A noite de inverno em Krixsas era implacável, cada rajada cortando como o vento gelado.
O frio penetrava em Eleanor Harvey, afundando mais profundo do que a pele, até parecer que seus próprios ossos tremiam.
Ao tentar se levantar, uma tontura embaçou sua visão, girando o quarto em uma névoa desorientadora.
Antes que pudesse se estabilizar, uma mão rude torceu seu cabelo, puxando-a para trás. Um tapa duro rompeu o silêncio, e a dor brilhou intensa e quente em seu rosto, sua tontura se aprofundando em um redemoinho escuro e sufocante.
Após horas na mesa de autópsia, Eleanor estava exausta até os ossos, já a caminho de casa quando foi drogada e sequestrada.
Ao recobrar a consciência, reconheceu o leve odor doce que pairava no ar-um aroma que conhecia bem demais de seu tempo na sala de operações.
Éter. Haviam usado para incapacitá-la. Um anestésico comum, de baixa toxicidade, empregado principalmente para induzir anestesia geral.
A dor maçante em sua bochecha não era nada comparada à confusão que nublava sua mente. Ela cambaleou até a janela, abrindo-a com dedos trêmulos, e engoliu o ar frio da noite que inundou o ambiente, cortando gradualmente a névoa.
Então, uma risada baixa deslizou pelo silêncio.
Eleanor congelou, virando-se lentamente para encontrar a fonte.
Na luz tênue e oscilante do quarto, uma mulher repousava em uma cadeira de veludo, vestida de maneira chamativa e exalando um ar de ameaça calculada.
Atrás dela, dois homens silenciosos e de rostos inexpressivos, suas silhuetas lançando sombras escuras nas paredes.
Os olhos de Eleanor saltavam entre eles, a tensão se intensificava a cada batida do coração.
"Quem... é você? Por que me trouxe aqui?"
A mulher se recostou, acendendo um cigarro com uma elegância natural, inalando profundamente. Seu olhar, afiado como uma lâmina, fixou-se em Eleanor.
"Ontem, você realizou uma autópsia em uma mulher que supostamente se jogou da altura?"
Um arrepio desconfortável subiu pela espinha de Eleanor, mas ela assentiu, incerta de onde isso levaria.
Os olhos da mulher se estreitaram. "O que a autópsia revelou?"
Eleanor engoliu em seco, os detalhes sombrios passando por sua mente como memórias fragmentadas. "Ela... ela foi brutalizada antes de morrer. Ossos quebrados, hematomas extensos e..."
A mulher arqueou uma sobrancelha, seus lábios se curvando em um sorriso leve, quase zombeteiro. "E...?"
Cerrou os dentes, Eleanor forçou-se a continuar. "Havia sinais incontestáveis de... agressão. Esperma de mais de dez pessoas foi encontrado em seu corpo."
Uma risada baixa e sombria escapou dos lábios da mulher, zombeteira. "Sou Gemma Buckley," ela disse, seu tom ondulando com uma diversão perigosa.
Ela se levantou de seu assento, movendo-se em direção a Eleanor com uma graça lenta e deliberada.
Seu sorriso desapareceu, substituído por uma frieza afiada e predatória.
"Agora, sugiro que me dê todos os detalhes. Se estiver escondendo algo... bem, digamos apenas que seria prudente não seguir os passos daquela pobre mulher."
O pulso de Eleanor acelerou, suas respirações rasas.
"Onde estou?" perguntou instintivamente.
"Cassino Skyline," veio a resposta curta.
Eleanor ficou rígida.
Cassino Skyline? O infame centro das transações mais sombrias de Krixsas.
Será que a mulher falecida trabalhava aqui antes de morrer?
A mente de Eleanor corria, recordando as lesões brutais que havia examinado.
"Você está... forçando mulheres a...?"
"Cuidado com suas palavras." Gemma interrompeu, sua risada leve enquanto apagava seu cigarro. "Eu simplesmente dei a ela uma oportunidade de ganhar algum dinheiro, nada mais."
