ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤㅤ ㅤ ㅤ ㅤ Marina Narrando
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Marina: Você tem que entender que a culpa não é minha. - respirei fundo.
Bia: Ma, sempre a culpa é sua. - revirou os olhos, se sentando no banco - O que foi dessa vez?
Marina: O que foi dessa vez é que a Carol é louca. - cruzei os braços.
Bia: Marina, ela não é louca sozinha! - riu - Você bem que gosta de provocar.
Marina: Ela atentou não atentou?! - perguntei já afirmando - Pois é achou. - me ajeitei.
Bia: Calma eu não estou te julgando. - riu - Deixou ela bem roxa?
Marina: Nem parece a menina de horas atrás, que estava me dando mó bronca. - falei irônica.
Bia: Eu tinha que fazer de conta que sou descente né Marina? - se levantou, colocando a bolsa no seu ombro.
Marina: Ainda bem que é "fazer de conta"... - dei uma olhada rápida pelo reflexo da janela.
Bia: Estou indo pra casa e espero não ter mais telefonemas. - falou séria, me dando as costas.
Não tinha entendido nada, até me virar pra trás e ver o Senhor Gonzales.
Diretor: Espero que a sua irmã tenha tido uma conversa, bem esclarecedora. - disse firme.
Marina: Clara como nunca. - passei por ele.
Diretor: A sua cota, está estourando Marina. - se virou pra mim - Tenha um comportamento melhor.
Marina: Sérião? - bufei - Tô afim mais não, ouvi tudo o que eu já tinha pra ouvir.
Diretor: Não se preocupe! - abriu um sorriso - Os avisos não vão durar por muito tempo.
Marina: Eu já entendi aonde o senhor quer chegar. - falei por fim - O colégio Gonzales Diniz, não é o único, da cidade e ó... - debochei - Nem do mundo. Por isso, saiu daqui vou pra outro.
O meu pote de paciência já estava acabado por hoje, a Carol, felizmente já pegado tudo pra ela. E não, eu não tinha medo nenhum de Igor Gonzales, nem da minha mãe eu tinha, vou ter de alguém da rua? Mas não mesmo. Não voltei pra sala, não estava afim e também não queria ver a Carol, fiquei sentada nas mesinhas espalhas pelo pátio, até dar o intervalo, que já estava próximo pelo fato de já poder ouvir gritos vindos da cantina. Sim, aqui tinha que fazer a fila pra merenda, já que não tinha uma lanchonete.
????: Marina? - estalou os dedos na minha frente.
Marina: Oi? - olhei.
Hugo: Posso me sentar? - olhou pro lado vago.
Marina: Tá livre não tá? - dei de ombros.
Hugo: Se for tpm, já vim preparado. - disse tirando barras de chocolate do bolso.
O Hugo era aquele amigão que você sempre pode contar, seja a qualquer hora e em qualquer situação.Marina: Não é, mas mesmo assim, aceito. - dei um beijo na sua bochecha.
Hugo: Nenhuma pra mim? - fez cara de choro.
Marina: Não. Nem uma migalha. - abri uma barra.
Hugo: Af. - rindo - Não quer tocar no assunto não é mesmo?
Marina: Me conhece bem. - abri um sorriso.
Hugo: Só me afirma, que não foi por causa do Bruno. - me olhou apreensivo.
Marina: Não. - falei.
Que ótimo nem lembrava do Bruno. Enfim, o intervalo passou bem rápido, assim como os últimos dois horários.
Marina: Família, cheguei. - falei alto.
Dei as costas fechando a porta e dando de cara com a Bia transando com um cara no sofá. Mirei bem no corredor e fui na fé de Deus.
Marina: Eu não estou aqui, continuem. - apressei os passos - AGORA ENTENDO OS TELEFONEMAS.
Sabia que depois ela iria me matar, mas que mal tem? Olhei pras caixas que faltavam empacotar em cima da minha cama, e a preguiça bateu. Estamos de mudança para uma comunidade aqui perto. Um dos motivos era esse menino que a Bia já estava pegando a dias, o que nas circunstâncias ou pelas leis da própria Bia, era super estranho. Mas, devo tudo a ela, confio nela. Outros motivos são: dinheiro e emprego. Esse carinha prometeu que lá nessa comunidade iria arrumar um trampo pra Bia, além, dele já ter ajeitado uma casinha pra gente, que na frase dele surgiu um "nós" e sei que ela está com os quatros pneus arriados por ele. Dei uma rodada pelo quarto, sentando na minha cama e olhando pras paredes lotadas de fotos.
Bia: Marina? - bateu na porta.
Marina: Pode entrar safada. - sem tirar os olhos da parede.
Bia: Não irei comentar sobre isso. - envergonhada - Sente falta deles né? - encostou a cabeça na porta.
Marina: Bastante. - sorri - Mas tenho você! - me virei pra ela.
Bia: Sempre. - veio até mim - Quer ajuda nas caixas? - mexeu no guarda - roupa.
Marina: Não precisa. - me levantei.
Bia: Não quero te apressar, mas temos que ir, ainda hoje. - me olhou - É 15 dias pra sair, porém, quero sair o quanto é cedo, sem dever nada pro Senhor Antônio.
