Por toda a minha vida, eu acreditei que meu Alfa, Caio, era meu companheiro predestinado. Um presente sagrado da Deusa da Lua.
Mas na véspera do meu aniversário de dezoito anos, ele apresentou outra loba, Sofia, como sua Luna escolhida, usando um filhote emprestado em um plano cruel para esmagar meu espírito.
Quando Renegados atacaram nossa alcateia, um lustre de prata caiu em nossa direção. Caio passou por mim sem nem olhar, protegendo Sofia com seu próprio corpo enquanto eu fui deixada para ser esmagada.
Ele nunca nem olhou para trás.
Mais tarde, depois de me acusar falsamente de machucá-la, ele arrastou meu corpo ferido até um tanque de hidroterapia gelado e me afundou na água.
Enquanto eu lutava para respirar, ele se inclinou sobre mim, sua voz um rugido de comando.
"Se você tocar nela de novo, eu vou arrancar seu nome e te transformar em uma Renegada."
Ver o homem que eu amava tentar me matar fez com que a última gota da minha esperança finalmente virasse cinzas.
Naquela noite, eu aceitei uma oferta para me juntar à Alcateia da Mata Prateada.
Então, caminhei até a forja e joguei cada lembrança que ele já me deu nas chamas, observando a garota que o amava queimar para sempre.
Capítulo 1
Ponto de Vista de Lia:
O aroma de ervas-da-lua e creme doce enchia minha pequena cozinha. Era um cheiro calmante, um que passei semanas aperfeiçoando. Esta era a noite anterior ao meu aniversário de dezoito anos, a noite antes da minha Primeira Transformação. Mas, mais importante, era a noite em que eu finalmente ofereceria meu coração, assado em um bolo, ao meu Alfa. A Caio.
Minha loba, ainda adormecida dentro de mim, ronronou de contentamento. Ela sabia, assim como eu. Caio era nosso. A Deusa da Lua havia entrelaçado nossas almas muito antes de nascermos. Eu sentia isso toda vez que ele passava, uma atração tão forte que era uma dor física no meu peito.
Coloquei o bolo finalizado cuidadosamente em uma caixa de transporte. A cobertura era da cor do céu da meia-noite, com delicados cristais de açúcar prateados espalhados como estrelas. Estava perfeito.
Minhas mãos tremiam um pouco enquanto eu caminhava em direção à ala principal da casa da alcateia, onde ficavam os escritórios do Alfa. Ele sempre trabalhava até tarde, gerenciando o vasto império corporativo que era a face pública da Alcateia da Lua Negra em Curitiba.
Ao me aproximar de seu escritório, um cheiro estranho atingiu meu nariz. Era fraco, mas inconfundível. Leite, talco de bebê e o cheiro doce e inocente de um filhote de lobo. Um bem novinho. A confusão me picou. Não havia novos filhotes na alcateia que eu soubesse.
Diminuí meus passos, meus ouvidos se esforçando. A pesada porta de carvalho de seu escritório estava ligeiramente entreaberta. Vozes saíam de lá - o tom profundo e autoritário de Caio, e a voz suave de seu Gama, Jairo.
"Você tem certeza disso, Alfa?" Jairo perguntou. "Parece... cruel."
Meu coração começou a martelar contra minhas costelas. Pressionei-me contra a parede de pedra fria, prendendo a respiração.
"É o único jeito de fazê-la entender," a voz de Caio era gélida, desprovida do calor que eu tantas vezes imaginava. "Ela precisa ver que eu tenho uma companheira. Uma família. Então ela finalmente vai se afastar."
Um sentimento de vazio se abriu em meu estômago. Ele estava falando de mim.
Então, um pensamento novo e frágil roçou minha mente. Não era um Link Mental completo, mais como um sussurro ao vento, um efeito colateral da minha iminente Transformação. Meus sentidos estavam se aguçando, quebrando barreiras que eu não sabia que existiam.
*O filhote Renegado está dormindo. A Sofia se saiu bem em encontrar um que não fizesse cena.* Era o pensamento de Caio, claro como o dia na minha cabeça.
