Matteo passava as mãos pela cabeça em um gesto de frustração enquanto conversava com seu amigo Leandro.
- Você sabe as razões pelas quais me casei com Gálata, foi por despeito. Eu acreditava que Helena tinha me traído com outro homem, e naquele momento eu só queria tirá-la da minha mente e do meu coração. Mas agora que ela voltou, que nos escrevemos e falamos por telefone, e esclarecemos muitos mal-entendidos, percebi que nada mudou entre nós.
- Suspeito que ainda a amo. Por um lado, quero vê-la para descobrir a verdade e verificar se meus sentimentos por ela continuam os mesmos de quando a conheci há mais de quinze anos - ele fez uma pausa, pensativo -, na verdade, nunca consegui tirá-la da minha mente. Sempre a lembro, e às vezes sinto ansiedade em tê-la de novo diante de mim - admitiu, sentindo-se miserável por seu comportamento, mas não podia mandar no coração nem se forçar a amar outra pessoa.
- O que você vai fazer em relação aos seus sentimentos? E se você descobrir que realmente ainda a ama, o que fará com essa verdade? - perguntou um de seus melhores amigos.
Matteo pareceu refletir por um longo momento antes de responder.
- Realmente, não sei. Não posso deixar Gálata, ainda mais agora, temos um filho e ela está grávida! Seria cruel da minha parte fazer isso com a minha família - respondeu sem esconder sua tristeza. - Tenho que me conformar. Parece que nem todos nascemos para ser felizes. Devo esquecer Helena definitivamente, e assim eu a informei.
- Você não pode fazer isso. Como vai se prender a ela por causa dos filhos, se você não a ama? Não é sua culpa, você não escolhe a quem amar. Você tem o direito de buscar sua felicidade. Se Helena te ama e você a ama, deve ser corajoso e contar a verdade a Gálata.
Gálata recuou, como se tivesse levado uma facada. Sentiu-se tonta. Já tinha ouvido o suficiente. Tapou a boca com uma das mãos para conter o choro, enquanto sentia seu coração se despedaçar ao ouvir as palavras de seu marido. E, sem poder evitar, lembrou-se de como sua história com Matteo havia começado.
*****
Nove anos antes
"- Paula, você está vendo como ele é lindo? Ele é tão masculino, elegante, sério, eu o adoro, ele é o amor da minha vida. Assim que eu fizer dezoito anos, vou confessar meus sentimentos e nos casaremos - suspirou Gálata, apaixonada, sentindo o coração bater forte em seu peito.
Sua amiga a olhou com tristeza, pois também amava Matteo desde a primeira vez que o viu, três anos atrás. Atraente, elegante, com aqueles cabelos dourados como o trigo, olhos verdes como a azeitona, nariz grego, e longos cílios que realçavam ainda mais seus olhos.
- Paula! - exclamou Gálata, dando um tapa na amiga. - Terra chamando Paula. Não me diga que não acha o meu Matiu atraente? - perguntou com uma mistura de surpresa e ilusão.
Paula olhou para ela, envergonhada, e assentiu.
- Sim, amiga, ele é muito bonito, sempre te disse isso - respondeu com aparente tranquilidade.
No entanto, ela se sentia uma traidora só de sentir atração pelo rapaz. Precisava se afastar de Matteo, pois jamais faria algo que prejudicasse sua amizade com Gálata, sua única amiga desde que tinha catorze anos. Ela era muito tímida para fazer novas amigas, e nenhuma outra se comparava à sua amiga de alma.
- Vamos nos aproximar deles. Quero vê-lo de perto - propôs Gálata, tirando a outra garota de seus pensamentos.
As duas se aproximaram devagar da parte do jardim onde os adultos conversavam. Mas pararam quando viram uma mulher linda, loira, com curvas bem proporcionadas, vestindo um macacão preto que realçava suas formas perfeitas, o que causou desconforto nas duas.
