Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > REFÉM DE UM MAGNATA
REFÉM DE UM MAGNATA

REFÉM DE UM MAGNATA

Autor:: Liliene Mira
Gênero: Romance
Coagida a fazer algo que ela não queria, por um homem que tinha acabado de conhecer, o caminho de Cecile Viana, encontra-se com o do poderoso magnata Andrew Castillo, que a toma como sua propriedade somente para atingir seu grande inimigo, seu primo Jonas Vitello. No entanto, basta o toque desse homem sexy e arrogante, para que ela perca toda a razão. Andrew, desperta em Cecile uma ardente paixão. No início era apenas uma vingança, mas, se transforma em algo mais, e, nenhum dos dois está disposto a abrir mão. "Sua vida estava nas mãos de um homem arrogante que ela não ousava amar"... Ou seria o contrário?

Capítulo 1 Prólogo

- O que você quer comigo, Jonas? - Pergunto a ele mais uma vez em italiano, já acomodada no banco do carro.

Confesso que estou bastante preocupada e com medo, não o conheço, entrei nesse carro contra a minha vontade.

Eu estava na minha, mexendo em meu celular, a boate estava cheia, mas, eu não estava a fim de dançar.

Foi quando Jonas se aproximou de mim, jogando todo seu charme, tentei resistir, no entanto, é difícil resistir quando um cara faz você se sentir a mulher mais linda do mundo.

Pensando bem, só agora notei o quanto estou carente, se eu tivesse olhado bem pra ele, veria o quão fingindo ele é.

O deixei me guiar entre a multidão, achei que estávamos indo para um lugar mais reservado.

Eu queria beijar na boca, faz tempo que não sei o que é isso.

Quando notei que tínhamos saído da boate, comecei a ficar em pânico.

- Onde você está me levando? - Pergunto tentando disfarçar o medo com a raiva.

Naquele momento lembrei-me de minha mãe, ela achava que eu estava no meu pequeno apartamento estudando.

Quando recebi uma bolsa para estudar administração em Roma, na Itália, não pensei duas vezes, sempre foi meu sonho e o sonho da minha mãe.

Ela trabalhou duro para que eu estivesse nesse país e sempre quando dá, ela manda algum dinheiro para mim e eu mando para ela também.

Trabalho como babá temporária, o dinheiro é bom e o melhor, não me atrapalha nos estudos.

Depois de tanto tempo, hoje, foi à primeira vez desde que cheguei que saí para me divertir.

- Calm si sarà già sapere (Calma que você já vai saber). - Ele réplica em italiano, me fazendo ficar com mais medo.

Ele não espera a minha resposta e continua me puxando pela mão, eu tento resistir, mas nada adianta.

Um carro utilitário preto estaciona e ele literalmente me jogar dentro do carro. O veículo começa a andar e meu coração parece que vai sair pela boca de tanto medo que estou.

- Onde você está me levando? - Já acomodada no carro, pergunto a ele novamente.

- De onde você é? Você não é italiana, isso está bem claro para mim. A verdade é que seu sotaque te denúncia. - Ele diz com um sorriso zombeteiro.

- Não é da sua conta. - Respondo com raiva.

- Brasileira? Maravilha. - Ele diz, batendo palmas. - Si dice che il Brasile ha la passione, Verità? (Dizem que as brasileiras têm paixão, verdade?) - As palavras em italiano sumiam de minha mente, então preferir ficar em silêncio. - Não vai responder? - Ele pergunta em português, me fazendo ficar surpresa. - Não fique surpresa minha cara, eu sei falar um pouco do português, não é dos melhores, mas, eu sei.

- Onde você está me levando? O que você quer comigo? - Ele fica calado e lança sobre mim um olhar malicioso. - Não faço sexo com alguém que acabei de conhecer. Digo a ele com raiva.

Na verdade, ainda não fiz com ninguém.

- Não foi o que me pareceu agora a pouco. - Ele diz torcendo a boca em um sorriso de desprezo.

- Beijar alguém nunca fez mal a ninguém.

- Já que é assim. Ele tira o cinto de segurança dele e avança sobre mim e me beija.

Um beijo duro, que machuca meus lábios, eu tento resistir, mas a língua dele é insistente, então deixo sua língua entrar em minha boca.

Na primeira oportunidade mordo a boca dele, o fazendo gemer de dor.

