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Quando o amor é uma mentira

Quando o amor é uma mentira

Autor:: Olivia
Gênero: Moderno
Como esposa de Julian, Katherine suportou três anos de abuso, sacrificando tudo por amor. Mas quando sua cunhada a drogou e a mandou para a cama de um cliente, ela finalmente voltou a si e decidiu se divorciar, abandonando o casamento tóxico. Anos depois, Katherine retornou, radiante, com o mundo a seus pés. Quando Julian a viu novamente, não conseguiu ignorar a estranha semelhança entre ele e o homem ao lado dela. Será que ele tinha sido apenas um substituto antes? Desesperado para entender tudo, Julian a encurralou, perguntando: "Eu não signifiquei nada para você?"

Capítulo 1 Armadilha

Uma mulher deveria guardar sua primeira vez para alguém que amava?

No momento em que a dor aguda rasgou seu corpo, Katherine Clarke percebeu que havia perdido essa chance para sempre.

Diante do estranho que a forçava, ela chorava tanto que tudo ao redor se tornou um borrão. Ela estava presa, entregue a um pesadelo do qual não havia como acordar. Seus instintos gritavam para que ela fugisse, mas seu corpo, entorpecido e fraco, mal conseguia reagir.

Quando percebeu que não tinha para onde escapar, Katherine cerrou os dentes com força e tentou disfarçar o pavor que a consumia. Sua voz saiu trêmula, quase inaudível: "Use preservativo pelo menos."

O homem parou por um segundo, mas não disse uma palavra, então retomou os movimentos com mais brutalidade.

Katherine não sabia quanto tempo havia passado até que tudo terminou. Completamente exausta, ela perdeu a consciência.

Na manhã seguinte, quando ela acordou, o quarto estava mergulhado num silêncio quase hostil. A cama revirada, os lençóis amarrotados, a dor em cada centímetro de seu corpo - tudo confirmava que não tinha sido um pesadelo.

Isso fora premeditado. O jantar, que deveria ter sido apenas mais um encontro profissional, havia se revelado uma armadilha. Ela fora induzida a beber até mal conseguir se manter acordada, e então enviada para esse quarto para ser abusada.

Em meio à névoa, percebera que havia sido enganada e pensara em Julian Nash, seu marido, que havia acabado de voltar de uma viagem de negócios, por isso, lhe enviara inúmeras mensagens, ligando sem parar.

No entanto, quando ele atendeu, sua voz soara cortante como gelo: "Estou ocupado. Chame a polícia."

Essas palavras continuavam martelando na mente dela.

Com uma única frase, ele destruíra não apenas o que ainda restava do amor entre eles, mas também o último vestígio de orgulho que ela tentava preservar.

Katherine soltou um riso amargo, sem qualquer humor, enquanto a dor em seu peito se transformava em entorpecimento. Lentamente, ela afastou o cobertor do corpo e se arrastou para fora da cama.

Foi nesse momento que um pequeno objeto caiu ao chão - um cartão de visitas.

Ela parou, se abaixou com cuidado e o apanhou.

No momento em que ela reconheceu o logotipo do Grupo Nash estampado no cartão, seu sangue gelou.

O quarto estava escuro demais para que ela tivesse visto o rosto do homem. Mas, de todas as possibilidades que sua mente poderia imaginar, jamais cogitara que o homem da noite passada tivesse alguma ligação com a empresa de Julian.

Seria possível que Julian tivesse algo a ver com isso?

......

Quando chegou em casa, Katherine viu os sapatos de Julian, sinalizando que ele estava de volta. Ela parou, respirou fundo e subiu as escadas.

Nesse momento, Julian surgiu do banheiro, vestindo apenas um roupão branco. Seu cabelo ainda úmido caía de maneira impecável e seus traços rígidos transmitiam a mesma frieza e confiança de sempre.

Ele a olhou rapidamente e um leve franzir de sobrancelha denunciou o incômodo. Com a voz fria e pingando desprezo, ele perguntou: "O que foi?"

Katherine o encarou em silêncio.

Eles, que pertenciam a mundos completamente diferentes, jamais deveriam ter se casado.

Três anos antes, quando o pai de Julian agonizava entre a vida e a morte, ela doou a medula que o salvou. Em agradecimento, ele ofereceu realizar um desejo dela.

