O cheiro de desinfetante era sufocante. Acordei no hospital com uma dor aguda, a barriga vazia. O meu bebé, que deveria nascer em dias, tinha-se ido.
O meu marido, Miguel, não estava lá. Em vez disso, a minha sogra Laura entrou, o rosto carregado de desprezo. "Eva, como pudeste ser tão descuidada? O meu neto se foi!" A sua voz fria era um açoite.
Perguntei pelo Miguel. Ela bufou, arrumando a bolsa de marca. "Ele está a cuidar da Sofia. Ela ficou traumatizada com o acidente." Sofia, a ex que ele escolheu salvar, me deixando para trás nos destroços do carro. A amargura subiu, queimando.
"Vamos divorciar-nos."
Laura explodiu. "Divórcio? Perdi o meu neto e queres destruir a família? Não tens vergonha?" Bateu a porta ao sair. Deixada sozinha, as lágrimas que segurava desabaram. Lembrei-me de ligar para o Miguel após o acidente, a implorar ajuda para o nosso bebé. Mas a sua voz estava cheia de pânico, não por mim. "Sofia estava no carro! Ela está bem? Estou a caminho!" Ele desligou. Foi a última coisa que ouvi.
Quando ele finalmente apareceu, parecia cansado, impecável. "A Sofia precisava de mim." Ri, um som seco. "E eu? O nosso filho?" Vi irritação. "Não sejas dramática. Foi um acidente."
"Acidente?!" Minha voz subiu. "Tu deixaste-me a sangrar para ires consolar a tua ex! O nosso filho morreu!" Ele gritou, levantando-se. "Tu é que foste irresponsável! Se tivesses ficado em casa!"
A culpa. Ele tentava virá-la para mim. O ódio borbulhou. "Eu fui a uma consulta pré-natal, Miguel. Que tu esqueceste."
No mesmo instante, o Sr. Alves, o meu advogado, entrou com os papéis. Os papéis do divórcio. O Miguel ficou incrédulo. "Estás mesmo a fazer isto?" "Depois do que tu me fizeste passar. Acabou."
Ele riu, desagradável. "Não vais conseguir nada. Vais rastejar para mim."
Meu pai também não me tinha deixado um tostão, mas uma descoberta inesperada no seu apartamento antigo mudaria tudo. Um empréstimo vultoso que Miguel me escondeu. Um segredo que ele tentou enterrar, mas que eu desenterraria para a sua queda. Eu já tinha perdido tudo. Agora, não tinha mais nada a temer. Eu iria lutar.
O cheiro de desinfetante no hospital era forte, quase sufocante.
Eu acordei com uma dor aguda na minha barriga agora vazia.
O meu bebé, que deveria nascer em duas semanas, tinha-se ido.
O meu marido, Miguel, não estava ao meu lado.
A minha sogra, Laura, entrou no quarto, com o rosto carregado de desprezo.
"Eva, como pudeste ser tão descuidada? Grávida de quase nove meses e ainda a conduzir por aí. Agora o meu neto se foi!"
A sua voz era fria, cada palavra me atingia com força.
Eu olhei para ela, a minha própria voz fraca e rouca.
"Onde está o Miguel?"
Ela bufou, ajeitando a sua bolsa de marca.
"O Miguel está a cuidar da Sofia. Ela ficou tão assustada com o acidente, coitadinha. O médico disse que o trauma emocional dela é severo."
Sofia. A ex-namorada do meu marido.
A mulher que ele escolheu salvar primeiro, deixando-me presa nos destroços do carro.
Senti uma amargura subir pela minha garganta.
"Nós vamos divorciar-nos."
A minha decisão foi instantânea, clara como o dia.
Laura olhou para mim como se eu tivesse enlouquecido.
"Divórcio? Tu perdeste o meu neto e agora queres destruir a minha família? Eva, tu não tens vergonha?"
Ela não esperou por uma resposta, virou-se e saiu, batendo a porta com força.
Sozinha no quarto branco e estéril, as lágrimas que eu segurava finalmente caíram.
Eu lembrava-me do acidente.
O som do metal a ranger, o vidro a estilhaçar-se.
Eu liguei para o Miguel, a minha voz a tremer.
"Miguel, eu tive um acidente. O bebé... por favor, ajuda-me."
A sua voz do outro lado estava cheia de pânico, mas não por mim.
"Sofia estava no carro atrás de ti! Ela está bem? Estou a caminho!"
Ele desligou.
Essa foi a última coisa que ouvi antes de desmaiar.
Quando acordei, o meu mundo tinha desabado.
O meu bebé tinha-se ido, e o meu marido tinha feito a sua escolha.
Não havia mais nada a que me agarrar.
O Miguel só apareceu no dia seguinte.
Ele parecia cansado, com olheiras escuras sob os olhos, mas a sua roupa estava impecável.
Ele sentou-se na cadeira ao lado da minha cama, evitando o meu olhar.
"Eva, eu sei que estás chateada."
A sua voz era baixa, quase um sussurro.
"Mas a Sofia estava em choque. Ela precisava de mim."
Eu ri, um som seco e sem alegria que arranhou a minha garganta.
"E eu? Eu não precisava de ti? O nosso filho não precisava de ti?"
Ele finalmente olhou para mim, e vi irritação nos seus olhos.
"Não sejas dramática. Foi um acidente. Estas coisas acontecem."
"Estas coisas acontecem?", repeti, a minha voz a subir. "Tu deixaste-me a sangrar no carro para ires consolar a tua ex-namorada! O nosso filho morreu, Miguel!"
"Não fales do meu filho!", ele gritou, levantando-se de repente. "Tu é que foste irresponsável! Se tivesses ficado em casa como eu te disse, nada disto teria acontecido!"
A culpa. Ele estava a tentar virar a culpa para mim.
Eu senti o meu corpo tremer de raiva.
"Eu fui a uma consulta pré-natal, Miguel. Uma consulta que tu te esqueceste porque estavas 'demasiado ocupado'."
Ele ficou sem palavras, o seu rosto vermelho de fúria.
Nesse momento, o meu advogado, o Sr. Alves, entrou no quarto. Ele era um velho amigo da minha família.
Ele olhou para o Miguel com frieza e depois para mim, com uma expressão de simpatia.
"Eva, eu trouxe os papéis do divórcio, como pediste."
Ele colocou uma pasta na mesinha de cabeceira.
O Miguel olhou para os papéis e depois para mim, incrédulo.
"Tu estás mesmo a fazer isto? Depois de tudo o que passámos?"
"Depois do que tu me fizeste passar", corrigi, a minha voz firme. "Acabou, Miguel. Eu quero o divórcio."
Ele riu, um som desagradável.
"Tu não vais conseguir nada, Eva. Tu não tens nada. O teu pai deixou-te sem um tostão. Vais voltar a rastejar para mim."
Com essa ameaça, ele saiu do quarto, deixando um silêncio pesado para trás.
O Sr. Alves suspirou.
"Ele vai tornar as coisas difíceis, Eva."
"Eu sei", respondi, olhando para a minha barriga lisa sob os lençóis. "Mas eu já perdi tudo o que importava. Não tenho mais nada a temer."