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Renascer da Tumba como Rainha

Renascer da Tumba como Rainha

Autor:: Huang Xiao Huai
Gênero: Moderno
Eu estava traçando a tinta dourada na minha própria lápide quando uma mão tocou meu ombro. Era o Clayton. O mesmo homem que, cinco anos atrás, me deixou sangrando até a morte numa vala porque não queria se atrasar para a festa de noivado da minha irmã. "Morra em silêncio, Ivy", ele disse pelo telefone antes de desligar. Agora, parado diante do meu túmulo, ele deixou cair suas flores de plástico baratas, em choque. "Ivy? Você está... nós te enterramos." Eles não me enterraram. Enterraram uma caixa vazia para salvar as aparências, lamentando por uma filha "problemática" que, na verdade, descartaram como lixo quebrado no momento em que me tornei um fardo. O choque de Clayton rapidamente se transformou naquela raiva arrogante e familiar. Ele me acusou de forjar minha morte para chamar a atenção. Disse que eu era doente por fazer a família passar por tanta dor. Ele até tentou agarrar meu braço, com a intenção de me arrastar de volta para o meu pai para pedir desculpas. "Você vem comigo", ele cuspiu. "Você nos deve uma explicação." Mas ele cometeu um erro fatal. Ele achou que estava falando com Ivy Dillard, a garota frágil que chorava quando ralava os joelhos. Ele não notou o sedã de luxo esperando na calçada, nem o homem saindo dele. Antes que os dedos de Clayton pudessem tocar meu casaco, uma mão de aço agarrou seu pulso. Collin Richardson, o Capo mais temido de São Paulo, se interpôs entre nós. "Toque na minha esposa de novo", Collin sussurrou, sua voz prometendo violência. "E você perde a mão." Eu sorri ao ver o terror drenar a cor do rosto de Clayton. Eu não voltei dos mortos para me explicar. Eu voltei para enterrá-los.

Capítulo 1

Eu estava traçando a tinta dourada na minha própria lápide quando uma mão tocou meu ombro.

Era o Clayton.

O mesmo homem que, cinco anos atrás, me deixou sangrando até a morte numa vala porque não queria se atrasar para a festa de noivado da minha irmã.

"Morra em silêncio, Ivy", ele disse pelo telefone antes de desligar.

Agora, parado diante do meu túmulo, ele deixou cair suas flores de plástico baratas, em choque.

"Ivy? Você está... nós te enterramos."

Eles não me enterraram.

Enterraram uma caixa vazia para salvar as aparências, lamentando por uma filha "problemática" que, na verdade, descartaram como lixo quebrado no momento em que me tornei um fardo.

O choque de Clayton rapidamente se transformou naquela raiva arrogante e familiar.

Ele me acusou de forjar minha morte para chamar a atenção.

Disse que eu era doente por fazer a família passar por tanta dor.

Ele até tentou agarrar meu braço, com a intenção de me arrastar de volta para o meu pai para pedir desculpas.

"Você vem comigo", ele cuspiu. "Você nos deve uma explicação."

Mas ele cometeu um erro fatal.

Ele achou que estava falando com Ivy Dillard, a garota frágil que chorava quando ralava os joelhos.

Ele não notou o sedã de luxo esperando na calçada, nem o homem saindo dele.

Antes que os dedos de Clayton pudessem tocar meu casaco, uma mão de aço agarrou seu pulso.

Collin Richardson, o Capo mais temido de São Paulo, se interpôs entre nós.

"Toque na minha esposa de novo", Collin sussurrou, sua voz prometendo violência. "E você perde a mão."

Eu sorri ao ver o terror drenar a cor do rosto de Clayton.

Eu não voltei dos mortos para me explicar.

Eu voltei para enterrá-los.

Capítulo 1

Ivy Richardson POV

Eu estava traçando as letras frias da inscrição na minha própria lápide quando uma mão hesitou e depois tocou meu ombro.

O homem ligado a ela era o mesmo que me deixou para sangrar até a morte numa vala cinco anos atrás.

O mármore estava gelado sob as pontas dos meus dedos enluvados.

Era uma laje impecável de pedra cinza, muito mais cara do que qualquer coisa que meu pai já havia desperdiçado comigo enquanto eu ainda respirava.

Aqui Jaz Ivy Dillard.

Amada Filha.

Querida Irmã.

As mentiras estavam gravadas fundo, preenchidas com tinta dourada que zombava de mim enquanto brilhava ao sol da tarde.

Era quase engraçado.

Eles haviam enterrado um caixão vazio para salvar as aparências, lamentando por uma garota que descartaram como um brinquedo quebrado no momento em que ela se tornou um fardo.

Ajustei a armação grande dos meus óculos de sol.

Meu reflexo na pedra polida mostrava uma mulher que eles não reconheceriam.

Ivy Dillard era uma garota frágil e desesperada que chorava quando ralava os joelhos.

