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Rainha velada dos leilões: disputando o coração da ex-esposa

Rainha velada dos leilões: disputando o coração da ex-esposa

Autor:: Whispering Pages
Gênero: Moderno
Enquanto Emilia chorava no funeral de sua mãe, seu marido Daniel celebrava o aniversário de sua primeira paixão. Com o coração partido, ela deixou os papéis do divórcio e saiu. Cinco anos depois, em um leilão, uma enigmática leiloeira de véu encantou a plateia - diziam que alguém já ofereceu milhões só para ver seu rosto. Daniel finalmente encontrou a mulher que procurava há anos e a encurralou. "Ainda tentando escapar?" "Estamos divorciados. Me deixe em paz." "Eu nunca aceitei o divórcio. E as minhas crianças?" "Fiz um aborto há cinco anos." "Então explique isso", retrucou ele, apontando para três crianças fofas.

Capítulo 1 Para interromper a gravidez

"Emilia, a missa está prestes a se iniciar. Daniel ainda não chegou?", alguém perguntou.

Com um vestido preto discreto, Emilia Moore estava sentada ao lado do caixão da sua mãe na igreja. As luzes intensas do teto iluminavam seu rosto já pálido, lhe dando um brilho sombrio.

Ela olhou para o celular, que estava quase sem bateria, e viu que a ligação que fizera para Daniel Wright, seu marido nos últimos três anos, continuava sem resposta.

Com a perda da sua mãe, Emilia - agora grávida de sete meses - passou a última semana organizando cada detalhe do funeral sozinha. Seu marido não apareceu nenhuma vez.

O trabalho sempre o ocupava, e ela sempre tentava ser paciente e compreensiva com essa situação.

Na tentativa de acreditar nele, ela continuava se convencendo de que ele devia estar sobrecarregado de obrigações.

"Ele deve estar ocupado. Provavelmente não poderá vir", ela sussurrou enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto. Após dizer isso, ela se levantou lentamente, mesmo com o peso da sua barriga inchada, e disse com uma voz rouca e trêmula: "Vamos começar a missa."

Ao lado, sua tia, Lynda Moore, disse num tom de desprezo: "Emilia, o quão ocupado Daniel poderia estar? Já faz uma semana e ele não apareceu nenhuma vez. É como se sua mãe não significasse absolutamente nada para ele."

Kimberly Moore, filha de Lynda, soltou uma risada zombeteira. "Mãe, está errada. Não é que ele não se importe com a mãe dela - ele não se importa com ela. E o bebê que ela está carregando? Obviamente, também não."

As risadas cruéis da mãe e filha atingiram Emilia em cheio, e uma amargura tomou conta do seu peito, mas ela insistiu em se lembrar de que Daniel sempre cumpria suas responsabilidades como marido e nunca deixaria de comparecer a algo assim intencionalmente, então ele devia estar realmente atolado de trabalho.

Quando ela mal havia se convencido dessa explicação, a verdade a atingiu como um golpe repentino.

Kimberly olhou para o celular e exclamou: "Espere aí... esse não é Daniel? Ele está nas notícias agora!"

Imediatamente, ela virou o celular para Emilia, que baixou os olhos para a tela.

Um vídeo que havia começado a circular na internet nessa manhã, embora tivesse sido gravado na noite anterior.

O título dizia: "Daniel Wright dá tudo de si para o aniversário de Isabel Hayes."

No vídeo, fogos de artifício deslumbrantes explodiam no céu escuro enquanto um homem estava sentado calmamente numa cadeira, sério e imponente, com seu olhar profundo pousado na jovem ao seu lado, que apontava para os fogos com um sorriso radiante.

Embora os fogos de artifício iluminassem o céu brilhantemente, os olhos de Emilia estavam fixos no homem, que ela reconheceu imediatamente como Daniel, seu marido.

O choque e a humilhação a invadiram quando ela percebeu que ele havia passado a noite anterior celebrando o aniversário de outra mulher sob aqueles fogos de artifício deslumbrantes.

Por um longo momento, sua mente se esvaziou completamente. Seu corpo inteiro se enrijeceu, a deixando imóvel.

Os fogos de artifício continuavam a explodir no vídeo, enquanto a voz zombeteira de Kimberly ecoava ao seu lado: "Emilia, você não disse que seu marido estava ocupado? Ah, ele está ocupado sim, ocupado alugando um espaço inteiro para comemorar o aniversário de outra mulher!"

