- Ana, você vai chegar atrasada, na sua entrevista.
Rosa arrumava a mesa do café, enquanto Ângela, a filha mais nova, terminava de preparar os ovos mexidos.
- Mamãe, esqueceu como essa garota demora horrores para se arrumar. Do jeito que ela é lenta, capaz de chegar na hora que a entrevista estiver acabando.
Ana apareceu na cozinha apressada. Para a entrevista escolheu uma saia preta social, com uma blusa de seda branca. Nos pés salto médio e longo cabelo castanho estava enrolado em um coque.
Queria mostrar que era capaz, de ser a babá da filha de um viúvo milionário.
Ela conhecia Lucas Savani das revistas e jornais, a família do futuro patrão (se Deus permitisse), era dona de várias construtoras na Itália e o homem era um dos melhores arquitetos na Europa.
- Mãe, tenho tempo para essa maçã, ou vou chegar atrasada, a entrevista está marcada para as 10 da manhã, e até chegar, lá vai estar em cima da hora.
Ana saiu apressada, mas antes deu um beijo na mãe e na irmã que desejaram sorte para a garota.
- Deus permita que eu consiga esse trabalho, eu prometo que não farei nada de errado, vou me esforçar bastante, mesmo não tendo nenhuma vocação para babá.
A jovem tinha estudado para ser professora, pois era a faculdade mais barata que conseguiu e só assim ela poderia ter um diploma.
Sete anos atrás o pai faleceu, o que deixou a família em uma situação complicada, e muitos problemas surgiram no caminho. Então a garota, optou pelo diploma mais em conta e recém-formada em literatura, seguia para sua primeira entrevista como babá de uma herdeira. Não era bem o emprego dos sonhos, porém pagaria as contas e para Ana isso era o mais importante.
Quase uma hora depois, a jovem, chegava à mansão dos Savani, que ficava em um dos bairros mais rico da Itália.
- Bom dia!
Um senhor de bigode, com cara engraçada, foi até o portão, e a moça entregou a ficha com seus dados.
- Pode entrar senhorita, a entrevista está acontecendo no escritório, me acompanhe que vou te levar até a senhora Francesca.
Quem seria essa mulher? No anúncio da agência, estava escrito que ele era viúvo e morava só com a filha de 11 anos.
Meu senhor, será que já é alguma daquelas namoradas, que eu assisto nas minhas séries? Não acredito que vou ter que lidar, com alguma bruxa para conseguir esse trabalho.
Assim, que passou pela grande sala, Ana não deixou de notar, uma menininha de cabelos negros, que brincava com um gatinho perto da piscina.
- Será que ela era a filha do senhor Lucas?
O senhor, de bigode, levou Ana até um escritório, que ficava num dos cantos da enorme mansão.
Ao entrar, ela se deparou com uma mulher de uns 55 anos, que usava um belo vestido azul-claro.
A senhora veio até Ana com um belo sorriso no rosto, e estendeu a mão para jovem.
- Bom dia!
- Bom dia!
Ana deu um sorriso sem graça. Será que ela é a mãe, a namorada ou a vó da menina?
- Você é Ana? Prazer me chamo Francesca Savani, sou a mãe de Lucas e avó da pequena Sofia. Meu filho, infelizmente, teve que viajar a negócios, mas ele me deu liberdade para fazer as entrevistas e escolher a funcionária. Podemos nos sentar, vou pedir que nos traga um chá, você gosta ou prefere uma água, ou quem sabe um café?
- Chá, eu aceito chá, senhora - Ana se acomodou na poltrona, observando o luxo do escritório e algumas fotos espalhadas. Um porta- retrato chamou a atenção, mas desviou o olhar se concentrando na futura patroa conservando com algúem.
Francesca falou com alguém ao telefone, e pediu que trouxesse lanche para as duas.
Fez sinal para que Ana se acomodasse na poltrona que ficava no canto, do escritório, que mostrava uma parte do jardim. Lá se podia ver a neta brincando.
Ana olhou a menina, e se lembrou de quando, tinha aquela idade, e adorava brincar com os gatos da rua. Como a irmã era alérgica a pelo, era proibido ter gato ou cachorro em casa.
Uma jovem sorridente entrou com uma bandeja, serviu as duas e se despediu com um aceno de cabeça.
Francesca estava com a ficha de Ana nas mãos, e foi confirmando as informações que estava ali escrito.
Idade: 23 anos, se formou na Universidade Bergamo, há um ano no curso de Literatura. Morava com a mãe e a irmã mais nova, sem vícios, dominava bem o inglês, o alemão e estava aprendendo o espanhol.
