⚠️ Aviso de Gatilhos (e de Sobrevivência!) ⚠️
Antes de conhecer Paige e Alessandro, fica o aviso: esta obra contém cenas de violência, tortura psicológica, linguagem imprópria, obsessão, vingança, sofrimento emocional, tensão sexual e cenas hot. Sim, HOT daquelas que fazem o leitor esquecer que precisava dormir cedo. Se você procura um romance tranquilo... talvez tenha aberto o livro errado. E cuidado: há sérios riscos de crises de riso com as loucuras da Paige, a ponto de precisar explicar no hospital por que estava gargalhando sozinho. Quanto ao drama... bem, essa autora gosta muito mais de cama do que drama, mas isso não significa que ela não vá partir seu coração antes de colá-lo de volta. E prepare-se: você vai odiar Alessandro, depois vai querer protegê-lo... e, quando perceber, estará apaixonado por praticamente todos os personagens desta história.
POV Paige Bellini
- Você irá se casar com Alessandro de Lucca Montrelli. - disse o meu pai.
Ergui a cabeça, deixando de lado os rabiscos que eu teimava em fazer na folha e o encarei. Meu pai sustentou meu olhar, tentando parecer sério.
Dei uma gargalhada, peguei minhas folhas, botei numa pasta e levantei. Antes que eu pudesse passar pela porta, ele me pegou pelo braço:
- Eu não estou brincando, Paige. Aliás, eu nunca falei tão sério na vida.
Olhei para os dedos dele firmes no meu braço e hesitei antes de dizer:
- Você não faria isso comigo.
- Realmente eu não faria. Mas isso mudou no momento em que eu soube que você está de romance com o filho do meu motorista.
Como ele soube? Não, não tinha como!
- Se era para chamar a minha atenção, saiba que conseguiu.
Respirei fundo e decidi confessar:
- Ok, eu realmente estou apaixonada por Lisandro.
Meu pai apertou ainda mais o meu braço e riu, com ironia:
- Você não sabe o que é amor, Paige. E juro que nunca ficará com alguém feito Lisandro.
Ele não pareceu surpreso. Ou seja, certamente sempre soube o que estava acontecendo.
Preferi ignorar e sair. Geralmente dava certo. Mas não daquela vez.
Meu pai puxou-me até o sofá e me jogou nele. Caí sentada, atordoada. Era a primeira vez que ele agia daquela forma.
- Estou farto das suas tentativas de manchar a minha reputação.
- Pai... eu... não faço isso.
- Mimei você demais, Paige. Fiz por você coisas das quais eu não me orgulho. Mas não vou deixar que destrua o meu sonho de ser o presidente do país.
- Desde quando Lisandro te prejudicaria nisso? Como você mesmo disse, ele é só "o filho do motorista".
- Era - ele me corrigiu - O pai e a mãe dele foram demitidos hoje pela manhã.
Levantei, atordoada:
- Como assim? Para onde você os mandou?
- Tentei mandá-los para o quinto dos infernos. Mas estava cheio. Então os joguei no subúrbio, num lugar o qual você jamais ousaria pisar os pés.
- Você não pode fazer isso. - falei, entredentes, sentindo meus olhos arderem de raiva.
- Eu posso fazer o que eu quiser, Paige.
- Não vou me casar com esse homem que sequer conheço. Você não tem direito de fazer isso comigo.
- Alessandro apoiará a minha candidatura caso você aceite. E se eu o tiver ao meu lado, serei o próximo presidente.
Ele falava de forma tão fria e firme que senti minhas mãos tremerem levemente e as folhas de papel que eu segurava se espalharam pelo sofá.
- Eu sou a sua filha e não uma moeda de troca.
- Estou farto de fazer tudo por você, Paige. Quero que cresça. E se para isso tiver que afastá-la de mim, tudo bem.
- Não estou falando de crescimento ou amadurecimento, pai. Estamos falando do quão você prioriza a sua candidatura mais que a própria filha.
- Pense o que quiser. Em um mês, casará com Alessandro.
Eu ri, com escárnio:
- Vai me entregar a um velho em troca do seu nome na história do país? Eu sou a sua única filha, sou tudo que você tem.
- Não consigo mais te controlar, Paige. Se eu não der um basta, você arruinará a minha candidatura.
- Eu amo Lisandro.
Ele riu, sem humor:
- Poupe-me de seu discurso barato de garota apaixonada. Você jamais ficará com Lisandro.