Marina: Ok. - dei as costas.
Ela ficou por um tempo ali só me observando, acabei de arrumar todas as caixas, e tiras todas as fotos das paredes. Fui de uniforme mesmo não ia nem dar tempo de trocar.
Bia: Pronta? - sorriu animada.
Marina: Aram. - dei um última olhada no quarto, só dando aquela conferida - Tá com pressa? - vendo ela de pé na porta, inquieta.
Bia: Claro. - sorridente.
Marina: Bia, Bia... - desconfiada.
Bia: Marina, anda! - me empurrando pra fora.
Marina: Cadê o rolin? - me referi ao menino.
Bia: Já está esperando pela gente lá no morro. - disse depois de chamar um táxi.
Marina: "Nós", casinha pra nós. - zoei.
Bia: Cala a boca Marina! - segurou o riso.
O táxi não demorou a chegar e logo partimos.ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤㅤ ㅤ ㅤ ㅤ Maquinista Narrando
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O morro tava pipocado hoje, não tava dando pra tirar o pé da boca, e ainda por cima o Sorriso tava em cima de mim, por causa da tal mudança da mina que ele anda dando uns lero.
Maquinista: Parceiro, cê jura pra mim, que essa porra é séria? - mandei, mexendo nos papeis.
Sorriso: Já te enrolei alguma coisa? - jogou - Claro que não, o papo é reto. - andou de lá pra cá.
Maquinista: Fica de zoia em cima desse mina, não confia. - dei atenção.
Sorriso: Irmão ela é de confiança, até o último fio da minha cabeça. - se aproximou.
Maquinista: Não acha que tá colocando muita fé em cima disso? - dei um toque.
Sorriso: Vai ser uma experiência no final... - falou sério - Já tá tudo no esquema?
Maquinista: Quando vou te deixar na mão? - joguei a chaves e os papéis do trampo da mina.
Sorriso: Valeu irmão, não vai se arrepender. - pegou.
Maquinista: Na ativa. - voltei a me concentrar nos meus papéis, anotando e desmarcando.
Sorriso: Ela tem uma amiga dahora também. - riu.
Maquinista: Ela tem uma. - olhei pra ele - Tenho várias. - fiz o gesto com a mão.
Sorriso: Chefe é chefe né pai... - cantou.
Maquinista: Vaza Sorriso. - fiz dedo do meio.
Apesar daqui ser um morro, eu gostava do certo pelo certo, quem tinha que pagar pagava, quem tinha que correr, corria. Hoje também estava chegando o carregamento das drogas, e tinha que estar tudo no esquema pros vermes não atravessar o meu caminho de novo. Lembrando de verme, acho muito engraçado esse povo que confia em policial, tudo bem, sou bandido mais admito tem uns que é do certo, mas tem outros, que é só corria pra gente daqui do morro. Além de serem maior comédia, querendo pacificar o meu morro. Até parece que aqui não tem dono, sou bandido mais não sou bagunça porra.
DD: Chefe... - chamou antes de entrar.
Maquista: Pode invadir. - ordenei.
DD: Tem um piloto lá embaixo querendo subir. - falou segurando o rádio - Vai passar?
Maquinista: Quer subir pra que? - perguntei.
DD: Duas mina de mudança pra cá.
Maquinista: Desenrola com o Sorriso o pacote é dele fi... - dei sinal pra ele vazar.
DD: Jaé chefe.
Só essa que me faltava fi, tá me tirando mesmo.
?????: Quem é meu bebê? - fez voz fina.
Maquinista: Larissa para com essa merda, tá ridículo. - acabei as minhas anotações.
Larissa: Que isso meu amorzinho... - fez bico - Deixa de ser grosso.
Maquinista: Larissa, papo reto, tá feião. - encarei.
Larissa: Af, nem dá pra ser carinhosa contigo. - cruzou os braços de manha.
Maquinista: Fia, não vem com esse papo não! - me levantei - Tá aqui por que mesmo?
Larissa: Vim te fazer uma surpresa... - ameaçou a tirar a roupa.
Maquinista: Só quando eu chamar. - encostei na mesa - Pode ir embora agora. - desenrolei um beck.
Larissa: Quando eu quiser, também posso, não é assim. - fez mais um drama.
Maquinista: Não sai Larissa, mete o louco não. - alterei um pouco a voz - Sai quebrando.
Larissa: Depois não vem atrás. - jogou o cabelo.
Maquinista: Pode deixar! Eu não vou. - afirmei.
Ela fez mais alguns shows, deu mais alguns dramas, mas eu não estava afim de escutar. Por isso, liguei o foda - se. Fiquei ali desenrolando o meu beck e desenvolvendo os esquemas da carga. Passei um rádios pros aprendizes.
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- Quero geral do beco 15, revistando os galpões.
- Dodô na escuta.
- Dodô, pega geral do beco 15 e vai revista os galpões.
- Jaé chefe, mas alguma coisa?
- Porra, cadê o resto nesse merda desse rádio? Tão com a vida ganha carai?
- Uns tão no asfalto, outros fazendo a ronda de sempre.
- Sei que ronda eles estão fazendo, tô ligado.
- Que isso chefe.