O olhar de Gemma se aguçou. "Ela engoliu um cartão de memória. Você o encontrou?"
Eleanor balançou a cabeça.
A causa da morte era evidente-uma queda de grande altura. Portanto, não havia razão para realizar um exame interno.
O silêncio de Gemma tornou-se pesado enquanto estudava Eleanor, sua expressão indecifrável.
Finalmente, ela perguntou, "Onde está o corpo?"
"No necrotério. Na delegacia."
Gemma inclinou-se, sua voz um comando suave, mas arrepiante. "Você vai recuperar aquele cartão de memória para mim."
Eleanor rapidamente percebeu o que estava acontecendo.
O cartão de memória provavelmente continha provas condenatórias de seus crimes.
Talvez a mulher não tenha pulado; talvez tenha sido empurrada.
Após uma pausa tensa, Eleanor deu um leve aceno. "Certo."
A sobrancelha de Gemma arqueou com a rápida conformidade de Eleanor, mas ela deixou passar.
Com um gesto sutil dela, os dois homens atrás dela avançaram, suas expressões nada amigáveis.
Os olhos de Eleanor saltaram entre eles. "O que vocês planejam fazer?"
Gemma encostou-se casualmente na parede, manuseando a câmera com uma elegância despreocupada.
"Não temos nenhuma razão para confiar em você, não é? O que impede você de entregar esse cartão de memória à polícia?"
Os olhos de Eleanor se estreitaram. Entregar aquela evidência à polícia tinha sido exatamente seu plano.
O sorriso de Gemma se alargou, sua voz um sussurro sedoso. "Então, precisaremos de uma pequena... garantia de que você cumprirá."
Assim que terminou de falar, Eleanor virou-se para fugir, empurrando os dois homens.
Ela mal havia dado alguns passos quando um aperto de ferro envolveu sua cintura, levantando-a do chão.
Ela se debatia furiosamente, mas em segundos, foi jogada para trás, caindo duro na cama.
Pânico tomou conta de Eleanor quando o aperto do homem se intensificou, suas tentativas de se libertar eram praticamente inúteis.
Gemma estava por perto, um sorriso satisfeito se formando em seus lábios enquanto observava a cena se desenrolar.
Quando as roupas de Eleanor foram rasgadas, revelando sua pele, o olhar de Gemma se tornou mais atento, avaliando-a.
Ela viu potencial - se Eleanor trabalhasse ali, certamente seria uma das favoritas entre os clientes.
Mas Eleanor não estava disposta a deixar que eles ditassem seu destino. Com um movimento rápido, ela arrancou um grampo de cabelo de seus fios emaranhados e o cravou profundamente no pescoço do homem.
Os olhos dele se arregalaram, as mãos voando para o pescoço enquanto o sangue escorria pelos dedos. Ele caiu em silêncio atordoado.
O ambiente congelou. Gemma foi pega de surpresa pela ferocidade da mulher aparentemente frágil. Seu olhar caiu na poça de sangue que se espalhava, sua respiração falhando; seu chefe ficaria furioso - cadáveres não faziam parte do plano.
Era a segunda morte em apenas dois dias, e a compostura de Gemma se desfez.
"O que estão esperando?" ela gritou. "Peguem essa mulher - agora!"
Eleanor correu para frente, seus passos ressoando no chão, homens de preto em seu encalço.
O suor ardia em seus olhos, mas ela não ousava parar.
"Pare!" uma voz trovejou atrás dela.
Ela arriscou um olhar para trás, mas naquele instante, seu pé escorregou, fazendo-a cair em direção ao chão.
Em vez de um impacto forte, sentiu mãos fortes e firmes segurando-a, interrompendo sua queda.
Tudo o mais pareceu desaparecer, sua respiração ofegante era o único som no súbito silêncio.
Ela olhou para cima, e sua respiração ficou presa na garganta.
