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Protegida pelo chefe

Protegida pelo chefe

Autor:: Hugo Alefd
Gênero: Romance
Chegar a terras estrangeiras sem muito dinheiro no bolso e com poucas peças de roupas em uma mochila, não foi nada fácil. Por sorte, eu tinha o Caio – meu meio-irmão "postiço" – que jamais me deixou desamparada ou sozinha. Quando fugimos de uma vida abusiva no Brasil, viemos para Boston, Massachusetts, em busca de vivermos livres pela primeira vez e conhecer o significado da palavra felicidade. Apesar de não termos o mesmo sangue correndo nas veias, nosso amor um pelo outro era incondicional. Ele era filho somente da minha madrasta, Roberta, uma mulher repugnante, que foi amante do meu pai por anos antes dele finalmente assumi-la como sua mulher depois que minha mãe morreu há seis anos.

Capítulo 1 Protegida pelo chefe

Mais um fim de semana havia chegado e eu o passaria sozinha em casa, enquanto Caio trabalhava. Nunca saia à noite, sempre fui uma garota reclusa no meu canto. Quando morava no Brasil não era diferente, sempre detestei os bailes funks da comunidade onde morava. Do que eu gostava mesmo era de rock and roll, baby! Minhas inúmeras tatuagens grandes e pequenas espalhadas pelo meu corpo, diziam isso por si só. Para saber quais eram minhas bandas favoritas, bastava olhar para minhas camisetas no armário. De AC/DC a Legião Urbana.

