Aqui estou eu, segurando uma granada, pronto para fazer um belo kabum no rabo desses comedores de carne humana sem noção. Eu sei, eu sei, vai demorar alguns segundos para explodir e vou levar umas dentadas bem fortes, mas que se foda, eu quero que esses lixos queimem, não tem porque tentar viver mais nessa merda de mundo. A maior dor eu já senti, então ver minha carne sendo arrancada e sentir isso não vai ser tão doloroso. Maldito girassol que se foi mais cedo, por sua ausência senti tamanha dor.
Bom, para saber porque de eu estar nessa situação, desistindo de tudo, você deve voltar um tempinho atrás, lá onde começou a mudança. Só não vai chorar, porque de lágrimas já bastaram as minhas, e afirmo que lágrimas internas doem o dobro. Em meio a tanta agonia, você até pede para as lágrimas se transformarem em um rio para se afogar...
~Algum tempo antes~
-Não acredito, pelo amor de Deus, como a gente perdeu pra esse noob?
- Ele te matou com uma granada Kevin.
- Foi mal Gary, eu me desliguei por um segundo e esse pé de rato me matou.- Eu disse tirando o headphone e jogando em cima do teclado do PC.
- Tá de boas, mas não vai fazer isso quando a gente jogar em squad com os garotos.
- Claro, bom cara eu vou desligar o PC e comer alguma coisa, até mais.
- Até brô, aliás eu passo aí as sete da noite te levar o meu jogo do The Last Of Us.
Eu desliguei a chamada e fechei o jogo. Não é fácil jogar o Call Of Duty sendo bom e perder para esses "Zé ruela". Eu tinha ido pra cozinha comer um pastel que tinha comprado ao meio dia na feira do centro. Pegando o pastel, eu me atiro no sofá e ligo a televisão. De repente ouço a porta do quarto da minha mãe abrindo, ela saiu do quarto e parou na minha frente, me olhado com as duas mãos na cintura com um olhar repreensivo.
- Kevin, da pra tirar os pés da minha mesinha? Não é você que limpa.
- Calma dona Margaret, eu já tiro.- Eu disse tirando os pés lá de cima.
- Podia sentar direito, Kevin você tem vinte anos então se comporte como adulto.- Ela disse indo em direção a porta.
- Vai sair?- Perguntei me ajeitando no sofá e olhando pra ela.
- Eu vou ter que resolver algumas coisas no escritório, e vou no banco. Vai querer alguma coisa?
- Nada mãe, se cuida, Eu te amo rainha. - Disse fazendo corações com a mão.
- Você não fica tanto no vídeo game, e não esqueça de verificar tuas vendas! Mamãe também te ama.- Ela disse isso saindo e fechando a porta.
Eu liguei a televisão e estava passando um noticiário aleatório. Fiquei olhando o celular sem prestar atenção na televisão, tava vendo as mensagens da Daiane, uma ex namorada minha de escola. Ela fica mandando mensagens me enchendo o saco, mas eu não tô afim de falar com a vagabunda que ficava dando em cima dos meus amigos. Eu fiquei dando atenção ao celular até que ouvi gritos vindos da televisão, o âncora despreparado e com uma postura nada profissional começou a pedir as pessoas entrassem em suas casas e se refugiassem. Ele disse isso e a câmera apagou, foi sinistro, depois voltou e a cadeira dele estava ensanguentada e ele não estava lá. Eu acreditei que poderia ser aquelas brincadeiras da televisão ou um filme de terror qualquer, porém o canal saiu do ar. Ok, isso foi estranho
- Filho, alcança a minha carteira ali no armário, eu esqueci.- Disse minha mãe parada na porta com o fôlego se esvaindo, parece que voltou correndo ao lembrar-se da carteira.
Foi aí que tudo começou a dar errado.
Eu me levantei e fui pegar a carteira, mas de repente ouvi um barulho muito alto que me assustou bastante e quando me virei meu sangue gelou, minha boca secou, meu coração batia muito forte no peito apertado, vi uma cena tão terrível que jamais esquecerei. Minha mãe havia sido atacada e derrubada por um homem que a mantinha presa ao chão. Eu corri na direção, mas aqueles milésimos de segundos misturados aos poucos gritos da minha mãe marcaram meus olhos em desespero. Aquela cena, aquele momento me destruíram, eu nunca seria capaz de esquecer e preferiria nunca mais jogar vídeo games a ter que passar por isto. Minha mãe teve o pescoço destroçado, aquele homem a estava devorando numa atitude desumana, seus gestos eram todos selvagens e animalescos, como se não fosse mais dotado de racionalidade, eu paralisei, eu vi o último olhar dela, todo o medo, dor e desespero que ela sentia transmitidos silenciosamente naquele olhar, eu vi.
