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Protegida Pelo Mafioso

Protegida Pelo Mafioso

Autor:: Lili Marques
Gênero: Bilionários
Cris Rossi nasceu para ser o Don da Cosa Nostra, mas escolheu trocar de lugar com o irmão gêmeo e fugir dos seus deveres. Elizabeth, é uma CEO bem sucedida, que precisa de proteção para si e para sua filha. E faz questão de contratar a melhor equipe de segurança do país, com Cris como chefe. Eles só não previram que o amor fosse escolher aquele momento para entrar na vida dos dois. Eram uma família feliz e perfeita, até que a mentira de Cris é descoberta o obrigando a voltar para casa por um ano. Mas quando volta ele não é mais o mesmo homem, nem se sente digno de tê-las em sua vida. Até que ponto ele é capaz de deixá-la livre? E até onde Elizabeth vai aguentar a indiferença e frieza dele?

Capítulo 1 Prólogo

15 ANOS ATRÁS

- Tem certeza que quer fazer isso? - questionei meu irmão, mesmo que ele já estivesse na maca sendo tatuado. - Ainda dá tempo de desistir e rabiscar qualquer outra coisa sobre essa tatuagem.

- Desistir e depois o que? Você diz ao nosso pai que não vai ser o Don porque não suporta a tortura e todas as coisas podres que a famiglia faz? - Vincenzo rebateu, lançando a verdade contra mim. - Isso mataria nosso pai, o velho definitivamente enfartaria se ouvisse algo assim. Sem contar em toda a desgraça que traria ao nosso nome!

- Cazzo , eu sei! Eu sei disso, porra! Acha que já não cogitei mil vezes desistir dessa fuga e cumprir meus deveres, só para evitar o desgosto e a vergonha que se abateria sobre nossa casa? - gritei andando de um lado para o outro.

Para a nossa sorte, Carlo, o tatuador, era de nossa inteira confiança ou tudo aquilo sairia dali rapidamente e estaríamos mortos antes do amanhecer.

- Isso também não seria justo, não só com você, mas com todos da famiglia que esperam um líder de pulso firme e que não hesite em fazer o que for preciso desde que garanta a continuação do nosso império!

Revirei os olhos andando pelo estúdio e ouvindo a ladainha dele, até mesmo aqui esse stronzo fala como um verdadeiro devoto a máfia. Mas eu tinha que agradecer a ele por ser tão doente pela organização, do contrário não estaria pronto para assumir meu lugar no comando da Cosa Nostra em alguns meses.

- Então termine de fazer as porras das tatuagens e eu vou para o aeroporto...

- Começar sua vida como Cris - ele desdenhou. - É uma puta ironia que nossa mãe tenha nos dado nomes tão parecidos quando somos o completo oposto.

- Ao menos na personalidade, porque se depender da aparência vocês são iguaizinhos, até a droga das marcas de nascença e cicatrizes são idênticas. - Carlo riu fazendo mais uma linha na pele intocada do meu irmão.

Nisso éramos diferentes, enquanto eu gostava de ter minha pele marcada pela tinta e agulha, Vincenzo nunca quis isso, ele preferia as marcas de lutas, de facas e machucados, que o deixavam bem mais intimidador.

- Isso é porque Vince detestava quando eu ganhava um novo machucado, ele tinha que fazer um igual, sempre me copiando.

- Vince seu rabo, sabe que detesto que me chame assim! - Eu apenas ri da revolta dele diante do seu apelido de infância. - Agora vai ter que ter mais respeito quando falar comigo, eu vou ser o chefe...

- Não vai ser porra nenhuma! - a voz imperiosa do nosso pai soou nos colocando em alerta, fazendo Marco pular sob seus pés, largando a máquina e a tatuagem de lado no mesmo instante. - O que pensaram que estavam fazendo com essa ideia idiota? Imbecille, due idioti che pensano di poter ingannare tutta la famiglia!

Tínhamos conseguido irritar o velho definitivamente, mas já era de se esperar que ele reagisse assim, bastaria apenas que ele sonhasse que estávamos armando pelas suas costas para que o próprio inferno se abrisse na terra.

