Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Bilionários > Querida, volte para mim!
Querida, volte para mim!

Querida, volte para mim!

Autor:: Lauren N. Blanc
Gênero: Bilionários
Maxon Ravenwood e seu irmão gêmeo, Simon, tinham uma relação de irmãos aparentemente perfeitas, carreiras promissoras, círculos sociais respeitáveis e segredos guardados a sete chaves. Até o dia em que Simon comete suicídio, deixando para trás um mistério que abala as estruturas da família Ravenwood, principalmente de Maxon. Determinado a descobrir a verdade, Maxon mergulha em uma investigação pessoal que o leva até Sabrina Hart, a melhor amiga de Simon, e a enigmática Daphne Chen, uma mulher sedutora e implacável com motivos ocultos. O que parecia ser uma busca por respostas se transforma em um jogo perigoso de vingança e manipulação, onde o amor é a arma mais letal. Em meio a segredos, mentiras e paixões obscuras, Maxon precisará decidir até onde está disposto a ir para fazer justiça, mesmo que isso signifique destruir quem ele pensa que ama. Sabrina Hart ficou devastada ao receber a notícia da morte de seu melhor amigo, que também era seu primeiro amor, desesperada por não conseguir salvar a vida dele, ficou ao lado de seu irmão gêmeo para evitar que, assim como o irmão, ele tentasse tirar a própria vida, como uma dívida que ela devia pagar ao melhor amigo. Mas, depois de ser acusada de ser a culpada pela morte do melhor amigo incontáveis vezes, sofrer todo tipo de humilhação e ser condenada ao inferno de perder tudo por Maxon, Sabrina vai embora, decepcionada e de coração partido. Sete anos depois ela retorna, disposta a se vingar de Maxon e fazê-lo sofrer dez vezes mais do que ela sofreu.

Capítulo 1 A notícia que quebrou tudo

Maxon:

- Maxon, é o Simon!

A voz de Madeleine Prescott ecoou do outro lado da linha, fazendo minhas mãos tremerem.

Ela nunca me ligava. Era como se eu nem sequer fosse seu filho, mas, desta vez, ela ligou. E quando o telefone tocou naquela manhã cinzenta e fria, eu soube, antes mesmo de atender, que minha vida nunca mais seria a mesma.

Senti meu corpo inteiro tremer ao ouví-la falar o nome dele.

- O que aconteceu com o Simon?

Perguntei, a voz mais baixa e mais tensa do que eu pretendia.

- Filho, o Simon, ele... a voz dela parecia pesada, embargada do outro lado

- Ele morreu...

"Ele o que?"

As palavras não entraram de imediato na minha cabeça. Ecoaram, flutuaram no ar, como se fossem irreais demais para serem assimiladas.

O celular escorregou da minha mão, caindo no chão com um som seco. Agarrei-me à cabeceira da cama para não cair junto, mas minhas pernas cederam. Sentei-me no chão frio, sem ar, sem rumo.

Era como se adagas invisíveis me atravessassem o peito, uma após a outra. Não.

Não podia ser verdade.

O Simon não podia estar morto. Ele era forte, era luz, era vida. Ele era a única parte de mim que ainda era pura.

Como essa parte de mim poderia não existir mais nesse mundo?

Não era verdade. Eu me recusava a acreditar.

- Não é possível! - Murmurei, em negação.

- Como poderia ser? Não é verdade.

Não fazia nem vinte e quatro horas desde a última vez que conversamos. Eu podia ouvir o som da sua risada ainda fresca em meus ouvidos, como se ele estivesse ali, ao meu lado.

Como poderia ter desaparecido assim, sem aviso, sem despedida?

Atordoado pela notícia, deixei que meu corpo escorregasse para o chão, a memória da última vez que nos falamos me invadindo sem piedade.

- Ninguém mais se comunica por cartas! Reclamei

- Por que insiste em me escrever, se podemos conversar normalmente por telefone?