Procurando seu primeiro trabalho. Tem carteira de habilitação, ama literatura por esse motivo decidiu cursar letras e gostava de música clássica.
Ana confirmava tudo que a senhora perguntava, com medo de ter colocado algo que não era verdade na ficha e acabar sendo dispensada ali mesmo.
Depois de 30 minutos de entrevista, Francesca começou a explicar que a jovem moraria na mansão, e trabalharia de segunda a sexta, tendo os finais de semana livre para ir para casa. Salvo as semanas que Lucas estivesse fora. Na casa morava o filho, a neta e o esposo que se chamava Luciano.
Após explicar tudo, Francesca começou a contar sobre Sofia, à menina que Ana cuidaria. O emprego era de babá, já que a menina estudava durante a manhã e à tarde deveria ajudar nas tarefas da escola, e as atividades extras que a menina fazia. Lidar com a alimentação da menina, organização da roupa e do quarto da menina. Francesca explicou o que a neta podia ou não comer, praticamente demonstrando que Ana seria contratada. Francesca confessou que a formação mais os cursos que Ana fez foi um diferencial para que fosse escolhida.
Depois de todas as explicações, Francesca perguntou se a moça aceitava todas as condições apresentada no contrato de trabalho que entregou para moça ler.
Numa das cláusulas do contrato, dizia ser proibido tentar qualquer relacionamento pessoal com Lucas.
Nada de sorrisos e tudo deveriam ser o mais profissional possível. A vida particular da funcionária deveria ficar de fora.
E o contrato seria de seis anos, até Sofia completar 18 anos, à dedicação seria exclusiva a menina.
Francesca explicou que as cláusulas eram coisas do filho, que depois que perdeu a esposa, parou de acreditar no amor e sua vida era apenas para o trabalho e a filha. Por isso, Lucas, desejava uma funcionária que não pretendia casar ou ter algum relacionamento. Já que o próprio prometeu que não se casaria outra vez.
Ana concordou o salário, multiplicado por seis anos, era praticamente a sua aposentadoria e daqui a um tempo, poderia fazer o mestrado que sempre sonhou. A moça não tinha pretensão de se apaixonar mesmo, o seu foco era trabalhar e ganhar o tanto de dinheiro que pudesse de forma honesta e digna. Dessa forma poderia cuidar da mãe sem ter que passar por necessidades.
A jovem começaria, em dois dias. Levaria suas coisas para a mansão, a documentação necessária para assinatura do contrato e Francesca avisou que Lucas, retornaria ao país em 15 dias. Isso daria tempo suficiente para a adaptação da nova babá.
- Vamos conhecer Sofia, ela é uma menina um pouco tímida, mas assim que pegar confiança em você, verá que vai começar a se soltar melhor. Meu filho trabalha a semana toda, e só pode ficar com ela aos finais de semana, então você vai encontrar com ele, poucas vezes aqui na mansão. Qualquer problema pode falar comigo, e se tiver alguma dúvida também.
Francesca se levantou da poltrona, pedindo que Ana a acompanhasse até onde a neta estava.
Duas semanas se passaram, desde que Ana começou a trabalhar como babá, a mãe não aceitou de primeira, mas depois de muita conversa foi convencida pela filha. O pai da menina ligava, duas vezes por dia, falava com a filha por alguns minutos ou fazia videochamada. Ana não teve chance de falar com o patrão ainda. Lucas sabia que a filha tinha uma nova babá, mas não se interessou em saber quem era.
Sofia, nos 2 primeiros dias, ficou desconfiada com a presença da nova babá, mas depois acabou aceitando a jovem. O pai da menina continuava viajando, e Francesca comentou que as negociações com os clientes alemães estavam demorando bem mais do que o previsto.
O pai de Lucas, o senhor Luciano, era um homem agradável, que gostava de contar histórias para as duas, toda a noite depois do jantar. Ele tinha construído tudo do zero, depois que desfez a sociedade com um antigo amigo. Mas Ana não sabia os detalhes. Sofia tinha uma avó chamada Catarina e uma prima da mãe que chamava Giulia.
Lúcia, a empregada da casa, confidenciou a jovem que Dona Francesca não aceitava nenhuma das duas, na vida da neta e nunca aprovou a mãe de Sofia.
Ana e Sofia montavam um, quebra-cabeças na sala, quando a babá viu que era quase hora do jantar.
- Sofia, vamos é hora de tomar banho, daqui a pouco você tem que jantar e descansar cedo.
