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Quando o Amor Machuca

Quando o Amor Machuca

Autor:: SIMON HERSEY
Gênero: Moderno
Dizem que o amor é uma coisa linda, mas isso não era verdade para Gianna, que não conseguia entender por que sua vida perfeita de repente se tornou um inferno. Após um aborto espontâneo, ela ficou desfigurada e sua carreira e reputação foram arruinadas. Como se isso não bastasse, a chegada de Elliot piorou ainda mais sua vida. Esse homem apareceu do nada e a surpreendeu. Mas de repente, ele desapareceu, deixando-a com o coração partido e sem esperança na vida. O amor definitivamente não era para Gianna!

Capítulo 1 Gravidez não planejada

"Parabéns, senhora. Você está grávida de seis semanas!", disse o médico com um sorriso no rosto, enquanto entregava o resultado do teste de gravidez.

Eu sentia minhas mãos trêmulas enquanto segurava o pedaço de papel e observava as palavras que eu conseguia decifrar. Nós só havíamos feito sexo uma vez. Como eu poderia estar grávida?

Qual seria a melhor ação a tomar neste momento?

Caso eu compartilhasse essa informação com Elliott, ele ficaria feliz e optaria por manter o casamento com a chegada do bebê?

Claro que não! O Elliott que eu conhecia provavelmente me acusaria de usar o bebê para tentar chantageá-lo. Ele certamente não mudaria sua opinião em relação ao divórcio.

Fiquei desorientada e imersa em tristeza. Guardei o relatório na bolsa e deixei o hospital.

Um reluzente Maybach preto estava estacionado em frente ao edifício do hospital. A janela do veículo estava parcialmente aberta. O homem sentado no assento do motorista exibia um rosto bonito e indiferente.

Como de costume, esse indivíduo despertava interesse devido à sua aparência atrativa. Algumas mulheres, tanto mais maduras quanto mais jovens, chegavam a perder os sentidos enquanto se ocupavam de suas atividades.

Este indivíduo não era ninguém além de Elliott Crawford, o homem responsável pela minha gravidez. Ele era um homem rico e muito bonito. Ninguém conhecia tão bem como eu o quão encantador ele era. Após tantos anos, eu já havia me familiarizado com essa situação. Ignorando as mulheres que estavam dando sinais para ele, eu adentrei o assento do carona.

Enquanto relaxava com os olhos fechados, Elliott mostrou um leve sinal de inquietação ao franzir sua testa. Sem nem mesmo abrir os olhos, ele murmurou: "Já terminou?"

"Sim." Concordei e mostrei o contrato assinado pelo diretor do hospital. "O senhor Kershaw enviou seus cumprimentos."

No início, estava previsto que eu viesse aqui sozinha para assinar o contrato. Mas eu acabei encontrando Elliott no caminho. Inesperadamente, ele ofereceu uma carona sem que eu solicitasse.

"A partir de agora, a responsabilidade por este projeto será sua." Elliott era conhecido por ser um homem de poucas palavras. No entanto, cada vez que ele se expressava, suas palavras eram autoritárias, sem permitir espaço para discussões ou sugestões. Ele ligou o carro, sem demonstrar nenhuma interesse em aceitar o contrato.

Eu balancei minha cabeça de forma desengonçada e afastei minha mão.

Sempre que eu estava com Elliott, eu me mantinha em silêncio. Eu tinha colocado um esforço colossal para me adaptar a isso. Com o passar do tempo, desenvolvi uma grande disciplina ao trabalhar para ele.

Elliott não retornou para casa. Ao invés disso, ele se dirigiu ao centro da cidade. Já era noite. Para onde ele estava me levando? Apesar de minha curiosidade, não tive coragem de questioná-lo. Eu mantive a minha boca fechada como de costume quando ele agia de maneira incomum.

Ao pensar no resultado do teste de gravidez dentro da minha bolsa, uma sensação de peso surgiu no meu estômago. Eu estava incerta sobre como comunicar isso a ele. Lancei um rápido olhar na direção dele e percebi que seus olhos frios estavam atentos à estrada.

"Elliot..." Finalmente, rompi o silêncio quando minhas mãos, que seguravam minha bolsa, começaram a transpirar. Percebi pequenas gotas de suor brotando em minha testa e escorrendo ao longo das minhas costas.

"Desembuche!" Elliott ordenou friamente, pressentindo que eu possuía algo a dizer.

Não me surpreendia que ele se comportasse dessa maneira. Afinal, ele sempre me tratou dessa maneira. Apesar de ter ficado desapontada quando nos encontramos inicialmente, gradualmente me adaptei. Então, respirei fundo e murmurei: "Eu estou..."

