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Quando o Amor Morre na UTI

Quando o Amor Morre na UTI

Autor:: Chloe
Gênero: Moderno
Naquela noite, enquanto o meu filho Pedro lutava pela vida no hospital, o meu marido Miguel estava a salvar a sua ex-namorada Sofia. Ele disse-me ao telefone que a Sofia estava com febre e que não a podia deixar sozinha. Enquanto eu observava o pequeno peito do nosso filho mal se mover na cama do hospital, com a máquina a apitar débil e incessantemente, ele virou as costas ao nosso filho. A voz dele era fria, distante, e desligou. Eu estava sozinha, no meio da multidão, a segurar na mãozinha fria do meu Pedro, de apenas cinco anos, até ele dar o último suspiro. Quando voltei para casa, o Miguel estava a dormir no sofá, com uma tigela vazia de sopa e medicamentos ao lado – tudo para a Sofia. Ao saber da morte do nosso filho, ele não demonstrou dor, apenas exaustão e irritação, culpando-me por "exagerar" e por não o ter "avisado" o suficiente. Como podia ele ser tão indiferente? Tão cruel? O homem que eu amei recusou sequer reconhecer a gravidade da situação, trocando a vida do nosso filho pela constipação de outra mulher, e agora ousava culpar-me por isso? A dor da perda misturava-se com uma raiva inimaginável pela sua traição e desprezo. Não havia mais "nós". Eu não me ia curvar. Eu ia lutar. Eu ia fazê-lo pagar.

Introdução

Naquela noite, enquanto o meu filho Pedro lutava pela vida no hospital, o meu marido Miguel estava a salvar a sua ex-namorada Sofia.

Ele disse-me ao telefone que a Sofia estava com febre e que não a podia deixar sozinha.

Enquanto eu observava o pequeno peito do nosso filho mal se mover na cama do hospital, com a máquina a apitar débil e incessantemente, ele virou as costas ao nosso filho.

A voz dele era fria, distante, e desligou. Eu estava sozinha, no meio da multidão, a segurar na mãozinha fria do meu Pedro, de apenas cinco anos, até ele dar o último suspiro.

Quando voltei para casa, o Miguel estava a dormir no sofá, com uma tigela vazia de sopa e medicamentos ao lado – tudo para a Sofia. Ao saber da morte do nosso filho, ele não demonstrou dor, apenas exaustão e irritação, culpando-me por "exagerar" e por não o ter "avisado" o suficiente.

Como podia ele ser tão indiferente? Tão cruel?

O homem que eu amei recusou sequer reconhecer a gravidade da situação, trocando a vida do nosso filho pela constipação de outra mulher, e agora ousava culpar-me por isso? A dor da perda misturava-se com uma raiva inimaginável pela sua traição e desprezo.

Não havia mais "nós". Eu não me ia curvar. Eu ia lutar. Eu ia fazê-lo pagar.

Capítulo 1

Na noite em que o meu filho morreu, o meu marido estava a salvar a ex-namorada dele.

Ela tinha uma constipação.

Ele disse-me ao telefone:

"Inês, a Sofia está com febre, não posso deixá-la sozinha."

Eu olhei para o nosso filho, o Pedro, deitado na cama do hospital, o seu pequeno peito mal se movia.

A máquina ao lado dele apitava num ritmo lento e fraco.

"Miguel," a minha voz tremia, "o Pedro não está a respirar bem. O médico disse que é grave."

"Chama a tua mãe! Ela não pode ajudar? A Sofia não tem ninguém aqui, eu sou tudo o que ela tem."

A voz dele era fria, distante.

Desliguei.

Não havia mais nada a dizer.

Liguei para a minha mãe, mas ela não atendeu. Mais tarde, soube que ela estava num voo para visitar o meu irmão, que tinha tido um acidente de carro.

A vida parecia uma piada cruel.

Sentei-me ao lado do Pedro, segurando a sua mãozinha fria.

Ele tinha apenas cinco anos.

O seu corpo era tão frágil.

