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Rejeição: O Preço da Inocência

Rejeição: O Preço da Inocência

Autor:: You Ran Qian Wu
Gênero: Romance
Aos doze anos, meu mundo desabou quando vi o caixão da minha mãe descer à terra, e foi Pedro, o melhor amigo dela, que prometeu ser meu guardião, o único pilar que me restava. Ele me deu um lar, educação e conforto, mas com o tempo, seu cuidado se transformou em uma possessividade sufocante, um amor que eu, ingênua, confundi com algo mais. Aos dezoito, finalmente juntei coragem e declarei meu amor a ele, mas a resposta foi um silêncio cortante e palavras geladas que me reduziram a nada: "Duda, sou apenas seu Tio Pedro, e nada mais." Humilhada e rejeitada, com o coração em pedaços e a alma ferida, percebi que o amor que sentia era doentio, construído sobre uma ilusão que ele mesmo cultivou. Decidi que precisava fugir, ir para o mais longe possível daquele homem e daquela casa, me livrar de um amor que nunca foi amor, mas sim uma prisão dourada, e assim, reconstruir minha vida do zero, sozinha.

Introdução

Aos doze anos, meu mundo desabou quando vi o caixão da minha mãe descer à terra, e foi Pedro, o melhor amigo dela, que prometeu ser meu guardião, o único pilar que me restava.

Ele me deu um lar, educação e conforto, mas com o tempo, seu cuidado se transformou em uma possessividade sufocante, um amor que eu, ingênua, confundi com algo mais.

Aos dezoito, finalmente juntei coragem e declarei meu amor a ele, mas a resposta foi um silêncio cortante e palavras geladas que me reduziram a nada: "Duda, sou apenas seu Tio Pedro, e nada mais."

Humilhada e rejeitada, com o coração em pedaços e a alma ferida, percebi que o amor que sentia era doentio, construído sobre uma ilusão que ele mesmo cultivou.

Decidi que precisava fugir, ir para o mais longe possível daquele homem e daquela casa, me livrar de um amor que nunca foi amor, mas sim uma prisão dourada, e assim, reconstruir minha vida do zero, sozinha.

Capítulo 1

Aos doze anos, o mundo de Maria Eduarda desabou, o caixão de sua mãe descia lentamente para a terra fria e o cheiro de flores e terra molhada preenchia o ar, um cheiro que ela jamais esqueceria.

Ela ficou parada, pequena e perdida em meio ao preto das roupas dos adultos, sem ter para onde ir.

Foi quando sentiu uma mão grande e quente em seu ombro.

Pedro, o melhor amigo de sua mãe, agachou-se na sua frente, seus olhos gentis encontrando os dela, inchados de tanto chorar.

"Duda, não se preocupe" , ele disse com a voz calma, uma voz que prometia segurança. "Eu vou cuidar de você, a partir de agora, pode me chamar de Tio Pedro."

Naquele momento, em meio à dor avassaladora, aquelas palavras foram sua única boia de salvação.

Ela se agarrou a ele, e ele a levou para sua casa, um lugar grande e bonito que se tornou seu novo lar.

Pedro a cercou de cuidados, ele era a figura paterna que ela nunca teve e a única família que lhe restara, mas com o passar dos anos, algo naquela relação começou a parecer diferente.

Havia um cuidado excessivo, um controle velado em seus gestos, um jeito de olhar que a deixava confusa.

Ele a proibia de sair com amigos, questionava suas roupas e parecia ter ciúmes de qualquer garoto que se aproximasse.

Na sua cabeça de adolescente, ela confundiu essa possessividade com amor.

Ela começou a sentir seu coração acelerar sempre que ele estava por perto, suas mãos suavam, e um calor subia por seu rosto.

Aos dezoito anos, no dia de sua formatura do ensino médio, Duda decidiu que não podia mais guardar aquele sentimento.

Ela o encontrou na sala de estar, lendo um livro sob a luz amarela do abajur, ele parecia tão bonito, tão inalcançável.

Ela respirou fundo, o diploma em suas mãos tremendo um pouco.

"Tio Pedro?"

Ele levantou os olhos do livro, um sorriso suave no rosto.

"Sim, Duda? Aconteceu alguma coisa?"

"Eu... eu preciso te dizer uma coisa" , ela gaguejou, sentindo o rosto queimar. "Eu acho que... eu te amo, mas não como um tio."

O silêncio que se seguiu foi pesado, denso.

