ANTONNI
- Pronta para o seu primeiro dia, Angel? - perguntei em Língua de Sinais à minha irmã mais nova. Angel sorriu para mim sem nenhuma empolgação.
Angel sempre sofreu bullying no colégio por ser surda e muda. Sempre estávamos na porta da escola brigando com todos que mexiam com ela. Eu e meus irmãos fomos criados assim, para resolver tudo confrontando ou usando a violência.
Nós cuidamos da nossa irmã desde que ela era um bebê e somos muito apegados a ela. Quando ela entrou para a universidade, pensamos que o bullying fosse melhorar, mas continuou a mesma coisa.
- Sabe que não, né, An? Vai ser igual à última universidade! - ela disse em sinais.
-Não vai, desta vez quem te fizer mal vai lidar com nós quatro. Não importa se for homem ou mulher, vai sofrer do mesmo jeito! - respondi em sinais.
- Isso não vai adiantar, irmão. Vou sofrer bullying onde eu for. Só não me troque de universidade de novo, eu quero concluir meu curso. Não ligo para esses idiotas! - ela respondeu em sinais.
- Mas nós ligamos, e ninguém mais vai te ferir e sair impune, eu garanto!
- Vamos logo! - ela suspirou.
Eu a ajudei com a bengala que ela usava por ter um problema na perna e andar mancando um pouco, e descemos. Meus irmãos já estavam no carro, meu irmão gêmeo Adrian e seus outros irmãos, que também são um par de gêmeos mais velhos que nós, Gabriel e Daniel.
DANIEL
- Pegou tudo o que ela precisa, An? - perguntou Gabriel.
- Sim, Gab, ela pegou tudo, só não está animada! - Antonni abriu a porta do carro e Angel se acomodou.
- Também, depois de tudo o que ela passou na última universidade, foram mais cruéis do que no colégio. - Falei nervoso. Nem gosto de lembrar do tanto de gente que tivemos que bater para defender nossa irmã.
- Mas dessa vez não terá piedade. Quem fizer nossa irmãzinha sofrer vai sofrer o dobro! - disse Adrian.
- Fique tranquila, tudo vai ficar bem, irmã. - Falou Gab em língua de sinais.
- Vamos, eu quero acabar logo com isso, conhecer os idiotas que vão ficar me zoando. - Ela gesticulou.
- Não vamos mais permitir isso, Angel. Confia em seus irmãos. - Falou Adrian.
Antonni entrou no carro e Gabriel, que era o motorista de hoje, ligou o carro e partimos.
MARIA EDUARDA
Que saco, hoje era dia de prova na faculdade. Não que eu não tivesse estudado, mas sempre dava aquele nervosismo no dia de prova. Ainda mais para mim, que tinha uma média de notas para atingir para não perder a bolsa de estudos, que lutei tanto para conseguir.
Um ano de curso preparatório para o ENEM, mais a prova que era difícil, e ainda ter que me inscrever nos programas do governo para uma bolsa, até conseguir nesta universidade de "riquinhos", que era muito boa.
- Oi, gatinha, nervosa com a prova? - perguntou Fábio se aproximando.
- Um pouco, apenas. Eu estudei bastante. - Falei simpática.
- Como uma nerd pode ter essa aparência tão linda. - ele disse, tocando nos meus cabelos longos e vermelhos.
- Deixa de ser bobo, Fabinho! - falei, empurrando-o.
- Toma, comprei para você, sei que ama um chocolate, nerd linda! - ele me estendeu a barra de chocolate. Peguei sorrindo.
- Por isso te amo, Fabinho!
- Eu sei que me ama. Seu destino é casar comigo, nerd linda. - Ele disse e eu ri.
- Vai sonhando!
- Eu vou, se conforme! Preciso ir, tô atrasado. Boa prova, gatinha. - Ele falou e, quando foi correr, esbarrou em alguém. - Está cega, garota! - ele berrou para a menina, arregalando os olhos.
