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Protegida Pelo Dono Do Morro

Protegida Pelo Dono Do Morro

Autor:: Vanessa Verones
Gênero: Romance
- E aí menor o que você pretende fazer, ficar com ela e mørrer tentando salvá-la ou entrar para a minha facção? Caroline Almeida mais conhecida como Carol, acreditava ter uma vida tranquila na favela, até se deparar com o envolvimento do seu irmão na facção do morro... Sua tranquilidade não termina por aí, entre brigas e desentendimento dentro de casa, seu pai não aceitava a vida que o seu irmão levava... Carol se aproximou ainda mais do seu melhor amigo Bryan Fernandes alguns anos mais velho, super batalhador e completamente apaixonado pela mesma... Ambos acreditavam que o seu relacionamento iria começar a caminhar, porém após uma noite perfeita, uma notícia aterrorizante e perturbadora será descoberta por Bryan, que ficará terrivelmente abalado em como proceder após. Nada será como antes! Tudo o que se esconde, nunca fica coberto para sempre...

Capítulo 1 Cap. Um.

Nota da autora.

Prepare-se para mergulhar nas entranhas do morro, onde a vida é uma luta constante e cada esquina esconde segredos obscuros. Neste livro, você encontrará cenas quentes e explícitas, repletas de linguagem imprópria, violência e tortura, refletindo a crueza de um mundo sem piedade. Aqui, o amor não é um conto de fadas; é uma chama que arde intensamente entre os destroços da dor.

Mas não se engane: em meio ao caos e à brutalidade, surge um romance apaixonante que desafia todas as probabilidades. Uma romance irresistível que fará seu coração disparar e sua mente sonhar com um amor intenso e libertador. Venha comigo explorar essa jornada arrebatadora, onde os laços se formam nas sombras e a paixão explode em meio ao crime.

Este é um convite para sentir a adrenalina e o desejo em cada página. Porque no morro, o amor é tão real quanto a violência, e juntos vamos criam uma história que você não conseguirá esquecer. 'Boa leitura.'

Amigos.

Caroline Almeida.

- Onde foi que eu errei com você garoto?!!!! Chegar bêbado e drogado desta maneira em casa!!! Era isso que você fazia? Saindo com essa corsa de desocupados, que você chama de seus amigos!!!!!

- Calma Alberto, nossa filha está dormindo. Não seje tão duro com o nosso filho!

- Duro, eu ainda não sei porque não dei uma surra neste moleque insolente, ao invés de estar trabalhando honestamente, está andando por aí feito um vadio e chegando de madrugada em casa, ainda por cima neste estado!!!!

- Aí eu tô aqui na frente de vocês dois, coroa!

Essas foram as palavras que me fizeram acordar, na verdade gritos... Olá me chama Caroline Almeida tenho quatorze anos, eu não sei o que está acontecendo, pois eu estava dormindo quando fui desperta pelos gritos do meu pai! Minha mãe falando no meio e por fim o meu irmão mais velho... Hoje deve ser domingo, eu sei que ontem o meu irmão saiu de casa cedo e talvez tenha retornado só agora.

Os gritos do meu pai estão cada vês mais altos, o que está fazendo o meu coração bater mais forte, quando ele é contrariado fica bastante alterado, porém nunca nos bateu por causa da nossa mãe, ela sempre nos defende...

- Olha só o sem-vergonha que você me fez criar Alicia, com essa sua adulação...

Me levantei caminhando lentamente até a porta, como está frio estou usando um pijama cumprido e confortável, meu cabelo curto até os ombros estão bagunçado, abraçada ao meu travesseiro, encostei meu ouvido na porta, mordendo meu lábio inferior de preocupação.

