"Então seis anos foi demais para você e se cansou de mim, senhor Newman?"
Ao ser indagado, Brandon Newman apenas mexeu o vinho na taça, sem nem se abalar.
"Joslyn, eu te dei tudo o que pude ao longo desses seis anos, pagando seus estudos no exterior, te mostrando o mundo e te proporcionando uma vida boa. Não podemos terminar as coisas de forma amigável e manter nossa dignidade, por favor?"
A mulher sentada diante dele era tão deslumbrante a ponto de chamar a atenção de qualquer um, tendo cabelos longos, lábios vermelhos e traços marcantes, era impossível desviar o olhar de uma beleza como a dela.
Nesse momento, ela ergueu seus olhos ligeiramente, e a frieza por trás deles a fez parecer ainda mais distante e intocável. Essa era Joslyn Clark, que havia sido namorada de Brandon nos últimos seis anos.
Com um traço de zombaria na voz, ela perguntou: "Não foi você quem disse que nunca se casaria com ninguém além de mim? Não foi você quem me pediu em casamento na frente de todos na formatura? E agora está falando em terminar tudo numa boa? Qual foi o propósito de todas essas promessas?"
Brandon se enrijeceu e, pela primeira vez, uma dor genuína surgiu no seu rosto. "Uma família como a família Newman se preocupa com o status. Meu pai adotivo jamais permitiria que alguém como você se casasse conosco."
Quando ele a cortejava, jurou que o status e a origem familiar nunca seriam um problema entre eles, mas agora, essas coisas se tornaram o motivo pelo qual ele a abandonou.
"Joslyn, o que tivemos foi sincero. Vamos deixar isso no passado, tá bem? Vou transferir o apartamento na beira do rio no distrito oeste para o seu nome e te dar mais cinco milhões de dólares. Então pegue o dinheiro e viva bem. Se precisar de ajuda, é só me ligar."
Enquanto ouvia a voz indiferente dele, Joslyn se recostou na cadeira, sentindo uma dor surda se alastrar lentamente pelo seu peito.
Dos dezenove aos vinte e cinco anos, ela passou toda a sua juventude com ele.
Ela achava que seis anos juntos lhe dariam pelo menos um pouco de sinceridade, mas no fim das contas, ela acabou confiando no homem errado.
"Então isso não tem nada a ver com seu pai adotivo. Clare Simpson voltou, né? Você me disse que nunca mentiria para mim, Brandon, mas agora não consegue nem me dizer o verdadeiro motivo de estar me deixando."
Quando foi confrontado, a expressão de Brandon se alterou várias vezes até que ele finalmente desistisse de tentar esconder.
"Me desculpe, Joslyn. Clare teve seus motivos para ir embora naquela época. Agora que ela voltou, não posso magoá-la novamente."
Ao ouvir isso, Joslyn quis rir. Rir de como ela havia sido tola e da hipocrisia de Brandon. Mas a dor que apertava seu peito engoliu todas as outras emoções.
"Não quero esse apartamento. Me dê o valor equivalente em dinheiro. A indenização de cinco milhões pelo término mais o valor de mercado do imóvel devem dar pelo menos dezenas de milhões, né? Quero vinte e cinco milhões de dólares. Transfira antes do meio-dia de amanhã. Se o dinheiro não estiver na minha conta até esse horário, enviarei todas as conversas dos últimos seis anos para os tabloides."
Imediatamente, Brandon a segurou pelo pulso. "Joslyn, não precisa chegar a esse ponto. Se precisasse de dinheiro, poderia ter me dito. Eu teria te dado."
Joslyn puxou sua mão e vestiu o casaco. "Vinte e cinco milhões para proteger sua imagem de homem dedicado que foi leal ao seu primeiro amor por todos esses anos? É um acordo bastante vantajoso. Acredite, você está saindo no lucro."
Brandon ficou parado onde estava, a observando se afastar, enquanto por uma fração de segundo, um vazio estranho se instalava no seu peito.