Katherine, ingênua e apaixonada, pediu para se casar com Julian, achando que poderia conquistá-lo e que, com o tempo, ele poderia amá-la.

Mas, para Julian, ela nunca passava de uma oportunista.

Tudo o que ele sentia por ela era desprezo. Por três anos, ele esperava que ela o servisse e cuidasse dele, enquanto nunca a tratava como uma esposa de verdade.

Katherine havia suportado tudo sem reclamar.

Depois que sua família desmoronou, ela se agarrava a Julian não apenas por precisar de um teto, mas também porque o amava. Ela queria desesperadamente ser amada de volta. Então, não importava o quão frio ele fosse, ela continuava encontrando maneiras de se convencer de que podia suportar.

Mas depois da noite anterior, não havia mais o que aguentar.

Ela não tinha certeza se Julian estava diretamente envolvido no que acontecera. Mas algo dentro dela dizia que tudo isso tinha a ver com a família dele. Ela havia entrado em casa pronta para confrontá-lo, mas, apenas estando ali e olhando para ele, já sabia que isso só terminaria com seu orgulho destruído.

Mesmo assim, ela tentou, e sua voz saiu áspera, tensa por tudo o que havia passado: "Julian..."

Mas sem sequer olhar para ela, Julian caminhou até o armário e pegou a camisa e a gravata que ela deixara prontas na noite anterior.

Com a mesma frieza de sempre, ele murmurou de costas: "Não fique aí parada. Prepare o café da manhã. Vou sair em meia hora."

Katherine respirou fundo, mantendo a voz firme, apesar do tremor por dentro. "Julian, quero o divórcio."

Capítulo 2 Assinando os papéis do divórcio

Diante das palavras de Katherine, Julian não esboçou nenhuma reação. Ele apenas ajustou a gravata e se virou para encará-la, com um sorriso irônico nos lábios. "Está fazendo isso por causa da noite passada, não está? Ficou aborrecida porque eu não fui correndo quando me chamou?"

Só de pensar na noite anterior, Katherine sentiu uma dor profunda que parecia atravessar sua alma.

A voz de Julian era tão fria quanto sempre. "Eloise ligou mais cedo. Disse que o acordo com o Grupo Lewis foi fechado. Pelo que entendi, você teve participação importante nisso. Vai receber seu bônus. Não se preocupe."

Katherine paralisou.

Eloise Nash, a irmã mais nova de Julian, sempre era sua fraqueza - a menina mimada a quem ele nunca negava nada.

Assim sendo, tudo fez sentido. Era Eloise quem a levou até aquele jantar.

Como envolvia os negócios de Julian, Katherine não ousara tratar o convite com desdém. Mesmo sabendo que não aguentava álcool, bebera, na tentativa desesperada de ajudá-lo de alguma forma.

Ela nunca imaginou que a noite terminaria daquele jeito.

Mas para Julian, certamente isso não passava de um deslize bobo da irmã, algo sem importância, nada que justificasse um aborrecimento.

A desesperança já consumira toda a dor dentro de Katherine, que soltou uma risada amarga, sem qualquer traço de vida. "Vamos direto ao que interessa, então. Imagino que você já saiba o que aconteceu comigo ontem à noite. Não vai demorar para isso circular por aí. Como você é o retrato perfeito da moral e do sucesso, não pode se dar ao luxo de manter por perto alguém 'manchada' como eu, não é?"

Julian deu um passo à frente, imponente. "Manchada? Você forçou este casamento há três anos com uma doação de medula óssea. Acha mesmo que era tão pura e inocente antes disso?"

Durante todo o casamento, ele nunca tinha chegado tão perto dela.

Mas essa proximidade não era intimidade, mas sim uma faca, afiada, gelada e cravada no coração.

Imóvel, Katherine recordou as incontáveis vezes em que o observava em silêncio, à distância, desejando que um dia ele a enxergasse de verdade.

Ele sempre era distante, sim, mas agora parecia diferente. Havia algo mais ali - um ressentimento velado e profundo que ela jamais entenderia.

Antes que ela se perdesse de vez nas próprias dores, a voz dele cortou o ar, impiedosa: "Esqueça o café da manhã. Apenas prepare o almoço e mande para meu escritório."

......

Dessa vez, Katherine não obedeceu.

Durante três longos anos, ela suportava o desprezo silencioso, a frieza e a indiferença e engolia tudo calada, fingindo que não doía.