Estava largada no sofá vestindo um short confortável e camiseta larga, devorando um pote de sorvete sem culpa e assistindo à programação aberta da TV, quando meu celular tocou ao meu lado sobre o assento do estofado. - Oi, Angelita - falei ao atender a ligação da minha amiga e colega de trabalho. - Tenho uma palavra de três sílabas para você. Ba-la-da! - Não. Eu estou fora. - O que está fazendo? - Saindo para um encontro - menti descaradamente, enfiando mais uma colherada do doce sorvete de baunilha com castanhas na boca. - Sua mentirosa! - gritou. - Chego aí em meia hora e é melhor você estar pronta, porque se não vou arrastá-la como estiver vestida para a rua. - Eu não quero sair. Esperei a semana toda pelo filme que vai passar daqui a pouco na TV. - Chego em meia hora. - Desligou o telefone. Respirei fundo e olhei as horas no celular. Eram oito da noite e Angelita, vulgo baladeira, queria me levar para sair no sábado à noite e só Deus e ela sabiam para onde. Terminei meu pote de sorvete e levantei indo ao banheiro. Depois de tomar banho, lavar os cabelos e depilar as pernas, saí enrolada na toalha e entrei no quarto. Abri o armário e encarei a coleção de peças escuras nos cabides. Acho que devo ter ficado ali de pé por uns dez ou quinze minutos. Vesti uma saia curta de couro preto com zíper na lateral e um body de renda na cor marsala. Calcei minhas adoráveis botas pretas de camurça que iam até acima dos joelhos. Depois de secar meus cabelos loiros, fiz uma maquiagem caprichada no delineador e no batom vermelho, que sempre adorei. A campainha tocou e fui até a porta. - Olha só para ela! - gritou Angelita quando me viu. - Você disse trinta minutos. Tem mais de uma hora e meia, que nos falamos. - Olha só... Ninguém nasce assim, perfeita, como você, Laurinha. - Fingiu irritação, colocando as mãos na cintura e revirando os olhos. - Para onde você vai me levar? - perguntei cruzando meus braços à frente. - Para uma boate recém-inaugurada no centro, você vai gostar. Só deixe a mente aberta, okay? Não terá nenhum cover do Pink Floyd por lá. Respirei fundo, e quem revirou os olhos desta vez fui eu. - Está bem. Vamos lá. Caminhei até o sofá e peguei meu celular e o meu casaco. Saímos do prédio e pegamos um táxi. Quando chegamos ao local, um amigo de Angelita, que trabalhava na portaria, nos ajudou a entrar furando a enorme fila quilométrica que dobrava a esquina. O lugar era lindo e chique. Com certeza não era o meu tipo de ambiente, mas tentaria suportar por algumas horas. As mulheres que passavam por mim vestiam vestidos de mil dólares ou mais. Os homens usavam relógios que custavam mais que um carro popular no Brasil. Estava começando a me sentir incomoda e deslocada. - Vamos até o bar! - chamou Angelita alto em meu ouvido. Ela segurou minha mão e tomou a frente abrindo caminho na multidão. - Boa noite, lindas. O que vão querer? - perguntou o barman com um sorriso safado para Angelita. - Dois shots de tequila e duas Estrella Galicia - pediu ela lançando uma piscada para ele. - Acho que não precisava da piscada, você já seduziu o homem só com esse decote - brinquei. - Se tem alguém que irá seduzir um homem esta noite, esse alguém será você! Essa saia de couro e esse body de renda estão para lá de sensuais. Arrasou, garota! - Fala sério, olha a sua volta. Essas mulheres parecem modelos - disse olhando para os lados, observando tudo ao meu redor. - Mas o que está havendo? Você é sempre tão alto-astral consigo mesma. Pare de bobagens! Você está linda! - Sei lá... Só não tenho costume com esses lugares. Todo mundo está tão chique. - Relaxe e beba! - falou entregando-me o shot de tequila. - Se solte, ao menos esta noite. Ela brindou seu pequeno copo no meu e viramos as doses que desceu queimando levemente por minha garganta. Pegamos nossas cervejas e fomos para a pista de dança. Lá, as pessoas não reparavam muito umas nas outras, apenas dançavam curtindo as músicas de batida intensa que faziam meu corpo balançar involuntariamente. Dois homens se aproximaram e começaram a conversar conosco. Angelita logo se agarrou com um deles. Ele era negro e sarado, estilo jogador da NBA. Um verdadeiro gato! Seu amigo tentava se esfregar em mim enquanto eu dançava. Ele já estava bêbado e cheirava a uma mistura terrível de suor, cerveja, menta e tabaco. Seu mau cheiro estava deixando-me enjoada, eu precisava de ar, água e ir ao banheiro urgente. Ia chamar Angelita para ir comigo, mas ela estava envolvida demais com homem, então fui sozinha. - Vou até o bar e já volto - avisei-a. - Eu vou com você - falou o homem que se esfregava em mim. - Não! Está tudo bem, vou sozinha. Saí rapidamente de perto dele, esgueirando-me no meio das pessoas. Chegando ao bar, avistei o corredor que levava aos banheiros. Mudei meu trajeto e fui até lá primeiro. Depois de alguns minutos na fila, finalmente consegui me aliviar e voltei para pegar uma água. - Me dê uma água sem gás, por favor - pedi ao barman. - Aqui está. - Entregou-me a garrafa. - Obrigada. - Afastei-me para dar vez a quem estava atrás de mim. De longe vi que o homem nojento ainda estava lá, ao lado da Angelita e seu amigo, dançando sozinho como um maluco. Tudo o que menos queria era voltar para lá. Respirei fundo e observei o ambiente procurando algum canto para onde ir que desse para respirar melhor. Estava muito abafado. Ao lado da escada que levava à área VIP, avistei uma porta por onde algumas pessoas entravam e saíam a todo instante. Caminhei até lá, atravessando o mar de gente suada, e abri encontrando uma escada que levava à outra porta. Ao empurrá-la, vi que dava para o terraço da boate. O lugar não tinha nada de especial, somente uma boa iluminação e ar fresco. Algumas poucas pessoas fumavam aos cantos em grupos de quatro ou cinco amigos. Caminhei para uma beirada mais afastada e encarei a bela vista noturna da cidade. Encostei-me à mureta de proteção e fechei meus olhos sentindo o vento forte contra meu rosto bagunçando um pouco meus cabelos de comprimento médio. Ao abrir meus olhos, pensei em minha mãe. Como sentia sua falta. Gostaria de ter tido tempo suficiente para levá-la conosco. Era muito triste ela não ter tido a chance de estar ali e lembrar-me do inferno que viveu até seu último dia. Uma lágrima solitária e atrevida desceu por meu rosto. Será que esta dor e angústia nunca irá passar, ou ao menos diminuir? - Não soube ler o aviso de: "não se aproxime da mureta de proteção"? - perguntou uma voz masculina e rude atrás de mim, com um sotaque italiano. Aquele sotaque não me era estranho, eu reconhecia. Não fazia nem uma semana que queria mandar o dono daquela voz para o inferno. Sequei minha bochecha esquerda e virei-me para trás encarando o homem estúpido que me destratou na cafeteria. - Não! Não sei ler! - respondi-o no mesmo tom rude.