As palavras que eu pretendia expressar eram simples, apenas três palavras. No entanto, o celular dele tocou repentinamente, fazendo com com que eu ficasse em silêncio e continuasse inquieta.

"Tudo bem, Olivia?"

Algumas pessoas eram capazes de amar apenas uma pessoa durante toda a vida e davam a essa pessoa especial todo o seu amor enquanto tratavam todos os outros indivíduos como simples coisas descartáveis.

Elliott poderia ser classificado como uma dessas pessoas. Toda sua ternura e atenção eram direcionadas apenas para Olivia Tucker. Pela forma como ele se expressou, dava para perceber claramente o seu carinho por ela.

Eu desconhecia as palavras de Olivia para Elliott, porém, subitamente, ele apertou os freios e falou com calma: "Não chore, está bem? Eu chegarei lá em breve. Apenas permaneça em casa e aguarde eu chegar."

Ao finalizar a chamada, seu semblante adquiriu uma expressão fria e severa, como se ele tivesse acionado um interruptor. Ele direcionou o olhar frio na minha direção e disse: "Desça do carro!"

Tratava-se de uma ordem inquestionável.

Ele já havia me abandonado na beira da estrada outras vezes. Eu assenti com a cabeça, engoli todas as palavras e saí antes que ele tivesse a chance de repetir.

Meu matrimônio com Elliott foi um incidente e também uma coisa inevitável, mas nunca esteve relacionado a algum tipo de sentimento amoroso. A mulher que Elliott sempre amava era Olivia. Eu representava um mero obstáculo em seu caminho para o amor, uma pessoa que ele mal podia aguardar para descartar assim que surgisse a oportunidade.

Dois anos atrás, o avô de Elliott, Lorenzo Crawford, sofreu um enfarte do miocárdio. Enquanto estava doente em uma cama de hospital, ele ordenou a seu neto que se unisse em matrimônio comigo. Elliott hesitou. No entanto, ele acabou não tendo outra escolha. Desde o início, nosso casamento foi um verdadeiro caos. Ele me tratava como se eu não existisse em sua vida. Após a morte de Lorenzo, ele estava ansioso para se divorciar de mim.

Já era à noite quando cheguei em casa. Sempre senti arrepios nessa casa vazia e espaçosa. Eu não conseguia deixar de imaginar esta residência como uma daquelas casas assustadoras que apareciam nos filmes de terror. Eu não tinha apetite. Talvez fosse um dos sintomas da gravidez. Eu apenas tomei um banho e já fui para a cama.

Eu estava quase pegando no sono quando percebi o som de um veículo estacionando no jardim da frente.

Elliott havia voltado?

Ele não iria passar a noite com sua amada Olivia?

Capítulo 2 Não vá

Ainda deitada sob as cobertas, prendi a respiração e esperei. A porta do quarto logo se abriu e Elliott entrou todo molhado, indo direto para o banheiro, sem nem olhar para mim. Alguns segundos depois, ouvi o som do chuveiro.

Agora, eu estava bem acordada, então me levantei e vesti uma camisa de dormir sobre a camisola de seda. Depois, peguei o pijama de Elliott e o coloquei no armário que ficava ao lado da porta do banheiro antes de ir para a varanda.

Era a estação das chuvas, portanto, o que começou como uma simples garoa, já era uma chuva grossa a essa hora. O som forte das gotas de chuva batendo nas janelas fechadas e paredes podia ser ouvido de todos os lugares da casa.

Eu estava observando uma árvore balançar como se estivesse dançando na chuva quando ouvi um barulho atrás de mim subitamente. Ao me virar, vi Elliott saindo com uma toalha de banho enrolada na cintura. Gotas de água pingavam de seu cabelo, escorrendo pelo seu corpo brilhante e dando destaque ao seu peito duro e abdômen esculpido. Ele parecia um deus grego e não consegui tirar os olhos dele.

Elliott percebeu que eu estava olhando para ele, por isso, me encarou com uma expressão séria. "Venha aqui", ele falou em um tom sem emoção.

Eu me aproximei, caminhando obedientemente, então ele jogou uma pequena toalha em mim e ordenou em voz baixa: "Seque meu cabelo."

Havia um secador de cabelo no banheiro, o qual ele odiava usar. Eu já estava acostumada a fazer isso, porque ele sempre me pedia.

Ele se sentou na cama e eu subi ali sem hesitar para me ajoelhar atrás dele e começar a secar seu cabelo com a toalha.

"O funeral do seu avô é amanhã, então temos que ir cedo para a antiga mansão." Eu não tinha intenção de puxar conversa, mas fiquei com medo de que ele se esquecesse do funeral se eu não o lembrasse, porque ele só pensava em Olivia.

"Tudo bem." Ele assentiu e voltou a ficar em silêncio.

