Alguns anos antes...
Rafael narrando.
Coloco seu corpo sentado em cima da mesa do escritório, com a cabeça deitada por cima do notebook e a faca na sua mão esquerda.
- Eu sinto muito querida Catarina. - Eu falo pegando em seus cabelos loiros pela última vez. Seu cheio, sua pele , seus olhos , seu sorriso agora seria mais uma lembrança como todas às outras.
- A onde está o bebê? – A mulher vestida de vermelho pergunta.
- Ali – eu falo e ela se aproxima da criança olhando ela.
- Irá valer muito – ela diz – você precisa ter cuidado , ela está machucada. Deveria ter feito esse procedimento em um hospital.
- Não queremos holofotes ou alguém para ver o que estamos fazendo – eu falo para ela.
-Qual sua próxima vitima? – ele pergunta.
- Estou com planos maiores – eu falo para ela e ela me encara – vamos ficar rico Alicia. – ela me encara e arqueia a sombrancelha.
Olho a foto do nosso casamento e recorto ela jogando no lixo, tudo precisa ser perfeito. Pego seu celular e abro as suas contas bancárias limpando às suas contas e pego seus cartões de créditos colocando em meu bolso. Jogo gasolina por todo o canto do consultório e atiro fogo.
Entro dentro do carro e vou em direção ao aeroporto clandestino a onde pegaria o jatinho para sair da Argentina.
- Adeus Catarina. - Eu falo vendo o fogo se alastra pelo retrovisor.
Estaciono o carro e entrego às chaves para Raul.
- Já está tudo pronto. Sua identidade nova - Ele fala me entregando e eu abro.
- Rafael? - Eu pergunto para ele. - Fala sério.
- Nascido em Minas Gerais. - Ele diz. - Matriculado para fazer uma reciclagem em embriologia.
- Ótimo. - Eu falo para ele. - Sua parte está no porta malas. Até a próxima. - Ele me encara.
Eu entro dentro do avião e abro a minha nova identidade.
- Rio de Janeiro, lá vamos nós. - Eu falo guardando a identidade nova.
Pego a maquininha de cartão passando seus cartões de crédito.
Larisse narrando
Alguns dias depois...
- Filha. - Minha mãe me vê. - Filha, esta tudo bem?
- Sim. - Eu falo para ela. - Estou atrasada para faculdade. Eu só estava lembrando do papai.
- Eu também sinto à falta dele. - Ela diz me olhando. - Ele te amava muito e sei que está todos os dias aqui com você.
- Obrigada mãe por tudo. - Eu falo abraçando ela. - A senhora dona Charlene é muito importante para mim.
- Você também é. - Ela diz. - Você não vai comer nada antes de ir para faculdade ?
- Não. Eu já estou atrasada mesmo. - Eu falo para ela. - Preciso ir. Até de noite.
- Até. - Ela fala me olhando.
Eu trabalhava de atendente em uma farmácia, tinha conseguido comprar meu carro nos últimos meses e estava me especializando em embriologia, assim que me formasse queria muito montar à minha própria clinica e ajudar várias mulheres e casais a realizar o sonho de ter filhos.
- Atrasada - Layla fala. - E atrapalhada como sempre. - Ela fala quando me vê quase derrubar os meus livros no chão.
- Bom dia para você também. - Eu falo dando um beijo em seu rosto. - só para avisar que eu não dormi com você. - Ela começa à rir.
- Você já perdeu à primeira aula. - Ela diz. - E eu tive que formar dupla com outra pessoa ontem porque você não veio.
- Tive que ir de manhã na farmácia por causa que minha colega ficou doente. - Eu falo para ela. - Não tem problema encontro outra melhor amiga para fazer dupla. - Ela me olha com uma cara estranha e eu começo à rir da sua reação . - Voce sabe que eu te amo né?
- Eu sei. - Ela diz. - Não me troca por nada.
Entramos dentro da sala e logo às duplas se sentam um do lado do outro e eu fico sozinha na mesa dupla, até que alguém se senta ao meu lado.
- Estou sem dupla e acho que você também. Posso sentar aqui? - Eu olho para o lado vendo um cara alto , cabelo preto e olhos escuros, ele me encara dando um leve sorriso, eu jamais tinha visto ele aqui.
- Pode sim - Eu falo dando um sorriso para ele. - Eu nunca te vi aqui, você é novo?