Capítulo 2 Protegida pelo chefe

Ele respirou fundo empinando um pouco seu queixo e encarou-me de cima deslizando seu olhar por cada centímetro de pele do meu rosto, desde meus olhos até minha boca, parando ali seu olhar por alguns segundos. - Saia da minha boate! - ordenou em um tom baixo, firme e ameaçador. Esse homem pensa que tenho medo dele? Dei-lhe um sorriso debochado quando seus olhos voltaram aos meus. - Com o maior prazer, Sr. Imbecil. Passei por ele e deixei o terraço sem olhar para trás. Desci a escada e comecei a andar à procura de Angelita, mas não a vi em lugar algum.

Tirei meu celular do bolso da saia e mandei uma mensagem lhe avisando que já estava indo para casa. Aquela noite já havia rendido tudo o que podia e mais um pouco para mim. Peguei meu casaco na portaria e saí para a calçada. Por sorte, um táxi estava sendo desocupado alguns metros mais à frente. Corri até ele e entrei. Não estava acreditando, que com tantas boates em Boston, fui parar justamente na daquele homem grosso e babaca! Quando o táxi estacionou próximo ao meio-fio, em frente ao meu prédio, saltei apressada depois de pagar a corrida. Ao entrar em casa, tudo estava escuro e silencioso. Sentei-me na sala e tirei minhas botas jogando-as de lado, enquanto me recordava do episódio de estresse no terraço com aquele homem. Pelo menos uma coisa tinha que admitir: o italiano estúpido era muito cheiroso. Minhas narinas agradeceram por respirar sua fragrância máscula e suave depois de ficarem horas cercadas pelo odor do homem nojento na pista de dança. Cansaço era a palavra que me definia naquela noite. Sentado no banco traseiro do meu carro, a caminho de casa, tentei me recordar de quando foi a última vez que tive uma mulher sob mim, servindo-me e cedendo a todos os meus prazeres e caprichos. Desde que me tornei Capo da máfia italiana nos Estados Unidos, há três anos, não tive muito mais tempo para nada em minha vida. Enquanto meu pai continuava a cuidar da nossa terra natal atuando como Don, eu estava em Boston aguentando aquela gente estúpida e cheia de si que eram os americanos. Quanta gente petulante havia naquele país. Meu celular vibrou no bolso interno do meu paletó, fazendo-me bufar e revirar os olhos, irritado. O que querem tanto falar comigo a uma hora da manhã? - Seja rápido - disse ao atender a ligação do Cássio, um dos meus soldados. - Senhor... Achamos o Salazar. Ele está de volta à cidade e não irá acreditar onde. - Fale logo de uma vez! - mandei irritado. - Está na Luxes, senhor. Em sua boate, rodeado por modelos no camarote e pagando bebida para uma porção de gente. - Desgraçado! Mande todos ficarem de olho nele, estou indo para aí. Não o percam de vista e não deixem que ele saia do camarote. Avise que chegarei pelos fundos, ainda não quero que saibam que sou o novo dono deste lugar. - Sim, senhor. - Para a Luxes - informei ao motorista após encerrar a chamada. Ele assentiu e deu meia-volta. Ao chegarmos, outros soldados já esperavam por mim nos fundos. - Senhor Albertinni - cumprimentou Cássio, quando desci do carro. - Ele ainda está no camarote, não fizemos alarde. O pegará de surpresa. - Ótimo! É assim que eu gosto. Desprevenido - disse enroscando o silenciador na ponta da minha pistola. Entrei e observei o lugar lotado de gente bêbada e drogada. Andei em meio àquelas pessoas até chegar à escada que levava a área VIP elevada. Assim que me viu aproximar, o segurança retirou o cordão de veludo azul para eu passar. Lá em cima, caminhei até o homem que me devia milhões e fugia de mim há meses gerando-me sérios problemas com meu pai e o Conselho. - Salazar - chamei-o parando à sua frente. - A-Albertinni - gaguejou quando me viu. Seu rosto ficou pálido e seus olhos arregalaram-se. Ele retirou apressado as mulheres que estavam sentadas em seu colo, jogando-as para os lados como sacos de batatas. - Sente-se, por favor - convidou-me com um sorriso forçado, indicando com a mão a poltrona à sua frente. - Obrigado. - Sentei-me. - Soube que está pagando bebida para todo mundo. Não vai pagar uma para mim também? - Sorri com sarcasmo. - Mas é claro! - respondeu-me e chamou uma garçonete. - O que vai beber? - Sua hospitalidade forçada me deixou irritado. - Seu sangue em uma taça - afirmei rude, desfazendo o sorriso falso. Salazar engoliu em seco e consertou sua postura no sofá, deixando sua coluna reta. Ele olhou para os lados e viu meus homens cercando-o e procurou discretamente pelos seus capangas que já não estavam mais ali dentro. - Albertinni... E-eu... - Cale a boca! - gritei. - Onde está a entrega que você deveria ter feito, mas que desapareceu? O que aconteceu com meu navio? - Eu já disse... Os russos. Eles pegaram a carga de drogas. - Os russos me roubaram um navio com toneladas e toneladas de metanfetamina e você desaparece ao invés de ir atrás deles e recuperar o que me pertence? Que tipo de membro é você? - questionei, encarando-o com fúria. - Enzo, eu... Po-por favor. Você sabe que faço tudo pela família, não é? - Limpou o suor de suas mãos nas pernas da calça. - Não, você não faz. Desapareceu quando deveria ter vindo até mim e esclarecido tudo o que aconteceu! Oitavo mandamento, Salazar! Achei que tivesse conhecimento disso! - esbravejei. - E-estou dizendo a verdade, Albertinni. Estou esclarecendo agora para você. - Depois de três meses? O que leva a crer que agora irei acreditar que me diz a verdade? Como irei confiar que não é um traidor? - gritei. Inclinei-me, apoiando meus cotovelos sobre os joelhos e encarei-o nos olhos. Estava escuro, mas não precisava de luz para saber que suas pupilas estavam dilatadas, não pelo álcool que foi ingerido, mas sim pelo medo que crescia dentro dele

