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Quebrando Regras

Quebrando Regras

Autor:: QuaseRomancista
Gênero: Romance
Camila é uma jovem estudante que precisa se esforçar para permanecer em uma bolsa de estudos em uma grande escola de artes chamada Fonte de Vida. O programa de talentos exige que os alunos tirem notas altas o que faz a garota deixar de viver para se dedicar somente à vida escolar. Dylan, é o professor mais rigoroso, chato e ao mesmo tempo dócil da escola Fonte de Vida que tenta fazer de seus alunos os melhores artista da grande cidade de Miami. Com o intuito de fazer seus ouvintes alcançarem seus sonhos ele quer que cada um chegue aos seus limites para provar que todos tem algo a ser alcançado. Duas vidas, idades diferentes e mundos diferentes, mas que estão ligados por uma força maior que os levaram a quebrar todas as regras de uma sociedade que não aceita certas formas de amar. Quando a vida parar para ouvir sua história, conte-a. Quando as regras impedirem sua felicidade, quebre-as.

Capítulo 1 Enfim aqui

Miami

A segunda cidade mais populosa do estado da Flórida, fundada em 1825 e gerenciada por nosso prefeito Francis X. Suarez, um lugar cobiçado pelos turistas que dominam este local e fazem a cidade lucrar com seus gastos em hotéis, lanchonetes e praias. Também é um local cheio de crimes que são escondidos pelas equipes televisivas e a guarda local, claro. Mas tem um lado seguro, pois a taxa de criminalidade daqui é a menor do estado.

Bom, eu fui enviada para essa cidade, depois de ter passado pelas audições para um programa de talentos de uma escolas de artes muito renomada na americana.

Eu estou a um passo de me tornar a pessoa mais conhecida no mundo das artes e isso não será tirado de mim nem por um decreto.

Respirei profundamente o ar da cidade quando sai do aeroporto. Deixei o ar me contagiar ao ponto de me preparar para o que viria pela frente. Depois de oito horas sentada torcendo para que o avião não caísse, eu precisava daquilo.

Pensei brevemente em casa também, recordando-me que dali em diante estaria só. Eu nasci, cresci e vivi por muito tempo em São Paulo, no Brasil. Minha família permaneceu por lá enquanto eu realizava meu sonho, mesmo que isso deixasse meu pai com a cara amarrada.

Por sorte eu estava em minha maioridade e nada poderia me prender aos meus pais. Não era preciso assinar nada ou estarem presentes para me representar. Até porque eles tinham pouco tempo para isso e o tempo curto usavam para cuidar de Sofia, minha irmã.

Eles tentavam dar a ela a mesma educação que deram a mim quando eu era menor e agora mesmo sendo jovem demais, como dizia meu pai, eu me sentia capaz de continuar minha vida ao meu comando com alguns conselhos deles, claro.

Ainda que eu estivesse ansiosa e nervosa demais com a nova vida.

O nervosismo se intensificou no instante em que cheguei aos portões da Fonte de Vida. A escola que foi fundada especialmente para jovens prodígios que nasceram com o dom das artes.

Vi suas paredes azuis respingadas com tintas de todas as cores como se ali fosse um enorme quadro onde o pintor melecou a mão de tinta e saiu batendo nas partes brancas, bom nesse caso as partes azuis.

Vi também os alunos caminhando para tantos lados que me deixou um pouco perdida, parada no meio de um gramado verde muito bem cuidado.

Era possível ver pequenos pontos pretos com furinhos minúsculos que na hora certa soltavam água para todos os lados. Com sorte eles não faziam isso no horário de aula.

Naquele momento me senti deslocada, pois estava com uma bolsa pendurada no ombro direito que batia em meu bumbum a cada passo, contra o pano da calça Legging de couro. Puxei a folha que havia imprimido, após receber o email cheio de informações. Em meio a tantas palavras havia uma lista com as salas e os horários das minhas aulas.

- Okay, vamos lá - falei para mim mesma olhando as letras em tinta preta, enquanto cruzava as portas de vidro da grande estrutura. - Sala 15, professor Alan Henry.