Sinto o gosto do sangue dele e o empurro com toda força, o afastando de mim. Tudo isso só me fez ficar com mais raiva dele.

- Você se enganou quando disse que beijar não faz mal.

Esse homem tem um senso de humor horrível.

Volto a mim quando ele estaciona o carro em uma praça com pouco movimento.

Acredito que já passa das três da manhã.

Quando faço que vou sair, ele agarra meu braço, me impedindo de descer do carro.

- Quero que você leve essa pasta para mim, lá naquele prédio. - Ele abaixa o vidro do carro e aponta um edifício enorme, mais ou menos uns vinte metros de distância. Parece um hotel de luxo.

- Eu não vou a lugar nenhum. Leve você mesmo sua pasta. Além do mais, deve ser mais de três da manhã, não deve ter ninguém. - Digo a ele cruzando meus braços.

- É um hotel, sempre tem alguém acordado, eu levaria, mas não dá.

Como pensei, um hotel.

- O que eu tenho que ver com isso? Você me sequestrou, ainda quer a minha ajuda? Deixe-me ir que não irei te denunciar a polícia. - Ele parecia achar graça de mim. Idiota. ­­- Ainda tenho que estudar para uma prova, Jonas. Quando faço que vou sair novamente, ele prende uma algema prateada em meu braço, gelei na hora.

Noto que a algema também está presa á pasta.

Porra, onde foi que eu me meti?

- Como pode fazer isso? Me solte. Ordeno a ele desesperada.

- Você não me deu outra opção. Quando tudo estiver terminado, você pode ir embora, te dou minha palavra. - Ele pegou um pedaço de papel, não sei de onde ele tirou, escreveu alguma coisa e colocou dentro da pasta e a fechou. - Você vai chegar na recepção e dizer que deseja entregar a pasta a Andrew Castillo, a mando de Jonas Vitello, lá eles dirão o que você deve fazer.

- E a chave da algema? - Pergunto não conseguindo conter as lágrimas.

- Está com Andrew.

Eu estou com medo, muito medo, mas não posso demonstrar, esse homem parecia estar brincando com minha cara.

ESSE DESGRAÇADO. Grito em minha mente.

Limpei as lágrimas do meu rosto e saí do carro sem dirigir mais nenhuma palavra a ele.

Ajeitei minha saia, meu Cropped e caminhei até o prédio.

Visto do carro, o prédio me pareceu muito mais perto, mas, caminhando em cima de um salto alto, não é nada agradável.

Quando estava me aproximando, olhei para cima e li o nome; Hotel Andrew Castillo, escrito na fachada do enorme prédio.

Engoli em seco, nunca havia entrado em um lugar tão luxuoso. Um segurança com a fisionomia carrancuda abre a porta de vidro e eu entro. Esse hotel só pode ser vinte e quatro horas, uma hora dessas ainda tem recepcionista.

De cara, dá para perceber o quanto esse Andrew é rico.

"Deve ser bilionário ou talvez o primeiro trilionário no mundo todo. Será?" - Esse pensamento só me deixa mais nervosa ainda.

Na recepção há vários sofás espalhados para conforto das pessoas que chegam.

Mas naquele momento estava deserto, a não ser pelos seguranças e o recepcionista.

Caminho a passos lentos até a recepção, tentando disfarçar meu nervosismo. A face do recepcionista está séria, muito séria, não me ajudava em nada, minhas mãos tremiam involuntariamente e eu me segurava para não limpá-las em minha saia.

- Posso ajudar senhorita? - Ele pergunta com cara de nojo.

Tudo bem que minha aparência não está das melhores, por causa das lágrimas, com toda certeza o lápis de olho ficou borrado, mas, isso não é motivo para esse cara me olhar desse jeito, o que ele está pensando que eu sou?

- Estou aqui para fazer uma entrega ao senhor Andrew Castillo. - Respondo.

- A senhorita marcou horário? - Ele pergunta me olhando estranho.

- Não!

- O senhor Castillo não marcou horário com nenhuma pessoa a essa hora, muito menos pediu uma prostituta.

- O QUE DISSE? - Digo em um tom alto, perdendo toda calma.

"Questo figlio di puttana. (Esse filho da puta)." - Penso contrariada.

O cara nem me conhece e me destrata assim.