- Sem k.o, todo mundo é fi de Deus né não? Quero o certo pelo certo.
- Entendido.
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Procuro sempre ser mais amigos dos meus aprendizes do que chefe, até porque sempre estão ali quando eu preciso ou quando qualquer um precisa. Isso é família. Tenho o orgulho de fazer parte, mesmo que seja pelo motivo errado, ganhei e não quero perder. A boca já estava mais calma, pelo menos dentro do meu barraco, tranquei. Ia lá em casa bater aquela larica fi, sem boca mesmo.
- Ou, tu tá bem fio? - o aprendiz me perguntou.
- Ou fio, tô só na larica mesmo, qual foi? - cruzei os braços.
- Negando a Larissa? - riu - Ou melhor, buceta.
- Qual é CV até parece que eu como qualquer uma. - ofendido.
- Ah patrão, passa o pinto em tudo. - debochou.
- Vai chegar a sua vez, chora não. - dei um tapa na cabeça dele - Vai aprendendo com o mestre.
- Pegar o meu caderno pra anotar. - ameaçou procurar.
- Melhor que tu faz. - fiz sinal - Os pela saco, fiquem de olho aí na boca jaé? E ATENDAM A PORRA DO RÁDIO, CUZÕES.
- TE AMO AMOR. - um outro aprendiz gritou.
Me virei pra ele e aprontei pra minhas partes, e sai quebrando. A fome tava monstra fi.Maquinista: Que cheiro bom de comida. - inalei.
Sônia: Pelo menos alguém adora a minha comida. - disse se referindo a minha irmã.
Lana: Começou as indiretas. - revirou os olhos - Fala na cara mãe. - se jogou no sofá.
Sônia: Me respeita. - deu um tapa no braço da mesma - Não sou as suas amigas Lana!
Maquinista: Ou! - falei mais alto - Não quero as duas brigando.
Lana: Af! - resmungou.
Maquinista: Af nada Lana. Bora comer. - parei perto dela, esperando levantar.
Lana: Não vou. - cruzou as pernas.
Não tive outro jeito, a carreguei daquele jeito mesmo, fiz que nem criança, acomodei ela sentada na cadeira.
Maquinista: Pode se servir. - apontei pro prato.
Lana: Não estou com fome. - relutou.
Maquinista: Não te perguntei. - afirmei.
A Lana tinha um sério problema com a comida, se não era a comida, o motivo tinha outros nomes, vários se possível. Não sou ciumento, não seguro a Lana, se ela quiser dar o problema é dela não é não? O negócio é só ela ficar de zoia. Montei aquele prato de pedreiro, devorei aquilo no mesmo instante em que coloquei no prato, nem dava pra engolir.
Sônia: Come direito, moleque! - deu um tapa na minha cabeça.
Maquinista: É fome. - falei de boca cheia.
Sônia: Gula é pecado, sabia? - falou se servindo.
Maquinista: Tomar conta da vida dos outros também, sabia? - dei a última garfada.
Sônia: Que abuso! - me beliscou - Vai lavar o seu prato! Sim e pronto! - ordenou.
Maquinista: Sim senhora. - deu um beijo no rosto da coroa.
Lana: Eca, que grude. - fez cara de nojo.
Maquinista: Fica quieta aí... - fui pra cozinha lavar o prato.
Não iria ficar ali por muito tempo, depois de almoçar fui me jogar no sofá, o rádio apitava e eu só escutava os recados, e ficava de boa.
Lana: Rael? - se sentou do meu lado.
Maquinista: Hm? - me ajeitei no sofá.
Lana: o CV ainda tá na boca? - olhou pra baixo.
Maquinista: Lana, qual é... - fixei nela - Deixa o CV de lado.
Lana: Eu tento... - abaixou a cabeça - Não dá, eu tento.
Maquinista: Dá sim. - encarando - Papo reto, ele é meu amigo, mas não é pra você!
Lana: Eu sei de tudo isso, eu sei, eu sei... - suspirou - Deixa pra lá, tá? Esquece.
Maquinista: Por que não vai dar um rolê, pelo morro? - falei - Tem mina nova chegando.
Lana: Talvez eu vá... - deu as costas pra escada - Em que casa elas vão ficar?
Maquinista: Depois da casa do Sorriso. - desliguei a tv.
Não esperei ela me responder e voltei pra boca. Já estava na hora do carregamento! Desci no embalo, já organizando o batalhão, partimos pro asfalto.ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤㅤ ㅤ ㅤ ㅤ Marina Narrando
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O táxi tinha nos deixado na entrada da morro, houve uma confusão se iria deixar ou não o carro subir. Por fim eu me estressei, e disse que dali mesmo subia com as malas, mesmo que eu tivesse que fazer duas viagens ou mais.
Marina: Anda Bia! - chamei - Depois vocês até se comem, eu juro. - olhei pros dois./
Bia: Marina!!! - me repreendeu.
Marina: Ah, desculpa... - debochei - Até parece mesmo que aqui, ninguém nunca fez isso. - dei uma boa olhada nos homens com as armas, e alguns sem.
?????: Sabemos bem de qual é da parada, novinha. - piscou pra mim.
Marina: Muito obrigada. - sorri - Será que alguém poderia me ajudar?
