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Renascimento da Luna - meu ex marido é meu rival

Renascimento da Luna - meu ex marido é meu rival

Autor:: Jessika Bell
Gênero: Lobisomem
No castelo Fairfax, Lux sofre em um casamento ruim com o Alpha Cassius, ele é cruel, frio e impiedoso. Certo dia, ela o vê aos beijos com sua irmã mais nova, na cama deles, e isso fere o seu coração, ao ser traída. Lux, grávida corre às pressas após ver a cena dolorosa, e com tamanha a dor ela entra em trabalho de parto prematuro, e morre antes do seu filho nascer. Mas ela tem uma segunda chance, Lux renasce em um novo corpo, ela ganha uma nova vida. Ela faz parte de uma matilha inimiga a do seu ex marido, e tem a chance de ser feliz e encontrar um amor verdadeiro. E quando ela conhece o líder da matilha: Alpha Zane Quimby, eles sentem uma conexão, pois os dois são predestinados. Juntos, enfrentarão a fúria de Cassius, por querer acabar de uma vez por todas com a matilha de Zane.

Capítulo 1 1

LUX HOLLIS

O castelo de pedra do Alpha Cassius Fairfax estava repleto de flores decorando as paredes, o que deixava o ambiente mais agradável. Os corredores eram todos iluminados por tochas.

O salão principal, embelezado com tapeçarias bordadas à mão e lustres de prata reluzentes, exibia a riqueza e o poder da família Fairfax.

Nasci na riqueza, mas minha fortuna mudou quando fui destinada a me casar com o Alpha Cassius Fairfax. Minha própria família, indiferente aos meus sentimentos, me entregou ao cruel e poderoso líder da alcateia.

Eu nunca sonhei com um casamento perfeito e feliz, mas isso não me impediu de me esforçar para que meu marido me tratasse com carinho. Apesar da indiferença e crueldade de Cassius, eu tentei construir pontes e amenizar as tensões.

No entanto, meus esforços frequentemente resultaram em decepção. O casamento, destinado a ser uma poderosa aliança, transformou-se em um campo de batalha emocional. Eu enfrentava humilhação e sofrimento, mas tentava moldar o coração frio e cruel do meu marido.

Após alguns meses casada com o Alpha e grávida dele, caminhei pelos corredores do castelo, rumo ao nosso quarto.

Girei a maçaneta e entrei no cômodo, olhei para o meu marido, o dominador Alpha que controlava não apenas a alcateia, mas minha vida. Ele estava em sua mesa no canto do quarto, atento a alguns papéis. Meu rosto se entristeceu quando notei que meu marido fingiu não ter notado minha presença.

Eu só queria uma noite normal e tranquila com ele, mas Cassius, como sempre, despejou sua raiva em mim ao notar meus passos se aproximando dele. Ele se virou para me olhar, com os olhos irados.

- O que você quer agora, Lux? Não vê que estou ocupado?

Juntei minhas mãos uma na outra e comecei a falar vagarosamente.

- Meu Alpha, eu só... pensei que poderíamos conversar um pouco, antes de nos deitarmos.

Cassius se levantou irritado, me assustando. Sua mão firme e grande bateu com tanta força sobre a mesa que dei um pulo de susto. Meus olhos se arregalaram de medo e dei alguns passos para trás.

- EU ESTOU OCUPADO, NÃO VÊ? NÃO ME PERTURBE, ME OUVIU? NÃO VENHA ATÉ MIM SE NÃO SOLICITAR SUA PRESENÇA. COMO VOCÊ É IRRITANTE!

O modo grosseiro com que ele proferiu essas palavras fazia meu coração se partir mais uma vez, e ao ver a expressão de ira do meu marido, abaixei a cabeça, apenas obedecendo.

Cassius passou por mim rapidamente, batendo a porta, e naquela noite, eu não sabia quando ele iria retornar ao quarto.

Enquanto continuava a lutar para chamar a atenção de meu marido, meu coração ansiava por um gesto genuíno de afeto.

No entanto, a frieza de Cassius permanecia como um muro impenetrável. Nesse momento sombrio de minha vida, vi minhas esperanças e sonhos escorrerem por entre meus dedos. Sentei-me na cama, sentindo meu coração se partir mais, meus olhos lacrimejando e as lágrimas começando a escorrer pelo meu pequeno rosto.

- Por que ele é tão frio e grosso comigo? - me questionei, sussurrando.