- André meu filho, o que você estava fazendo na rua até uma hora destas e porque está neste estado!? - Ouvi minha mãe perguntar

- A mãe não enche, tu acha que é fácil viver nesta merda de morro, com o coroa enchendo o meu saco. Vai trabalhar, sai arrumar um trampo, se nesta merda não é fácil... - É o meu irmão falando, a sua voz está estranha, continuei a ouvir enquanto ele continuou - Achei uma vida fácil mesmo, sabe as aulas que eu burlo. As noites em claro que eu passo, é isso mesmo tô trabalhando na boca. Já passou da hora de vocês saber. - arregalei meus olhos de boca aberta - É com este dinheiro que eu ajudo o velho a bancar a casa. Eu tenho apenas dezesseis anos e já tô envolvidão no crime. - ele falou com orgulho.

Minha nossa. Fiquei encostada na porta com minha mão sobre a minha boca, não acredito. Moramos na favela desde que eu me conheço por gente, já ouvi muito falar sobre facções por aí, fora os tiroteios aleatórios em que temos que correr para se proteger. Mas nunca, eu nunca imaginei que o meu irmão se envolveria... Com minhas duas mãos sobre minha boca e o meu travesseiro caído ao chão, ouvi que a minha mãe começou a chorar desesperada e o meu pai a bater em alguma coisa próximo dele.

- Eu não criei vagabundo, eu não passo a maior parte do meu tempo atrás do sustento desta casa, para um filho me dizer com essa cara de pau que entrou para a vida do crime, sem mais nem menos...

- Calma Alberto!!! Por favor calma...

- Para de defender esse filho da puta, eu vou ensiná-lo a ser um homem de verdade!

- Vai pai pode bater, isso só vai fazer eu pegar um revólver na mão e sai matando meio mundo no ódio purai!!!

Peguei meu travesseiro do chão e abri a porta em pânico. Vi meu pai segurando meu irmão pelo colarinho e o pressionando contra a parede da cozinha, o ar ficou preso em minha garganta, enquanto minhas mãos ficaram trêmulas, minha mãe estava tentando separá-los e quando me viram, pareciam ter levado um choque de realidade.

- Da no pé maninha, isso aqui não é sena pra ti ficar vendo não... Vaza garotinha!! - meu irmão gritou.

Eu estava tremendo, meu irmão sempre foi tudo para mim, minhas lagrimas de pânico começaram a cair, ele me deu um leve sorriso, ele sempre foi meu tranquilizador, acho que tenho mais ele como o meu pai, do que o nosso próprio pai. Mas ele estava diferente, seus olhos estavam vermelhos e ele estava visivelmente diferente do normal. Ele usa droga, ele já me disso isso e me avisou para ficar longe disso, mas a vida no crime aqui no morro vai além de apenas usar, pessoas morrem... Essa situação ficou presa em minha garganta e como eles sempre sabem para onde eu corro, quando os confrontos aqui dentro de casa começa, sai correndo para fora em lágrimas.

Estava escuro e as vielas estavam vazias, mas o medo do que estava acontecendo dentro de casa era maior do que estar sozinha fora. A lua estava clareando mais do que as luzes fracas dos postes, eu estava parada na calçada de casa quando ouvi os gritos do meu pai, o que me assustou e me fez temer pelo meu irmão, corri algumas casas para baixo. Sem medo do que poderia me acontecer nesse pequeno percurso.

- Bryan... Bryan abre a porta por favor... Bryan!!! - Bati desesperada gritando várias veses, olhando para os lados.

Me afastei da porta, quando ouvi ela sendo destravada, mordi meu lábio inferior e abracei o meu corpo em pânico o André ficou lá sozinho, meu pai vai bater nele.

- Carol! - Bryan apareceu apenas usando um shorts de tactel preto, sem camisa, ele olhou em volta surpreso. - O que foi? Porque você está chorando? - ele me abraçou e eu pude respirar em alívio.

- Meu pai vai bater no meu irmão! - solucei abraçando ele apertado. - Ele vai bater...

- Filho o que ouve?

- Não sei mãe. A carolzinha está tremendo. - Me segurando com carinho, ele me levou para dentro da sua casa - Entra carolzinha.