As mãos de Emilia se fecharam em punhos enquanto a imagem de Daniel organizando um espetáculo de fogos de artifício tão magnífico para outra pessoa passava pela sua mente.

Durante todo esse tempo, ela acreditava que ele estava apenas ocupado com o trabalho.

Mesmo afogada em tristeza após perder sua mãe, ela cuidou de tudo sozinha, sem pedir ajuda a ele.

Durante uma semana inteira, ele não atendeu às suas ligações e não apareceu para a organização do funeral, mas de alguma forma, ele conseguiu tempo para reservar um espaço inteiro e lançar fogos de artifício para a comemoração de outra mulher. Essa cruel ironia a atingiu em cheio.

A mulher no vídeo era Isabel Hayes, o primeiro amor de Daniel e a pessoa que realmente conquistou seu coração.

Emilia havia se casado com ele apenas porque o avô dele, Danny Wright, insistiu nisso, como uma forma de agradecer ao seu pai por ter salvado sua vida.

Durante os três anos de casamento, ela sabia muito bem que Daniel não a amava, por isso, nunca o incomodava com seus problemas ou pedia algo a mais dele.

Ele sempre era distante e nada romântico, indiferente aos feriados e completamente dedicado ao seu trabalho. Só agora ela se deu conta de que ele sabia ser romântico, mas simplesmente optou por nunca demonstrar isso a ela. Com uma exibição espetacular de fogos de artifício, ele a havia transformado na maior piada de todas.

Emilia cerrou os dentes, forçando a dor a diminuir, e desviou o olhar do celular. Ela não podia desmoronar, pelo menos não agora. O funeral da sua mãe era a prioridade, e ela tinha que passar por isso.

Endireitando-se com esforço, ela ignorou os olhares de zombaria ao seu redor e caminhou lentamente em direção ao caixão da sua mãe.

O último desejo da sua mãe havia sido ver Daniel mais uma vez.

Naquele momento, ela havia ligado para ele várias vezes, mas não obtivera resposta, e agora ela suspeitava que ele provavelmente estivera com Isabel.

Sua mãe sempre desejava que ela e Daniel vivessem felizes juntos para o resto das suas vidas, mas agora Emilia sentia que esse sonho talvez nunca se tornasse realidade.

Quando o funeral terminou e todos os parentes e amigos foram embora, ela se sentou sozinha numa cadeira no salão da igreja.

Finalmente, Daniel chegou, vestido de preto, seu rosto impressionante e inexpressivo enquanto seu olhar pousava em Emilia antes de percorrer brevemente o salão silencioso. Pela primeira vez, um leve arrependimento surgiu na sua expressão geralmente indecifrável.

Com uma mão repousada sobre sua barriga inchada, Emilia olhou para ele e, nesse instante, toda a dor que ela havia guardado dentro de si surgiu violentamente.

Respirando fundo, ela conteve a amargura que a consumia e manteve uma expressão vazia ao perguntar calmamente: "Terminou o trabalho?"

Daniel não percebeu a dor escondida nas palavras dela. "Fiquei preso em reuniões o dia todo."

"E ontem à noite? Gostou da festa de aniversário?" Emilia perguntou num tom ríspido.

As sobrancelhas de Daniel se franziram. Antes que ele pudesse responder, uma mulher com um vestido vermelho e o casaco dele sobre os ombros entrou na sala - Isabel havia o seguido até lá.

Diante da outra mulher, a expressão de Emilia ficou ainda mais fria.

"Emilia, me desculpe. Daniel ficou comigo ontem à noite. Minha mãe ficou doente há alguns dias e ele não quis que eu lidasse com tudo sozinha, então ficou para ajudar. Foi por isso que ele não atendeu suas ligações. A culpa foi minha. Eu não deveria tê-lo incomodado", explicou Isabel num tom suave.

A amargura inundou o peito de Emilia. "Sua mãe ficou doente?"

"Não muito. Só um resfriado e uma febre leve. Ela já está quase totalmente recuperada", respondeu Isabel.

Uma dor profunda se apossou do coração de Emilia e, embora ela lutasse para se conter, a vermelhidão nos seus olhos e o leve tremor nos seus lábios revelavam suas emoções.