Papai sempre foi assim e isso não se aplicava apenas aos filhos, mas a qualquer um a sua volta, a diferença é que quase sempre acabava com sangue sendo derramado.

- O que você acha que sabe, pai? - Vincenzo foi corajoso o suficiente para perguntar, testando ainda mais sua paciência, ou talvez ele só tenha sido estúpido demais.

- Garoto, não me teste! - Nosso pai voou para cima dele até que seus narizes estivessem se tocando. - Não tente bancar o esperto comigo, você existe graças a mim, a vida dos dois me pertence!

O olhar assassino do meu pai não o intimidou, Vince não desviou o olhar ou pestanejou nem por um segundo. E eu sabia o que ele estava dizendo ao falar sobre nossas vidas, nossa mãe morreu porque ele escolheu nós dois, quando éramos crianças nosso pai precisou escolher entre salvar a mulher que ele amava ou os filhos e Don Guido nunca nos perdoou por deixar sua amada morrer.

- Pai, nós podemos explicar... - tentei intervir, conseguindo apenas desviar sua atenção assassina de Vincenzo para mim.

- Explicar que você comprou uma identidade nova? - ele me interrompeu me calando. - Um passaporte com cidadania americana que vai te levar para fora daqui, e seu irmão está aqui se tatuando para assumir seu lugar, enquanto vocês dois riem pelas costas de toda a famiglia?

Engoli em seco, sabendo que ele tinha sido muito bem informado sobre o que estávamos fazendo. Eu não conseguia imaginar quem tinha aberto a boca, mas não deveria estar surpreso, já que metade da ilha era fiel a ele.

- Perdona papà . Vamos desistir e voltar para casa, eu vou assumir meu lugar ao seu lado até sua aposentaria e tomar a cadeira quando for a hora - falei baixando a cabeça e deixando que meus ombros caírem com arrependimento, não por ter tentado, mas sim, por não termos sido espertos o suficiente para não sermos pegos.

- Não vai mais assumir nada! Acabou de mostrar que não é digno de ser chefe nem mesmo em uma cozinha! - meu pai bradou erguendo o dedo em riste direto para o meu rosto. - Eu tenho vergonha de dizer que é meu filho, meu primogênito. Um fraco é isso o que você é! Um homem que prefere fugir da sua obrigação não deveria sequer ser chamado de homem. Imagine se eu deixaria você ser meu sucessor como Don?

- Pai eu...

- Stai zitto, cazzo ! - ele socou a parede atrás ao lado da minha cabeça, não se importando em parecer maluco, queria apenas me intimidar, mesmo que eu já estivesse acostumado com seus estouros de raiva. - Não terminei de falar e nem sei se quando acabar vou querer ouvir sua voz novamente. Você queria uma nova vida então vai ter que morrer!

- Pai! - Vincenzo deu um passo, tentando ficar entre nós, mas Guido puxou a arma apontando direto para a testa dele.

- Somos sangue do seu sangue e não pode matar seu próprio sangue - falei com tranquilidade, nem precisei me mover do lugar para proteger meu irmão, pois aquela era uma regra importante para ele, ninguém podia quebrá-la e isso o incluía.

Ele abriu um sorriso sombrio enquanto olhava de mim para Vincenzo, provavelmente maquinando algo maligno naquela mente dele. Porém, nada do que ele fizesse seria pior do que o destino havia me reservado.

Matar e estripar, sentir prazer em infligir dor, era algo que eu abominava, mas era o que eles esperavam de mim, era o que já estava escrito no meu futuro.

- Não sei quando criei duas bestas como vocês, não sabem nem ao menos obedecer a uma ordem, ao menos são leais um ao outro! - ele fez uma cara de desgosto, mesmo que tivesse sido um meio elogio e sem baixar a arma deu a nossa sentença. - Vittorio, você queria ir embora da Itália e ser outra pessoa, hoje meu filho primogênito vai morrer para mim e para toda a famiglia. Você está banido daqui, se pisar os pés na Itália estará morto e não será pelas minhas mãos! Vá e viva como quem quiser, mas esqueça que um dia foi Vittorio Rossi!

