rodada e depois vou para casa - insiste e pelo rumo da conversa, se não for para mim, será para outro e há certos homens com caráter um tanto quanto duvidoso.

- Última rodada, senhor, e depois irá para casa!

O crupiê distribui em igual o número de cartas a cada jogador, enquanto Eloise busca vinho para nós. O jogo é composto de 25 cartas com cinco naipes, cada naipe é composto por figuras e nosso objetivo é pegar as cartas e obter o melhor jogo, somos cinco jogadores.

Quando pego as minhas cartas, constato um bom jogo, um ás, um Shah (Rei), um Bibi (Rainha) e dois Serbaz (Soldado), agora é a hora da barganha, em que mostraremos uma carta a cada rodada, valendo uma soma em moedas de ouro e, no final, restarão os melhores.

A aposta começa baixa, mas o conde resolve aumentar para um preço altíssimo, dois saem e ficam três com apenas duas cartas em mãos. Eu sei que minha mão é perfeita e não importa a carta que o conde tenha, eu ganharei. Quando o outro jogador desiste, eu ainda possuo um ás na mão e esse é o meu trunfo. Ele aposta mais alto, compro a aposta e venço.

No fim da noite, ele perde cinco mil moedas de ouro.

O conde jura pagar ao amanhecer, afinal, nenhum homem carrega essa soma, por isso permito. Ele pega um papel e assina com os dizeres o valor que deve a mim. Subo a escada com a minha doce Eloise, ganho uma bela massagem com direito à sua boca massageando meu pau de uma forma saborosa e é como se estivesse em sua intimidade, algo que aprendi a apreciar.

Chego em casa com o dia quase amanhecendo, meu pai me aguarda no sofá, esperando para ralhar por minha irresponsabilidade, mas para minha surpresa ele descobriu a grande soma que ganhei do conde e mandou que esquentassem a tina e que me dessem um longo banho.

Acho a atitude um tanto suspeita, estou cansado demais para discutir por pouca coisa, por isso obedeço.

Tomo o banho e depois o valete me ajuda a escolher uma boa roupa, assim como alguns anéis que afirmam nosso berço.

Quando desço a escada, mamãe entrega um suco para meu pai e em seguida a mim.

- Sabe, meu filho, às vezes age como um tolo, mas às vezes age pela bondade e não enxerga o óbvio.

Bebo o suco de uma vez e ele pega seu chapéu.

- Irei lhe ensinar uma boa lição hoje... Vamos até o seu devedor.

- Sim, meu pai!

Sigo-o até a carruagem e partimos em direção à casa do conde. Ao chegarmos lá, os irmãos não acreditam na soma por seu pai perdida, mostro a promissória e, nada surpresos, são categóricos:

- Não daremos uma moeda de ouro para sustentar o vício dele... A dívida é dele e não nossa.

Eles estão certo.

- Chamem vosso pai, diga que vim cobrar a dívida dele e não de seus herdeiros!

Uma das criadas sobe para chamá-lo e retorna algum tempo depois com uma aparência nada amigável.

- Meu senhor, seu pai não está em seu aposento e nem suas roupas... Temo que ele tenha fugido na calada da noite.

Reviro os olhos encarando em seguida meu pai, que apenas me observa e tenho certeza de que em seu íntimo diz: "eu sabia".

- Eu tinha certeza, por isso, meu filho, avisei aos guardas que havia um fugitivo e ele em breve estará reunido conosco.

Papai já sabia de tudo, mas afirmar que fez algo, muito me preocupa.

- Agora, que tal nos oferecer um chá com biscoitos? - papai pede.

O rapaz mais velho, em resposta, pede para que sirvam algo para nós.

Se papai mandou os guardas irem atrás do patife que fugiu, me fazendo de bobo, é claro que haverá retaliação, e mesmo estando calmo, eu tenho consciência de que terei que fazer algo para cuidar desta situação.

Logo a criada, que mal havia saído, nos chama para comer, nos sentamos à mesa e somos bem tratados enquanto aguardamos o patife ser trazido.

Eles demoram, e quando estamos quase findando o café, batidas na porta anunciam que receberei algo pelo jogo de ontem. Enrico, o filho mais velho, abre a porta, e quando seu pai entra acompanhado pelos guardas, mostra sua vergonha com a situação.

- Fugir na calada da noite não é uma atitude de homem! - exclamo sem alterar o tom de voz e bom senso.

- Não tenho a quantia e meus filhos resolveram não pagar a dívida de seu velho pai!

Desta vez é o filho mais novo que toma a palavra.

- Dívida de jogo, pai? Isso é uma vergonha! - exclama demonstrando seu desgosto total.

- Como ousa falar assim comigo? - Ele tenta se erguer, mas é contido pelos guardas.