Olhei para o local por dentro, observando o branco com faixas amarelas descendo das paredes e parando no rodapé de vinte centímetros de altura que também tinha a cor amarela. Assim como o chão que mais parecia ser banhado a ouro do que um esmalte de piso.

- A estrada dos tijolos amarelos - sussurrei ao entender a referência daquela decoração.

No final da estrada estava um local amplo, provavelmente o pátio. Era coberto por ter um teto de vidro que me deixava ver as nuvens brancas dançando pelo céu azul, mesas quadradas e longas de madeira pendiam no chão junto às cadeiras feitas de um material que eu poderia jurar ser de plástico ainda que aparentasse ser madeira também. Velas de led se espalhavam por todo local fingindo iluminar aquela área e me fazendo sorrir.

- O grande salão do castelo de Hogwarts

Haviam quatro portas pretas e brancas ao fundo do salão e escadas entre elas com corrimão amarelos e brancos.

Os diversos alunos se dirigiram para suas respectivas salas enquanto eu ainda permanecia parada ali observando-os, sem a menor ideia do que fazer ou para onde ir.

- Odeio o primeiro dia.

- Hey! - o rapaz moreno de olhos negros vindo em minha direção início.

Usava uma regata azul esportiva com um carro de corrida desenhado no lado esquerdo do quadril, calças brancas coladas no corpo feito fita adesiva e botas pretas de cano longo cobrindo parte dos tornozelos foscas quase deixando os cadarços camuflados. Não era um rapaz forte demais nem magro demais, me pareceu até bonito.

- Hey? - O imitei e o vi sorrir.

- Sorry, i don't mean to be boring, but i could see his look of "I have no idea where i should go." - Ri de sua conclusão, pois ele realmente estava certo sobre eu não ter ideia do que fazer. - Do you need help?

- No, it's okay - Briguei comigo mesma ao dizer aquilo, afinal não estava tudo bem. Porém, parecia que meu interior tinha que se impor por algo. - I find myself. I am good at exploring.

Falei por fim, me afastando e subindo as escadas depois de ler:

"Sala dos Professores, Diretoria, Área restrita e sala 1" escritos em inglês nas portas do lado das escadas. Senti a sombra ao meu encalço e ouvi um bufar de risada próximo de mim.

- What's funny? - Virei-me com tudo olhando o rapaz com um certo olhar de raiva.

- Está indo para o lado errado - dessa vez ele usou o português para falar comigo e me surpreendi com aquilo. Olhei em volta vendo o corredor de chão dourado, paredes brancas com portas pretas e as numerações acima de 20 afirmarem as palavras dele, franzi o cenho e revirei os olhos quando percebi meu erro. Ele riu uma vez mais. - Quer ajuda?

- Tudo bem então - falei vencida pelo cansaço. - Sala 15.

- Eu sei, novatos são do professor Alan e do professor Dylan. - Dei um meio sorriso e o rapaz puxou meu pulso para o outro lado do corredor. Tinha um sotaque forte, porém seu português era fácil de ser entendido. - A propósito, eu me chamo Joshua, mas pode me chamar de Josh,

- Obrigada pela ajuda, Josh. Como soube que falo português?

- Eu tenho meus contatos senhorita, Camila Chaves. -Parei no meio do caminho um pouco petrificada com a fala do rapaz. Procurei algum local onde meu nome estivesse visível e o ouvi sorrir enquanto me arrastava pelos corredores. - Sou do jornal da escola fofinha e sei de tudo o que acontece do portão até o porão. Aliás não recomendo que vá para lá se algum cara lhe chamar, eles gostam de brincadeiras proibidas. Se é que me entende.

- O jornal da escola se informa até sobre alunos que estão chegando na escola? - Perguntei parando ao lado da porta preta com um 15 grande e dourado abaixo da janelinha de vidro.

- Só as alunas bonitas.