No entanto, ele logo afastou esse sentimento. "Ela é apenas uma mulher...", ele pensou. Se ela queria ir embora, então que fosse.
Clare finalmente havia voltado, e o mal-entendido entre eles estava resolvido. Após esperar anos por ela, ele não podia perdê-la novamente.
Quanto a Joslyn, depois de seis anos com ele, o dinheiro que ele deu a ela era mais do que suficiente para ela viver confortavelmente pelo resto da vida.
Aos seus olhos, ele já havia feito mais do que o suficiente.
Após sair do restaurante, Joslyn caminhou lentamente pela beira do rio. Sempre orgulhosa até o último fio de cabelo, ela não conseguiu mais conter as lágrimas, que finalmente escorreram pelo seu rosto.
Eram seis anos, não seis dias. Foi praticamente toda a sua juventude, que foi arrancada em questão de uma conversa. Como ela poderia não se sentir arrasada?
Pouco depois, seu celular vibrou com uma notificação bancária: vinte e cinco milhões de dólares. Cada centavo havia sido transferido. Joslyn abaixou o celular, enxugou as lágrimas do rosto e olhou para o horizonte reluzente do outro lado do rio.
A vista noturna de Dafson era deslumbrante, com suas luzes infinitas e edifícios de vidro imponentes. Essa era a cidade da qual ela havia lutado tanto para fazer parte.
Seis anos atrás, ela saiu de uma pequena cidade rural e conquistou uma vaga na prestigiada Universidade de Dafson. Naquela época, a reação dos seus pais foi brutalmente direta: "Qual é o sentido de uma garota estudar tanto? Você deveria se casar enquanto ainda é jovem. Seu irmão está prestes a entrar no último ano do ensino médio, e as mensalidades da escola custam uma fortuna. Já estamos passando por dificuldades, então se vire."
Sem chorar ou discutir, ela saiu de casa em silêncio, solicitou empréstimos estudantis e trabalhou em três empregos de meio período só para sobreviver.
Alguns meses após o início das aulas, ela conheceu Brandon durante uma competição de debate.
Ele era rico, atraente e nasceu com privilégios. Depois de vê-la uma vez, ele começou a cortejá-la incansavelmente, bombardeando-a com flores, presentes caros, carros de luxo esperando do lado de fora do campus, cuidado e atenção infinitos... Todos ao redor deles a invejavam.
A princípio, Joslyn se sentiu sobrecarregada com tudo isso, mas logo entendeu a situação: ela queria subir na vida, buscando riqueza, status e influência para se estabelecer nessa cidade e nunca mais ser desprezada.
Brandon tinha dinheiro, poder e era bonito. Mais importante ainda, ele a tratava bem.
Por que ela não o aceitaria?
Durante seis anos, Brandon a levou para um mundo que ela jamais conseguiria alcançar sozinha, e ela pôde ver como era a vida no topo.
No entanto, havia uma coisa que ela sempre soube muito bem: tudo o que ela possuía vinha de ser a "namorada de Brandon".
No momento em que ela perdesse essa identidade, voltaria a ser uma ninguém.
Foi por isso que ela lutou tanto por bolsas de estudo, construiu suas redes sociais do zero e conseguiu entrar em uma das principais empresas de design arquitetônico após a formatura. Na maioria das noites, ela trabalhava até depois da meia-noite.
Quando Joslyn estava guardando o celular no bolso, outra mensagem chegou.
"Joslyn, é a mãe. Seu irmão vai se casar. A família da garota quer que ele compre uma casa em Dafson. Não temos como conseguir esse dinheiro. Você se deu bem em Dafson e provavelmente conhece muitos ricos agora. Pode ajudar seu irmão?"
Joslyn já estava exausta. Sem demonstrar qualquer emoção, ela bloqueou o número, excluiu a conversa e continuou andando até entrar numa rua lateral tranquila.