-Deixa de ser grosso, Fabinho. - Falei séria
- Não vai pedir desculpas não, garota? - ele falou bravo. A menina gesticulou assustada. - Está maluca?
- Ela está pedindo desculpas, só que na língua de sinais! - falei, olhando para a menina.
- Uma muda, era só o que faltava nessa universidade! - ele disse, em tom de deboche.
- Desculpa, garota, esse cara está agindo feito um idiota. - Falei em sinais com a menina, que estava bem assustada. Ajudei-a a pegar suas coisas do chão e sua bengala. - Você está bem?
- Nossa, você sabe língua de sinais, isso é raro! - ela me respondeu.
- Minha avó era surda e muda, então eu aprendi desde criança. - Expliquei a ela em gestos.
- Você é linda até fazendo esses sinais estranhos, Duda. - Fabinho falou e quase me beijou. Eu desviei. - Foge o quanto quiser, gatinha, você ainda vai ser minha namorada. - Fábio piscou para mim e se foi.
- Quer ajuda? É nova aqui, não é? - falei em sinais.
- Sim, eu sou. Estou perdida, estou cursando Administração.
- É meu curso também, vamos juntas. Eu sou a Maria Eduarda Fernandez. - Me apresentei gesticulando.
- Sou Angela Torres. - Ela se apresentou, e levei-a até a sala.
Sentei no lugar em que estava acostumada, e logo minha turma se juntou a mim.
A menina se sentou bem à nossa frente. Eu conversava com minhas amigas quando Amanda, a mais nojenta e metida, parou em frente à nova aluna e ficou encarando Angel. Amanda parecia que tinha parado no ensino médio, com suas atitudes infantis em relação a todos que a desagradassem.
- Por que está no meu lugar, nojenta? - ela falou irritada. A menina olhou para ela, confusa. - Sai daí, idiota.
- Ei, Amanda, aqui ninguém tem lugar fixo. Quem chega primeiro, senta! - eu falei, irritada também.
Detestava essa atitude dela. O mais revoltante era que ela enchia o saco de todos que não gostava, e ninguém fazia nada, como se fosse a dona da universidade.
- Cala a boca bolsista de merda. Eu tenho um lugar sim, e é onde esse ser esquisito está. - Falou arrogante.
- Cala a boca você ridícula. - Falei e vi a menina se levantar e sair. Eu a segurei. - Senta aqui! - Dei meu lugar para ela e fui sentar no fundo. Minhas amigas vieram atrás de mim.
- A Amanda vai encher o saco dessa menina agora que você a defendeu, tenho até dó. - Falou Júlia, minha amiga.
Amanda mantinha um ódio gratuito por mim. Nunca fiz nada a ela e ela me odeia.
- Eu que veja! Ela vai ver. Menina insuportável, não está contente com nada!
Gustavo entrou na sala, veio até mim e me beijou na boca. Ele tinha mania de fazer isso, coisa que eu detesto. Eu soquei o ombro dele de leve.
- Pare de fazer isso, ou eu vou te socar de verdade, idiota.
-Eu te amo, branca de neve ruiva. Você sabe disso. - Ele falou, se sentando à minha frente.
-Idiota! - resmunguei.
Ele tirou um presente da mochila e colocou na minha mesa.
- Para você, marrentinha!
- Não é só porque me dá presentes que te autorizo a me beijar. Se fizer de novo, vou te socar, já falei. - Continuei, séria.
- Ok, ok, abre! - eu abri, era um celular de última geração, novo.
- Aposenta esse museu que você tem nas mãos e salva meu contato como "amor da sua vida"
- Tá louco, eu não posso aceitar isso. - Falei devolvendo para ele.
Eu aceitava os presentes de alguns meninos que tinham o costume de me dar algo, mas um celular caro já é demais.
- Por que eu estou te dando. - Ele falou, sério. - Na boa, seu celular é um lixo, fica com esse e sem reclamar.
- Gustavo, eu não vou ser sua namorada só porque me dá presentes. - Fui logo falando.