Ao ver isso, Daniel franziu a testa ainda mais. Quando soube da morte da mãe de Emilia, ele estava no meio de uma reunião importante e, quando a reunião terminou e ele pretendia ir ao funeral, Isabel acabou tendo um problema. Assim, com um assunto atrás do outro exigindo sua atenção, ele acabou se esquecendo completamente de Emilia.

Agora, ele sentia um leve remorso por ela.

Ele começou a caminhar em direção à foto da mãe de Emilia, como se fosse prestar uma última homenagem, mas ela o segurou pelo braço e o impediu. "Não precisa. A mãe dela é mais importante. Fique com ela e cuide da mãe dela."

Daniel congelou no lugar.

Emilia não aguentou mais ficar nesse lugar, então se levantou lentamente do banco e se preparou para ir embora.

Ela não chorou, pois se recusava a desperdiçar lágrimas com alguém que não as merecia.

Enquanto Daniel a observava se afastar lentamente e com dificuldade devido aos sete meses de gravidez, algo se apertou no seu peito.

Isabel chorara e em pânico só porque sua mãe havia pegado uma doença simples, mas Emilia enfrentara a morte da sua mãe completamente sozinha.

"Onde está indo? Você não deveria andar assim. Não se esqueça de que está grávida", Daniel a chamou, tentando impedi-la.

Os lábios de Emilia se curvaram num sorriso amargo, pensando sarcasticamente que ele só se lembrou da sua gravidez agora.

Ela tinha certeza de que ele não se importava nem com ela, nem com o filho que ela carregava, já que ele havia deixado sua esposa grávida sozinha para cuidar da mãe de outra mulher.

Baixando o olhar para sua barriga, em meio à tempestade de dor dentro de si, ela pareceu tomar uma decisão silenciosa enquanto acelerava o passo em direção ao elevador.

Daniel sentiu seu coração se apertar e foi atrás dela, mas Isabel de repente segurou seu braço. "Ela acabou de perder a mãe. Talvez devêssemos deixá-la um pouco sozinha."

Daniel a encarou com uma expressão carrancuda, soltou seu braço e respondeu friamente: "Ela não está bem agora. Pode acabar fazendo alguma besteira. Vá para casa sozinha."

Quando Daniel saiu do prédio, Emilia já havia desaparecido.

Ele observou a rua movimentada à frente, depois pegou seu celular e discou um número. "Rastreie o celular de Emilia e encontre a localização dela imediatamente."

Enquanto ele falava, um leve sinal de preocupação surgiu na sua expressão calma.

Uma hora depois, seu assistente ligou. "Senhor, sua esposa está no hospital."

"Por que ela está lá?" Daniel indagou, com a voz tensa.

O assistente fez uma pausa antes de responder: "Ela... ela foi lá para interromper a gravidez. E já procurou um advogado. Os documentos do divórcio estão prontos e ela os assinou."

Só de ouvir isso, todos os pensamentos se esvaíram da mente de Daniel, e seus olhos se arregalaram em total incredulidade.

Capítulo 2 Adivinhe quem nós três vimos hoje

Cinco anos depois, em Klicta, o grande salão da casa de leilões mais prestigiada do país estava lotado de elites sociais e figuras públicas.

No palco, estava uma mulher de branco, a leiloeira, com o cabelo impecavelmente arrumado e um véu fino cobrindo seu rosto. Embora suas feições estivessem escondidas, sua elegância era inconfundível e cada movimento seu chamava a atenção de todos no local.

Com calma e compostura, ela apresentou o lote num klictan (idioma de Klicta) fluente. Assim que ela terminou, os licitantes iniciaram uma disputa acirrada.

Com o martelo na mão, ela conduziu todo o leilão com uma autoridade natural, seus olhos claros e radiantes percorrendo o salão.

Enquanto isso, Daniel observava tudo em silêncio da varanda no segundo andar. Inclinando a cabeça um pouco, ele olhou para a leiloeira novamente. "Então essa é a pessoa que o vovô insistiu em conhecer?"

Archie Chapman, seu assistente, lhe entregou uma pasta. "Sim. O nome dela é Amelia Morgan. Ela começou a trabalhar nesta casa de leilões há cinco anos, e no seu primeiro leilão, vendeu uma pintura antiga avaliada em 1 milhão de dólares por 60 milhões, o que representou sessenta vezes o preço inicial, a tornando famosa."