Esse era o bairro antigo de Dafson, onde plátanos imponentes se alinhavam em ambos os lados da rua, e os postes de luz âmbar lançavam feixes de luz tênues sobre a calçada.
Com o dinheiro que ganhava com a criação de conteúdo e uma ajuda financeira de Brandon, ela havia comprado um pequeno apartamento aqui.
Duas figuras estavam ansiosamente do lado de fora do prédio, olhando ao redor a cada poucos segundos. Eram um homem e uma mulher.
No momento em que Joslyn os reconheceu, seu coração disparou. O casal que esperava lá embaixo eram seus pais, os mesmos que haviam cortado relações com ela por seis anos.
Era como se todos os desastres do mundo tivessem decidido cair sobre ela naquela noite.
"Joslyn!" Sua mãe, Beverly Clark, a avistou imediatamente e correu para segurar seu braço. "Você finalmente voltou! Fiquei te ligando várias vezes. Por que não atendeu?"
O pai de Joslyn, Vince Clark, também se aproximou, esfregando as mãos enquanto forçava um sorriso sem jeito. "Joslyn, sabemos que te tratamos mal, mas ainda somos família. As famílias não podem ficar com raiva para sempre, né? Seu irmão não pode adiar mais esse casamento. A garota está grávida e, se eles não se casarem logo, a família dela pode cancelar o noivado..."
Joslyn puxou o braço do aperto de Beverly e deu um passo para trás, seu olhar se tornando frio. "Não foram vocês que disseram que era melhor fingir que nunca tiveram uma filha como eu? Então o que lhes dá o direito de vir me pedir dinheiro agora?"
"Ah, só dissemos isso porque estávamos com raiva na época!", disse Beverly, enxugando as lágrimas apressadamente. "Você é minha filha. Como uma mãe poderia deixar de amar sua própria filha? Joslyn, sei que você se deu bem em Dafson. Por favor, ajude seu irmão só dessa vez. Estou te implorando..."
"Não tenho dinheiro. Sou apenas uma funcionária comum. Meu salário mal cobre o aluguel e as despesas mensais", Joslyn interrompeu friamente.
"Quem você está tentando enganar?", Vince perguntou de repente, sua voz se elevando. "Já me informei. Seu namorado é da família Newman, a família mais rica de Dafson. Só um pouco de dinheiro dele seria suficiente para comprar uma casa para seu irmão!"
Joslyn quase riu de raiva. "Por seis anos, vocês nunca se importaram se eu estava viva ou morta. No momento em que souberam que eu estava namorando alguém rico, correram para arrancar dinheiro de mim. Vocês realmente pensaram bem nisso, hein?"
"Cuidado com o que diz!", exclamou Vince, seu rosto vermelho de raiva. "Nós te criamos por todos esses anos, e é assim que você nos retribui? Sua ingrata. Você tem dinheiro para gastar consigo, mas não ajuda sua própria família? Você tem alguma consciência?"
Beverly também começou a chorar. "Joslyn, por favor. Ajude seu irmão só dessa vez. Se ele não conseguir se casar, não vou conseguir continuar vivendo..."
"Já disse que não tenho dinheiro, então parem de perder tempo." Após dizer isso, Joslyn passou por eles e entrou no prédio.
Quando Joslyn entrou no prédio, disse friamente: "Se continuar me seguindo, vou chamar a polícia."
Quando a porta do corredor se fechou atrás dela, a voz estridente de Beverly ecoou do outro lado: "Joslyn, sua vadia ingrata! Cedo ou tarde, o karma vai te pegar!"
Ouvindo isso, Joslyn fechou os olhos lentamente e respirou fundo.
Não, se alguém fosse enfrentar o karma, seriam eles.
Quando voltou para o apartamento, ela tirou os saltos, se jogou no sofá, soltando um suspiro de exaustão.
Ela sabia que não podia mais continuar morando ali. Caso contrário, aquele casal continuaria aparecendo e causando problemas sem parar. Uma dor de cabeça latejante pulsava atrás dos seus olhos, a fazendo se sentir cansada e frustrada.
