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Rendida ao Chefe do Comando

Rendida ao Chefe do Comando

Autor:: Viih Felix
Gênero: Romance
Roberta já foi uma mulher cheia de vida, mas o casamento com Wesley, um homem frio e abusivo, drenou sua alegria e autoestima. Mãe atípica, ela enfrenta a rotina marcada por palavras cruéis, desprezo e a dor de viver sem esperança. Tudo muda quando, por acaso, seu caminho cruza com Mauro, o temido e enigmático Zeus, chefe do Comando. Fascinado pela beleza e força silenciosa de Roberta, Zeus não consegue ignorá-la. Determinado a conhecê-la melhor, ele ordena que um de seus homens vigie a morena e lhe traga todas as informações. O que descobre sobre sua vida o deixa indignado e desperta algo que nunca sentiu: o desejo de proteger e amar. Movido por esse amor, Zeus decide quebrar suas próprias regras no Comando. Wesley é levado ao tribunal do crime, onde enfrenta a sentença mais dura. Assim, Roberta finalmente encontra a liberdade, e Zeus, ao seu lado, promete não apenas segurança, mas também o amor que ela tanto merece. Um romance explosivo e cheio de reviravoltas, onde o poder do amor é capaz de transformar até mesmo o mais temido dos homens.

Capítulo 1 Prólogo

O Morro do Santa Vitória, no coração do Rio de Janeiro, era um lugar onde a violência, o tráfico e a miséria caminhavam lado a lado com a esperança de dias melhores. Mas para Roberta, esperança era um luxo inalcançável. Desde pequena, aprendeu que a dor era sua única companheira fiel.

Sua mãe morreu quando ela tinha apenas sete anos, deixando-a sozinha com um pai que se afundava cada vez mais no álcool e nas drogas. Um homem quebrado, amargurado, que via em Roberta o reflexo de todas as desgraças de sua vida. Ele a culpava por tudo, pela fome, pelo abandono da esposa, pelo próprio fracasso. E cada gole de cachaça que ele tomava era uma desculpa para mais uma surra.

Mas o pior ainda estava por vir.

Quando Roberta completou dez anos, seu pai começou a vender suas irmãs mais novas. Ela via o desespero nos olhos delas, os gritos sufocados pelo medo, mas nada podia fazer. Seu pai era protegido pelos traficantes do Morro, homens que decidiam quem vivia e quem morria ali dentro. Se ela ousasse se opor, teria o mesmo destino ou algo pior. Então, ela apenas chorava escondida, rezando por um milagre que nunca chegou.

Os anos se passaram, e Roberta aprendeu a sobreviver, a se calar, a engolir cada lágrima para evitar apanhar mais do que o necessário. Mas, no fundo, ela sonhava em fugir. Sonhava com um lugar onde pudesse respirar sem medo, onde o toque de um homem não fosse uma ameaça.

Aos 16 anos, Roberta encontrou uma forma de escapar, ainda que por algumas horas, do inferno que chamava de lar. Arranjou um trabalho e passou a passar o dia fora de casa, voltando apenas quando o cansaço tomava conta de seu corpo. Quando chegava, seu pai já estava caído em algum canto da casa, bêbado e drogado, ou simplesmente não estava. Muitas vezes, dormia pelas esquinas, nos bares ou em becos escuros. Para Roberta, isso era um alívio. Quanto menos o via, menor era a chance de apanhar ou ouvir seus insultos cruéis.

Com o dinheiro que ganhava, Roberta pôde, pela primeira vez, comprar suas próprias coisas e sair com suas amigas. Criou laços, encontrou momentos de felicidade fora daquele ambiente sufocante. Tornou-se uma jovem sorridente e, apesar da dor que carregava no peito, aprendeu a esconder seu tormento atrás de um sorriso. Era sua única forma de se sentir viva.

A morte do chefe do Morro do Santa Vitória pegou a todos de surpresa. Ele não caiu em uma emboscada no território que comandava com mãos de ferro, mas sim no asfalto, durante um assalto que deu errado. A troca de tiros com a polícia foi intensa, e, no fim, ele tombou sem vida, deixando um império sem comando.

Com sua morte, o poder passou para as mãos de seus filhos, Darlan e Wesley. Darlan, o mais velho, assumiu como o novo chefe, enquanto Wesley ficou como seu braço direito. A mudança no comando trouxe tensão e incerteza para o Morro. Muitos temiam que os novos líderes fossem ainda mais implacáveis que o pai. Afinal, cresceram no meio do crime, aprendendo desde cedo que poder se conquista com sangue e medo.