Ele apenas me olhou com desprezo, como se eu o estivesse importunando.

Quando eu estava para dar uma bofetada na cara dele, apareceu um homem segurando meus braços. Ele apertava tanto que eu sentia dor.

- O QUE É ISSO? SOLTE-ME SEU BRUTAMONTE DE MERDA, VOCÊ NÃO PODEM FAZER ISSO, SEI OS MEUS DIREITOS.

Eu gritava, mas nada adiantava.

- Já chega mulher, diga logo o que você quer.

- Em primeiro lugar, não me trate assim, pois, você não me conhece, em segundo lugar, eu já disse o porquê estou aqui, você não é surdo.

Eu já estava com raiva do que Jonas fez comigo, ainda vem esse cara me destratar? Fiquei indignada.

Eu só posso ter tombado com o capiroto para ter uma noite de cão como essa. Não tem como piorar. Pensei.

- A mando de quem você deseja fazer a tal entrega? - Ele pergunta com ironia.

- A mando de Jonas Vitello.

O recepcionista idiota me olhou estranho novamente. Pegou o ramal, apertou algum número, passaram-se uns dez segundos, alguém atende do outro lado.

- Senhor? Há uma mulher precisando falar com o senhor a mando de Jonas Vitello. - Ele faz uma pausa. - A quem eu anúncio?

- Jonas, ele estar no carro me esperando.

Ele fala ao telefone.

- Qual o seu nome?

- Não, Jonas que me enviou.

- O senhor Castillo quer saber qual é seu nome senhorita? - Ele pergunta novamente, impaciente.

Agora sou senhorita? A pouco esse fuleiro me chamava de prostituta, agora tá parecendo uma cadela balançando o rabo para o seu dono.

O brutamonte não largava meu braço, só diminuiu o aperto, mesmo assim me sentia incomodada.

- Cecile.

- Cecile de quê?

- Apenas Cecile. - Respondo, já ficando preocupada. - Se o senhor Castillo puder vir rápido, porque tenho... - Ele levanta a mão me impedindo de completar a frase.

Cazzo (Caralho), nem falar eu posso.

O que deu nesses homens de agir feito uns trogloditas comigo hoje?

- O senhor Castillo, está á caminho. - Saber isso, não me fez respirar aliviada, só me preocupou mais ainda. ­­- Ele pediu para senhorita aguardar aqui.

- Posso me sentar ou me encostar em algum canto? - Pergunto, minhas pernas estão bambas e se tornou uma tarefa difícil disfarçar o medo, fora o salto scarpin, que em nada facilitava minha vida.

- Não senhorita, o senhor Castillo disse que é para ficar aí, se ele disse que é para ficar aí, é melhor obedecer a ordem dele.

Eu não disse nada, só fiquei olhando para ele.

Cadela!

Acho que não se passou nem dois minutos, ouço a chegada do elevador, cinco homens saem de lá, todos mal encarados, caminhando em minha direção.

Olhei assustada, eles pareciam cinco leões querendo abocanhar a sua presa, nesse caso, eu.

Eu nem tinha notado que o homem que segurava meu abraço tinha se afastado e os homens que saíram do elevador me cercaram, me pegaram por meus dois braços e começaram a me arrastar até o elevador.

- O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO? POR FAVOR, PAREM, EU NÃO FIZ NADA. - Eu gritava em italiano, mas, eles nem ligavam para mim.

Comecei a tremer, com a pasta pendurada machucando meu pulso.

Chegando ao décimo quinto andar, os homens saem, esperam eu sair também, mas, eu não faço menção de sair do elevador.

"Onde foi que eu me meti? Pergunto-me novamente."

Os homens agarraram meus braços novamente, me puxando sem se importar se está ou não me machucando.

Seguimos por um corredor muito bonito, onde as paredes são feitas com madeira.

Eles entram em um quarto enorme, vão direto a uma porta de madeira e me empurram, me fazendo tropeçar. Quando consigo me equilibrar, ainda tremendo, observo a sala, linda e espaçosa.

Assim que meus olhos caem sobre uma cadeira no canto da sala, noto um par de olhos verdes me encarando, um olhar mal e avaliativo, que fez meu corpo todo se arrepiar.

Aquele deve ser o tal Andrew.

Ele estava literalmente jogado na cadeira, observando todos os meus movimentos, como um predador faz antes de acabar com sua presa.

