Marina fechou o computador e pegou suas coisas para ir embora, sem perceber que já eram 10 horas da noite. Havia entrado noite a fora trabalhando, mas era muito importante tudo o que estava fazendo, Por isso saiu apressada, agarrada com sua bolsa e seu computador, foi direto para o estacionamento pelo elevador, entrou no seu carrinho modesto e gasto e foi para casa rapidamente.
Chegando em sua casa, foi a sua escrivaninha, pegou um envelope e colocou dentro o pendrive que havia gravado no trabalho, contratou uma agência de entrega 24 horas e esperou que chegassem até a sua porta, entregou o envelope com o endereço, que o rapaz botou dentro de uma bolsa lacrada, para ir entregar rápido. Depois disso, foi tomar banho e deitar, estava exausta. Não tinha ânimo nem para comer. A noite, passou tranquilamente e apesar de Marina ter dormido a noite toda, nem todos fizeram a mesma.
Um grupo de homens se organizava dentro de um galpão no porto, discutindo,
– Vocês parecem que tem estrume na cabeça, como não prestaram atenção em toda essa mercadoria aqui. Agora vamos ter que aumentar toda a carga que já colocamos na contabilidade da empresa.
– Mas, senhor Demétrius, nós não sabíamos que tudo isso estava aqui. Foi algo extraordinário, feito para encobrir a falha da carga que veio por mar.
– Não quero saber, eu disse que não faria mais aquelas emendas na contabilidade da empresa, pode ser visto a qualquer momento por algum dos contadores, pois está se tornando muito repetitivo e se alguém notar, teremos encrenca com meu irmão.
– Não podemos fazer outra coisa, senhor? E se tirássemos essa carga daqui, do mesmo jeito que ela veio parar aqui? - Sugeriu um dos capangas
– Pode ser uma ideia, o iate do meu irmão é bem grande, provavelmente no fundo dele caberá todo esse material ou pelo menos, poderemos levar de duas vezes, vou decidir o que fazer. Até lá, não deem mancada.
**
Quando o dia amanheceu, com o sol entrando pela janela e acordou Marina, ela logo se levantou, se arrumou e saiu. Seguiu para uma cafeteria próximo ao trabalho, estacionou seu carrinho e entrou para tomar um bom café da manhã, pois não tinha jantado e nem comido nada no dia anterior. Pediu o prato maior que tinha e sentou-se para esperar, quando ele chegou, começou a comer imediatamente e logo viu que alguns funcionários da firma começaram a entrar também, para tomar o café. Ela foi comendo aos poucos e viu que todos olhavam para ela, mas ninguém reparava na pessoa que ela era, realmente, pois sua aparência não atraia os olhares mais de uma vez e era isso mesmo que ela queria.
Ela sempre se arrumou com simplicidade e austeridade. Sua mãe sempre a ensinou a se portar corretamente e não chamar atenção, e por isso suas roupas eram longas e com mangas compridas, não deixando transparecer a beleza do seu corpo bem torneado. Também tinha um rosto bem suave, ovalado, olhos verdes e astutos, nariz afilado e boca bem feita. Ela disfarçava tudo com maquiagem e um bom óculos de grau, assim como seu cabelo que estava sempre preso porque eram volumosos, castanhos e brilhosos, mas ninguém sabia, porque ninguém nunca vira os cabelos dela soltos.
Terminado seu café, ela voltou para o seu escritório e lá começou a digitar no seu computador, depois de ligá-lo, enviando mensagem para o CEO da empresa. Quando viu que os e-mails não eram abertos e não foram lidos, se preocupou e copiou, mais uma vez, no pendrive, tudo que tinha descoberto e fechando o computador, pegou sua bolsa e saiu novamente.
No dia anterior, já havia observado que algumas pessoas estavam olhando-a estranho e tinha certeza que essas pessoas estavam mancomunadas, seja lá com quem estava roubando a firma ou lavando o dinheiro através dela. Saiu da sala, entrou no elevador e subiu até o último andar onde era o escritório do CEO. Chegou até a secretária que a olhou e perguntou
- O que você quer aqui, mondronga?
- Quero falar com o CEO Bernardi é urgente. - Disse séria e com postura imponente, querendo se fazer respeitar
- Quem é você para exigir urgência em falar com o presidente?
- É muito importante, você quer parar de fazer doce e dizer a ele que eu preciso falar com ele. - Exigiu.
- Nada do que você tenha para falar com ele é importante, ele está muito ocupado e não pode atender agora. - Insistiu a secretária.