Eu entendi que ele não queria conversar, por isso, não pronunciei mais nenhuma palavra. Apenas terminei de secar o cabelo dele antes de me deitar na cama, pronta para dormir. Ultimamente, eu estava sentindo muito sono.

Depois de bocejar, eu me enrolei no meu lado da cama. Elliott gostava de ficar em seu escritório até meia-noite depois de tomar banho. Porém, por alguma razão, ele apenas vestiu o pijama e se deitou ao meu lado hoje.

Fiquei tentando descobrir o que estava acontecendo, então ele me puxou em seus braços e me beijou com tanta força que perdi o fôlego. Em seguida, olhei para ele, confusa, e balbuciei: "Elliott, eu..."

"O que foi? Você não está a fim?", ele perguntou enquanto seus olhos ficavam gélidos e selvagens, fazendo com que eu desviasse meu olhar desconfortavelmente. Eu não queria fazer sexo com ele, mas não tinha o direito de dizer não.

"Você poderia ser gentil?" Eu estava grávida de seis semanas e tinha receio de que o bebê pudesse se machucar se Elliott fosse rude como da última vez.

Ele franziu a testa e não disse nada.

A chuva ficou cada vez mais forte e os raios caíam ocasionalmente e iluminavam todo o quarto. O clarão era acompanhado por trovões estrondosos.

Os gemidos e o som de estocadas fortes contra a carne só pararam um longo tempo depois. Minha mente estava confusa e, antes que eu recobrasse o juízo, Elliott se levantou para ir até o banheiro como se nada tivesse acontecido. Meu estômago e minhas partes íntimas doíam tanto que comecei a suar frio. Então, estendi a mão até a gaveta da mesa de cabeceira para pegar alguns analgésicos. Porém, eu me lembrei do bebê e desisti de tomar o medicamento.

De repente, um zumbido interrompeu o silêncio que dominava o quarto nesse momento. Era o celular de Elliott que estava vibrando na mesa de cabeceira. Olhei para o relógio na parede e vi que já eram 23h. Ninguém ligaria para ele a uma hora dessas, exceto Olivia.

O barulho do chuveiro parou e, logo em seguida, Elliott se aproximou, vestindo um roupão de banho. Ele enxugou as mãos e pegou o celular. Tentei ouvir a pessoa do outro lado da linha, mas não consegui entender nem uma palavra.

"Pare de agir como uma criança, Olivia", disse Elliott com uma expressão levemente carrancuda. Depois disso, ele suspirou profundamente e encerrou a ligação antes de ir vestir umas roupas, preparando-se para sair como já havia feito muitas vezes no passado. Geralmente, eu ignorava esses passeios noturnos. No entanto, algo me levou a agarrar a mão dele desta vez e implorar: "Não vá! Por favor, poderia ficar aqui esta noite?"

Ele olhou para mim como se eu fosse uma alienígena. Um segundo depois, um brilho de frieza e desagrado surgiu em seus belos olhos. "Você está sendo pegajosa assim só porque acabamos de trepar?"

A pergunta dele foi fria e irônica, fazendo com que eu me sentisse surpresa, mas não pude deixar de rir. Então, eu o encarei com um rosto inexpressivo e disse: "O funeral do seu avô é amanhã, portanto, não se esqueça de que temos que partir cedo. Mesmo que sinta muita falta dessa mulher, você sabe muito bem qual é a coisa certa a se fazer."

"Por acaso isso é uma ameaça?" Ele estreitou os olhos em duas fendas, agarrando meu queixo de repente antes de me encarar nos olhos. Em seguida, ele disse com uma voz fria: "Gianna Happer, você ficou muito ousada."

Capítulo 3 Promessa quebrada

Apesar de saber que Elliott era teimoso, eu tinha que tentar. Então, uma ideia surgiu na minha mente. Nesse momento, olhei para ele e disse: "Concordo com o divórcio, mas com uma condição. Você precisa ficar aqui esta noite para me acompanhar ao funeral amanhã. Vou assinar os papéis do divórcio logo após o enterro."

Elliott semicerrou os olhos com um sorriso zombeteiro e disse: "Então, satisfaça meu desejo." Ele soltou meu queixo para sussurrar em meu ouvido: "Gianna, se quer alguma coisa, você precisa merecê-la."

A voz dele era clara e cheia de desejo e travessura. A insinuação dele foi bem óbvia.

Sem hesitar, passei meus braços ao redor dele e levantei minha cabeça para encará-lo, pois ele era bem mais alto do que eu. Era patético da minha parte usar essa técnica apenas para fazer o homem que eu amava ficar comigo durante a noite.

