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Renascida da Traição Conjugal

Renascida da Traição Conjugal

Autor:: Michael Tretter
Gênero: Romance
As férias em família no litoral pareciam o refúgio perfeito, um presente do meu marido João. Mas tudo desmoronou na segunda noite, quando nossa filha Sofia adoeceu e ele sugeriu que eu ficasse sozinha com ela em outro quarto. Na manhã seguinte, o inferno abriu suas portas: uma multidão se aglomerava no corredor, celulares apontados, enquanto João irrompia no quarto, me acusando de traição com um vídeo no celular. Meus pais surgiram em seguida, não para me defender, mas para me humilhar e me acusar de desviar dinheiro e vender segredos da família. O golpe final veio da minha Sofia, que, manipulada, apontou para mim, gritando que eu a havia machucado, selando meu destino e me transformando em um monstro aos olhos de todos. Fui massacrada ali, no chão frio do hotel. Mas eu renasci. Com as memórias da minha "morte" e a dor da traição. E desta vez, eu não seria a vítima. Eu mudaria cada passo do roteiro deles.

Introdução

As férias em família no litoral pareciam o refúgio perfeito, um presente do meu marido João.

Mas tudo desmoronou na segunda noite, quando nossa filha Sofia adoeceu e ele sugeriu que eu ficasse sozinha com ela em outro quarto.

Na manhã seguinte, o inferno abriu suas portas: uma multidão se aglomerava no corredor, celulares apontados, enquanto João irrompia no quarto, me acusando de traição com um vídeo no celular. Meus pais surgiram em seguida, não para me defender, mas para me humilhar e me acusar de desviar dinheiro e vender segredos da família.

O golpe final veio da minha Sofia, que, manipulada, apontou para mim, gritando que eu a havia machucado, selando meu destino e me transformando em um monstro aos olhos de todos. Fui massacrada ali, no chão frio do hotel.

Mas eu renasci. Com as memórias da minha "morte" e a dor da traição. E desta vez, eu não seria a vítima. Eu mudaria cada passo do roteiro deles.

Capítulo 1

As férias em família, que deveriam ser um refúgio, se tornaram o palco do meu inferno pessoal.

Tudo foi planejado por João, meu marido. Uma viagem para o litoral, sol, mar, e tempo para nós três. Ele parecia tão animado, tão carinhoso, e eu, como uma tola, acreditei.

Tudo começou quando nossa filha, Sofia, de apenas oito anos, adoeceu de repente na segunda noite. Uma febre alta e vômitos. João, sempre o protetor, sugeriu que eu ficasse com ela em um quarto de hotel separado para não perturbar seu sono. Ele precisava estar descansado para a reunião importante que teria no dia seguinte, ou assim ele disse.

Eu não hesitei. Passei a noite inteira ao lado de Sofia, colocando panos úmidos em sua testa, medindo sua temperatura, sussurrando canções de ninar. Ela era meu mundo.

Na manhã seguinte, o inferno abriu suas portas.

Acordei com o som de batidas violentas na porta. Antes que eu pudesse reagir, João entrou, seu rosto uma máscara de fúria. Ele não estava sozinho. Atrás dele, uma multidão de hóspedes e funcionários do hotel se aglomerava no corredor, todos com celulares apontados para mim.

"Sua vagabunda!"

A voz dele ecoou pelo quarto.

Eu me encolhi, sem entender nada.

"João, o que está acontecendo? Fale baixo, vai acordar a Sofia."

Ele riu, um som seco e assustador.

"Acordar a Sofia? Você ainda se atreve a falar o nome dela?"

Ele jogou o celular dele na cama, a tela virada para mim.

Um vídeo estava tocando.

Nele, eu, ou alguém que se parecia exatamente comigo, estava em um quarto de hotel, em gestos íntimos com um homem que eu nunca tinha visto na vida. A mulher no vídeo olhava para a câmera com um sorriso provocador.

Meu estômago revirou. Meu sangue gelou.

"Isso... isso não sou eu. João, você tem que acreditar em mim! É uma montagem, uma armação!"

"Montagem?" ele gritou, o rosto vermelho de raiva. "Todo mundo viu, Maria! A internet inteira está vendo! Você me envergonhou, me humilhou! Como você pôde fazer isso conosco?"

A multidão no corredor começou a sussurrar, os sons se transformando em um zumbido de acusações. "Traidora", "sem-vergonha", "coitado do marido".

Eu tremia, incapaz de formular uma frase coerente.

Nesse momento, a porta do quarto se abriu novamente. Meus pais, Pedro e Ana, entraram. Por um segundo, um alívio imenso me inundou. Eles me defenderiam. Eles sabiam quem eu era.

Que ingênua.