Mas hoje, não. Hoje, ela pediu o divórcio e saiu sem olhar para trás.

Já passava do meio-dia quando Cayson Price, assistente de Julian, entrou no escritório trazendo o almoço.

Julian ergueu os olhos, observando a marmita com um olhar breve.

Bastou uma olhada para saber que não fora Katherine quem a preparara.

Ele franziu a testa, mas não se deu ao trabalho de reclamar e comeu algumas garfadas, apenas o suficiente para manter o estômago funcionando.

Após três anos habituado ao tempero de Katherine, qualquer outra comida lhe parecia sem alma.

O mau humor causado pelo almoço ruim ainda pairava quando ele voltou para o escritório e encontrou, sobre a mesa, os papéis do divórcio.

Percebendo a mudança na expressão do superior, Cayson hesitou antes de perguntar cautelosamente: "Senhor, você não contou à sua esposa que era você ontem à noite, contou?"

A mente de Julian viajou no mesmo instante para a noite anterior e seu semblante ficou mais sombrio.

Ele não queria ter ido atrás de Katherine, mas precisava evitar um escândalo. A última coisa que queria era uma cena ligada ao seu nome.

O que ele não esperava era encontrá-la naquele estado - bêbada, vulnerável e cambaleante, chorando enquanto repetia seu nome com uma dor que parecia partir do fundo da alma, e se agarrando a ele como se ele fosse sua única tábua de salvação.

Em algum momento, ele perdeu o controle, talvez por causa da forma como ela se entregava, ou pela frustração acumulada dele.

Quando o desejo o dominou, ele simplesmente parou de pensar. Sua contenção desapareceu e o que aconteceu depois durou até muito depois da meia-noite.

Para ele, foi apenas um deslize. Nada que merecesse explicações, especialmente para alguém como Katherine, que sempre era determinada e ambiciosa. Ele acreditava que poderia resolver tudo com dinheiro.

Agora, diante dos papéis do divórcio, Sem qualquer traço de humor, Julian soltou uma risada seca, pegou a caneta, assinou com firmeza e empurrou a pasta na direção de Cayson. "Entregue isso a ela."

Cayson já se virava para sair quando a voz de Julian o deteve: "Descubra quem a colocou naquele hotel ontem à noite."

Capítulo 3 Viver por si mesma

Katherine passou quase o dia inteiro no hospital.

Seu irmão gêmeo, Austin Clarke, nasceu com um distúrbio neurológico que impediu o desenvolvimento de sua mente. Agora, aos vinte e quatro anos, ele continuava sendo, aos olhos do mundo, apenas um menino preso no corpo de um homem.

A vida de Katherine caminhava tranquila até os dezoito. Foi nessa idade que tudo desmoronou de forma brutal.

Seu pai foi preso e sua mãe mergulhou em uma depressão que a esvaziou por dentro. O negócio da família faliu logo depois e, por causa disso, o tratamento de Austin foi interrompido.

De repente, todo o peso do mundo caiu sobre os ombros frágeis de Katherine.

Os anos que se seguiram quase a quebraram por completo. Ela trabalhava sem cessar, tentando segurar os cacos de uma vida que desmoronava mais a cada dia.

Quando se casou com Julian, por um breve instante acreditou ter encontrado uma tábua de salvação, mas até essa esperança se desfez.

A lembrança puxou algo enterrado profundamente dentro dela e seus olhos se encheram de lágrimas.

Enquanto o céu lá fora mudava de dourado para cinza, sua mãe, Ivy Clarke, se aproximou.

Ivy trabalhava no hospital e vinha cuidando de Austin lá, garantindo que ele permanecesse seguro. "Está ficando tarde. Julian já deve ter saído do trabalho. Você deveria voltar para casa. Não dê motivos para ele se irritar."

Katherine mantinha a voz firme, mas sem agressividade: "Eu não vou voltar. Estou me divorciando dele."

Ivy congelou e perguntou, com a voz incerta: "Foi ele quem pediu isso?"

"Não, fui eu...", Katherine respondeu.

Antes que ela pudesse continuar, Ivy a interrompeu, num tom que misturava desespero e urgência. "Por que você faria uma coisa dessas? Mesmo depois do que aconteceu ontem à noite, ele não tentou te afastar. Katherine, você precisa entender - gente como a gente... não pode esperar ser tratada como igual pelos Nash. O orgulho deles é profundo. Às vezes, as pessoas cometem erros."