Não entendia por que ele continuava tão amargo e cruel comigo. Deitei-me na cama, fechando os olhos, tentando dormir. Eu queria tentar esquecer o que havia acontecido.

************

Meses depois...

Estava caminhando silenciosamente pelos corredores escuros do castelo. Já havia jantado sozinha na sala de jantar, como sempre, e estava passeando um pouco por aquele enorme corredor. Meu vestido longo rosado arrastava pelo chão, e minha pele pálida revelava marcas invisíveis de uma vida de submissão e tristeza.

- Ainda posso mudar meu marido, sei que ele em breve vai sentir algum carinho por mim. - sussurrei, confiante em minhas palavras.

Segurei o tecido de meu vestido e suspirei profundamente, tentando acalmar meu coração. Eu queria ir para o meu quarto e dormir com meu marido. Ao pensar enquanto caminhava, elevava a minha voz.

- Talvez se o surpreender posso melhorar um pouco nosso relacionamento, é isso! - Indaguei, sorrindo um pouco e colocando suavemente a mão em minha barriga.

Estava grávida de sete meses, e a única coisa que me trazia felicidade nestes meses sombrios era o bebê em meu ventre.

Conforme me aproximava do quarto, comecei a ouvir gemidos e vozes. Fiquei séria e coloquei a mão na maçaneta da porta, me perguntando se deveria abri-la ou não.

- O que é isso? - me questionei, com medo do que iria ver ao abrir a porta. Os gemidos não pararam, e sabia bem o que esses gemidos significavam.

Cerrei meus olhos e elevei minha voz, firme.

- Eu vou entrar - falei determinada, girando rapidamente a maçaneta.

Meu mundo desmoronou quando, no auge da crueldade, descobri o que meu marido fazia atrás daquela porta. Eu não podia acreditar, meus olhos se arregalaram, e eu gritei naquele momento, sentindo dor no peito.

- Não... Isso está mesmo acontecendo? O que é isso, Cassius? - repetia muitas vezes, gritando com ele. Não acreditava no que estava vendo.

As paredes ouviram meus gritos abafados enquanto confrontava Cassius e minha irmã, que estavam nus em minha cama. Era mesmo ela, então não podia acreditar no que estava vendo.

O Alpha rapidamente saiu da cama, vestindo as calças às pressas. Ele me silenciou cobrindo minha boca com sua mão firme e grande, ameaçando-me.

- Pare de gritar, me entendeu? - Me afastei dele, incrédula.

Ele me traiu com a minha irmã e ainda me pediu para me calar? O que ele pensava estar fazendo?

Sentia meus olhos molharem, ao ponto de chorar. Tirei suas mãos da minha boca.

- POR QUE FEZ ISSO COMIGO, CASSIUS?

Gritei com ele mais uma vez, sentindo a dor em meu peito aumentar. Meu marido se aproximava mais, com seus olhos vermelhos de raiva, e cobria a minha boca novamente, me impossibilitando de falar.

- Eu disse... CALADA! - ele apertou o meu rosto e me empurrou para trás, mordendo seu lábio de raiva. Tentei me libertar e vi rapidamente a outra mão de meu marido em meu rosto.

O tapa que ecoou fez o meu rosto se virar. Coloquei a mão no rosto e me virei para olhar para ele, sentindo as lágrimas rolarem. Nossos olhos se encontraram e ele falou, me ameaçando.

- Não ouse dizer mais uma palavra, você me ouviu? - Não desviei meu olhar do dele. Nesse momento, sentia meu coração partido, sem falar no meu rosto que estava doendo, podia sentir a queimação.

Olhei para minha irmã, que estava sentada na cama com um lençol a cobrindo. Ela estava sorrindo, como se nada tivesse acontecido.

Como ela ousava fazer isso comigo? Agindo assim?

Virei o rosto, fitando o chão, tentando controlar as lágrimas que não paravam de surgir. Eu ainda não podia acreditar que minha irmã era tão sem vergonha. Elevei minha voz, mesmo com medo da reação de Cassius.

- Cassius, por que está fazendo isso comigo? Eu sempre fiz tudo por você; carrego seu filho, o futuro Alpha. - Levantei a cabeça para olhar para ele, mas foi um erro.

Cassius segurou meu rosto violentamente com as duas mãos, e nossos olhos se encontraram.