Minha mãe, Ana, me olhou com um desprezo que eu nunca tinha visto.

"Nós nunca imaginamos que você fosse capaz de tamanha baixeza, Maria."

Meu pai, Pedro, o líder respeitado da nossa cooperativa de artesãos de doces, balançou a cabeça em desapontamento.

"Não é só a traição, Ana. É muito pior."

Ele tirou uma pasta de sua maleta e jogou os papéis na minha frente, espalhando-os pela cama.

"Isso aqui prova que você desviou dinheiro da cooperativa por meses. E não só isso", ele ergueu a voz para que todos ouvissem, "ela vendeu nossas receitas secretas, as receitas da nossa família, para o nosso maior concorrente! Ela traiu a todos nós!"

As acusações caíam sobre mim como pedras. Desfalque? Venda de segredos? Era um pesadelo. Eu mal conseguia respirar.

"Pai, mãe, do que vocês estão falando? Isso é loucura! Eu nunca faria isso!"

Foi então que o golpe final veio.

A pequena Sofia, que estava quieta na cama até então, começou a chorar. Um choro alto, desesperado. Ela se encolheu para longe de mim, apontando um dedo trêmulo na minha direção.

"Mamãe é má! Mamãe fez dodói em mim! Ela me tocou onde não pode!"

O mundo parou.

O ar foi sugado dos meus pulmões. A acusação da minha própria filha, a luz dos meus olhos, foi a sentença de morte.

A multidão explodiu. Gritos de "monstro", "abusadora", "queimem a bruxa".

João me agarrou pelo braço, seus dedos cravando na minha pele. "Você ouviu? Você ouviu o que você fez com a sua filha, sua doente?"

Meus pais se afastaram de mim como se eu fosse uma praga. A raiva nos olhos das pessoas no corredor se transformou em ódio puro. Eles avançaram para dentro do quarto.

Mãos me agarraram, me puxaram, me arranharam. Roupas foram rasgadas. Golpes vieram de todos os lados. Eu gritava o nome de João, de meus pais, de Sofia, mas minhas palavras se perdiam no meio do tumulto.

A última coisa que vi foi o rosto de João, observando tudo com uma frieza calculista. E ao lado dele, meus pais, com expressões de dever cumprido.

A dor se tornou insuportável, e então, a escuridão me engoliu.

Eu morri ali, no chão frio de um quarto de hotel, assassinada por uma multidão enfurecida, traída por toda a minha família, levando comigo a mancha de crimes que eu não cometi.

...

Uma luz suave. O som familiar do ar-condicionado. Um cheiro de remédio e do perfume de lavanda de Sofia.

Abri os olhos, confusa.

Eu estava de volta ao quarto de hotel. Sofia dormia tranquilamente na cama ao lado, sua respiração suave e regular. Sua febre tinha baixado.

Minhas mãos tremiam enquanto eu tocava meu próprio rosto, meu corpo. Não havia cortes, nem hematomas. Minhas roupas estavam intactas.

Olhei para o celular na mesinha de cabeceira. A data era a de ontem. O dia em que Sofia adoeceu.

Eu estava viva.

Eu tinha renascido.

E desta vez, eu não seria a vítima. Eu descobriria a verdade. E faria todos eles pagarem. Cada um deles.

Capítulo 2

O choque da realidade me atingiu com a força de um soco no estômago. Eu me levantei da poltrona, as pernas bambas, e caminhei até o espelho do banheiro. A mulher que me encarava era eu, Maria da Silva, trinta e dois anos, artesã de doces. Mas meus olhos... meus olhos carregavam o horror de uma morte violenta e a dor de uma traição inimaginável.

Eu estava aqui. Tinha voltado. O universo, por algum motivo insondável, me deu uma segunda chance.

As memórias da minha "morte" eram vívidas, fragmentos de um pesadelo que se recusavam a desaparecer. O rosto furioso de João, o desprezo de meus pais, as palavras cruéis de Sofia, e as mãos e os pés da multidão me agredindo até a escuridão.

Meu corpo inteiro tremia. Sentei na beirada da banheira, a cabeça entre as mãos, forçando-me a respirar. Pânico não me ajudaria. Eu precisava pensar.

Analisei os fatos da minha vida anterior.

A viagem. A doença súbita de Sofia. O quarto de hotel separado. O vídeo. As acusações financeiras. A acusação de abuso.

Tudo se encaixava com uma perfeição demoníaca. Não foi uma série de acasos infelizes, foi uma conspiração. Uma armadilha meticulosamente planejada para me destruir completamente.

Meu marido, meus pais... Eles não foram enganados. Eles eram os arquitetos da minha ruína.

Por quê?

