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Renascida da Neve: A Vingança de Lara

Renascida da Neve: A Vingança de Lara

Autor:: Lan Yuan Qian Qian
Gênero: Moderno
O chão de pedra gelada e a água fria eram a minha realidade. Despertei com os gritos e o desprezo do meu próprio filho, Tiago. "Acorda, preguiçosa! A avó disse para ires buscar água ao poço." A voz da Dona Amélia vinha da cozinha, carregada do habitual desprezo. "Este dinheiro mal chega para a comida do Tiago. Tu comes demasiado. Uma boca inútil que só sabe gastar." Um tapa ardeu na minha cara, mas o fogo da raiva dentro de mim ardeu muito mais. Eu tinha renascido. Voltei para este corpo, neste mesmo passado de sofrimento, onde morri de hipotermia na neve, expulsa de casa. Descobri a verdade na minha vida passada: o meu marido, Diogo, o "herói" fuzileiro, não estava morto. Ele vivia uma vida de luxo em Lisboa, com a sua prima, Sofia. Beijavam-se apaixonadamente e planeavam casar. Para piorar, Sofia, que se fazia de frágil, tinha roubado a minha identidade e as minhas notas de secundário para entrar na universidade, construindo uma carreira sobre a minha ruína. Quando os confrontei, Diogo e a sua mãe, Dona Amélia, lançaram-me para o chão gelado na neve, abandonando-me para morrer. O ódio daquela noite, onde descobri a traição e o roubo da minha vida, foi tão profundo que me trouxe de volta. Agora, de volta ao presente, com o meu filho a atirar-me pão duro, a vingança seria minha. Este não era o começo de uma vida nova, era a continuação de uma guerra que eu ia, finalmente, vencer.

Introdução

O chão de pedra gelada e a água fria eram a minha realidade.

Despertei com os gritos e o desprezo do meu próprio filho, Tiago.

"Acorda, preguiçosa! A avó disse para ires buscar água ao poço."

A voz da Dona Amélia vinha da cozinha, carregada do habitual desprezo.

"Este dinheiro mal chega para a comida do Tiago. Tu comes demasiado. Uma boca inútil que só sabe gastar."

Um tapa ardeu na minha cara, mas o fogo da raiva dentro de mim ardeu muito mais.

Eu tinha renascido. Voltei para este corpo, neste mesmo passado de sofrimento, onde morri de hipotermia na neve, expulsa de casa.

Descobri a verdade na minha vida passada: o meu marido, Diogo, o "herói" fuzileiro, não estava morto.

Ele vivia uma vida de luxo em Lisboa, com a sua prima, Sofia.

Beijavam-se apaixonadamente e planeavam casar.

Para piorar, Sofia, que se fazia de frágil, tinha roubado a minha identidade e as minhas notas de secundário para entrar na universidade, construindo uma carreira sobre a minha ruína.

Quando os confrontei, Diogo e a sua mãe, Dona Amélia, lançaram-me para o chão gelado na neve, abandonando-me para morrer.

O ódio daquela noite, onde descobri a traição e o roubo da minha vida, foi tão profundo que me trouxe de volta.

Agora, de volta ao presente, com o meu filho a atirar-me pão duro, a vingança seria minha.

Este não era o começo de uma vida nova, era a continuação de uma guerra que eu ia, finalmente, vencer.

Capítulo 1

O chão de pedra gelada era a primeira coisa que eu sentia. Depois, a água fria a encharcar-me até aos ossos.

Abri os olhos. O meu filho, Tiago, de pé à minha frente, segurava um balde vazio. O rosto dele, ainda infantil, estava contorcido numa expressão de desprezo.

"Acorda, preguiçosa! A avó disse para ires buscar água ao poço. Queres que fiquemos sem comer hoje?"

A voz dele era aguda e cortante. Mas não era a voz dele que ecoava na minha cabeça. Eram as memórias de uma outra vida, uma vida de sofrimento que terminara precisamente neste chão frio.

Naquela vida, eu morri de hipotermia numa noite de inverno, expulsa de casa pela minha sogra, Dona Amélia. O meu corpo ficou rígido e gelado, enquanto a neve caía sobre mim.

"Lara, o que estás a fazer aí no chão? Estás a tentar fugir às tuas responsabilidades de novo?"

Dona Amélia saiu da cozinha, com as mãos na anca. Ela olhou para mim como se eu fosse lixo.

Ela pegou no dinheiro que eu tinha deixado na mesa, o meu salário suado da fábrica de conservas.

"Este dinheiro mal chega para a comida do Tiago. Tu comes demasiado. Uma boca inútil que só sabe gastar."