- Tia minha mãe não vai conseguir segurar meu pai, ele está muito bravo, por favor ajuda o meu irmão... - Em pânico no meio do caminho segurei no braço da mãe dele - Eu sei que ele fez coisa errada, mas o meu pai vai bater nele, tia por favor!!!

Tia Agnes me olhou com pena, ela é como uma segunda mãe para mim, nos conhecemos desde quando eles vieram morar aqui, por isso ele se tornou meu melhor amigo, estamos crescendo juntos. Tia Agnes é bem amiga dos meus pais e eu sei que ela pode ajudar meu irmão. Eu percebi que ela engoliu em seco e me direcionou para perto do Bryan e disse com um sorriso caloroso.

- Filho cuida dela, eu vou ver o que está acontecendo.

Bryan concordou, enquanto ela saiu... Ele se sentou comigo no sofá e perguntou o que tinha acontecido ele parecia preocupado, contei entre soluços e com o meu coração apertado tudo o que ouvi e vi, mas meu desespero foi acalentado pelo seu abraço. Com minhas mãos trêmulas, recebi o seu corpo com água e bebi de uma só vês, de olhos fechados, desejando que tudo o que presenciei fosse apenas um sonho. Mas infelizmente não era e o que eu pude fazer foi pedir a Deus que minha mãe e a tia Agnes consigam acalmar meu pai.

Bryan sentou ao meu lado e eu pude encostar minha cabeça no seu ombro, enquanto sentia seu leve carinho entre meus cabelos, por um segundo parecia que eu senti meu coração bater diferente.

- Vai ficar tudo bem carolzinha, não se preocupe.

Não consegui dizer nada, ele é meu melhor amigo, sempre me sinto segura quando estou perto dele, ele sempre esteve ao meu lado, foi tão bom ficar perto dele que o meu coração foi se acalmando com o seu carinho e o meu corpo relaxando...

- Filho você tem dezoito anos e ela apenas quatorze, o que está havendo?

Abri meus olhos ainda sonolenta foi quando percebi que eu estava deitada na cama dele, enrolada em sua coberta, sentindo o seu cheiro, olhei para a parede e fiquei imóvel, Bryan talvez esteja atrás de mim junto com sua mãe perto da porta, mas eu fiquei com vergonha de mostrar que despertei.

- Que isso mãe, eu sei nossas idades. Eu apenas trouxe ela para dormir na minha cama, tô indo me deitar no sofá relaxa... - sorri sentindo meus olhos pesados - Eu sempre vou respeitar a carolzinha mãe, ela só está cansada e assustada. Eu vou estar aqui sempre que ela precisar, não tem nada de mais...

- Bryan... Bryan... Sou sua mãe e sei que você gosta desta menina, ela é apenas uma criança e confia muito em você filho!

Gosta? Senti algo estranho no meu estômago, mas eu estava cansada de mais para reagir.

- Eu sei mãe, fica tranquila não vou fazer nada que machuque ela. Poxa mãe, Carolzinha é minha melhor amiga desde que nos mudamos para cá, eu só quero cuidar dela...

Sorri sentindo o mundo a minha volta ficando silencioso, meus olhos não queriam abrir mais e ao ouvir a voz da tia Agnes eu fiquei tranquila se ela voltou é porque meu irmão está bem, mas o Bryan gosta de mim, como assim?...

Capítulo 2 Cap. Dois.

Deixa ela em paz.

Caroline Almeida

'três anos depois...'

Naquela noite meu irmão não apanhou, mas saiu de casa enquanto meu pai gritava com ele da calçada, foi como a tia Agnes me contou no dia seguinte que acordei em sua casa, depois disso meu irmão retornou apenas uma semana depois. Bryan também havia me dito que a minha mãe tinha decido atrás de mim, mas me deixou dormir e o meu pai passou o restante da noite a culpando pelas escolhas do meu irmão...