Elas observaram enquanto Matteo pegava a mão da mulher e a beijava apaixonadamente com um sorriso. Depois, ele acariciou o rosto dela, beijou-lhe o nariz e a levantou, girando-a com ele, sem parar de mostrar a alegria em seu olhar. Gálata sentiu seu coração encolher no peito, o ar faltou. Ela tinha a impressão de que seus pulmões não tinham oxigênio suficiente. Lágrimas escorreram por seu rosto, e ela teria caído no chão se Paula não a tivesse segurado.
Embora Paula também tivesse o coração partido, pois doía vê-lo com outra mulher, sabia que a dor de sua melhor amiga era maior, já que Gálata o carregava em seu coração desde muito cedo.
- Vamos, Gálata, é melhor sairmos daqui. Não vale a pena ficar neste lugar. Vamos para a minha casa brincar com os trigêmeos, isso sempre nos faz sentir melhor - a jovem assentiu, sem forças, deixando-se levar pela amiga, sentindo-se como uma morta-viva, como se seu mundo tivesse desabado de repente.
Quando estavam a caminho do carro, o pai delas apareceu, mas as meninas estavam tão afetadas pelo que acabara de acontecer que não perceberam sua presença até ele se colocar à frente delas.
- O que aconteceu, Gálata? Por que você está chorando? Quem te machucou? - indagou Sebastian, sem esconder sua expressão de raiva.
- Ninguém me machucou, papai - respondeu, limpando as lágrimas que haviam começado a escorrer sem que ela percebesse. - Fui eu mesma, coloquei minhas expectativas acima das minhas possibilidades, e é doloroso perceber isso."
*****
Voltando ao presente, ela percebeu o quão relevantes suas palavras ainda eram e quanta clareza tinha tido quando era apenas uma jovem de dezessete anos. Ela havia se deixado deslumbrar pelo que sempre quis, e agora, aos quase vinte e seis anos, com um bebê de três anos e outro a caminho, recebia o maior golpe que uma mulher apaixonada pode sofrer: descobrir que seu marido, com quem viveu por mais de sete anos, ama outra e só se casou com você para esquecer o amor da juventude. Aquilo doía demais, era pior do que sofrer centenas de facadas no peito.
Gálata havia levado uma bandeja para o escritório de seu marido, contendo café e biscoitos para Leandro e seu esposo, mas ao ouvi-los conversando, não pôde evitar tentar escutar. Foi nesse momento que entendeu o significado do ditado "a curiosidade matou o gato", pois foi exatamente o que aconteceu, em sentido figurado. Sentiu como facas afiadas perfurando seu coração, destroçando-o. Teve que respirar pela boca para recuperar o fôlego.
Ela nunca foi uma mulher impulsiva, pelo contrário, aprendeu a se calar quando algo não lhe agradava para manter a harmonia em seu lar. Nunca discutia com Matteo, fazia de tudo para agradá-lo, pensando que, dessa forma, ele sempre estaria ao seu lado.
Pensar nisso lhe causava um profundo pesar. Quando olhava para o passado, percebia que deixou de ser a jovem extrovertida, decidida e divertida. Agora era apenas uma sombra pobre do passado, não dava um passo sem a autorização de Matteo, e sua vida girava em torno dele.
Por mais que tentasse disfarçar que não estava afetada, não podia negar para si mesma o impacto daquela conversa. Foi um golpe duro ouvir tudo aquilo, como se, de repente, a verdade tivesse sido revelada de maneira surpreendente diante de seus olhos. Sua mente era um turbilhão de pensamentos que ela precisava canalizar.
Ela voltou silenciosamente para a cozinha e deixou a bandeja lá, apoiando-se no balcão por alguns minutos, tentando controlar seu corpo, suas emoções e seus sentimentos. Estava prestes a desmoronar.
Não pôde evitar olhar para sua pequena barriga, sentindo preocupação pelo futuro. Não porque não teria como sustentar o bebê, sua família era rica; ela era filha de um dos homens mais poderosos do mundo e sabia que nunca a deixariam sozinha. Mas porque havia agido tão precipitadamente em sua vida. De maneira impulsiva, decidiu casar-se com Matteo quando tinha apenas dezoito anos. Não se dedicou a estudar nem a se preparar. Toda sua vida foi construída e girou em torno de seu marido, e agora, com as paredes de seu mundo perfeito desmoronando, ela não sabia o que fazer. Sentia medo como nunca antes.