- Por telefone não parece sincero, é artificial demais! Ele respondeu, rindo.

- E além do mais, eu gosto de escrever.

- Uma carta demora semanas para chegar até aqui! Resmunguei

- Uma ligação leva segundos. Conversamos em tempo real.

- Mas escrever uma carta é bem mais sincero! Ele rebateu, e eu podia jurar que ouvi o sorriso na voz dele.

- Mas, mudando de assunto, faltam apenas dois meses...

- Dois meses para o quê? Perguntei, confuso.

- Não se faça de desentendido, você sabe muito bem do que eu estou falando, Maxon! - disse ele, um pouco irritado.

- Simon, do que está falando? Questionei novamente.

- Do que mais séria senão o nosso encontro anual, finalmente está chegando! Respondeu, entusiasmado.

- Eu não acredito que você se esqueceu, Maxon!

Não consegui segurar o sorriso que escapou, mesmo estando à milhões de quilômetros de distância.

- Do que está sorrindo? Ele perguntou.

- Eu não me esqueci! Confessei.

- Estava apenas zoando você.

- Seu desgraçado, filho de uma...

- Cuidado com as suas palavras! O cortei.

- Lembre-se de que a sua mãe e a minha são a mesma pessoa. Infelizmente.

Ele riu, mas logo ficou sério.

- Quando vai parar de ser tão rancoroso, Maxon? Questionou.

- A mamãe realmente te amava. Não pode simplesmente esquecer e deixar o passado para trás?

Não. Eu não podia. Não queria.

- Como está o clima em Portland? Mudei de assunto, como sempre fazia.

Ele suspirou, mas entrou no jogo.

- Chuvoso, frio e cinzento! disse, com sua típica animação.

- Não está do jeito que você gosta. Mas, felizmente, quando você vier, já vai ter mudado. O sol vai estar brilhando no céu.

Ele me conhecia como ninguém. E era por isso que, apesar de tudo, eu ainda voltava a Portland, não pela cidade, mas por ele.

- O que eu acho realmente engraçado é que uma criatura como você goste de climas agradáveis e odeie tanto climas frios! Eu podia sentir a ironia dele de longe.

- Uma criatura como eu? Perguntei.

- Uma pobre alma sombria e atormentada pelo vazio da sua própria existência! Ele respondeu

- Não deveria ser eu a amar o sol ao invés de você.

"Mas você teve cuidados maternos que te ajudaram a superar a tempestade." Pensei enquanto o ouvia tagarelar.

- Eu mal posso esperar para te ver! Ele continuou

- Quero muito te apresentar a uma pessoa.

Meu coração se aqueceu. Finalmente. Talvez, finalmente, Simon tivesse encontrado alguém que correspondesse à sua bondade. Ele merecia ser feliz.

- Você vai adorar conhecê-la! Acrescentou.

- Ela é gentil, focada, trabalhadora e educada. Era para eu ter apresentado vocês dois antes, mas ela é tão ocupada...

- Ah, então é uma mulher? Provoquei.

- Você é um idiota, Maxon! Ele retrucou, e logo riu.

- Eu te amo, irmão...

A lembrança se dissipou como fumaça quando a voz fria de Madeleine voltou a invadir meu ouvido.

- Maxon? Você está me ouvindo, filho?

"Filho". Quantos anos fazia desde a última vez que ela havia me chamado assim? A palavra soava estranha, deslocada.

Um longo suspiro escapou de mim, pesado, dolorido. Me abaixei, recuperei o celular do chão e levei-o de volta ao ouvido, ainda que minhas mãos tremessem tanto que mal consegui segurá-lo.

- Eu estou voltando! Declarei, a decisão saindo de mim antes mesmo que eu pudesse refletir.

Diziam que gêmeos tinham uma conexão diferente, algo inexplicável, quase místico. Uma linha invisível que os unia para sempre.

Que mentira!