- Meu nome é Rafael, sou novo e estou fazendo uma reciclagem na área de embriologia. Estou montando a minha clínica aqui no Rio de Janeiro e estou me especializando mais um pouco. - Ele diz.
- Meu nome é Larisse e estou me formando em Embriologia - Ele me encara - Ah e sou atendente de farmácia. Acho que é bem empolgante também. - Eu falo rindo e ele sorri também.
- Prazer Larisse, acredito que vamos dar uma boa dupla. - Eu o encaro e abro um sorriso e ele me encara.
Fico presa em seu olhar de uma forma inexplicável e ele também me encarava o tempo todo.
Larisse Narrando
- Aqui está o seu crachá. - A atendente de sorriso iluminado fala. Pego o crachá e sorrio de volta para ela.
- Obrigada. - Eu falo.
Olho para o crachá escrito "Espaço vida" e abro um sorriso na mesma hora. Era uma vitória para nossa clínica ter chegado até aqui, hoje era o último dia de conferência e amanhã eu já embarcaria de volta para casa.
Tento ligar para Rafael antes de entrar no último dia de palestra, mas ele não me atende. Acho estranho e tento mandar mensagem, mas as mensagens não entram.
- Que estranho - Falo para mim mesmo.
Guardo o celular quando vejo que a palestra iria começar. A palestra começa e quem está dando ela começa a falar de toda sua carreira, de como chegou até aqui e eu começo a pensar na minha trajetória com o Rafael também. São 3 anos de clínica e a gente está na melhor época de nossas vidas, fazendo o maior sucesso no Brasil todo e nós tínhamos pacientes de vários lugares do Brasil, até pensava em expandir à clínica e colocar outras pelo Brasil. Quem sabe a nossa ideia ainda acontece?
Eu e Rafael nos dávamos tão bem e esse era à alma do negócio, a gente completava um ao outro de uma forma inexplicável, tanto na vida pessoal como na profissional.
(...)
O avião já iria decolar e em uma última chance de falar com Rafael tento ligar para ele, mas novamente o celular caía na caixa postal e as mensagens não eram entregues. Entro no aplicativo das câmeras da clínica e elas estão todas desligadas, acho aquilo tudo estranho.
- Por favor aperte os cintos, desligue ou coloque em modo avião os celulares porque iremos decolar em alguns minutos. - A Aeromoça fala e eu suspiro colocando o celular em modo avião.
Era um dia todo sem notícias dele, não quis ligar para minha mãe que mora perto para saber notícias, não quero me preocupar. Minha mãe e Rafael tem um pouco de implicância um com o outro.
Assim que desço do avião e vou caminhando pelo aeroporto sinto alguns olhares estranhos para mim, eu olho para baixo vendo a minha roupa e está tudo certo. Não conseguia entender o porquê daqueles olhares.
- Larisse? - O uber fala me olhando.
- Sim - Falo e entro no carro, ele me encara pelo retrovisor o tempo todo. - Está quente por aqui, não é mesmo? - Tento puxar assunto já que gostava de conversar, mas ele não me responde, o tempo todo calado e me olhando estranho. - Aqui está - Falo pagando o uber e ele logo me dar o troco sem dizer nada.
- Dona Larisse? - O porteiro fala parando de varrer à rua.
- Olá - Digo sorrindo para ele. - Tudo bem com o senhor?
- Sim - Ele diz com o tom de voz fraco e me olhando de cima para baixo.
Porque está todo mundo me olhando assim? O prédio onde moramos fica na frente da nossa clínica, escolhemos o apartamento devido à localização. Antes de entrar no prédio olho para a clínica que está tudo fechado e luzes apagadas.
Subo para o apartamento e quando entro levo um susto, largo a mala e as bolsas em cima dela e arregalo os olhos, começo a correr pelos corredores desesperada vendo que tudo está vazio, não tinha nada. Não tinha sofá, cama, mesa... apenas tinha o guarda-roupa com as minhas roupas, não tinha sinal do Rafael também!
Desço desesperada e dou de cara com o porteiro com alguns homens ao seu lado, ele me chama, mas ignoro. Atravesso a rua quase sendo atropelada por um carro que vinha na rua em minha direção, quando pego a chave para abrir a porta da clínica vejo que ela está aberta.
- Rafael? - Entro chamando ele. - Rafael? - Eu não tinha resposta.