Eu não pude fazer nada, eu fui covarde, porque quando eu decidi fazer alguma coisa eu vi cinco pessoas correndo na minha direção, todos ensanguentados e dando grunhindo, então entrei na casa e tranquei a porta. Não sabia o que tava acontecendo, porque aquelas pessoas estavam fazendo aquilo? Meu Deus minha mãe morreu? Eu não posso acreditar!
Minha primeira ação em meio as lágrimas foi ligar para polícia, mas eu desisti na hora que olhei pela janela do apartamento e vi policiais sendo Mortos por vários deles sendo brutalmente devorados da mesma forma que minha mãe foi. Era tiro e porrada pra todo lado, um caos que ninguém merecia presenciar. Fechei as cortinas e a janela e coloquei a máquina de lavar, que é muito pesada em frente a porta formando uma barricada.
Eu estava em choque, não sabia o que fazer. Fiquei sentado com as mãos na cabeça em frente a máquina. Não podia acreditar se aquilo era real, Poderia estar em um pesadelo. Não, me belisquei quatro vezes e nada. Meu Deus minha mãe morreu, o que causou isso? Não pode ter sido uma pessoa, aquilo não era humano! Após poucos minutos em estado de choque meu celular toca. Atendi e pra minha alegria era o Gary.
- Gary, Gary você não vai acreditar, as coisas estão horríveis, a minha mãe cara, a minha mãe foi mo-morta. - falei desajeitado, com a voz embargada pelo pranto iminente.
- Você não tem que explicar nada, só preciso que se apronte.- Disse Gary num tom frio e controlado sem nem ao menos esboçar alguma reação sobre a morte de minha mãe.
- Gary, você sabe o que tá acontecendo? minha mãe acabou de morrer.- Eu disse gritando enquanto as lágrimas se derramavam de meus olhos em uma velocidade absurda e ao mesmo tempo eu ouvi barulho na porta.
- Kevin, cala a boca e escuta, não é tempo de lamentar. As coisas vão piorar, então cara primeiramente não faz barulho porque vai atrair eles.
- O que são eles?
- Mortos-vivos, de alguma maneira essa infecção chegou aqui e foi devastadora. Eles comem tudo que veem pela frente, seja humano ou animal!
- Como você sabe disso?
- Isso tá passando nos noticiários a dias, foi esse vírus que atingiu o norte da Itália e teve aqueles casos de canibalismo.
- Bom, o que eu tenho que fazer?
- Não deixe eles te arranhar, se você tiver contato com o DNA infectado vai virar um deles. Arrume mochila com suprimentos, vamos sair da cidade.
- Eu entendi, mas tá difícil, a rua tá um caos.
- Kevin começa a se preparar, tem que sair daí, você sabe muito bem que não pode ficar sozinho. Eu não sei até quando as redes e luz elétrica vão funcionar, mas caso contrário em dois dias me encontre na delegacia, meu pai disse que podemos arrumar proteção. Caso não podermos se falar mais, essa é nossa data e ponto de encontro!
- Eu entendi, irei tentar chegar lá!
- E Kevin, não hesite em estourar a cabeça deles, se não fizer isso, eles não morrem. Seja rápido!- Ele desligou na minha cara.
Eu não podia acreditar que isso é real, eu não podia imaginar, queria poder acreditar que era apenas mais um jogo de apocalipse mas se isso não é um jogo nem um sonho, portanto tenho que fazer algo para sair daqui. Eu preciso arrumar meus mantimentos e sumir daqui.
Passei horas e horas arrumando minhas coisas, eu coloquei comida, roupa e alguns objetos como facas e coisas úteis. Eram umas sete da noite, foi então que eu ouvi aqueles gritos, aqueles grunhidos desumanos e toda aquela baderna. Olho para janela e vejo que aquele monte de zumbis estão entrando no meu prédio. E eu pensei que não podia piorar! Fora que sons de tiro estão ensurdecedores, espero que seja o meu resgate.
Eu pensei em atrair quem estava atirando para minha casa, subitamente mas uma explosão arrebenta a parede que desmoronou inteira criando uma nuvem de poeira saída dos destroços de concreto que agora preenchem a calçada e parte da rua, e o local agora está exposto. Não demora para um deles entrar na minha casa e me atacar. Desviei pulando do sofá para direção da cozinha para a minha sorte sou muito ágil, quando aquele ser pulou acertei a cabeça dele com a frigideira pesada de ferro. Ele caiu no chão e eu aproveitei esse momento para correr para o quarto e
pegar minha mochila.