Choque me varreu, eu nunca imaginei que ele me daria isso, a liberdade. Claro que era um preço alto a se pagar, abrir mão da minha família e do país onde nasci, mas nós três sempre estaríamos ligados por aquele segredo, estaríamos juntos além do sangue que corria em nossas veias.

- Tem certeza disso, papà ? - questionei, querendo ter certeza de que ele não estava brincando com nós dois.

- Não faça eu me arrepender! Quando sair não olhe para trás. - Ele me olhou por um longo tempo, como se gravasse minhas feições, antes de se virar para Vincenzo. - Você quer ser o Don? Pois então vai ser, a partir de amanhã começarei a te treinar e não quero ouvir reclamações ou argumentações, vai fazer tudo o que eu mandar sem hesitar! - Vince fez menção de abrir a boca, mas a arma ainda em seu rosto o calou. - Se eu te mandar matar o presidente, você pergunta qual, se mandar você casar com uma maldita russa você pergunta quando. Não me desafie ou teste minha paciência, terá que mostrar aos seus homens que sabe ser subordinado.

Ele apenas acenou com a cabeça, concordando em silêncio, antes que nosso pai nos agarrasse pela nuca e nos puxasse para perto, em um abraço esquisito, como não fazíamos há anos e que eu sabia significar adeus.

Capítulo 2 1 - ELIZABETH

Desci do carro me certificando de olhar para os lados mais de uma vez, mesmo que Jack, meu motorista, estivesse segurando a porta para mim e que o segurança da empresa estivesse bem a minha frente. Eu precisava ser cautelosa, não podia me dar ao luxo de correr riscos e ir parar no hospital novamente ou ainda pior.

- Já verificamos a rua antes de parar, senhora, pode seguir tranquila - Jack me garantiu, tentando me passar confiança, mas eu nunca mais teria essa certeza de estar segura.

- Obrigado, Jack. - Me voltei para o interior do carro e tirei a cadeirinha de bebê, segurando minha preciosa anjinha nos braços. - Tenha um bom dia!

Entrei rapidamente no prédio sem olhar para trás ou esperar por ninguém, só quando estava dentro do elevador eu pude respirar um pouco mais tranquila, mas ainda sim, não totalmente relaxada.

Vinha sendo assim nas últimas semanas, enquanto eu estava no hospital me recuperando e depois quando voltei para casa, eu não conseguia me sentir protegida em nenhum lugar.

- Logo vamos estar bem, não é, meu amorzinho? - Acariciei a bochecha da minha Angel, que balbuciou e sacudiu o mordedor babado.

Ela era a parte mais importante da minha vida, o que eu mais presava no mundo. Podia ter uma empresa de renome, ser famosa e a CEO mais jovem do país, mas nada se comparava a tê-la feliz e protegida ao meu lado.

- Bom dia, chefe, pensei que não iria aparecer hoje. Não deveria estar em casa de repouso por ordens médicas? - Hellen me perguntou assim que as portas do elevador se abriram e eu desci no meu andar, o último andar da empresa.

Minha secretária se apressou em me seguir para dentro da minha sala, correndo como uma patinha atrás de mim. Eu gostava dela. Hellen era uma garota doce e atenciosa, que fazia seu trabalho perfeitamente e estava comigo desde que comecei ali.

- Bom dia, Hellen. Eu fui atacada dentro da minha própria casa, acha mesmo que iria ficar lá sentada em uma cama? Aqui ao menos temos seguranças competentes e que não se venderiam para aquele rato!

Tirei Angel da cadeirinha e a coloquei onde estava seu tapete e vários brinquedos espalhados, mesmo com a babá em casa eu não a deixaria sozinha novamente, não podia correr riscos de que ele voltasse e a levasse. Só quando garanti que ela estava entretida foi que me virei para Hellen de novo.

- Claro, como a senhora preferir. Já vou passar sua agenda...

- A reunião mais importante que eu tenho hoje é com o dono daquela empresa de segurança. - Dei a volta na mesa e me sentei em minha cadeira, sentindo o olhar dela me acompanhando. - Me diga a que horas ele vem, quero estar preparada para negociar com ele.

- O Senhor Miller vai chegar às dez, sua primeira reunião do dia!

- Ótimo, até lá não quero ser interrompida, quero ter certeza do que eu tenho a oferecer a ele.