?????: Aquelas ali atrás? - um outro menino apontou.
Marina: É por favor. - ajeitei as malas e as caixas - BIA! - falei mais alto.
Bia: O QUE? - descolou do menino.
Marina: Vamos! - tentei convencer dessa vez.
Por fim ela me ouviu, e fomos subindo o morro devagar. Eu não estava com pressa apesar do peso, estava adorando aquele lugar, por mais besta que pareça. Eu não sou inocente, só pela tv já dá pra se ver como é o funcionamento de um morro, e como é um morro, talvez não tão de perto mais já da pra sacar.
Bia: Aqui é bem louco. - disse olhando o movimento.
Sorriso: É da hora morar aqui. - pareceu orgulhoso - Depois de você deixar as suas coisas, vou te levar pra conhecer.
Marina: Obrigada pela parte que me toca. - me intrometi na conversa.
??????: Se quiser te levo pra um rolê. - riu imitando o casal feliz.
Bia: Vão pra merda. - riu e logo depois deu um selinho no Sorriso.
Demoramos mais alguns minutos, e enfim chegamos. A casa era bem humilde, tanto por dentro, quanto por fora, mas era simplesmente linda demais! E não era muito diferente da antiga, diferente de muitas, eu não acordava com a vista pro mar, nem pras montanhas bonitas, e aqui não iria ser diferente. Também não era algo de se sentir pena, pera lá, até porque aquela casa tinha muita história para contar e eu amei cada dia que eu morei lá. Fui a primeira a entrar, Bia destrancou a porta, fui passando por cima dela. Deixei as coisas tudo no chão e fui procurar o quarto maior, não sou boba.
Marina: ESSE QUARTO É MEU. - falei bem alto.
Bia: Pera lá, não conversamos sobre isso. - ela veio até mim.
Marina: Não temos o que conversar, é meu. - comemorei.
Bia: Eu sou a mais velha, tenho direitos. - quis duelar.
Marina: Um ano só... - me joguei na cama - Beijo de luz, sai do meu quarto.
Bia: Tô ficando sem moral.. - disse saindo do quarto.
Marina: Já teve algum dia? - ri, indo atrás dela.
Bia: Acho que sim né... - pensou - Pelo menos por eu ser a mais velha, deveria ser assim.
Marina: Um ano só. - revirei os olhos - Aceita amiga, aceita. - peguei todas as minhas coisas e levei pra o meu quarto.
Bia: Um ano é muita coisa. - resmungou mais um pouco - E não, não aceito.
O menino que me ajudou foi embora voado assim que deixou as coisas na porta, e o Sorriso não demorou pra fazer a mesma coisa. A Bia até tentou me explicar, mas eu não estava com cabeça para isso. Como a casa já estava imobiliada, só bastou colocar as coisas no lugar. Começei colocando as fotos, dessa vez concentrada em uma parede só, depois ao poucos pelas roupas. Separei uma toalha e o meu pijama, e fui para o banheiro. Demorei alguns longos minutos, embaixo do chuveiro. Passei meu hidratante corporal, e logo depois me vesti.
Marina: Dona da casa por ser mais velha, qual é a comida de hoje? - me repousei sobre o balcão.
Bia: Lasanha de microondas. - bateu palmas.
Marina: Nada mal. - sorri - Bia, falando sério agora, qual é a sua e desse Sorriso?
Bia: Ah não sei, a gente tá se conhecendo... - deu ombros.
Marina: Bia não vem com esse papo. - suspirei - Eu te conheço, lembra disso?!
Bia: Ma, eu não sei o que está rolando. Estou apenas deixando fluir. - tentou explicar.
Marina: Você sabe muito bem o que está acontecendo. Só não quer se permitir. - a encarei.
O assunto tinha morrido ali, a Bia não era do tipo que gostava de falar de seus sentimentos, dizia ter seus motivos, se proibia de sentir, até parece que isso resolver alguma coisa não é? Se resolvesse todo mundo estava com sorte. Depois de uns 15 minutos de microondas, a lasanha ficou pronta, comemos em silêncio.
Bia: Marina, atende que eu vou pro banho. - disse depois de deixar o prato na pia.
Só dei um berro pra ser sincera, achei que era algum dos meninos.
Marina: Quem é? Sorriso ou o Desconhecido? - brinquei.
???????: Nenhum dos dois, é a Lana. - ficou na porta.
Marina: Oi, desculpa, achei que era.... - olhei pra ela - Entra poxa.
Lana: Eu fiquei sabendo que tinha menina nova chegando e quis vir, fazer uma visita. - sorriu.
Marina: Ah sim. - me levantei - Marina, e me desculpa pelo berreiro.
Lana: Prazer, Lana. - riu - Não tem problema nenhum. Então, só você que mora aqui? - perguntou.
Marina: Não. - falei - Mora eu e uma outra enjoada. - fiz careta.
Bia: EU ESCUTEI! - gritou do banheiro.
Marina: Como se eu não te dissesse isso todo dia. - falei um pouco alto.
Lana: Super amigas. - riu do nosso jeito.
Marina: Sinceridade acima de tudo - ri - E você? É daqui mesmo?