- Você não sabe obedecer, Lux? Quero que saia daqui... AGORA. - Ele gritou e me empurrou para trás. Me equilibrei na parede para evitar cair no chão. Suspirei profundamente, enxuguei as lágrimas que molhavam meu rosto e apenas balancei a cabeça, como sempre fazia. Saí do quarto sentindo uma dor que não conseguia descrever.

Não era a primeira vez, ele já havia se deitado com algumas lobas do castelo, nem queria me lembrar disso, mas ele havia se deitado com a minha irmã, e isso... Era imperdoável... Senti que meu coração estava quebrado, mal conseguia respirar direito, me sentia sufocada...

Capítulo 2 2

Lux Hollis

Sentia-me ferida, não apenas pela traição, mas pela crueldade de meu marido em me tratar como um lixo. Enquanto caminhava, comecei a sentir fortes contrações. Segurei minha barriga e tentei andar rapidamente pelos corredores em busca de minha criada. Sentindo dores mais fortes, comecei a gritar e me sentei no corredor isolado.

- Alguém, por favor, me ajude, o futuro Alpha está nascendo. - Gritei e não houve respostas.

Sentindo as ondas de contrações e me sentindo sozinha, segurei firmemente o tecido de meu vestido e mordi a língua para controlar meu desespero. Eu suava cada vez mais a cada contração.

- Ahhhh, alguém me ajude. Céus! - Continuei pedindo ajuda até ouvir passos em direção ao corredor. Revelei um sorriso, a ajuda estava chegando. Quando vi quem estava ali, tentei recuar, mas não tinha forças, só podia gemer e empurrar.

Meu filho prematuro estava prestes a nascer. Pessoas estranhas, usando tecidos que cobriam seus rostos, avançavam na escuridão.

Estava indefesa e sangrando, não conseguia fazer nada para me afastar deles, deslizando pelo corredor. Olhei para meu vestido repleto de sangue e comecei a chorar, pedindo por socorro. Eu não podia morrer, nem eu, nem o meu bebê...

- Vou fazer o possível para permanecer viva. - Falei comigo mesma, encarando a figura que se aproximava de mim.

- Olhem quem encontramos, a esposa do Alpha, sozinha e indefesa. Este é o momento perfeito. - O homem que se aproximava de mim sorriu e rapidamente veio até mim, querendo completar seu plano macabro.

Ouvi passos atrás de mim e me virei para ver quem era. Cassius e seus leais lobisomens ouviram meus gritos. Os invasores e os lobisomens Fairfax começaram a lutar.

O Alpha Cassius e os outros lutaram para proteger seu território. Enquanto eles lutavam, tentei me levantar, mas não conseguia. A onda de dor da contração vinha novamente, porém mais forte dessa vez. Comecei a gritar por ajuda, chamei o nome de Cassius e o procurei na escuridão.

Levei um susto quando senti uma mão me puxando. Meu corpo se levantou e encontrei os olhos do inimigo, que sorria para mim.

- Me solta. - Tentei falar, mas ele, com a outra mão, apertou minha garganta.

Comecei a procurar por ajuda, por Cassius, e quando o achei... fixei meus olhos nos dele. Meu marido encontrou o meu olhar, e nesse instante ele gelou, não acreditando no que via. As lágrimas não paravam de cair, mediante a dor insuportável que sentia.

Estava sem ar e olhava para ele, implorando por ajuda, mas era tarde demais. Comecei a sentir minha garganta sendo rasgada, o sangue começou a escorrer e meu corpo caiu ao chão.

Comecei a me sentir fria, e uma dor agonizante tomou conta de mim, até que... sucumbi à escuridão, não vendo mais nada.

ELENA WINSLOW - LUX

A escuridão me envolveu cada vez mais até que abri lentamente os olhos e vi um raio de luz.

O que é isso? Tentei falar, mas não ouvi minha voz.

Quando despertei, senti uma estranheza profunda; eu não sabia onde estava nem o que estava acontecendo.

Uma mulher alta se aproximou de mim, sentando-se em frente a mim.

- O que foi, meu amor? Está com sono? Você dormiu muito, minha querida Elena; é hora de acordar.

Mamãe? O que você quer dizer? Onde estou?

Tentei perguntar à mulher alta, com cabelos compridos e belos olhos cor-de-rosa, mas minha voz não foi ouvida.