Capítulo 2 Um

Olhando a mulher assustada a minha frente, não é difícil imaginar o que Jonas viu nela. Por mais que o seu corpo seja lindo, maravilhoso e suas curvas tentadoras, são seus olhos que mais me chamaram a atenção, o medo contido neles é disfarçado pela raiva e algo mais. Ela me avaliou dos pés a cabeça e suas pupilas dilataram-se involuntariamente, esse algo mais que eu notei em seus olhos, me remeteu a palavra desejo, porque é isso que eu sinto olhando esse seu corpo delicioso...

"Pare de pensar dessa forma seu idiota. Eu instruía a minha mente."

- Aproxime-se! - Ordeno, mas, ela nem se digna a sair do lugar. - Eu disse para você se aproximar. - Aumento minha voz e ela se encolhe toda, antes de se aproximar de mim. Não sou de tratar mulher nenhuma mal, mas, não tolero quem brinca com minha vida e se ela veio a mando de Jonas, não é coisa boa. Nunca imaginei que poderia odiar tanto uma pessoa, ainda mais essa pessoa sendo da minha família. - Quem é você?

- Ce... Cecile. - Ela diz gaguejando. Belíssimo nome combina com a dona. Como é que eu sei isso? Nem conheço essa mulher. Ela não é italiana, seu sotaque a denuncia.

- Cecile de quê? Não irei perguntar novamente minha cara. - Pergunto me levantando da cadeira que está no canto da sala. Ela ainda continua agarrada a pasta, como se isso pudesse protegê-la de mim. Eu nunca fui adapto da vaidade, mas nesse momento, eu senti uma pitada dela. Se ela me deseja e sente medo de mim, para começar está de bom tamanho, para o que estou pensando fazer com ela.

- Cecile Viana! - Ela diz, evidenciando mais sua raiva. Guardo esse nome em minha mente, pois, pretendo saber tudo sobre essa mulher.

- Sente-se Cecile... - Ela nem sai do lugar. Ou ela está realmente com medo ou simplesmente é surda. Não gosto de dar medo em mulher nenhuma, sempre preferi dar prazer, mas, essa mulher terá o que merece.

Chamo dois seguranças e peço para colocá-la sentada em uma cadeira em frente a minha mesa. Não quero tocá-la, não ainda, saber que Jonas a tocou me deixa com muita raiva, não entendo o porquê.

- Senhor, é um engano terrível, só vim aqui entregar a pasta. - Ela está realmente assustada. - Se não tiver a chave, não precisa cortar meu braço, podemos pensar em outra coisa, outra forma de o senhor ter a sua pasta. - O que ela pensa que sou? Um assassino? Um esquartejador de pessoas? Eu poderia estar rindo da situação se não estivesse com tanta raiva agora. - Por favor, senhor, eu imploro. - Ela voltou a chorar. Mas, imaginar que ela estava a pouco com Jonas, sabe-se fazendo o quê, isso me incomoda. Puxo uma cadeira e sento em frente a ela. - Senhor eu não fiz nada, foi um grande engano. - Ela continua insistindo em dizer isso, mas, eu não quero acreditar nisso.

- O que tem na pasta? - Questiono-a, encostando-me à cadeira.

- Não sei! - Ela diz exasperada, denunciando o seu cansaço. Ela pronunciou essas palavras em português, mas, acredito que não percebeu. Maravilha, mais uma brasileira em minha vida, Jonas sabe que não suporto mulheres brasileiras. - Não sei o que há na pasta, Jonas me entregou e disse que eu tinha que te entregar. Acha que eu quero estar aqui? Eu fui forçada.

- Isso não importa mais. - Acho que ela não percebia que ela falava a língua portuguesa e nem que eu a entendia e conversava de igual. Aprendi português com minha ex-esposa, para alguma coisa aquela mulher maldita serviu. Levantei-me da cadeira, peguei um papel e uma caneta em cima da mesa e escrevi três números e entreguei a ela.

- O que é isso?

- O código para abrir a pasta. - Jonas havia me enviado o código há dez minutos. - Abra a pasta. - Ordeno saindo da sala. Meus seguranças entram com escudos antibomba e se posicionam em frente a porta do escritório, eu saio do escritório e fico atrás da parede, a parede é reforçada com aço, que pode aguentar uma pequena explosão.