- Falo por ser verdade, tenho 18 anos e logo terei meu próprio canto, não dependerei do meu irmão e sua esposa para viver, tenho uma boa patente no exército francês, graças à nossa irmã.

Fico interessado, pois uma dama de companhia não tem esse poder para coerção e se ela o fez, deve ter caído nas graças de Sua Majestade.

- Depender da irmã para subir! - desdenha seu pai e me intrometo.

- Vergonha maior é jogar e não poder pagar, vim receber a quantia total ou irá para o calabouço real. - Mostro minha imponência e o poder do meu título.

O conde estremece.

- Não possuo bens, passei para os meus filhos em um momento sóbrio e nada possuo para pagar, a não ser...

Fico curioso com o que ele pode propor que valha tal soma em peso de ouro.

- A não ser o dinheiro?

Ele nega e olha para o meu pai.

Agora o negócio deve ser entre os patriarcas e não gosto disso.

- A não ser minha filha que mora na França e está nas graças de Sua Majestade, a rainha Henriqueta, e ela possui um bom dote...

- Um bom dote que conseguiu com seu próprio esforço e não ela não está à venda por tão baixo preço... Papai, quer ser motivo de vergonha para nossa irmã?

Olho, incrédulo.

Pelo jeito, ela não sabe de seu vício e isso não pode ser verdade.

- Sou o pai e decido o destino da sua irmã, além disso, ela será duquesa!

- Um título não deveria ser o valor da sua filha, muito menos por uma dívida de jogo! - exclama o irmão mais velho, que mesmo estando irritado, nada poderá fazer, a menos que eu me negue.

- Não disse que aceito! - exclamo e meu pai intervém.

- Mas irá! Se se casar em um ano e tiver um herdeiro, sua mãe e eu iremos para o castelo de verão, mas deverá ser um marido exemplar, como a moça merece.

Olho incrédulo, pois a proposta não é de todo ruim.

- Se não lhe conhecesse, diria que já tinha isso em mente, mas quero conhecer com quem irei me casar antes.

O pai pede que busquem algo e quando voltam, há uma pintura mediana que quando me entregam posso notar a beleza pintada na tela, ela é realmente belíssima e possui traços marcantes.

- Bom, minha irmã não irá aprovar!

- Ela deve apenas obediência ao seu pai e, depois ao seu marido, então, senhor Maximiliano, devo mandar um emissário buscar a condessa para se casarem?

Reflito um pouco e certamente isso me livrará das cobranças e brigas com meu pai, e valerá o sacrifício. Poderá aquecer minhas noites com uma moça inexperiente e ainda me vingar dela por seu pai ser um caloteiro.

- Pode chamá-la! - aceito e meu pai comemora. -E peço que não me engane, acredito que em dois meses a minha noiva estará pronta para se casar.

Capítulo 3 2

ISABELLE

Aprendemos no momento que pisamos no grande salão real que nada é o que parece e na Corte não basta apenas ser bela e ter um título, é preciso descobrir segredos, ser orgulhosa e corajosa na medida e na hora certa, ser forte e inteligente são as únicas coisas que nos fazem sobreviver nesse meio, mas acima de tudo, ser doce e gentil, sabendo jogar com a feminilidade se almeja um bom acordo comercial, digo, casamento.

A vida na Corte francesa é graciosa, aprendi a falar, me vestir, ser nobre e como me portar diante de todos. Também aprendi o valor do conhecimento e de como informação é poder, assim como as fofocas e intrigas que alimentam a Corte desde sempre. Com apenas 15 anos aprendi a viver e sobreviver à sombra deste jogo de poder da realeza sem, é claro, me ofuscar.

Há pouco mais de um mês, o rei da Espanha e irmão da rainha vem flertando comigo, algo raro diante de tantas opções que ele poderia ter em sua cama. Estou sendo firme em minhas escolhas, sensualidade e desejo podem ser jogados em um jogo perigoso e ambicioso, sem necessariamente entregar minha virgindade a ele que, como todo nobre de boa índole, sabe respeitar uma dama e ser paciente.

Em momentos as sós, podemos conversar sobre tudo, inclusive, seus presentes caros e regalias concedidas a todas que caem nas suas graças. Nossos lábios mal se tocaram e um arrepio sempre percorre meu corpo, mas sei que não é nada além de um grande desejo. Mamãe que veio comigo à corte, me alertou que devo prender ao máximo a atenção de um homem até ele se ajoelhar e me propor casamento.

Na Corte, todas as damas de companhia possuem aposentos pertos da rainha, mas são as mais leais e próximas que possuem o privilégio de ficar no mesmo quarto que ela. Durmo em uma cama confortável e bem quente, podemos cuidar de cada detalhe ali dentro, assim como de cada passo da rainha.