O sorriso de Pedro desapareceu, seu rosto se transformou em uma máscara de frieza que ela nunca tinha visto antes.

Ele fechou o livro lentamente, o som ecoando na sala silenciosa.

Seus olhos, antes tão calorosos, agora a olhavam com uma distância cortante.

"Duda, sou apenas seu Tio Pedro, e nada mais."

A frase, dita em um tom baixo e firme, a atingiu em cheio.

Foi uma humilhação profunda, uma rejeição que esmagou seu coração de menina.

Ela sentiu as lágrimas quentes brotarem, mas as segurou, a vergonha era maior que a dor.

Ela apenas assentiu, virou as costas e correu para seu quarto, o som de seu próprio soluço abafado no travesseiro.

Naquela noite, ela tomou uma decisão, precisava fugir, precisava ir para o mais longe possível daquela casa, daquele homem.

Na manhã seguinte, com os olhos ainda inchados, ela preencheu os formulários de inscrição para as universidades, escolhendo deliberadamente a mais distante de todas, em outro estado, do outro lado do país.

Era sua única chance de recomeçar, de tentar esquecer o homem que ela chamava de Tio Pedro.

Os anos na faculdade foram uma lufada de ar fresco, Duda mergulhou nos estudos e na dança, sua verdadeira paixão.

Ela fez novos amigos, saiu para festas e até teve alguns namorados, mas nada sério.

No fundo, a sombra de Pedro ainda a assombrava.

Ela tentava se convencer de que o tinha superado, de que a paixão adolescente tinha ficado para trás.

Mas então, no dia de sua formatura da faculdade, ele reapareceu.

Ela o viu na multidão, alto, imponente, o mesmo charme de sempre, ele a observava com uma intensidade que a deixou desconfortável.

Depois da cerimônia, ele a abordou.

"Duda, você está linda" , ele disse, a voz soando exatamente como ela se lembrava.

"O que você está fazendo aqui, Pedro?" , ela perguntou, tentando manter a voz firme.

"Vim te ver, senti sua falta" , ele respondeu, como se fosse a coisa mais natural do mundo. "Está na hora de voltar para casa."

A palavra "casa" a fez estremecer.

"Eu não vou voltar" , ela disse, a determinação crescendo dentro dela. "Eu construí minha vida aqui."

A expressão dele escureceu, a possessividade que ela conhecia tão bem brilhando em seus olhos.

"Você não tem escolha, Duda, seu lugar é comigo."

Duda sentiu um calafrio, mas a jovem assustada de anos atrás não existia mais.

Ela o encarou, a mágoa e a raiva dando-lhe uma força que não sabia que tinha.

"Sabe, Pedro, eu aprendi uma coisa nesses anos" , ela disse, a voz cortante. "Eu sou apenas a Duda, e nada mais."

Ela usou as palavras dele contra ele, a frase que a humilhou por tanto tempo, e viu um lampejo de surpresa e raiva no rosto dele.

Ela se virou e foi embora, deixando-o parado no meio da multidão, sentindo pela primeira vez que talvez, apenas talvez, ela pudesse ser livre.

Capítulo 2

A liberdade, no entanto, tinha um preço, e Duda o descobriu rapidamente.

Seu maior sonho era conseguir uma bolsa de estudos para uma prestigiada academia de dança no exterior, era sua chance de se tornar uma profissional, de transformar sua paixão em carreira.

Ela passou em todas as audições, seu talento era inegável, mas a bolsa cobria apenas as mensalidades, ela ainda precisaria de uma quantia significativa para o visto, a passagem e os custos de vida iniciais.

Era um valor que ela, recém-formada e trabalhando em um café de meio período, não tinha como conseguir.

Ela tentou de tudo, pegou mais turnos no trabalho, vendeu algumas coisas, mas o tempo estava se esgotando e o valor ainda era muito alto.

Depois de semanas de angústia, engolindo seu orgulho, ela decidiu que só havia uma pessoa que poderia ajudá-la.

Com o coração na mão, ela ligou para Pedro.

A voz dele do outro lado da linha era fria, distante.

"O que você quer, Duda?"

Ela explicou a situação, a voz tremendo um pouco enquanto detalhava a oportunidade da bolsa de estudos, a quantia que precisava, a urgência.

Houve uma pausa do outro lado.

Então, ela ouviu uma risada baixa, uma risada de escárnio.

"Ah" , disse ele, a voz carregada de um veneno sutil. "Então é isso, estudar no exterior? Para ir encontrar algum namoradinho novo? É por isso que você precisa do meu dinheiro?"