A febre que começou de manhã tinha-se transformado num monstro à noite.

Pneumonia grave, disse o médico.

O hospital estava caótico, cheio de pessoas a tossir e a gemer.

Eu estava sozinha no meio da multidão.

O telefone do Miguel estava desligado.

Provavelmente, ele estava a dar sopa à Sofia, a medir-lhe a febre, a contar-lhe histórias para ela dormir.

Ele sempre foi assim com ela.

Cuidadoso, atencioso.

Quando nos casámos, ele prometeu que tinha acabado com ela.

Eu acreditei.

Fui estúpida.

As horas passaram como uma tortura lenta.

O apito da máquina tornou-se uma linha reta.

Os médicos correram para o quarto.

Eles tentaram.

Gritaram ordens.

Usaram o desfibrilador.

O pequeno corpo do Pedro saltou na cama.

Uma vez.

Duas vezes.

Mas o coração dele não voltou a bater.

Um médico pôs a mão no meu ombro.

"Lamento muito."

O mundo ficou em silêncio.

Eu não chorei.

Apenas olhei para o rosto pálido do meu filho.

O meu menino.

O meu Pedro.

Tinha desaparecido.

Capítulo 2

Saí do hospital quando o sol estava a nascer.

As ruas estavam vazias, a cidade ainda a dormir.

Eu sentia-me oca, como se tivessem tirado tudo de dentro de mim.

Fui para casa.

A nossa casa.

A casa que eu e o Miguel tínhamos construído juntos.

Agora parecia o túmulo das minhas esperanças.

Abri a porta.

O Miguel estava sentado no sofá, a dormir.

A sua cabeça estava encostada para trás, a boca ligeiramente aberta.

Ele parecia cansado.

Ao lado dele, no chão, estava uma tigela de sopa vazia e uma caixa de medicamentos.

Para a Sofia, claro.

Caminhei até ele e toquei-lhe no ombro.

Ele acordou sobressaltado.

"Inês? O que se passa? Porque é que a tua cara está assim?"

Ele olhou para o relógio.

"Já é de manhã? Eu adormeci. A Sofia finalmente conseguiu dormir."

Eu olhei para ele.

Não havia dor nos seus olhos, apenas cansaço e irritação.

"O Pedro morreu," disse eu.

A minha voz era plana, sem emoção.

Ele franziu a testa, como se não tivesse entendido.

"O quê? Do que estás a falar? Morreu? Como assim?"

"Ele parou de respirar. O coração dele parou."

O Miguel levantou-se de repente.

"Isso é impossível! Era só uma febre! Tu exageras sempre!"

"Os médicos disseram que era pneumonia grave."

Ele passou as mãos pelo cabelo, andando de um lado para o outro na sala.

"Merda! Porque é que não me ligaste mais vezes? Porque é que não me disseste que era assim tão sério?"

"Eu liguei. Tu desligaste o telefone."

"Eu estava ocupado! A Sofia estava a arder em febre, ela podia ter tido uma convulsão! Ela estava sozinha e assustada!"

Sozinha e assustada.

E eu? E o nosso filho?

"Ela é uma mulher adulta, Miguel. O nosso filho era uma criança."

Ele parou e olhou para mim, a sua cara vermelha de raiva.

"Estás a culpar-me? É isso? Estás a dizer que a culpa é minha?"

"Eu não estou a dizer nada. Estou a constatar um facto. O nosso filho morreu, e tu não estavas lá."

"Eu não podia estar em dois sítios ao mesmo tempo!" gritou ele.

"Tu fizeste uma escolha."

Ele aproximou-se de mim, o seu dedo apontado para a minha cara.

"Não te atrevas, Inês. Não te atrevas a pôr a culpa em mim. Nós vamos superar isto juntos, como uma família."

Família.

Que piada.

Olhei para o rosto dele, o rosto que eu já amei tanto.

Agora, só sentia nojo.

"Não há 'nós'," disse eu calmamente. "Eu quero o divórcio."

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