- Irmã Ana será que amanhã podemos, dar comidas aos pombos? Meu papai, não está aqui e todo sábado ele me leva para brincar na grama e alimentar os bichos.
- Preciso pensar? Ana fez uma expressão de pensativa, e pegou a menina pela mão e as duas subiram juntas até o quarto. Em poucos dias, elas tinham se tornado amigas e Ana sabia que a menina queria distrair a babá para continuar brincando.
Ana ajudou Sofia a tirar o vestido e as duas seguiram para o banheiro. 20 minutos depois, Sofia, vestida com seu pijama, desceram para jantar.
- Boa noite! As duas cumprimentaram Luciano e Francesca que aguardavam as duas para o jantar.
Ana ajudou Sofia a se acomodar na cadeira, e serviu a menina.
- Querido, Lucas volta de viagem em breve. Ele me ligou ontem, disse, que se tudo correr bem, no domingo estará em casa.
Luciano tocou a mão da esposa, em demonstração de carinho. Ana notou em poucos dias, como a família era unida e os patrões pessoas de bom coração.
- Filha, o que está achando desses primeiros dias? Minha neta está dando muito trabalho?
Luciano questionou com curiosidade.
- Não, não vovô, eu obedeço a tudo que a irmã Ana fala, estou me comportando muito bem.
Todos riram na mesa, e Ana concordou com Sofia.
- Senhor Luciano, além de ser uma boa menina, obediente e estudiosa, ela não me dá trabalho algum - Ana aproveitou para pedir permissão de sair com a menina no dia seguinte.
- E gostaria de pedir permissão, para levar Sofia amanhã até a orla, para dar comida aos pombos. Ela me disse que o pai a leva, todo fim de semana, e se vocês dois não se importarem, eu posso fazer isso.
- Acho uma boa ideia, minha querida. Lucas deve retornar para casa apenas no domingo e semana passada Sofia ficou em casa com você, por ser ter sido o seu primeiro final de semana conosco. Pedirei ao José que leve as duas amanhã após o café.
O jantar seguiu tranquilo, com Sofia contando sobre a semana na escola e fazendo planos para o passeio com a nova amiga no dia seguinte.
Passava das nove da noite, quando Ana colocou Sofia na cama, depois da menina escovar os dentes e fazer a oração antes de dormir. Sofia ainda tentou enrolar a amiga por alguns minutos, mas acabou sendo vencida pelo próprio cansaço.
Ana em seu quarto estava sem sono então decidiu, ler um pouco, quando olhou no relógio já era quase meia-noite. Decidiu preparar um leite quente com canela, quem sabe assim o sono chegava logo ou acordaria com olheiras parecendo um urso panda.
Saiu do quarto, com cuidado caminhou até a cozinha, todos já estavam dormindo, e a moça não quis acender todas as luzes, decidiu ligar apenas uma luz fraca e com a ajuda da lanterna do celular preparou seu leite quente. Ficou por alguns minutos, pensando em como a vida tinha mudado em tão pouco tempo, sua irmã achou loucura renunciar à sua juventude, por conta de um alto salário, mas Ana não pensava em casar-se, ela não tinha boas lembranças do casamento dos pais. Depois de tomar o leite, organizou tudo e decidiu pegar um copo de água e voltar para o quarto.
Quando estava fechando a geladeira, se espantou com uma sombra parada na cozinha, olhando para ela. Pela silhueta era um homem, bem, mas alto que ela, que a olhava fixamente, como estava escuro não conseguia enxergar direito o rosto e com o susto acabou deixando o copo cair.
Quando se abaixou para pegar, as luzes se acenderam, e acabou se cortando com um pedaço de vidro. Ao ficar cara- cara com o estranho, reconheceu o patrão das fotos.
Lucas, observava a garota estranha agachada no meio da cozinha da mansão. Quem seria essa menina? A filha não tinha amizade com garotas mais velhas ao menos ele não sabia.
Quando Ana levantou o rosto corado, viu de perto como o patrão era mais bonito e atraente que nas fotos. Os cabelos negros como da filha, com alguns fios grisalhos nas têmporas, a barba negra lhe dava um ar rude e seus rostos estavam próximos o que deixou Ana sem reação. O patrão tirou um lenço de dentro do bolso do terno, colocando em seu dedo para pressionar o ferimento.
Depois de segurar o lenço no dedo da garota por alguns segundos. Lucas questionou a presença de Ana, deixando a garota sem saber o que dizer.