Gerados na mesma bolsa. Alimentados pelo mesmo cordão umbilical. Partilhando o mesmo sangue, as mesmas memórias de infância, os mesmos segredos. E, ainda assim, eu não consegui sentir a dor dele. Não consegui proteger o meu irmão.

Capítulo 2 O silêncio de Simon

Maxon:

- Não importa o que aconteça no futuro, nós vamos estar juntos para sempre!

O pequeno Simon disse esticando o dedo mindinho para mim.

- O que quer fazer? Questionei.

- Quero que você me prometa! Ele pediu com um sorriso enorme no rosto.

- Isso é coisa de criancinha! Reclamei.

- Somos crianças, Maxon! Ele insistiu

- Vamos, prometa.

Soltei um suspiro resignado antes de erguer a mão para fazer aquela promessa ou brincadeira ridícula com ele.

Simon passou o dedo em volta do meu e sorriu mais.

- Você é a minha pessoa favorita no mundo inteiro, Maxon! Ele disse enquanto esboçava um sorriso.

- Senhor! Acordei com o som da voz da comissária de bordo me chamando

- Senhor, acorde. Já chegamos a Portland!

Olhei em volta e todos os passageiros do avião já estavam descendo.

Me levantei do meu acento e segui a colheita de pessoas rumo a saída do avião.

Portland me recebeu como da forma que eu mais odiava: fria, cinzenta e com aquela chuva fina que parecia grudar na pele só para irritar. Eu sempre odiei essa cidade. Nunca vim por ela, só por ele. Simon.

Agora, nem isso me prende mais aqui.

As ruas molhadas refletiam uma vida que nunca foi minha, uma família que se despedaçou muito antes dessa morte.

Nossa mãe foi a primeira a me deixar. E, de certo modo, o resto seguiu o exemplo.

Hoje eu voltava não para visitar, mas para enterrar o único motivo que me fazia cruzar essas pontes enferrujadas.

Faziam-se mais de dois anos desde a última vez em que estive aqui.

Eu realmente detestava tudo nesse lugar. Desde a vista até o cheiro.

Desde o dia em que deixamos aquela cidade que eu só retornava para ver o meu irmão gêmeo.

E agora eu estava retornando para vê-lo uma última vez, para me despedir dele para sempre.

O salão fúnebre estava coberto de pessoas, todas vestidas de preto.

Ao lado do caixão estava ela. Minha mãe.

Os olhos vermelhos de lágrimas. Era uma pena que para mim ela sempre pareceu falsa e forçada.

Caminhei a passos pesados até o caixão e contemplei o rosto de Simon.

- Maxon...

Madeleine tocou o meu ombro, como se buscasse apoio, e eu afastei sua mão.

Toquei de leve o rosto gelado do meu irmão e senti as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, enquanto meu peito parecia ser dilacerado aos poucos.

"Por que, Simon?" Era a pergunta que martelava em minha cabeça.

Sem conseguir me conter, debrucei sobre o caixão e me permiti chorar, como se parte de mim estivesse sendo arrancada.

E de fato estava.

A chuva caía fina, mas constante, transformando o chão do cemitério em lama e o ar em um frio úmido que grudava na pele.

Chovia. É claro que chovia.

Portland sempre arranjava um jeito de me lembrar por que eu odiava estar aqui. O céu cinza, o frio úmido que entrava nos ossos, o cheiro de terra molhada grudando na roupa.

Era o clima perfeito para Simon, e o pior possível para mim.

Ele adorava dias frios e chuvosos. Diferente de mim, que sempre odiei tudo que fosse frio e cinzento.

O cortejo já estava começando quando pisei na capela do cemitério, e o caixão estava prestes a sair. Tudo o que consegui fazer foi parar, encharcado, a alguns passos de distância, e olhar.

As poucas pessoas ainda reunidas formavam um círculo sombrio ao redor do caixão. O som oco das pás jogando terra contrastava com o murmúrio distante das preces.

Meu irmão.

