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REFLEXOS DA VINGANÇA

REFLEXOS DA VINGANÇA

Autor:: Benjamin S. Cammie
Gênero: Romance
30 dias, 8 horas e 5 minutos. Foi todo o tempo que durou minha ilusão de um casamento feliz. Os braços que agora protegiam a mulher que destruiu a minha vida eram do homem que jurou me amar e proteger até que a morte nos separe. Sem desculpas, sem futuro. Apenas a dor.

Capítulo 1 Verdadeiro lar

O som do relógio sobre a mesa era irritante. Cada tique seco e preciso parecia zombar da minha inquietação, uma lembrança constante de que o tempo, apesar de implacável, também trazia libertação.

Dez anos.

Dez longos anos vivendo em uma prisão que se mascarava de lar. Uma promessa vazia feita quando Katri e Adeline se mudaram para nossa casa. A doce irmã de minha mãe, viúva e solitária, se tornou a nova senhora do lar, e sua filha, o tesouro intocável a ser protegido e venerado.

Meu pai jurou que nada mudaria, que tudo seria para o meu bem, mas as palavras se perderam no silêncio crescente que se instalou entre nós. A cada dia, eu me tornava uma estranha em minha própria casa, minha existência reduzida ao silêncio, à sombra. Katri, com seu olhar afiado e sua voz sempre tão doce para os outros, me desacreditava a cada gesto. Adeline, a filha perfeita, sempre tão delicada e angelical, era a luz que eclipsava minha presença.

Eu aprendi a desaparecer. Me afundei nos estudos, transformei bibliotecas e corredores de escola em meus refúgios. Qualquer lugar que não fosse aquele casarão sufocante era bem-vindo. Consegui trabalhos de meio período, juntei cada centavo com determinação, construindo minha independência em segredo, longe da fortuna do meu pai e da vigilância de Katri. Eu era uma prisioneira preparando sua fuga.

Então, Ethan Hallow surgiu na minha vida, como um raio de luz em um céu sempre nublado. Ele era o sonho de qualquer mulher – 25 anos, inteligente, bem-humorado, doce e gentil. Filho único de uma família proeminente e amorosa, Ethan era o homem que prometia a liberdade que eu tanto desejava. O meu futuro marido.

Cada badalada do relógio me aproximava do meu destino. Hoje, eu seria livre. Hoje, eu me tornaria a senhora Hallow, vivendo em um verdadeiro lar, longe das sombras que me aprisionaram.

Ethan era o príncipe encantado das histórias que eu lia em segredo, o herdeiro que alavancou a empresa familiar, tornando-a internacionalmente conhecida em menos de cinco anos. O homem que revistas exaltavam como um dos melhores partidos da cidade, amado e invejado em igual medida.

Seus gestos de carinho em público o tornavam objeto de admiração, e Madeleine, a mulher que conquistou seu coração, parecia a personificação da perfeição. Jovem, bela e inexperiente, ela havia conquistado o que muitas sonhavam – um homem belo, rico e poderoso. E eu, finalmente, seria essa mulher. Seria a senhora Hallow, livre das correntes que me prenderam por tanto tempo.

Capítulo 2 Felizes para sempre

- Sebastian! - O grito ensurdecedor pareceu estremecer as paredes do quarto, ecoando pelos corredores amplos da mansão. Katri Hens, a bela senhora de porte altivo e olhar calculista, ajustava suas roupas diante da penteadeira, seus dedos finos deslizando com precisão sobre os tecidos caros. Ela silenciou a bela Adeline com um único olhar, os lábios finos curvando-se em um leve sorriso de escárnio.

- Madeleine está pronta? - A pergunta, lançada com a frieza de uma lâmina, quase congelou todos na sala, incluindo o mordomo, alvo dos gritos desesperados de Adeline.

- Ela segue trancada no quarto, não deixa ninguém entrar - respondeu ele, tentando manter a compostura enquanto se curvava discretamente.

Adeline, que até então soluçava baixinho, se aproximou de sua mãe, como se fosse ajustar o diamante que adornava o pescoço esguio da mulher mais velha. Seus lábios se moveram em um sussurro calculado:

- A senhora vai permitir esse casamento?