Ele me lançou uma piscadela e pude sentir minhas bochechas quentes, logo concluí que estava ruborizada. Vi o sorriso largo surgir no rosto de Josh antes que ele se virasse afastando-se de mim e sumindo em uma das salas, segurei a maçaneta pensando no que viria pela frente e no ocorrido segundos antes. Respirei fundo pedindo sorte aos céus enquanto entrava na sala para ver todos os olhares se voltarem para mim.

Capítulo 2 Regra número 1

Após o constrangimento de chegar atrasada, precisei me apresentar aos alunos e ouvi algumas piadinhas sobre meu sotaque. Contudo, nada disso atrapalhou o decorrer do dia e até que tudo terminou bem.

Já estava no final da tarde quando as aulas daquele dia terminaram e para o meu primeiro dia eu diria que tudo correu muito bem.

Após minha apresentação, fiz uma breve audição para uma peça e precisei dançar para o professor de bigode branco e os oito alunos. Em seguida, fomos para a sala 1 ver alguns documentários sobre a história da arte e pude conhecer um pouco mais daquilo que amo.

Não conversei com ninguém, não por timidez, mas por querer prestar o mínimo de atenção nas palavras do professor. Eu não poderia tirar notas baixas, pois corria risco de perder minha bolsa, então não estava ali para fazer amizades.

As portas da escola foram abertas para os alunos irem embora, mas me demorei um pouco nos corredores aproveitando para conhecer melhor o lugar. Eu também iria aproveitar para ver a cidade assim que eu já estivesse bem instalada e bom, precisava arrumar um emprego.

Eu havia aceitado o duplex que meu pai insistiu em comprar e o dinheiro que ele economizou para meus gastos futuros, mas aquilo não iria durar eternamente, então eu precisava de algo de meio período para pagar minhas contas.

Minha cabeça já explodia só de pensar nas tantas coisas que eu tinha para fazer e às vezes me pegava implorando para voltar aos meus 5 anos como Sofi. Só de imaginar que não teria minha mãe para resolver e me ajudar com os dias difíceis e meu pai para me proteger das brigas eu já sentia vontade de ir correndo de volta para o Brasil.

Me sentia totalmente dependente deles naquele instante, mesmo tendo que ser independente.

Sai da escola com a luz da lua no alto do céu e as estrelas brilhando freneticamente no preto. Não demoraria para chegar em meu duplex, pois meu pai havia vindo à cidade dias antes escolher a dedo um lugar perto da escola para que eu não corresse riscos demais. Afinal, era um lugar perigoso.

Fiz o mesmo caminho que havia feito para ir ao prédio Fonte de Vida e percebi que durante à noite não havia luz naquela parte da rua. Isso me impossibilitava de ver com clareza o caminho em minha frente e não fosse o brilho do luar me guiando, estaria perdida.

Durante meu caminhar ouvi os passos seguindo os meus fazendo meu coração disparar. Aquele som não estava longe e não era de uma única pessoa, o que me fez olhar por cima do ombro e ver as cinco formas vindo em minha direção. O desespero me tomou por completo, apertei os passos com o medo me percorrendo todo o corpo e ainda tentei calcular para ver se estava muito longe. Faltavam apenas dois quarteirões e eu desejei ter pés ágeis para correr em disparada até estar segura em minha casa.

Os passos aumentaram junto com os meus até me alcançarem e eu percebi que já estava correndo enquanto olhava em minhas costas e ouvia as figuras rindo em meu encalço.

Virei na esquina em um completo desespero sem ver o caminho, só parei quando meu corpo se chocou contra a jaqueta de couro preto fazendo-me desequilibrar. À figura alta segurou meus pulsos me impedindo de cair e minha respiração tentava voltar ao que era quando ele disse:

- Calma - observei os olhos verdes do rapaz de cabelos escuros. Ele tinha um semblante preocupado. - Você está perdida?

Eu nada respondi. O medo ainda me percorria o corpo e quando olhei para trás vendo as figuras que antes me seguiam, quase gritei de pavor. O rapaz de olhos verdes me soltou com certa delicadeza, se colocou em minha frente e tragou o cigarro que estava preso em seus dedos.