- O que há dentro da pasta? - Ela diz interrompendo meus pensamentos.

- Nada perigoso. - Minto, mas, a verdade é que eu não faço ideia do que tenha lá dentro e não confio em Jonas.

- Então porque o senhor mesmo não abre? - Garota esperta.

- Não confio em Jonas. - Digo expondo meu pensamento de agora a pouco.

- Eu também não confio nele. - Ela diz preocupada. - Só o conheci hoje na boate. - Saber isso não mudou meu temperamento. Como uma mulher conhece alguém e no mesmo dia já esta fazendo o que ele quer? Jonas deve ser muito bom no sexo. Por que eu tinha que pensar nisso?

- Abre logo essa pasta! - Grito em italiano. Posso senti-la se encolher.

- Tudo bem! - Foi tudo o que ela disse antes de abrir a pasta. Os segundos se passaram e todo meu corpo ficou apreensivo. E se ela abrir e acontecer algo com ela? Vou me sentir mal por isso? Pergunto-me.

- Não irei! - Digo em voz alta. Mas a minha mente teme em me dizer que sim, teme em dizer que vou me culpar.

- Por favor, Deus, me ajude. - Ela diz, em seguida ouço um estalar de algo sendo aberto. Tarde demais para impedi-la de abrir. Idiota, você demorou para impedi-la. Fico me censurando.

- Descreva o conteúdo da pasta para mim Cecile. - Peço a ela ainda do lado de fora da sala.

- Não tem muita coisa, há somente uma caixa de tamanho mediano, escrito em sua tampa "te peguei" e um papel dobrado escrito o seu nome nele, acho que é uma carta. - Eu não sentia mais o medo em sua voz, mas sim uma raiva contida.

Entrando na sala, noto que seu rosto não transparece nada, nenhuma emoção. Aproximo-me da pasta e realmente só consta isso e uma chave, acredito que das algemas, acho que ela não viu. A raiva que sinto de Jonas só faz aumentar. Pego a chave dentro da pasta e jogo para ela.

- O que é isso? - Ela pergunta voltando a falar em italiano, deve ter recobrado a calma.

- A chave das algemas. - Respondo tirando a carta de dentro da pasta.

- Mentiroso...

- O que disse? - Questiono olhando para ela.

- Esse Jonas, maldito e mentiroso, filho de uma cadela.

Ela diz gritando e com raiva, voltando a falar português. Não é que ela está certa, a mãe de Jonas é uma cachorra usurpadora. Pensei gargalhando por dentro, esse pensamento me fez sentir-me bem, em saber que a sua raiva está direcionada para Jonas, não para mim. Enquanto ela tira as algemas, começo a ler a carta.

"Então primo, gostou da "surpresa"? Espero, para o meu prazer que a resposta seja NÃO. Tome cuidado, da próxima vez pode não ser uma brincadeira. Ah, gostou da brasileira? Se quiser pode ficar, não me serve mais."

Fico agradecido a meu primo pelo presente, em uma coisa esse traste acertou.

- Parece que você me pertence la mia piccola

(Minha Pequena). - Digo a ela não disfarçando a malícia em minha voz.

- O que disse? - Ela indaga de repente parecendo assustada.

- Eu disse que você é minha! - Respondo virando para encará-la. Não percebo que ela já tinha se aproximado de mim. Foi tudo muito rápido, senti um ardor em minha face no lado esquerdo, automaticamente minha mão esquerda descansou no lugar que ardia. Sua mão vai para bater do outro lado de minha face, mas, dessa vez, eu sou mais rápido e agarro seu braço esquerdo e o mantenho suspenso no ar, não sei, passaram-se segundos, minutos, ficamos na mesma posição, travando uma batalha com nossos olhares, mas, eu não sou um homem de perder o que quero e nesse momento eu decidi que a quero, além de esfregar na cara de Jonas que gostei do presente, ainda vou ter esse corpinho todo para mim.

Capítulo 3 Dois

- Solte-me. - Ordeno a ele, mas de nada adianta.

- E por que eu faria isso? Estou gostando dessa proximidade. - Ele se aproximava cada vez mais, o cheiro do seu perfume me deixa tonta, eu não consigo entender como posso me sentir atraída por alguém que ia me machucar, se é que ainda não vai me machucar. Tento recuar, mas, estava imprensada entre ele e a mesa.

