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Quando o Silêncio do Marido Mata

Quando o Silêncio do Marido Mata

Autor:: Winded
Gênero: Moderno
Quando acordei no hospital, o cheiro de desinfetante não podia mascarar o vazio que sentia. Lá fora, um incêndio gigante, dezenas de mortos. Mas para mim, a tragédia era pessoal: meu filho não estava mais ali. Com as mãos trêmulas, liguei para João, meu marido. Do outro lado, ele atendeu, irritado, dizendo que o dia tinha sido um inferno e que estava exausto. Mal comecei a falar, ouvi a voz da minha sogra, Helena, ao fundo, preocupada com a sobrinha dele, Beatriz, assustada com o incêndio. João nem me deu chance, disse que tinha que cuidar da sobrinha em choque e perguntou friamente: "O que você quer?" Eu, que havia perdido nosso filho, com minha mãe quase morrendo queimada, e ele me pedia compaixão pela sobrinha dele. A raiva dele explodiu quando eu disse: "João, vamos nos divorciar." Ele gritou se eu tinha enlouquecido, me acusou de não ter compaixão e ainda me chantageou com a gravidez, que ele nem sabia que tinha acabado! Em seguida, ele desligou na minha cara e me bloqueou. Ele se importava com a "família", mas eu e nosso filho, que esperamos por três longos anos, não fazíamos parte dela. Nossas dezoito chamadas ignoradas enquanto o fogo consumia o prédio, a instrução para eu "me virar", a negligência dele deixou nosso bebê sem vida. Onde estava a justiça para mim? Em meio a essa dor insuportável e à traição de quem deveria me proteger, uma coisa era clara: eu precisava me reinventar. O divórcio não era mais uma opção, mas uma necessidade urgente. Era hora de dar um basta e lutar pela minha dignidade, pela memória do meu filho, e encontrar um novo começo.

Introdução

Quando acordei no hospital, o cheiro de desinfetante não podia mascarar o vazio que sentia.

Lá fora, um incêndio gigante, dezenas de mortos.

Mas para mim, a tragédia era pessoal: meu filho não estava mais ali.

Com as mãos trêmulas, liguei para João, meu marido.

Do outro lado, ele atendeu, irritado, dizendo que o dia tinha sido um inferno e que estava exausto.

Mal comecei a falar, ouvi a voz da minha sogra, Helena, ao fundo, preocupada com a sobrinha dele, Beatriz, assustada com o incêndio.

João nem me deu chance, disse que tinha que cuidar da sobrinha em choque e perguntou friamente: "O que você quer?"

Eu, que havia perdido nosso filho, com minha mãe quase morrendo queimada, e ele me pedia compaixão pela sobrinha dele.

A raiva dele explodiu quando eu disse: "João, vamos nos divorciar."

Ele gritou se eu tinha enlouquecido, me acusou de não ter compaixão e ainda me chantageou com a gravidez, que ele nem sabia que tinha acabado!

Em seguida, ele desligou na minha cara e me bloqueou.

Ele se importava com a "família", mas eu e nosso filho, que esperamos por três longos anos, não fazíamos parte dela.

Nossas dezoito chamadas ignoradas enquanto o fogo consumia o prédio, a instrução para eu "me virar", a negligência dele deixou nosso bebê sem vida.

Onde estava a justiça para mim?

Em meio a essa dor insuportável e à traição de quem deveria me proteger, uma coisa era clara: eu precisava me reinventar.

O divórcio não era mais uma opção, mas uma necessidade urgente.

Era hora de dar um basta e lutar pela minha dignidade, pela memória do meu filho, e encontrar um novo começo.

Capítulo 1

Quando acordei, o quarto do hospital estava silencioso, o cheiro de desinfetante pairava no ar.

A luz fraca da televisão na parede mostrava as notícias. Um incêndio enorme no centro da cidade, dezenas de mortos e feridos.

Meu corpo doía, mas não era nada comparado ao vazio dentro de mim.

Meu filho não estava mais ali.

Peguei meu celular com as mãos trêmulas e liguei para meu marido, João.

Minha mãe, Clara, estava na cama ao lado, dormindo profundamente depois de inalar muita fumaça.

Ela quase morreu tentando me salvar.

Eu sabia que precisava me divorciar.

O telefone chamou, uma, duas, três vezes. Finalmente, João atendeu, a voz dele irritada.

"O que foi, Sofia? Estou exausto. O dia foi um inferno."

Antes que eu pudesse falar, ouvi outra voz ao fundo, a voz da minha sogra, Helena.

"João, querido, a Beatriz está com medo. O incêndio a deixou muito assustada. Fica com ela um pouco, ela precisa de você."

Beatriz era a sobrinha de João.

"Sofia, ouviu? A Beatriz está em choque, não para de chorar. Tenho que cuidar dela. O que você quer?"

A voz dele era fria, distante.

Um sorriso amargo se formou em meus lábios.

"João, vamos nos divorciar."

Houve um silêncio do outro lado, que durou apenas um segundo. Depois, a raiva dele explodiu.

"Você enlouqueceu? Divórcio? Por quê? Porque eu não estava aí? Eu estava trabalhando! Salvei a vida de dez pessoas hoje! A minha sobrinha quase morreu de susto! Você não tem um pingo de compaixão?"

Compaixão?

Minha mãe e eu quase morremos queimadas, e eu perdi nosso filho.

E ele me pedia compaixão pela sobrinha dele, que só estava assustada?

As lágrimas queriam vir, mas eu as segurei. Não ia chorar na frente dele.