Os rapazes ao longe se tocaram e apontaram em nossa direção.

- Volta, lindinha - disse um deles me fazendo tremer. - Eu sou melhor que seu amigo.

O rapaz de olhos verdes deu um sorriso largo enquanto jogava o cigarro no chão e pisava na bituca.

Não soube dizer o quão rápido aquilo ocorreu, mas quando seu pé se afastou da bituca, ele envolveu minha cintura com seu braço e tocou meus lábios fervorosamente tirando toda minha lucidez. Fui pega de surpresa e não soube reagir ao beijo que recebi, mas os caras ao longe começaram a gritar em uma forma de comemoração.

- Foi mal aí, amigão. - Disse um deles enquanto minha boca ainda era explorada pelo estranho. - Não sabíamos que ela estava acompanhada.

- Vocês não deveriam sair por aí atrás de garotas assim. Vão arrumar encrenca. - Ameaçou o rapaz de olhos verdes e eles ergueram as mãos em forma de rendimento, já se afastando de nós. - Machucaram você?

Ele sussurrou e dessa vez foi para mim.

- Não... Obrigada - me senti segura naquele momento e a ele me ajudou a me manter equilibrada, pois minhas pernas ainda falhavam e eu não sabia dizer se era devido ao medo ou ao susto.

- Onde você mora? Vou levá-la para casa - ele disse já começando a caminhar com seus dedos segurando meu pulso direito.

- Não muito longe, moro depois de uma loja de convivência no fim da rua chamada Family.

- Maravilha! Moramos perto um do outro. - Disse meu salvador e eu sorri. - você estuda na Fonte de Vida, certo?

- Sim, há menos de 24hrs.

- Que merda. Suponho que será minha aluna então e que eu acabei de infringir uma regra - minhas pernas já estavam melhores e nós já estávamos em frente à loja quando eu olhei com mais intensidade para meu salvador.

Ele era um homem muito bonito e poderia ser confundido facilmente com um estudante que tinha pele clara, olhos verdes e bochechas rosadas. Seus cabelos eram longos, escuros e estavam amarrados no alto da cabeça em um rabo de cavalo.

Aquele não era meu professor de bigode, então só poderia ser o professor Dylan. Eu apenas sorri e ele entendeu que sim.

- Está entregue minha jovem - ele iniciou quando chegamos ao meu portão. - Peço que me perdoe pelo ocorrido, se eu soubesse que era uma aluna teria pensado em outro meio.

- Não precisa se preocupar com isso, eu sou grata pela ajuda. Estou feliz de estar em casa e não no noticiário local. - Ele deu um sorriso singelo, percebi que a situação havia lhe incomodado de certa forma. - Vamos fingir apenas que nada ocorreu.

- Essa pode ser uma péssima ideia, mas no momento parece uma ótima também. - Ele deu um sorriso mais aberto e consegui ver suas covinhas que me deixaram desconcertada. - Então até à aula senhorita...

- Chaves. - Respondi a ele ao perceber que ainda não havíamos nos apresentado. - Até lá professor.

Ele se foi e eu entrei em casa agradecendo todos os deuses existentes, por me levarem para casa sã e salva.

Capítulo 3 Regra número 2

- Bem vindos ao inferno. - Falou o professor de olhos verdes ao entrar pelas portas da sala.

Ele usava calças jeans brancas e botas pretas que chegavam até seus joelhos, além da regata branca que esculpia seu peito. Um longo casaco verde de pano cobria seus braços e se misturavam à cor de seus olhos.

Seus cabelos estavam caídos nos ombros e jogados para frente. Logo o reconheci e sorri junto com um sorriso que ele dirigiu a mim.

- Estou brincando meus amores, este não é o inferno, ainda. Temos seis meses para ensinar vocês a cantar em uma peça perfeitamente entoada e sem nenhuma falha. Impossível? Sim, mas podemos tentar.