Pela primeira vez, o morro se preparava para um evento que nunca havia ocorrido antes: um baile repleto de ritmos contagiantes, gente dançando, e uma energia elétrica no ar. Roberta, sempre com um olhar determinado, decidiu que iria fazer parte daquela noite histórica. Ela e suas amigas se arrumaram, ansiosas para a diversão que estava por vir, mas ninguém sabia que Roberta, com sua presença marcante, seria o centro das atenções. Mesmo sempre maquiando as marcas roxas que as surras deixavam.

Ela escolheu um vestido preto, justo e um pouco transparente, que moldava seu corpo com uma precisão arrebatadora. O tecido, levemente revelador, realçava suas curvas volumosas, que sempre chamavam olhares por onde passava. Seu corpo, mais que uma simples estética, era um espetáculo em si, capaz de parar o trânsito e fazer os olhares se voltarem com admiração e desejo.

Com um salto alto que elevava sua estatura, ela caminhou até o espelho. Sua maquiagem estava impecável, com tons de sombras que destacavam seus olhos, e os lábios, carnudos, brilhavam com um tom vibrante de vermelho. Não menos importante, o perfume que usava parecia se espalhar pelo ar, criando uma aura misteriosa e irresistível.

Ela deixou seus longos cabelos pretos caírem em ondas perfeitas sobre os ombros, como um toque final, exalando confiança e poder.

Foi então que ela chamou a atenção de Wesley. Ele era o sub do Morro, irmão mais novo de Darlan, o chefe do tráfico. Um homem respeitado e temido, com um sorriso que prometia o mundo. Eles se conheceram em um baile, e, naquela noite, Roberta sentiu algo que nunca havia experimentado: desejo. Wesley foi encantador, tratou-a como se ela fosse especial. E pela primeira vez, alguém olhou para ela como se fosse mais do que uma simples mulher.

Ele a cortejou, mimou-a com presentes, promessas e carinho. E Roberta, exausta de uma vida de sofrimento, agarrou-se àquela chance. Wesley era sua única saída. Seu único caminho para longe das garras do pai.

Apaixonada, Roberta foi morar com ele. No primeiro ano, Wesley foi um sonho. Um marido atencioso, protetor, um homem que a fazia sentir segura. Ele dizia que a amava, que faria qualquer coisa para protegê-la.

Mas tudo mudou quando ela engravidou.

Wesley virou outro homem. O olhar apaixonado se transformou em desprezo. Ele começou a maltratá-la, a dizer que aquele filho não era dele. No início, eram palavras cruéis. Depois vieram os empurrões. E então, os socos. Mesmo grávida, Roberta apanhava sem piedade.

Ela queria fugir, mas para onde? Não tinha família, não tinha para onde ir. A única pessoa que lhe oferecia algum apoio era Suzana, sua cunhada, mas nem mesmo ela podia protegê-la de Wesley.

Quando Guilherme nasceu, Roberta esperava que as coisas melhorassem. Mas seu filho, seu pequeno anjo, apenas despertou mais ódio no homem que deveria protegê-lo.

Guilherme era diferente. Desde pequeno, Roberta percebia que ele não reagia como outras crianças. Ele não olhava nos olhos, não se interessava por brinquedos comuns, tinha crises de choro inconsoláveis. Depois de muitas consultas, exames e idas a médicos que pareciam sempre ter uma resposta vaga, veio o diagnóstico: Guilherme tinha autismo em grau avançado.

A notícia caiu como uma sentença de morte.

Wesley se tornou um monstro completo. Ele gritava que o filho era um castigo, que não queria um "retardado" na família. Cada crise de Guilherme era punida com gritos, tapas e castigos. E Roberta, impotente, fazia de tudo para proteger o filho da fúria do próprio pai.

Mas até quando ela conseguirá suportar? Até quando poderia esconder seu filho nos braços, tentando abafar seus gritos para que Wesley não viesse machucá-la mais? Ele nunca tocou uma criança, Já em Roberta, faz dela um verdadeiro saco de pancadas.

O Morro do Santa Vitória já havia destruído muitas vidas. Roberta se perguntava se a dela e a de seu filho seriam as próximas.

Mas ela sabia de uma coisa: Um dia eu vou me livrar desse homem, e vou poder viver em paz com meu filho.

Capítulo 2 Roberta

Roberta Narrando

Eu me chamo Roberta Tenório, tenho 25 anos, sou mãe atípica e nasci no Morro Santa Vitória, o coração do Rio de Janeiro. Mas se fosse para ser sincera, eu diria que esse lugar é um inferno. Desde pequena, eu vivi nas sombras da violência e da pobreza. O Morro, em vez de ser um refúgio, foi minha prisão. Não que eu tivesse escolha. Era só sobreviver ou sucumbir, como muita gente por aqui, em nome de uma vida que parecia destinada a não ter fim.