Embora não fale muito sobre, sei que mamãe fugiu de um péssimo casamento, no qual meu pai era viciado em jogatina e tal fato delapidou nosso patrimônio. Agora meu irmão mais velho cuida de tudo para que ele não jogue tudo fora e, embora eles não saibam que sei, mamãe sempre prezou pela clareza de tudo à nossa volta.

Estou prestes a me deitar na cama, quando o pajem anuncia sua entrada com as cartas do mês e, para a minha surpresa, há uma para mim do meu pai. Ele pede que retornasse para casa, pois se encontra muito doente e envia seu amor a mim com o pedido de um moribundo que está desacreditado.

Não sou próxima ao meu pai, ele foi muito ausente em toda a minha vida e quando vim para a Corte, ele não me escrevia, nem estimava seu amor ou nada do gênero.

Quem sabe, em seus momentos finais, deseja o cuidado de sua filha para ter uma morte tranquila?

- Boas notícias meninas? - a rainha pergunta à Kelly, à Bárbara e a mim, suas mais fiéis damas.

- Sim, Vossa Majestade, sua benevolência em conversar com o marquês surtiu efeito, fez a proposta para o meu pai e ele está pensando... - Bárbara dá pulinhos de alegria.

Um bom casamento é tudo o que importa, caso em algum momento eu me entregue ao rei e dê a ele um filho, terei tudo que desejar e o casamento que almejar, ainda mais se o rei em pessoa pedir.

- Fico feliz, minha menina, logo perderei uma das minhas damas mais leais... - diz a rainha.

Não me sinto triste pela notícia da doença do meu pai, sou eu uma pessoa ruim?

- Minhas irmãs gêmeas chegarão à Corte no próximo navio, Majestade, e logo elas serão tão leais como eu sou... Vou orientá-las bem, tendo em vista que logo papai irá mexer os pauzinhos e irá me arrumar um bom marido - diz Kelly, animada com a notícia.

- Perderei uma das meninas e ganharei duas, fico feliz por vocês, lady Isabelle parece perdida em seus pensamentos! - exclama a rainha de forma carinhosa e preocupada.

- Perdoe a distância, Majestade, recebi notícias da Grécia, meu pai se encontra acamado e estando desacreditado, pede meu retorno para os seus momentos finais... - falo pausadamente e noto as meninas me encarando com a expressão confusa pela minha calma. - Não tenho contato com ele há anos, nunca enviou uma carta perguntando como estava e agora em seu leito de morte, pede pela filha que nunca nem sequer se preocupou! - exclamo e a rainha me chama para sua cama.

Levanto-me e me sento ao seu lado.

- Minha pequena, este coração dói pela forma que seu pai a tratou, mas fica à sua escolha ir, tem minha bênção e espero seu retorno se assim o desejar!

Com os olhos marejados agradeço à rainha.

- Obrigada, Madame, irei pensar com carinho. - Respiro fundo. - Posso, amanhã cedo, visitar minha mãe? Sei que tem uma reunião com o rei, teremos um tempo livre e aproveito para trazer aqueles doces que tanto ama.

A rainha ri e me encara.

- Você me ganha pela sinceridade e doçura. - Ela acaricia meu rosto docemente. - Pode ir, sim, mas irá trazer os doces mesmo? - pergunta, apontando para o ventre que está arredondado devido à gravidez do seu terceiro filho, e pela graça do bom Deus, será um menino.

- Sim, Madame, tudo para nosso príncipe nascer forte!

Ela sorri.

Visitamos há alguns dias uma "bruxa", ela garantiu ser um menino que nascerá forte e isso conforta a Madame.

- Agora nos fale sobre o meu irmão - pede.

Fico muito corada com tal pergunta.

As meninas se levantam da cama em reverência e se sentam à nossa volta.

- Não se faça de desentendida, notei a troca de olhares, a forma como ele a trata e pede para falar a sós...

- Madame, estamos nos conhecendo, faz menos de dois meses e Monsieur está sendo respeitador e paciente.

- Não esperava menos do meu irmão, quero que tenha certeza de que está pronta para isso... Sabe como é importante que o rei esteja feliz e com você ele ficará um pouco mais na Corte!

Monsieur, irmão de Madame, por um tempo se negou a vir visitá-la, pois não gostava do seu marido, mas agora ele tem motivo para ficar e visitar a rainha com mais frequência.

- E, quem sabe, achar um motivo maior para voltar em breve, quem sabe com um pedido de casamento! - Bárbara exclama animadamente.

- Não seja tola, não sou da realeza e não tenho pretensão a ser rainha ou princesa, tenho apenas sonhado com um casamento nobre e por amor.