Olhando pela janela, percebi algo estranho... Este não era o castelo de meu marido, Fairfax; eu estava em um lugar novo com uma nova família. A realidade ainda não havia me afundado completamente. Eu ainda estava no reino de Fenixia, mas não no castelo de Alpha Cassius.

Sacudia os meus braços e percebia serem pequenos, no tamanho de uma criança. Agora, minha mente começava a cooperar.

Parecia como se eu estivesse me movendo para um corpo que não me pertencia. Levou um tempo para eu perceber que não controlava mais meu antigo corpo, mas sim o de uma criança. Incapaz de falar, passei por um processo de aprendizado, guiada por uma mulher que me embalava com uma melodia suave, apreciando minha simples existência.

- Minha linda Elena, vamos apreciar o sol matinal. Hoje é um dia tão bonito; vamos com a mamãe. - Ela sorriu para mim, acariciando o topo da minha cabeça.

Nunca tinha sentido tanto afeto como naquele momento; minha mãe, em minha vida passada, nunca foi amorosa.

E agora, nesta nova vida, eu sentia a ternura daquela mulher, e naquele momento, Elena, minha nova identidade, sorriu para a mulher.

- Ah, que fofura. Mamãe adora quando você sorri assim para mim, minha pequenina.

Minha mãe me abraçou e caminhou comigo até a sacada. Tudo era diferente desta vez.

ANOS SE PASSAM...

Eu, agora conhecida como Elena Winslow, cresci em uma família poderosa e amorosa. Eu ainda guardava as memórias de minha vida anterior, mas descobri que nasci em uma família inimiga da de Cassius. Isso acendeu a chama da vingança em mim, não apenas pela criança que carregava no meu ventre na outra vida e que nem chegou a nascer, mas por tudo que passei.

Ao longo dos anos, fui tratada com amor e cuidado por meus pais, Alaric e Julie.

Quando completei 18 anos, me preparei para me juntar a outros jovens de famílias influentes para o despertar como lobo, um ritual que ocorria na floresta sagrada. Eu estava um pouco nervosa, admito.

- Você está pronta, filha? - Minha mãe me chamou, entrando em meu quarto, e eu olhei para ela.

- Sim, mãe, estou pronta. Estou ansiosa. - Ela pegou minha mão e me encorajou.

- Não fique muito ansiosa; limpe sua mente. Muita ansiedade não é bom.

Assenti e abracei minha mãe, sentindo meu coração aquecer depois deste momento entre mãe e filha. Nos olhamos depois de desfazer o abraço, e minha mãe falou algo antes que eu saísse.

- Estarei esperando por você, querida. Até logo! - Balancei a cabeça, sorrindo para ela.

Mas mesmo com pais tão amorosos, meu coração doía. Sempre pensei no que perdi em minha vida passada - meu bebê e minha antiga vida.

Capítulo 3 3

Elena Winslow

Enquanto caminhava com outras garotas, chegando ao centro da floresta, vi alguém que chamou minha atenção. Ele era muito atraente, bem mais velho que eu, com cabelos pretos, longos, olhos escuros, muito alto e másculo. Totalmente diferente do meu ex-marido. Ele tinha um charme irresistível. Ele era o Alpha Zane Quimby.

Já nos vimos algumas vezes, devido a certas reuniões, mas nunca participei de nenhuma de fato por não ter despertado a minha loba. Essa era a segunda vez que o via de tão perto, e agora faria parte da alcateia.

- Os novos membros, se aproximem.

Dizia um dos lobisomens que estavam ao lado do Alpha. Eu e os demais nos aproximamos devagar. No coração da floresta sagrada, sob o manto prateado da lua cheia, nós nos reunimos para começar o ritual do despertar do lobo.

O cheiro da natureza envolvia a clareira enquanto a antecipação pairava no ar. Eu, ao lado dos demais, nos ajoelhamos, olhando para o Alpha e os outros lobisomens.

Os colares do ancião e dos outros lobisomens, incluindo o adorno majestoso de Zane, foram cuidadosamente colocados em um tronco de árvore antigo.

A atmosfera estava impregnada de energia, e todos aguardavam o início do ritual. A matriarca da alcateia, uma – lobisomem, começou a cantar uma música ancestral conhecida por todos os lobisomens presentes. Sua música ecoava pelas árvores, uma melodia que ressoava com tradição e uma profunda conexão com a natureza.

Todos nós estávamos ajoelhados em volta do tronco. Nesse momento, sentia certa ansiedade e nervosismo, mas tentava relaxar. Ao olhar para o ancião, ele proferiu as palavras do juramento, que repetimos em coro.