Minha história é marcada pela dor, pela perda e pela luta. Minha mãe morreu quando minha irmã mais nova nasceu. Aconteceu logo depois que ela deu à luz e eu nem cheguei a conhecer a minha irmãzinha. Meu pai, aquele desgraçado, disse que ela foi dada para adoção, mas com o tempo, eu percebi que aquilo era mentira. Ele não dava a mínima para ninguém. Ele vendeu a minha irmã, sem sombra de dúvida. E não foi só ela. Ele vendeu as minhas outras irmãs também, uma a uma. Eu, a mais velha de quatro filhas, fui a única que restou, porque o resto se perdeu nas mãos daquele homem nojento, bêbado e drogado.

Aos meus olhos, ele nunca foi um pai de verdade. Na verdade, ele era um lixo, um "cachaceiro" que não se importava com ninguém, a não ser com o seu próprio vício. E ele ainda era chapa do dono do Morro, o maldito do meu ex-sogro. Esse homem fazia questão de aproveitar da miséria alheia. Ele fazia com que todos aqui ficassem presos, dependentes. Até hoje, me pergunto como pude ser tão burra, de cair na lábia do Wesley, o pai do meu filho. Para mim, ele não é nada além disso: o pai do Gui.

É claro que o fruto não ia cair longe da árvore, Wesley é tão ridículo quanto o pai dele era. Tomara que tenha o mesmo fim.

Meu filho, Guilherme, é autista. Ele tem apenas Cinco anos e já me mostrou, de todas as formas, o quanto a vida dele pode ser desafiadora. Eu faço de tudo por ele. Vivo para ele. Dedico 100% da minha energia, minha força e meu amor para protegê-lo, para garantir que nada e ninguém possa fazer mal a ele. O Gui é minha razão de viver. Ele não tem culpa do que aconteceu, nem do que ainda vai acontecer. O amor que eu sinto por ele é algo que ninguém jamais vai entender.

Eu me acostumei com a dor, com a humilhação e com o sofrimento, mas o pior de tudo sempre foi o abuso do Wesley. Ele me bate, me xinga, me trata como lixo. Dentro de casa, ele tem a liberdade para fazer o que quiser comigo. Mas com o Gui, eu sempre deixei claro:

- Se um dia você colocar a mão no meu filho, a chapa vai esquentar.

Eu sou capaz de tudo para proteger meu filho. Se ele tentar, vai ter que me enfrentar, porque eu não vou deixar.

Wesley sempre se achou o dono do pedaço, mas ele não passa de um covarde. O cara se esconde atrás do irmão, o Darlan, que também é podre. Mas o Darlan rodou, foi preso, alguma das ex dele, provavelmente foi quem denunciou. Dizem que foi A Marcela, ela pode até ter dado o toque, mas quem realmente botou fogo foi a Amanda, uma outra ex do Darlan. Essa sim, era piranha de verdade. E não estou falando de moralismo, mas de como ela usava o corpo dela para manipular a favela. Eu sei o que estou dizendo, porque já vi de perto como o Darlan tratava as mulheres. E ele fazia questão de espalhar suas mina por toda a favela. Agora, o Wesley, apesar de ser um imbecil, não chegou a fazer o mesmo. Ele nunca me ofereceu para ninguém. Nem para seus amigos. Ao menos nisso, ele não é tão deplorável.

Mas a vida não me dá descanso. Não me deu até hoje e eu sei que não vai ser diferente daqui para frente. Cada vez que olho para o meu filho, sinto o peso de ser a única responsável por ele, de carregar tudo sozinha.

Eu sou uma mulher forte. Tenho que ser, por causa do meu filho. Não me importo com o que os outros pensam de mim. Eles podem me chamar de qualquer coisa, podem tentar me derrubar. Mas nunca vão conseguir. Porque o Gui é o meu farol. É ele que me faz levantar todos os dias e me fazer lutar por algo melhor. Ele é a razão pela qual eu vou até o fim, sem importar com as consequências. Eu tenho uma missão e nada nesse mundo vai tirar isso de mim.

Eu estava arrumando o quarto do Guilherme, tentando organizar um pouco as coisas enquanto ele assistia TV, quando o Wesley chegou. Ele estava visivelmente agitado, devia tá chapado, já gritando desde o momento em que entrou. Faz dois dias que ele não aparecia em casa, e provavelmente estava com alguma das piranhas com quem ele sai por aí. Eu já sabia como ele estava, mas não esperava que ele fosse fazer aquele escândalologo de Cara.

