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Recomeço Longe do Amor

Recomeço Longe do Amor

Autor:: Meng Meng Da Xiao Xue Qiu
Gênero: Romance
Minha esposa, Ana Clara, se jogou do terraço. A notícia do suicídio dela veio logo após a do estagiário, Gabriel, que também havia tirado a própria vida. Eu me sentia chocado e sem chão. Afinal, Ana Clara era reservada, serena, a mulher com quem dividi dez anos de casamento. Mas a busca por respostas me levou aos diários dela, escondidos no fundo do armário. Foi ali que toda a minha vida desmoronou. Página após página, ela descrevia um amor avassalador por Gabriel, um "amor de lua branca", puro e intocável, muito antes de me conhecer. "Casei-me com João Carlos... senti-me suja quando ele me beijou. Meu coração gritava o nome de Gabriel." Dez anos de farsa. Eu não era o escolhido, apenas o substituto, o plano B, a fachada perfeita. A dor da traição era insuportável, a humilhação me consumia. Eu era o vilão na história de amor dela. Meu coração, partido e exausto, simplesmente parou de bater. Acertei as contas. Era o dia do meu primeiro encontro com Ana Clara. O universo me deu uma segunda chance, não para reconquistá-la, mas para me salvar. Eu não seria mais o prêmio de consolação de ninguém. Ela entrou na cafeteria e sorriu. O mesmo sorriso ensaiado que eu conhecia tão bem. Desta vez, não sorri de volta.

Introdução

Minha esposa, Ana Clara, se jogou do terraço.

A notícia do suicídio dela veio logo após a do estagiário, Gabriel, que também havia tirado a própria vida.

Eu me sentia chocado e sem chão. Afinal, Ana Clara era reservada, serena, a mulher com quem dividi dez anos de casamento.

Mas a busca por respostas me levou aos diários dela, escondidos no fundo do armário.

Foi ali que toda a minha vida desmoronou.

Página após página, ela descrevia um amor avassalador por Gabriel, um "amor de lua branca", puro e intocável, muito antes de me conhecer.

"Casei-me com João Carlos... senti-me suja quando ele me beijou. Meu coração gritava o nome de Gabriel."

Dez anos de farsa. Eu não era o escolhido, apenas o substituto, o plano B, a fachada perfeita.

A dor da traição era insuportável, a humilhação me consumia. Eu era o vilão na história de amor dela.

Meu coração, partido e exausto, simplesmente parou de bater.

Acertei as contas. Era o dia do meu primeiro encontro com Ana Clara.

O universo me deu uma segunda chance, não para reconquistá-la, mas para me salvar. Eu não seria mais o prêmio de consolação de ninguém.

Ela entrou na cafeteria e sorriu. O mesmo sorriso ensaiado que eu conhecia tão bem.

Desta vez, não sorri de volta.

Capítulo 1

A notícia do suicídio do estagiário espalhou-se pela empresa como um incêndio. Gabriel, um jovem que todos consideravam promissor, tinha pulado do telhado de seu prédio. O motivo, sussurravam nos corredores, era um amor não correspondido.

Uma tragédia, sem dúvida, mas para João Carlos, era apenas mais uma notícia triste num mundo já cheio delas. Ele sentiu uma pontada de pena pelo rapaz, mas a vida continuava. Ele tinha um casamento para cuidar, uma esposa para amar.

Naquela noite, o silêncio em sua casa era pesado, diferente do habitual. Ana Clara, sua esposa há dez anos, estava quieta demais. Ele a encontrou na varanda, olhando para o vazio da cidade iluminada.

"Você está bem?" , ele perguntou, envolvendo-a com os braços.

Ela não respondeu, apenas se encolheu levemente ao seu toque. Ele atribuiu isso ao choque da notícia, afinal, Gabriel trabalhava no mesmo andar que ela.

No dia seguinte, o mundo de João Carlos desmoronou.

A polícia ligou para o seu escritório. Houve um incidente no prédio onde moravam. Ana Clara. Ela tinha saltado.

O chão desapareceu sob seus pés. A sala girou. Ana Clara, sua esposa calma e reservada, a mulher com quem ele compartilhava a vida há uma década, estava morta. Suicídio. A palavra ecoava em sua mente, sem sentido, brutal.

Os dias que se seguiram foram um borrão de dor e confusão. Durante a arrumação de seus pertences, um ato que parecia uma profanação, ele encontrou uma caixa de madeira escondida no fundo do armário dela. Dentro, dezenas de cadernos de capa dura. Eram seus diários.

Ele hesitou, sentindo que estava invadindo um espaço sagrado. Mas a necessidade de entender, de encontrar uma razão para aquele ato desesperado, foi mais forte.

Ele abriu o primeiro caderno. A caligrafia dela, elegante e fluida, encheu a página. E com cada palavra que lia, o coração de João Carlos se partia em mais um pedaço.

Os diários não eram sobre ele. Não eram sobre o casamento deles. Eram sobre Gabriel.

Página após página, Ana Clara descrevia seu amor avassalador pelo estagiário. Um amor que ela chamava de "amor de lua branca" , puro, intocável, o único amor verdadeiro de sua vida. Ela o conhecia há anos, muito antes de conhecer João Carlos.

"Hoje, meus pais me forçaram a ir a um encontro com João Carlos. Ele é um bom homem, gentil, estável. Exatamente o que eles querem para mim. Mas ele não é o Gabriel. Ninguém nunca será."

"Casei-me com João Carlos. A cerimônia foi linda. Todos disseram que éramos o casal perfeito. Senti-me suja quando ele me beijou. Meu corpo estava lá, mas meu coração gritava o nome de Gabriel."