André depois daquela noite se envolveu ainda mais, ficava apenas durante o dia em casa e quando meu pai chegava do serviço, meu irmão saia e retornava apenas no outro dia cheio de tatuagens e ate com um brinco em uma de suas orelhas. Minha mãe chorava de preocupação e o meu pai a culpava por tudo o que estava acontecendo quase todos os dias, várias veses ela pedia que a tia Agnes cuidasse de mim durante o período em que o meu pai chegava bêbado, porque ela não queria que eu presencia-se os dois brigando mais uma vez, é meu pai já bebia, mas com o caos em casa ele só aumentou suas doses diárias.

Os últimos três anos eu passei mais na casa do Bryan doque na minha própria, ele foi tudo pra mim, me distraia bastante, me levava para passear, subia e descia o morro comigo, as veses me levava para a escola e buscava quando não estava trabalhando. Ele trabalha de ajudante de pedreiro e eu acho ele todo lindo de jaqueta, já disse isso a ele e agora ele fica se achando por causa disso, mesmo no calor vai de jaqueta o que me faz rir sempre.

As veses eu penso, sobre o que o Bryan é pra mim? Talvez eu veja ele mais do que um amigo, eu sei que tenho apenas dezessete anos e ele vinte e um, mais eu gosto dele... Bryan é diferente, ele também é amigo do meu irmão porém não é envolvido, como que eu sei? Passamos a maior parte do seu tempo livre juntos.

No período da manhã estou na escola e ele no serviço, as veses ele vem me buscar quando seu dia de trabalho está tranquilo, a parte da tarde passo fazendo tarefas e ajudando a minha mãe, enquanto ele termina o seu dia de trabalho e ao final dele passa em casa para toma café conosco e desce embora para tomar um banho, já que a tia Agnes trabalha no período noturno, cuidando de uma senhora de idade á alguns meses fora do morro, o que fez a minha mão me pedir para que eu não vá mais a noite na casa deles, já que iríamos ficar sozinhos.

Então agora quase sempre vejo meus pais brigar, com isso sinto falta de estar com o Bryan neste período, porque mesmo sabendo que eles estão brigando, Bryan me faz esquecer... Eu acho que realmente eu goste dele.

- Caroline Almeida?

Olhei em volte e percebi a classe toda me olhando, eu estava com a ponta do lápis em minha boca, enquanto vagava em minha mente, respirei fundo me ajeitando na minha carteira.

- Caroline, você entendeu o que eu disse? - o professor me perguntou novamente, agora me olhando sério.

- Claro que ela não entendeu, né professor! Ela tá que nem besta olhando pra sua cara. - Carlos o garoto mais insuportável da sala falou com um ar de deboche, ele insiste em ficar no meu pé. Ele tem dezoito anos por ser um repetente e se acha por causa disso. Eu acho que não é motivo de orgulho.

- Desculpa professor! - Falei abaixando minha cabeça, com raiva desse garoto, todos os alunos começaram a rir, com esse idiota vaiando.

- Silêncio classe... - o professor pediu - Caroline. - ele me olhou - Eu havia dito que, vamos ter uma prova daqui á duas semanas. Quero que toda a sala esteja preparada, sabemos que ciências não é difícil, basta prestar bastante atenção! - Professor terminou o seu pronunciamento ainda me olhando, o que me fez abaixar a minha cabeça envergonhada ao agradecendo pelo sinal do final da aula tocar.

Hoje foi a última aula, meio-dia graças a Deus! Recolhi minhas coisas guardando dentro da minha bolsa, coloquei apenas uma alça nas costas e me retirei da sala junto com o restante da turma. Não tenho amizades, apenas colegas que converso durante o período escolar até porque sou um pouco tímida. Caminhei até a saída do portão da escola e após passar por ele no meio deste monte de alunos do ensino médio, senti alguém segurar no meu braço.

- Aí avoada, você dorme dentro da sala ou o que, em? - Carlos riu debochando ao lado de algumas meninas e meninos que me olhavam atentamente. O popular do colégio por repetir de ano, todo mundo quer estar com ele, menos eu.