- No verão passado. - O professor de bigode continuou, passou a mão nos pelos da face e escorregou-a pela blusa preta dos Scorpions. Ele usava calças marrons e largas com chinelos azuis cheios de miçangas nas alças. Achei graça da sua vestimenta, mas tentei conter o riso. - Fizemos um coral magnífico que fez toda a cidade de Miami comparecer a praia para ver de onde vinha a fantástica apresentação. E este verão queremos algo maior e cem vezes melhor do que o último

- Haverá audições para escolhermos os solistas, claro - eu achei incrível como ambos sabiam a hora de cada um falar, como se eles tivessem ensaiado antes da aula. - E aqueles que ganharem tal título não poderá se sentir superior a ninguém ou será substituído. Entendidos?

Os alunos afirmaram em coro e eu senti um arrepio percorrer minhas entranhas, pois acreditei vivamos que as audições haviam acabado no Brasil. Respirei fundo e minha cabeça latejou ao me lembrar de todo aquele processo. Me recordei também da noite anterior quando o professor Dylan me ajudou. Aquilo me levou a descobrir que ele morava na casa em frente a minha. O que era legal, mas ao mesmo tempo assustador.

Pensei no fato de dar todos os dias de cara com algum professor, e me martirizei pela tortura fria que passaria dali em diante.

- Quero ouvir partituras. - O homem disse e os alunos começaram a pegar suas partituras para agitá-las nas mesas, causando um som engraçado pela sala. - música 15, todos têm certo?

Lembrei-me das partituras que me entregaram junto aos livros assim que cheguei a cidade e logo as depositei sobre o apoio para poder abri-la como todos fizeram. Dylan caminhou por entre as fileiras quando o senhor Harry mandou que começassemos a cantar. Ocorreram muitas pausas por algumas pessoas estarem fora do tom e algumas foram culpa minha, confesso. Quis elevar minha voz para fazer bonito e acabei me desviando de algumas notas.

Recebi vários olhares de reprovação, mas Dylan pôs as mãos em meus ombros e sussurrou.

- Está nervosa, certo? - Eu afirmei. - Vamos com calma, é só uma aula para descontrair. Pensem assim, eu e senhor Herry já estivemos no lugar de vocês.

Agora ele falava mais alto para todos poderem ouvi-lo e isso fazia minhas bochechas corarem.

- Nós enfrentamos tudo o que irão enfrentar e se começarem a se esforçar bastante iram chegar até nós ou além de nós.

Vi os olhos de todos brilharem naquele momento e senti uma pitada de esperança atiçar meu interior.

Sim eu queria ser perfeita na música e seria, iria me esforçar ao máximo até conseguir alcançar a nota que eu não estava conseguindo naquele momento.

Era bom ouvir aquele incentivo e de alguma forma o professor sabia como nos dar mais do que um simples aprendizado. Suas palavras eram filosóficas e esperançosas.

- Continuem do refrão.

O fim de tarde veio rápido e a aula terminou no meio da música que ensaiavamos para o tal show. Os professores queriam começar a nos preparar para o espetáculo o quanto antes e isso tirou muito de nosso tempo, quase ultrapassando os limites do horário.

Quando a aula finalmente acabou, Joshua teve a brilhante ideia de fazer uma festa em sua própria casa e ficou insistindo para que eu fosse. Não consegui fugir de seus pedidos, depois de centenas de desculpas que não funcionaram eu decidi aceitar.

Josh me puxou para o lado oposto de minha casa junto com mais um monte de alunos que não queriam falar comigo pelo exagero na classe e eu não pude culpá-los. Até eu mesma quis me socar por não saber conter minha voz.

Não demoramos para chegar à grande casa que ocupava metade de um quarteirão. Tinha longos muros da cor verde musgo e fios elétricos que cercavam a parte superior do muro impedindo qualquer intruso de invadir o recinto.

O som já rolava dentro do local, enquanto luzes azuis e vermelhas eram projetadas para fora e piscavam freneticamente incomodando ligeiramente meus olhos.

Respirei profundamente quando entramos na casa e passamos pelo grande jardim cheio de jovens que provavelmente estudavam na Fonte de Vida ou nas escolas locais.