- É bom estar mesmo, eu soube que o homem não faz mais a segurança de ninguém, não importa quem seja. - Ela forçou um sorriso nos lábios, mostrando que não estava nem um pouco confiante sobre minha tentativa de contratação.

- Hoje esse tal de Cris vai ter que abrir uma exceção, pois não pretendo deixá-lo sair daqui enquanto não aceitar meu acordo!

Eu precisava pensar no que poderia fazê-lo aceitar minha oferta. Tinha pensado a noite toda e não cheguei a nenhuma conclusão. A mesma coisa se repetiu naquelas duas horas até anunciarem sua chegada na empresa.

Dinheiro não era algo que o faria ceder ou ele já estaria fazendo a segurança de famosos e não apenas mandando seus subordinados, conexões, renome, tudo isso ele já tinha, era a melhor empresa de segurança do país.

Mas eu não ia desistir de tê-lo ao meu lado e ao lado da minha filha. Ele era o melhor, e eu não me contentaria com nada menos.

- Senhora Bianchi. - Hellen entrou no escritório toda formal e eu prontamente me coloquei de pé, sabendo que só podia ser ele. - O senhor Miller está aqui.

Cris Miller passou por ela me surpreendendo com a sua beleza, as fotos que tinham me mandado não faziam jus ao homem que ele era de verdade. Os cabelos castanhos penteados para trás, mas ainda com um ar casual, a barba cheia emoldurando os lábios carnudos abertos em um sorriso fácil, que quase me fez perder o fôlego.

Mas o que me pegou mesmo foram os olhos em um tom castanho, quase parecidos com mel. As duas esferas brilhavam de um jeito diferente, que me prendeu, como se eu estivesse hipnotizada.

- Bom dia, Senhora Bianchi. - A voz grossa, mas aveludada ressoou pelo escritório, me trazendo de volta a realidade e me lembrando o motivo dele estar ali.

- Bom dia, Senhor Miller. - encarei sua mão estendida, notando as várias tatuagens espalhadas nos dedos e no dorso da mão.

Eu precisei engolir em seco quando nossas peles se tocaram e um arrepio subiu por minhas costas. Ele deslizou a mão grande contra a minha e a segurou de maneira firme, mas de alguma forma ainda pareceu uma carícia para um homem daquele tamanho.

- É um prazer conhecer a senhora. Li muitas coisas a seu respeito. - As palavras dele levaram meu olhar de volta ao seu rosto, encarando o belo par de olhos.

- O senhor aceita uma água ou um café? - foi Hellen quem quebrou aquela áurea estranha que me manteve hipnotizada.

Cris negou gentilmente, e ela saiu da sala com pressa, não tirando os olhos dele até que a porta estivesse fechada. Eu não podia culpá-la; ele era lindo e atraía atenção facilmente. No entanto, não havia tempo para admirações da minha parte. Ele estava ali para que eu o convencesse a assinar um acordo.

- Me chame de Elizabeth e pode se sentar. - Apontei a cadeira em frente a minha mesa, enquanto já assumia meu lugar. - Fico feliz que tenha ouvido falar bem a meu respeito, porque tudo o que me falaram sobre você também foram elogios. O senhor e a sua empresa são os melhores do mercado e eu quero fechar esse acordo.

- Direto ao ponto - ele murmurou, sorrindo ainda mais, quase como se sorrir fosse o respirar dele. - Gostei de você, não faz rodeios ou floreios. Não é atoa que construiu um império, sabe bem o que quer.

- Obrigada pelo elogio. No momento ainda estou construindo meu império, mas não foi por isso que te chamei aqui.

- Basta me falar que tipo de segurança precisa e eu lhe entrego em uma bandeja de prata! - ele afirmou sem pestanejar cruzando as mãos em frente ao corpo com tranquilidade, e me mostrando toda a confiança que disseram que ele tinha.

- Eu preciso de você! - As palavras deixaram minha boca antes que eu conseguisse controlar. Cris ergueu uma sobrancelha parecendo surpreso e ao mesmo tempo estar se divertindo as minhas custas. - Me deixe ser mais clara, eu preciso de você como meu segurança vinte e quatro horas por dia.

