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Quando o Silêncio Grita

Quando o Silêncio Grita

Autor:: Ronnie Fink
Gênero: Moderno
Eu estava grávida, a nossa família cresceria. Pensava eu, ingénua, que o meu futuro com Leo era certo. Mas havia sempre a "amiga" Sofia, um poço sem fundo de atenção do meu marido. Então veio o pesadelo: um choque anafilático. Eu estava sufocando, lutando para respirar, desesperadamente ligando para Leo. Onde estava ele? Consoloando Sofia porque o gato dela tinha fugido. No hospital, a médica confirmou o impensável: "O feto não sobreviveu." Liguei para Leo, e ouvi risos, música. A voz dele, impaciente: "O que foi agora? Estou ocupado." A minha dor era invisível para ele, eclipsada pelo drama do gato da Sofia. Quando lhe disse que o nosso bebé morrera, ele chamou-o um "mal-entendido" . Não bastasse, a mãe dele, Helena, logo ligou, não para me consolar, mas para me acusar. "Cruel! Ingrata! Não sejas ciumenta!" , enquanto repetia: "A Sofia precisava dele!" Eu quase morri, perdi o meu filho, e eles preocupavam-se com a 'pobre' Sofia. Senti-me sozinha, mais sozinha do que nunca. Um mal-entendido? Ele chamou a isso um mal-entendido?! O meu bebé morto porque o meu marido estava a salvar um gato! A raiva fria preencheu o vazio da dor. "Eu não estou a deitar fora o nosso casamento, Leo. Tu já o fizeste." Nesse momento, a decisão solidificou-se. Eu não ia implorar por migalhas; eu ia exigir. E sim, Leo, as ações da sua família valem muito. Prepare-se, porque esta mulher ferida vai lutar por cada cêntimo que lhe é devido. A minha vingança está apenas a começar.

Introdução

Eu estava grávida, a nossa família cresceria.

Pensava eu, ingénua, que o meu futuro com Leo era certo.

Mas havia sempre a "amiga" Sofia, um poço sem fundo de atenção do meu marido.

Então veio o pesadelo: um choque anafilático.

Eu estava sufocando, lutando para respirar, desesperadamente ligando para Leo.

Onde estava ele? Consoloando Sofia porque o gato dela tinha fugido.

No hospital, a médica confirmou o impensável: "O feto não sobreviveu."

Liguei para Leo, e ouvi risos, música.

A voz dele, impaciente: "O que foi agora? Estou ocupado."

A minha dor era invisível para ele, eclipsada pelo drama do gato da Sofia.

Quando lhe disse que o nosso bebé morrera, ele chamou-o um "mal-entendido" .

Não bastasse, a mãe dele, Helena, logo ligou, não para me consolar, mas para me acusar.

"Cruel! Ingrata! Não sejas ciumenta!" , enquanto repetia: "A Sofia precisava dele!"

Eu quase morri, perdi o meu filho, e eles preocupavam-se com a 'pobre' Sofia.

Senti-me sozinha, mais sozinha do que nunca.

Um mal-entendido? Ele chamou a isso um mal-entendido?!

O meu bebé morto porque o meu marido estava a salvar um gato!

A raiva fria preencheu o vazio da dor.

"Eu não estou a deitar fora o nosso casamento, Leo. Tu já o fizeste."

Nesse momento, a decisão solidificou-se.

Eu não ia implorar por migalhas; eu ia exigir.

E sim, Leo, as ações da sua família valem muito.

Prepare-se, porque esta mulher ferida vai lutar por cada cêntimo que lhe é devido.

A minha vingança está apenas a começar.

Capítulo 1

O cheiro a antisséptico enchia as minhas narinas. Abri os olhos e a luz branca do teto do hospital ofuscou-me.

Uma médica de ar cansado estava ao lado da minha cama, a olhar para a minha ficha.

"Acordou, Sra. Almeida."

A voz dela era monótona, profissional.

"Onde está o meu bebé?", perguntei, a minha voz era um sussurro rouco. A minha mão foi instintivamente para a minha barriga. Estava vazia. Plana.

A médica evitou o meu olhar. "Devido ao choque anafilático, o seu corpo sofreu uma grave falta de oxigénio. Fizemos tudo o que podíamos, mas o feto não sobreviveu. Lamento imenso."

Choque anafilático.

Falta de oxigénio.

Não sobreviveu.

As palavras ecoavam na minha cabeça, mas eu não conseguia processá-las. Era como se ela estivesse a falar de outra pessoa.

Eu tinha ligado. Eu tinha ligado tantas vezes.

Peguei no meu telemóvel na mesa de cabeceira. Os meus dedos tremiam. Procurei o nome dele. Leo.

O telefone chamou uma, duas, três vezes. Finalmente, ele atendeu. O barulho de fundo era de música e risos.