- Você disse que era algo pequeno. - O repreendi.

- E isso lá é grande?

- Bom, se tem mais de 10 pessoas, para mim é enorme.

Josh caiu em uma alta gargalhada, talvez pelo fato de ter relacionado a casa dele a algo tão grande, mas logo que passamos da porta de vidro ele começou a cantar e pular ao som de LMFAO - Sexy and I Know It. Acho que grande era uma definição pequena para um evento e aquilo não tinha sido feito de última hora, a menos que o repórter da escola seja um organizador de comemorações com poderes especiais.

Havia tantas pessoas que eu me senti meio sufocada. A sala de estar de Josh estava com poucos móveis, pois tudo o que poderia ser quebrado havia sido tirado dali. Os sofás foram colocados no canto direito para parecer uma área V.I.P, até esticaram uma faixa vermelha de veludo em volta deles. Do meu lado esquerdo estava a mesa de bebidas, o que parecia ser uma longa mesa de jantar acabou virando objeto de amparo aos cachaceiros da cidade.

Não sou de beber álcool, então não fazia ideia do que tinha ali em cima e com toda certeza ficaria longe de lá. Principalmente vendo dois garotos jogando alguns comprimidos no que era para ser o ponche.

Em minha frente, depois da pista improvisada de dança, estava uma grande mesa para o DJ e o acesso era uma escada preta onde meninas seminuas mostravam seus peitos para quem quisesse ver. Certeza que tomaram uns goles do ponche. -

Bom, quase todos ali estavam, como posso dizer? Chapados? Ah já sei, totalmente doidões e meu estômago já se embrulhava por inteiro.

Um rapaz me deu um susto tão grande que senti meu coração subir pela minha garganta. Ele havia subido na mesa do DJ e todos foram ao delírio quando ele tomou uma grande dose do líquido no copo vermelho de plástico. As pessoas gritaram mais alto quando contaram até três e ele se atirou no ar. Com aquela altura eu pensei que ele se esborracharia no chão, mas seus dedos se prenderam no enorme lustre que balançou de um lado a outro.

O susto logo passou quando notei que essa era a intenção dele, mas seu plano falhou. Ele não aguentou muito e se soltou indo de encontro ao chão com a cara quase sendo esmagada. Houve silêncio, um longo silêncio enquanto todos acreditavam que ele havia se matado. Até que em um único salto ele ergueu gritando bebadamente "De novo!" e todos foram ao delírio uma vez mais.

Implorei para alguém surgir do inferno e me levar embora dali.

- Você está bem? Parece meio enjoada. - Reconheci aquela voz, mas minha cabeça estava latejando e me deixando com a visão ruim.

- Eu acho que vou vomitar sem ter tomado nada.

Ouvi o riso e olhei para a direção da voz, foi quando encontrei os olhos verdes de Dylan e levei um certo susto.

- Professor? - E Joshua ainda disse que não era uma festa grande. Essa frase se repetia constantemente em meu cérebro.

- Olá, queria. Você não tem cara de gente que gosta de festas.

- Não sou muito chegada. Essas luzes piscando sem parar ardem meus olhos, os jovens parecem animais no cio e essas músicas são estranhas demais. Parece que é tocada sempre a mesma o tempo todo, o tempo todo, o tempo todo. - Eu falava tão rápido que parecia estar criando um rap e Dylan ria sem parar. Vi o copo vermelho em seus dedos e revirei os olhos.

Agora pronto até o professor estava chapadão.

- As festas de Joshua sempre são agitadas, mas vejo que gosta de paz - assenti. - E mesmo assim estuda música.

- É difícil explicar. - Ele franziu o cenho

- Camz! Camz! - A voz de Josh me chamou em algum lugar, ainda que fosse complicado saber de onde vinha até ele subir em uma pequena mesa e acenar feito maluco. - Camz, vem tomar whisky com red bull conosco!

- Professor? - Ele fez um som nasal para que eu continuasse. - O seria um Whisky que rebola?