Um sorriso mais contido tomou conta do seu rosto e eu soube que ele estava prestes a negar meu pedido. Era como todos olhavam, se desculpando com a expressão antes de dizer que não poderia fazer o que eu queria.

- Não me entenda mal sen... Elizabeth, mas eu não atuo mais como guarda costas, não é apenas com você, já venho negando esses pedidos há alguns anos. Hoje em dia prefiro ficar atrás da mesa como você - ele me informou com o tom ainda mais suave, como se eu fosse uma garotinha a quem estava negando um doce. - Mas ficarei mais do que feliz em designar meus melhores homens para cuidar da sua segurança.

- Infelizmente essa opção não existe para mim. Eu preciso do melhor e sei que você é o melhor!

- Eu entendo a sua situação, mas...

- Você entende? Entende o que é não se sentir segura dentro da própria casa? Ou como é dormir apenas um par de horas por dia, porque sua mente não consegue se desligar do perigo que pode estar a sua volta? Acordar tendo pesadelos, ser apunhalada pela pessoa que você acreditava te amar? - Listei parte de tudo o que eu vinha passando nos últimos meses e que se intensificaram na última semana. - Já passou por isso? Então, me entende?

Ele engoliu com dificuldade, mantendo o olhar preso ao meu enquanto eu contava coisas pessoais demais para alguém que tinha acabado de conhecer, mas vi seu sorriso se esvaindo aos poucos e seu olhar se tornando pesado sobre mim.

Não havia pena ali ou compaixão como vi nos olhos de todos que sabiam da minha situação. Cris parecia estar ficando tenso, seu olhar se transformando em algo selvagem que até mesmo mudou o tom âmbar das íris.

- Não, senhora, não tenho ideia de como é estar no seu lugar. Mas eu posso prometer que meus homens farão um trabalho excelente e eu estarei próximo tomando conta de todos os detalhes.

- Isso não funcionaria para mim, nunca me sentiria completamente segura com eles. - Suspirei, olhando em volta, procurando por um milagre para convencê-lo. - Você tem um código, é o melhor em tudo o que faz e é isso o que eu preciso, do melhor para me proteger.

- Elizabeth...

Angel escolheu o momento certo para chorar atraindo a atenção dele, fazendo parecer que não a havia notado quando entrou ali. Eu me levantei no mesmo instante para pegá-la, me certificando de que ela só estava choramingando por atenção.

Quando me virei para a mesa dei de cara com ele de pé nos encarando atentamente. O sorriso largo estava de volta aos seus lábios enquanto me via caminhar em sua direção.

- Essa é Angel, minha filha e a coisa mais preciosa que eu tenho na vida. - Ele acenou fazendo gracinha com os dedos e minha filha esticou a mãozinha, me obrigando a chegar mais perto para que ela o alcançasse.

- Oi, pequeno anjo - ele murmurou com uma voz fina que a fez rir e agarrar os dedos dele ao mesmo tempo.

Eu não esperava uma entrosação tão rápida dos dois, mas me deixou ainda mais certa de que ele era o único que poderia trabalhar comigo. Minha filha sorria babando ainda mais a cada sacudir dos dedos dele ou o balançar da cabeça enquanto usava uma voz infantil.

- É por ela que eu preciso do melhor segurança do país!

Capítulo 3 2 - CRIS

Eu entrei naquele escritório pronto para negar qualquer oferta que ela tivesse, mas fui vencido. Junto com o e-mail que troquei com a secretária havia uma proposta para fazer a segurança pessoal de Elizabeth e eu vim para recusá-la, mas também para convencê-la a aceitar Isaac, um dos meus melhores homens.

Só não esperava que fosse ficar tão fascinado com ela logo de cara. A mulher era linda, e por mais que eu tivesse pensado que a altivez dela a deixaria menos atraente, tinha me engando completamente.

Nem mesmo a tristeza em seu olhar era capaz de tirar a beleza dela.

Os cabelos castanhos escuro caíam longos como um véu negro e perfeitamente alinhado, dando a ela um ar ainda mais duro, mas sem perder a sensualidade.

Eu precisei me lembrar mentalmente o motivo de estar ali quando ela andou até o outro lado da mesa e o vestido se moldou as curvas, me dando uma bela visão do corpo que ela escondia por baixo da roupa elegante e o semblante implacável.