Marina se empertigou com sua pasta e marchou em direção a sala, só que ali na porta tinham dois seguranças parados e olharam para ela com ar feroz.
- A senhorita não pode passar, o CEO está ocupado.
- Mas é muito importante, eu preciso muito falar com ele.
- Marque uma hora com a secretária, agora ele está ocupado e não pode atender, por favor não insista mais, saia daqui. - Ordenou o segurança.
Nesse momento, chegou por trás de Marina, um homem alto, forte, cabelos castanhos raspados dos lados e compridos em um moicano, penteados e presos para trás, óculos escuros, barba grande e nem aparada e mão no bolso, trajando terno de alfaiataria, feito especialmente para ele.
- O que está acontecendo aqui? Posso ajudar? - Perguntou para Marina.
- Desculpe, senhor, mas é que eu preciso falar com o presidente.
- Eu sou Demétrius, irmão do CEO. Pode falar comigo, se quiser? - Disse o homem.
- Desculpe, mas é só com ele. - Desculpou-se, Marina, suspeitando de todos.
- Sinto muito lhe informar, mas meu irmão viajou e não vai voltar até o início da semana que vem, mas se você quiser e for tão importante, você pode vir conosco e eu lhe levo até ele. - Ofereceu Demétrius.
- Não, não precisa se incomodar. Eu vou embora agora eu volto outro dia. - Respondeu Marina, tentando se esquivar.
- Mas eu insisto, senhorita, não posso deixá-la nesse apuro. Com certeza, a senhorita tem alguma coisa importante para falar com ele, já que insistiu tanto. - Agora Demétrius, insistia, havia desconfiado da garota e queria saber mais.
- Não, realmente não há necessidade. Não quero incomodar, já estou indo. - Disse Marina, tentando passar pelos homens.
Marina pressente o perigo e queria sair imediatamente dali. Agarrada em sua bolsa, tentou se dirigir ao elevador, mas o tal Demétrius parou a sua frente e ele era muito grande.
Marina não conseguia passar, até que a secretária percebendo, foi até lá e puxou-a com violência pelo braço a levando dali até o elevador jogando-a dentro e batendo o botão para que descesse. Antes que a porta fechasse totalmente, ela olhou séria para Marina e disse quase sussurrando:
- Suma...
Marina entendeu a mensagem e assim que se viu em segurança no elevador, não chegou nem até o seu carro, foi correndo pela porta da frente, chamou um táxi e pediu que a levasse até a estação. Descendo na estação de trem, foi até o guichê e olhou todos os lugares para onde ir e comprou a passagem para o próximo trem que sairia, comprou a passagem e correndo, desceu as escadas e foi para a plataforma esperar o trem que ainda demoraria 10 minutos e foi nesse ínterim, que os homens do Demétrius encontraram ela.
Levaram-na, procurando ser discretos, para que ninguém percebesse, mas Marina tentou fugir e eles, mais uma vez agarraram ela e a levaram a força para fora da estação, colocaram-na dentro de um carro negro e levaram-na até o cais nas dorcas, onde entraram em um lindo iate.
Marina estava apavorada. Tinha quase certeza de que eram aqueles homens, chefiados pelo irmão do CEO, que estavam por trás dos roubos e maquiagens da contabilidade. Por isso seus nervos tremiam e sua mente tentava formular um plano de fuga, mas nada do que pensava, era viável diante daqueles homens truculentos, com armas de fogo em suas cinturas.
Pensou até em fingir um tropeço e pegar uma das armas, mas podiam dar um tiro nela antes do pretendido por eles e antecipar os acontecimento, não era o seu intento.
" Me manter viva, é isso que preciso." Pensava ela.
Foi arrastada até uma sala confortável dentro do iate, e jogada sobre um sofá. Demétrius mandou que os homens saíssem e olhou sério para ela. Ela não aguentou a arrogância do homem e jogou em sua cara:
- Você é um bandido arrogante e hipócrita, fingindo estar ajudando as empresas e está usando ela para seus negócios sujos. Não pense que ficará impune, pois não ficará. - Esbravejou ela, quase cuspindo em sua cara, já que havia levantado e falava de frente para ele.
Ele apenas se afastou e pegou a bolsa dela, que estava jogada no sofá e despejou, ali mesmo, todo o conteúdo, procurando um pendrive, fita ou papéis comprometedores. Não havia nada ali e nem no forro da bolsa, então foi até ela e começou a examiná-la, soltou seu cabelo, tirou seu óculos, quebrando-o e não encontrando nada, começou a despi-la.