Abaixei a cabeça, tentando processar tudo que estava acontecendo:
- E se eu não aceitar? - claro que eu não aceitaria, mas gostaria de saber até onde meu pai estava disposto a ir por conta do preconceito que tinha por Lisandro ser pobre.
- Se não aceitar, eu irei cortar sua mesada e todos os cartões. Então, pode viver de amor com Lisandro, numa casa de dois cômodos, um banheiro e tendo que trabalhar para sustentar a família.
- Existe casa de dois cômodos? - meu pensamento saiu em voz alta.
Ele riu, com desdém:
- Você sobreviveria um dia com Lisandro. O mundo dele jamais se comparará ao seu, Paige.
- Por que você escolheu esse Alessandro, pai? Foi para me dar uma lição? Por que não o filho do senador Vasconcellos? Por que não o primogênito do governador?
Aqueles homens eu conhecia muito bem e poderia facilmente fazer um acordo com eles e vivermos um casamento de fachada, cada um fazendo o que bem entendesse.
- Quem disse que eu o escolhi?
Arqueei uma sobrancelha, sentindo um frio percorrer a minha espinha.
- Pai...
- Alessandro De Lucca Montrelli escolheu você, Paige. Ele me ofereceu apoio político e amparo financeiro para as campanhas. Em troca você fica casada com ele por um ano.
- Um... ano?
- Sim, um ano. É o tempo que necessito para ganhar a eleição e que ele precisa para agradar ao avô.
- Isso é ridículo. - eu ri, ainda incrédula com o que estava acontecendo.
- Alguma vez passou pela sua cabeça que pudesse escolher seu próprio marido? Pessoas como nós se casam por conveniência, Paige. Temos impérios a preservar e isso só é possível com alianças políticas ou financeiras.
- Me recuso a aceitar.
Ele gargalhou e foi em direção à porta de saída:
- Você não está em condições de aceitar ou não. - Virou-se para mim antes de fechar a porta - Não entenda como um pedido, Paige. É uma ordem.
Fiquei ali, naquele sofá, olhando para os livros que cobriam as paredes do chão ao teto da biblioteca da minha casa.
Eu tinha uma boa relação com o meu pai. Tínhamos nossas desavenças, mas geralmente ele sempre encobria as porras que eu fazia e me perdoava. No entanto, no momento que decidiu ser o presidente, meu pai ficou obsessivo. E passou a viver 24 horas do dia em função disso.
E não, eu não me envolvi com Lisandro para chamar a atenção e sim porque ele me amava, me via como eu realmente era e se preocupava comigo.
Peguei meu celular e digitei "Alessandro De Lucca Montrelli".
Não havia uma única fotografia sequer daquele homem. Ele não tinha redes sociais, nunca tinha concedido uma entrevista ou se envolvido em escândalos. Nem sequer suas propriedades podiam ser fotografadas. Parecia um fantasma.
A maioria das reportagens não falavam sobre ele e sim sobre a Maison Montrelli, a empresa em que era o CEO.
"Maison Montrelli ultrapassa marcas históricas e torna-se a empresa de joias e pedras preciosas mais valiosa do mundo."
"Fortuna de Alessandro Montrelli cresce mais de duzentos bilhões em apenas um ano."
"Especialistas chamam fundador da Maison Montrelli de o homem que transformou pedras em império."
Uma matéria me chamou a atenção. Explicava que Alessandro havia fundado a Maison Montrelli aos vinte e poucos anos, começando com a compra e revenda de pedras raras. Em menos dez anos, havia construído um conglomerado presente em dezenas de países, controlando minas, lapidação, leilões internacionais e algumas das joalherias mais exclusivas do planeta.
CEO INVISÍVEL. Era a definição dele em algumas páginas da internet.
Rolei as páginas. Faturamento anual recorde, detentor de um dos maiores patrimônios do mundo. E ainda assim, nenhuma imagem.
E aquilo me intrigou.
Mandei uma mensagem para Lisandro e Lucy:
Precisamos nos ver. Urgente. Mesmo local de sempre.
Lucy era uma amiga da faculdade. Nunca fui muito boa em fazer amigos. Pelo contrário, às vezes eu tinha a impressão de que todos me olhavam com hesitação e medo e sempre achei que fosse por conta da posição política do meu pai.
Acabei criando laços com ela e, apesar de Lucy ser bolsista e não ter o mesmo nível social que nós, meu pai nunca tentou impedir que nos víssemos. A única condição dele era de que ela não frequentasse a nossa casa. Acho que meu pai acreditava que ela podia nos roubar, o que era um absurdo.
Assim que cheguei na lanchonete barata a vi sentada com Lisandro à mesa. Ambos riam.