Tenho meus próprios sonhos, mas se um dia me entregar ao rei, perderei esta perspectiva, muitos homens querem jovens virgens em suas camas para desposarem.

- Não seria do seu agrado ser minha cunhada? - pergunta a Madame.

- Seria sim, minha rainha, mas o rei não escolheria uma moça, cujo i pai vive em jogatinas...

Ela me interrompe.

- Você não é a definição do seu pai, meu irmão precisa de uma esposa que seja forte, linda, doce e decidida como você. Não vá iludida com o amor, imagine que ele virá com o tempo.

Sorrio e começamos a fofocar sobre homens antes de dormir.

Esta ideia de ser noiva do rei seria como reerguer o nome da minha família.

Acordo cedo e ajudo a princesa a se vestir e sou liberada em seguida para visitar minha mãe. Como vivo no palácio, sempre há uma carruagem com um cocheiro à nossa disposição e com algumas moedas de prata posso ser levada onde desejar.

Visto um vestido rosa-claro todo bordado à mão e a maquiagem das damas da Corte é suave para resplandecer a beleza natural. Pego a sombrinha e calço as sandálias, a moda na Corte são as meias maiores que torneiam a pernas, então uso um par de cor delicada.

Mamãe mora um pouco longe de mim, quando chegamos à França tudo aqui era novo, mas com o que ganho na Corte consigo pagar uma boa casa a ela e uma vida com certo luxo, posso assim dizer. Pego a cesta com alguns quitutes da cozinheira real e saio para o jardim. Rumando aos portões, José os abre, desejando seu cordial bom-dia e aquela doce piscadela. Cortejar uma dama da Corte é algo normal em nosso meio, mas aceitar a corte é algo raro, ainda mais se o homem não tiver títulos ou posses. Cumprimento-o educadamente e rumo em direção ao cocheiro.

- James, bom dia. Vamos para casa da minha mãe, irei visitá-la hoje.

- Sim, lady Isabelle.

O cocheiro para na minha frente e logo abre a porta.

- Como vão as meninas?

- Vão bem e logo, com a graça de Deus, estarão na Corte.

Sorrio em cortesia e entro na carruagem, rumo ao meu destino.

Quando chegamos, pago as moedas, o oriento a retornar próximo ao horário do almoço e se me levar a outro lugar, receberá uma moeda de ouro. Ele logo se anima e me ajuda a descer.

Posso ver a carruagem partir e ando até o portão. Abro-o e sigo em direção à casa. Bato algumas vez até a governanta abrir a porta.

- Condessa Milenna, sua filha! - ela chama a minha mãe e me deixa entrar.

- Obrigada, Viviane. - Sorrio, entrando na casa que é belíssima e aconchegante.

- Minha menininha! - exclama mamãe, entrando na sala e se adiantando em me abraçar. - A que devo a honra da sua visita?

- É sobre o papai - digo sem rodeios e noto que ela não gostou sobre a minha vinda ser por causa dele.

- O que ele fez desta vez?

- Recebi uma carta sobre seu adoecimento, pelo que foi descrito, está à beira da morte e deseja me ver... Acha que devo ir?

Mamãe me guia até o sofá e me faz sentar.

- Deseja ir, minha menina?

- Não, mas é minha obrigação como filha!

Negar-se a ver uma pessoa doente não é visto com bons olhos.

- Ainda mais que estou sendo vista pelo rei e, se depender da rainha, serei sua cunhada em breve.

Mamãe abre um sorriso enorme.

- Então deve ir, será uma viagem breve para visitá-lo e depois volte para o rei.

Respiro fundo e ela me encara.

- Casamento por amor é algo difícil, filha, hoje é uma questão de acordo entre as famílias e se a rainha gosta de você e tem um carinho especial a ponto de sugerir que aceite o rei, então deve fazer.

Aceno em aceitação.

Sei que ir contra mamãe é algo ruim e pior seria se fizer pouco caso do rei ou da boa oportunidade que ele me proporcionará.

- Irei vê-lo esta noite e direi que serei sua, mas somente após o casamento, pois não pretendo ser desonrada.

Ela sorri com minha decisão.

- Isso mesmo, será a rainha da Espanha e dará belíssimos herdeiros!

Sorrio com esta possibilidade, pois na minha família todas as gerações deram herdeiros homens e isso é bom aos olhos da nobreza.

- Agora, me conte sobre a Corte, o que o duque de Cordolles está fazendo?

Sei que ele anda cercando minha mãe e ela está adorando isso, ainda mais por ele ser viúvo e ter uma boa posição e bens. Ela começa a me contar sobre as novidades assim como eu, hoje à noite terá uma longa conversa com o rei e, se tudo der, certo voltará à Corte, em breve, e ficará noiva do Monsieur.

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