Lana: Sim. Moro um pouco mais pra baixo. Sou irmã do chefe daqui. - falou naturalmente.
Bia: Oi, prazer... - disse vindo de toalha - Você é a irmã do Maquinista né? - sorriu.
E eu sobrei.Marina: A conversa tá legal gente? - dei uma risada.
Bia: Maquinista é o dono do morro. - explicou - E ela é a irmã dele.
Lana: Infelizmente... - engoliu - As meninas só se aproximam de mim aqui por isso.
Bia: São bobas, aposto que você é mó gente fina. - tentou consolar.
Lana: Eu até tento. - deu de ombros - Mas quando vou ver, o assunto é o meu irmão.
Marina: Falsianes. - sorri - Não se preocupe, com a gente vai ser diferente.
Depois entramos em longo assunto sobre passado, presente e futuro. Já que íamos ser amigas, já tinha que chegar conhecendo. Aos poucos que eu ouvia, podia sentir que ela é uma menina bem sozinha, e tem alguns problemas pessoais, nos quais não quis especificar e também não coloquei pressão.
Sorriso: Dona, cheguei! - disse já passando pela porta.
Marina: Bater antes da madeira faz bem. - dei um sorriso esperto.
Sorriso: Porra, que inteligente você. - bateu palmas.
Marina: Eu sei, eu sei... - me gabei - Tu não pensou nisso né?! - ri.
Sorriso: Nunca na minha vida! - foi de encontro a bia.
Bia: Meu amor. - abraçou ele forte.
Sorriso: E aí minha dama. - encheu ela de beijos.
Bia: Como que foi o seu dia? - grudada nele.
Lana: Oi pra você também Sorriso. - irônica.
Sorriso: Melhor agora amor e o seu? - nem se quer ouviu a Lana.
Marina: Pra você conseguir a atenção de algum dos dois tem duas maneiras: ou você pega eles transando ou você berra, tipo... SORRISO! - gritei.
O que fez ele olhar.
Lana: Terra chegou no seu espaço? - perguntou.
Sorriso: E ai Laninha, tá aí a muito tempo? - passou a mão no cabelo.
Lana: Horrores. - riu - "Minha dama", "melhor agora"... Ui ui.
Sorriso: Cala a boca. - tampou alguma coisa nela.
Lana: E que história é essa de pegar eles transando? - riu alto.
Marina: Ixi... - ri - O sofá da antiga casa que ô diga, a se ele pudesse falar. Não só ele né... - falei baixo.
Lana: Tu já pegou? - espantada.
Marina: Pegar, pegar, 1 vez só! Mas ouvir, várias. - ri.
Lana: Não creio. - riu mais alto ainda - Já conhece o morro?
Marina: Nada. Só um pouco do que eu vi subindo. - olhei pra tv.
Lana: Bora lá, pois, prevejo um sexo selvagem, bem no balcão. - olhou.
Assim que olhei pro balcão, os dois já estavam se pegando. Passei correndo pro meu quarto, coloquei um short jeans e uma camisa de manga cumprida, meus chinelos e vazei. Dali de casa, fomos conhecer as pracinhas, depois as quadras, depois os atalhos, os becos, as lojas, as escolas, tudo, até finalmente chegar na famosa boca. Não que ela já tinha comentado comigo, mas nos jornais sempre falava assim. Paramos um pouco longe, ela só ficava me mostrando quem era quem.Lana: Aquele ali ó... - apontou - É o CV.... - suspirou.
Marina: Hm, acho que esse CV tem muita história pra contar. - olhei pra ela.
Lana: Caso antigo, que eu não consegui esquecer até hoje. - lamentou - O que é ruinzão, porque pra ele nem existo mais.
Marina: É babaca! - revirei os olhos - Sabe que não vale a pena migalhas né? - falei.
Lana: Só das migalhas já estaria satisfeita.
Marina: Ah, mas não mesmo! - firme - Ou é tudo ou não é nada. Você iria sobreviver de migalhas de pão, de biscoito, de farelo, de resto de comida? - a fitei.
Lana: Acho que sim. - afirmou.
Marina: Eita, mas tá perdida. - balançei a cabeça.
Lana: Aquele outro ali, é o meu irmão. - o menino vinha em nossa direção.
Maquinista: Lana, tá fazendo o que na rua essa hora? - sem educação.
Lana: Não começa Rael, é 22hrs ainda! - virou os olhos.
Maquinista: É Maquinista. - passou o olho por mim - E você, quem é?
Marina: Marina. - curta e grossa.
Maquinista: Fia, quando eu pergunto é a ficha completa. - se posicionou na minha frente.
Marina: Quando eu respondo, é só o que interessa. - encarei.
Maquinista: É desaforada em... - deu mais um passo - Não faz mal eu descubro de qualquer jeito.
Marina: Ótimo, então vá descobrir. - sorriso sem mostrar os dentes.
Maquinista: Fica fora do trilho, se não o trem te pega. - deu um soquinho no meu queixo.
Marina: Que medo desse trem. - cruzei os braços.
Maquinista: É bom ter mesmo, ele não avisa duas vezes. - alisou a arma.
Por incrível que pareça, eu não senti medo algum. Como já falei, medo eu não tinha nem da minha mãe vou ter dos de rua? Não! Não!