Por um instante eu parei e vi um soldado que estava sendo devorado, tendo seu tórax todo aberto por uns sete zumbis. Foi extremamente assustador aquilo e por segundos achei que poderia ser comigo, podendo ser até pior. Eu não pensei duas vezes ao ver aquele aglomerado deles invadindo a casa, então pulei para minha sacada, fechando a porta de vidro. Aguentaria alguns minutos então eu teria que ser rápido e corajoso para descer. Sim, eu teria que descer o prédio por fora pois seria impossível usar alguma saída convencional, sorte minha que eu tinha uma corda longa e eu morava no terceiro andar. Eles todos se prensaram contra a porta, fazendo ela trincar.
Fui rápido e amarrei a corda, e quando percebi que eles quebraram a porta, segurei a corda e no susto pulei para fora, ficando pendurado. A corda não ia até o chão, mas pelo menos diminuía a queda. Fui descendo devagar conforme eu via os monstros caindo da sacada e se arrebentando no chão. Estava descendo, e quando faltava um andar, a corda arrebentou e eu caí de costas na calçada. Me machuquei feio, meu corpo inteiro doía muito, não conseguia nem me mexer e minha perna cortou. A minha visão começou a escurecer e antes de fechar os olhos, vi centenas deles vindo para cima de mim como se eu fosse um antílope nas garras dos leões. senti meus olhos pesando conforme eles se aproximavam...
- É, eu vou morrer!- Eu disse e tudo se escureceu, e a última coisa que senti foi meu corpo sendo tocado...
Eu comecei abrir meus olhos bem devagar, achando que estava na calçada, mas não. Comecei a notar ser um quarto, e que estava em uma cama. Eu estava com dores, mas eram menores que antes e estava com curativos.
- Finalmente você acordou.- Disse uma garota que estava sentada em uma cadeira olhando pra mim e tomando alguma coisa em uma xícara.
Encarei a garota um pouco assustado por ouvir a voz dela, então me ajeitando na cama lhe faço uma pergunta:
- Como eu vim parar aqui?
- Não se esforce muito, deita.- Ela ignorando minha pergunta, se aproxima de mim, colocando-me novamente deitado na cama.
Me levantando novamente, me sento na cama e olho para ela, a questionando:
- Me diga, quem é você e como vim parar aqui?
- Meu nome é Lisa e eu te trouxe aqui.- Finalmente ela me respondeu sentando de volta na cadeira dando um gole em sua bebida.
- Porque?
- Acho que se tiver mais de nós, irá facilitar a sobrevivência de todos os vivos.- ela se levantou e parecia espiar pela janela. Algo chamou atenção da garota loira, pois ela ficou espiando a janela enquanto conversava comigo demonstrando um semblante de preocupação.
- Mas como você me salvou, tinha centenas deles e eu desmaiei?- questiono ela mais uma vez enquanto colocava a minha camiseta que estava em um canto da cama.
- É fácil, peguei algumas bombas de gás de um policial morto e usei pra poder distrair os come carne, assim te arrastei até aqui!- Respondeu ela me mostrando uma das bombas que estava em um de seus bolsos, mas ainda sim sem olhar para mim.
- Entendi, olha muito obrigado, de verdade.
Ela se vira para mim e se aproxima, nesse momento eu fiquei um pouco intimidado com o olhar dela. Era um olhar lindo, bem azulado. Aquele olhar me remetia ao mar, era bem bonito. Lisa olha para mim e por segundos fica me encarando para assim falar alguma coisa:
- Não agradeça, apenas siga algumas regrinhas básicas.
- Que regras?
- Não faça barulho, não hesite em matar, ajude a manter a casa e me ajude buscar suprimentos.
- Eu agradeço por tudo, mas em menos de dois dias eu vou ter que chegar a delegacia.- Eu disse me levantando da cama e pegando meu moletom que estava em uma cadeira.
- tudo bem então, só não faça barulho. Eu deixo você ficar aqui até bater seu prazo.- Lisa respondeu dando um longo suspiro e saindo do quarto.