- Non toccarmi! (Não me toque!)

- Sei bellissimo la mia piccola. (Você é linda minha pequena). - Ele me acha linda. De alguma forma esse pensamento me alegrou.

- Não sou tão pequena. - Não posso ser fraca e deixar esses homens fazerem o que querem comigo. Onde está o meu orgulho? - Afaste-se de mim, senhor.

- Você não manda em mim, ponha-se em seu lugar. - Ele parecia irritado com meu comportamento. - Eu não lembrava que as brasileiras eram tão difíceis. - Eu não me surpreendo de ele falar português, nem de saber que sou brasileira, faz tempo que estou falando português, mas, não tinha notado que ele me entendia. - Ainda mais uma facile donna. - Ele completa em italiano.

- Eu não sou uma mulher fácil...

- Como não? Meu primo é tão bom de cama que você me rejeita? Quanto ele te pagou? - Dessa vez ele foi longe demais. Empurro meu joelho com tudo, o fazendo recuar de dor. Quem ele pensa que é, me ofendendo dessa forma? Idiota como sou, ainda pensei em ceder as suas investidas.

- Por que fez isso?

- Porque não sou suas vagabundas. Não me toque.

- Você vai se arrepender por ter feito isso. - Senti meu corpo todo se arrepiar, mas dessa vez de medo. Ele não me parece uma pessoa que faz ameaças à toa.

- Eu quero ir embora. - Digo me sentindo cansada de repente. Seu rosto parecia uma máscara sem expressão nenhuma.

- Faça como quiser, mas, não pense que vai se livrar de mim, você agora me pertence.

- Eu não sou de ninguém, eu sou dona de mim. - Falei assustada.

- Tarde de mais. - Ele diz com ironia. - Quem mandou vir até mim?

- Não tive muita escolha...

- Isso é conversa. - Que homem arrogante, onde fui me meter meu Deus? Onde fui me meter? Que arrependimento por ter saído à noite passada, você é uma estúpida Cecile por fazer as vontades de Lívia.

Lívia é a minha melhor amiga, todos os dias conversamos pelo Skype e noite retrasada, ela me convenceu a sair. Mesmo longe, ela pode ser convincente quando quer.

- Imagine-se em meu lugar. No momento em que alguém se aproxima, flertando com você, mas, quando você menos espera esse alguém te empurra dentro de um carro e te força a entrar em um hotel, onde outro alguém te força a fazer o que você não quer.

- Eu não forcei você a nada.

- Se dizer isso o faz sentir-se bem quando deita sua cabeça no travesseiro. Você é igual a Jonas, duas pessoas aproveitadoras.

"Meu Deus, o que me levou a dizer isso? Ainda em voz alta."

Eu nem conheço esse cara.

"E nem quero conhecer."

Tudo bem que eu queria ofendê-lo, mas, o que causou foi totalmente o contrário.

- Abbastanza (Já chega). - Ele grita em italiano me fazendo encolher e recuar de medo. - Nunca mais me compare a esse homem.

"Acho que fui longe demais."

- Mattias? - Ele chama alguém. Um homem alto e atraente, de cabelos castanho claro em um terno preto feito sob medida aparece na sala. - Mattias, leve essa mulher daqui. - Ele falava como se eu não estivesse aqui e de alguma forma aquilo me magoou.

- Para onde Andrew? - Ele falava sem formalidades, deve ser alguém bem intimo.

- Para casa dela. - Eu quase suspirei de alívio. - Agora me deixem sozinho.

Ele não precisou pedir duas vezes. Saí sem olhar para trás. Uma parte de mim quer vê-lo novamente, mas, a outra metade, quer que eu fique o mais longe possível desse homem.

- Mattias, você não parece Italiano. - Digo, já no carro, um utilitário prateado. Passo meu endereço a ele e vamos embora.

- Sou brasileiro. - Ele afirma me deixando surpresa.

- Eu também sou. - Respondo a ele em português.

- O que me denunciou? - Ele pergunta com um sorriso descontraído.

- Seu sotaque. - Digo retribuindo o sorriso. - De qual parte do Brasil você é?

- Do Nordeste da Bahia, um interior chamado Retirolândia.

- Eu sou de Salvador, moro em Brotas. Fico feliz por conhecer alguém do meu estado.