De repente, seu celular tocou novamente. Na tela, apareceu um número desconhecido.
"Alô?"
"Olá, senhorita Clark. Aqui é Connor Newman. Se tiver um tempo, gostaria de me encontrar com você."
Connor Newman era o verdadeiro poder por trás da família Newman, uma figura lendária no mundo dos negócios de Dafson e pai adotivo de Brandon.
Por que alguém como ele queria vê-la?
Connor era apenas dez anos mais velho que Brandon. Embora tivesse sido adotado por Connor, Brandon era um Newman de sangue desde o início. Joslyn nunca entendeu completamente os detalhes por trás da relação deles.
Ela se lembrava de como Brandon costumava descrever Connor: frio, implacável e sem emoções, tão distante que as pessoas tinham medo até de se aproximar dele. Um homem que nunca quebrava as regras e não demonstrava misericórdia ao lidar com os problemas.
Ela não podia se dar ao luxo de ofender alguém como ele, muito menos recusar.
Eles se encontraram em um clube privado, onde Connor estava sentado perto da janela, vestindo um terno cinza-escuro, com todos os botões abotoados perfeitamente, sem o menor vinco.
Ele parecia mais jovem do que nas revistas, mas de alguma forma ainda mais intimidador pessoalmente. Seus traços eram marcantes e refinados, com um maxilar definido e elegante. Um par de óculos sem aro repousava sobre seu nariz. "Senhorita Clark, por favor, sente-se."
Joslyn se sentou à sua frente. Após se recompor, ela perguntou: "Sobre o que queria falar comigo, senhor Newman?"
"Você terminou com Brandon."
Joslyn arqueou uma sobrancelha, já imaginando o motivo pelo qual Connor queria se encontrar com ela. Como a maioria dos pais ricos, ele provavelmente estava ali para resolver a situação do seu filho adotivo e garantir que ela não continuasse a incomodá-lo depois disso.
"Sim. Se está preocupado que eu continue incomodando Brandon, não precisa ficar. Já resolvemos tudo entre nós e não haverá mais contato depois disso."
Com seus olhos escuros impossíveis de decifrar, Connor a observou em silêncio por um momento antes de dizer: "Senhorita Clark, não estou aqui por causa dele. Tenho uma proposta para você. Case-se comigo."
Por um momento, Joslyn pensou que havia entendido errado. "Senhor Newman, isso não tem graça."
Connor pegou um documento calmamente e o deslizou sobre a mesa. "Estou falando sério. Este é um rascunho do contrato de casamento. Pode dar uma olhada."
Ao ouvir suas palavras, a mente de Joslyn entrou em turbilhão.
Connor Newman, o verdadeiro poder por trás da família Newman, era um bilionário solteiro de trinta e cinco anos, o homem inalcançável que inúmeras pessoas em Dafson sonhavam em se aproximar.
E agora, ele estava a pedindo em casamento, uma mulher que seu filho adotivo acabara de abandonar?
"Por quê?", ela perguntou em voz baixa.
Connor se recostou ligeiramente na cadeira. "Preciso de uma esposa. Minha mãe vem me pressionando constantemente, e você me parece uma boa opção. Você é inteligente, atraente, altamente instruída e seu histórico profissional é excelente. Mais importante ainda, estou interessado em você. Admiro o quanto você é racional e ambiciosa. Você sabe exatamente como usar os recursos ao seu redor a seu favor. O fato de ter conseguido vinte e cinco milhões de dólares em um término, entregues voluntariamente pelo seu ex, já prova que você está qualificada para se tornar minha esposa."
Ao ouvir isso, Joslyn sentiu seu coração bater forte contra o peito.
Connor sabia de tudo: que o relacionamento dela com Brandon nunca foi baseado apenas no amor, que ela era ambiciosa e pragmática, e até mesmo sobre o enorme acordo de separação que ela havia exigido.