Ela não havia nem perguntado meu nome. Eu achei ela uma garota bonita até, ela tinha um cabelo loiro até os ombros, olhos azuis e um corpo em forma. É de admirar que essa moça me salvou, é algo realmente surpreendente. Eu tava com aquele misto de sensações, para mim nem parecia estar em situação de emergência, nem parecia que pessoas estavam sendo devoradas, mas ao olhar a fresta da janela que estava com vários jornais grudados, percebi minha situação atual. Eles estavam andando para lá e para cá, até que um cachorro passou correndo ali, não deu nem tempo e eles arrebentaram o corpo do pobre bichinho. Malditos filhos da puta, um desses monstros matou a minha mãe e eu não pude fazer nada. na verdade, eu não fiz por covardia, eu sou um merda de um covarde!
Decidi sair do quarto e andar pela casa. Ao descer noto que havia cinco pessoas sentadas na sala. O engraçado é que eles conversavam de boas, mas a situação era crítica, as portas e janelas bloqueadas e centenas dos comedores de carne lá fora batendo e fazendo barulho, sabendo estarmos ali, porém sem conseguir entrar. Ao descer uma moça com a pele negra e cabelos cacheados, muito linda, notou minha presença:
- Olha o namorado da Lisa acordou.
- Então esse é o garoto que ela pegou lá fora?- Perguntou um homem de chapéu olhando pra mim e se levantando pegar um copo com alguma bebida que eu não identifiquei.
- Senta aqui e converse com a gente, já que sua namorada proibiu que fossemos falar com você.- Disse a mulher me dando um copo de suco.
- Olha, ela não é minha namorada não, na verdade ela me salvou apenas pra ter mais gente.- Eu respondi a eles, sentando no sofá e bebendo um gole do suco.
- Claro, foi pra isso mesmo, aliás meu nome é Bob- Disse um cara de óculos me cumprimentando.
- Meu nome é Kevin, prazer em conhecer você.- eu retribui o cumprimento estendendo a minha mão.
- Meu nome é Peterson, essa minha esposa Mirna e o cara com livro lendo é o Dalton.- Disse o cara de chapéu segurando minha mão e apontando para as pessoas que ele mencionou, e ao fazer isso Dalton sem tirar o olho do livro apenas faz um gesto com a mão em forma de cumprimento.
- É um prazer ser recebido por vocês, aliás obrigado.
Mirna com sua xícara, senta ao meu lado e me pergunta:
- Então, o que aconteceu com você pra Lisa ter que te salvar?
- Bom eu fiquei cercado no meu apê e a única alternativa foi fugir pela sacada, mas teve um momento que a corda arrebentou e eu caí, aí eu desmaiei e acordei aqui.- Respondi a pergunta dela me ajeitando no sofá, bebendo um pouco mais da minha bebida.
- Caramba, isso foi foda, fugir pela sacada tem que ter coragem!- Disse Peterson fechando o punho e dando um toquinho.
- E vocês, como escaparam?- Perguntei olhando para todos eles.
Bob esticando os braços, disse:
- Bom aqui é a casa da Lisa, ela abrigou a gente nesse caos, aliás eu estava na rua e entrei aqui por desespero. Havia vários deles, mas Lisa me ajudou.
- Eu e Mirna estávamos no ônibus quando uma mulher começou a atacar. Depois a gente fugiu e por sorte a Lisa abrigou a gente- Respondeu Peterson
- Entendi, que bom que a Lisa ajudou vocês. Você disse que uma mulher virou no ônibus, como aconteceu?
- Bom, ela deveria ter pegado o vírus a uns dois dias e virou naquele momento.- Disse Mirna.
Bob começou a explicar:
- A verdade é que existem dois tipos de recepção do vírus no corpo. Geralmente ele age no modo de transformação após a infeção de cinco até três dias, mas os de olhos vermelhos são os que têm a rápida mudança, então ocorre entre dez segundos a três minutos após a infecção. Não sabemos porque o organismos permite uma variação no tempo mas os de olhos vermelhos são mais ferozes, mais fortes e muito mais agressivos, mas a reação é a mesma para todos os infectados, eles têm sede de sangue e comem carne sem limites. Os estímulos básicos como comer, andar e enxergar são ativos, mas acho que eles não tem mais nenhuma percepção cerebral.
- Como você sabe disso tudo?- eu questiono ele ficando surpreso por ele saber tanto.
Bob ajusta seus óculos na cara, e andando até uma mochila me responde:
- Eu sou estudante em um laboratório e fiquei sabendo disso por um cara que sabia muitas coisas.
- Mas como esse vírus chegou aqui, não era na Itália que tava acontecendo?- Eu perguntei
- Um cara infectado chegou aqui, ele durou três dias sem se transformar, porém ele atacou algumas pessoas no norte de Chicago. Pessoas começaram a passar o vírus e se espalhou.- Disse ele me entregando um jornal que ele retirou da mochila.