Elizabeth estava ali para fazer negócios e eu deveria ter minha mente no mesmo lugar, ao invés de me perder observando sua beleza, mas certas coisas eram impossíveis de evitar.

O olhar penetrante, que ela não desviava dos meus, estava tornando difíceis as minhas negações, especialmente quando eu sabia o que tinha acontecido com ela, o motivo real dela estar atrás de proteção ainda mais elevada.

- Eu entendo a sua situação, mas...

- Você entende? Entende o que é não se sentir segura dentro da própria casa? Ou como é dormir apenas um par de horas por dia, porque sua mente não consegue se desligar do perigo que pode estar a sua volta? Acordar tendo pesadelos, ser apunhalada pela pessoa que você acreditava te amar? Já passou por isso? Então, entende?

Engoli em seco tendo em mente todas as notícias que a mídia havia notificado nos últimos dias. Não, eu nunca tinha passado por isso, eu tive uma alta segurança desde o dia que nasci e quando era grande o suficiente para aguentar o peso de uma arma me ensinaram a me defender.

Então não, eu não podia imaginar o que ela tinha passado e o medo que ainda estava sentindo.

- Não senhora, não tenho ideia de como é estar no seu lugar. Mas eu posso prometer que meus homens farão um trabalho excelente e eu estarei próximo tomando conta de todos os detalhes.

- Isso não funcionaria para mim, nunca me sentiria completamente segura com eles. Você tem um código, é o melhor em tudo o que faz e é isso o que eu preciso, do melhor para me proteger.

Porra, ela não estava jogando limpo, especialmente quando os olhos decididos se desviaram dos meus para esconder o desapontamento.

- Elizabeth... - Um choro irrompeu na sala, me interrompendo e atraindo minha atenção, fazendo com que ela se levantasse imediatamente.

Meus olhos pousaram na bebê sentada do outro lado do escritório, chorando inconsolavelmente e me fazendo questionar meus sentidos. Como eu tinha estado tão desatento ao entrar ali que não a notei? Fiquei tão focado na mulher a minha frente que sequer notei a menina no canto brincando.

Bastou Elizabeth pegá-la no colo para que o choro cessasse. Me levantei no mesmo instante observando as duas trocando um sorriso. Ela era muito parecida com a mãe, os cabelos escuros, os olhos castanhos, mas a bebê era tão inocente e pequena, frágil e indefesa nos braços da mãe. E eu não pude deixar de lembrar as notícias, ela estaria com aquele monstro desgraçado se o pior tivesse acontecido.

- Essa é Angel, minha filha e a coisa mais preciosa que eu tenho na vida. - Elizabeth a apresentou chegando mais perto, e eu pude sentir o amor genuíno em suas palavras.

Acenei, sacudindo os dedos, e a pequena esticou a mão, os agarrando e rindo de uma maneira que derretia o coração de qualquer um.

- Oi, pequeno anjo - falei com uma imitação ridícula de uma mulher falando com um bebê, fazia anos que eu não falava com alguma criança, mas isso a fez gargalhar soltando bolhinhas, me deixando todo orgulhoso.

- É por ela que eu preciso do melhor segurança do país! - As palavras me fizeram erguer os olhos da filha e voltar para a expressão determinada dela.

Como eu podia dizer não àquele pedido? Dizer não para proteger as duas? Não existia homem forte no mundo que conseguiria negar aquilo, não com os olhos inquisidores e ao mesmo tempo apreensivos me encarando, junto com os dedos pequenos apertando os meus como se sua vida dependesse disso.

Qualquer coisa que eu tivesse vindo pronto para dizer tinha ido por água abaixo, sido completamente apagado da minha mente e eu me peguei dizendo:

- Sim, eu vou ser seu segurança particular!

Elizabeth abriu um sorriso pequeno que nem mesmo chegou a esticar seus lábios carnudos, mas eu entendi que o pequeno sorriso e o suspiro aliviado era tudo o que ela se permitiria demonstrar, por dentro de sua armadura ela estava feliz e aliviada por ter conseguido o segurança que queria.