Connor continuou no mesmo tom calmo: "Case-se comigo e você terá tudo o que quiser. Dinheiro, recursos, status e até a chance de se vingar de Brandon. Em troca, ganharei uma esposa adequada e minha mãe finalmente parará de se preocupar com isso."
"E esse casamento tem um prazo?", Joslyn perguntou.
"Não. A família Newman não tem o costume de iniciar divórcios. A menos que você insista em terminar o casamento, isso não acontecerá", Connor respondeu sem a menor hesitação.
"E se não nos dermos bem?"
Connor a encarou calmamente. "Então aprenderemos a nos adaptar um ao outro. Contanto que você cumpra seu papel como senhora Newman e não ultrapasse meus limites, receberá o respeito e o apoio que merece. Quanto aos sentimentos, eles podem se desenvolver com o tempo."
Após um momento de silêncio, Joslyn perguntou cuidadosamente: "O que exatamente envolve ser sua esposa?"
"Em público, você cooperará comigo como minha esposa. Participará de eventos sociais comigo e cuidará das interações com os parentes da família Newman." Connor fez uma breve pausa antes de continuar. "E teremos uma vida de casados normal entre nós. Sou um homem saudável com necessidades físicas normais. Antes do casamento, eu conseguia me controlar ou lidar com isso em particular, mas depois do casamento, não vejo razão para continuar fazendo isso. Não tenho interesse em um casamento sem sexo."
"Mas você tem trinta e cinco anos e eu vinte e cinco. Há uma diferença de dez anos entre nós." Joslyn tentava lembrá-lo de que uma diferença de idade como essa poderia facilmente tornar duas pessoas incompatíveis.
Diante das palavras dela, Connor arqueou uma sobrancelha ligeiramente. "Então está preocupada que eu seja velho demais para te satisfazer?"
Sem palavras, Joslyn se perguntou como ele conseguira transformar uma conversa comum em algo tão constrangedor.
Observando o leve rubor se espalhar pelo rosto dela, Connor sentiu algo mais sombrio brilhar no seu olhar.
"Meu trabalho me deixa bastante ocupado e viajo com frequência a negócios, então não ficarei muito em casa. Você terá total liberdade para viver como quiser. Além disso, transferirei dez milhões de dólares para sua conta mensalmente, e todos os recursos do Grupo Newman estarão à sua disposição. Você pode continuar trabalhando como arquiteta ou abrir seu próprio estúdio. A decisão será inteiramente sua."
Diante de tudo isso, como Joslyn não se sentiria tentada? Qualquer pessoa comum ficaria impressionada com termos como esses, mesmo que toda essa situação parecesse um golpe bem elaborado.
"Preciso de um tempo para pensar sobre isso", disse ela.
Se levantando da cadeira, Connor respondeu: "Tudo bem. Meu voo parte amanhã à noite e ficarei fora por uma semana. Espero ter sua resposta quando eu voltar."
Após dizer isso, ele se dirigiu até a porta, mas de repente parou e se virou para olhar para ela novamente.
"Joslyn, tudo o que Brandon poderia te oferecer, eu posso te dar dez vezes mais. E o que ele nunca poderia te dar, eu também posso. Espero que pense bem sobre isso."
Depois que ele saiu, Joslyn abriu o documento sobre a mesa e o leu página por página. Os termos eram claros e as condições tão generosas que chegavam a ser inacreditáveis. Dez milhões de dólares seriam transferidos para sua conta todos os meses, ela teria acesso total aos recursos do Grupo Newman e receberia apoio para abrir seu próprio estúdio independente.
Tudo o que ela precisava fazer era cumprir suas responsabilidades como esposa de Connor.
Joslyn fechou o documento lentamente e se virou para olhar pela janela.
A noite já havia caído, e as luzes de neon brilhavam sobre o rio como um sonho, tão brilhantes e deslumbrantes que atraíam as pessoas para um caminho sem volta.
Se ela assinasse esse acordo, poderia cortar os laços com seu passado de uma vez por todas, ganhar liberdade financeira, ultrapassar a linha invisível que separava as classes sociais e, por fim, chegar ao topo de Dafson.