Lana: Chega! Só estamos dando uma volta. - deu as costas.
Maquinista: Em casa a gente conversa. - deu uma pausa - E a senhora, fica rente. - falou sério.
Marina: Sérião, que ele é desse jeito mesmo? - voltando pra casa.
Lana: As vezes consegue piorar. Mas hoje é um caso em especial. - deu desdém.
Marina: Ah sim.
Não iria dar uma de intrometida e perguntar o porque, não era da minha conta, mas mesmo assim ele não podia sair falando com as pessoas desse jeito. Tudo bem, ele é dono do morro, não das pessoas, eu em... Fomos subindo até uma casa mais arrumada do que a minha, ela me mostrou aonde morava e com quem, disse que o pai sumiu pelo mundo e ela não tem o menor interesse em procurar, e que a Dona Sônia valia dois em um só. Eu pedi pra que ela ficasse por ali mesmo, eu saberia voltar.
Lana: Tem certeza mesmo? - parada no portão.
Marina: Tchau Lana. - ri, acenando.
Subi rápidinho, não tive nenhum problema no caminho. Só ouvia uns caras mexendo, assoviando, isso pra mim, não me incomodava, contanto, que não me encostasse.
ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤㅤ ㅤ ㅤ ㅤ Maquinista Narrando
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Os vermes não atravessaram o meu caminho, o corre todo deu certo. O descarregamento tava organizado, tava tudo fluindo bem, até que vejo a Lana com uma desconhecida. Tive que ir lá, até porque não era o ideal a minha irmã ver o descarregamento, não que eu não confiasse nela e que ela não podia ver isso, ela sabia muito bem com que eu mexia, não escondia de ninguém, mas não podia arriscar ainda mais com um povo de quebradeira pra cá.
Maquinista: Tô precisando melhorar a minha conduta. - pensei alto.
CV: Qual foi patrão? - fitou.
Maquinista: Pensei alto fi... - mudei de assunto - E os galpões lotados?
CV: Tudo em conta e anotado. - me passou a ficha.
Maquinista: Jaé, demorô. - conferi - Demorô, queria agradecer pelo trabalho de todo mundo hoje, por ter dado tudo certo. O certo pelo certo... - paguei cada um como deveria, uns queria em pó, outros em docinho, outros em planta, outros em pedra e outros em dinheiro - Tá todo mundo dispensado, fazer revesamento com os brotos, passem o rádio se virem. - peguei a ficha e me mandei pra minha casa dessa vez.
Maquinista: Minha casa viro pensão agora? - joguei as chaves em cima da mesa.
Sorriso: Eu moro aqui também! - se sentou na mesa.
Maquinista: Manda a tal da Marina fica no trilho, firmeza? - avisei.
Sorriso: Alá, qual foi o trombo dessa vez? - riu.
Maquinista: Mó abusada tio, tá achando que eu sou bagunça. - pensei - Os bandido tão perdendo o cargo fi, até o povo do asfalto tá achando.
Sorriso: Trocou farpas? - falou com a boca cheia.
Maquinista: Queria era mesmo ter passado o ferro. - lembrei do momento - Ela é muito atrevida.
Sorriso: Você também não é ligeiro, alguma coisa deve ter feito. - me olhou de canto.
Maquinista: Eu só procurei saber o nome dela, ela me respondeu, só que eu queria a ficha completa pô... - daí falei - E ela "quando eu respondo, só respondo o que interessa" - revirei os olhos.
Sorriso: Calma irmão. - deu gargalhas da minha cara - Ela é de confiança.
Maquinista: Aos seus olhos sim. - fitei - Quero ver aos meus e no teste de primeira impressão, ela não passou.
Sorriso: O santo não bateu - se jogou pra trás - Quando cisma com essa história é foda em.
Maquinista: E não cismo atoa, você me conhece. - dei o papo - E a tua peguete?
Sorriso: Tá nos trinques com isso aqui. - sorriu.
Maquinista: E tu nos trinques com ela. - deu um soco no ombro dele.
Sorriso: K.o fi. - tentou disfarçar.
Maquinista: Claro, puro k.o. - concordei.Sorriso: Tá tirando mesmo. - se levantou.
Maquinista: Mano, se tu tá de quatros pneus por ela, tenho nada com isso não. - dei ombros - Só que admitir faz bem.
Sorriso: Cadê a Larissa em? - mudou de assunto.
Maquinista: Deu uma de louca comigo na boca fi, mandei ela sair quebrando. - passei a mão na testa ao lembrar.
Sorriso: Como se isso fosse alguma novidade. - falou - Ela é doida contigo.
Maquinista: Não é recíproco. - afirmei.
Sorriso: Mano, você não deixou isso claro. - falou sério.
Maquinista: Você me conhece, eu tentei. Acho mais firmeza você falar, do que ficar enrolando alguém. - sincero - Até porque, não é legal mano. E isso não é de bandido, é de caráter. Faça um com alguém, que outro alguém vai fazer isso com você. - liguei a tv.
Sorriso: Tô ligado irmão, eu estive contigo lembra? - demos um toque de mãos.