Durante mais de sete anos, entregou toda sua juventude, sua inocência e dedicou-se completamente à vida de dona de casa. Ela não tinha empregados porque assim decidiu, fazendo tudo por conta própria: cozinhar, lavar, passar, limpar, esfregar o chão, podar o jardim, cuidar do filho.
Seria desonesto dizer que Matteo a obrigou a viver dessa maneira, claro, ele também não a impediu. Ele se sentia confortável vendo-a se comportar assim, e ela quis fazer dessa forma porque queria saber como era ter uma vida normal. Sempre viveu na opulência, com alguém para satisfazer todos os seus caprichos, então decidiu fazer diferente. Agora estava ali, numa situação em que se sentia subestimada, insignificante, e naquele momento foi inevitável zombar de si mesma.
- Oh, Gálata! Aqui está o casamento normal, até com traição incluída - expressou em voz alta, com vontade de se dar bofetadas para ver se assim aprenderia.
Limpou as lágrimas que rolavam por seu rosto, com um gesto de raiva consigo mesma. Odiava-se. Se pudesse, viajaria no tempo e daria tapas em seu eu de então por ter sido tão idiota. Grandes soluços escaparam de seus lábios enquanto ela jogava a jarra de chá no ralo da pia da cozinha, com raiva.
Depois, pegou os biscoitos que, até alguns minutos atrás, havia assado com tanto amor para agradar seu marido e seu amigo, e os jogou na lixeira. Limpou o balcão e, sentindo as pernas tremerem, foi ver se seu filho já havia acordado da soneca. Subiu as escadas, segurando-se no corrimão. Sentia-se tão infeliz, mas não era hora de desmoronar. Tinha seus filhos, e por eles precisava ser corajosa, precisava levantar-se com firmeza e seguir em frente.
Ao entrar no quarto, o pequeno ainda estava dormindo. Ela o observou por alguns momentos, com grande pesar, pensando em como ele seria afetado por suas decisões. Depois, virou-se em direção à penteadeira, deu alguns passos, parou em frente ao espelho e se observou detalhadamente, enquanto várias perguntas surgiam em sua mente. "Quando deixei de ser aquela jovem otimista? Quando me abandonei assim?" Seu cabelo não brilhava mais, e havia sombras escuras sob seus olhos.
"Quando foi a última vez que fui ao salão de beleza, cortei o cabelo, fiz as unhas, saí com minhas amigas?" Ela se perguntava enquanto olhava para suas mãos, um pouco maltratadas pelos afazeres domésticos. Não pôde evitar se questionar com raiva: "Como você se fez isso? Como se perdeu a ponto de viver à sombra de um homem? Um que agora não se dá conta do sacrifício que você fez e que, sem remorso, correrá para os braços de outra mulher."
Sua consciência logo se fez presente, sendo seu juiz mais severo. É por isso que o ditado "todos atacam a árvore caída" é tão verdadeiro. Embora tivesse razão, lá estava sua consciência apontando suas falhas como se fosse seu maior inimigo.
"Ele nunca te valorizou, nem sequer foi carinhoso com você. Quando foi a última vez que ele teve um gesto de carinho que não fosse por um aniversário, uma celebração ou uma data especial?"
Diante desses pensamentos, ela se apoiou na penteadeira e começou a chorar como nunca havia feito antes. Sentia seu coração apertado, e uma terrível verdade se abriu dentro dela. Nunca nada foi perfeito. Ela se enganou, se agarrou a uma mentira, a um ideal de casamento e família perfeita, só para não parecer que tinha fracassado. E isso era o mais doloroso: ter sido cúmplice da própria desgraça, apenas para mostrar aos outros que não havia cometido um erro.