- Eu sei, branca de neve ruiva, é só um presente, aceite.
Eu olhei para aquela caixa. Realmente, meu celular não era dos melhores, mas funcionava e isso era o que importava. Teria que esconder esse presente da minha mãe ou teria um grande problema.
- Está bem, obrigada. - Eu beijei o rosto dele, feliz.
GABRIEL
- Oi, Angel, como foi na universidade? - cumprimentei minha irmã em sinais, quando ela entrou no carro.
- Melhor do que imaginei, conheci uma garota que foi bem legal comigo. - Angel fez sinais, empolgada.
- Que bom, não falei que aqui seria melhor para você. - Gesticulei.
- Calma aí, só ela é legal. - Angel gesticulou.
Mas eu não estava mais prestando atenção na minha irmã. Meu olhar acompanhava uma garota extremamente linda, com seus cabelos vermelhos enormes sendo balançados para trás levemente pelo vento. Seu rosto parecia ter sido esculpido de tão bonita. Lábios carnudos e avermelhados, nariz fino e empinado, pele branca com as bochechas um pouco rosadas e o corpo... nossa, era a perfeição. Seios fartos, dava para perceber pois ela usava uma camiseta curta e larga, mas que grudava nos belos seios. Não era muito alta, mas era perfeita para mim. Eu pensava, encantado, olhando para ela.
Sei que parece estranho, mas eu sou estranho mesmo. Quando gosto de alguém, sou possessivo, e eu tenho certeza de que não apenas gostei dessa ruiva. Eu me apaixonei à primeira vista, e ela tinha que ser minha.
Fiquei louco na menina logo de cara. Sabia que aquela garota tinha que ser minha. Ela ria com algumas amigas, e senti um ciúmes quase doentio quando um rapaz a abraçou por trás. Apertei o volante com força. Nunca senti tanta vontade de esmurrar alguém como senti ao ver aquele rapaz.
A bela garota empurrou o rapaz na hora e brigou com ele, me deixando totalmente satisfeito. Aquela garota seria minha, e por consequência, do meu irmão, já que era inevitável, se um gostava de uma mulher, o outro também. Nós éramos assim desde sempre.
Começamos a perceber isso logo na infância. Gostamos os dois de uma menina e brigamos por isso. Já na adolescência, saímos com a mesma garota, sem saber um do outro, e quando descobrimos, brigamos feio. Mas, como ela era mais velha e experiente, nos convenceu a namorar ela juntos, e gostamos da experiência. Desde então, só saímos com a mesma garota, e não sentimos mais ciúmes um do outro por isso. Aquela garota realmente mexeu comigo.
Fui interrompido por Angel me sacudindo e voltei minha atenção para ela.
-O que foi? Está aí parado feito louco. - Ela fez sinais.
- Desculpa, Angel, estava pensando em alguns assuntos da boate. - Fiz sinais e voltei a atenção para a linda garota ruiva, mas ela já havia saído do meu campo de visão. Olhei ao redor, mas não a encontrei. Liguei o carro e fomos embora.
Eu praguejei pois não vi em que direção ela foi.
MARIA EDUARDA
Quando cheguei em casa minha mãe ainda dormia. Dei graças a Deus, assim não teria como explicar o celular que ganhei do Gustavo. Peguei as garrafas de bebidas e alguns pinos de drogas ao redor, suspirei, joguei tudo no lixo e arrumei aquela bagunça.
Minha mãe era uma mulher viciada em drogas e bebidas, e é assim desde que eu me lembro. Nunca fui próxima dela, sempre fui criada pela minha avó, mas quando ela morreu, tive que vir morar com ela. Não era nada fácil.
Meu maior desejo é concluir meu curso, trabalhar e sumir dessa casa.
Fui para o meu quarto e comecei a mexer no meu novo celular.