Angel fez um barulho engraçadinho, tentando chegar mais perto enquanto puxava meu dedo e isso quebrou nosso contato visual. Sua mãe respirou fundo e se afastou, levando para longe a pequena, ainda com os bracinhos estendidos em minha direção. Ela se sentou atrás da mesa imponente voltando à pose de CEO implacável.

- Ótimo! Espero que saiba que quero que comece imediatamente. - Não consegui conter o riso com toda a altivez de volta, até mesmo no tom de voz dela. - Posso te dar até o fim do dia para que se organize, mas a partir de amanhã não posso me dar ao luxo de não tê-lo em minha casa.

As palavras tiveram um efeito inesperado, eu sabia que ela estava falando sobre ser seu segurança pessoal, mas foi impossível segurar os pensamentos que voaram para outro lugar.

- Pode ficar tranquila. Prometo que hoje mesmo estarei lá e você vai poder dormir tranquila essa noite! Vocês duas vão estar seguras.

Ela poderia entender como uma coisa banal, afinal, eu seria mais um dos seus milhões de funcionários, mas para mim promessas eram algo sério. Mesmo que eu estivesse fora da máfia, ainda era um Rossi e nós cumpríamos nossas promessas. Dávamos o sangue e a vida para cumprir!

- Conta pra gente mais uma vez como a madame dobrou você e te fez voltar a ser segurança particular? - Bob questionou por puro deboche, fazendo todos os outros quatro homens na sala rirem.

- Até quando vocês vão me perturbar com isso?

- Para sempre! - Isaac gritou, ele era o homem que ficaria como chefe no meu lugar na empresa e nem isso o fazia parar de rir. - Qual é cara? O que quer que a gente faça quando você aceitou ser segurança dela depois de negar isso a membros do senado, cantores famosos e atores?

Ergui o dedo do meio, tentando ignorá-los e me concentrar na tela do computador onde estava a planta da casa dela. Eu precisava montar um esquema de segurança, e nenhum dos idiotas calava a maldita boca desde que anunciei que Isaac assumiria meu posto enquanto durasse meu contrato com Elizabeth. Não que eu soubesse quando acabaria; não havíamos estipulado uma data ainda.

- Fala a verdade, o que ela colocou na mesa como oferta? Porque sabemos que não foi dinheiro ou fama, todos os outros ofereceram isso. Então o que a rainha de gelo gostosa te ofereceu no acordo?

- Olha como fala, porra! Mais respeito com ela se quiser manter o emprego e os dentes. - Todos eles se calaram no instante em que ergui a voz me alterando totalmente. Os cinco homens ficaram ali paralisados, me encarando, como se eu estivesse com um terceiro olho nascendo no meio da testa. - Elizabeth é uma cliente como qualquer outra e eu exijo respeito!

- Desculpa, chefe, não vai se repetir. - Adam foi o primeiro a se desculpar por suas insinuações.

- Agora vou dizer o que me fez aceitar o trabalho para que as donzelas fofoqueiras deixem meu maldito escritório, foi a filha dela. A pequena Angel é apenas um bebê e se o pior acontecer com a mãe não quero nem imaginar quantos abutres vão querer colocar as mãos nela apenas para ficar com a herança.

- Sem falar no filho da puta do pai dela! - um deles gritou agitando todos os outros e me trazendo a mente novamente aquele homem. Ele é quem coroava a lista de quem queria por as mãos em Angel.

Depois de ter estado em seu escritório hoje de manhã e finalmente a conhecido pessoalmente eu não consegui parar de pensar nele, no desgraçado do marido dela e tudo o que Elizabeth pode ter passado nas mãos dele sem que viesse a público.

Um por um meus homens saíram me deixando sozinho com meus pensamentos perturbadores e um tanto assassinos. Eu podia detestar matar e torturar pessoas, mas odiava ainda mais homens que faziam mal a mulheres. Com toda certeza abriria uma exceção para matar o bastardo de forma lenta pelo que ele fez com Elizabeth.

Mas afastei os pensamentos e me obriguei a voltar os olhos para a tela. O desgraçado estava desaparecido e se eu queria vê-la bem e em segurança tinha que focar no meu trabalho, só assim manteria aquele animal longe delas!

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