Afastou-se do espelho e olhou para seu filho, que continuava dormindo. Desejava tanto ter a tranquilidade e a inocência dele. Deitou-se ao lado dele no berço, cheirou o doce aroma de bebê, e apenas assim sentiu que conseguia acalmar o sofrimento de seu coração e a angústia de sua alma.
Ela o abraçou enquanto meditava sobre seu próximo passo. Ninguém a preparou para esse momento. Quando se casou, pensou que o amor entre eles era recíproco e eterno, até que um dos dois deixasse este mundo.
Fechou os olhos e imediatamente as lembranças vieram à sua mente.
"Era seu aniversário de dezoito anos. Ela estava empolgada porque esperava ver Matteo, que havia sido seu amor platônico desde que se lembrava. Ela vestia um vestido verde, de cintura alta, sem mangas, com um decote em V transparente com bordados, sobre outro vestido justo, com uma fenda na perna direita, e sapatos da mesma cor.
Ela foi ao salão de beleza e fez reflexos dourados nas pontas do cabelo, que estava enrolado. A maquiagem era suave, com maior ênfase nos olhos, que se destacavam com a maquiagem delicada. Nunca havia se vestido assim, pois preferia roupas mais recatadas, mas naquele dia estava decidida a realçar sua beleza e finalmente conquistar o escorregadio Matteo.
Para sua sorte, assim que começou a descer as escadas que levavam ao opulento e elegante salão de festas, seus olhos encontraram Matteo, que estava entrando. Imediatamente, ele olhou para ela e sorriu agradavelmente.
Ao vê-lo sorrir daquela maneira, ela não pôde evitar um bando de borboletas agitando-se em seu estômago. Sentia que suas pernas falhariam a qualquer momento, estavam como gelatina, e seu coração batia descontrolado em seu peito. Para seu alívio, antes de desmaiar de nervosismo, seu pai apareceu ao pé da escada. Ela estava tão concentrada no homem de sua vida que não percebeu sua presença até sentir seu braço sendo segurado.
- Terra chamando Gálata! Princesa, estou com muito ciúmes. Qual desses cavalheiros foi capaz de captar sua atenção e fazer você esquecer seu rei e o homem da sua vida? - brincou Sebastian, fingindo descontentamento, e acrescentou:
» Por favor, ainda não diga, acho que não estou preparado para lidar com essa informação.
- Você deveria esperar por isso. Lembro-me de uma vez, quando eu tinha cerca de nove anos, disse que, quando crescesse, me casaria com você. E mamãe respondeu que isso não era possível porque você era o marido dela. Pedi a ela para se divorciar de você, e naquela época você me disse que, quando eu crescesse, me apaixonaria por um belo cavalheiro para quem eu seria a luz dos olhos dele. Bem... - ela hesitou por um momento - Já estou apaixonada por esse cavalheiro, só falta fazê-lo se apaixonar por mim - disse ela, suspirando.
Uma expressão quase imperceptível cruzou o rosto de seu pai, que até sentiu uma leve dor no peito, pois pensou que demoraria muito mais tempo antes
de ver sua pequena apaixonada.
- E pode me dizer quem é esse cavalheiro que conquistou o coração da minha pequena? - perguntou com um tom de voz trêmulo. Era claramente evidente o esforço que o homem fazia para não deixar transparecer o quanto estava afetado por essa notícia.
» Eu o conheço? - voltou a perguntar com ansiedade.
- Sim, é Matteo Sebastini - declarou a jovem orgulhosa, enquanto o rosto de seu pai se tingia de um suave tom carmesim.
- Não, Gálata! Matteo Sebastini não! Ele não é um homem para você - disse ele com uma firme determinação, deixando Gálata surpresa, pois nunca havia visto essa reação em seu pai.
Pela primeira vez, Gálata enfrentou uma negativa tão contundente de seu pai, e também pela primeira vez sentiu medo. Nunca haviam discordado, ele sempre a apoiava em tudo, mas, aparentemente, desta vez seria a exceção.
Ela o olhava não apenas com surpresa, mas também com um vislumbre de tristeza e até de aborrecimento.