Katri se levantou rapidamente, sua postura impecável refletida no espelho dourado. Ela fez um gesto brusco para o mordomo, que ainda organizava as joias em suas caixas aveludadas.

- Chame Madeleine e Phillip. Não queremos que o noivo desista. - Suas palavras eram uma ordem, cortantes como o gelo.

Adeline seguiu a mãe com passos leves, seu vestido esvoaçando ao seu redor como as asas de um pássaro em uma dança cruel. Por fora, ela exibia a aparência doce e alegre que todos esperavam, mas por dentro, sua mente fervilhava em um turbilhão de ciúme e frustração. Não suportava a ideia de Madeleine se casar com um homem como Ethan. Aquele deveria ser o seu casamento, a sua festa, o seu marido.

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O silêncio predominante sobre a pequena igreja ecoava de forma quase opressiva, enquanto o reverendo finalizava a cerimônia. Maddie sorria encantada, os olhos fixos nos belos olhos verdes de Ethan, que parecia tão feliz quanto ela.

- Madeleine, você aceita Ethan como seu legítimo esposo, para amar e respeitar, por todos os dias da sua vida, até que a morte os separe?

- Eu aceito - respondeu Maddie, a voz embargada de emoção, o coração acelerado pelo momento que tanto sonhara.

- Ethan, você aceita Madeleine como sua legítima esposa, para amar e respeitar, por todos os dias da sua vida, até que a morte os separe?

- Eu aceito. - Ethan sorriu, mas por um breve instante, o brilho em seus olhos desapareceu. Seu sorriso parecia frio, distante, quase calculado, e Maddie sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Por um segundo, aquele não era o Ethan doce e apaixonado com quem ela havia sonhado. O beijo que se seguiu foi intenso, quase possessivo, arrancando-a de seus pensamentos inquietos.

"- Este é apenas o Ethan. Não pense demais - tentou se convencer, afastando a sombra que começava a se formar em sua mente.

Enquanto cumprimentava os convidados, rodeada pela energia contagiante da festa, Maddie não conseguiu afastar completamente a sensação de que algo estava fora do lugar. Mas com Ethan ao seu lado, segurando sua cintura com firmeza, ela tentava ignorar os sinais que seu instinto insistia em enviar.

Quando os últimos convidados se despediam e seu pai os abraçou brevemente diante do carro que os levaria de volta ao lar, Maddie percebeu, ao longe, Katri e Adeline observando-os. O sorriso que as duas trocavam era idêntico ao que exibiam quando ela era criança, um sorriso predatório que precedia os piores momentos de sua vida. O medo voltou a se alojar em seu peito, mas ela tentou ignorá-lo, afastando a sombra escura que ameaçava estragar seu momento de felicidade.

Ethan pareceu perceber a tensão em seu corpo e a puxou para mais perto, sussurrando em seu ouvido:

- Agora começa o nosso felizes para sempre. - Sua respiração morna, com um leve aroma de vinho, provocou pequenos arrepios na pele dela, que instintivamente se aproximou, buscando o calor que sempre encontrava nele. Ethan selou o momento com um beijo suave, seus lábios quentes dissipando momentaneamente o frio que se instalara em seu coração.

- Vocês deveriam ser mais discretos. - Adeline surgiu diante deles com um pequeno envelope em mãos, o colocando bruscamente na mão esquerda de Ethan, antes de se afastar com um sorriso enigmático.

- O que é isso? - Maddie tentou alcançar o envelope, mas Ethan foi mais rápido, guardando-o no bolso interno do terno com um movimento preciso.

- Apenas mais um presente de casamento. - Ele a guiou delicadamente até o carro. - Vamos, nossa lua de mel nos espera.

O motorista seguiu em direção ao aeroporto, onde o avião particular da família Hallow já os aguardava, preparado para levar os recém-casados ao seu destino luxuoso. Maddie se sentia exausta, os nervos à flor da pele, mas também ansiosa. Finalmente, ela seria inteiramente de Ethan, seu marido, o homem que a fizera sonhar com uma vida plena e feliz.