"Você não entende, não é?" eu disse, a voz calma, mas vazia. "Acabou."

"Acabou? Sofia, você está grávida! Quer que nosso filho cresça sem pai? Pára de drama! Eu estou ocupado com a minha família! Você devia pensar no que fez de errado!"

Ele desligou.

Na cara.

Tentei ligar de novo.

Bloqueado.

Olhei para a minha barriga, agora vazia.

Ele nem sabia.

Ele nem sabia que o bebê que ele usava para me chantagear já não existia.

A única coisa que me prendia a ele se foi.

O divórcio não era uma opção, era uma necessidade.

Ele disse que estava ocupado com a família.

Eu não era a família dele? O nosso filho não era?

Ele não se importava. Se se importasse, não teria ignorado minhas dezoito chamadas enquanto o fogo consumia o prédio. Não teria me dito para "me virar".

Eu era sua esposa. Eu carregava seu filho.

Um filho que esperamos por três longos anos.

A dor física do parto prematuro, o desespero de ver o fogo se aproximando, a fumaça enchendo meus pulmões. A imagem do meu bebê, tão pequeno, sem vida.

Tudo voltou de uma vez.

De repente, o celular da minha mãe tocou ao meu lado.

Era meu sogro, Pedro.

Pensei em atender, dizer que ela estava dormindo.

Mas ela acordou, a tosse seca rasgando o silêncio. Ela pegou o telefone.

A voz de Pedro era alta, furiosa, e eu pude ouvir cada palavra.

"Clara! Que tipo de filha você criou? Ela é louca? Ligar para o João e pedir o divórcio num momento como este! Ela não tem coração? O sangue ruim do pai dela corre mesmo nas veias dela!"

Capítulo 2

O rosto da minha mãe ficou pálido.

Ela tentou responder, mas a tosse a interrompeu.

"Pedro, por favor..."

"Por favor, o quê? A sua filha está destruindo a minha família! O João está arrasado, a Beatriz não para de chorar, e a Helena está com a pressão alta por causa do estresse que a Sofia causou! Vocês só trazem problemas!"

Ele desligou.

Minha mãe olhou para mim, os olhos cheios de uma dor que eu conhecia muito bem.

A dor de ser culpada por algo que não fez.

"Mãe, não se preocupe com eles," eu disse, a voz mais firme do que eu me sentia. "Vamos sair daqui."

"Mas, filha... o divórcio..."

"É a única solução," eu a interrompi. "Eu não posso mais viver assim."

Ela não discutiu. Apenas assentiu, as lágrimas finalmente escorrendo por seu rosto cansado.

Ela sabia que eu estava certa. Ela viveu um inferno parecido com meu pai.

Na manhã seguinte, um advogado que minha mãe conhecia veio ao hospital.

Ele era um homem baixo, calvo, mas com olhos gentis. Chamava-se Sr. Almeida.

Expliquei a situação. O abandono, a negligência, a chantagem emocional.

"E o bebê?" ele perguntou, cauteloso.

"Eu perdi o bebê," eu disse, as palavras saindo sem emoção. "Por causa do incêndio. E por causa da negligência dele."

O Sr. Almeida anotou tudo, o rosto sério.

"Isso muda tudo, Sofia. Isso é negligência grave. Podemos processá-lo por danos morais e materiais."

"Eu não quero o dinheiro dele," eu respondi. "Eu só quero o divórcio. Rápido."

"Entendo. Mas você tem direito a uma compensação. Pelo apartamento, pelos seus ferimentos, pela perda do seu filho."

Eu hesitei. Pensar em dinheiro parecia sujo.

Mas então pensei na minha mãe. Ela tinha perdido tudo no incêndio também. A casa dela era no mesmo prédio.

"Ok," eu disse. "Faça o que for preciso."

Dois dias depois, recebemos alta.

Não tínhamos para onde ir. Nosso prédio era uma pilha de cinzas.

O Sr. Almeida nos arranjou um pequeno apartamento alugado, pago com um adiantamento do processo.

Era pequeno, simples, mas era nosso. Era um refúgio.

No primeiro dia no novo apartamento, meu celular tocou.

Era um número desconhecido.

Atendi.

"Sofia?"

A voz era de João.

Meu estômago revirou.

"O que você quer?"

"Eu... eu soube do bebê," ele disse, a voz embargada. "Sinto muito."

Sente muito?

Era só isso?

"Onde você soube?" eu perguntei, fria.

"Meu pai... ele ligou para o hospital."

Claro. Ele não se deu ao trabalho de ligar para mim, mas mandou o pai dele investigar.

"Se é só isso, estou desligando."

"Não, espere!" ele gritou. "Sofia, por favor, me perdoe. Eu não sabia. Eu estava... sobrecarregado. A Beatriz..."

"Não ouse falar da Beatriz para mim," eu o cortei. "Você me deixou para morrer, João. Você deixou nosso filho morrer."

"Não é verdade! Eu não sabia que era tão sério!"

"Eu te liguei dezoito vezes! Eu gritei que o prédio estava pegando fogo! O que mais você precisava saber?"

O silêncio do outro lado era a única resposta.

"Eu te amava, João," eu continuei, a voz quebrando pela primeira vez. "Eu teria te perdoado por qualquer coisa. Mas não por isso. Nunca."

Desliguei o telefone e o bloqueei.

Sentei no chão da sala vazia e, finalmente, chorei.

Chorei pelo meu filho. Chorei pela minha vida destruída.

E chorei pela mulher estúpida que eu tinha sido.

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