- Eu também. - Ele afirma.

- Como você veio morar na Itália, Mattias?

- Um homem foi até Ritirolândia e atraiu vários jovens, alegando ser de uma agência de moda, eu nem estava presente no dia. Mas, esse homem me viu na rua e disse que eu tinha o perfil e convenceu minha família. Eu nem queria vim, só tinha 16 anos na época, eu pensava em namorar, terminar os estudos e ir para a faculdade. Mas era tudo mentira da parte dele, no momento em que chegamos aqui, ele nos forçou a se prostituir. - Fiquei abismada com o que ele disse.

- Sinto muito Mattias...

- Tudo bem, já é passado. - Ele diz com uma facilidade. - Fiquei nessa vida por seis meses, consegui fugir e comecei a passar fome, foi quando conheci Andrew, eu tentei roubá-lo. - Ele diz com um sorriso nos lábios. - Eu contei tudo a ele, ele me ajudou e ajudou a todos os outros jovens também, viramos amigos.

- Meu Deus, você passou por tanta coisa. Por que não voltou ao Brasil depois que ele te ajudou?

- Ele me fez uma proposta.

- Qual?

- Ele me ajudaria a terminar meus estudos e fazer minha faculdade de administração, em troca trabalharia para ele.

- Como motorista? - Pergunto incrédula.

- Não, sou seu braço direito, assistente executivo, a única pessoa que ele confia. - Ele completa com orgulho.

- Você falando assim parece até que esse homem é uma boa pessoa.

"Aquele idiota mandão, delicioso."

Que pensamento foi esse? Pare de pensar nesse cara Cecile, esse homem a humilhou, te tratou mal.

- Ele não é ruim depois que você o conhece.

- Sei. - Digo não acreditando no que ele diz.

- Ele só está com raiva. - E o que eu tenho a ver com isso? - Você estava com Jonas, eles dois são inimigos. - Ele faz uma expressão estranha, acho que ele falou demais.

- Eu não estava com Jonas, não no sentido que ele imagina, Jonas me sequestrou. Mas nem sequer aquele homem escutou o que eu disse, aquele troglodita. - Ele apenas sorrir para mim. - Por que o senhor Castillo é inimigo de Jonas? - Por um instante ele me pareceu desconfortável mais uma vez.

- Isso você terá que perguntar a ele.

- E a sua família Mattias? - Decido voltar ao nosso assunto de antes.

- Eu nunca contei a eles o que se passou comigo, eles iriam sentir-se culpado. Todo mês mando dinheiro para eles.

- Moram em Retirolândia ainda?

- Sim, não querem sair de lá por nada. - Ele diz sorrindo e eu retribuo o sorriso. - E você?

- O que tem eu?

- Eu falei muito sobre mim, mas não sei nada sobre você.

- Verdade, agora nem dá mais.

- Por quê? - Ele pergunta não entendo nada.

- Já chegamos.

- Verdade.

- Tome meu whatsapp, vai ser bom ter um amigo aqui. - Tiro um pedaço de papel e uma caneta dentro de minha bolsa e escrevo meu número, em seguida entrego a ele. - Agradeço a carona, Mattias. Ele sai, faz à volta no carro e abre a porta para mim. Dou dois beijos, um de cada lado de sua face e saio.

Mattias até que é bonito e atraente, mas, aquele homem não sai da minha mente, me sinto uma idiota.

- Quem ele pensa que é? - Digo em voz alta, entrando e batendo a porta com força. - Espero nunca mais vê-lo.

Vou até meu quarto, coloco minha bolsa no guarda roupas, meus saltos no sapateiro e vou até o banheiro, me despindo. Tiro a roupa e jogo no cesto de roupas sujas. Tomo um banho frio, me sinto cansada, já passa das oito da manhã e ainda não dormi, daqui a pouco tenho que ir para a faculdade.

Vou estudar um pouco. Assim que termino o banho vou até a sala, ligo meu notebook, caminho até a cozinha para pegar uma maçã na fruteira e volto para a sala e começo a estudar.

Foi o pior estudo que tive em minha vida, minha mente não conseguiu reter nada. Paro de estudar e decido dormir um pouco, aqui no sofá mesmo. Ponho o alarme do celular para despertar às 13h00min da tarde, já que a prova é às 15h00min e pego no sono rapidamente.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022