Mas o custo era se casar com um homem dez anos mais velho que ela. Um homem que ela mal conhecia. Um homem que era o pai adotivo do seu ex-namorado.
Isso nunca seria um relacionamento igualitário. As diferenças de status, poder e experiência de vida entre eles eram grandes demais.
Será que tudo isso realmente valia a pena?
De repente, Joslyn se lembrou dos seus pais mais cedo naquele dia, com seus rostos gananciosos distorcidos pelo desespero.
Ela se lembrou de Brandon sentado à sua frente no restaurante, falando com ela como se estivesse fazendo um favor a alguém inferior a ele.
Ela se lembrou dos últimos seis anos, em como vivia com cautela todos os dias enquanto se esforçava tanto para se casar com alguém da família Newman.
Ela se lembrou de todas aquelas noites trabalhando até tarde, até adormecer na sua mesa, apenas para perceber que ainda não conseguia superar a diferença entre as classes, por mais que se esforçasse.
Ela estava exausta, cansada de depender da aprovação dos outros, cansada de observar atentamente as expressões de todos, cansada de ser avaliada, julgada e abandonada no momento em que não atendia mais às expectativas deles.
Joslyn pegou a caneta lentamente. A ponta pairava sobre o papel enquanto ela hesitava pela última vez.
Será que ela realmente iria assinar?
Assim, uma semana depois, Connor e Joslyn foram ao tribunal, onde todo o processo não demorou muito.
No momento do casamento, Joslyn ficou atordoada.
De repente, a voz de Connor ecoou ao seu lado: "Vamos ao seu apartamento levar suas coisas."
Foi só então que a ficha caiu para Joslyn, e agora, ela estava casada com Connor. A partir desse dia, eles viveriam juntos como marido e mulher e teriam uma relação íntima, sendo que ela mal sabia sobre ele.
Ela não sabia onde ele morava, quais eram seus hábitos, do que ele gostava... Ela não sabia de nada disso.
Joslyn e Connor estavam sentados no banco de trás, mantendo uma distância de um braço entre eles, e o motorista permaneceu em silêncio durante todo o trajeto.
"Este é Damien Stevens, um dos meus assistentes. Se precisar de alguma coisa, pode entrar em contato com ele", Connor disse, apontando para o homem sentado no banco do passageiro.
Damien se virou ligeiramente e acenou educadamente para ela. "Prazer em conhecê-la, senhora Newman."
Joslyn acenou com a cabeça sem jeito, pois ainda se sentia desconfortável em ser chamada assim.
O apartamento dela ficava em um prédio antigo reformado, um edifício de três andares com heras cobrindo a fachada.
"Moro no terceiro andar", disse Joslyn ao sair do carro.
Em seguida, Connor saiu também e pediu para Damien esperar lá embaixo.
Enquanto eles caminhavam pelo corredor estreito, as luzes com sensor se acendiam uma após a outra.
Sabendo que Connor estava bem atrás dela, Joslyn pegou as chaves e destrancou a porta, sentindo o aroma fresco de cedro que emanava dele.
No momento em que a porta se abriu, o pequeno apartamento se revelou, um espaço aconchegante e cuidadosamente organizado. Ao lado de estantes de madeira natural, havia um sofá branco, enquanto pinturas em aquarela e esboços arquitetônicos decoravam as paredes.
Além das janelas do chão ao teto voltadas para o sul, havia uma pequena varanda onde roupas recém-lavadas secavam ao vento, com várias peças de lingerie de renda entre elas.
Ao ver isso, o rosto de Joslyn ficou vermelho como um tomate.
Ela correu para recolher as roupas, mas Connor segurou seu pulso suavemente antes que ela pudesse fazer isso.
"Eu faço isso", ele disse.