Quando eu estava prestes a enfiar minha mão sob sua camisa, mas ele me parou. Continuei olhando para ele e fiquei surpresa com o brilho amoroso de desejo que vi em seus olhos. Nesse momento, eu o ouvi dizer: "Já chega." Porém, não entendi o que isso significava, portanto, permaneci o encarando perplexa e o vi se despindo para vestir seu pijama cinza. Levei vários segundos para entender o que estava acontecendo. Ele iria ficar comigo!

Eu dei um sorriso brilhante, mas minha felicidade durou pouco, porque a voz de uma mulher veio do lado de fora da janela subitamente.

"Elliott..."

Pela enésima vez só nos últimos minutos, fiquei atordoada. Ele foi até a varanda e olhou para baixo. Segundos depois, ele voltou, pegou o casaco e saiu do quarto sem nem olhar para mim, exatamente como tinha feito quando chegou.

A curiosidade me levou até a varanda, então vi Olivia lá embaixo, parada na chuva, usando um vestido fino. Ela estava tremendo de frio, parecendo muito fraca e lamentável.

Instantes depois, Elliott apareceu lá e logo colocou o casaco sobre os ombros dela. Ele estava prestes a repreendê-la, mas ela o abraçou e começou a chorar como uma criança. Então, ele começou a dar tapinhas amorosos nas costas dela.

Essa cena me provou novamente que eu não era páreo para aquela mulher, pois Elliott comia na palma da mão dela, embora ele estivesse casado comigo há dois anos.

Em seguida, Elliott segurou Olivia em seus braços e a trouxe para dentro de casa. Fiquei na escada, observando os dois amantes encharcados e bloqueando o caminho deles.

"Saia do caminho!", ele rugiu, olhando para mim com desgosto.

Eu me senti triste por ele estar trazendo outra mulher sem se importar com meus sentimentos? Talvez... Porém, essa visão agredia mais meus olhos do que meu coração. Afinal, qual mulher ficaria feliz em ver o marido frio tratar a amante como uma rainha?

"Elliott, sei que você não tem nenhum respeito por mim, mas agora você perdeu o respeito por seu avô também? Não se esqueça de que prometeu a ele que nunca traria essa mulher aqui enquanto eu ainda vivesse sob este teto."

Elliott ter trazido Olivia para dentro da nossa casa foi muito ofensivo, pois era o único lugar onde eu não tinha que competir com ela. Eu a deixei ficar com meu marido por incontáveis noites. Mesmo assim, ela ousou aparecer aqui e fazê-lo quebrar a promessa que fez ao avô.

"Huh!", exclamou Elliott zombando. Então, ele me empurrou e comentou: "Você se considera muito acima dos outros, Gianna!"

As palavras dele cravaram mil facas em meu frágil coração e me fizeram ficar ali, como uma escrava abandonada, enquanto ele levava Olivia para o quarto de hóspedes.

Parecia que esta era uma noite amaldiçoada.

Olivia vivia sempre doente, portanto, não demorou muito para ela pegar um resfriado e ter uma febre alta depois de ter ficado encharcada na chuva. Isso deixou Elliott muito preocupado. Ele trocou as roupas e secou o cabelo dela enquanto eu os observava depois de ter me esgueirado até a porta do quarto de hóspedes.

Talvez ele se sentisse desconfortável ou enojado com a minha presença, por isso, depois de colocar a amante na cama, ele me lançou um olhar frio e disse: "Você pode ir para a antiga mansão da minha família e ficar lá esta noite. Olivia está com febre e já está muito tarde, então não posso mandá-la de volta para casa."

Que ousadia a dele! Ele sabia que já estava muito tarde, mas estava me mandando para a velha mansão! Ele me odiava tanto assim? Ha-ha! Era tudo culpa minha, pois eu não deveria ter me aproximado desses dois amantes.

Ele estava de costas enquanto eu o observei por um tempo, ponderando sobre como dizer que a velha mansão ficava muito longe daqui e que era perigoso para uma mulher sair por aí sozinha a uma hora dessas. Parecia até que ele tinha se esquecido de que eu ainda estava ali, enquanto acariciava as bochechas vermelhas de Olivia, olhando para ela com preocupação e afeto. Em contraponto, ficou muito claro que ele não se importava nem um pouco com minha segurança.

Juntando coragem, consegui dizer calmamente: "Vou ficar no meu quarto, pois não posso ir para a velha mansão a uma hora dessas." Eu nunca me colocaria em perigo só porque ele queria um tempo sozinho para cuidar da amante.

Em seguida, saí de perto do quarto de hóspedes, amaldiçoando aqueles dois em minha mente. No corredor, vi Colton Blake andando apressadamente. Ele estava vestindo um pijama preto e chinelos. Parecia que ele veio para cá o mais rápido que pôde.

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