Ainda abrindo a porta lentamente uma lágrima desce pelo meu rosto, eu não sabia oque pensar, dois dias atrás eu tinha um casamento perfeito, uma clínica, um sócio e um marido. Quando abro a porta dou de cara com a clínica vazia, só tinha a mesa da secretária e mais nada, vou andando pelas salas e vejo que não tinha mais nada. Ele tinha tirado tudo ali de dentro, em nosso escritório apenas a mesa e o cofre fora da parede, não tinha nem mesmo os óvulos e sêmens congelados de nossos clientes.
Abro meu celular e algo me diz para abrir a conta bancária, à nossa conta conjunta, ela está vazia. Eu tento ligar várias vezes para Rafael, mas não consigo! Nada dele me atender. Então ligo para Layla que era esposa de Carlos e eles eram nossos amigos desde à faculdade.
- Larisse? - Rita fala assim que atende.
- Layla, você sabe do Rafael? Ou Carlos sabe? Cheguei de viagem e ele sumiu - Falo desesperada no telefone tentando entender tudo que está acontecendo.
- Você não sabe ainda de nada Larisse? - Ela fala me olhando.
- O que aconteceu? Do que você está falando? - Pergunto olhando para clínica vazia e deixando algumas lágrimas descer.
- Rafael deve ter fugido, o rosto de vocês dois estão estampados em todos os lugares na Internet e nos noticiários. - Arregalo os olhos.
- Espera! - Digo tendo um ataque - O que você está falando? Rosto na internet, noticiários? Lucas fugiu?
- Sim! Desde hoje de manhã. - Ela fala no celular - Onde você está? Estou indo para aí.
- Na clínica. - Falo desligando o celular e começo a entrar na Internet.
Entro no Instagram e eu tinha milhões de seguidores e muitas mensagens me xingando, começo a procurar por notícias e quando ia abrir uma delas, alguém abre a porta e eu olho para trás vendo vários policiais.
- Larisse Silveira Martins? - O policial pergunta.
- Sim, sou eu. - Falo com o celular na mão.
- Temos uma denúncia de que você e o seu marido estão vendendo Embriões de pacientes para fora do país. - Arregalo os olhos para ele. - Você sabe do paradeiro do seu marido Rafael Martins?
- Cheguei de viagem agora, não estou entendendo nada! - Digo sem entender mesmo.
- Por favor, me acompanhe para esclarecimentos - Ele fala me olhando e Layla chega na porta.
Encaro todos, encaro a clínica e começa a passar tudo que a Layla falou, o policial e pego o celular lendo a notícia ali escrita. Vejo tudo escuro e desmaio.
(..)
Abro os olhos e estou na delegacia.
- A senhora está se sentindo melhor? - Um policial pergunta e eu encaro ele e encaro o lugar que eu estava.
Larisse narrando
O policial me leva até uma sala à onde tinha dois homens conversando e um sentado na frente de um computador.
- Larissa Silveira Martins - Ele diz para os dois homens que me encara.
- Eu estou acompanhando ela. - Escuto a voz do Carlos
- Quem o senhor é? - Um dos homens que conversava na sala se aproxima de mim e de Carlos.
- Carlos Andrade , advogado dela. - Ele mostra a carteira da OAB ..
- Pode entrar. - Ele fala.
O policial me direciona até uma cadeira e Carlos se senta ao meu lado.
- Porque eu estou aqui? Porque estou sendo presa? - Eu pergunto para Carlos. - Cadê o Rafael? Porque ele sumiu? Porque a clínica está vazia?
- Calma Larisse. Você precisa manter à calma. - Carlos fala tentando me acalmar.
- Vou ficar calma, como? Se estou presa. - Eu falo para ele.
- Você não está presa, está apenas prestando esclarecimentos - A voz do mesmo homem que falou com Carlos soa e eu encaro ele. - Meu nome é Investigador Mateus Pedroso, e esse é o delegado João Carlos Gomes. Vamos fazer algumas perguntas para você sobre as denúncias que recebemos e que está em todo lugar nesse momento.
- Eu não consigo entender oque está acontecendo. - Eu falo para eles. - Eu estava em uma conferência durante uma semana e quando chego, meu marido sumiu, tudo sumiu e eu sou trazida para uma delegacia.