A acusação a atingiu como um soco.

"Não! Não é isso!" , ela protestou, a voz subindo uma oitava. "É pela dança, é o meu sonho! Você sabe o quanto isso é importante para mim!"

"Sei?" , ele disse, o tom cheio de um ciúme amargo que ela não entendia. "O que eu sei é que você fugiu e agora só me procura por dinheiro, parece que sua independência tem um preço, não é?"

As palavras dele eram cruéis, injustas.

Ela sentiu a raiva e a humilhação queimando em seu peito, mas antes que pudesse responder, ouviu uma voz feminina ao fundo, perto dele.

"Pedro, amor, com quem você está falando?"

A ligação ficou muda.

Duda ficou segurando o telefone, o som da linha morta ecoando em seu ouvido, o coração partido em mil pedaços mais uma vez.

Mais tarde naquela noite, a tortura continuou.

Ela estava rolando sem rumo pelas redes sociais quando viu, a foto a fez sentir como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés.

Era uma postagem no perfil de Pedro.

Ele estava abraçado a uma mulher linda, Isabela, com um sorriso radiante no rosto.

A legenda dizia: "Comemorando o futuro com o amor da minha vida."

Eles estavam em um restaurante caro, uma taça de champanhe na mão dele, um anel de diamante brilhando no dedo dela.

Duda sentiu o ar faltar, era como se estivesse se afogando.

O homem que a rejeitou, que a acusou, que a humilhou, estava noivo.

Ela caiu na cama, o celular escorregando de sua mão, e as lágrimas que ela segurou durante a ligação finalmente vieram, um dilúvio de dor e desespero.

Enquanto soluçava, sua mente a traiu, levando-a de volta no tempo.

Ela se lembrou de quando era pequena e caiu de bicicleta, ralando o joelho.

Pedro a pegou no colo, limpou o machucado com um cuidado infinito e a carregou para casa nas costas.

Lembrou-se das noites em que tinha pesadelos e corria para o quarto dele, ele a deixava dormir em sua cama, segurando sua mão até que ela adormecesse novamente.

Lembrou-se dele ensinando-a a dirigir, a paciência em sua voz, o sorriso orgulhoso quando ela finalmente conseguiu.

Ele a mimava, a protegia, lhe dava tudo o que ela queria.

Ele era seu porto seguro, seu herói.

A linha entre o cuidado paternal e outra coisa sempre foi tênue, e ele a cruzava constantemente.

Ela se lembrou de um dia em particular, algumas semanas antes de sua confissão desastrosa.

Um colega de classe a convidou para o baile.

Quando ela contou a Pedro, animada, o rosto dele se fechou.

"Você não vai" , ele disse, o tom final.

"Mas por quê? Todo mundo vai!" , ela argumentou.

"Eu disse que não, Duda, esse assunto está encerrado."

Naquela noite, ele a levou para jantar em seu restaurante favorito, comprou o vestido mais caro da vitrine que ela tinha admirado dias antes e a tratou como uma princesa.

No caminho de volta, ele parou o carro e olhou para ela.

"Você não precisa de mais ninguém, Duda" , ele disse, a voz baixa e intensa. "Eu já tenho você."

Na sua inocência, ela interpretou mal aquelas palavras.

Seu coração disparou, a esperança florescendo em seu peito.

Ela achou que aquilo era uma declaração.

Ela achou que ele finalmente estava admitindo que sentia o mesmo.

A alegria era tanta que ela mal conseguia contê-la.

Foi essa falsa esperança, essa ilusão cuidadosamente construída por ele, que a levou a se declarar.

E a queda foi brutal.

Depois de sua confissão, a máscara dele caiu completamente.

"Você é só uma criança" , ele disse, o desprezo em sua voz a ferindo profundamente. "Acha mesmo que eu me interessaria por você? Você é um fardo, Duda, uma responsabilidade que eu carreguei por pena da sua mãe, não confunda as coisas."

"Você está sendo um peso morto, uma distração, e essa sua paixãozinha é ridícula, um devaneio sem o menor cabimento."

Cada palavra era calculada para machucar, para destruí-la.

"Essa sua fantasia é doentia, Duda, pare de ser ridícula e cresça."

Ele a fez sentir pequena, suja, errada.

Ele a fez duvidar de sua própria sanidade, de seus próprios sentimentos.

Ele a quebrou.

E agora, vendo aquela foto, ela entendeu.

Ele nunca a quis, ele só não queria que mais ninguém a tivesse.

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