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Quando o Fogo Consome o Amor e a Vida

Quando o Fogo Consome o Amor e a Vida

Autor:: Delilah
Gênero: Moderno
Eu tinha tudo o que uma mulher podia desejar: um lar, um marido amoroso e a doce promessa de um filho, o nosso Leo. Estávamos prestes a ser a família perfeita. Mas, num piscar de olhos, tudo desabou. Presa em casa, nas chamas de um incêndio devastador, eu ligava desesperadamente ao meu marido, Miguel. O nosso bebé esperava nascer a qualquer momento. Mas ele nunca atendeu. Em vez disso, em meio ao fumo e à dor lancinante, dei à luz o nosso filho, Leo, já sem vida. No hospital, com o cheiro a queimado ainda no cabelo, soube a verdade que me rasgou a alma. Miguel não estava incontactável. Ele estava a confortar a sua prima "frágil", Cláudia, que supostamente tinha um ataque de pânico. A dor da perda foi eclipsada por uma raiva fria e uma sensação de traição indizível. A minha sogra defendeu-o: "Ele estava ocupado. O que se foi, foi-se. A vida continua." Mas a vida dele continuava, e a minha acabara. A mensagem que ele me enviou enquanto Leo morria: "A Cláudia precisa de mim. Não me ligues." Senti um vazio gélido. Como podia o homem que jurei amar abandonar-me no meu momento mais sombrio? Ele realmente não se importava, ou havia algo mais que eu não sabia? Agarrei o meu telemóvel estilhaçado e, tremendo, digitei: "Miguel, quero o divórcio." Agora, não havia volta. Eu ia desvendar a verdade por trás da sua traição e reaver a minha vida, custasse o que custasse.

Introdução

Eu tinha tudo o que uma mulher podia desejar: um lar, um marido amoroso e a doce promessa de um filho, o nosso Leo.

Estávamos prestes a ser a família perfeita.

Mas, num piscar de olhos, tudo desabou.

Presa em casa, nas chamas de um incêndio devastador, eu ligava desesperadamente ao meu marido, Miguel.

O nosso bebé esperava nascer a qualquer momento.

Mas ele nunca atendeu.

Em vez disso, em meio ao fumo e à dor lancinante, dei à luz o nosso filho, Leo, já sem vida.

No hospital, com o cheiro a queimado ainda no cabelo, soube a verdade que me rasgou a alma.

Miguel não estava incontactável.

Ele estava a confortar a sua prima "frágil", Cláudia, que supostamente tinha um ataque de pânico.

A dor da perda foi eclipsada por uma raiva fria e uma sensação de traição indizível.

A minha sogra defendeu-o: "Ele estava ocupado. O que se foi, foi-se. A vida continua."

Mas a vida dele continuava, e a minha acabara.

A mensagem que ele me enviou enquanto Leo morria: "A Cláudia precisa de mim. Não me ligues."

Senti um vazio gélido.

Como podia o homem que jurei amar abandonar-me no meu momento mais sombrio?

Ele realmente não se importava, ou havia algo mais que eu não sabia?

Agarrei o meu telemóvel estilhaçado e, tremendo, digitei: "Miguel, quero o divórcio."

Agora, não havia volta.

Eu ia desvendar a verdade por trás da sua traição e reaver a minha vida, custasse o que custasse.

Capítulo 1

O meu filho, Leo, nasceu morto às três da tarde.

O médico disse que foi por causa da asfixia, causada pela inalação de fumo.

Eu estava presa no incêndio da nossa casa, a ligar para o meu marido, Miguel, repetidamente.

Ele nunca atendeu.

Agora, estou deitada na cama do hospital, o cheiro a desinfetante a misturar-se com o cheiro a queimado que ainda se agarra ao meu cabelo.

A minha sogra, a Dona Isabel, está sentada numa cadeira ao meu lado, a descascar uma maçã com uma faca pequena. A casca cai numa espiral contínua e perfeita.

Ela não olha para mim.

"Isabel," digo eu, a minha voz rouca por causa do fumo e das lágrimas.

"Ele não veio."

Ela suspira, um som cansado.

"Ele estava ocupado, Sofia. A Cláudia estava a ter um ataque de pânico. Tu sabes como ela é frágil."

Cláudia. A prima do Miguel. A sua amiga de infância. A mulher que ele sempre dizia que era "como uma irmã".

"Eu estava a perder o nosso filho," sussurro eu.

A faca para. Isabel finalmente olha para mim, os seus olhos frios.

"O que se foi, foi-se. A vida continua. O Miguel fez o que tinha a fazer."

Ela volta a descascar a maçã, como se estivéssemos a falar do tempo.

Pego no meu telemóvel. O ecrã está estalado por causa do calor. Abro a conversa com o Miguel. As minhas chamadas não atendidas, dezenas delas.

Abaixo delas, uma mensagem que ele me enviou há uma hora.

"A Cláudia já está mais calma. Estou a levá-la a jantar para a animar. Não me ligues, preciso de me concentrar nela. Falamos mais tarde."

Mais tarde.

O meu filho já estava morto há horas.

As minhas mãos tremem. Escrevo uma mensagem.

"Miguel, quero o divórcio."