- Quem é você e o que está fazendo na cozinha da minha casa?
Ana fechou os olhos, e deu um suspiro de tristeza, pela cara do chefe, ela com certeza seria despedida na manhã seguinte.
- Eu... eu... - Sou... Ana, a nova babá da Sofia.
Lucas olhou com suspeita para moça à sua frente, algo não estava certo. Quando a mãe informou que a nova funcionária tinha começado a trabalhar, ela não avisou que era uma garota recém-saída do ensino médio. Aquela moça tinha o quê? Uns 16 ou 17 anos? Jovem demais para tamanha responsabilidade e Lucas não gostou que a mãe omitiu isso dele. Pelo currículo pensou que se tratava de uma mulher mais velha e responsável.
- Senhorita Ana, acho que tem um pequeno equívoco aqui.
- Achei que tinha contratado uma babá e não uma amiguinha para Sofia.
Ana fechou a cara na mesma hora. Quem achava que era para falar assim dela? E só depois reparou no pijama que usava, com os cabelos soltos, parecia um adolescente e não um
mulher adulta de 23 anos. Que péssima forma de se apresentar na frente do patrão.
- Senhor Lucas, posso afirmar que tudo o que a sua mãe disse é verdade. Posso não ser a funcionária que esperava, mas garanto que estou cuidando muito bem da sua filha.
Lucas fez sinal para que a moça ficou calada.
- Amanhã conversando melhor, senhorita. Acabei de chegar de viagem, estou com uma enxaqueca forte, então prefiro que me deixe sozinho.
Ana juntou os cacos do copo, jogado no lixo, pegou o celular no balcão e saiu, mas notou que o chefe não parecia bem e perguntou se precisava de algo.
Lucas agradeceu, avisou que ela dormir poderia, que na manhã seguinte conversaria com a babá.
Depois que Ana se foi, Lucas saiu da cozinha, foi até o escritório. Deixou apenas a luz da mesinha ligada, se serviu de uma dose de uísque, sentou-se na poltrona observando o jardim.
Teve dias péssimos, com tantos problemas no escritório do exterior que parecia que nunca acabaria. Sua insônia tinha voltado, e dormiu pouco nos últimos dias, que só queria encontrar sua filha e matar a saudade.
Saiu do escritório e foi até o quarto da menina. Entrou com cuidado e viu a filha dormindo como um anjo. Quando Giuliana, sua esposa, faleceu no acidente de carro, Sofia tinha pouco mais de 2 anos.
Sempre que pensava na esposa, o remorso tomava conta do seu coração. Os dois se casaram no calor do momento, mas não se amavam como todo mundo achava. O casamento parecia ser de conto de fadas, porém só ele sabia o que passou durante os dois anos que ficaram juntos.
Como brigas, os choros, os problemas que se acumularam dia após o dia.
Giuliana entrou em uma profunda depressão e nada do que o marido fez era suficiente para ela. Quando começaram a namorar, era como se o paraíso fosse à terra, mas depois do primeiro mês de casamento, as brigas pareciam que nunca terminavam. Giuliana suspeitava de tudo, até mesmo das clientes mulheres que Lucas encontrava. Os dois não viviam, mas como marido e mulher até a noite em que Sofia foi concebida...
- Papai, você chegou! Uma Sofia sonolenta se sentou na cama e Lucas foi até a filha. Sua princesa era tudo que tinha na vida, a única coisa boa que ganhou por ter se casado com Giuliana.
- Sim, princesa, estou aqui. Mas é tarde, volte a dormir que ao acordar de manhã, eu estarei aqui com você.
- Mas pai, eu tenho tanta coisa para contar, a irmã Ana...
- Shhh durma, vamos conversar quando você se levantar.
A menina voltou a dormir e Lucas acabou adormecendo ao lado da filha.
*****
Ana acordou com o despertador do celular tocando. Viu a hora e se levantou num pulo, quase 7 da manhã, dormiu demais, o patrão com certeza estava esperando por ela no escritório, pronto para demiti-la por ser uma tonta.
Correu para o banheiro, tomou um banho quente, fez sua higiene matinal e optou por escolher um vestido abaixo do joelho, florido e fez uma trança. Calçou a sapatilha, fez uma maquiagem leve e foi para cozinha ajudar a organizar as coisas para o café da manhã.
Encontrou Lucia cantando e deu um beijo no rosto da amiga, viu tudo que Sofia precisava e avisou que iria ao quarto da criança. Acabou esquecendo de contar a Lucia o péssimo encontro da noite anterior.