Ivy Richardson - a mulher que me encarava de volta - foi forjada nos fogos da Máfia Paulista. Ela era casada com um homem cujo nome fazia homens adultos atravessarem a rua, e estava vestida com um casaco que custava mais do que este terreno inteiro.

"Com licença."

A voz era familiar.

Arranhou minha espinha como uma faca enferrujada.

Eu não me virei imediatamente. Deixei o silêncio se estender, pesado e sufocante.

Respirei fundo, sentindo o cheiro de terra úmida misturado com o aroma enjoativo de colônia barata.

Malbec e desespero.

Quando finalmente me virei, Clayton Greene deixou cair as flores que segurava.

O buquê de lírios de plástico atingiu a grama com um farfalhar patético.

Seu rosto ficou pálido.

Ele parecia exatamente o mesmo da noite em que me deixou nos destroços. Bonito de uma forma vazia, de vitrine.

Seu maxilar era quadrado, seu cabelo domado com gel, mas seus olhos eram fracos.

"Ivy?"

Ele sussurrou o nome como se estivesse vendo um fantasma.

Sua pele ficou da cor de cinzas. "Você está... você está morta."

Eu me aproximei, meus saltos afundando levemente na grama macia da minha própria cova.

Eu não vacilei. Eu não chorei.

Meu coração batia com o ritmo lento e constante que Collin me ensinou a dominar.

"Ivy Dillard está morta", eu disse, minha voz suave e desprovida do tremor que costumava me definir.

Apontei para a pedra. "Está escrito bem aí."

Clayton deu um passo cambaleante para trás.

Ele olhou do túmulo para mim, seu cérebro falhando em conectar a memória da garota ensanguentada que ele abandonou com a mulher impecável diante dele.

"Como?", ele engasgou com a palavra. "Nós te enterramos."

"Correção", eu disse, inclinando a cabeça bruscamente. "Você enterrou uma caixa de pedras e uma mentira."

Olhei para as flores de plástico a seus pés.

Estavam empoeiradas. Ele as comprou num posto de gasolina. Mesmo na morte, eu não valia pétalas de verdade para ele.

"Você parece que viu um fantasma, Clayton", eu disse, tirando um grão de poeira inexistente da minha lapela.

"Mas fantasmas não usam Valentino."

Capítulo 2

Ivy Richardson POV

Clayton piscou rapidamente, o choque inicial em seu rosto se transformando em algo mais feio: defensiva.

Era a configuração padrão para homens como ele - homens fracos que se coroavam reis simplesmente porque nasceram em uma linhagem de ladrões.

"Isso é doentio", ele cuspiu, suas mãos se fechando em punhos impotentes ao lado do corpo.

"Você nos deixou de luto. Deixou seu pai chorar sobre uma caixa vazia. Você tem alguma ideia do que nos fez passar?"

Uma risada, sombria e afiada como vidro quebrado, borbulhou na minha garganta.

"Eu fiz vocês passarem?"

Dei um passo à frente, invadindo deliberadamente seu espaço pessoal.

Instantaneamente, a memória me assaltou: o cheiro enjoativo de gasolina misturado com o gosto metálico de cobre.

Lembrei-me do som do meu celular tocando nos destroços. Lembrei-me de atender, implorando por ajuda, e de ouvir a voz dele do outro lado.

Morra em silêncio, Ivy. Tenho um casamento para ir.

Foi o que ele disse antes de desligar. Ele escolheu a festa de noivado de Ainsley em vez da minha vida.

"Eu não forjei nada, Clayton." Minha voz baixou para um sussurro perigoso. "Você me mandou para o inferno. Eu só peguei o caminho mais longo de volta."

Ele recuou.

Por uma fração de segundo, a culpa brilhou em seus olhos, mas ele rapidamente a enterrou sob camadas de narcisismo praticado.

"Foi uma noite caótica", ele gaguejou, sua compostura se quebrando. "Eu estava sob pressão. A fusão com seu pai... Ainsley precisava de mim."

Ele se endireitou, tentando recuperar o terreno. "Você sempre foi tão dramática, Ivy. Provavelmente exagerou o acidente para chamar a atenção."

Manipulação psicológica. Era sua língua materna.

Cinco anos atrás, essa frase teria me deixado de joelhos, pedindo desculpas. Teria me feito questionar minha própria sanidade.

Agora? Apenas me entediava.

Olhei para ele - olhei de verdade - e percebi que não sentia absolutamente nada.

Nenhum ódio. Nenhum amor. Apenas o distanciamento clínico de um cientista observando um inseto particularmente maçante se contorcendo sob um microscópio.

"Você está usando o mesmo relógio", observei, meu olhar se desviando propositalmente para o pulso dele. "O banho de ouro está descascando."

Clayton cobriu o pulso instintivamente, como uma criança pega com um brinquedo roubado.

"Vou ligar para o seu pai", ele ameaçou, buscando o bolso com os dedos trêmulos. "Haverá uma reunião hoje à noite. Uma reunião de família. Você vem comigo. Você nos deve uma explicação."