- Juramos obedecer às ordens do Alpha, seguir as tradições da alcateia e nunca desobedecer. Em nome da lua e em nome da alcateia, seremos um só. - Dizíamos em coro, olhando para cada face ali presente. Com o juramento feito, os lobisomens colocaram colares em nossos pescoços, um símbolo de que agora fazíamos parte da alcateia.

A música continuou a ecoar e a lua cheia, uma testemunha silenciosa, derramou sua luz sobre todos. Eu e os outros novos membros sentimos uma mudança - algo diferente em nossos corpos, uma transformação iminente.

A agonia começou quando nossos corpos começaram a se mover, ossos se realinhando e dor rasgando nossas peles. Abaixei minha cabeça, sentindo a dor se prolongar, sentindo como se morresse ali, devido à dor. Gritos ecoaram pela floresta, incluindo o meu.

Comecei a suar e minhas mãos tocaram a terra fresca, tentando apertar algo para a dor diminuir, mas foi em vão.

Cheguei a arfar cada vez mais, sentindo meus ossos se quebrarem. A voz suave de minha mãe ecoou em minha mente, encorajando-me a ser forte e a me concentrar em pensamentos positivos. Apesar da dor, perseverei.

"Eu consigo...", pensei, fechando bem os meus olhos, me concentrando. Minha pele se rasgou e olhei para baixo, abrindo meus olhos e vendo garras afiadas e presas pontiagudas.

"Eu consegui." Um sorriso de alívio apareceu em meus lábios e senti a dor cessar.

O reflexo no lago próximo mostrava meus olhos cor-de-rosa brilhantes, tornando-me única naquele momento. A transformação estava completa.

Todos se levantaram, agora lobos em nossas formas verdadeiras. A celebração começou e a floresta sagrada testemunhou a unidade da alcateia sob a luz da lua cheia.

Eu, uma vez uma estranha em um corpo desconhecido, agora era parte integrante de uma comunidade que me aceitava, celebrando não apenas minha transformação, mas também a promessa de novos começos sob a bênção lunar.

Depois de voltarmos à forma humana, sentei-me com os outros e fiz uma refeição. Após comer, fui até o lago, apreciando a beleza da natureza.

- Seja bem-vinda, Elena. - A voz firme e aveludada de Zane me fez assustar; me virei para ele e fingi sorrir.

Ao fitar bem o seu rosto, me lembrei levemente dele, da minha vida passada. Ele era o homem que meu ex-marido tanto odiava. As duas alcateias eram inimigas há muitos anos. Sempre ouvia Cassius falando dele, de como o odiava, que queria acabar com ele, mas não me lembro de ter falado com Zane na minha vida passada.

Olhei para seu rosto rapidamente e desviei, olhando para o chão, sem jeito.

- Obrigada, Alpha - disse, sentindo-me um pouco envergonhada.

Mas quando voltei a olhar nos olhos dele, percebi que ele não era como meu ex-marido. Ele era sério, mas, ao mesmo tempo, acolhedor; gentil. Algo que eu não estava acostumada.

Ele se aproximou, ficando na minha frente e falou.

- Na primeira vez que te vi, sua beleza me comoveu, Elena. - Quando ele dizia isso, meus olhos se arregalaram e ele mostrou um sorriso para mim, um lindo sorriso, aliás.

Esse seu elogio fazia meu coração tremer um pouco, mas não como antes. Sentia algo que jamais senti em minha vida, algo bom.

Senti certa vergonha e mostrei um sorriso a ele. O Alpha se aproximou mais de mim, mas seu olhar foi até a lua, a admirando.

- Fico lisonjeada, Alpha.

Continuei olhando para ele, até que ele se virou para mim e me estendeu uma bebida, a qual nem prestei atenção que estava em sua mão.

- Essa bebida está quente, está um pouco frio, ela irá te esquentar. Aproveite o resto da noite, tenho certeza de que irá conhecer bem todos em breve.

Peguei o copo de sua mão e agradeci a ele.

- Muito obrigada, espero me dar bem com todos. - Falei sem jeito, e Zane assentiu com a cabeça e se afastou de mim, juntando-se a outros lobos.

Fiquei um pouco sozinha, admirando a lua e respirando fundo. Não sei o que aconteceu, mas o meu coração acelerou bastante na presença dele.

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