Meu irmão gêmeo, deitado ali naquele caixão. Ele odiava lugares apertados, e agora estaria confinado em um pela eternidade.

Parei a alguns passos, o casaco encharcado, sentindo a respiração pesar no peito. Não havia tempo para despedidas ou para dizer qualquer coisa que pudesse, de alguma forma, aliviar o nó em minha garganta. Tudo o que restava era o silêncio e a pergunta que não saía da minha cabeça desde que soube da notícia: por quê?

Por que ele teria feito algo assim? Simon nunca parecera o tipo de pessoa que tomaria aquela decisão absurda, covarde e desesperada.

Que parte da vida dele eu não conhecia a ponto de não ver isso chegando?

Foi então que notei ela.

Ajoelhada ao lado do caixão, como se fosse a última barreira entre Simon e a terra fria que o engoliria, estava uma mulher que eu nunca tinha visto.

Os cabelos grudavam-se no rosto, molhado pela chuva e pelas lágrimas. E ela chorava, não como a maioria chora em velórios, discretamente, escondendo o rosto. Não. Era um choro desesperado, quase sufocante, de quem perde mais do que consegue suportar.

Seu rosto estava parcialmente escondido pelos cabelos encharcados, estava contorcido em um choro sufocante, quase dolorido de assistir. As mãos dela agarravam a borda de madeira como se pudessem impedir que Simon fosse levado.

Olhei ao redor. Nenhum rosto familiar. Nem dela, nem da ligação que ela parecia ter com ele. Não era família, não era amiga da família, eu saberia. Então quem diabos era? E por que parecia sofrer mais que todos nós juntos?

A terra começou a cair sobre o caixão. Ela se encolheu, como se cada punhado a atingisse no peito. E eu, não consegui desviar o olhar.

Quem era ela?

O que significara para Simon?

E, mais perturbador ainda, será que ela sabia algo sobre o motivo de tudo?

Tive a sensação incômoda de que aquela mulher sabia alguma coisa. Talvez até mais do que eu. Talvez até o motivo que eu tanto precisava entender.

E foi nesse momento que percebi: não importava o quanto eu tivesse que cavar, de um jeito ou de outro, eu descobriria quem ela era.

A mansão de Madeleine Prescott continuava imponente, com seus portões de ferro trabalhado e jardins meticulosamente podados. A fachada de pedra clara reluzia mesmo sob o céu cinzento, como se nada ali pudesse ser tocado pela tragédia.

Ela abriu a porta antes mesmo que eu tocasse a campainha. Vestida de forma impecável, sorriso contido, uma imagem cuidadosamente moldada para o mundo. Como sempre.

- Maxon... - o jeito que ela falou meu nome parecia uma tentativa de carinho, mas soava ensaiado. Ou talvez fosse eu que não quisesse acreditar nela.

Ela deu um passo à frente, os braços ligeiramente erguidos, e eu recuei.

- Vamos entrar logo. Minha voz cortou o ar como o vento gelado da rua.

O interior era ainda mais sufocante: mármore polido, arranjos de flores caras e o aroma doce de algo caro demais para se desperdiçar com quem não era bem-vindo.

Fazia mesmo muito tempo que eu não pisava os meus pés naquela casa.

Há muito que aquele lugar nem parecia mais um lar para mim.

Mas, para ela aquele lugar era mais do que um lar, era como o seu próprio castelo.

Um sorriso amarelo brotou em seu rosto, deixando evidente o seu desconforto ante a minha frieza.

A segui para dentro em silêncio.

- Fiquei feliz que tenha vindo para cá! Ela disse ao entrarmos em casa.

- Eu sei que não deveria dizer algo assim em um momento como esse, mas, eu realmente...

- Poupe as suas palavras, Madeleine Prescott!

A cortei imediatamente.

- Não vim aqui por sua causa, e também não tenho a menor intenção de ficar na sua casa dos sonhos da Barbie.

- Mas, então...