- Eu peço que a senhora fique calma. - O delegado fala. - Sua clínica foi denunciada por crime de falsificação de documentos e venda ilegal de embrião e óvulos. - Eu arregalo os olhos para ele. - Foram mais de 300 casos denunciados, com os acontecimentos durante 3 anos. A senhora tem noção disso?
- Eu não sei do que você está falando. Isso não pode ser verdade , nenhum embrião ou ovulo saiu da minha clinica para qualquer outro lugar que não fosse para as pacientes. - Eu falo para eles.
- Não é oque isso diz. - Ele fala me mostrando alguns papéis. - Papéis assinados pela senhora - Ele aponta a assinatura. - Essa é a sua assinatura, não é? - eu olho para os papéis e vejo que era minha assinatura.
- Sim, é. - Eu falo para ele.
- Como a senhora me explica ter à sua assinatura na liberação dos óvulos e Embriões e nos contratos de venda e você não saber de nada? - Ele me pergunta.
- A maioria dos papéis Rafael me entregava e eu nunca parei para ler eles. Ele cuidava da parte da contabilidade e como a gente é sócios, eu precisava assinar todos os papeis também. - Eu falo para ele.
- E você tem noção do paradeiro do seu marido?- Ele pergunta.
- Eu não faço ideia. Como disse, eu estava em São Paulo para uma conferência que ele marcou de uma semana. Eu perdi o contato com ele ontem à noite e quando eu cheguei não tinha mais nada, minha casa está vazia, a clínica e às minhas contas bancárias também. - Eu falo para ele.
- Além dessas denúncias, recebemos denúncia de pacientes que relataram abuso sexual durante os procedimentos. Mais de uma - O detetive falou. - A senhora tem consciência disso?
- Não. - Eu falo entrando em pânico. - Eu juro que não acontecia nada dentro da clinica.
- A senhora garante pela parte do seu marido também? - O delegado pergunta.
- Eu não sei. - Eu falo lentamente e paralisando com meus pensamentos.
- A gente vai pedir a sua colaboração em entregar todos os seus eletrônicos - O detetive fala. - Seu celular, Tablet e notebook que você tiver com você. Os que estava na clínica já foram todos pegos para análise.
Eu fecho os olhos e não conseguia acreditar que eu estou passando por um momento assim. Parecia um pesadelo, eu abro e fecho os olhos várias vezes para acordar desse pesadelo, mas percebo que era realidade mesmo.
- Senhorita Larisse? - O detetive pergunta e eu abro os olhos encarando ele.
- Larisse, é melhor você entregar. - Carlos fala.
- Claro. - Eu falo abrindo minha bolsa e entregando meu Tablet e celular. - Eu não tenho notebook comigo, apenas esses dois aparelhos.
- Vamos enviar para a investigação e vamos continuar investigando. A Partir de agora você será denunciada para o ministério e assim que a investigação finalizar ocorrerá um julgamento e você também irá receber uma carta do órgão de medicina. - O detetive fala.
- Eu vou ter que ficar presa até lá? - Eu pergunto nervosa.
- Não. - O delegado fala. - Você irá ficar em liberdade e à disposição da polícia para qualquer dúvida e esclarecimento.
- claro. - eu falo. - Sobre Rafael, vocês não sabe de nada dele? Para onde ele foi? Nada?
- Estamos atrás, assim que a gente tiver alguma novidade , entraremos em contato. Pedimos que você evite exposicao até porque a mídia irá cair em cima. - O detetive fala e eu assinro com a cabeça. - tem alguns policiais disponível para fazer a sua segurança até o trajeto do carro.
Eu encaro ele tentando entender oque ele diz. Quando íamos sair para fora da delegacia , Carlos me orienta.
- Coloca a jaqueta na sua cabeça. - ele fala me entregando e eu encaro ele. - Agora Larisse. - Eu faço.
E vou olhando por baixo quando saímos os policiais fazem a segurança em volta de nós e guia a gente até o carro. Tinha muitos repórter e todos queriam falar comigo, flash e mais flash de câmeras. Entro dentro do carro e o carro é rodeado por eles.
- Meu Deus. - Eu falo vendo tudo aquilo. Levanto meu rosto e fecho os olhos com vários flash na cara.
- continua abaixada. - Carlos fala. - Eles não vão te deixar em paz .
Eu baixo minha cabeça e lágrimas desce pelo meu rosto.