Maquinista: Eu sei cara, firmes sempre! - mais um toque - A Larissa é da hora mano, se ela parasse com essas idéias, po, ela pode ter o cara que ela quiser. Mas grudo em mim, já mandei a real e hoje foi a mesma coisa, evitei. - contei.
Sorriso: É com o tempo parceiro, ou ela cai ou ele derruba ela. - se sentou novamente.
Maquinista: É a lei não é?! - mudei de canal - Valeu pela força no carregamento.
Sorriso: Tô contigo e não abro. - firmeza.
Maquinista: Dois irmão. - respirei fundo - Lana, veio falar do CV comigo.
Sorriso: E você ainda não contou pra ela? - me olhou.
Maquinista: Eu começei a falar que ele não é pra ela. - engoli seco.
Sorriso: Rael, ela vai ter que saber uma hora ou outra, que o CV tem mulher, e ela está grávida. - me relembrou.
Maquinista: Po, eu sei, tô ligado na visão. Mas não sei como falar isso pra ela. Se nem ele teve a coragem de falar.
Sorriso: Por isso mesmo. - deu uma pausa - Você como irmão deveria falar.
Maquinista: Fi o pepino é dele, eu não tenho nada haver com isso. - levantei as mãos - Amanhã vou dar um enquadro nele.
Sorriso: O quanto cedo melhor, até porque, ela vai vir morar aqui e com ele! - relembrou.
Maquinista: Segura o rojão fi. - rimos.
Ficamos trocando idéias por um bom tempo. Acho que dormi por ali mesmo.Dora: O que acha de acordar, hm? - abriu as janelas - Bom dia.
Maquinista: A Dora, fecha a janela, puxa a cortina. - tampei os olhos com o braço.
Dora: Rael, vai comer. - disse fazendo barulho.
Maquinista: Pra isso não precisa pedir duas vezes. - me levantei, fui tomar aquele café cabuloso.
Sorriso: Firmeza - descendo as escadas.
Maquinista: O fluxo. - comendo.
Dora: Falem direito. - disse séria - Bom dia.
Comi até ficar estufado, depois subi pra tomar aquela ducha da hora. Vesti uma bermuda, e coloquei a blusa pendura no cós da bermuda, meu relógio e as minhas correntes, não podiam faltar. Perfume e desodorante. Passei o rádio pros comandos, e Sorriso já tava de prontidão na porta.
Maquinista: Porra, quantas horas? - olhei pro céu.
Sorriso: 06hrs. - riu - A Dora é dispo fi.
Maquinista: Tenho nada com os problemas dos outros. - fitei a Marina descendo o morro - A madame encrenca.
Ficamos só olhando ela passar, apesar de atrevida, era muito linda.
Lana: Não creio. - riu - Como nunca te vi lá? - se deram beijos.
Marina: O mesmo digo. - riu - Acho que é porque estou sempre de mal humor na escola.
Lana: E eu enfiada na biblioteca. - desceram o morro.
O Sorriso só olhou pra minha cara e puder ver as veias querendo até saltar, de tanto que ele tava segurando pra não rir.
Maquinista: Vai a merda. - sai quebrando e ouvindo a risada dele atrás.
A boca nessas horas estava calma, mas o morro fervendo.ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤㅤ ㅤ ㅤ ㅤ Lana Narrando
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Ninguém conseguia entender o que o CV significava pra mim, sabe quando você é completamente armadura e vem alguém que tira ela, sem o menor esforço, só fazendo você se sentir especial, se sentir diferente das outras, parecendo que você está em um pedestal gigante? Eu estava nesse drama comigo mesma. Eu tentava evitar, tentava ignorar, passar rente, nem olhar pros lados, mas não dava eu não conseguia controlar, quando me via já estava lá conversando com ele, falando mil asneiras para ele me amar, me querer, pelo menos metade do que eu queria ele. Não me importava em ter que suar pra conquistar a outra metade, eu faria isso, porque eu queria ele. Só que de uns tempos pra cá ele mudou, anda frio e distante, talvez nem olha na minha cara, faz de conta que não me conhece ou que eu sou um peso de porta, isso estava me machucando, porque por mais impossível e distante que fosse o meu sonho, eu queria estar com ele a qualquer custo. Lógico que não ia ser dessas doidas de né, matar ou fazer qualquer besteira, o que eu quero dizer é que, o que estiver ao meu alcance para lutar por ele, por nós, eu irei continuar lutando. Mesmo que indiscretamente e de longe. O que ele conquistou nenhum outro tinha conseguido, e eu não conseguia voltar a ser eu mesma sem ele, minha armadura estava em suas mãos, eu não conseguia pegar de volta por mais que eu quisesse, entendem? Eu estava entregue, meu coração era dele.
Sônia: Bom dia. - animada.
Lana: Bom. - olhei pra mesa farta e ia passando direto.
Sônia: Pode comer Lana. - falou de costas.
Lana: Não estou com fome. - me virei.
Sônia: Você nunca está. - com raiva - Vem comer agora.
Não queria brigar e sabia, que se desse mais corda iria longe. Me contentei com um lanche e um suco.
Lana: Pronto, já estou atrasada. - disse já batendo a porta.
