SETE ANOS ANTES...
Naquela noite eu a beijei com uma intensidade enlouquecedora. Quanto mais a beijava, mais a queria e mais a possuía. Yaides tinha um poder sobrenatural sobre mim, que me puxava mais para ela e me atraía de uma forma que me tirava as forças. Olhei para baixo e a vi em seu melhor momento. Ela respirava com dificuldade e gemia baixinho, enquanto as suas unhas se aprofundavam em minha pele. Fui arrebatado por aquela linda visão e no segundo seguinte, me entreguei ao seu prazer, mergulhando nas mais profundas águas revoltosas, me derramando inteiro dentro dela.
- Está decidido - disse ainda ofegante. - Ficaremos juntos em Massachusetts e só voltaremos de lá formados e casados - Inclinei-me para deixar um beijo casto em sua boca e a puxei para os meus braços. Yaides se aconchegou em meu peito e eu pude sentir que ela sorria contra a minha pele.
- Sim. - Ela disse, passando as pontas dos dedos suavemente pelo meu peitoral. Ela ergueu a sua cabeça e me olhou com um sorriso de boca fechada, mas ainda assim, era um lindo sorriso. - Eu te amo, David Lacerda! - sussurrou, e ouvir essas palavras saindo da sua boca me preencheu de uma forma avassaladora.
- Eu te amo, Yaides Miller!
***
NOTAS DO AUTOR:
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DIAS ATUAIS...
- Cara, você precisa ver a novata do RH. - Caio Alcântara, meu primo e sócio diz entrando na minha sala, sem ao menos bater na porta. Ergo minha cabeça a cima da tela do computador e encaro o rosto sorridente do homem vestido de maneira informal. - Loira, alta e aqueles olhos verdes? Deus do céu! - O carinha se senta na cadeira de frente para a minha mesa e eu me afasto da mesma, encostando-me na cadeira e começo a gira-la lentamente de um lado para o outro, sem tirar os meus olhos de cima dessa figura.
- Você não devia estar em uma reunião agora? - Ignoro o seu comentário sobre a nossa funcionária e incomodado, ele revira os olhos para mim. Eu adoro o meu primo! Sempre fomos melhores amigos, mesmo com uma diferença de idade grande. Caio sempre foi um garoto esperto demais para a sua idade e a única coisa que me incomoda nele, é esse seu comportamento e a sua vida promíscua movida de farras e de mulheres que frequentam o nosso apartamento todas as noites.
- Relaxa cara, ainda tenho meia hora livre. - Ele ralha. Franzo a testa para o seu segundo comentário do dia. - Abriu o seu e-mail hoje? - pergunta, mudando completamente de assunto.
- Não sei se percebeu, mas estou trabalhando nele agora - rebato com um sarcasmo que o faz sorrir e me mostra seu dedo do meio.
- Estou falando do seu e-mail pessoal, ôh, ignorante! - rebate com humor. Não seguro uma boa gargalhada.
- Você sabe que faz tempo que não o abro. O que teria de interessante lá para mim? - questiono. Ele dá de ombros.
- Um convite, David Lacerda. Na verdade é O CONVITE. Turma de 98, lembra? - Bufo em resposta.
- Isso é perda de tempo, Caio. Não pretendo voltar ao Brasil só por causa de uma festa besta, com ex alunos que mal vão se lembrar de mim - resmungo com desdém.
- Sabe o que eu penso sobre isso? Acho que você está com medo de voltar. - Arqueio as sobrancelhas para ele.
- Medo, de quê, idiota? - Tento brincar com o rumo dessa conversa sem cabimento, mas ele percebe a minha inquietude.
- Não sei, me diga você. Desde que chegamos aqui, você tem evitado alguns contatos. Mudou o número do telefone, não mexeu mais em seu e-mail e ainda tem esse fato de evitar ir ao Brasil. - Encaro o meu primo em silêncio por uma questão de segundos e após respirar fundo, me ajeito na cadeira e rebato com um tom áspero pra ele.
- Talvez você tenha razão, Caio. Mas, quer saber? Isso não é da sua conta e eu acho que a sua reunião já está pra começar - rosno com um tom seco demais.