Sempre ganhava presentes dos meninos da faculdade, que na maioria das vezes eram doces finos, algum anel, colar ou roupa. Sabia que era tudo esperando que eu ficasse com algum deles, mas isso não ia rolar. Não gostava de nenhum menino da faculdade.
Eu nunca me senti atraída por ninguém. Às vezes acho que nem vai acontecer de eu gostar de alguém. Eu acho que a atração deve acontecer logo de cara, e comigo ainda não aconteceu com ninguém.
Mas se eles gostam de me presentear, eu aceito numa boa. Não sou boba e sempre deixo claro que não quero nada com eles. Mesmo assim, continuam a me presentear.
Fui tomar banho, logo iria encontrar a Júlia. Iríamos em uma nova academia de luxo que abriu no bairro nobre dela. Como ela não queria ir sozinha, convenceu o pai dela a pagar a mensalidade para mim.
Eu odiei, malhar não é comigo, mas a Júlia me convenceu. Coloquei a roupa de academia e chamei um Uber, tudo pago pelo pai dela, já que não tenho dinheiro. Preciso de um emprego urgente, pois minha mãe usa o dela com bebidas, drogas e festas. Eu trabalhava em uma cafeteria, mas não consegui conciliar o trabalho com meus estudos, já que morava longe do emprego e ainda tinha que voltar para a universidade. Meu rendimento caiu e quase perdi a bolsa de estudos do governo que consegui, então resolvi me dedicar aos estudos.
Quando saí, ela ainda estava dormindo no sofá. Preparei uma comida e deixei para ela antes de sair.
Ao chegar na academia, fiquei boba. Era enorme. Vi a Júlia na porta e fui até ela.
Júlia era minha melhor amiga. Nos conhecemos desde criança, e apesar de ela ter uma condição financeira bem superior à minha, pelo fato de o pai dela ser político e ser daqueles que gostavam de tirar fotos e dizer que ele e a família eram "do povo", tudo uma grande mentira, ele sempre colocou a Júlia para estudar em escola pública. Nos conhecemos lá, e desde então somos unha e carne.
- Puta merda, você é muito gostosa, Duda! Dá até vergonha entrar com você aí! - falou ela, e eu ri.
- Para com isso, você também é gostosa! - abracei minha amiga baixinha, que conseguia ser até menor que eu.
- Duda, eu peso 100 quilos e tenho 1,55 de altura. Não sou gostosa, sou gorda mesmo!
- Cala a boca, Júlia, você é cheia de curvas, e com esse rabão enorme aí, chama a maior atenção. - Falei, sincera. Júlia tinha um corpo bonito, cheio de curvas, mas ela não via isso. Ela riu.
- Por isso gosto de você, minha amiga é quase cega!
- Você que é cega com você mesma. Vamos nessa tortura logo! - falei, e entramos na academia.
Meu Deus, pensei, exausta. Como alguém pagava para ser torturado daquele jeito? Meus braços e pernas já estavam sem forças com os exercícios que o personal nos ensinou, e isso nem era o treino principal, era só para aquecer.
Coloquei minhas mãos nas pernas sem senti-las, Júlia riu.
- Cara, sua resistência física é pior que a minha. - Ela riu. - Pelo menos uma coisa eu ganho de você!
- Mano, quem paga para ser torturado assim? - falei sem ar.
- Todas as pessoas que estão aqui, preguiçosa. E olha como está cheio.
- Júlia, eu nunca mais venho com você, eu desisto. - Falei séria.
- Deixa de ser mole, Duda, só se passou meia hora!
- Mano, mentira, eu achei que já era hora de ir embora. - Olhei para ela com uma careta de desagrado, e ela riu alto.
- Bora meninas, vamos malhar as pernas agora. - Falou o homem, eu suspirei. - Bora ruiva, deixar essas pernas ainda mais bonitas. - Ele falou sorrindo.
- Senhor, socorro. Eu te odeio, Júlia. - Falei acompanhando o personal para mais um round de pura tortura!
Como eu odiava aquilo, e eu faria a Júlia me pagar com juros por essa tortura pura.