Entrou sem bater, cantando a canção favorita de Sofia, que não percebeu que pai e filha dormiam abraçados na cama. Se calou, mas já era tarde, Lucas tinha despertado com o barulho e seu rosto demonstrava irritação.
Só poderia ser sinais do destino, aquele trabalho com não certeza seria dela.
- Bom dia... - Senhor Lucas, me perdoe. - Eu não sabia que estava no quarto da Sofia. - Eu... Eu... vim aqui para...
Sofia se mexeu na cama e logo depois acordou.
- Irmã Ana, você está aqui, olha quem dormiu comigo. Meu pai voltou e ele vai nos levar para alimentar os bichinhos.
A menina acordou com tanta, alegria, que Ana não sabia o que responder.
- Calma, mocinha. É melhor a senhorita se arrumar primeiro, eu vou tomar um banho e a babá vai te ajudar. Senhorita Ana, daqui a vinte minutos, eu espero as duas na mesa do café.
Lucas beijou a testa da filha e saiu do quarto, deixando Ana desesperada com o que iria acontecer.
- Irmã Ana, hoje nós três vamos passear.
- Vem pequena, vamos escolher uma roupa bem bonita para você.
******
Francesca e Lucas conversavam no escritório sobre Ana, e o trabalho dela na mansão. O arquiteto andava de um lado para o outro, nervoso e tentando convencer a mãe de que era melhor mandar a babá embora.
- Filho, a moça é dedicada, trata bem sua filha, não entendo o motivo de tanta desconfiança. Ana é uma jovem esforçada, educada e o principal é profissional e não tem pretensão de se casar pelos próximos anos.
- A babá é perfeita para nossa pequena, o que mais você queria? - Ela ser jovem é um problema para você? Ou acha que pode se apaixonar pela babá da sua filha?
Francesca riu da expressão assustada do filho.
- Claro que isso nunca vai acontecer, mamãe. Só acho aquela moça nova demais para ocupar uma função importante nessa casa.
- Nova? Francesca perguntou sem entender o filho.
- Filho, nossa Ana já é adulta o suficiente para cuidar da sua filha.
Lucas tinha percebido que não adiantava conversar com a mãe, que pelo jeito caiu de amores pela nova funcionária.
- Tudo bem, já que a senhora diz que ela é competente, que tudo sabe, então ela fica. Mas escute bem, no primeiro erro dela aqui dentro, ela será imediatamente demitida.
Lucas saiu com passos largos, enquanto Francesca observava o filho. Conhecia bem o seu menino, mesmo ele sendo um homem de 40 anos sabia quando algo o afetava.
Quando contratou Ana, sentia lá no seu íntimo que aquela menina faria bem não apenas para sua neta, mas também para o seu filho.
******
Lucas conversava com o pai, enquanto Lucia servia o café, logo depois apareceu Francesca com a neta e Ana.
A patroa tinha pedido para conversar com Ana primeiro, pois sabia que a jovem deveria ter ficado assustada com o jeito rude do filho. Quis garantir que a babá tivesse certeza de que continuaria trabalhando na mansão.
Sofia correu até o pai, o enchendo de beijos e um abraço, depois foi até o avô e Ana pediu que a menina se sentasse para tomar o café.
- Minha querida, você conheceu Lucas ontem, espero que ele não tenha te assustado.
- Luciano e eu não queremos que nos abandone logo. - Meu filho tem esse jeito, mas, no fundo, é um homem bom, não é mesmo Lucas?
Lucas se engasgou com o café, e apenas balançou a cabeça em sinal de positivo.
Sofia conversava com Ana e a avó até que tocou no assunto do passeio.
- Papai, a irmã Ana vai conosco, não é?
Lucas já tinha pensado na desculpa perfeita para evitar essa companhia e explicou a filha que daria folga para Ana e a moça voltaria apenas no domingo, assim evitaria uma companhia indesejada ao lado dela e o fim de semana seria tranquilo ao lado da filha e dos pais.
Não estava acostumado a estranhos rondando a mansão nos dias em que ele tinha descanso.
Ana se sentiu aliviada ao ouvir, que teria dois dias de folga, quase se ajoelhou no meio da sala em agradecimento por escapar de ficar ao lado daquele homem por dois dias.
Pediu licença e foi organizar as coisas de Sofia para o final de semana, depois arrumou sua bolsa, se despediu da menina e de Francesca, aproveitando que o patrão mal-humorado estava numa ligação.
Enfim, teria dois dias com a mãe e a irmã, tempo para pensar em como lidar com o chefe.