Daniel estreitou os olhos ligeiramente. "Ela sempre usa esse véu?"

Archie parou por um momento para refletir sobre a pergunta. "Sim. Certa vez, ouvi dizer que alguém ofereceu 10 milhões só para ela tirá-lo, mas ela recusou. As pessoas dizem que ela deve ser muito feia, já que está tão determinada a esconder o rosto."

Daniel apagou o cigarro no cinzeiro e continuou a observá-la em silêncio. "Ela tem olhos lindos."

Ele tinha certeza de que alguém com olhos assim não poderia ser feia.

Além disso, aqueles olhos o lembravam de Emilia, a mulher que, há cinco anos, havia deixado os papéis do divórcio, abortado secretamente e desaparecido sem deixar o menor vestígio.

"Traga ela para mim", disse Daniel enquanto se levantava.

Após dar alguns passos, ele parou e se virou para Archie. "Já se passaram cinco anos e você ainda não encontrou nada sobre Emilia?"

A expressão de Archie se enrijeceu em apreensão.

As pessoas costumavam dizer que ninguém poderia desaparecer sem deixar algum rastro, mas Emilia fez exatamente isso e, nesses cinco anos, nenhuma pista sobre ela surgiu.

Frustrado, Daniel suspirou. "Continue procurando."

Para ele, Emilia havia sido impiedosa ao se divorciar dele, abortar e cortar todos os caminhos que ele poderia usar para encontrá-la.

Ninguém sabia que Daniel, o CEO do Grupo Wright, havia sido quem recebeu o acordo de divórcio, nem sabia que, nos últimos cinco anos, ele havia procurado desesperadamente pela mulher que o havia deixado.

Ele pretendia encontrá-la, pois queria perguntar qual foi o erro imperdoável que ele cometeu para merecer tanta crueldade.

Quando Daniel se afastou, Archie permaneceu parado ali, tenso enquanto o suor frio escorria pelas suas costas. Ele havia procurado Emilia em todos os lugares, mas não encontrou nada.

Tentar localizar alguém que estava desaparecido há cinco anos era como procurar uma agulha no palheiro.

Oprimido pela frustração, Archie murmurou para si: "Onde diabos você está?"

Por fim, o leilão foi concluído. Amelia fez uma reverência graciosa antes de descer do pódio.

Cinco anos atrás, Emilia chegou em Klicta e começou a trabalhar numa casa de leilões sob o nome de Amelia Morgan. Para evitar problemas desnecessários, ela sempre mantinha o rosto escondido sob um véu quando trabalhava.

Após descer do pódio, ela caminhou de volta para seu escritório.

Nesse momento, uma garotinha alegre correu na sua direção com os braços abertos e se agarrou à sua perna. "Mamãe!", ela chamou animadamente.

Emilia ergueu o véu, revelando um rosto delicado de beleza impressionante. Abaixando-se, ela pegou sua filha, Olivia Moore, e lhe deu um beijo carinhoso na bochecha. "Está esperando aqui há muito tempo, querida? Onde estão seus irmãos?"

Olivia cerrou seus punhos pequenos e ergueu o queixo com irritação. "Eles foram brincar lá fora!"

"Eles não te levaram juntos?", Emilia perguntou.

"Eles disseram que estão brincando de coisas de meninos e que não posso participar", respondeu Olivia.

Emilia soltou um suspiro discreto, entendendo perfeitamente que seus dois filhos só queriam brincar sozinhos, sem que Olivia os acompanhasse.

Naquela época, arrasada pela decepção amorosa, Emilia havia planejado interromper a gravidez. No entanto, quando ela finalmente estava do lado de fora da sala de cirurgia, percebeu que não conseguiria fazer isso. No fim, decidiu ficar com os bebês.

Dois meses após se instalar em Klicta, ela deu à luz três filhos: dois meninos e uma menina. Eles eram Leo Moore, o mais velho, Asher Moore, o segundo filho, e Olivia, a mais nova.

Leo era calmo e confiável, Asher era enérgico e travesso, e Olivia era a mais gentil e doce dos três.

Segurando a adorável garotinha nos braços, Emilia se sentiu profundamente grata pela escolha que havia feito anos atrás.

"Mamãe, adivinhe quem nós três vimos hoje?", Olivia perguntou de repente.

"E quem viram?", Emilia perguntou suavemente.