Lucy era magra, morena, com cabelos esvoaçados e riso fácil. Lisandro alto, magro, loiro de olhos escuros. Os cabelos estavam sempre bem penteados e tinha um sorriso largo e encantador. O tipo de pessoa pela qual você se apaixona facilmente.
Eu passava a maior parte do tempo com eles, fosse na faculdade ou fora dela. Tínhamos uma ótima relação.
Assim que cheguei, sentei-me ao lado de Lisandro, que me deu um beijo rápido nos lábios.
Respirei fundo e olhei para os dois:
- Meu pai descobriu.
Lisandro abaixou a cabeça e mordeu levemente o lábio. Ouvi o suspiro que ele deu até que dissesse, num murmúrio:
- Eu soube no momento em que minha família foi expulsa da mansão.
- E... o que ele disse? - Lucy quis saber.
- O que vocês acham? Óbvio que ele disse que jamais aceitará.
- Sabíamos que seria assim. - Lisandro disse, com a voz fraca.
- Mas isso não é o pior. - mencionei.
- Pode existir algo pior do que sabermos que seu pai jamais aceitará que fiquemos juntos, Paige?
- Sim, existe. - desviei os olhos dos dele - Meu pai quer que eu case com outro homem.
O silêncio ficou denso. Parece que até o som das pessoas ao redor desapareceu.
Lucy foi quem quebrou o silêncio:
- Eu não fico tão surpresa. Sempre soube que casamento entre ricaços são muito mais por conveniência do que por amor.
- E o que vamos fazer, Paige? Você não aceitou, não é mesmo?
- Claro que não.
- Quem é o escolhido? - Lucy quis saber - o filho gay do governador?
- Ele não é gay. - contestei.
- Todo mundo sabe que é. E por isso o governador fez essa proposta ao seu pai. É conveniente, não é mesmo?
- Eles não têm nada a ver com isso.
- Então, quem é o meu rival de milhões? - Lisandro perguntou, com a voz baixa.
- Alessandro De Lucca Montrelli.
O nome dele soou feito um tiro. Lisandro e Lucy arregalaram os olhos. E foi ele quem se arriscou a dizer alguma coisa dessa vez:
- O CEO invisível? Um dos homens mais ricos do mundo? Você só pode estar zoando comigo!
Não respondi. Até para mim parecia zoação do meu pai, ou um teste para ver até quando eu levaria adiante meu amor por Lisandro.
- É um casamento de um ano. Não que passe pela minha cabeça aceitar, independente do tempo que durará. A questão é: meu pai está louco e disposto a nos afastar para sempre, Lisandro.
- Bem - Lucy botou três batatas fritas ao mesmo tempo na boca - acho que é bem sério. Afinal, seu pai nunca se importou com quem você se envolveu até hoje.
Não que eu tivesse me envolvido com muitos homens. Pelo contrário, eu era bem seletiva. Mas Lucy tinha razão. Era a primeira vez que meu pai se importava de verdade. E eu sabia o motivo: Lisandro não estava à altura do sobrenome da nossa família. E eu estava me fodendo para aquilo.
Lisandro pegou a minha mão. E era sobre aquilo... carinho, força, sentimento. Criei um vínculo incrível com aquele homem. Nos conhecíamos praticamente desde crianças. O pai dele era o motorista do meu pai e a mãe cozinheira na nossa casa.
Nosso convívio era inevitável, já que Lisandro sempre estava com a mãe. Meu pai nunca o proibiu de entrar na nossa casa. Pelo contrário, até pagou boa parte dos estudos de Lisandro em escolas particulares e tinha lhe prometido inclusive um emprego... de meu motorista, claro.
Para o meu pai a vida era assim: cada um tinha uma posição social e nada poderia mudar aquilo. Pobres nasceram para servir e ricos para serem servidos.
- Dificilmente você vai conseguir escapar disso, Paige. - Lucy opinou - creio que até o seu pai tenha medo desse Alessandro invisível.
Eu sabia que meu pai não estava blefando quando me falou sobre aquele casamento. Ele não era o tipo de pessoa que perdia tempo com brincadeiras.
A atendente veio nos atender. Pedi praticamente tudo que tinha no cardápio.
- Você quer garantir que não falte comida para mim por uns dez anos? - Lucy perguntou, rindo.
- Quero garantir que sejam felizes fazendo o que mais gostam: comendo.
Realmente eu não entendia porque, a cada encontro, Lisandro e Lucy faziam questão de pedir algo para comer. Eu sempre os observava, mas não comia. Nos encontrávamos em lugares os quais eu jamais ousaria provar a culinária.