- Uou! Quanta hostilidade, meu caro primo! Não queria tocar em sua ferida, mas se doeu é porque tem caroço angu. Só quero que saiba que se você não consertar seja lá o que deixou para trás, isso ainda vai doer muito com o passar do tempo.
- O que você sabe da vida, pirralho? - ralho hostil. - Agora me deixe trabalhar - resmungo, enfiando a cara na tela do computador e aguardo que ele saia da minha sala, para que eu possa enfim respirar aliviado.
Escuto o som da porta se fechando e me afasto do computador, respirando fundo e levando as mãos ao rosto e esfrego, e quando as tiro, volto a mexer no teclado. Curioso, abro o meu e-mail pessoal e encontro nele apenas uma mensagem dela e outras de Júlio Dantas, um amigo do colegial. Com meu coração batendo descompassado, passo o mouse em cima da mensagem de Yaides e penso em abri-la, mas a coragem me falta. Então, abro a mensagem seguinte.
Um flash de luz se abre na tela e em seguida um envelope negro surge, se abrindo e revelando um convite com a foto da turma reunida com trajes de formandos. Suspiro quando os meus olhos pararam na imagem que tem me perseguido por anos em meus sonhos. Yaides Velásquez era uma garota especial para mim e tínhamos muita coisa em comum. Para começo de história, ela foi adotada, assim como eu e foi trazida pelos Velásquez para morar no Brasil. Tinha também os nossos gostos por filmes, músicas e alguns assuntos. Éramos muito parecidos. Eu realmente não entendo o que deu errado. Em uma noite havíamos feito planos e no dia seguinte, ela me deixou.
Irritado com esses pensamentos, fecho o e-mail, sem ao menos confirmar a minha presença no evento. O telefone começa a tocar em cima da minha mesa e eu observo o ramal verde piscando. Aperto o botão e o atendo.
- Senhor Lacerda, os documentos da compra do restaurante já chegaram. Gostaria de analisá-los agora? - Judith, minha secretária pergunta ao telefone.
- Claro Judith, pode trazê-los.
Quando criança aprendi muito com o meu pai sobre tecnologia e empreendimentos, e o curso de Administração de Empresas e Economia só me fizeram ampliar os meus horizontes. Junto com o Caio criamos o nosso primeiro protótipo de nano chips e este fez o maior sucesso. Com a venda do nosso primeiro projeto, abrimos a nossa empresa, a D.C. Technological Developments. Uma empresa que compra empresas a beira da falência e as erguemos novamente, lucrando absurdos em dinheiro. Você deve estar se perguntando, porque Kevin Lacerda ou Luís Renato Alcântara _ nossos pais, não nos ajudaram no início de tudo? Eles até tentaram, mas acredite, não seria nosso de verdade se começássemos com o dinheiro dos nossos pais.
- Aqui está, senhor Lacerda. - Judith diz entrando na minha sala, depois de bater levemente na porta. Ela me estende uma pasta de papel verde e eu a seguro, esperando que ela me deixe a sós.
- Obrigado, Judith! - A bela e jovem morena, de cabelos escuros e ondulados me abre um sorriso profissional e sai, fechando a porta atrás de si.
Tento me concentrar no documento e em suas cláusulas. O restaurante que compramos já foi um cinco estrelas nos anos 80 e teve a sua brilhantina. Mas bastou um erro do seu herdeiro, para levá-lo a essa posição fracassada. Sem alternativas, o jovem empreendedor teve que vendê-lo ou perderia tudo e a D.C não perdeu tempo. Com algumas reformas e uma nova decoração, levaremos essa nova empresa ao auge.
Após enfrentar uma reunião de pelo menos duas horas, estou exausto, mas sei que nem esse cansaço poderá aplacar a dor que oprime o meu peito ao longo desses anos. Sim, apesar de toda a minha força de vontade, de toda a minha luta interna, não sou capaz de esquecer um grande amor do passado. Yaides Velásquez ainda não sabe e talvez nunca ela saberá, mas quando optou por ficar no Brasil com a pessoa que eu mais admirava nesse mundo, esqueceu de me devolver o meu coração e por esse motivo, não tenho a capacidade de amar outra mulher, e não sei se um dia serei capaz de amar outra vez.