Quando finalmente chegaram à suíte do hotel cinco estrelas à beira-mar, Ethan a tomou em seus braços no elevador, seus beijos intensos e famintos transformando o ar ao redor deles em puro desejo. Maddie sentiu o clique da porta do quarto se fechando com força, suas costas encontrando a madeira fria enquanto os lábios de Ethan se moviam pela curva delicada de seu pescoço.

- Humm... Eu não consigo mais esperar - murmurou ele, os dentes roçando a pele sensível do ombro de Maddie, enquanto seus dedos exploravam cada centímetro do vestido azul claro que ela usava.

- Uugh... Banho... Humm... Eu... Eu preciso... um banho... - Maddie tentou se afastar, a mente um caos, o corpo em chamas, mas Ethan não lhe deu chance, suas mãos deslizando pelo tecido delicado enquanto seus lábios continuavam a marcar território em sua pele.

- Vamos tomar um banho - sussurrou ele, a voz rouca e cheia de desejo, antes de carregá-la até o banheiro luxuoso, onde o vapor quente logo preencheu o espaço apertado.

Os gemidos suaves de Maddie se misturaram ao som da água caindo, os corpos se pressionando, se explorando, se fundindo em uma dança antiga e primitiva. E ali, entre o vapor e os espelhos embaçados, Madeleine finalmente se entregou completamente ao homem que prometera fazê-la feliz para sempre.

Capítulo 3 O início do fim

Madeleine despertou ainda sonolenta com o som de um celular vibrando insistentemente. O toque parecia cortar o silêncio da suíte de luxo como uma lâmina, penetrando seu sonho confuso e a puxando de volta à realidade. Ethan, despido, se levantou rapidamente em direção à poltrona onde suas calças vibravam com o toque insistente da chamada.

Ele pegou o aparelho e, sem sequer olhar para ela, se dirigiu ao banheiro, fechando a porta com um clique firme. Sua voz era baixa, mas o tom parecia tenso, palavras abafadas pela porta pesada. Maddie franziu a testa, a confusão ainda misturada ao sono, sentindo o lençol de seda deslizar por seu corpo enquanto se erguia ligeiramente.

- Bom dia... - sussurrou sonolenta, os olhos fixos na porta fechada, mas não houve resposta. Dez minutos se passaram, e a porta continuava trancada, os sons abafados da conversa ainda ecoando. Depois de esperar em vão, Madeleine suspirou, se levantou lentamente e caminhou até a mala que ainda estava junto à porta do quarto. Separou suas roupas e itens de higiene pessoal e, com passos hesitantes, se aproximou da porta do banheiro, batendo suavemente.

Nenhuma resposta.

Ela sentiu um leve desconforto se instalar em seu peito, como se algo estivesse prestes a mudar para sempre. Decidiu se vestir e, após alguns minutos, se sentou na mesa da varanda, onde um envelope branco com a inscrição "Parabéns aos noivos!" em uma bela caligrafia parecia zombar de seu primeiro despertar como mulher casada. Ela segurou o papel entre os dedos, o toque frio do cartão contrastando com o calor que ainda sentia da noite anterior.

Enquanto os minutos se arrastavam, Madeleine se pegou revivendo os momentos intensos da noite de núpcias. Ethan havia sido intenso, apaixonado, quase possessivo. Cada toque, cada beijo, cada palavra sussurrada ao seu ouvido pareciam confirmar que ele a desejava profundamente. Ele sempre a tratara com respeito, esperando pacientemente que completasse 18 anos, honrando seu desejo de se casar antes de consumarem o relacionamento.

Mas, por que então a sensação incômoda de que algo estava errado? Por que, mesmo agora, ela sentia que algo entre eles havia mudado?

A lembrança de seu primeiro encontro veio à mente. Ethan, o irmão de Henry, seu melhor amigo e confidente que tirara a própria vida de forma trágica. Ela nunca entendera completamente o que o levara a tal ato, mas Ethan aparecera em sua vida pouco tempo depois, os olhos sempre cheios de dor, mas com uma doçura que a confortava. Ele a fez se sentir menos sozinha, menos perdida. Era como se, ao perder Henry, ela tivesse encontrado uma nova razão para sorrir.