- O Simon tinha um apartamento... Em Northrup! Falei

- Quero as chaves.

- Por que você ficaria sozinho naquele lugar e...

- Eu prefiro assim! Respondi de forma seca.

- Vai me dar as chaves ou não?

- Certo! Ela concordou

- Vou pegar as chaves para você!

Quando ela se virou em direção aos degraus da escada, me lembrei de algo importante.

- Quem encontrou o corpo do Simon? Questionei.

Capítulo 3 Qual a verdade por trás de tudo

Maxon:

- Sabrina! - Madeleine Prescott respondeu com os olhos marejados - Sabrina o encontrou.

- Sabrina? - questionei.

Aquele não era o nome daquela mulher?

A que chorava copiosamente durante o enterro de Simon?

- Duas horas antes -

Quando toda aquela multidão se dispersou, me ajoelhei ao lado do túmulo e Simon e depositei uma rosa branca sobre a terra.

- Por que você fez isso, irmão? - questionei sentindo o coração pesado - Por que você não pôde esperar por mim? Por que não pôde viver mais um dia?

Senti a presença de alguém atrás de mim, então, me levantei e me virei em direção daquela pessoa.

Era aquela mulher.

A mesma mulher que chorava ao lado do caixão do meu irmão, agora estava parada a minha frente.

O rosto pálido, lábios esbranquiçados e roupas encharcadas pela chuva.

Seus olhos estava inundados de lágrimas.

- Simon! - ela disse com a voz fraca, erguendo a mão e para tocar o meu rosto - É você? Você está aqui? Você voltou?

Quando seus dedos finos e frios tocaram minha face, seus olhos se reviraram e ela pendeu para trás. Desmaiando.

Me apressei em segurar seu corpo, para que ela não caísse no chão.

- Sabrina! - uma voz feminina se fez ouvir.

Uma mulher aparentando ter a mesma idade que ela corria ao nosso encontro.

- Sabrina! - ela repetia alto, chamando a atenção de outras pessoas - Alguém liga para o socorro.

- Hora atual -

- Sabrina Hart! - ela repetiu - Ela era amiga do seu irmão.

- Por que foi ela quem o encontrou? - questionei - Ele não estava aqui?

- Parece que Simon e Sabrina combinaram de se ver para comemorar a promoção dela no trabalho, mas o Simon não apareceu! - ela contou - Sabrina veio até aqui para perguntar o motivo, então ela o encontrou morto. Na banheira.

Então, foi assim?

Que nível de intimidade os dois tinha para que ela até mesmo entrasse no banheiro do quarto dele?

Ela desmaiou quando me viu.

E ela também me chamou de Simon.

Ela pensou que eu fosse o meu irmão e desmaiou logo em seguida.

Por que?

Por que ela estava chorando tanto no enterro? Por que desmaiou?

Seria choque por sermos quase iguais, ou culpa por algo?

Eu não sabia a resposta. Mas queria muito descobrir.

"Sabrina Hart, quem é você, e o que você significou para o meu irmão?"

Sabrina:

Abri os olhos encarando a claridade do teto.

Minha mente estava nublada. Eu mal me lembrava do que aconteceu depois do enterro.

- Sabrina, você acordou! - a voz de Silvia ecôou longe, mesmo ela estando tão perto de mim - Eu sabia que iria acabar passando mal. Você não come nada há dois dias. Qual o sentido disso?

Devagar, eu voltei a ouvir normalmente.

- Acha que o Simon iria gostar de te ver se desgastando desse jeito? - ela perguntou.

- O que aconteceu? - perguntei ao me sentar sobre o leito hospitalar - Como eu vim parar aqui?

- Olha só, você nem se lembra! - ela reclamou carrancuda - Você insistiu em voltar para se despedir direito do Simon, mesmo contra a minha vontade. Quando eu cheguei ao túmulo dele, você já havia desmaiado nos braços do irmão dele.

- Irmão? - não. Definitivamente era o Simon. Eu vi ele. Eu tinha certeza de que era o Simon.