Entro em minha sala e encaro o céu escuro através dos janelões de vidro transparente, depois sigo direto para a minha mesa, pego o meu terno que está apoiado no encosto da cadeira, o meu celular e as chaves dentro de uma gaveta e saio da sala em seguida.
***
NOTAS DO AUTOR:
Olha eu aqui com mais uma história apaixonante para vocês. Se vocês amaram o livro SEMPRE JUNTOS, pode ter certeza que vão amar a história maravilhosa do filho de Lilian & Kevin.
Ah, não esquece, tá? Coloca esse livro na sua biblioteca, deixe a sua avaliação e os seus comentários também. Você sabe, essas pequenas atitudes ajuda o livro a crescer na plataforma e mais leitores o encontrar aqui. Boa leitura e vamos para o próximo capítulo!
- Sextou, David! Tá a fim de tomar umas com as meninas? - Caio pergunta saindo da sua sala que fica bem no meio do corredor. Caminhamos juntos para um dos elevadores, encontrando alguns funcionários que também se preparam para sair.
- Talvez eu vá ao Pub hoje - resmungo com um tom sério e ergo os meus olhos para os números que brilhavam no teclado a nossa frente. O rosto de Caio surge na minha frente. O idiota se inclina e me encara com um baita sorriso escroto.
- Me diga que isso não é um sonho? - pede com um humor que me fez soltar uma respiração alta.
- Vai te foder, Caio!
- Sério, David! Você nunca diz sim pra mim. Pelo menos não com tanta facilidade.
- Se eu te dissesse que não, você ia desistir?
- Não.
- Por isso resolvi dizer logo um sim - rosno. Mas, a verdade é que não quero voltar sozinho para aquele apartamento e passar mais uma noite remoendo o meu passado, que não tem conserto. Depois que as portas do elevador se abrem, seguimos para os nossos carros e de lá para o nosso apartamento, e depois de tomar um banho demorado, visto uma roupa informal e vamos a danceteria.
Hoje eu só quero virar essa noite com uma boa garrafa de uísque.
***
- Vai devagar, meu amigo. - Caio fala perto do meu ouvido, quando percebe que em meia hora esvaziei metade de uma garrafa.
É algo que não consigo evitar. Quando não estou no trabalho, seu rosto se projeta na minha frente e eu preciso apaga-lo, preciso esquecê-la. O irônico de tudo isso é que não ficamos juntos por muito tempo. Quando Yaidis foi estudar no mesmo colégio que eu, já era o último ano do colegial, mas assim que a vi entrar na sala de aula, senti algo diferente acontecer dentro de mim. Eu não sou o tipo de cara tímido, que se esconde de uma garota. Acreditem, sou o tipo de homem que quando quer, vai lá e pega. Mas não foi assim com ela. Com Yaides eu me escondi, não tive coragem de falar dos meus sentimentos, até porque era absurdo demais sentir algo tão forte por alguém chegou a tão pouco tempo. Mas, acreditem ou não, passamos um longo tempo nos paquerando. Era engraçado e eu me sentia um adolescente quando ela estava por perto.
- Oi, o lugar está ocupado? - Uma morena linda e jovem pergunta abrindo um sorriso sensual pra mim. Minha visão já está um pouco turva devido à bebida, mas vi claramente que se insinuava para mim. Me ajeito em cima do banco e faço um não pra ela. - Está sozinho? - Ela continua. Esvazio o meu copo e torno a enchê-lo, depois olho para o rosto jovial.
- Estou. - Observo o seu sorriso se ampliar.
- Me paga uma bebida? - Ela pede, largando uma bolsa a tira colo em cima do balcão. Viro-me de frente para ela e faço um esforço para colocar a imagem de Yaidis em seu rosto, e o meu coração acelera imediatamente. Era ela e estava bem na minha frente, falando comigo. Pensei.
- Claro, o que você quer beber?