- Tá gritando por quê? - perguntei, tentando me manter calma.

Mas a resposta que eu recebi não foi verbal, foi um soco no meu estômago. Ele me olhou com raiva e disse:

- Tu foi falar para Suzana que eu te bati da última vez? Ela já veio me encher o saco, já veio tirar uma com a minha cara no meio da rua. Tu sabe que eu não posso tocar na Suzana porque o Darlan não deixa, então quem vai apanhar é tu sua Vagabunda.

Eu senti a dor do soco, mas o que mais me machucava era a humilhação, Ele não tinha limite. Antes que eu pudesse reagir, ele me deu uma rasteira e começou a me chutar. Tentei me proteger, mas sabia que não ia conseguir segurar por muito tempo. Estava prestes a perder o controle, mas foi então que o Mistoca apareceu.

Ele entrou de repente já foi para cima do Wesley, empurrando ele com força.

- Que é isso, mano? Tá maluco? Batendo na mãe do teu filho, ela é tua mulher, cara, não faz isso!

O Wesley, todo irritado, gritou de volta para o Mistoca:

- Não se mete, Caralho!

Mas o Mistoca não recuou, e em vez disso, olhou para o Wesley com a expressão séria e falou:

- Eu vim aqui te avisar que o chefe mandou te chamar. Teu irmão fugiu do presídio.

Na hora, a minha cabeça deu um nó. O Wesley começou a rir, achando graça da situação, mas eu sabia que aquilo ali não tinha nada de engraçado. O Darlan de volta? O bicho era o capeta em pessoa. O bagulho ia piorar, e muito.

O Mistoca não parecia brincando. Ele encarou o Wesley, e o clima ficou tenso.

- E aí, mano, tu vai ficar rindo? O Darlan fugiu e tu tá aí achando graça? Cê sabe que ele desobedeceu o Zeus.

O Wesley se calou por um segundo, mas logo soltou um:

- Não tô nem aí pro Darlan. Ele que se foda.

Eu podia sentir o peso da situação no ar. O Mistoca, sério como sempre, deu uma última olhada no Wesley e, antes de sair, falou baixo:

- É Bom tu descer, Zeus tá te esperando na sede.

Wesley saiu atrás do Mistoca, Darlan desobedeceu o Tal Zeus, tomara que se ferre e leve o Wesley junto pro mesmo buraco.

Capítulo 3 Zeus

Zeus Narrando

Fala aí, meu chegado, meu nome é Mauro Boaventura, mas tu vai me conhecer como Zeus. Sou o chefe do Comando NS, Núcleo Sombrio ( Nome fictício) tá ligado? Criei essa parada do zero, desde o comecinho. Fui lá, conquistei território por território, fiz os bagulho acontecer, não foi fácil, mas eu consegui. E não é só papo não, vi todo mundo que eu hoje mando lá, os moleques que se sentem grandes, mas que não tão nem perto do que eu já conquistei. A diferença é que eu cheguei com garra, e fiz cada um suar a camisa. Cada território, cada favela, cada quebrada que a gente tomou foi suado, mas eu tava lá, junto, não me escondi atrás de ninguém. Tô até hoje no jogo, e o que conquistei, ninguém vai tirar de mim. Não sou aquele chefe que fica sentado no escritório, esperando os outros fazerem o trampo, não, mano. Aqui, o esquema é outro, sou um líder que sabe o que tá acontecendo, porque sou eu que comando.

O bagulho é tenso, e a gente faz o jogo. A polícia me procura, tenta me pegar, mas nem sabe onde me achar. Sou um fantasma, cara. No sistema deles, eu sou invisível. Eles até tentam, mas quem faz o jogo sou eu. Meu nome é desconhecido, mas minha fama é tradicional. E é assim que tem que ser. Ninguém sabe de verdade quem eu sou, e é isso que me faz forte. Eu, Zeus, venho pra bagunçar com tudo que eles pensavam que tinham controle. Eles tentam se enganar, mas a realidade é que o sistema deles já era, aqui quem manda é nóis, irmão.

Hoje tenho 43 anos, mas quando comecei nessa peleja eu tinha 33, então já são 10 anos comandando essa parada, 10 anos fazendo o jogo. Nesses 10 anos, eu vi muita gente se perder, muitos moleques que não conseguiram segurar a pressão, mas eu continuei firme. E esse jogo é uma guerra constante, não é fácil, nunca foi. Cada decisão que a gente toma é um risco, mas quem não arrisca, não conquista. Conquistei, e o que tenho hoje, ninguém vai me tirar. Meu trono é firme, tá ligado?