ANTONNI
Mas que perfeição de garota era aquela! Eu olhava do meu escritório e o de meu irmão, que ficava localizado na parte de cima da academia. Era todo de vidro, e conseguíamos ver a academia inteira do escritório, mas as pessoas lá embaixo não conseguiam nos ver, graças à tecnologia mais cara que colocaram nos vidros. Isso nos dava a privacidade no escritório, enquanto acompanhamos o movimento da academia.
Abrimos essa franquia de academia nesse bairro por causa da Angel. Quando resolveram mudar para cá, ir à academia principal todos os dias ficaria mais difícil.
Eu e meu irmão temos uma rede de academias famosa em todo o país e em alguns lugares fora dele, com uma grande franquia. Começamos este negócio ainda bem jovens e conseguimos dar uma boa visibilidade à nossa academia.
Assim que vi aquela ruiva entrar na academia, não consegui tirar os olhos dela. Nossa, como ela era bonita! Senti uma conexão instantânea com a garota. Sabia que ela era minha. Eu podia sentir isso, sou assim, decidido nos meus sentimentos.
Adrian, meu irmão gêmeo, entrou na sala, foi até sua mesa, se sentou na cadeira e pegou sua xícara de café, distraído com seus afazeres.
- O que tanto está olhando aí, irmão? - Adrian perguntou, mexendo no computador.
- Nossa futura mulher!
Adrian me olhou intrigado e deu uma risada irônica.
- O que disse, maluco? Nós saímos com a Vivi, esqueceu?
Adrian se referia a uma amiga da época do colégio que encontramos algumas semanas atrás e com quem saímos algumas vezes, mas eram apenas encontros casuais, quando estávamos todos sem nada para fazer.
Eu e meu irmão namoramos algumas vezes com a mesma mulher. Quase sempre sentimos atração pela mesma mulher e nos acostumamos a sair os três juntos, desde que a mulher estivesse de acordo.
- Vem aqui!
Adrian se aproximou, e eu apontei para onde a ruiva estava. Aquela garota era uma perdição de bonita. Sei que pareço um doido por me atrair assim só pela beleza, mas ela era realmente linda e parecia ter um imã que me atraía até ela.
- Porra! - Adrian falou ficando hipnotizado pela ruiva também. - Nossa que mulher...
- Ah, sim, com certeza será nossa, nem que seja por uma noite, essa linda ruiva será nossa!
Ficamos parados, olhando para ela por um bom tempo. Ela parecia sofrer com os exercícios, e me fazia rir algumas vezes com suas caretas. Quando o instrutor a deixou sozinha, eu e meu irmão resolvemos descer. Ela era nova aqui e não poderia ficar sem supervisão, ou poderia se machucar.
MARIA EDUARDA
Aquela tortura não tinha fim. Estava fazendo agachamento, e se continuasse, eu ia acabar agachando e nunca mais levantando.
- Ajuda se manter as costas retas. - Ouvi alguém dizer. Virei o rosto e vi dois homens gêmeos idênticos, com cabelos castanhos claros e olhos amendoados. Eles eram lindos, realmente lindos.
- O que me ajudaria agora seria um sofá, uma pizza e um filme.
Eu não os olhei diretamente ao responder, me forçando a me concentrar na tortura que estava sendo submetida naquele momento. Olhei para eles quando os ouvi rir, e percebi que estavam me encarando de uma forma estranha. A intensidade de seus olhares até chegava a ser um pouco assustadora.
- Está numa academia com pensamentos em pizza, ruiva?
Um deles falou. Para mim, eram iguais, então a meu ver, um era o mesmo que o outro.
- Eu já acordo pensando em pizza. Não tem nada melhor do que pizza com Coca-Cola gelada. - Falei, e vi os dois rirem novamente. Acho que eu devo estar muito engraçada ou os dois eram malucos.
Não pude deixar de reparar que tinham um sorriso lindo, um sorriso meio de lado, e um ar de safados que era um charme.