Estendendo a mão, Connor começou a recolher as roupas, seus dedos longos se movendo cuidadosamente enquanto retirava cada peça do varal, fossem lingeries ou pijamas, dobrando-as cuidadosamente e as colocando na cesta de vime ao lado dele.
"Não precisa... posso fazer isso sozinha", disse Joslyn baixinho.
Sem sequer olhar para ela, Connor perguntou: "Ajudar a esposa com coisas assim não faz parte do dever de um marido?"
Ele disse isso com tanta naturalidade que Joslyn se deu conta de que seu coração batia aceleradamente.
Após terminar na varanda, Connor olhou lentamente ao redor do pequeno apartamento.
Seus olhos percorreram as estantes, se detendo brevemente nos esboços inacabados espalhados pela mesa de trabalho dela, e, por fim, parando no braço do sofá, onde um cachecol clássico masculino estava jogado descuidadamente.
Connor se aproximou e o pegou. "É dele?"
Ao ser indagada, Joslyn olhou para ele e respondeu: "Sim. De Brandon."
Dobrando o cachecol ao meio, Connor foi até a lixeira e o jogou dentro.
O cachecol caiu em cheio no cesto.
Então, ele se virou para ela e disse com um olhar sério: "Senhora Newman, você não deveria guardar coisas que pertencem ao seu ex."
Embora soubesse que ele não estava errado, Joslyn sentiu seu coração se apertar inesperadamente.
Não era porque ela ainda amava Brandon, mas porque esses seis anos, bons ou ruins, fizeram parte da sua vida.
Percebendo a mudança na expressão dela, Connor se aproximou. "Ainda não conseguiu superar?"
"Não é isso. Só estou me sentindo uma idiota por ter sido tão ingênua", disse Joslyn, balançando a cabeça.
"O que há de idiota nisso?"
"Eu realmente achava que o amor era suficiente para superar a diferença entre as classes sociais." Joslyn soltou uma risada irônica. "Fiquei ao lado do homem que usava esse cachecol, acreditando que tudo daria certo no final. No fim das contas, eu só estava me enganando."
Com um suspiro, ela se afastou dele e continuou arrumando suas coisas.
Ela começou a guardar suas roupas, livros, materiais de pintura, cosméticos...
Ela não tinha muita coisa, então, em pouco tempo, tudo foi embalado em duas malas e uma caixa de papelão.
Arregaçando as mangas, Connor pegou a mala mais pesada dela e ergueu a caixa de papelão com a outra mão. "Não precisa carregar nada. Voltarei para pegar o resto."
Joslyn queria dizer a ele que conseguiria carregar sozinha, mas ele já havia saído com a bagagem.
Antes desse dia, esse homem era alguém inalcançável para ela. Ele era o poderoso chefe da família Newman, uma figura que as pessoas só comentavam de longe. No entanto, agora ele era seu marido e estava a ajudando a se mudar.
Quando eles desceram, Damien já havia aberto o porta-malas. Após colocar a bagagem dentro, Connor se virou para Joslyn e perguntou: "Além da última mala lá em cima, há mais alguma coisa?"
"Deixei algumas roupas secando no banheiro", ela se lembrou de repente. "Os banheiros ficam úmidos facilmente e, se ficarem lá por muito tempo, podem acabar mofando. Pretendo vender este apartamento depois, e limpar o mofo seria um problema."
Ela tinha razão, já que o clima úmido do sul era conhecido por esse tipo de problema. Roupas deixadas em locais úmidos por muito tempo podiam criar mofo e, às vezes, até cogumelos.
"Vou pegá-las", disse Connor, se virando e subindo as escadas novamente.
Instintivamente, Joslyn começou a segui-lo, mas Damien a impediu educadamente. "Senhora Newman, por favor, entre no carro. O senhor Newman pode cuidar disso."
Connor abriu a porta do banheiro, revelando um espaço pequeno, mas impecável e organizado.
Ao lado da pia, havia uma escova de dentes elétrica e produtos para a pele, claramente de uma mulher. Uma toalha de lavanda estava pendurada ao lado do espelho, com várias peças de roupa por perto.