- Me deixa em paz, eu não te fiz nada, para você ficar me atormentando. - falei me virando.

Senti minha mochila sendo arrancada das minhas costas, quase cai para trás, mas me equilibrei voltando minha atenção para ele, só para ver ele balançando minha bolsa de um lado para o outro no alto da minha cabeça, feito uma criança.

- Quer que eu te deixe em paz? - ele sorriu - Vem pegar a sua bolsa então! - ele olhou para todos a sua volta sorrindo vitorioso, e os meus olhos se encheram de lágrimas.

- Ai! - é a voz do Bryan? - Ela disse pra você deixar ela em paz panaca!!! - ele gritou.

Antes mesmo que eu pudesse procurar onde ele estava, vi algo passando rápido por mim e o barulho do Carlos caindo no chão e a minha bolsa do seu lado, meus olhos se arregalaram instantaneamente. Quando percebi que era Bryan que se abaixou perto dele, segurou no seu colarinho e começou a soca-lo com raiva. De onde ele veio? Alunos correram para ver a briga, enquanto eu fiquei parada em choque, eu nunca havia visto ele bater em ninguém, Bryan sempre foi tranquilo.

- Deixa ela em paz entendeu? - Sua voz demonstrava ódio, enquanto o garoto tentava se defender ou se proteger do seu punho.

- Bryan para!!! - Segurei no seu braço o interrompendo de acertar Carlos mais uma vês, não por dó, porque o Carlos merecia isso e muito mais, só que Bryan não é assim. Ele me olhou com seu olhar suavizando - Bryan, para por favor!!! - implorei

Ele sorriu e eu consegui ver um lindo brilho se formar em seus olhos azuis, antes que ele conseguisse se levantar, Carlos o acertou com um soco no rosto, Oh! Droga, Bryan caiu para trás e eu também me desequilibrei... Bryan me ajudou a levantar rapidamente, arrumando meu cabelo, ele tinha um corte no canto da sua boca e eu toquei sentindo minhas lágrimas caírem.

- Aí vagabunda!!! Tu precisa trazer o seu macho para te defen...

Carlos gritou comigo e deu alguns passos na minha direção olhei para ele por cima dos ombros do Bryan e de olhos arregalados dei um passo para trás, mas antes que Carlos pudesse terminar de concluir suas palavras, Bryan se virou em fúria o segurando pela garganta e o jogando no chão feito um boneco. Ouve o barulho do impacto do corpo do garoto, batendo na calçada. Ele gemou dolorosamente, enquanto Bryan subiu sobre ele e começou a enforca-lo com suas duas mãos. Eu tentei, mas não consegui tirar Bryan de cima do garoto, ele estava em ódio mortal.

- Bryan para!!! Bryan por favor!! - tentei puxá-lo, mas ele não se moveu, tentei empurrá-lo, mas foi inútil, ele vai matar. Olhei em volta e todos estavam de boca aberta impressionados, mas ninguém fazia nada - Bryan para!!! Alguém ajuda, por favor!!!

- Aí Carol afasta!! - agradeci a Deus por ouvir a voz do meu irmão...

Capítulo 3 Cap. Três.

Obrigada por hoje.

Caroline Almeida

Me afastei com o meu coração quase saindo pela minha boca, Carlos já estava quase desmaiado, ainda havia algumas meninas sorrindo para o Bryan, até mesmo as garotas que estavam ao lado do Carlos.

- Calma aí irmão! - meu irmão falou segurando em um braço do Bryan e o rapaz que estava com ele segurou no outro, foi assim que conseguiram tirar ele.

Carlos ficou deitado no chão recuperando seu fôlego, com suas mãos sobre seu próprio pescoço esfregando, olhando para o céu. Eu continuei ali parada com o meu coração batendo violentamente no meu peito, eu nunca vi o Bryan tão violento assim, André segurou no ombro do Bryan e sussurrou alguma coisa que o fez assentir. Bryan se virou e falou algo baixo e foi a vez de André concordar.