- O irmão do Simon que mora na Inglaterra! - ela contou - Eu só soube ontem que ele viria. Mas, o vôo atrasou e ele só chegou a tempo de ver o enterro.

- Está dizendo que era o irmão dele? - questionei - Por que ele se parecia exatamente com o Simon?

- Você não sabia? - ela questionou fazendo uma careta de surpresa - Eles eram gêmeos!

Gêmeos?

- Duas semanas antes -

- Você parece feliz! - comentei ao vê-lo sorrir para o papel - Por acaso, isso é uma carta de amor?

- Sim! - Simon sorriu animado - O amor mais puro e genuíno do mundo.

- Nossa, você está mesmo disposto a me deixar com ciúmes heim! - resmunguei - Quem é ela?

- Como é? - ele perguntou - Eu quis dizer que é o meu irmão. É uma carta do meu irmão!

- Do seu irmão? - sorri sem graça - O que mora em Londres?

- E eu tenho outro irmão para quem eu envio cartas? - ele questionou - Você sabe bem que ele é a metade da minha alma.

- Você é tão cafona! - resmunguei - Você vai para Londres de novo?

- Não. Desta vez é ele quem vai vir para Portland! - ele contou.

- A Madeleine deve ter ficado feliz com a notícia.

- Ela não sabe! - Simon negou - Eles dois não tem uma boa relação. Você sabe. Meu pai levou o Maxon embora quando se divorciou da minha mãe. Agora, meu irmão e eu só nos vemos uma ou duas vezes por ano. Acredite, se a nossa mãe soubesse, o Maxon nem sequer cogitaria a idéia de vir para Portland. Ele não quer ver ela.

Eu sabia que a relação entre as pessoas da família do Simon era complicada, mas não imaginava que fosse tanto a ponto do filho nem sequer avisar a mãe que estaria vindo para o país.

- E você parece se importar muito com o que ele quer ou não! - falei.

- Claro que sim. Fomos gerados em uma mesma bolsa, o que ele pensa e sente é mesmo importante para mim! - ele disse de uma forma carinhosa - Como eu disse, o amor mais puro e genuíno de todos. Ele é a pessoa mais importante do mundo para mim.

- Nossa, falando assim me deixa ainda mais enciumada do que se fosse uma mulher! - reclamei.

- Deixa de drama! - ele disse depositando um beijo no topo da minha cabeça - Você sabe bem que mesmo eu tendo um irmão gêmeo, você sempre vai ter um lugar especial no meu coração. Que tal assim, você e o Maxon são as duas pessoas que eu mais amo.

- Assim está melhor! - sorri para ele.

- Que tal isso, quando ele vier em dois meses, eu vou apresentar vocês dois! - ele sugeriu - o que acha?

- Dias atuais -

- O nome dele é Maxon! - comentei.

- Então, você já o conhecia? - Silvia questionou - Você...

- Eu nunca tinha visto ele antes! - contei - O Simon disse que tinha um irmão gêmeo, mas eu nunca pensei que eles fossem tão parecidos.

- A semelhança é mesmo assustadora! - ela concordou - Eu mesma teria ficado aterrorizada ou desmaiado se não soubesse que eles eram gêmeos.

O que eu estava pensando?

Que o Simon tivesse voltado?

Ele não iria voltar mais. Havia me abandonado. Me deixado para sempre.

Mesmo depois de me prometer que nunca me abandonaria, como a minha mãe fez, mesmo assim, ele me abandonou sem pensar duas vezes.

"Simon Ravenwood, você não cumpriu sua promessa!"

- Eu quero ir para casa! - falei.

- Você deveria ficar em observação por mais algum tempo! - Silvia insistiu - E além do mais, não é bom que você fique sozinha depois de tudo o que passou.

- Eu estou bem! - declarei - Só quero ir logo para casa!

- Tudo bem! - ela concordou - Mas, eu vou com você!

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022