- Bem saudável, ruiva. - Um deles falou.
- Maria Eduarda, esse é o meu nome.
- Maria Eduarda, um nome lindo, combina com você. Sou Antonni, e esse é meu irmão Adrian!
- É um prazer conhecê-los, mas agora só consigo pensar em dor e comida. Poderiam me deixar sofrer sozinha? - falei, tentando não parecer rude, mas realmente estava exausta e dolorida.
Senti as mãos ajeitando minhas costas e separando um pouco minhas pernas, enquanto o outro levantou meus braços. Dei um pulo pelo susto do contato, não esperava aquilo, e eles sorriram para mim.
- Se deixar seu corpo certo, não sofrerá tanto com as dores, Maria Eduarda. - Adrian falou.
- Principalmente manter as costas retas. - Antonni falou, mantendo as mão na minha cintura e a outra nas minhas costas.
Ele parecia um tanque de tão forte. Os dois, aliás, eram bem gostosos, bem musculosos. Deviam usar bastante a academia ou, quem sabe, moram nela de tão musculosos que eram.
Perdi até o foco com as mãos de Antonni em mim. Senti meu corpo esquentar na hora, fiquei um pouco envergonhada por isso. Ele só encostou em mim e meu corpo reagiu assim... Isso foi esquisito, uma sensação nova para mim.
Olhei para o outro gêmeo à minha frente. Ele era muito bonito, as tatuagens nos braços o deixavam bem sexy.
- Obrigada pela ajuda. - Os dois me olhavam intensamente de novo. Não sabia se gostava desse olhar ou se queria correr desse olhar meio macabro.
Senti a mão de Antonni apertar minha cintura com certa malícia. O fogo que senti subir pelo meu corpo foi surreal. Era a primeira vez que eu sentia isso. Eu estava em público sentindo isso, eu me sentia um pouco vadia por isso.
- Podem descansar, meninas, tomem água. - Falou nosso torturador, que por coincidência era conhecido como personal trainer, ao retornar, sei lá de onde. - Ah, gostariam de falar comigo, chefes? - ele parecia sem graça ao ver os gêmeos.
- Não, Lucas, mas você não devia deixar alunas novas sem supervisão. Elas estavam fazendo os movimentos errados, poderiam ter se machucado. - Antonni falou sério. Nosso torturador ficou pálido.
-Eu só fui beber água, chefe. - Falou ele.
-Bom, desta vez está tudo bem, mas da próxima já sabe, não é? - falou o mesmo sério.
- Não vai se repetir, eu garanto! Se hidratem, meninas, vamos para flexão de braços. - Ele avisou.
- Porra, isso ainda não acabou? - eu perguntei desesperada e todos acabaram rindo do meu desespero. Eu concluí que devo estar muito palhaça hoje.
- Relaxa, ruiva, logo o resultado vai aparecer, e vai ficar ainda mais gostosa do que já é. - Nosso torturador falou me olhando de um jeito um tanto malicioso.
- Está maluco? Quer ficar sem os dentes da boca? - Antonni falou com fúria visível.
Eu o olhei assustada. Qualquer um que o ouvisse acharia que ele estava com ciúmes de mim, e isso seria ridículo, já que nem ao menos nos conhecemos.
- O que meu irmão está querendo dizer, é que você poderia ser acusado facilmente de assédio, provocando uma demissão por justa causa e até um processo. - Adrian falou, ele parecia tão nervoso quanto o irmão.
- Não, eu não vou fazer nada, não se preocupem, não vou acusar ninguém. - Falei, tentando apaziguar o clima tenso que se instalou. - Vamos, torturador, nos mostre os exercícios!
- Pode ir, Lucas. Eu e meu irmão vamos terminar o treino das meninas. - Antonni falou, me olhando fixo. Seus olhos permaneciam pousados nos meus, e eu me sentia estranha com aquele olhar. Eu gostava do jeito que me olhavam, tão intensos.