"Clara? O que foi agora? Estou ocupado." A voz dele era impaciente, irritada.

A minha garganta fechou-se. "Leo, o bebé..."

"O quê? Fala mais alto! A Sofia estava a ter um ataque de pânico, tive de vir a casa dela. O gato dela fugiu e ela achou que ele tinha sido atropelado. Imagina o susto."

O gato. O gato dela.

"Leo", disse eu, a minha voz agora estranhamente calma, "eu perdi o bebé."

Silêncio do outro lado da linha. A música parou. Ouvi um sussurro, a voz de Sofia, "Está tudo bem, Leo?"

"O que é que disseste?", a voz do Leo voltou, mais baixa, tensa.

"Eu tive uma reação alérgica. Fui para o hospital. O bebé morreu." Repeti as palavras como se fossem de um guião.

"Merda. Clara, eu..."

"Não digas nada", interrompi. "Eu quero o divórcio."

A linha ficou muda por um momento. Depois, a raiva dele explodiu.

"Divórcio? Estás a brincar comigo? Por causa disto? Eu não sabia! Como é que eu podia saber que era assim tão grave?"

"Eu disse-te que não conseguia respirar."

"As pessoas dizem coisas quando estão em pânico! A Sofia também estava em pânico! Ela precisava de mim! Ela não tem mais ninguém!"

Ela não tem mais ninguém. E eu? A tua mulher grávida? Nós não éramos ninguém?

"Não me interessa, Leo. Acabou."

"Não sejas ridícula, Clara! Estás a ser egoísta! Perdemos um filho, devíamos estar a apoiar-nos um ao outro, não a falar em divórcio! Vais deitar fora o nosso casamento por um mal-entendido?"

Mal-entendido. Ele chamou a isto um mal-entendido.

Desliguei o telefone.

O meu corpo inteiro tremia. Não de tristeza. De uma fúria fria e vazia.

O nosso bebé tinha morrido porque o meu marido estava a consolar outra mulher por causa de um gato.

O divórcio não era uma decisão. Era uma consequência.

Capítulo 2

Duas horas depois, o meu telemóvel tocou novamente. Não era o Leo. Era a mãe dele, a Helena.

Respirei fundo e atendi.

"Clara? O Leo ligou-me, a chorar. O que é esta história de quereres o divórcio? Perdeste o juízo?"

A voz dela era estridente, acusadora. Nenhuma palavra de conforto. Nenhuma pergunta sobre a minha saúde.

"É verdade, Helena."

"Mas porquê? O meu filho adora-te! Ele está destroçado por causa do bebé! Como podes ser tão cruel e abandoná-lo num momento destes?"

Cruel. Eu era a cruel.

"Ele não estava aqui quando eu precisei dele", disse eu, a minha voz sem emoção. "Ele estava com a Sofia."

Ouvi-a bufar do outro lado. "Oh, por amor de Deus! A Sofia é uma coitada! Acabou de ficar viúva, está sozinha, deprimida. O Leo tem um bom coração, é natural que a queira ajudar. Não sejas ciumenta e insegura."

Ciumenta. Insegura.

"Eu quase morri, Helena. O nosso bebé morreu."

"Foi uma tragédia, uma terrível tragédia! Mas não podes culpar o Leo por isso! Foi um acidente! Estás a usar esta desgraça para o castigar por ser uma boa pessoa. A Sofia precisava dele!"

A Sofia precisava dele. A frase que se repetia.

"E eu? Eu não precisava do meu marido?", a minha voz quebrou por um segundo.

"Claro que precisavas, querida. Mas o Leo não é adivinho. Ele pensou que era só um susto. Agora, sê uma boa rapariga, esquece essa ideia de divórcio e concentra-te em apoiar o teu marido. Vocês precisam um do outro."

Ela não estava a ouvir. Ela não queria ouvir. Para ela, o Leo era perfeito. A Sofia era uma vítima. E eu era o problema.

"Não", disse eu, com uma firmeza que me surpreendeu. "A decisão está tomada. Vou avançar com o divórcio."

"És uma ingrata! Depois de tudo o que fizemos por ti! Vais arrepender-te disto, Clara. Vais acabar sozinha e infeliz."

Ela desligou o telefone na minha cara.

Olhei para a parede branca do quarto do hospital. Sozinha. Eu já estava sozinha há muito tempo. Só não tinha percebido até agora.

A porta abriu-se e uma enfermeira entrou.

"Sra. Almeida, o seu marido está na receção. Ele pode entrar?"

"Não", respondi imediatamente. "Diga-lhe que não quero ver ninguém."

A enfermeira pareceu surpreendida, mas assentiu.

Fechei os olhos. Eu não queria vê-lo. Não queria ouvir as desculpas dele, a sua raiva disfarçada de tristeza.

Eu só queria silêncio.

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