Capítulo 3 Protegida pelo chefe

Eu já estou morto? - perguntou com a voz trêmula. - O que aconteceu com a minha carga? - Ela está com os russos. Foi feito um desvio e há mais quinze homens envolvidos. Eles... eles são soldados meus. Perdoe-me. - Perdoar você? Quem perdoa é Deus. Eu faço você pagar em terra por sua traição. - Minha mandíbula contraiu dolorosamente de raiva. - Assumo que errei, mas não tive escolha. Eles ameaçaram minha família! Por favor, entenda! - Levem-no daqui e arranque tudo o que puderem de informações! - ordenei aos meus soldados. - Sim, senhor - respondeu um deles. - Enzo... Por favor...

Eu tenho uma família que precisa de mim! Dois dos meus homens o pegaram pelos braços e colocaram de pé. - Família? - Levantei-me fechando meu paletó e parando à sua frente. - Onde estão eles agora para você estar aqui com duas putas em seu colo e não em casa cuidando eles? Ficarão melhor sem você, acredite. Levaram-no e eu respirei fundo para dissipar um pouco da tensão e ira que sentia pesar em meu corpo. Aproximei-me da grade de proteção e dei uma boa olhada para a pista de dança lotada de gente. De longe, avistei um corpo escultural e suculento no bar. Ela usava uma saia de couro curta e justa ao quadril, além de um body em renda para lá de sensual. Sua cintura fina e os seios fartos deixaram-me com tesão e desejo de tocá-la. Observei-a por mais alguns segundos e pensei em mandar um dos meus homens buscarem-na para mim. Uma rapidinha no escritório do mezanino não seria nada mau. Ela se virou saindo do bar com uma garrafa de água na mão e eu não podia crer no que estava vendo. Era ela! A garçonete arrogante da cafeteria que me fez passar raiva logo pela manhã naquela semana. Observei-a andar em direção à porta, que levava para o terraço, e desaparecer por ela. O que esta garota faz aqui? Quando dei por mim, já estava descendo a escada do camarote e subindo para o terraço. Olhei para os lados à sua procura e encontrei-a sozinha ao canto. Ela estava de costas escorada na mureta de proteção. Será que não soube ler o aviso? Aproximei-me a passos lentos e parei atrás dela. Seu corpo era mesmo lindo, com ela teria que ser mais do que uma rapidinha. Teria que ser uma noite inteira para me deliciar de cada pedaço de sua carne e pele alva. Já fazia mais de um mês que não tocava em uma mulher e ter aquela em cima da minha cama seria bom demais. Andava cansado daquelas americanas magras e sem curvas algumas. Sou italiano! Gosto de fartura em todas as ocasiões e sentidos. Seus cabelos loiros com corte pouco abaixo do ombro balançavam com o vento forte que batia de encontro ao seu rosto. Droga! Como queria me lembrar da cor dos seus olhos. Será que são azuis como os meus? Ou castanhos? - Não soube ler o aviso de: "não se aproxime da mureta de proteção"? - chamei sua atenção. - Não! Não sei ler! - respondeu com rispidez. Ainda com a mesma língua afiada. Isso me deixou um tanto furioso. Qual era o problema com aquela mulher? Não teve educação? - Além de estúpida, é analfabeta? De que parte do mundo você surgiu, criatura? Todos me devem respeito! Eu sou o capo da máfia italiana, porra! Ela também terá de me respeitar. Se não sabe quem sou, irei mostrar! - De um lugar onde te mandariam para o inferno com um pontapé na bunda, seu italiano arrogante! - respondeu alto e com raiva. Dei a ela um olhar duro e ameaçador. - O que faz aqui? Não notou que esse lugar não é para gente como você? - Por que você não vai à merda? Deu um