Marina gritou, socou e esperneou, mas nada o parou ou demoveu da idéia de despi-la. Quando ele sentiu a dificuldade porque ela não parava de lutar, então deu-lhe um tapa no rosto, a derrubando no chão e puxou suas roupas, as rasgando e verificando cada pedaço do tecido, até que achou o objeto, na dobra da bainha, costurado. Olhou para o corpo dela, encolhido, se escondendo.
Pegou-a pelo braço, a suspendeu e colocou-a no sofá. Ela levantou a cabeça e seus fios longos, grossos e ondulados, emolduraram seu rosto, caindo pelos ombros. Seus olhos verdes, brilharam de raiva ao fitá-lo. Ele fitou aquele rosto belo, o corpo esculpido como o de uma vênus e percebeu a beleza única daquela mulher. Estava oculta, escondida, atrás de uma fantasia desleixada.
- É sério isso? Você escondia toda essa beleza, atrás de uma aparência fora de moda e esdrúxula.
- Não é da sua conta, idiota. O que faço ou deixo de fazer é só da minha conta.
Ele deixou ela lá sentada olhando para ele e foi até o bar, serviu dois copos com duas doses de whisky, estava nervoso, não estava nele a vontade de sentir atração por uma mulher,as era o que estaba sentindo nessa hora, voltou até ela.
- Beba! - Ordenou ele passando um dos copos para ela e bebericando o outro.
Marina ficou tão espantada, que não recusou o copo, mas não bebeu.
- Beba tudo, agora! - Ordenou, segurando o rosto dela e apertando, para que abrisse a boca.
- Nãã ooo
Ele derramou o conteúdo do copo através dos lábios dela, obrigando-a a beber, queria que relaxasse. Ela engasgou, tossiu, mas não bebeu e ele a soltou. Depois, pegando o copo que estava nas mãos dela, agarrou seus cabelos e puxou sua cabeça para trás. Automaticamente ela abriu a boca para gritar e ele aproveitou para despejar a bebida, que desceu fácil por sua boca. Ela engoliu, tossindo, sentindo a queimação arder em sua traquéia e não estava entendendo por quê ele queria embebedá-la.
Ele pousou os copos em uma mesinha e a puxou pelo braço, pondo-a de pé e com o balançar da embarcação, ela cambaleou e percebeu que já estava zonza. Ele a segurou para não cair e levou-a para a cabine principal, jogando-a na grande cama do local. Ela foi perdendo cada vez mais a lucidez e não conseguia focar a vista e nem elaborar um pensamento coerente.
Marina não era acostumada com bebida e a quantidade que tomou, deixou-a muito mal, a ponto de não conseguir perceber o que o homem estava fazendo e se defender. Sentia seu corpo ser manipulado e quando a dor chegou, misturou-se com o mal estar da bebida e ela só conseguiu ficar parada, esperando terminar.
Apagou.
O iate continuou cortando as águas, até ancorar próximo a orla de uma certa residência. Talvez por estranhar a suavidade da embarcação parada e o cessar do barulho do motor, Marina acordou, sua cabeça doía muito, estava enjoada e tentou levantar, vomitando ao lado da cama, deixando tudo sujo. Sentiu uma melhora na tontura e olhando a sua volta, viu o homem dormindo e percebeu o que tinha acontecido.
Percebeu que era a oportunidade única, dela sair dali e resolveu aproveitar. Levantou, sem se preocupar com sua nudez, foi tateando e tropeçando até chegar a área externa e conseguir subir na balaustrada e pular. Um dos homens ouviu o som e correu, vendo o corpo afundar e começou a atirar. Os outros ouviram e vieram também, mas não conseguiram ver mais nada nas águas escuras.
- O que houve aqui? - Demétrius chegou, vestindo só uma calça de moletom e descalço.
- Ela conseguiu fugir, senhor. Pulou na água e sumiu. - Informou o que atirou.
- Você atirou nela? Porquê? - Perguntou o chefe, furioso.
- Ué, era pra deixar ela fugir?
Demetrius nem respondeu, ficou olhando para as águas ao redor do barco, mas não apareceu nem um corpo flutuando, talvez tivesse sido arrastado pela correnteza abaixo da superfície. Passou a mão pelos cabelos, aborrecido. Não imaginava que ela fosse tão fraca para bebida e nem tão pouco, virgem. Só percebeu ao ver o sangue no próprio corpo e no lençol.
- Inferno!