Ouvi outra risada dele e também achei engraçado o som da frase que saiu da minha boca. Ele me puxou para onde Josh estava e me mostrou o copo com um copo com um líquido amarelo e do lado uma latinha cinza e azul escrita Red Bull. Eu tinha entendido errado ou pronunciado errado? Definitivamente odiava falar outra língua.

Josh me puxou para perto de uma turma que falava ao mesmo tempo sem pausa, o que me deixava mais tonta e nauseante.

- Camz! Galera. Galera! Camz. - Acho que isso foi uma apresentação. - Cher, também veio descontrair.

O professor levantou seu copo e deu um meio sorriso em nossa direção. Senti o nariz de Joshua entre minhas madeixas, soprando seu ar em meu pescoço que me fez encolher.

- Sabia que o professor foi aluno do Fonte de Vida até dois anos atrás? - sussurrou ele. Eu neguei e olhei na direção de Dylan que agora dançava com outros alunos. - Ele não é tão velho assim, por isso sempre o convido para as festas, veja como é alegre.

Assenti, pois ele realmente tinha uma alegria e disposição juvenil que o deixava tanto com a aparência, quanto a atitude ainda mais adolescente.

Josh logo me tirou de onde estávamos, carregando-me para o meio da pista. Recordei que meu pai me mataria se me visse naquele lugar. Começamos a dançar e eu podia jurar que ainda tocava a mesma música, mas depois descobri que haviam apenas algumas batidas semelhantes e eu não havia bebido nada, mas me senti na necessidade de ir ao banheiro.

Josh fez questão de me levar até lá e me aguardar do lado de fora, afinal sua casa parecia um de boate gigante e obviamente eu me perderia.

O banheiro grande era branco e havia uma porta no fim onde deveria ficar a privada, do lado direito um local para rapazes urinarem e do esquerdo um grande espelho entalhado com flores douradas e a pia, muito bonito por sinal.

Caminhei até a porta no final e entrei no privado ouvindo um som de gente andando pelo local. Logo me apressei para não ocupar o banheiro por muito tempo.

- Vem aqui dá. - Ouvi a voz sussurrar enquanto a outra ria. - Tira, não sabe o quanto esperei para isso.

Parecia a voz de Nathally, a garota que se achava a melhor cantora da escola apenas porque seu pai era um dos patrocinadores.

- Fica quieta ou alguém vai ouvir. Apesar que alguém pode entrar a qualquer instante. - Espera, eu conhecia a outra voz também e me parecia...

Ouvi gemidos entre eles, então um baque forte me fez vestir a roupa às pressas e encostar a orelha na porta. Outro baque forte, meu Deus, eles estavam brigando!

Destranquei o privado e escancarei a porta dando de cara com Nathally sentada na pia. Suas pernas estavam envolvidas na cintura do professor. A blusa da garota tinha sido aberta assim como seu sutiã. Vi as unhas da garota arranhando as costas nuas de Dylan enquanto algumas peças dele se encontravam no chão. Minha boca caiu e minhas bochechas coraram.

- D-desculpem... - gaguejei e abaixei a cabeça no instante em que fui flagrada espionando. - não quis atrapalhar.

Corri para fora procurando Josh e o xingando de todos os nomes por ter me prometido que ficaria aqui esperando.

- Camz! Eu! Aqui! - Ele disse pulando e sorrindo ao longe com seus amigos ricos, mas logo notou meu olhar. - O que foi? Parece que viu um fantasma.

- Quase isso, pode me levar para casa? - Ele fez uma cara feia. - Minha cabeça tá latejando, eu preciso deitar.

- Eu te levo. - A voz de Dylan me assustou e senti minhas bochechas quentes.

- Não! - Não faço ideia do motivo do grito, só estava deixando meu nervosismo falar por mim. Todos olharam em minha direção. - Quer dizer, tá tudo bem só me digam por onde tenho que ir e vou sozinha

- Nem pensar. - Joshua me interrompeu. - Tudo bem professor, eu levo ela. Camz está arriscando hoje.