- Papai, por que você está agindo assim? Por que você desgosta tanto de Matteo? Ele é filho do seu melhor amigo, do tio Nick. Por que ele não seria o homem certo para mim? - perguntou, sem esconder sua contrariedade diante da postura de seu pai.
- Porque não! Eu não gosto dele para você - disse o homem com firmeza, enquanto continuava discutindo com a filha no salão, chamando a atenção de alguns dos presentes.
- Papai, quem tem que gostar dele sou eu, não você. Quem vai se casar com ele sou eu - respondeu decidida.
- Casar? Como assim casar? Você está louca? Se eu não gosto da ideia de um relacionamento amoroso entre vocês, muito menos a de casamento.
- Ele é um homem, e você é uma menina de dezoito anos que ainda não conhece o mundo, você ainda tem muito a descobrir, conhecer garotos da sua idade, viver as maravilhas da vida, além disso, ele tem uma namorada - falou, angustiado, ao imaginar Gálata casando tão jovem.
- Não pensei que você fosse tão hipócrita, papai. Deixe-me te lembrar, caso tenha esquecido, que minha mãe tinha dezoito anos quando você ficou com ela, e a diferença de idade entre vocês era maior do que entre Matteo e eu - rebateu a jovem, indignada.
- É exatamente por isso que estou dizendo isso. Fiz sua mãe sofrer por muito tempo, porque eu era um mulherengo, com outros objetivos na vida. Me comportei mal com ela, e só fomos felizes muito tempo depois. Não quero que você passe por isso - disse quase em tom de arrependimento.
- Não é a mesma coisa! Matteo não é mulherengo, ele é responsável, inteligente, não é como você era naquela época.
- Ele é um homem frio, seco, distante, sério, muito realista, parece que não corre sangue em suas veias. Você é o completo oposto, uma jovem calorosa, carinhosa, sonhadora - argumentou Sebastián.
- Os opostos se atraem, papai - retrucou a jovem, contrariando as palavras do pai. - Além disso, se eu tiver que mudar alguns aspectos da minha personalidade para agradá-lo mais, eu farei isso.
- Isso não está certo. Você nunca deve mudar seu caráter para agradar os outros. Quem te ama deve te aceitar com suas virtudes e defeitos, faz parte da sua essência. Além do mais, Matteo ama outra mulher, e contra isso você não pode lutar - concluiu, sentindo-se derrotado por não conseguir convencer a filha. Ele também percebeu a agitação da jovem.
- Eu vou fazê-lo se apaixonar por mim, você verá como serei feliz com ele - afirmou com determinação.
Sebastián suspirou, sentindo tristeza e temor por sua filha. No entanto, ele não podia fazer nada. Como pai, seu papel era aconselhar, mas ele não podia impor suas decisões aos filhos. Afinal, cada um precisa viver suas próprias experiências.
- Cuide-se, minha menina, eu não quero te ver sofrer. Gostaria tanto de proteger seu coração para que ninguém pudesse te machucar - disse, abraçando-a.
Duas semanas após essa conversa com seu pai, Matteo terminou com a namorada, e alguns dias depois começou a sair com Gálata. Duas semanas depois, Matteo pediu que ela fosse sua namorada, e, catorze dias depois, se casaram em um dos maiores eventos do país.
Quando esses eventos vieram à mente de Gálata, ela suspirou. Seu pai tinha razão, mas ela se recusou a ouvi-lo. Para ela, o fato de Matteo ter se interessado por ela e ter pedido em casamento foi um sonho realizado. Ela até enfrentou sua mãe e sua melhor amiga, Paula. Chamou Paula de invejosa e ciumenta, pois, no final, Matteo a escolheu e não a sua amiga.
As lembranças fluíam como uma cascata em sua mente, sem lhe dar trégua. Por mais que tentasse contê-las, era impossível. Sua mente insistia em mostrar-lhe como ela enfrentou a todos por um amor que acreditou ser sincero e genuíno.
"Paula chegou cedo para buscá-la. Na noite anterior, Gálata não havia conversado com ela, pois voltou muito tarde de seu encontro com Matteo. Além disso, a euforia do pedido de casamento não permitia que ela falasse de outra coisa.