*A Sofia é a pessoa certa para você, Alfa,* Jairo enviou de volta, sua voz mental cheia de lealdade. *Todo mundo sabe disso.*
A caixa do bolo de repente pareceu impossivelmente pesada. Sofia. A bela guerreira de alto escalão que ele sempre favoreceu. Eles estavam planejando encenar uma família falsa, usando um filhote Renegado emprestado, apenas para se livrar de mim. Para esmagar minha esperança para que ele pudesse ficar com ela.
E então veio o golpe final, um pensamento de Caio tão poderoso, tão cheio de emoção crua que pareceu um golpe físico. Seu lobo interior, uma fera lendária, rugiu em minha mente.
*Sofia é MINHA! Não vou permitir que uma Ômega fraca e patética seja minha Luna!*
A caixa escorregou dos meus dedos dormentes. Atingiu o chão de mármore com um baque suave e nauseante. O bolo lindo, meu coração, minha esperança - tudo se estilhaçou.
Uma dor diferente de tudo que eu já conheci me rasgou. Não era apenas meu coração se partindo; era meu corpo. Meus ossos pareciam estar em chamas, se torcendo e quebrando. Minha visão embaçou. A Primeira Transformação. Estava acontecendo agora, desencadeada pela força pura da minha agonia.
Eu não podia deixá-los me ver assim.
Ignorando a dor lancinante, eu me arrastei para longe, engolindo um soluço enquanto fugia da casa da alcateia e mergulhava na escuridão da floresta ao redor. Cada passo era uma tortura. Senti minha espinha se alongar, minhas articulações se deslocando e se encaixando em posições novas e desconhecidas. Um grito rasgou minha garganta, mas saiu como um uivo gutural e dolorido.
Na névoa de agonia, uma memória surgiu. Eu tinha dez anos, encurralada por um lobo Renegado. Caio, apenas um adolescente na época, apareceu como uma sombra, despachando o Renegado com eficiência brutal. Ele me encontrou chorando, meu joelho arranhado e sangrando, e colocou uma barra de chocolate da Garoto na minha mão. Seu toque enviou um choque através de mim, e seu cheiro - pinho e geada de inverno - acalmou minha alma aterrorizada. Aquele foi o momento. O momento em que eu soube.
Agora, aquela doce memória era veneno, transformando minhas entranhas em cinzas.
A transformação se completou. Caí no chão da floresta, minha respiração saindo em arquejos irregulares. Olhei para minhas patas. Eram enormes, cobertas por um pelo tão branco quanto a neve recém-caída. Uma loba ancestral. Uma loba branca. As lendas eram reais.
Um uivo lúgubre escapou dos meus lábios, um som de puro e absoluto coração partido. Meus novos e poderosos sentidos captaram a rede de Link Mental da alcateia. Eu me concentrei, empurrando através da dor, e encontrei meu irmão.
*Renan,* enviei, minha voz mental rouca e quebrada.
*Lia? O que há de errado? Eu posso sentir sua dor!* Sua preocupação era um cobertor quente no frio.
*Estou bem,* menti. *Diga ao Alfa... diga a ele que aceito a oferta de estudar fora. Vou para o território da Alcateia da Mata Prateada. Partirei assim que puder.*
Cortei o link antes que ele pudesse fazer mais perguntas. Voltar à forma humana foi igualmente doloroso. Nua e tremendo, manquei de volta para minha pequena cabana na beira das terras da alcateia.
Ao entrar, um som ressoou em minha cabeça. Uma mensagem formal de Link Mental do meu Alfa.
*Encontrei minha companheira. E nosso filho.* A mensagem era curta, profissional. Uma imagem brilhou em minha mente: uma pequena pata de lobo peluda. *Este é um convite para nossa Cerimônia de Acasalamento.*
Meus dedos se fecharam em punhos. Ele nem teve a decência de me dizer na minha cara. Ele estava tornando oficial. A mentira. A alcateia inteira veria.
Minha própria dor não importava mais. Apenas a sobrevivência.
Respirei fundo, compondo minha resposta, tornando-a tão vazia e obediente quanto ele acreditava que eu era.