Ela deu-me um tapa na cara. A dor ardeu, mas foi o fogo dentro de mim que ardeu mais forte.

Eu renasci. Voltei ao ano seguinte à "morte" do meu marido, Diogo. O herói fuzileiro. O meu amado marido.

Mentira. Tudo mentira.

Na minha vida passada, eu acreditei em tudo. Acreditei que Diogo tinha morrido como um herói numa missão. Acreditei que a sua família, a minha nova família, cuidaria de mim e do nosso filho.

Que tola eu fui.

Lembro-me da fome, do frio, das roupas gastas. Lembro-me de trabalhar até à exaustão na fábrica, o cheiro a sardinha entranhado na minha pele, para sustentar uma sogra que me maltratava e um filho que aprendia a desprezar-me.

A revelação veio no fim. Na noite em que morri.

Eu tinha ido a Lisboa, desesperada, para tentar encontrar algum trabalho melhor. Por acaso, vi-os.

Diogo. O meu marido "morto".

Ele estava a sair de um restaurante caro, de braço dado com a sua prima, Sofia. Ele usava um fato elegante, parecia feliz e saudável. Sofia, que sempre se fez de frágil e devota na nossa aldeia, usava um vestido de seda e joias brilhantes.

Eles beijaram-se. Um beijo apaixonado, debaixo das luzes da cidade.

O meu mundo desabou.

Corri até eles. Gritei o nome dele.

"Diogo! Estás vivo!"

Ele olhou para mim, não com surpresa, mas com puro ódio. Sofia agarrou-se ao braço dele, fingindo estar assustada.

"Quem é esta mulher, querido? Ela parece louca."

Diogo agarrou-me pelo braço, a sua força a esmagar-me os ossos.

"És tu. Como é que me encontraste?"

A voz dele era gelo.

"Eu... eu não sabia. Pensei que estivesses morto. Diogo, o que está a acontecer? E o nosso filho? O Tiago?"

Ele riu. Uma risada cruel que me cortou a alma.

"O nosso filho? Aquele pirralho é um fardo, tal como tu. Eu mando dinheiro à minha mãe para vos sustentar. Não é suficiente? Queres mais?"

Foi então que Dona Amélia apareceu, saindo do mesmo restaurante. Ela estava gorda e bem vestida. Ela olhou para mim com o mesmo desprezo de sempre.

"Sua desgraçada! Estragaste tudo! Vieste até aqui para nos envergonhar?"

Ela atirou-me para o chão gelado. A neve começava a cair.

"O Diogo e a Sofia vão casar-se. Ele nunca te amou. Ele só se casou contigo porque precisava de uma empregada para cuidar da casa e de uma desculpa para não estar sempre na aldeia. Tu foste útil, mas agora já não és."

As palavras dela eram facas.

"Deixem-na aí", disse Diogo, com indiferença. "Ela vai aprender a não se meter onde não é chamada."

Eles viraram-me as costas e foram-se embora, deixando-me a congelar na neve.

Enquanto a vida se esvaía de mim, ouvi a conversa deles ao longe.

"Não te preocupes, querido", disse Sofia. "A identidade dela já é minha. As notas dela do secundário garantiram-me um lugar na universidade. Ninguém nunca saberá. Ela não passa de uma trabalhadora analfabeta de uma fábrica de conservas."

Ódio. Um ódio tão profundo que sobreviveu à morte.

Agora, de volta ao presente, olhei para o meu filho e para a minha sogra. As roupas deles. Eram de boa qualidade, demasiado boas para o dinheiro que eu ganhava. O dinheiro que Diogo enviava secretamente.

Tiago atirou-me um pão duro.

"Come. É o que os cães comem."

Peguei no pão. Na minha vida anterior, eu teria chorado e comido em silêncio.

Desta vez, levantei-me. O meu olhar era frio.

Olhei para Dona Amélia.

"Porque é que nunca pediste a pensão de viuvez do Diogo? Ele era um herói de guerra. A Marinha dar-nos-ia uma boa pensão."

O rosto dela ficou pálido.

"Não digas disparates! Isso é complicado, dá muito trabalho."

Eu sorri. Um sorriso sem calor.

"Não, não é. É porque sabem que ele está vivo. E eu vou provar isso."

Desta vez, a vingança seria minha.

Capítulo 2

No dia seguinte, arrumei uma pequena mala. Chamei o Tiago.

"Vens comigo."

Ele protestou.

"Não vou a lado nenhum contigo! A avó disse que és uma má mãe!"

Agarrei-o pelo braço, com uma força que ele não sabia que eu tinha.

"Vais. Vamos a Lisboa visitar o teu pai."

A menção do pai calou-o. A imagem do "pai herói" ainda era forte na sua pequena m

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