Assim que a viu, Gálata correu em direção à amiga.
- Amiga querida, sou a mulher mais feliz do mundo. Finalmente meu sonho se realizou, adivinha - disse, transbordando de alegria.
Paula a olhou por um momento, surpresa. Seu rosto empalideceu, mas logo se recompôs. Gálata, sem deixá-la falar, estendeu a mão, mostrando um enorme anel de noivado.
- Veja, Matteo me pediu em casamento, e em duas semanas nos casaremos - informou, sem esconder a emoção. Paula segurou o anel e esboçou um leve sorriso.
- É muito bonito, Gálata. Fico feliz por você, mas tenho uma dúvida. Por que você vai se casar em duas semanas? Parece muito cedo. Faz apenas três semanas que ele estava com outra garota e parecia muito apaixonado - questionou a jovem.
- E você acha que ele não pode se apaixonar por mim? Sou uma garota bonita, inteligente, tenho muitas qualidades. Por que você não consegue vê-las? - perguntou, decepcionada com sua amiga.
- Não estou dizendo isso. Sei que você é uma jovem extraordinária, por isso é minha amiga. Mas você está indo rápido demais. Eu confio em você, mas não nele. Como alguém pode se desapaixonar tão rapidamente de seu amor de juventude? Matteo, apesar de estar apenas dois anos comprometido com ela, teve um relacionamento próximo por muitos anos.
» Você deveria esperar, se conhecerem melhor, ter certeza dos sentimentos de Matteo por você. Só então dar o próximo passo, não antes disso - falou Paula, sem esconder sua preocupação.
Infelizmente, Gálata não entendeu e até interpretou mal a posição de Paula. Ela ficou brava e reclamou.
- Eu pensei que você fosse minha amiga, mas não é. Você é apenas invejosa - disse, olhando para Paula com raiva.
Paula a olhou com tristeza. Seus olhos começaram a se encher de lágrimas que ela tentava segurar a todo custo.
- Gálata, por favor, não diga isso. Eu te amo como uma irmã. Estivemos juntas nos bons e maus momentos. Eu nunca poderia sentir inveja de você. Fico feliz que tudo esteja dando certo para você. Se estou te aconselhando, é para o seu bem, porque... - seu diálogo foi interrompido por Gálata, que a olhava com decepção.
- Não finja mais, Paula. Se você diz tudo isso, não é para o meu bem, como afirma, mas porque está loucamente apaixonada por Matteo - os olhos de Paula se arregalaram. - Você achou que eu não perceberia? Eu sei disso há muito tempo, e se não disse nada antes, foi porque não me parecia relevante. Mas agora, com sua fingida preocupação pelo meu futuro, eu preciso te dizer.
» Suas palavras não têm valor, porque vêm de uma mulher despeitada. Você só quer semear dúvidas na minha cabeça para ter uma chance com o homem que eu amo.
Ela viu a tristeza no rosto de sua amiga e quis se retratar de suas palavras, mas não conseguiu. Paula ficou parada à sua frente, com o queixo erguido.
- É verdade, eu gosto dele há muito tempo - começou Paula, limpando as lágrimas que começavam a brotar de seus olhos. - Mas jamais! Escute bem, Gálata Ferrari, jamais tentei qualquer aproximação com ele, porque eu sei o quanto você o ama durante todo esse tempo.
» Se estou te aconselhando, é porque me importo e quero o melhor para você. Eu nunca pensei que aos seus olhos eu fosse tão mesquinha - declarou Paula, virando-se e saindo, deixando Gálata tomada por um turbilhão de arrependimentos."
Naquele dia, ela se sentiu muito triste por ter agido daquela maneira com Paula. Embora ela tenha ido procurá-la no mesmo dia para se desculpar e Paula a tenha recebido bem, hoje, olhando para o passado, Gálata não podia evitar se recriminar por sua teimosia. Todos estavam certos, mas ela não quis ouvi-los.
Finalmente, não soube quanto tempo passou imersa em seus pensamentos. Só sentiu suas pálpebras ficarem muito pesadas até adormecer profundamente.