"Meu pai terrível", respondeu Olivia.

A menina falou alto, mas Emilia não ouviu as palavras com clareza.

"O que você disse que viu, Olivia?", ela perguntou.

"Vimos nosso pai, o cara da TV! O nome dele é... hum... Daniel. Ele é um homem mau. Um homem muito, muito assustador", disse Olivia enquanto balançava as mãos.

Quando Emilia ouviu essas palavras, uma dor aguda surgiu no seu peito.

Nos últimos anos, o nome de Daniel era raramente mencionado perto dela.

Por um tempo, ela quase se esqueceu de que ele sequer existia.

Ouvir Olivia falar esse nome agora despertou velhas lembranças, deixando um gosto amargo no seu coração.

Daniel estava em Klicta?

No entanto, como seus filhos só sabiam que o nome do pai era Daniel Wright e o viram na televisão algumas vezes, ela presumiu que eles deviam ter confundido outra pessoa.

"Você deve ter confundido alguém com ele, querida. Ele não viria aqui", disse Emilia.

"Mas...", Olivia começou.

Nesse momento, duas batidas na porta a interromperam.

"Quem é?", Emilia perguntou.

"Amelia, está ocupada aí? O gerente quer que você vá ao escritório dele agora mesmo. Ele disse que você deve se apressar. Uma cliente muito importante pediu para te ver", respondeu uma voz do lado de fora.

Emilia se perguntou quem poderia ser essa suposta cliente importante.

Embora a casa de leilões recebesse clientes ricos regularmente, era raro o gerente demonstrar tanta urgência e deferência a alguém.

Esse pensamento a deixou um pouco curiosa sobre o quão importante a visitante realmente era.

"Estou livre agora. Vou para lá imediatamente", ela respondeu.

"Mas eu realmente vi o pai", murmurou Olivia, suas pequenas sobrancelhas se franzindo.

Emilia se virou para a garotinha, que piscou seus olhos grandes e lacrimejantes antes de perguntar com uma voz levemente desapontada: "Vai voltar a trabalhar de novo, mamãe?"

Conduzindo Olivia gentilmente até o sofá, Emilia falou com um tom de desculpas: "Fique aqui um pouco, querida. Voltarei em breve, está bem?"

Olivia queria que sua mãe ficasse com ela, mas sabia que não poderia impedi-la de voltar ao trabalho. Ela sempre era uma menina muito obediente.

"Tudo bem, mamãe. Vou esperar por você aqui."

Emilia se inclinou para beijar a bochecha dela novamente, colocou um pedaço de pão nas suas mãos e disse: "Coma isso por enquanto. Depois, levarei você e seus irmãos para um jantar delicioso, está bem?"

"Está bem", respondeu Olivia obedientemente.

Com um sorriso suave, Emilia abaixou o véu sobre o rosto mais uma vez e saiu da sala.

Segurando o pão com força nas duas mãos, Olivia correu até a porta e espiou silenciosamente para fora.

Sozinha, se sentia extremamente entediada.

Deixando o pão de lado, ela tocou no seu relógio inteligente e enviou uma mensagem de voz para Leo e Asher com seu tom gentil: "Onde vocês estão? Estou indo encontrá-los."

Logo depois, um pino de localização apareceu junto com a resposta de voz deles: "Estacionamento subterrâneo."

No estacionamento subterrâneo, Leo e Asher estavam ao lado de um Maybach preto.

Leo cruzou os braços e lançou um olhar pensativo para Asher. "Tem certeza de que esse carro pertence àquele homem horrível?"

Asher estava ocupado desenhando no carro com canetinhas coloridas.

Quando terminou, ele deu um passo para trás e observou seu trabalho com evidente satisfação. "Tenho certeza. Eu mesmo o vi sair deste carro."

Vendo as palavras tortas rabiscadas no veículo, Leo murmurou baixinho: "Esse homem sem caração abandenou sua esposa e filhos."

Capítulo 3 Diga seu preço

Batendo na testa, Leo olhou para Asher como se não pudesse acreditar no que estava vendo, então disse: "A mamãe sempre te diz para estudar direito e parar de perder tanto tempo com jogos de videogame. Você está viciado nesses jogos, não está? E até escreveu duas palavras erradas!"

"Ah, não se importe com essas besteirinhas", disse Asher, abrindo um sorriso atrevido.