- "O começo do fim", o que quer dizer essa matéria?
- Eles sabiam disso, o fato que esses casos aconteciam em segredo mas não era exposto. Eles disseram que era surto de raiva para não preocupar ninguém e não causar um pandemônio.- disse Mirna.
- Mas ninguém leu esse jornal com essa matéria? Concerteza algumas pessoas iriam aceitar isso como verdade!- eu disse apontando pra matéria.
- Esse jornal não foi publicado e ele é único, aliás quem me deu foi o mesmo que me deu as informações.- disse Bob pegando o jornal e guardando em suas coisas.
Lisa entrou e ficou olhando nós por alguns segundos, ela parecia preocupada e estava ensanguentada.
- Eu não disse que era para deixar ele la em cima?
- Ele desceu, aliás qual o problema, eles não vão comer seu namorado, ele tá protegido.- Disse Peterson pegando um biscoito de um pote.
- Não é isso, ele parecia estar bem mal, só achei melhor ele descansar.- Lisa sentou-se e ficou olhando pra mim com respiração ofegante.
Bob coloca a mão no ombro dela e pergunta:
- Nossa, o que aconteceu com você?
Antes que pudéssemos falar algo a porta teve algumas batidas, logo todos se levantaram e pegaram coisas para se defender. Peterson fez sinal para eu ajudar a colocar uma geladeira contra a porta, já Dalton pegou um rifle que ele portava e saiu colocando alguns móveis nas outras entradas, enfim Mirna, Bob e Lisa juntaram comidas em suas mochilas e se armaram. Para mim era tudo novo, eles estavam armados. Eu já vi filmes apocalípticos e lá eles demoravam pra arrumar armas, mas aqui eles já tinham. Eu estava nervoso, aquela adrenalina fazia meu coração bater forte, minhas pernas bambeavam e tinha vontade de gritar de desespero. Lisa vendo a situação nota que eu estava em choque, então ela grita comigo para ajudar e me entrega uma faca. Então peguei uma faca de combate que Lisa me entregou. Assim ela me pegou pela mão e com os outros descemos ao porão. Lá no porão, tinha uma espécie de local protegido, e a porta era fechada com suas barras grossas de metal.
Lisa acendeu a luz, e largou a mochila dela em um canto:
- bom, eles vão invadir a parte de cima, então não vamos fazer muito barulho.
- É mas não podemos ficar aqui pra sempre, assim que der vamos pegar a saída subterrânea e vamos embora.- d
Disse Dalton arrumando seu rifle.
- Não podemos simplesmente sair por aí, precisamos de algum tipo de veículo.- Bob dizia segurando uma faca.
Mirna completou:
- Os carros provavelmente estão com as chaves, já que isso é o começo de tudo. podemos sim sair e verificar os carros.
- Mirna, o problema que temos apenas essa arma do Dalton, somos em seis e nem temos uma direção.- Disse Peterson se escorando na porta.
Nesse momento, Lisa olha pra mim por instantes e chega me puxando pra um lado.
- O que vai fazer na delegacia?
Me afastando um pouco dela respondi:
- O pai do meu amigo Gary é policial, então ele pediu pra mim chegar lá e fugir com eles pra fora da cidade.
- Então é isso, nós vamos te ajudar a chegar lá e vamos com vocês embora!- disse ela olhando pra mim e depois pros outros, dando um leve sorriso e pegando a mochila dela.
- Espera, mas ele tinha dito só eu.
- Não interessa garoto, ele é um policial, tem que ajudar e a delegacia tem várias armas então ele pode nos ceder algumas pelo menos, aliás vai abandonar quem te salvou?
Eu não falei nada, apenas vi ela contando certinho que poderia ter uma boa ajuda lá na delegacia. Então eu peguei um celular que tinha ali e que por sorte ainda tinha sinal
- Alô Gary, que bom que você tá bem e me atendeu
- Kevin, tentei te ligar e você não atendia.- Disse ele falando com a voz meio diferente, parecia estar em movimento.
- Eu perdi meu celular, mas achei esse.
- Escuta, mudanças de planos, me diga, precisamos saber se está pronto pra gente passar aí e te buscar.- Mais uma vez Gary demonstrava frieza na fala.
- Espera, mas eu não tô em casa. Eu tive problemas no meu apartamento e fui salvo por uma pessoa e estou na casa dela com outros sobreviventes
- Okay, diga onde é que vamo buscar você agora.
- Espera, você pode levá-los?
- Claro, agora me diga onde está?...