Ele estendeu a mão para agarrar meu braço.

Foi um erro.

Antes que seus dedos pudessem sequer tocar o tecido do meu casaco, eu me desviei com uma fluidez que deixaria meu marido orgulhoso.

"Não me toque."

Meu tom não era alto, mas carregava o peso esmagador do nome Richardson. Era uma ordem, não um pedido.

Clayton congelou. Ele viu algo em meus olhos que não estava lá antes.

Aço.

"Eu não te devo porra nenhuma, Clayton."

Chutei os lírios de plástico com a ponta da minha bota, fazendo-os deslizar pela grama.

"E essas flores combinam com você. Falsas, baratas e sem vida."

Virei as costas para ele e me afastei, deixando-o parado na terra com o fantasma que ele pensou que poderia controlar.

Capítulo 3

Ivy Richardson POV

Entrei no banco de trás do sedã de luxo que me esperava e imediatamente tranquei as portas.

Minhas mãos estavam firmes, mas meu peito parecia apertado, como se faixas invisíveis estivessem se contraindo ao redor das minhas costelas.

Ver Clayton foi como forçar a abertura de uma porta para um quarto que eu havia incendiado anos atrás.

O cheiro fantasma de fumaça ainda pairava no fundo da minha garganta.

Peguei meu celular.

A tela se iluminou com uma notificação prioritária.

Link de Vídeo Seguro.

Toquei na tela para aceitar.

O rosto que preencheu a tela era a única coisa que ainda me prendia à terra.

Collin Anderson.

Ele estava sentado em seu escritório em Nova York, com o horizonte de Manhattan desfocado atrás dele. Seu cabelo escuro estava desgrenhado, um sinal de que ele estivera passando as mãos por ele em frustração.

Seus olhos, da cor de um mar tempestuoso, examinaram meu rosto instantaneamente em busca de hematomas.

"Ele te tocou?"

Sem olá.

Sem formalidades.

Apenas a proteção imediata e letal que definia nosso casamento.

Collin não era apenas um Capo; ele era uma arma que Alaric Richardson mantinha embainhada em veludo, esperando o comando para atacar.

"Ele não me tocou", eu disse, minha voz suavizando.

"Eu vi o Clayton. Ele é exatamente tão pequeno quanto eu me lembrava."

O maxilar de Collin se contraiu com força suficiente para quebrar um osso.

"Eu deveria estar aí", ele rosnou.

"Eu deveria ser quem está entre você e essa sujeira."

Eu sorri, mudando o celular de posição para que ele pudesse ver que eu estava segura no interior de couro do carro.

"Eu preciso fazer essa parte sozinha, Collin."

Respirei fundo para me acalmar. "Preciso enterrar Ivy Dillard adequadamente para que Ivy Richardson possa viver."

Um pequeno e alegre som veio de fora da tela.

"Leo."

Meu filho subiu no colo do pai, seus cachos bagunçados balançando com energia.

"Mamãe!", ele piou, mostrando um carrinho de brinquedo. "Papai disse que você está lutando contra dragões."

Meu coração se apertou dolorosamente.

Leo tinha quatro anos, inocente e perfeito.

Ele era a razão pela qual eu sobrevivi ao renascimento. Ele era a razão pela qual eu queimaria o legado dos Dillard até o chão.

"Sim, meu amor", eu disse, minha voz embargada de emoção.

"A mamãe está lutando contra os dragões para que eles nunca possam chegar perto de você."

Outro rosto apareceu na tela, pairando sobre o ombro de Collin.

Alaric Richardson.

O Capo dei Capi.

O homem que me encontrou quebrada em uma cama de hospital e me ofereceu uma escolha: morrer como vítima ou viver como predadora.

Ele parecia mais velho, seu rosto marcado pelas decisões difíceis de um governante, mas seus olhos eram afiados como navalhas.

"Você tem os documentos da herança da sua mãe?", Alaric perguntou.

Sua voz era puro cascalho e autoridade.

"Sim, pai", respondi.

Eu o chamava de pai porque meu pai biológico perdeu o direito a esse título no momento em que enterrou uma caixa vazia e lavou as mãos de mim.

"Bom", disse Alaric.

"Lembre-se, Ivy. Sangue é lealdade, não apenas DNA."

Ele fez uma pausa, deixando o peso de suas palavras assentar.

"Se eles te desrespeitarem, eles desrespeitam a Máfia. E nós não toleramos desrespeito."

Eu assenti.

Eu sabia exatamente o que isso significava.

O exército dos Richardson estava de prontidão. Uma palavra minha, e São Paulo queimaria.

Desliguei o telefone quando o carro parou no shopping de luxo.

Eu precisava de uma distração. Uma oferenda de paz para meus próprios nervos em frangalhos.

Eu não era mais Ivy Dillard.

Eu era uma Richardson.

E os Richardson não se escondem.

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