A verdade o atingiu com a força de um soco no estômago. Dez anos. Uma década inteira de casamento. E ele nunca tinha sido o escolhido. Ele era o substituto, o prêmio de consolação, a fachada conveniente para que ela pudesse manter seu amor platônico por outro homem.

Ele se lembrou de todas as vezes que ela se afastava de seu toque, de sua relutância em visitar sua família, de sua tristeza inexplicável. Tudo fazia sentido agora. Cada sorriso forçado, cada ato de carinho calculado. Era tudo uma farsa.

O último registro no diário foi escrito na noite anterior à sua morte.

"Ele se foi. Gabriel se foi. Meu sol se apagou. Não há mais razão para continuar respirando neste mundo sem ele. Perdão, João Carlos, por ter te usado. Você merece alguém que o ame. Eu não sou essa pessoa. Nunca fui."

A raiva se misturou à dor, uma combinação tóxica que queimava em seu peito. Ele foi um tolo. Um tolo apaixonado que dedicou sua vida a uma mulher que o via como um obstáculo, uma formalidade. A humilhação era insuportável.

Ele não era o marido dela. Ele era o vilão na história de amor dela com Gabriel.

A depressão o consumiu. Ele parou de comer, de trabalhar, de viver. O mundo perdeu a cor. A dor da traição era uma ferida aberta que nunca cicatrizava. Seu corpo, enfraquecido pela tristeza, cedeu.

Numa tarde cinzenta, deitado na mesma cama que um dia dividiu com a mentira, João Carlos fechou os olhos. O peso de dez anos de engano foi demais para suportar. Seu coração, exausto e partido, simplesmente parou de bater.

Capítulo 2

Uma luz forte o cegou. Havia um zumbido de conversas ao seu redor. João Carlos piscou, confuso. Onde ele estava? O cheiro de café e bolo enchia o ar.

Ele olhou para as próprias mãos. Elas pareciam mais jovens, sem as marcas do tempo e do cansaço dos últimos anos. Ele tocou o rosto. Liso. A barba por fazer de dias de luto havia desaparecido.

Ele estava sentado em uma cafeteria. Uma cafeteria que ele reconhecia. O coração dele disparou, não de alegria, mas de pânico. Ele conhecia aquele lugar. Conhecia aquela mesa. Conhecia aquela data.

Era o dia do seu primeiro encontro com Ana Clara.

A sensação de renascimento não trouxe esperança, mas sim o gosto amargo da memória. A dor da vida passada ainda estava fresca, uma ferida fantasma em sua alma. Ele se sentia como um soldado voltando da guerra, forçado a reviver o momento exato em que a batalha começou.

Ele se lembrou daquele dia com uma clareza dolorosa. Ele estava nervoso, ansioso para conhecer a mulher que seus pais descreviam como "perfeita" . E ela era. Linda, elegante, com um sorriso que prometia um futuro feliz.

Um futuro que se revelou uma mentira.

Ele fechou os olhos, e as palavras do diário dela queimaram em sua mente. "Senti-me suja quando ele me beijou." Cada lembrança de afeto, cada beijo, cada abraço, agora estava manchado por essa revelação.

A harmonia do casamento deles, a imagem de casal feliz que eles projetavam para o mundo, era uma peça de teatro bem ensaiada. Ele era o ator principal, mas o único que não sabia que estava atuando. Ela era a diretora, a roteirista e a protagonista, vivendo um drama interno do qual ele nunca fez parte.

Ele se lembrou de uma viagem de aniversário de casamento. Foram para a praia. Ele a abraçou na areia, sob o luar, e disse que a amava. Ela sorriu e disse "eu também" . Agora, ele sabia o que aquele sorriso escondia. Ele releu mentalmente uma passagem do diário escrita naquela mesma noite.

"A lua está linda. Gabriel adoraria essa vista. João Carlos disse que me ama. Eu sorri. O que mais eu poderia fazer? Às vezes, o peso dessa mentira quase me esmaga."

A dor era física. Uma pontada aguda no peito. Como ele pôde ser tão cego? Como pôde viver dez anos ao lado de uma mulher e nunca perceber o abismo que os separava?

Ele olhou ao redor da cafeteria novamente. As pessoas riam, conversavam, viviam suas vidas, alheias ao turbilhão que o consumia. Ele estava preso num loop temporal, um pesadelo do qual talvez nunca acordasse.

Mas então, um novo sentimento começou a surgir por entre as frestas da dor. Não era esperança, ainda não. Era determinação.

Ele tinha recebido uma segunda chance. Uma chance não para reconquistá-la, não para mudar o coração dela, mas para se salvar.

Ele releu mentalmente, mais uma vez, as palavras dela. As palavras que descreviam como ela se sentia diminuída por estar com ele, como cada toque dele era uma traição ao seu "amor verdadeiro" . A humilhação da vida passada se transformou em combustível para a vida presente.

Ele entendeu, com uma clareza que só a morte e o renascimento poderiam trazer, que o amor não podia ser uma via de mão única. Não era sobre sacrifício cego e dedicação inabalável a alguém que não te vê. Amor próprio. Era isso que lhe faltara. Ele se dedicou tanto a ela que esqueceu de si mesmo.

Ele não seria um substituto. Não de novo. Ele não seria o porto seguro de ninguém, o plano B, a escolha conveniente.

A porta da cafeteria se abriu, e o sininho soou.

Era ela. Ana Clara. Exatamente como ele se lembrava. Linda, etérea, com um ar de melancolia que ele antes achava charmoso, mas que agora sabia ser a marca de seu amor por outro.

Ela o viu e sorriu. O mesmo sorriso ensaiado.

Desta vez, ele não sorriu de volta.

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