Durante a chamada:
- Okay Kevin, vocês precisam dar um jeito de sair daí e irem pra esquina
- Gary, você ficou maluco? Se pisarmos fora daqui vamos virar jantar!
- Aí é com vocês, logo vamos passar aí perto, mas se está lotado deles é um risco pra nós se aproximar da casa.
- Tudo bem... vamos dar um jeito.- Eu disse desligando.
Olhei pra todos eles que me encaravam com esperanças de notícias boas, assim Bob perguntou:
- Então Kevin o que vai ser?
- Seguinte, prepare-se todos, em pouco tempo eles vão passar aqui, porém vamos ter que ir para a esquina já que seria arriscado eles entrarem na rua com vários deles.
- Isso é loucura, se sairmos até lá vamos ser pegos, não vai dar tempo.- Disse Mirna
- Eu sei, porém é a única chance.- Concluí.
Mirna estava certa, são vários deles na rua, não daria pra correr no meio deles sem ser pego. Pensamos mais um pouco naquele silêncio horrível, onde o único som era dos grunhidos e barulhos produzidos por esses animais dentro e fora da casa.
Dalton se levanta e com a mão no queixo deu uma idéia:
- Precisamos de uma distração, levar a atenção deles pra outro lado.
Peterson o apoiou:
- Isso! Alguém pode pegar a bicicleta que está no jardim e pedalar para longe, assim os outros podem ir tranquilos, mas aquele que está com a bicicleta, pode dar a volta na quadra e encontrar os outros no ônibus lá no outro lado.
- Amor, isso é muito arriscado, quem iria fazer?- Mirna falou preocupada.
Peterson Segura a mão dela e dá um beijo:
- Eu vou fazer isso!
- Nem pensar Pete, Você nem ousa!- Ela disse se levantando e o abraçando.
- Eu vou, fiquem tranquilos, aliás eu andava bastante de bicicleta.- Disse Dalton entregando o rifle pra Peterson.
Peterson empurra o rifle contra Dalton o alertando:
- Dalton é perigoso!
Empurrando o rifle contra Peterson, Dalton concluí:
- É perigoso tanto para você quanto pra mim, então eu vou, aliás você tem uma mulher pra tomar conta, eu não tenho mais nada além dessa vida aqui para perder.
Dalton então começou a colocar algumas coisas na mochila e deu instruções a Peterson de como manusear o rifle. Ele disse pra levarmos a mochila que seria apenas um estorvo. Todos começamos a arrumar suas próprias coisas. Eu estava assustado, mas quando olhei para Lisa eu via a garota como se fosse um "iceberg" de tão fria. Ela dava instruções a Dalton de como deveria andar pela rua para obter sucesso. A garota parecia calma demais, confiando no sucesso de Dalton para atrair os zumbis e ainda dar a volta para nós encontrarmos. Cara, vai se foder, eu tava tremendo que nem vara verde, como ela conseguia ser tão calma?
Passado meia hora desde a decisão de Dalton, notei Lisa triste em um canto olhando pra porta do porão que estava sendo batida pelos zumbis. Eu cheguei até ela e disse que tudo ficaria bem, que tudo daria certo. Não podia acreditar, ela tava super calma antes e agora estava triste e sem confiança. A jovem simplesmente tinha me olhado querendo acreditar que as coisas dariam certo, mas quando fitei o azul dos olhos dela eu fiquei com a sensação que ela não acreditava no mundo mais. Isso fode com o psicológico dos demais, parece efeito dominó, onde um cai e vai derrubando os outros. Olhei no canto e Dalton estava olhando pela pequena janela e viu a bicicleta caída, claro que é loucura ele fazer isso, afinal esses zumbis atravessam o que for pra te pegar. Uma coisa que eu pude notar era o olhar sem brilho que ele tinha, era como se ele soubesse que iria morrer. Talvez Dalton estava sabendo que iria se foder, mas acreditava em nós e que poderíamos sobreviver. Minha mente estava bem conturbada com tudo que estava acontecendo, parecia uma bagunça, por um lado eu mal conhecia ele, porém por outro eu estava com o coração partido pela bondade de um desconhecido ao se sacrificar por pessoas que ele mal sabe quem são. Mesmo assim, eu tenho que admirar a coragem desse cara. Eu me pergunto: Será que eu faria o mesmo? Não! Eu nem consegui ajudar minha mãe. Sou um covarde!
O telefone toca:
- Kevin, estamos com o ônibus na esquina, e daqui se nota que têm vários deles, sejam rápidos porque tem alguns aqui em volta.