*Sim, meu Alfa.*
Então, caminhei até a pequena forja que meu pai costumava usar. Um por um, juntei cada lembrança de Caio. A adaga de treinamento que ele me deu no meu décimo sexto aniversário. Uma velha camisa tática dele que eu havia roubado da lavanderia. A embalagem desbotada daquela primeira barra de chocolate.
Sem pensar duas vezes, joguei tudo nas chamas. Observei-os queimar até não serem nada além de brasas brilhantes, os últimos vestígios de uma garota que ousou amar um Alfa que nunca a amaria de volta.
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Ponto de Vista de Caio:
*Sim, meu Alfa.*
A resposta veio através do Link Mental, limpa e imediata. Limpa demais. A aceitação de Lia foi tão rápida, tão desprovida da emoção usual que se agarrava às suas mensagens, que fez o lobo dentro de mim andar de um lado para o outro com uma agitação desconhecida.
Eu ignorei o sentimento. Isso era bom. Era isso que eu queria. Alívio. Era isso que esse sentimento era.
"Viu? Ela aceitou bem," eu disse a Jairo, que estava parado perto da janela do meu escritório, olhando para a noite. "O plano funcionou."
Jairo se virou, sua expressão ainda preocupada. "Não sei, Caio. Ela não é do tipo que desiste. Isso parece mais a calmaria antes da tempestade. Ela provavelmente está planejando alguma cena dramática para te reconquistar."
Meu maxilar se contraiu. Ele estava certo. Lia era persistente. A paixão dela era o assunto da alcateia há anos, um fato doce, mas inconveniente da minha vida. Eu tinha que levar isso até o fim, por Sofia. Eu tinha que mostrar a Sofia que eu era completa e inequivocamente dela.
A lembrança do cheiro de Sofia - flores silvestres e chuva de verão - encheu meus sentidos. Eu senti aquele cheiro pela primeira vez anos atrás, uma fragrância fugaz perto das fronteiras que meu lobo instantaneamente reivindicou como *companheira*. Passei anos procurando sua fonte e, alguns meses atrás, a encontrei. Nela.
O cheiro de Lia, uma mistura agradável, mas sem graça, de baunilha e ervas-da-lua, era uma distração confusa. Meu lobo o ignorava, mas a parte humana de mim sempre sentiu uma estranha sensação de paz ao seu redor. Uma fraqueza que eu precisava erradicar.
A porta do escritório se abriu com um estrondo, batendo contra a parede. Renan, meu Beta e meu melhor amigo, estava lá, seus olhos ardendo de fúria.
"O que você fez, Caio?" ele rosnou, sua voz um grunhido baixo.
"Eu fiz o que era necessário," respondi, levantando-me para encará-lo. "Acabei com a ilusão dela."
"Humilhando-a? Inventando uma companheira e um filho falsos?" Renan deu um passo à frente, sua estrutura maciça irradiando ameaça. "Ela é minha irmã, Caio! Uma Ômega sob sua proteção!"
Antes que eu pudesse responder, uma voz suave e feminina ecoou em minha mente. *Caio, meu amor? O filhote acordou e precisa mamar. Você poderia vir comigo ao mercado amanhã? Precisamos comprar algumas coisas para fazer isso parecer mais convincente.* Era Sofia. Sua voz mental era um bálsamo para meus nervos à flor da pele.
Meu dever era claro. Minha companheira escolhida precisava de mim.
Olhei para Renan, meu amigo mais antigo, e minha voz caiu para o timbre baixo e retumbante de comando. O Comando do Alfa. "Você vai se afastar, Beta."
O poder em minha voz o atingiu como um golpe físico. Renan congelou, seus músculos travando, seu maxilar cerrado em um rosnado silencioso de desafio. Ele estava lutando contra isso, sua força de Beta guerreando contra minha autoridade de Alfa, mas era uma batalha que ele não podia vencer. Seu corpo foi forçado à submissão, mesmo enquanto seus olhos queimavam de ódio.
"Discutiremos isso mais tarde," eu disse friamente, virando as costas para ele. Saí do escritório, deixando-o paralisado em uma jaula que eu mesmo criei.