Estava revoltado consigo mesmo, por ter violentado a mulher mais linda que já conhecera na vida. Linda, inteligente e pura. Inferno! Blasfemou novamente. Entrou e foi até a sala, juntou os pertences dela, colocando um por um, na bolsa, depois de examinar. Sua carteira com os documentos, do pai e da mãe, endereço, aparelho celular e objetos pessoais, tudo muito simples.
Se enganou profundamente com aquela jovem mulher. Quando iria imaginar que ela era virgem? Normalmente, jovens bonitas, da idade dela, estavam sempre em baladas e barzinhos com as amigas e tinham vários homens aos seus pés. Mas ela não aguentou as doses de whisky e já era tarde, quando percebeu que era virgem. A bebida era só para amansá-la, mas ela quase entrou em coma alcoólica.
Esperaria uns dois dias, antes de procurar o seu irmão e relatar o que estava acontecendo. Já estavam descarregando o material que tinha ido por engano para o galpão. Estava farto de fazer esse serviço. Era tudo a troco de dinheiro. O dinheiro trás poder, quanto mais se tinha, mais poder e controle sobre as pessoas. Não tinha felicidade nas coisas que fazia e nem tão pouco tempo para desfrutar férias.
Tirou o lençol sujo e colocou em um saco de lixo. Chamou o faxineiro para limpar o vômito que já fedia o quarto todo e voltou para a sala, colocou uma dose de whisky do copo e finalmente tomou, tentando esquecer toda a agressão que cometeu. Tudo aquilo ficaria em sua mente por muito tempo. Acabou dormindo no sofá, bêbado, sabendo que os homens não ousariam fazer nada de diferente do que sempre faziam.
Amanheceu e o murmurar das ondas batendo na areia, faziam qualquer um relaxar e querer continuar deitado, mas não foi assim com Dhomini. Com uma caneca de café na mão, ele bebericava, de pé na varanda de sua casa de praia. A casa era no alto e não no nível da praia. O mar estava calmo e límpido, o céu azul e a areia branca, regular em toda sua extensão, exceto...
- Mas o que é aquilo? Um corpo? - perguntou a si mesmo.
Pousou a caneca sobre uma mesinha e foi em direção a escada, descendo correndo e chegando a praia. O corpo de pele muito alva, estava de bruços e as águas das marolas, chegavam até ele, mas não chegavam a movê-lo. Os cabelos longos e escuros, embaralhados e misturados a areia, cobriam o rosto, os ombros e as costas, impedindo que se visse o rosto dela.
Ele chegou já se ajoelhando e virando o corpo, para verificar pulso e respiração e assim que viu que ainda havia vida, pegou o celular e ligou para a emergência. Pegou o corpo com os braços e levou para casa, pousando-o na espreguiçadeira da varanda e correu para pegar um robe e vesti-la. Enquanto esperava pelo socorro, observou a mulher. Parecia nova e pura e embora não pudesse ver a cor dos olhos, poderia jurar que eram claros.
Linda!
Poderia ser uma sereia, mas se fosse, não pararia na praia, desacordada e ferida. A mente de Dhomini divagou até a ambulância chegar. Os socorristas prestaram os primeiros socorros, colocaram ela na maca e a levaram para o hospital. Ele seguiu atrás, em seu carro e acompanhou-a até o pronto socorro. Foi direcionado a recepção para fornecer detalhes, embora não pudesse dizer muito, se responsabilizou por ela.
Ela foi levada para dentro em uma maca, depois que foi atendida no pronto socorro. Ele ordenou que dessem a ela o melhor tratamento que tivessem em um quarto particular. Ficou esperando no quarto, até que a levassem. O médico foi acompanhando a jovem e logo depois que a colocaram no leito, banhada e vestida com uma camisola hospitalar, a polícia chegou.
- Então, doutor, qual o diagnóstico? - Perguntou Dhomini, ao médico.
- Ela levou um tiro na cabeça, que por sorte passou de raspão.
- Ela levou um tiro? Um tiro? Isso é muito grave. - Exclamou Dhomini.
- E não foi só isso, ela sofreu violência física e sexual e tudo indica que bebeu muito antes de ser jogada ou ter pulado no mar. O tiro pode ter salvado a vida dela, pois ela desmaiou e seu corpo quase paralisou, fazendo com que não puxasse o ar com força e deixasse a correnteza levá-lo. É isso, agora só saberemos mais quando ela acordar.
- Vamos esperar que a polícia descubra quem ela é...