Andreas Clark. O homem que um dia ela manteve por perto, apenas para deixá-lo ir quando não teve outra escolha.
Agora ele estava ali, seu olhar frio e distante, como se não a conhecesse, uma expressão tão gelada quanto hipnotizante.
A luz projetada sobre ele destacava as linhas duras de seu rosto, enfatizando sua presença imponente - poderoso, inflexível.
Mas seus olhos mantinham uma calma desprendida, como se ela fosse uma estranha.
Será que ele não se lembrava dela?
Passos se aproximavam, trazendo Eleanor de volta ao presente.
Ela segurou a mão de Andreas, um sussurro escapando de seus lábios. "Ajude-me."
Por um momento, o olhar de Andreas permaneceu sobre ela, um leve sorriso de canto de boca.
Lentamente, ele puxou a mão de seu aperto, sua expressão intocada pelo reconhecimento.
Eleanor ficou paralisada de choque, seu coração afundando quando a realidade se fez presente: ele realmente não se lembrava dela.
Nesse instante, os homens que perseguiam Eleanor pararam abruptamente e, em uníssono, se curvaram profundamente. "Boa noite, Sr. Clark."
Os olhos de Eleanor se arregalaram enquanto olhava para Andreas, espanto estampado em seu rosto.
Sua presença comandava respeito evidente daqueles homens de preto. Ela sentiu uma pontada de confusão.
Antes que pudesse entender, o som nítido de saltos ecoou pelo corredor. Gemma se apressou, seu passo confiante vacilando à medida que se aproximava.
Andreas franziu ligeiramente a testa e, como se fosse um sinal, Gemma parou em seu caminho.
Ela se abaixou, tirou os saltos altos e se aproximou de Andreas descalça, curvando-se profundamente.
"Minhas desculpas, Sr. Clark, por não ter gerido minha equipe adequadamente."
Eleanor observou, atônita.
A mulher que há momentos atrás dominava a situação, uma rainha em seu próprio território, de repente se tornara submissa na presença de Andreas.
Os olhos escuros de Andreas brilharam com algo enigmático, uma expressão fugaz que desapareceu tão rapidamente quanto surgiu.
Ele fez uma pausa, então apontou o dedo para Eleanor, ainda sentada no chão.
"Ela faz parte de sua equipe?"
Uma sombra de incerteza cruzou o rosto de Gemma antes que ela assentisse forçadamente. "Sim, Sr. Clark."
Eleanor percebeu a zombaria crescendo no olhar de Andreas.
Ele a observou por um momento, sua expressão indecifrável, até que seus olhos se voltaram para sua aparência desleixada.
Sua testa franziu, e as bochechas de Eleanor coraram ao perceber que sua blusa estava rasgada.
Rapidamente, ela juntou suas roupas, cobrindo-se o melhor que podia.
Andreas desviou o olhar e, sem mais uma palavra, virou-se para sair.
Ele lançou um último olhar para Gemma, que imediatamente abaixou a cabeça.
Enquanto ele se afastava, sua voz soou com uma ordem. "Leve-a para o meu quarto."
Eleanor foi arrancada do chão, arrastada pelo corredor e empurrada para dentro de um quarto.
Ela tropeçou, sua visão momentaneamente turva pelo brilho do lustre de cristal acima.
Instintivamente, ela estendeu a mão para a porta, mas ela se fechou com força assim que seus dedos a tocaram.
Com o coração acelerado, começou a bater na porta, desesperada para escapar, quando a voz de Gemma veio do outro lado. "Considere-se sortuda. O Sr. Clark não repara em muitas mulheres," disse ela. "Mas seja sábia-faça-se útil, ou vai se arrepender de cada momento aqui."
Os passos se afastaram, deixando Eleanor em um silêncio atordoado.
Quando seus sentidos voltaram, o suave som da água correndo do banheiro chamou sua atenção.
Ela piscou, absorvendo o ambiente opulento-janelas do chão ao teto que ofereciam uma vista deslumbrante da cidade abaixo, e uma chaise longue luxuosa posicionada perfeitamente para alguém relaxar e aproveitar a vista.