Não moro em favela, não moro no morro, eu sou diferente disso. Eu sou o cara que chega, conquista e põe quem eu confio pra cuidar do bagulho. Minha casa? É em São Conrado, no meio dos caras ricos. Aqui, quem manda sou eu. Eu não tenho que abaixar a cabeça pra ninguém, entendeu? Sou dono da porra toda, e isso não é só papo de quem sonha com poder, não. Isso é real, e quem me conhece sabe o quanto sou firme no que falo.

Não tenho uma mulher, eu tenho várias mulheres, mas a real é que pra mim, essa parada de amor é só um luxo. Não tô dizendo que não quero um dia me apaixonar, claro que eu quero, mas isso não é minha prioridade. Eu sou o cara que tem o mundo aos meus pés, então pra que me preocupar com essas coisas? Vivo no asfalto, eu sou o dono da boate Luxos, uma das mais badaladas da Zona Sul. Quando os VIPs querem diversão, a primeira opção deles é a minha boate. E ali, é onde o bagulho acontece. As melhores festas, as mulheres mais bonitas, os caras mais influentes. Tudo isso, eu que controlo. Ali, eu sou o Rei.

Mas não é só isso. Sou dono de outros negócios também. Tenho postos de gasolina espalhados pela cidade, e esses postos são só mais uma parte do império que Herdei. Também tenho uma casa de eventos, onde rola de tudo, e um restaurante que é referência em todo o Rio. Meu restaurante é um dos mais renomados da cidade, e se você quiser comer bem, sabe que tem que ir lá. No mundo dos negócios, sujo ou não, o que importa é o resultado. E eu sou o cara que sabe como fazer as coisas acontecerem. Eu não sou só o chefe da facção, eu sou o cara dos negócios. Isso me dá poder, e esse poder eu não compartilho com ninguém.

Agora, se você tá achando que tudo isso foi fácil, tá muito enganado. Não foi, não. Cada passo foi dado com muito suor, com muito sacrifício, e principalmente, com muita cautela. A vida no crime não é fácil, e eu sei disso. Eu me envolvi com gente da polícia, com gente do tráfico, com gente do asfalto. E eu sempre estive em todos os lugares, no meio da bandidagem e no meio da sociedade, quando eu tô de Zeus, eu uso máscara. Ninguém pode saber quem eu sou. Poucos viram meu rosto de verdade. Só quem tem minha total confiança sabe como eu sou. Eu nunca dei mole pra ninguém. Fui esperto, e nunca me deixei ser controlado por ninguém. Eu sou o que sou, e fiz isso sozinho.

Mas quando estou de Mauro, empresário carioca renomado, sempre estou com uma beca impecável. Saindo em colunas sociais, nunca me envolvo em escândalo. Vou na missa todos os domingos, sempre visito os meus pais, apareço nas festas de família. Sou um exemplo, é isso que eles querem, Então é isso que eu mostro.

No jogo que eu jogo, é assim: você tem que ser esperto, tem que saber em quem confiar, tem que saber onde pisa. Eu construí o meu império com o suor do meu rosto, e ninguém vai chegar aqui e tomar o que é meu. O bagulho é grande, e se alguém achar que pode me derrubar, vai se arrepender. Eu não sou mito, sou o cara que fez acontecer. Se você acha que o jogo é fácil, tá na hora de acordar.

Chegou até mim que o maluco do Morro da Vitória, aquele otário que eu deixei na frente, Rodou. O cara não reagiu quando a gente tomou a quebrada do TCP, Então deixei ele na mesma posição, Mas deixei um olheiro meu lá dentro, mas aí soube que ele tava batendo em mulher, abusando das moradoras, tocando o terror. Mandei o recado pra ele ficar lá, que eu ia botar o advogado do nosso comando pra resolver essa parada, mas é claro que eu não ia fazer isso, né? O plano era deixar ele apodrecer lá dentro. Já tinha dado ordem pra não matarem ele, mas fazer ele se arrepender de ter nascido todo dia.

Só que o vacilão desobedeceu minhas ordens e fugiu. Aí não tem mais conversa. Já mandei investigar quem facilitou e vai ter que pagar, porque aqui, quem vacila, paga. Agora chegou a hora de apagar esse fracassado também. Mandei chamar o irmão dele, o Wesley, porque sei que ele vai procurar logo pelo irmão. Então, pra provar que é leal a mim, o Wesley vai ter que me entregar o Darlan. Não tem outro jeito, Wesley vai mostrar de que lado ele está.

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