Seus olhos percorreram o cômodo calmamente antes de pararem na prateleira no canto, onde havia uma camisa social masculina.
Ao vê-la, o olhar de Connor se fechou ligeiramente.
Embora soubesse que Joslyn e Brandon nunca haviam morado juntos, ver as roupas de outro homem no espaço íntimo dela era extremamente irritante, como se uma faca estivesse cravada em seu peito.
Sem dizer uma palavra, Connor pegou a camisa, a amassando e a jogando na lixeira onde estava o cachecol.
Em seguida, ele abriu a torneira e lavou as mãos. A água fria escorria pelos seus dedos, mas não foi capaz de aliviar a irritação oculta sob sua expressão calma.
Embora Connor soubesse há seis anos que a história de Joslyn e Brandon era real, ouvir falar sobre isso e ver os vestígios com seus próprios olhos eram duas coisas completamente diferentes. Ele já havia esperado tempo demais.
Quando ele voltou para o carro, Joslyn logo percebeu que seu humor havia mudado.
"O que houve?", ela perguntou.
Connor manteve os olhos fixos à frente. "Nada."
No entanto, era óbvio que algo o estava incomodando.
Após um momento de reflexão, Joslyn de repente se deu conta. "Você viu alguma coisa lá em cima?"
Connor não disse nada, o que já era uma resposta suficiente.
Nesse momento, o coração de Joslyn se apertou. O que ele havia visto no banheiro? Então, ela se lembrou. A camisa.
Brandon havia passado lá na semana passada antes de uma reunião importante, por ter derramado café em si.
Como o apartamento dela ficava perto da empresa dele, ele passou lá para tomar banho e trocar de roupa.
"Foi só um acidente", explicou Joslyn baixinho. "Ele derramou café na camisa e veio trocá-la. Depois, acabou se esquecendo de levá-la..."
A voz de Connor ficou mais fria ao responder: "Não precisa explicar nada. Não estou interessado no que aconteceu entre você e ele."
Contudo, seus lábios cerrados e a leve ruga entre as sobrancelhas deixavam claro que ele estava mentindo. Ele estava chateado.
Diante dessa situação, um sentimento estranho surgiu em Joslyn.
Mas por quê?
"Senhor Newman", Joslyn chamou suavemente.
"Hum?"
"Você está chateado?"
Connor finalmente olhou para ela. "Não."
"Está sim", ela disse com firmeza.
Connor desviou o olhar novamente. "Se um marido encontra coisas de outro homem no apartamento da esposa e percebe que esse homem já passou a noite lá, seria estranho se ele não sentisse nada."
Joslyn fez uma pausa por um momento antes de falar baixinho: "O que Brandon e eu tivemos foi real, mas nunca passamos a noite juntos. Nem uma única vez."
Durante seis anos, Brandon permaneceu leal a Clare à sua maneira. Ele e Joslyn se abraçaram e se beijaram, mas nunca passaram dos limites.
"Eu sei." Connor olhou para ela novamente.
Mas saber não significava que ele poderia ignorar o que sentia.
Joslyn não sabia o que dizer depois disso. O que exatamente ele sabia?
O carro entrou na Mansão Laurel e parou em frente a uma casa à beira do lago.
Com jardins paisagísticos e uma piscina privativa, a enorme residência era exatamente o tipo de propriedade de luxo que Joslyn só havia imaginado antes.
"Você mora aqui?", Joslyn perguntou.
Connor a levou para dentro. "Passo a maior parte do ano viajando a trabalho, então raramente fico em Dafson. Mas agora que estamos casados, voltarei com mais frequência."
Ao ouvir isso, o coração de Joslyn disparou inesperadamente.
Mais frequência? Então isso significava...
Como se tivesse lido a mente dela, Connor disse calmamente: "Seu quarto fica no segundo andar, ao lado do meu. Não se preocupe. Até que você esteja pronta, não forçarei nada entre nós."