Atônita, Katherine olhou para sua mãe e perguntou lentamente: "Quem te contou o que aconteceu?"

Ivy fitou o rosto pálido e exausto da filha. Apesar da dor em seu coração, ela não conseguiu ser direta. "Eu falhei com você. Não consegui te proteger. Mas pense bem, minha filha. Se você se afastar de Julian agora... o que vai ser de mim? De Austin?"

Ivy não respondeu à pergunta, mas Katherine já sabia a resposta.

Só poderia ter sido Eloise por trás do que aconteceu na noite anterior. A mulher sempre era capaz de manipular tudo ao seu redor. Provavelmente ela havia corrido até Ivy com meias-verdades, alimentando-a com palavras envenenadas para manter Katherine submissa.

Afinal, Eloise nunca gostava dela.

Enquanto observava o rosto abatido da mãe, algo dentro de Katherine estalou. Uma amargura silenciosa cresceu em seu peito - tão absurda que, por um segundo, ela quase riu.

A casa onde ela havia apostado tudo nunca era um lar de verdade.

Katherine cerrou os punhos, o corpo inteiro tensionado. Ela balançou a cabeça devagar, com mais tristeza do que desafio.

Ela já havia suportado mais do que qualquer um poderia imaginar. Mas agora, finalmente tinha forças para viver por si mesma. Sem responder, ela se virou para ir embora.

Antes que ela desse mais de dois passos, Ivy segurou seu braço e, com a voz trêmula, insistiu: "Você tem um emprego agora, claro, mas e seu pai? Sem Julian, quem vai ajudar a provar a inocência dele? Vai mesmo ficar parada enquanto ele apodrece vinte e cinco anos na prisão?"

A resposta de Katherine veio baixa e exausta. "Mãe, se Julian realmente quisesse ajudar, não acha que ele já teria feito alguma coisa?"

Era a mais pura verdade. O casamento deles nunca era só sobre amor.

Naquela época, ela não tinha mais ninguém, nenhum outro apoio. Mas, assim que os votos foram trocados, ela soube que ele não a suportava. Ainda assim, ela nunca implorara, nem mendigara por atenção ou ajuda.

Agora que tudo tinha chegado ao fim, ela não reabriria antigas feridas.

Ao ver a firmeza nos olhos da filha, Ivy recuou, enxugou discretamente as lágrimas e sussurrou: "Kathy, a família Nash não é gente com quem se deve bater de frente. Só não faça nenhuma besteira, por favor."

Katherine se aproximou do leito onde Austin dormia, o observando. Depois, se virou e caminhou para fora, sem olhar para trás.

Quando alcançou o saguão do hospital, ela viu uma figura conhecida de pé junto à entrada.

Cayson, o assistente de Julian, se aproximou com sua calma habitual. "O senhor Nash já assinou o acordo de divórcio."

Por um instante, a mente de Katherine ficou em branco. Sem dizer uma palavra, ela ergueu lentamente a mão e aceitou os documentos.

......

À noite, Julian voltou para casa e encontrou uma nova governanta à sua espera.

Katherine havia escolhido bem - uma mulher discreta, experiente e eficiente.

Mas, sem pensar duas vezes, Julian dispensou a nova governanta, que não ficou nem até o fim do dia.

No fundo, ele acreditava que Katherine acabaria voltando e não queria se acostumar com uma estranha ocupando o espaço dela. Ainda assim, os dias que se seguiram foram amargos, pois três anos de rotina não poderiam ser desfeitos do dia para a noite.

Seu humor azedou a atmosfera da casa e da empresa.

Poucos dias depois, Eloise surgiu em seu escritório. Mal ela cruzou a porta e já deu de cara com Julian repreendendo duramente um dos coordenadores.

Ela entrou rapidamente, com um sorriso cuidadoso no rosto. "Julian, você precisa se acalmar. Desse jeito vai acabar se esgotando."

Julian ergueu os olhos, frios como gelo. "O que você está fazendo aqui?"

O brilho nos olhos de Eloise era astuto, quase provocador. "Fiquei sabendo da discussão com Katherine... Não me diga que vocês estão mesmo se divorciando?"

Julian estreitou os olhos, a mandíbula tensa. "Quem te contou isso?"

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