Envio.

O meu coração não bate mais depressa. Não sinto nada. É como um deserto, vazio e silencioso.

A resposta chega quase imediatamente. Não é uma mensagem. É uma chamada.

Atendo.

"Estás louca?" A voz dele é um rosnado baixo, furioso. "Divórcio? Depois de tudo o que eu passei hoje?"

"Tudo o que tu passaste?" A minha voz sai mais alta do que eu esperava.

"Sim, eu! Achas que é fácil lidar com a Cláudia quando ela está assim? Ela podia ter morrido! O médico disse que o stress podia ter-lhe provocado um ataque cardíaco!"

"E eu? E o Leo? O nosso filho morreu, Miguel!"

Há um silêncio do outro lado. Um silêncio pesado, culpado.

Depois, a voz da Cláudia, fraca e chorosa, ao fundo. "Miguel, quem é? Estás a discutir? A minha cabeça dói tanto..."

"Vês o que fizeste?" ele sibila para o telemóvel. "Estás a chateá-la! Para com este drama, Sofia. Perdemos um filho, eu sei, é triste. Mas não é o fim do mundo. Podemos tentar outra vez. Agora tenho de ir, a Cláudia precisa de mim."

Ele desliga.

Olho para o telemóvel na minha mão. Olho para a minha sogra, que agora come a maçã, fatia por fatia.

Ela não diz uma palavra.

O fim do mundo.

Não, não era o fim do mundo. Era apenas o fim do meu mundo. E, ao que parece, só do meu.

Capítulo 2

Dois dias depois, recebi alta do hospital.

O Miguel não veio buscar-me. Mandou um táxi.

A nossa casa estava inabitável, uma concha enegrecida. As minhas coisas, as roupas de bebé que eu tinha passado meses a escolher, tudo se fora.

O motorista do táxi levou-me para o apartamento da minha sogra.

Quando entrei, o Miguel estava sentado no sofá, a ver televisão. A Cláudia estava ao lado dele, a cabeça dela apoiada no seu ombro, a dormir.

Ele pôs um dedo nos lábios, a pedir-me silêncio.

"Ela finalmente adormeceu," sussurrou ele. "Teve uns dias terríveis."

Eu fiquei ali, na entrada, com a minha pequena mala do hospital na mão. O meu corpo ainda doía. O meu coração estava oco.

Olhei para eles. Pareciam um casal. Um casal a descansar depois de um dia difícil.

Eu era a intrusa.

"Precisamos de falar," disse eu, a minha voz baixa mas firme.

Ele franziu a testa, irritado por eu ter quebrado o silêncio.

"Agora não, Sofia. Já te disse."

"Agora sim, Miguel."

Ele suspirou, revirou os olhos e, com muito cuidado, tirou a cabeça da Cláudia do seu ombro, pousando-a numa almofada.

Ele seguiu-me para a cozinha. Fechou a porta.

"O que queres?" perguntou ele, cruzando os braços. "Não podemos ter esta conversa noutra altura? A Cláudia está muito sensível."

"Eu quero o divórcio."

Ele riu. Uma risada curta e sem humor.

"Já passámos por isso. Estás a ser dramática por causa das hormonas. É normal depois de... tu sabes."

Ele nem conseguia dizer a palavra. Parto. Filho morto.

"Não são as hormonas. É porque o meu filho morreu enquanto o pai dele estava a consolar outra mulher por causa de um ataque de pânico."

"Eu não sabia que a casa estava a arder!" ele gritou, a sua voz a subir. "Quantas vezes tenho de te dizer isso? Eu estava a cuidar da minha família! A Cláudia é família!"

"E eu não era? O teu filho não nascido não era?"

"Claro que eram! Mas foi uma emergência! Tu estavas em casa, supostamente segura! A Cláudia estava na rua, a hiperventilar! Tive de fazer uma escolha!"

"Tu não fizeste uma escolha, Miguel. Tu ignoraste-me. Desligaste o telemóvel."

"Eu não o desliguei, ficou sem bateria!" mentiu ele, sem sequer olhar para mim.

"Então como é que me ligaste do hospital a gritar comigo?"

Ele ficou em silêncio. Apanhado. A sua cara ficou vermelha de raiva, não de vergonha.

"Isto é ridículo," disse ele por fim. "Não me vou divorciar de ti. Perdemos um filho, devíamos estar a apoiar-nos um ao outro, não a lutar."

"Tu não me estás a apoiar. Estás a apoiar a Cláudia."

"Porque ela precisa mais de mim agora!"

A porta da cozinha abriu-se. A minha sogra, Isabel, entrou.

Ela olhou de mim para ele.

"Parem com os gritos," disse ela, a sua voz cortante. "Vão acordar a Cláudia. E, Sofia, já chega. O meu filho tem um bom coração. Ele tentou ajudar toda a gente. Não o castigues por isso."

Ela pegou num copo de água e saiu.

Fiquei a olhar para o Miguel. Ele não me olhava. Olhava para a porta por onde a sua mãe tinha saído.

"A tua mãe tem razão," disse ele. "Já chega."

Ele saiu da cozinha, deixando-me sozinha no meio dos azulejos frios.

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