passo de encontro a mim, lançando-me um olhar desafiador com seu narizinho empinado. - Você é muito atrevida. - Encarei seus olhos. Eram verdes... Belos como duas esmeraldas. Ela não iria abaixar sua guarda. Aquela mulher não era fácil. Se fosse outra qualquer, estaria cheia de dedos para cima de mim e um sorriso sedutor. - E você é o quê? Existe palavra melhor que imbecil para te definir? Imbecil? Esta mulher está ultrapassando os limites. - Você não tem noção de quem está enfrentando, garota estúpida! - É você quem não tem noção com quem está mexendo. Respirei fundo, olhando-a de cima. Isso foi uma ameaça? Quem é esta garota? Problemas para mim ou para a máfia? Nunca sabemos que cara tem o inimigo. Olhei minuciosamente seu rosto descendo meus olhos dos seus até sua boca desenhada pintada por um batom vermelho levemente desbotado. - Saia da minha boate! Ela encarou-me de um jeito que eu não soube decifrar. Um sorriso debochado brotou no canto dos seus lábios. Olhei novamente para seus olhos de esmeraldas, esperando por xingamentos ou um ataque histérico que não veio. - Com o maior prazer, Sr. Imbecil! - disse baixo antes de passar por mim e sair pela porta sem olhar para trás. Definitivamente, ela não era como as outras. Precisava saber quem era aquela mulher. Sentia cheiro de perigo e não costumava me enganar. Se fosse outra, teria contornado a situação numa tentativa de ficar e ter uma noite comigo. Mas ela não. Ela pareceu satisfeita em ir embora e isso me deixou intrigado. Desci novamente para a boate e saí pela porta da frente com meus soldados. Ao pisar na calçada, a vi andar em direção a um táxi e entrar no carro. - Descubra quem é aquela mulher - pedi para Serra, meu braço direito na máfia, que estava parado ao meu lado. - Procure nas filmagens e descubra quem estava na portaria na hora em que ela chegou. Pergunte tudo que ele possa se lembrar. Quero saber cada detalhe sobre seu passado e presente. Veja se chegou acompanhada e se sim, investigue também. Quero isso amanhã de manhã em minhas mãos. - Sim, senhor. - Se achar algo suspeito, mande alguém ficar na cola dela. - Como queira. Deixei a boate e segui para casa. Ao chegar, subi a escada sentindo meu corpo clamar por um banho quente e cama. Ao abrir a porta do meu quarto, avistei um montinho sob o cobertor. Aproximei-me a passos silenciosos e puxei-o lentamente descobrindo um pequeno corpinho. Sua cabeça estava deitada sobre o travesseiro de penas de ganso e seus curtos bracinhos agarravam com força seu fiel companheiro há quatro anos, um urso de pelúcia marrom com gravata vermelha. Tirei meu paletó e sentei-me na beirada da cama vagarosamente, acariciando seus cabelos tão pretos quanto os meus. Curvei-me para frente e senti seu cheirinho de bebê impregnado no pescoço. Depositei um beijo em sua bochecha gorducha e levantei-me indo ao banheiro. Entrei no boxe ligando o chuveiro e deixando a água quente cair sobre meu corpo, relaxando meus músculos. Ao sair, passei direto para o closet e vesti uma calça de moletom confortável. Deitei-me com cuidado na cama para não acordar meu pequeno anjinho que adormecia sereno. Deitado de barriga para cima e olhos fechados, sem minha permissão, minha mente levou-me até a mulher abusada de horas atrás. Por que diabos estava pensando nela? Saí dos pensamentos e concentrei-me em dormir. Já estava quase caindo no sono quando fui abraçado e ganhei um beijo no olho esquerdo.

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