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Renascida das Cinzas: Uma Nova Sofia

Renascida das Cinzas: Uma Nova Sofia

Autor:: Liu Jia Bao Er
Gênero: Moderno
A notícia explodiu, espatifando meu sucesso como estilista revelação. "ESCÂNDALO NA MODA: SOFIA REIS ACUSADA DE ROUBAR DESIGNS E VENDÊ-LOS NO MERCADO NEGRO." Meu nome, antes sinônimo de criatividade, virou sinônimo de "fraude" e "criminosa" em manchetes cruéis. De repente, minhas contas foram bloqueadas, contratos cancelados e a indústria que me aplaudia virou as costas. Cada clique na internet era uma facada, uma nova onda de ódio vinda de estranhos que, até ontem, elogiavam meu trabalho. Em meio ao caos, descobri que estava grávida do meu noivo, Bruno, que não atendia minhas ligações. "Emocionalmente instável e com tendências mitomaníacas", dizia um laudo médico falso vazado à imprensa. Fui à casa dos pais de Bruno, buscando ajuda, mas a porta se fechou na minha cara com desprezo. Então, veio o golpe final: mensagens de Bruno e minha assistente, Larissa, revelaram a traição. "Quero que ela suma do mapa. Quero a marca dela, o nome dela, tudo." A ambição e a inveja deles tinham me destruído, mas eu não me renderia. Decidi desaparecer, não por eles, mas por mim e pelo pequeno ser que crescia dentro de mim. Vendi tudo o que me restava e comprei uma passagem de ônibus só de ida para o interior.

Introdução

A notícia explodiu, espatifando meu sucesso como estilista revelação.

"ESCÂNDALO NA MODA: SOFIA REIS ACUSADA DE ROUBAR DESIGNS E VENDÊ-LOS NO MERCADO NEGRO."

Meu nome, antes sinônimo de criatividade, virou sinônimo de "fraude" e "criminosa" em manchetes cruéis.

De repente, minhas contas foram bloqueadas, contratos cancelados e a indústria que me aplaudia virou as costas.

Cada clique na internet era uma facada, uma nova onda de ódio vinda de estranhos que, até ontem, elogiavam meu trabalho.

Em meio ao caos, descobri que estava grávida do meu noivo, Bruno, que não atendia minhas ligações.

"Emocionalmente instável e com tendências mitomaníacas", dizia um laudo médico falso vazado à imprensa.

Fui à casa dos pais de Bruno, buscando ajuda, mas a porta se fechou na minha cara com desprezo.

Então, veio o golpe final: mensagens de Bruno e minha assistente, Larissa, revelaram a traição.

"Quero que ela suma do mapa. Quero a marca dela, o nome dela, tudo."

A ambição e a inveja deles tinham me destruído, mas eu não me renderia.

Decidi desaparecer, não por eles, mas por mim e pelo pequeno ser que crescia dentro de mim.

Vendi tudo o que me restava e comprei uma passagem de ônibus só de ida para o interior.

Capítulo 1

A notícia explodiu como uma bomba no meio da noite, espalhando estilhaços que rasgaram o silêncio do meu ateliê.

"ESCÂNDALO NA MODA: SOFIA REIS, ESTILISTA REVELAÇÃO, ACUSADA DE ROUBAR DESIGNS E VENDÊ-LOS NO MERCADO NEGRO."

A manchete no site de fofocas brilhava na tela do meu celular, as letras cruéis e definitivas. Meu nome, que até ontem era sinônimo de sucesso, agora estava atrelado a palavras como "fraude" e "criminosa". O boato se espalhou com a velocidade de um incêndio, consumindo anos de trabalho duro em questão de horas. Tentei ligar para meu noivo, Bruno. A chamada caiu na caixa postal. De novo. E de novo. O pânico começou a subir pela minha garganta, um gosto amargo e gelado.

Em poucas horas, minha vida virou de cabeça para baixo. Minhas contas bancárias foram bloqueadas, uma notificação fria do banco informando "atividades suspeitas". Os patrocinadores cancelaram contratos. A indústria, que antes me aplaudia, agora me virava as costas. Cada clique na internet era uma nova facada, uma nova mentira, uma nova onda de ódio vinda de estranhos que, até ontem, elogiavam minhas criações. Eles não queriam saber a verdade, queriam apenas um espetáculo.

No meio desse caos, meu corpo me enviou um sinal impossível de ignorar. Um enjoo persistente, uma fadiga que eu atribuía ao estresse. Mas era mais do que isso. Com as mãos trêmulas, fiz o teste de farmácia. Dois riscos. Positivo. Eu estava grávida de Bruno, o homem que não atendia minhas ligações, o homem que deveria estar ao meu lado. A ironia era tão brutal que eu não consegui chorar, apenas ri um riso seco e sem som. Um filho. Agora.

Piorou. Alguém vazou para a imprensa um laudo médico falso, um relatório psiquiátrico forjado que me descrevia como "emocionalmente instável e com tendências mitomaníacas". A humilhação foi pública e completa. Não bastava ser uma ladra, agora eu também era louca. Quem acreditaria em mim? Quem ficaria do meu lado?

Desesperada, fui até a casa dos pais de Bruno, as únicas pessoas que eu achava que poderiam me ajudar. A mãe dele, que sempre me tratou como filha, abriu a porta e seu rosto se transformou numa máscara de desprezo.

"O que você quer aqui, Sofia?"

"Eu preciso falar com o Bruno, eu preciso de ajuda. Nada disso é verdade, a senhora me conhece."

"Conheço?", ela riu, um som cortante. "Eu achava que conhecia. Como você teve coragem de fazer isso com o meu filho? Destruir a reputação dele, da nossa família, por pura ganância?"