Apesar do luxo, a fria elegância do quarto parecia estranhamente impessoal, como um espaço projetado para encontros passageiros em vez de conforto.
A porta do banheiro se abriu de repente, e Eleanor se virou para ver Andreas saindo, o vapor se enrolando ao redor dele como uma névoa de outro mundo.
Seu roupão pendia frouxamente, apenas o suficiente para insinuar a elegância por baixo, uma graça sem esforço que se agarrava a ele tão naturalmente quanto as gotas de água ainda brilhando em seus cabelos.
Elas desciam por seus traços esculpidos, conferindo um charme quase magnético à sua expressão de gelo.
Sob o roupão, os contornos de seu peito eram visíveis-um físico tanto poderoso quanto refinado.
Seu olhar era frio, penetrante, um olhar que parecia congelar o ar entre eles.
Naquele instante, o quarto parecia apenas um pano de fundo, Andreas sendo o inegável ponto focal, cada movimento deliberado, emanando um comando silencioso e avassalador.
Eleanor se viu momentaneamente cativada.
Ela sozinha nutria um desejo secreto: uma emoção pela perseguição de homens distantes e inatingíveis.
Ela havia aperfeiçoado a arte de atraí-los apenas para descartá-los quando estavam mais vulneráveis, saboreando a dor crua deixada em seu rastro.
Mas ela nunca esperou que Andreas-o único homem de quem se afastou anos atrás-retornasse à sua vida dessa maneira.
"Venha aqui." Sua voz cortou seus pensamentos, fria e autoritária.
Eleanor ergueu o olhar para encontrar Andreas sentado na beira da cama, seu olhar penetrante fixo nela.
Ela engoliu em seco, sentindo um impulso instintivo de recuar.
Seu olhar era frio, inflexível e carregado de uma calma inquietante que provocou um arrepio em sua espinha.
Notando sua hesitação, Andreas ergueu uma sobrancelha, seu tom marcado com um toque de impaciência. "Gemma não explicou as regras para você?"
Eleanor balançou a cabeça, captando o leve brilho de zombaria que cintilava em seus olhos.
"Nova aqui, então?" ele perguntou, sua voz carregando um leve desprezo.
"Não," Eleanor respondeu, seu tom mais firme do que sentia. "Eu não estou trabalhando aqui-sou uma legista forense."
Andreas repetiu suas palavras, divertimento puxando o canto de sua boca. "Uma legista?"
Ele deixou as palavras pairarem, então acrescentou com um sorriso irônico, "Meio período?"
O olhar de Eleanor se estreitou, a raiva cintilando em seus olhos ao perceber a zombaria em seu tom.
"Eu não vim aqui por vontade própria-Gemma me sequestrou!" Eleanor disse, sua voz firme, mas entrelaçada com exasperação. "Eu não estou trabalhando aqui."
"Mentirosa," Andreas murmurou.
Com um passo quase preguiçoso, ele fechou a distância, sua mão escorregando ao redor da cintura de Eleanor para pressioná-la firmemente contra a mesa.
Eleanor tentou se afastar, mas seu aperto era inflexível.
"Por favor, ouça-me! Eu sou uma legista. Eu não trabalho aqui," ela explicou, sua voz tensa.
Um toque de divertimento tocou a boca de Andreas, seu olhar afiado e inescrutável. "Certo, vamos brincar com sua pequena história," ele murmurou. "Uma legista, então."
O coração de Eleanor afundou ao reconhecer a zombaria em seu tom.
Não importava o quanto ela tentasse explicar, ele já havia feito seu julgamento. Para ele, ela era apenas uma mulher trabalhando neste cassino.
Quando Eleanor abriu a boca para protestar mais, Andreas se aproximou, calando suas palavras com um beijo repentino e inflexível.
Em um movimento rápido, ele puxou suas calças para baixo e rasgou sua calcinha preta.