*****
Matteo observava seu amigo enquanto ele se servia do terceiro copo de whisky. Já estava entediado com a conversa, ao ponto de querer expulsá-lo.
- Você já pode ir embora, Leandro - disse em um tom frio.
- Eu não quero te deixar assim. Estou preocupado com a situação em que você está - apontou Leandro, incomodado. - Por isso, você não deve adiar
mais a conversa com Gálata. Conte a verdade a ela, que você não a ama, e que você só se casou com ela para esquecer Helena. Talvez assim você possa recuperar seu verdadeiro amor.
As palavras do amigo deixaram Matteo pensativo. Ele franziu a testa, achando estranho que Gálata não tivesse aparecido com o tradicional suco e biscoitos. Ninguém cozinhava melhor do que ela. Na verdade, seu estômago só tolerava a comida que ela preparava. As refeições de outras pessoas o faziam passar mal, por isso evitava comer fora de casa.
Por um momento, ele teve a tentação de ir procurá-la. No entanto, imaginou-a dormindo e sentiu alívio. Era melhor deixá-la descansar. Além disso, ele não tinha coragem de enfrentá-la naquele momento, quando suas emoções estavam em turbilhão. Ainda se sentia incomodado com a insistência de seu amigo em falar com sua esposa.
- Leandro, responda-me algo. Por que você está tão empenhado em que eu fale com Gálata sobre meus sentimentos por outra mulher? - perguntou, semicerrando os olhos.
- O que você está insinuando? - perguntou Leandro, surpreso.
Ele ficou boquiaberto, sem deixar de notar a expressão enigmática de Matteo. Achou que ele retiraria suas palavras, mas ao ver que Matteo mantinha a mesma posição, Leandro o questionou.
- Estou realmente surpreso. Não consigo acreditar. Por que você pensa que eu tenho segundas intenções, quando só estou preocupado com você? - Embora tenha feito a pergunta, não esperou resposta. - Você é meu amigo, e minha única intenção é não te ver arrastado pela tristeza e infelicidade - declarou, dando de ombros.
Matteo o olhou por mais alguns segundos e respondeu.
- Já é tarde, você pode ir embora - falou em um tom seco. - Eu ficarei bem. Vou passar mais alguns minutos pensando no próximo passo a dar. Vou te acompanhar até a porta.
- Não se preocupe, eu sei o caminho - respondeu Leandro, saindo imediatamente do escritório e fechando a porta atrás de si.
Matteo olhou para trás e, ao se ver sozinho, caminhou até a cozinha, esperando encontrar Gálata. Ao não encontrá-la, saiu frustrado. Falaria com ela em outra ocasião.
*****
Matteo ficou sentado, imóvel, tentando controlar seus pensamentos, desejando que tudo aquilo fosse um sonho e que ele acordasse a qualquer momento. Sua vida era pacífica até alguns dias atrás, sem sobressaltos, com problemas apenas no trabalho. Em sua vida pessoal, ele tinha uma esposa grávida e um filho.
A maioria das vezes ele ia do trabalho para casa, para reuniões familiares ou para alguns encontros com sócios ou amigos. No entanto, ele sempre mantinha seus sentimentos sob controle, pois não queria surpresas que pudessem afetar sua paz. Desde que terminou com Helena, ele guardou todas as emoções no fundo de sua alma, porque não queria sofrer novamente.
Ele estava imerso nesses pensamentos quando seu telefone celular começou a tocar. Viu na tela um número desconhecido e, por um momento, teve a tentação de não atender. No entanto, sua curiosidade foi maior.
- Alô, Matteo Sebastini falando. Quem está do outro lado? - perguntou, curioso. Imediatamente, uma voz feminina foi ouvida do outro lado da linha.
- Matteo, oh meu Deus! Você não tem ideia de como estou feliz em te ouvir de novo. Sinto muito incomodá-lo, mas estava com muita vontade de ouvir sua voz. Não pude esperar mais. Sou eu, Helena - falou, sem esconder a emoção em sua voz.