Vi a Marina descendo, não sabia que ela estudava na mesma escola que eu, na verdade nunca tinha visto ela lá, acho que é porque eu fico enfiada na biblioteca, não pra ler, era pra dormir mesmo.
Marina: Faz muito tempo que estuda lá? - descendo.
Lana: Um ano. - ri.
Marina: Tá em que série doida? - riu.
Lana: Segundo ano, do médio. E você? - curiosa.
Marina: No terceirão, é bombei. - ri - Xiu.Lana: Que isso, da nada não. - comentei.
Até porque não dava mesmo, ela deve ter os motivos dela pra ter tomado bomba.
Marina: Foi um ano bem difícil... Meus pais morreram, dai, toquei o foda - se. - falou sem ânimo.
Lana: Desculpa não queria entrar nesse assunto. - me senti culpada.
Marina: Me desculpa você. - sorriu fraco.
Lana: Vamos mudar de assunto. - pedi.
Marina: Vamos correr, estamos super atrasadas. - rimos juntas.
Foi ladeira a baixo, corremos até o portão da escola. Achei que a caminhada seria pouca, me enganei muito pelo visto.
José: Por pouco em meninas. - disse abrindo o portão novamente.
Marina e Lana: Muito obrigada! - falamos ofegantes.
Cada uma foi pro seu andar de sala, o meu primeiro horário era história, achei que iria escapar dessa, imagina numa sexta - feira, ter dois horários de história seguidos? Ah não, tô sem força.
Lana: Licença. - entrei.
Prof. Ronan: Não tolero atrasos. - encarou.
Lana: Não bateu o segundo sino. - respondi.
Prof. Ronan: Não funciono com a escola. Funciono com as minhas regras. - voltou a passar matéria no quadro.
Lana: Sim senhor. - fui pro meu lugar.
Coloquei os meus fones de ouvido e me afundei na carteira, não estava afim.
Hugo: Lana. - me cutucou.
Lana: Hm??? - abri os olhos.
Hugo: Já é o intervalo. - riu - Vai ficar aí?
Lana: Você deixaria? - olhei pra ele.
Hugo: Não! - abriu um sorriso - Vamos.
Ele não iria me deixar em paz mesmo e falava sério, mesmo que fosse pra me tirar da sala e ir pra biblioteca, mas ele me atentava.
Hugo: Aonde tá indo? - se virou pra mim.
Lana: Pra biblioteca ué. - apontei.
Hugo: Não, hoje vamos para o pátio. - veio até mim - Conhecer o desconhecido. Ver seres humanos. - riu.
Lana: Nossa que graça. - abriu um riso falso.
Hugo: Me economiza Lana, vamos. - me empurrou, até me levar pra uma rodinha.
Marina: Até que fim. - me olhou.
Lana: Aí alguém que vai querer meu bem... - me aproximei - Posso ir pra biblioteca?
Vi ela passar os olhos por cima de mim.
Marina: Não. - riu.Lana: Gente por favor. - juntei as mãos.
Hugo: Fica aqui Lana, você só dorme. - deu ombros.
Marina: Vem senta aqui. - me puxou.
Sentei do lado dela, e ficamos conversando várias bobagens. Pela primeira vez gostei muito de estar interagindo, de estar com os amigos digamos assim. O intervalo passou rápido.
Hugo: Bora voltar pra aula. - animado - Estudar, construir um futuro.
Marina: Quem vê falando assim, até acha que pensa no futuro. - riu.
Lana: Tá pagando de estudante. - desci da mesa.
Hugo: Porra, eu estudo muito. - sério.
Lana: Claro, principalmente em Biologia. - riu.
Hugo: Não conta! - me abraçou.
Marina: Hm...Tô de vela - riu e bateu palmas.
Hugo: E quem fica de vela, fica feliz? - debochou.
Lana: Tem ninguém de vela aqui não! - falei sem graça.
Marina: Ah claro, acredita nisso aí amore... - me apontou - Guarda no core. Ele não desmentiu.
Hugo: Marina para de criar intriga. - falou sério.
Marina: Fiquem com essa dúvida amores. - saiu voada.
Depois dessa pena piadinha da Marina, nem eu e nem o Hugo sabíamos aonde enfiar a cara.
Hugo: Melhor irmos pra sala... - sugeriu.
Lana: Acho melhor também. - fui de cabeça baixa.
Chegamos na sala a tempo do professor não entrar, porque aqui tem desses, "Não entra depois que e já estou dentro de sala", os chatos. Voltei pro meu lugar e me afundei junto com os meus fones de ouvido. E dormi, mas dormi muito.
Marina: Jesus, você só dorme. - me cutucou.
Lana: Ai, me deixa mulher. - voltei a me acomodar na mesa.
Marina: Tá na hora de ir embora. - me avisou.
Lana: Ah não, gosto tanto dessa mesa. - abracei ainda mais - Acho tão confortável.
Marina: Lana, vamos. - rindo.
O caminho de ir embora foi mais rápido, e eu agradeci por isso.
Marina: Vamos almoçar lá em casa. - convidou.
Lana: Não tô com fome.
Marina: Não vou nem me dar ao trabalho de responder. - saiu andando na frente.
Esse povo tá com algum problema com comida e comigo.