Jairo e os outros Gamas rapidamente o cercaram enquanto eu saía. Ouvi suas vozes abafadas através da porta. "Não seja estúpido, Renan." "Ele é o Alfa." "Ela vai superar."
Eu ignorei suas vozes. Eles não entendiam. Nenhum deles entendia a atração que eu sentia por Sofia. Era um laço forjado pelo destino, e eu não deixaria nada - e ninguém - ficar no meu caminho.
Alguns dias depois, a alcateia se reuniu para a celebração do aniversário de Renan. Era um grande evento, realizado no salão principal. Fiz minha entrada com Sofia no braço, segurando o filhote Renegado emprestado em um transportador. O filhote estava quieto, sedado com uma erva suave para impedi-lo de choramingar.
Os membros da alcateia se afastaram diante de nós, suas cabeças curvadas em respeito. Meus olhos percorreram a multidão, procurando por uma pessoa. Eu a encontrei perto do fundo, conversando baixinho com algumas outras Ômegas. Lia.
Ela parecia diferente. Seu otimismo de olhos brilhantes de sempre havia sumido, substituído por uma compostura calma, quase fria. Era perturbador.
Levei Sofia diretamente até ela. Isso tinha que ser público. Tinha que ser final.
"Lia," eu disse, minha voz projetando-se para que os que estavam por perto pudessem ouvir. "Gostaria que você conhecesse Sofia, minha Luna escolhida." Gesticulei para o transportador. "E este é nosso filho."
O salão inteiro pareceu prender a respiração. Todos os olhos estavam na garota Ômega que eu estava prestes a estilhaçar.
Mas ela não se estilhaçou. Ela olhou de mim para Sofia, sua expressão indecifrável. Então, ela se abaixou em uma reverência graciosa e formal de submissão, do tipo que uma Ômega oferece à sua Luna.
Sua voz era clara e firme, sem um único tremor. "É uma honra, minha futura Luna."
Sofia, desempenhando seu papel perfeitamente, colocou uma mão gentil no ombro de Lia. "Obrigada, Lia. Sei que isso deve ser difícil para você." Seu tom era doce, mas seus olhos continham um brilho de triunfo. "Espero que você venha à nossa Cerimônia de Marcação no próximo mês. Significaria muito para o Caio... e para mim."
O convite foi a última torção da faca. Uma exigência pública para que ela me testemunhasse ligando minha alma a outra.
Lia ergueu o olhar, seu olhar encontrando o meu por um segundo fugaz. Não havia nada lá. Nenhuma dor, nenhum amor, nenhuma súplica. Apenas uma vasta e vazia quietude.
"Claro," ela disse. "Seria uma honra comparecer."
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Ponto de Vista de Lia:
"Prometo que cumprirei meus deveres como Ômega e oferecerei a você todo o meu apoio," eu disse, minha voz uma máscara perfeita de respeito obediente.
Sofia sorriu, um sorriso de vitoriosa.
Um dos Gamas de Caio, um bruto chamado Marcos, deu um passo à frente com um sorriso de escárnio. "Bom ver que você finalmente sabe o seu lugar, Ômega. Estávamos cansados de ver você se arrastar atrás do Alfa como um cachorrinho perdido."
Outro, Léo, riu. "Lembra daquela vez que ela tentou cantar para ele pelo Link Mental durante a caçada da Lua de Sangue? Ele a cortou tão rápido. Foi vergonhoso."
As palavras deles eram para ferir, para me humilhar na frente de toda a alcateia. Algumas semanas atrás, teriam conseguido. Eu teria corado de vergonha, meus olhos se enchendo de lágrimas.
Mas agora, suas provocações eram como pedras jogadas em um poço sem fundo. Elas simplesmente desapareceram.
Olhei para Caio. Ele estava lá, em silêncio, sua expressão fria e distante. Ele não os impediu. Ele assistiu enquanto seu círculo íntimo me destruía, seu silêncio um claro endosso à crueldade deles. Naquele momento, eu entendi. Qualquer bondade que ele já havia me mostrado, qualquer tolerância à minha presença, tinha sido puramente por causa de Renan. Sem o status do meu irmão como Beta, eu não era nada para ele. Menos que nada.