Dylan pareceu me olhar envergonhado e um pouco triste, mas imagine o clima que ficaria se eu fosse com ele depois do que vi e preferi esfriar meu cérebro do choque que ele havia levado.

Ainda vi Nathally se aproximar do professor enquanto abotoava os últimos botões da camisa branca enquanto Josh me levava até o lado de fora e mandava que um de seus homens trouxessem o Porsche vermelho.

Não demorou mais de dois minutos para o rapaz de terno e cabelos loiros trazer o carro até nós. Finalmente entramos no veículo e Josh nos levou para a estrada.

- Você não está bêbado está? - Ele negou e sorriu de canto. - Desculpe te tirar de lá.

- Ele tava pegando quem? - Assustei um pouco com a pergunta e Josh sorriu outra vez. - Fiquei com a mesma cara quando entrei na diretoria para pegar folhas novas para o jornal e vi o professor beijando a secretária da diretora.

- Eu pensei que tinha imaginado. Então ele é bem desinibido. - Josh assentiu. - Nathally.

O carro foi freado com tudo dando um tranco em nossos corpos.

- Uma aluna?! - Joshua estava tão pasmo quanto eu. - Esse é corajoso.

Não havia muito a dizer então apenas assenti e Josh me levou para casa.

Ficamos em silêncio o resto do caminho enquanto eu tentava não recordar da cena constrangedora que havia visto, mas ela sempre voltava para fazer minhas bochechas tomarem uma tonalidade rosada.

Estacionamos do lado de meu mini portão e logo pulei do banco do carona para fora.

- Camz, quer companhia?

- Não, tudo bem, eu acho que só preciso descansar um pouco. Primeiro para aliviar do choque, depois da dor de cabeça. Volta lá para a festa do rock e divirta-se

Ele riu, ligou o Porsche e eu corri para abrir o portão alguns centímetros menor que eu.

Entrei assim que vi o carro virar à esquina e subindo os quatro degraus que davam para a soleira da porta.

Abri o objeto de cor branca e o bati passando pela sala até meu quarto. Não acendi luzes alguma, não tirei a roupa e nem pensei em mais nada, apenas me joguei na cama e apaguei.

Cheguei à escola totalmente esgotada na manhã seguinte. Sorte que meu material ficava nos armários colados na parede do outro lado do refeitório. Seria torturante ter que levar peso para F.D.V, caminhei até o corredor dos armários junto com alguns alunos e mesmo sonolenta consegui chegar ao lugar onde acharia meu destino.

- Camila? - Mesmo atordoada pude reconhecer a voz do senhor Reese, continuei andando até meu armário enquanto fingia que nada chegara aos meus ouvidos. - Camila.

- Professor - falei depois de revirar os olhos e tentar abrir a droga do armário.

- Podemos conversar? - Ele disse depois de bater a mão em punho na lateral esquerda do armário verde fazendo-o abrir.

- Eu fiz algo errado no trabalho?

- Trabalho? - Seus olhos pareciam assustados e pensei que ele tinha esquecido de corrigir.Peguei o livro de história da dança e fechei o objeto, seus olhos verdes encontraram os meus castanhos - Ah! Claro. Esse trabalho. Não, não é sobre isso. Quero conversar sobre o que viu na..

- Olha professor - levantei a mão para que ele parasse de falar. - Eu não tenho nada com a sua vida, com a vida de Nathally ou seja lá de quem tenha se envolvido com você. Sou apenas uma aluna nessa escola enorme e a menos que você tenha alguma reclamação sobre meu timbre, meus trabalhos ou notas ou até mesmo elogios eu não quero saber. Então se me der licença agora, pois eu tenho uma aula de dança que eu não consigo fazer, mas preciso me dedicar ao máximo para sair algo e depois tenho duas entrevistas de emprego. Pode ver que eu estou surtando agora com esse mundo de coisa e não tenho tempo para me meter na vida dos outros ou ficar fazendo futricagem, então... Bom dia, professor.

Sai andando sem deixar que ele falasse algo, mas por sua expressão tenho certeza que o deixei completamente perplexo.

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