Então, ele desenhou um porco bem exagerado ao lado das palavras e murmurou: "Que homem horrível."

Ele queria que todos soubessem que Daniel, o pai deles, era um verdadeiro canalha.

Embora nunca tivessem visto o pai cara a cara durante todos esses anos, eles já tinham ouvido falar dele e o visto na TV, sorrindo radiante em eventos ao lado de outra mulher.

Por isso, quando o avistaram, eles o reconheceram de imediato.

Emilia nunca queria falar sobre Daniel com as crianças. O que eles sabiam sobre ele vinha, em sua maioria, da melhor amiga dela, Madison Ward, que só lhes contou porque eles não paravam de fazer perguntas.

As crianças sabiam que Emilia os havia levado para morarem sozinhos com ela, porque Daniel havia a magoado profundamente. Para eles, o homem não era digno de ser o marido da mãe, muito menos o pai.

"Leo, Asher! O que estão fazendo?", perguntou Olivia, chegando correndo.

"Shhh!", exclamou Asher, tapando rapidamente a boca de Olivia. "Fale baixo. Estamos fazendo algo errado."

Olivia imediatamente colocou as mãos sobre a boca e assentiu com a cabeça em sinal de que ficaria quieta. Então, ela notou as palavras que Asher havia escrito no Maybach e comentou: "Asher, você escreveu duas palavras erradas."

Asher fez um gesto desajeitado com a mão. "Ah, não se preocupe com essas coisinhas."

Pegando na mão de Olivia, Leo perguntou: "A mamãe já terminou o trabalho?"

"O gerente a chamou no escritório", respondeu Olivia.

Enquanto isso, quando Emilia entrou no escritório do gerente, ele a chamou às pressas, a apresentando à importante cliente. "Amelia, venha aqui conhecer a senhora Wright. Senhora Wright, esta é Amelia Morgan, a leiloeira que você queria ver."

Assim que Emilia ouviu "senhora Wright", ergueu os olhos e franziu a testa levemente.

Para sua surpresa, ela se deparou com Isabel, a mulher que Daniel amava tanto.

As palavras do gerente deixaram claro para Emilia que Isabel, pelo visto, era a esposa de Daniel. No entanto, essa revelação não a chocou, pois ela já imaginava que Daniel se casaria com Isabel assim que o divórcio fosse concluído, considerando o quanto ele a amava.

Naquela época, ela havia se afastado para que Daniel pudesse ficar com Isabel. Ela nunca pensou que a veria novamente, muito menos nessa casa de leilão.

Um leve amargor se instalou no peito de Emilia, e seu semblante se esfriou imediatamente.

Com um visual impecável da cabeça aos pés, Isabel abaixou sua xícara de café e olhou para Amelia - que na verdade era Emilia por trás de um véu - com um desdém evidente nos olhos.

Ela havia ouvido que Amelia, a leiloeira-chefe da casa, tinha um olhar aguçado para autenticação de antiguidades, se tornou famosa após um único leilão lendário e foi divulgada por fofocas na internet como uma espécie de talento milagroso.

Como esperava alguém muito mais impressionante, Isabel ficou irritada ao descobrir que Amelia nem sequer revelaria seu rosto.

Ela também não conseguia entender a urgência de Danny em conhecer Amelia.

Com um bufo frio, ela disse: "Então você é Amelia Morgan. Ouvi dizer que você é mais do que uma leiloeira e que também sabe autenticar antiguidades. Pretendemos te contratar, e você irá conosco para a propriedade Wright em Zloigas por alguns dias para inspecionar algumas antiguidades. Diga seu preço."

Isabel não duvidava que Emilia aceitaria, pois uma oferta como essa não era algo que as pessoas recusavam, especialmente com o nome Wright por trás.

Com uma tranquilidade deliberada, ela ergueu sua xícara de café e tomou um gole, esperando que Amelia a bajulasse.

Por dentro, Emilia soltou uma risada de escárnio. De fato, ela sabia autenticar antiguidades, mas já havia decidido que nunca trabalharia para Isabel ou Daniel.

Ela havia se afastado para mantê-los fora da sua vida, então não havia a menor possibilidade de voltar para Zloigas com Isabel.

"Desculpe, mas sou apenas uma leiloeira. Se precisar de alguém para verificar se as antiguidades são genuínas, terá que pedir a outra pessoa. Não posso te ajudar. Tenho outra coisa para resolver. Preciso ir agora."