A festa continuou. Caio era o companheiro perfeito. Ele protegeu Sofia quando outro macho lhe ofereceu uma bebida forte, pegando o copo para si. Ele cortou a porção dela do javali assado, garantindo que fosse o pedaço mais macio. Ele estava fazendo uma grande performance para toda a alcateia, exibindo sua devoção à sua Luna escolhida.
Mais tarde, Sofia me encontrou em um nicho tranquilo. Ela tinha um copo de suco na mão, seu sorriso enjoativamente doce.
"Eu só queria ter certeza de que você está bem," ela disse, sua voz um ronronar suave. "Caio se preocupa, sabe."
Eu não respondi.
Seu sorriso se apertou. "Como você descobriu?" ela perguntou, sua voz baixando para um sussurro. "Sobre o nosso plano. Eu sei que você sabe. Sua reação... é calma demais."
Encarei seu olhar. "Não sei do que você está falando."
Ela se inclinou mais perto, seu cheiro de flores silvestres de repente sufocante. "Não se faça de boba comigo, Ômega. Você ouviu alguma coisa, não ouviu?"
Antes que eu pudesse responder, um tremor súbito sacudiu o grande salão. Gritos de alarme eclodiram. Olhei para cima. Bem acima, o enorme lustre central, uma monstruosidade de ferro e prata polida, balançava violentamente. Seus suportes haviam sido cortados.
Renegados. Tinha que ser.
O lustre se soltou, despencando em direção ao chão - diretamente em nossa direção.
O tempo pareceu desacelerar. Vi a cabeça de Caio se virar bruscamente. Seus olhos se arregalaram em pânico. Seu lobo, seus instintos, assumiram o controle. Em um borrão de movimento, ele se lançou. Não para mim. Ele passou por mim como um míssil vestido de preto de puro instinto protetor e envolveu seu corpo em torno de Sofia, protegendo-a completamente enquanto a carregava para fora da zona de queda.
Ele nunca nem olhou na minha direção.
Não tive tempo de me mover, nem tempo de gritar. O mundo explodiu em uma sinfonia de cristal se estilhaçando e dor ofuscante. O peso do lustre me esmagou, mas foi a prata que trouxe a agonia.
Prata. A única substância que é veneno para nossa espécie. Queimou minha pele, seu fogo frio queimando através da carne e do osso, suprimindo as habilidades naturais de cura do meu lobo. Um grito foi arrancado dos meus pulmões, um som cru de tormento.
A última coisa que vi antes que a escuridão me reivindicasse foi Caio. Ele estava segurando Sofia, suas mãos passando freneticamente por ela, sua voz um sussurro desesperado em sua mente que eu podia ouvir fracamente. *Você está ferida? Sofia, fale comigo! Você está ferida?*
Ele estava completamente alheio ao fato de que sua verdadeira companheira estava sangrando até a morte no chão a poucos metros de distância.
Acordei na enfermaria da alcateia. O ar cheirava a ervas antissépticas e sangue. Meu irmão, Renan, estava sentado ao lado da minha cama, a cabeça entre as mãos. Seus ombros tremiam.
"Sinto muito, Lia," ele engasgou quando viu meus olhos abertos. "Eu deveria ter te protegido. Eu deveria tê-lo impedido."
Minha perna estava envolta em bandagens grossas, uma dor surda e latejante irradiando dela. A Curandeira tinha feito o seu melhor, mas feridas de prata demoravam a cicatrizar.
Estendi a mão e coloquei-a em seu braço. Minha própria voz parecia estranha, distante. "Não é sua culpa, Renan." Olhei em seus olhos preocupados. "Desta vez... eu estou realmente deixando ir."
Ele pareceu confuso.
Fechei os olhos e me concentrei, enviando uma mensagem silenciosa através do Link Mental para o centro de transporte nos territórios neutros.
*Confirmando minha passagem para o salto pelo portal em dez dias. Destino: Mata Prateada.*
Era isso. Não havia mais nada para mim aqui além de dor.
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