- Você não precisa gastar dinheiro conosco, Paige - Lisandro pegou a minha mão - Pagando ou não a conta, te amarei do mesmo jeito.
Alisei os dedos de Lisandro, observando nossas mãos juntas. Eu gostava dele. por que as coisas não podiam ser mais fáceis?
Não, eu não pagava pela amizade e amor deles. Eu simplesmente... gostava de agradá-los.
- Eu não conseguirei viver sem você, Paige. - Lisandro disse, apertando a minha mão.
- Eu também não, Lisandro. Vamos fugir.
Até eu fiquei surpresa com a minha decisão. Lucy me encarou e depois disse:
- E vão viver como? Amor e uma cabana não pagam as contas. E você é cara de bancar, Paige. Brigarão no exato momento em que Lisandro não tiver dinheiro para comprar o seu iogurte importado.
- Meu pai ficará bravo por um tempo. Depois aceitará. Ele me ama.
Três atendentes trouxeram os meus pedidos e encheram a mesa com comidas fritas, baratas e calóricas. Entreguei o cartão para o pagamento e continuei:
- Nos casaremos em segredo e...
- Cartão recusado. - disse a atendente.
Peguei o cartão e arqueei uma sobrancelha. Não tinha como ser recusado. Meus cartões eram ilimitados. Certamente foi um engano. Então entreguei outro e segui tentando conversar:
- Podemos ficar escondidos num hotel e...
- Recusado também. - ela me entregou.
Entreguei outro cartão e a situação foi a mesma. Não! Meu pai não tinha o direito de cancelar os meus cartões. Ele nunca fez aquilo antes.
Peguei o cartão da minha conta pessoal e entreguei:
- Esse será aceito. - joguei os cartões recusados na bolsa.
Depois eu me entenderia com o meu pai pelo constrangimento que ele me fez passar em público.
- Senhora, aqui diz que não há saldo suficiente.
Mordi o lábio, atordoada. Eu sempre tive saldo. Aliás, eu nunca soube o que era não ter saldo.
- Paige, se seus cartões não forem aceitos, você vai ter que me deixar como pagamento. E nem tenho certeza se aceitarão... pois duvido que eu valha o equivalente a isso tudo que você pediu. - Lucy disse, apavorada.
- Meu pai se arrependerá disso - falei, entredentes - O plano é simples, Lisandro: serei sequestrada. E pedirei um valor suficiente para que possamos viver uma vida estável financeiramente até meu pai entender que você não é um capricho meu.
Os dois arregalaram os olhos, incrédulos com o quanto meu plano era perfeito.
- Enquanto não pagam o seu resgate... será que poderia pagar a conta, senhora? - disse a atendente. - Caso contrário, terei que sequestrar a comida de vocês e chamar a polícia.
Polícia? Não, nem pensar. Um escândalo ali, junto de Lisandro, faria meu pai ficar furioso e isso arruinaria a sua reputação. E isso sim faria o meu pai ficar furioso.
Peguei a minha carteira e entreguei a bolsa para a mulher. Uma Hermès preta, básica, mas que valia mais do que todo aquele lugar.
Ela arqueou uma sobrancelha:
- Não aceitamos o pagamento em bolsas.
- Mande avaliar, garota - Lucy disse, irritada - essa bolsa paga essa espelunca toda e ainda sobra troco.
A atendente olhou para mim e depois para a bolsa e levou, certamente para mandar avaliar. Eu duvidava que alguém ali sabia o exato valor da minha bolsa.
- Você está louca, Paige! - Lisandro disse. - seu pai te mataria.
- Prefiro morrer a casar com um homem que eu nunca vi na vida, Lisandro. Eu quero ficar com você... para sempre. Pessoas ricas são sequestradas o tempo todo. E isso é até relativamente comum.
- Sim, é. E todos os sequestradores são presos e nunca mais saem da cadeia para contar a história.
- Isso quando não são mortos antes mesmo de chegar na delegacia. - disse Lucy.
Meu telefone vibrou. Olhei a mensagem:
"Olá, senhorita Paige! Meu nome é Helena Voss e fui contratada para coordenar seu casamento. Seu pai já autorizou o início dos preparativos e gostaria de agendar uma breve reunião para conhecer suas preferências e expectativas para o grande dia. Será um prazer ajudá-la em cada etapa. Aguardo seu retorno!"
Recostei-me no encosto do banco desconfortável, atordoada. Definitivamente, meu pai não estava brincando. Eu o conhecia o suficiente para saber que aquilo era sério.