Após dizer isso, ela se virou para sair.

Isabel congelou de surpresa, pois ser recusada era a última coisa que ela esperava.

Rapidamente, ela a chamou: "Espere. Você tem ideia de quem eu sou? Pense bem antes de responder."

"Já pensei bem. Minha resposta é não", disse Emilia friamente.

"Qual é o seu problema? Estou te oferecendo dinheiro para ir comigo. Quem é você para dizer não?", Isabel disparou, se levantando e segurando Emilia pelo braço.

Ela precisava levar Emilia com ela, senão Danny não ficaria satisfeito.

Um vinco se formou entre as sobrancelhas de Emilia enquanto seus olhos se desviavam para a mão de Isabel, que ainda segurava seu pulso.

De repente, seus olhos se arregalaram.

No pulso de Isabel, havia uma pulseira de diamantes, cada centímetro coberto por pedras brilhantes, uma obra-prima deslumbrante que valia mais de 100 milhões de dólares. Num instante, Emilia reconheceu que era a joia da sua família.

Sua mãe a colocara nas suas mãos e lhe dissera para guardá-la com cuidado, pois um dia essa joia poderia ser útil, mas ela a deixara na propriedade Wright quando fugira às pressas anos atrás. Ela nunca imaginou que a encontraria agora no pulso de Isabel.

Imediatamente, ela presumiu que Daniel devia ter sido quem a deu a Isabel.

A raiva a invadiu ao pensar que ele havia pegado algo que era dela e entregado a Isabel.

Emilia torceu a mão e segurou o pulso de Isabel, perguntando em voz baixa e pesada: "Essa pulseira é sua?"

Isabel lançou um olhar irritado para Emilia. "Claro que é minha. Meu marido me deu. Não é como se ela pudesse ser sua."

Essa resposta confirmou a suspeita de Emilia. Daniel sabia perfeitamente que a pulseira era dela, mas mesmo assim a deu a Isabel!

Uma dor aguda atravessou o peito de Emilia, que o xingou mentalmente por ser o pior tipo de canalha ao entregar a joia da sua ex-esposa para a nova esposa sem o menor sinal de culpa.

"Solte." De repente, uma voz fria e autoritária ecoou.

Emilia ergueu os olhos e viu um homem parado na porta, cujo olhar era sombrio e penetrante.

Ele era alto e tinha ombros largos, com uma postura ereta como uma lâmina e um rosto tão bonito que era impossível ignorar. Mesmo em silêncio, carregava a presença avassaladora de um homem acostumado ao poder.

As mãos de Emilia se cerraram.

Era Daniel.

O choque a atingiu quando ela percebeu que Olivia não estava enganada.

Uma onda de frustração a invadiu por não ter previsto a presença dele, mas dado o amor intenso entre ele e Isabel, era óbvio que ele estaria ao lado dela.

Em nenhum momento nos cinco anos desde sua partida, Emilia imaginou que veria Daniel novamente. Ela também não queria vê-lo, pois havia algo que ela temia.

Se Daniel descobrisse que ela havia dado à luz três filhos, com certeza os tiraria dela. Uma família tão poderosa como os Wright jamais permitiria que filhos do seu sangue permanecessem fora da família.

Essas crianças eram o mundo inteiro de Emilia, que nunca arriscaria nem a menor possibilidade de perdê-las. Foi por isso que ela se escondeu atrás de um véu durante todos esses anos e ficou atenta a cada momento.

Enquanto Emilia cerrava os punhos com mais força, o olhar de Daniel permanecia fixo nela, como se ele estivesse tentando ver através do véu fino e descobrir seu rosto.

O coração de Emilia só acelerava.

Isabel puxou seu pulso da mão de Emilia e imediatamente suavizou seu comportamento, dizendo num tom gentil: "Daniel, já falei com a senhorita Morgan, mas ela se recusa terminantemente a voltar conosco. Parece que ela não nos considera muito."

Por dentro, ela deu um sorriso de escárnio silencioso, pensando que qualquer um que fosse ousado o suficiente para demonstrar desprezo pela família Wright estava simplesmente pedindo para arranjar problemas.

Com isso em mente, ela ergueu o queixo com orgulho.

Daniel fixou seu olhar frio em Emilia e disse: "Diga seu preço."

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