- Okay, um de nós vai pegar uma bicicleta e dar a volta na quadra, então quando o restante de nós entrar, precisamos encontrar ele no outro lado.
- Tudo bem, agora vão rápidos.
Desliguei o celular e olhei pra eles me levantando, o que automaticamente fez eles levantarem também:
- Seguinte, eles estão esperando. Dalton é com você!- Ao dizer isso olhei triste para Dalton, que esboçou um ar de heroísmo e motivação.
- Tudo bem, fiquem na janela espiando até eles limparem caminho, espero encontrar vocês no outro lado.- Disse ele se aproximando da porta.
Todos nós desejamos boa sorte, então ele jogou uma bombinha para chamar atenção deles para longe da bicicleta, assim ele saiu para pegar a bike e começou a pedalar para outro lado. Lisa fechou a porta de emergência do porão. Dalton na bicleta começa a gritar e atrair todos pra ele.
- Okay, a maioria tá indo pra ele, então se preparem.- Lisa disse pegando um facão e sua mochila.
- Olha, o ônibus está lá.- Disse Peterson Armando o rifle.
O ônibus estava longe, pois a rua é longa e a casa ficava bem distante daquela esquina. Eu peguei um bastão e minha mochila, Bob pegou a mochila e se armou com uma faca de combate e Mirna pegou a mochila dela e de Dalton. No sinal de Lisa corremos para fora, alguns ainda estavam ali, mas conseguimos deter. Em um momento Mirna foi pega por um, então eu voltei e ajudei ela, matando a pauladas um zumbi. A sensação de esmagar a cabeça desse maldito fazendo terra e miolos se misturarem foi horrivel, mas um alívio também. Ajudei Mirna se levantar contudo eu vi que ela levou uma mordida, então nós olhamos por alguns segundos com cara de "o que fazer?". Então por impulso coloquei o casaco por cima dela, escondendo a mordida, já que Peterson na nossa frente gritava para sermos rápidos. Levei ela até o ônibus, porém uma tropa de uns quinze zumbis corriam em nossa direção, então Peterson disparou alguns tiros para afastar eles e nos dar um tempo de chegar.
Conseguimos entrar no ônibus, com alguns zumbis logo atrás atacando as laterais do veículo, mas sem efeito. O ônibus tinha algumas pessoas dentro, então como prometido a Dalton iríamos pega-lo no outro lado, mas infelizmente vimos a bicicleta caída e Dalton já morto tendo seu corpo sendo destroçado por uma orda deles. O corpo dele estava partido pela metade com seus órgãos sendo devorados como se não fosse nada. A imagem dele me paralisou um pouco, fazendo minha mente viajar e mostrar minha mãe, ela também foi destruída por esses malditos. Gary olha para mim e toca no meu ombro como se tivesse me tirando se um transe e diz que deveríamos ir, então o ônibus pega a estrada e saímos dali. Meu coração ficou apertado por Dalton, ele se sacrificou por nós. Logo depois disso Gary veio falar comigo:
- E aí, como você tá?
- Eu tô assustado com tudo isso, foi tudo muito...rápido.
- Eu sei, aliás sinto muito pela sua mãe.- Ele disse me dando um abraço. Finalmente essa geladeira ambulante sentiu algo.
- Obrigado por nos salvar!- Eu disse apertando o abraço e deixando escapar algumas lágrimas.
Depois de um tempo, noto Mirna em um canto do ônibus abraçada com Peterson, eles choravam discretamente. Me doeu ver aquela cena, pois eu sabia que se tratava, ela foi mordida e logo se transformaria. Peterson não iria contar nada, mas ia ficar o tempo todo com ela, pois sabia que o tempo com sua amada seria curto. Será que eu não devia contar pros outros? Eu olho para um lado e vejo Lisa sentada com a cabeça escorada na janela, com o semblante triste. Eu sentei ao lado dela e puxei algum assunto:
- Lisa, como você tá?
Ela olha pra mim com um olhar de tristeza:
- Eu não sei, só... triste por ele ter feito aquilo sendo que nem nos conhecia.
- Eu também estou triste, mas veja o que ele fez e considere um gás para tentar sobreviver!
- Eu sei que deveria ficar grata, mas não entendo. Eu só queria que esse mundo cruel não existisse e voltasse ao normal.
- Eu acho as pessoas sempre forma selvagens, só agora elas estão mostrando a face que eles tanto esconderam.- Ao dizer isso fiquei olhando para ela.
- Kevin, eu me sinto bem com você.- Ela disse dando um sorriso.
Eu fiquei bobo com isso e dei um abraço nela, e passei a viagem toda ao seu lado.