Bryan pegou minha bolsa do chão e caminhou até mim, passando a mão sobre o corte de sua boca limpando o sangue que havia escorrido, ele parecia tranquilo como se nada tivesse acontecido. Enquanto observei por cima dos seus ombros meu irmão dizer alguma coisa ao seu amigo, e em sequência apontar para o Carlos que havia se sentado no chão.

- Desculpa carolzinha! - olhei para o Bryan a minha frente - Eu não suportei ver aquele imbecil tirando uma onda com você. Podemos ir?

- Aí estudantes circulando, bando de pau no cu do caralho!! - Pelo palavreado do meu irmão ele estava nervoso... - Você não seu arrombado! - ele apontou para o Carlos que havia se levantado -Tira uma onda com o irmão da garota que você fica perturbando!!! Tira onda comigo agora porra!!!!...

Bryan segurou na minha mão, enquanto eu estava olhando meu irmão de olhos arregalados, o que ele vai fazer?

- Vamos Carol? - Bryan falou, mas meus pés estavam travados no chão.

Vi meu irmão, ele estava com o Carlos sendo segurado por seu amigo e o socando na barriga, com raiva... Um suspiro de espanto escapou dos meus lábios.

- Meu Deus!! Bryan o André vai matar ele e acabar indo para a cadeia. - Soltei da mão do Bryan e corri ate o meu irmão, tentei puxá-lo para trás falando - Para André, irmão para por favor!!

- Fica no meio não maninha, isso aqui já é problema de cria de favela... Você sabe como resolvemos! - ele me falou ainda me olhando sério, não parecia meu irmão. Ele parecia outra pessoa, estava com uma expressão diferente e seus olhos estavam vermelhos, oh! André pelo amor de Deus pare.

- Para André, você vai acabar matando ele e ainda vai ser preso por minha culpa... Daqui a pouco algum responsável da escola chama a polícia, para por favor - implorei.

Meus olhos estavam cheios de lágrimas, mas consegui ver perfeitamente a cruz pequena que o meu irmão tem tatuado abaixo do seu olho esquerdo, 'O símbolo da facção do morro'... Ele parece muito com o nosso pai, loiro dos olhos claros e alto, meu irmão está prestes a completar dezoito anos e não tem juízo nenhum. Agora tem tatuagem até sobre a sobrancelha esquerda só não sei o que está escrito. Nos braços e no pescoço também tem um monte. Só não sei no resto do corpo, mas o jeito que ele está, provavelmente esta cheio, sem contar o pincing no nariz.

- Se preocupa não Carol, os cana não sobem aqui... - ele apontou para mim - Mais por você garotinha, esse verme vai viver por mais alguns dias... - André apontou para o Carlos que cuspiu sangue ao chão - Vaza mané e nunca mais se aproxima da minha irmã, deu para entender?

Carlos apenas concordou, enquanto recolheu suas coisas e saiu do local quase correndo... André colocou seu braço em volta do meu ombro e sorriu me olhando, porque todo mundo age como se nada tivesse acontecido, eu estou aqui com minhas pernas moles...

- Vô voltar pros corre, vai pra casa Carol, depois eu colo lá pra ficar com você e a mãe um pouco! - ele me deu um beijo no topo da minha cabeça.

Concordei, enquanto caminhamos até o Bryan novamente. Franzi minha sobrancelha quando percebi que o Bryan estava encostado em uma moto preta com um capacete em mãos, neste momento os outros alunos já estavam se retirando, enquanto sussurravam nos olhando... André parou comigo próximo ao Bryan e o olhou

- Leva ela pra casa chapa.

- Pode deixar.

Os dois apertaram as mãos em seguida meu irmão subiu na agrupa do menino e ambos saíram a caminho de algum lugar deixando o meu coração apertado. Eu estava olhando ele seguir quando Bryan direcionou um capacete para mim.