- E que ela não tenha sequelas do tiro. Traumas na cabeça são imprevisíveis. Soube que o senhor se responsabilizou por ela, um gesto nobre de sua parte. Agora, com licença.
O médico se retirou e ele aguardou pela polícia. Eles verificaram a digital dela e a identificaram. Deram entrada em novos documentos e quando a informação de que ela era contadora de sua empresa, Dhomini se surpreendeu e ficou mais convencido ainda em cuidar dela. Saiu do quarto e foi à sala de espera telefonar. Falou com sua secretária e soube que a mulher estava procurando por ele e encontrou Demetrius. Será que Demetrius a pegou e fez aquilo com ela? Seu irmão, quando queria, sabia ser um cafajeste.
Tentou falar com seu irmão, mas só dava fora de área, não insistiu, sabia que ele viria atrás dele em breve. Esperaria e enquanto isso, cuidaria daquela linda mulher, até que ela tomasse a atitude de se cuidar sozinha. Voltou para o quarto e sentou-se na poltrona
Esperou e esperou.
Finalmente ela acordou, estava tranquila e olhou a sua volta, até o avistar.
- Olá, como se sente? - Perguntou ele, se aproximando da cama
- Onde estou? Quem é você?
- Você está no hospital e eu sou Dhomini Bernardi. Você foi ferida. Se lembra como? - Perguntou ele.
Ela fechou os olhos e mexeu a cabeça, abriu de novo os olhos e aquelas pupilas berdes, muito claras, focaram nos olhos dele, mostrando indecisão e insegurança.
- Não me lembro de nada, nem do meu nome, nem do que faço e quem é você? - Perguntou ela, com medo.
- Então deve ser a sequela que o doutor falou. Você teve um ferimento feio na cabeça. Não sente dor?
- Um pouco. - Passou a mão no lugar do ferimento e sentiu o curativo.
Logo a porta abriu e o médico entrou.
- Acordou, que bom.
Ele examinou seus sinais vitais, fez algumas perguntas e diagnosticou a amnésia. Encaminhou-a para um psiquiatra e disse que no dia seguinte, ela estaria de alta.
- Obrigado, doutor, levarei ela para minha casa de praia e cuidarei dela.
- Não esqueça de verificar se ela tem outras opções. Com licença.
Dhomini ficou calado, tinha um plano na cabeça e não queria intromissão. Ficou mais um tempo com ela, viu ela se alentar e quando as enfermeiras ministraram a medicação e ela ficou sonolenta, despediu-se e disse que voltaria no dia seguinte, para buscá-la. Saiu para pôr seu plano em ação. Foi até as lojas e comprou diversas roupas femininas, para diversas ocasiões. Esperava ter acertado o manequim.
Foi para casa e ele mesmo arrumou as roupas em uma parte de seu closet. Trocou as roupas de cama por peças mais claras e colocou produtos femininos diversos, pelo banheiro e quarto. Entrou na internet e procurou por ela nas redes sociais, mas não encontrou nada e não pode usar as molduras que comprou. Teria que se contentar com o que já fez, esperando que ela acreditasse.
Finalmente terminou tudo e foi para a varanda, tentar ligar novamente para seu irmão. Ele atendeu e pela grosseria não estava nada satisfeito, notou Dhomini.
- O que você me diz da contadora? - Perguntou Dhomini.
- Como ficou sabendo? - Devolveu a pergunta, Demetrius.
- Não me responda com outra pergunta, me diga logo, o que você fez com a contadora?
- Não sei, só a encontrei no escritório, estava te procurando, cheia de segredos, então ofereci ajuda e ela recusou. Foi isso.
- Não enrola, Demetrius. Ela chegou aqui na praia, com um tiro na cabeça e para sua sorte, com amnésia. - Despejou Dhomini.
- Não me acuse do que não sabe e se ela levou um tiro, não fui eu que dei. - Defendeu-se Demetrius, torcendo a verdade.
- Esperemos que ela não lembre o que a trouxe aqui e se lembrar, torsa para que não se lembre de você, se não, torso seu pescoço. - Ameaçou Dhomini.
- Não me ameace, Dhomini. Você sabe o quanto sou pavio curto.
- Não apareça aqui por uns dias, até eu descobrir o que ela lembra ou se vai lembrar. - Ordenou Dhomini.
- O que, vai se aproveitar da coitada, Dhomini? Você não precisa disso. - Falou Demetrius, cheio de ciúmes, pois gostou da fêmea e se ela não tivesse fugido, teria ficado com ela para si.
- Não enche. - Acabou com a ligação, sem sequer se despedir.