O pai de Bruno apareceu atrás dela, o olhar duro como pedra.

"Vá embora. E não nos procure mais."

A porta se fechou na minha cara. O som ecoou na rua silenciosa, a batida final da minha antiga vida. Eu estava sozinha. Completamente sozinha.

Naquela mesma noite, uma amiga me enviou um print de uma conversa que estava circulando num grupo fechado de jornalistas. Eram mensagens trocadas entre Bruno e Larissa, minha assistente.

Larissa: "Ela já está acabada. Ninguém mais acredita nela."

Bruno: "Ainda é pouco. Quero que ela suma do mapa. Quero a marca dela, o nome dela, tudo."

Larissa: "E você vai ter, meu amor. Nós vamos ter. Ela é só um degrau que já pisamos."

Meu estômago se revirou. A traição não era só profissional, era pessoal, íntima. Larissa, a garota que eu treinei, que eu promovi, que comia na minha casa. E Bruno, o homem com quem eu ia me casar, o pai do meu filho. Eles haviam planejado tudo. A ambição e a inveja deles tinham me destruído.

Eu olhei para o meu reflexo na tela escura do celular. O rosto pálido, os olhos fundos. Eu não reconhecia mais aquela mulher. Com o coração pesado, tomei uma decisão. Vendi meu carro por uma fração do seu valor, esvaziei meu apartamento, peguei uma mala pequena com o pouco que me restava e comprei uma passagem de ônibus só de ida para uma cidadezinha no interior, um lugar onde eu esperava que meu nome não significasse nada. Eu precisava desaparecer, não por eles, mas por mim. E pelo pequeno ser que crescia dentro de mim, a única coisa que ainda me prendia a este mundo.

Capítulo 2

A fuga para o interior não me trouxe a paz que eu esperava. O ódio me encontrou. Na pequena cidade onde aluguei um quarto minúsculo, os olhares me seguiam na rua, os sussurros me alcançavam no mercado. As notícias online, alimentadas por Bruno e Larissa, continuavam a me pintar como um monstro.

"LADRA", "VIGARISTA", "DOENTE MENTAL".

Os comentários nas redes sociais eram como um veneno lento, pingando dia e noite na minha mente já exausta.

"Gente como ela devia estar na cadeia!"

"Espero que ela nunca mais consiga um emprego na vida."

"Ainda bem que o Bruno se livrou dessa louca."

Eu desligava o celular, mas as palavras ficavam gravadas na minha cabeça. A perseguição não era só virtual, era real, sufocante.

Durante uma consulta de pré-natal no posto de saúde local, a enfermeira que media minha pressão olhou para meu nome na ficha e depois para o meu rosto, com um reconhecimento lento e cruel.

"Sofia Reis... Ah, eu li sobre você", ela disse, com uma voz falsamente doce, cheia de uma piedade que feria mais do que qualquer insulto. "Que situação triste, não é? Você parecia ter um futuro tão brilhante. Uma pena ter se perdido assim."

Ela falava como se eu já estivesse morta, como se minha história já tivesse um fim trágico escrito e assinado. Eu não respondi, apenas senti as lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto enquanto ela amarrava a braçadeira no meu braço, seu toque profissional e distante. Eu era um caso perdido, um exemplo a não ser seguido.

O ponto mais baixo aconteceu durante uma feira de artesanato na praça da cidade. Eu estava tentando vender alguns bordados que tinha feito, um dinheiro mínimo para comprar comida. Uma mulher parou na minha frente, me encarando.

"Eu te conheço. Você é a estilista ladra da televisão."

A voz dela era alta, acusadora. As pessoas ao redor pararam para olhar. O ar ficou pesado.

"Senhora, isso é um engano...", comecei a dizer, mas minhas palavras foram cortadas.

"Engano? Meu marido perdeu o emprego na fábrica por causa de gente como você, que rouba e engana! Vigarista!"

De repente, senti um impacto molhado e gelado no meu rosto. Outra pessoa havia jogado um copo de refrigerante em mim. O líquido pegajoso escorria pelo meu cabelo, pelas minhas roupas. Alguém me empurrou por trás. Perdi o equilíbrio e caí no chão, batendo o cotovelo com força no paralelepípedo. A dor foi aguda, mas a humilhação foi pior.

Tentei me levantar, proteger minha barriga instintivamente.

"Por favor, parem... Eu estou grávida", sussurrei, a voz embargada.

Mas eles não ouviram, ou não se importaram. A multidão se fechou ao meu redor, um monstro de muitas cabeças gritando insultos. Senti um chute nas costas. Alguém jogou uma fruta podre que se espatifou perto da minha cabeça, o cheiro azedo me revirando o estômago. Eu era um animal acuado, um alvo para a fúria de todos.

No meio do caos, um carro de luxo freou bruscamente. A porta se abriu e Bruno saiu, vestindo um terno caro que parecia deslocado naquela cidade poeirenta. Ele correu na minha direção, abrindo caminho pela multidão com autoridade.

"O que vocês estão fazendo? Enlouqueceram? Deixem ela em paz!"

Ele tirou o paletó e o colocou sobre os meus ombros, me ajudando a ficar de pé. Seu toque era firme, protetor. Por um instante, uma parte estúpida de mim sentiu alívio. Ele tinha vindo me salvar.

Mas então eu olhei nos olhos dele. Não havia amor, não havia preocupação. Havia um brilho frio, calculista. O braço dele ao redor dos meus ombros não era um abraço, era uma corrente. Ele não veio me salvar. Ele veio garantir que eu não escaparia. A perseguição havia entrado em uma nova fase, mais perigosa e muito mais próxima.

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