O ônibus andou por um longo trecho, até parar em um local aberto. Logo foi armada algumas barracas, e nisso também chega um trailer e outro ônibus. Eram outros sobreviventes que foram juntados, então todos ficariam juntos. Alguns se alojariam em barracas e outros nos veículos, então eu sem saber onde iria ficar recebo de Lisa um convite:
- Kevin, será que você não gostaria de... dividir a barraca comigo? Eu me sentiria mais segura com alguém do que sozinha.
Ao receber essa proposta eu fiquei mais vermelho que um pimentão recém maduro, era como se eu meu coração acelerasse o mais rápido possível. Ela poderia chamar qualquer um, então porquê eu? Bom, derrepente eu seja uma das pessoas mais próximas a ela aqui. Coçando minha cabeça e com vergonha, eu respondi:
- Claro, seria bom dividir com você!
- Como assim?- Ela disse ficando levemente avermelhada.
- É que além do Gary, você me conheçe mais que essas pessoas, e eu não quero dividir lugar com o meu amigo.- eu completei dando um risinho.
- Claro, agora me ajuda a montar a barraca aqui!.
Enquanto ajudo Lisa, noto também que no limite do cerco que o grupo fez de segurança, Mirna e Peterson montaram uma barraca. Eu sei que deveria contar sobre ela, mas eu sei também que poderiam querer matar Mirna agora, e apesar de conhecer o Peterson a pouquíssimo tempo, não quero causar nenhum transtorno para ele. Ele é um cara legal e sabe muito bem o que vai acontecer, aliás, ele é lúcido e só quer aproveitar com ela. Enfim não rolou muita coisa após isso, mas quando chegou a noite fui dividir a barraca com Lisa. Ela entrou e tava me esperando. Eu estava de boas quanto derrepente ela tira a parte de cima e fica com seu corpo coberto por um short e o sutiã. Fiquei sem reação e um pouco vermelho e aparentemente, ela notou:
- Que foi Kevin, nunca viu peitos antes?
- Não é isso, é que eu não tava esperando.- Disse dando risos de nervoso.
- Sei... só não fica animadinho não, se eu perceber que você está tentando algo, arranco seu pau fora!-
elEla disse me puxando pela gola da camisa.
- Tudo bem eu não ia tentar nada com você de qualquer forma!
- Quer dizer o que, eu não sou bonita o suficiente pra para você querer algo comigo?- Lisa me questiona putassa.
- Que? Lisa você bebeu?
- Cala a boca Kevin!- Ela disse se virando pro lado toda brava.
- Não é isso Lisa, você é bonita sim, eu só disse que não sou o tipo de pessoa que tenta algo sem o consentimento.
- Entendi, me desculpa, eu não ando pensando direito desde que tudo isso começou. Acho melhora gente dormir, boa noite!
- boa noite, espero que durma bem Lisa...
Bom, Lisa adormeceu, e eu fiquei acordado um bom tempo. Eu não conseguia digerir essa situação. Será que tudo isso é um pesadelo? Será que eu tô em algum coma? Eu usei algo e tô brisado? Situação fodida demais, em menos de dois dias o mundo que eu conhecia não existe, minha mãe morreu, pessoas estão sendo comidas. Meu Deus, um vírus tá fodendo o mundo todo. Passado um tempo logo noto Lisa se mexendo e suando um pouco. Ela dizia algumas coisas como "não", "para" e "mamãe e papai". Devia ser um pesadelo, então logo a cutuco e ela acorda assustada. Ao me ver, a garota me abraça e começa a chorar. Eu não entendi nada, mas apenas confortei com um abraço.
- Lisa, tá tudo bem?
Ela tira o rosto do meu peito e me olha profundamente parecendo que estava ainda sonhando mas que recuperou a noção do tempo.
- Ahn tô sim, sim...eu tô, foi...só...um pesadelo. Foi só um pesadelo!
Estendi a ela uma garrafa de água, assim ela bebeu um pouco. O olhar dela parecia de tristeza, eu notava que eles estavam em um tom avermelhado.
- O que você sonhou?
- Nada... foi só um pesadelo... do dia, como ele foi assustador eu tive um sonho ruim.- Ela disse me entregando a garrafa.
- Tudo bem, qualquer coisa eu tô aqui.
- Claro, obrigada.- Ela disse voltando a deitar.
Logo que ela encostou a cabeça no travesseiro, se levantou e me olhou, pois nós notamos um barulho estranho. Levantamos ver o que era, e notamos que vinha da barraca de Mirna e Peterson...