Entreguei o celular para Lisandro, a fim de que ele visse a mensagem:
- Meu pai está disposto a sacrificar a própria filha em nome da carreira - senti um aperto no peito, real, como há muito tempo não sentia - Precisamos agir rapidamente. É a minha vida que está em jogo... o nosso amor, Lisandro.
- Isso é loucura! - ele disse, atordoado.
- Lisandro, está na hora de deixar de lado o seu moralismo. Ganharei tempo e deixarei tudo acontecer. Enquanto isso, procuramos a pessoa disposta a fazer isso.
- Quanto acha que cobrarão para sequestrar a filha do futuro presidente do país? - Lisandro me olhou.
- Nada que eu não possa pagar.
- Amiga, você não tem dinheiro nem para pagar o lanche. - Lucy disse, bebendo o restante do refrigerante do copo - acho que sequestradores não fazem isso de graça.
- Seu pai tirou todo o seu dinheiro, Paige.
- Já tenho tudo organizado. - garanti.
Claro que eu tinha! Fingiria para o meu pai que tinha aceitado aquele casamento arranjado. Para ficar ainda mais crível, pediria em troca que, quando o contrato acabasse, ele me deixasse ficar com Lisandro.
Eu organizaria a cerimônia e o faria acreditar que realmente estava disposta a me sacrificar pelo amor. Enquanto isso, meus cartões e contas seriam liberados e eu teria como pagar o meu sequestrador.
O melhor momento para ser sequestrada era antes de entrar na igreja. Todo mundo estaria ocupado demais para ter tempo hábil de raciocinar direito.
Eu seria sequestrada e pediriam um valor ao meu pai pelo resgate. Com esse dinheiro, eu fugiria com Lisandro para bem longe. Aliás, teríamos que ir para outro país, caso não quiséssemos ser encontrados. Depois de um tempo, eu voltaria, meu pai ficaria feliz com o meu retorno e aceitaria o homem que eu escolhi e não o que ele me obrigava a aceitar.
Lisandro e Lucy acharam o plano absurdo de cheio de falhas. Eu achei muito bem planejado e sem possibilidade de qualquer coisa dar errado.
- E onde arranjaremos um sequestrador? - Lisandro perguntou - Paige, não somos pessoas que se envolvem com esse tipo de gente.
Então... aquela era a pior parte do plano: encontrar a pessoa disposta a sequestrar a filha do futuro presidente do país. Nada poderia dar errado, pois todos pagariam o preço.
- Eu... conheço uma pessoa... que... faria isso por dinheiro. - Lucy disse, gaguejando.
E foi ali, naquela pequena lanchonete, que organizamos tudo.
Quando voltei para casa, pedi desculpas ao meu pai e disse que aceitaria o casamento. Em troca, quando acabasse o contrato, ele teria que aceitar o meu relacionamento com Lisandro.
Rafael Bellini, meu pai, disse sim. E eu fingi que acreditei. Conhecia o meu pai muito bem para saber que ele jamais aceitaria que eu me casasse com alguém como Lisandro Silva. Contei com o amor dele e a esperança que, futuramente, entendesse o motivo pelo qual agi daquela forma.
Fui com Lucy e Lisandro até um antigo galpão no meio do nada, do outro lado da cidade, onde o amigo do tio dela nos apresentou o homem que se dispôs a me sequestrar no caminho da igreja. Lá também mandei fazer novos documentos e passaportes para mim e Lisandro.
O tempo que nos pediram para a documentação falsa ficar pronta coincidiria com a data do casamento, que também seria o dia do sequestro.
Tive que pagar tudo adiantado. E o preço não foi tão alto quanto eu esperava. Eu nunca me importei muito com o valor das coisas. Nunca fui privada de nada. Mas percebi, em menos de uma hora numa lanchonete, o quanto era horrível ficar sem um cartão de crédito. E eu jamais passaria por aquilo de novo.
Meu pai precisava entender que eu não era uma moeda de troca. E que era adulta o bastante para tomar minhas próprias decisões. E inteligente a ponto de fazer com que tudo acontecesse do jeito que eu queria.
Comprei as passagens para os Estados Unidos com saída no dia exato do casamento.
E foi assim que traçamos o plano perfeito. O que não botamos em discussão, em nenhum momento, foi o nome de Alessandro De Lucca Montrelli.
Nunca passou pela minha cabeça que o centro de tudo nunca foi o meu pai e sim o homem mais poderoso do mundo, o qual todos já tinham ouvido falar, mas nunca ninguém viu o rosto.