- Vamos?

- Vai me contar primeiro de onde veio? - Perguntei sorrindo, em sequência consegui ver um lindo sorriso se formando em seus lábios.

- Era para ser uma surpresa... - Bryan coçou sua nuca ao continuar - Mas eu acho que estraguei né? Eu comprei ela hoje. Tipo ela é semi nova, meu patrão passou ela parceladinha - Ele olhou a moto em seguida sua atenção se voltou para mim e um sorriso mais puxadinho ao lado direito do seu rosto se formou novamente...

- Não estragou não. Parabéns Bryan por correr atrás dos seus sonhos. - O abracei.

Mas ao sentir suas mãos virem se envolver na minha cintura, algo no meu estômago me fez sorrir.

- Pra mim? Não. Para nós, você e minha mãe, foram quem sempre me incentivaram a correr atrás dos meus sonhos. - ele falou ainda me abraçando, em seguida levantei minha cabeça e o olhei, enquanto ele olhou para baixo para mim e continuou - E aí vai me dar a honra da sua presença?

- Claro! - Sorri ao pegar o capacete e posicioná-lo na minha cabeça, sem saber direito o que fazer, Bryan se aproximou ao prender a jugular de segurança, sorri enquanto observo ele prender atentamente, antes que ele se afaste eu apenas disse - Não corre por favor!

Novamente ele me deu aquele sorriso lindo e após assentir subiu na moto, levou seu capacete a sua cabeça e o prendeu, iniciou a partida da mesma e a deixou funcionando enquanto retornou sua atenção a mim... Coloquei as duas alças da minha bolsa nos meus ombros e subi na sua garupa, o vento soprou meu rosto, então observei que já não tem mais ninguém na escola.

- Segura carolzinha!

Como eu estava apenas segurando na sua camiseta, Bryan levou sua mão sobre a minha e voltou meus braços em volta de sua cintura, bem próxima dele engoli em seco, caminhando levamos trinta minutos até a minha casa, vamos ver agora.

Segurei forte em sua cintura, quando ele engatou a moto e começou a sair do lugar, eu nunca tinha andado em uma antes, então imagina o medo de cair ou dele bater, Bryan não tem carteira, sei que o patrão mandava ele buscar as coisas nos depósitos foi assim que ele aprendeu a dirigir... Acho que foi uns vinte minutos ele já estava parando em frente da minha casa. Foram os vinte minutos mais emocionantes da minha vida, nossa é muito legal andar de moto, ainda mais porque o Bryan anda de vagar

- E aí, como foi? Nem corri né? - ele falou ao me observar descer da moto, enquanto parei ao seu lado.

- Eu sempre vou repetir que, você é um tudo! - Lhe estendi o capacete e ele pegou sorrindo

- Olha quem fala minha... - Seu olhar foi lindo neste momento, porém ele não terminou a sua frase e engoliu em seco ao continuar - Vou ter que voltar para o trabalho carolzinha, nos vemos mais tarde!? - Perguntou ele pendurando o capacete no guidão da moto.

- Sempre! - sorri - Até mais Bryan... - Observei que ele tirou o capacete, me aproximei levando uma de minhas mão sobre o seu braço e beijei a sua bochecha - Obrigada por me defender hoje!

Peguei ele desprevenido porque ele ficou sem reação, puxa vida eu me surpreendi! Porque eu fiz isso? Nunca passamos da amizade... Ele apenas está sorrindo feito um bobinho e olhando para meus lábios e eu sentindo o meu rosto esquentar, sem dizer nenhuma palavra me virei nos calcanhares e caminhei para dentro de casa com o meu coração batendo violentamente contra o meu peito, engoli em seco e me segurei para não olhar para ele, apenas ouvi o barulho da moto, ele está saindo, graças a Deus Bryan entendeu que eu estou morrendo de vergonha neste momento, droga Carol, porque você esta agindo assim?...

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