Foi assim que tudo começou, no cemitério, entre lágrimas e biscoitos de chocolate deixados sobre a lápide do amigo falecido. Ethan a viu ali, frágil e solitária, e sorriu. Aquele sorriso a fez se agarrar à esperança de um futuro feliz. Mas agora, olhando para o cartão abandonado na mesa, uma sensação de vazio a envolveu, como se aquele mesmo sorriso estivesse começando a se transformar em uma máscara que escondia algo muito mais sombrio.

Madeleine suspirou profundamente, seus pensamentos dispersos, até que a porta do banheiro finalmente se abriu e Ethan apareceu, os cabelos ainda úmidos, uma toalha amarrada frouxamente em seus quadris. Ele a observou em silêncio por um momento, seus olhos verdes escurecidos por algo que ela não conseguia identificar. Havia uma tensão em seus ombros, algo que parecia pesar mais do que os lençóis que ele havia deixado para trás.

- Um prêmio por seus pensamentos? - Ele se aproximou lentamente, inclinando-se para depositar um beijo doce em seus lábios antes de se sentar à sua frente. Ele pegou o cartão de felicitações deixado pelo hotel, girando-o entre os dedos distraidamente.

- Alguma coisa aconteceu na empresa? - Maddie forçou um sorriso, tentando ignorar a sombra que ainda pairava sobre seu coração. "Sinto falta de Henry", ela quis dizer, mas sabia que o nome de seu irmão falecido sempre trazia uma escuridão inquietante ao olhar de Ethan.

- Apenas um dos fornecedores, com pressa de iniciar o projeto. - Ethan respondeu, ainda girando o cartão entre os dedos, seus olhos fixos em um ponto distante, como se estivesse a quilômetros dali.

- Essa fornecedora também está com pressa - Madeleine se levantou lentamente e se sentou no colo de Ethan, enlaçando seus braços ao redor do pescoço dele, buscando algum sinal do homem que a fizera se apaixonar tão intensamente. Ela sentiu os lábios dele se curvarem em um sorriso breve contra sua pele.

- E qual a demanda dessa bela fornecedora? - Ele perguntou, suas mãos firmes deslizando pela cintura dela, os lábios descendo para o pescoço delicado, ainda marcado pelos beijos da noite anterior.

- Um banho e depois café da manhã - Maddie sussurrou, tentando ignorar a sensação de que algo escapava por entre seus dedos. - Essa fornecedora precisa se refrescar e se alimentar.

Ethan riu baixinho, se levantando com ela nos braços e a conduzindo ao banheiro. O vapor quente logo preencheu o espaço, os corpos se pressionando contra a fria cerâmica das paredes, os gemidos suaves de Maddie se misturando ao som da água corrente.

Os quinze dias seguintes se tornaram uma rotina de luxúria e prazer, tardes de longos passeios pela cidade e noites intensas que faziam Madeleine se esquecer das sombras que ameaçavam sua felicidade. Ela se entregou por completo, cada toque, cada beijo, cada sussurro a levando para mais longe de suas inseguranças.

Mas, ao final da lua de mel, enquanto o avião particular da família Hallow sobrevoava as nuvens rumo à cidade natal, Ethan se trancou na cabine privada sem uma palavra, deixando Maddie sozinha, perdida em pensamentos e dúvidas. Quando o avião finalmente pousou, Peter, o secretário pessoal de Ethan, a esperava ao pé da escada.

- Senhora Hallow, por favor, me acompanhe até o carro - disse ele, a voz firme, mas os olhos refletindo algo que Madeleine não conseguiu decifrar.

- E o Ethan? - Ela se virou, olhando para a porta fechada da cabine privada, mas não houve resposta. O silêncio era opressor.

- O senhor Hallow precisa seguir diretamente para uma conferência. Ele irá para a empresa assim que sair do avião. - Peter a conduziu delicadamente até o carro, seu tom tranquilizador, mas os olhos ainda distantes.

Madeleine hesitou, mas se permitiu ser guiada, decidindo que não deixaria que as sombras voltassem a dominá-la. Afinal, aquele era o início de sua nova vida, sua casa, seu verdadeiro lar.

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