Dinheiro? A cooperativa? As receitas? Sim, isso fazia parte. Meu pai, Pedro, sempre foi ambicioso, e minha parte na cooperativa era substancial. Mas a traição de João... havia algo mais. O ódio em seus olhos não era apenas por uma suposta traição. Era pessoal, profundo.

E Sofia... minha doce Sofia. Ela não inventaria uma mentira daquelas sozinha. Ela foi coagida, manipulada. Alguém a ensinou a dizer aquelas palavras terríveis. Quem? Como?

Preciso mudar o curso dos acontecimentos.

Na minha vida anterior, eu fiquei no hotel. Fiquei isolada, uma presa fácil. Desta vez, seria diferente.

Peguei meu celular e olhei a hora. Seis da manhã. João ainda devia estar dormindo no outro quarto. Os eventos hediondos só começaram por volta das oito. Eu tinha duas horas.

Andei até a cama e toquei a testa de Sofia. A febre havia cedido. Ela estava apenas dormindo. Com cuidado para não acordá-la, comecei a arrumar nossas coisas numa pequena mala de mão. Apenas o essencial.

Meu plano era simples, quase primitivo: fugir. Sair daquele hotel, daquela cidade. Ir para um lugar onde eles não pudessem me encontrar. Mas para onde? Eu não tinha amigos íntimos em quem pudesse confiar, minha vida sempre girou em torno da família e do trabalho.

A paranoia começou a se instalar. E se eles já estivessem me vigiando? E se a recepção do hotel já estivesse instruída a não me deixar sair?

Não. Eu precisava manter a calma. Na minha vida anterior, a armadilha foi montada no quarto. O "amante", o vídeo... tudo aconteceu aqui. Se eu não estivesse aqui, a primeira parte do plano deles falharia.

Decidi não fugir da cidade ainda. Isso levantaria suspeitas imediatas. Em vez disso, eu iria para um lugar público. Um lugar com muitas testemunhas, muitas câmeras. Um lugar onde seria impossível forjar uma cena de traição.

Peguei Sofia no colo com cuidado. Ela resmungou um pouco, mas continuou dormindo, seu corpo pequeno e quente contra o meu. Aquele contato me deu força. Eu faria qualquer coisa para protegê-la.

Com a bolsa no ombro e minha filha nos braços, abri a porta do quarto lentamente. O corredor estava silencioso e vazio. Caminhei nas pontas dos pés até o elevador, o coração batendo descontrolado no peito. Cada som me fazia pular.

Dentro do elevador, apertei o botão do térreo. O espelho refletia minha imagem: uma mãe desesperada fugindo de uma ameaça invisível.

Na recepção, o funcionário da noite estava sonolento. Ele mal ergueu os olhos quando passei.

"Bom dia", eu disse, a voz mais firme do que eu esperava.

"Bom dia", ele respondeu, sem interesse.

Eu saí para o ar fresco da manhã. A brisa do mar trazia um cheiro de sal e liberdade. Chamei o primeiro táxi que vi.

"Para onde, senhora?", perguntou o motorista.

Pensei por um momento. Um shopping center. Era perfeito. Abria cedo para os funcionários, tinha cafés, e o mais importante, segurança e câmeras por toda parte.

"Para o Shopping Marítimo, por favor."

Durante o trajeto, olhei para trás constantemente, procurando por qualquer sinal de que estava sendo seguida. Nada. Apenas o trânsito normal da manhã.

Sofia acordou quando chegamos.

"Mamãe? Onde a gente tá?"

"Oi, meu amor. Fomos passear. Você está se sentindo melhor?"

Ela assentiu, ainda sonolenta.

Entramos no shopping, que ainda estava relativamente vazio. Fomos direto para a praça de alimentação e nos sentamos em um café que acabara de abrir. Pedi um suco para Sofia e um café forte para mim.

Enquanto ela bebia seu suco, eu a observava. Não havia sinal de medo ou angústia em seu rosto. A manipulação ainda não tinha acontecido.

Olhei para o relógio. Oito e quinze. O horário em que, na outra vida, meu mundo desabou.

Aqui, no meio de um café movimentado, com dezenas de pessoas ao redor, eu me senti... segura. Eu tinha mudado o cenário. Eu tinha quebrado o roteiro deles.

Um sorriso cansado, mas genuíno, brotou em meus lábios. Eu tinha conseguido. Eu evitei o desastre.

O resto do dia seria para planejar meu próximo passo. Ligar para um advogado, talvez. Contratar um detetive particular. Expor João e meus pais.

Me permiti um momento de alívio. Respirei fundo, o cheiro de café e pão fresco enchendo meus pulmões. O barulho das pessoas conversando, o som das máquinas de café... era a trilha sonora da normalidade.

Eu estava a salvo.

Por enquanto.

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