Não demorou muito para eu segurar a sua cintura e me encaixar no meio das suas pernas. O beijo não era o mesmo e o seu toque era completamente diferente, mas mesmo assim, a levo para o meu apartamento, para o meu quarto e para a minha cama. Pego uma garrafa no frigobar, sirvo dois copos e me sento no colchão para assisti-la. Yaidis está linda no vestido cor de vinho, de uma alça só, desenhando o seu corpo de uma maneira formidável. O tecido cobre parte de suas coxas e os saltos altos, modelam os seus pés e pernas. Ela é perfeita!
- Posso usar o seu banheiro? - A garota pergunta, mas eu tenho pressa. Preciso senti-la, tomá-la para mim. Bebo um gole generoso da minha bebida e vou ao seu encontro. A tomo pra mim, beijo a sua boca com ardência e a deito em minha cama com cuidado.
- Yaides! - sussurro sofregamente em sua boca, tomado de desejo.
- O que disse? - A garota pergunta e eu me afasto. A realidade me cai como uma luva. Não é ela. Não é a mulher da minha vida. Transtornado, eu me afasto e saio da cama. - Você está bem? - Ela pergunta. Parece preocupada.
- Vai embora! - peço nitidamente irritado e ignoro a sua preocupação.
- O quê? Mas, nós acabamos de chegar! - protesta.
Pego o meu copo e o esvazio, largando-o de qualquer jeito e caminho para dentro do banheiro. Apressado, abri os botões da camisa. Preciso de um banho frio, preciso fazer o que tenho feito ao longo desses anos.
Mais que merda!
Quando você vai sair do meu sistema, porra?!
- Só vá embora, ok? - rosno antes de fechar a porta e entro debaixo do chuveiro, sem consegui me livrar de toda a roupa antes disso.
***
- Bom dia, onde está a Brigitte? - Caio pergunta assim que entro na cozinha. Ele está usando apenas de sunga e preparando algo em uma frigideira, e uma loira está sentada em um dos bancos altos do balcão, aguardando que ele a sirva. Respiro fundo e vou direto para a geladeira pegar uma garrafinha d'água.
- Quem? - pergunto e caminho para a sala em busca do jornal.
- A garota que veio com você na noite passada. - Ele Insiste, vindo atrás de mim. Dou de ombros, pego o jornal e me sento no sofá, abrindo as folhas de classificados.
- Foi embora - digo com desdém.
- Como assim, David? O que você fez de errado?
- Por que acha que eu fiz algo de errado? - rebato irritado, baixando o jornal para olhá-lo.
- A Brigitte é uma garota muito legal, na verdade, ela é maravilhosa!
- Não aconteceu nada, ok? Nós nos curtimos e depois ela foi embora. Satisfeito? - minto e parece que o meu primo engoliu a história direitinho. Ainda bem. Ele sorrio e deu dois tapinhas no meu ombro. E eu finalmente volto para o meu jornal em paz.
Os finais de semana são sempre um martírio para mim. Fico me perguntando quem foi o maldito que inventou as folgas. Definitivamente esse cara não sofria do mal de amor. Os sons das risadas femininas dentro da piscina começam a me incomodar, então decido ir para o meu escritório particular. No caminho, vejo quando o meu primo segura a garota pela cintura e a prensa contra os azulejos. Ele a beija de uma forma até libidinosa, como se a fosse engolir apenas com esse gesto, e outra garota chega por trás dele e lambe o seu ombro. Faço um gesto negativo com a cabeça e sorrio. Esse tem tudo e mais um pouco do tio Marcos Albuquerque. Penso. Se não os conhecesse, diria que eram pai e filho. Não que o meu tio faça esse tipo de coisa hoje em dia, pois, a tia Mônica se encarregou de fisgar o solteirão mais requisitado e safado da sociedade carioca. Quando eu era apenas um adolescente, escutei muito das suas histórias e acredite, pensei em seguir o mesmo caminho, mas não fiz.
Me fecho dentro do escritório do apartamento, vou para atrás da elegante mesa de vidro e abro o meu computador, me deparando com uma mensagem que me fez cair sentado na cadeira.
Obrigada por confirmar a sua presença em nosso primeiro evento do colegial! Teremos muito prazer em recebê-lo e iremos nos divertir com muitas lembranças do nosso tempo!"
Puta que pariu! Quando eu fiz isso?!