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Romance Espírita: A missão

Romance Espírita: A missão

Autor:: Jorge Lima
Gênero: Romance
Todos nós trazemos uma missão, um propósito para cumprir ... Paulo é um homem que desde o nascimento teve diversas provas para superar, com seu dom de ver os espiritos, e uma série de desafios que o fortalece mais e mais...

Capítulo 1 Cap 1

O jovem Paulo, o filho único de um casal tradicional de uma cidade do interior paulista, foi adotado ainda bebê, de poucos dias , os pais biológicos faleceram em um acidente, seu pai morreu na hora, sua mãe ficou gravemente ferida, com Paulo ainda na barriga, ela estava a poucos dias de completar 9 meses de gravidez... O Pai adotivo de Paulo era médico, e fez todo o possível para salvar mãe e filho, mas chegou a um ponto em que salvar os dois era impossível...

- Dr... Por favor! Eu te imploro! Eu sinto que não tenho muito tempo! Salve o meu filhinho! Eu te imploro! Por favor! Pede ela.

- Meu dever como médico, é fazer de tudo para salvar os dois! Por favor ! Se acalme! Tudo dará certo! Diz o Médico.

- Está tudo bem dr... Meu tempo aqui na terra... Já acabou, meu marido está aqui do lado me esperando! Temos de voltar juntos... Na travessia... Quanto ao meu filho... Estaremos do outro lado, torcendo por ele! Cuidando dele da maneira que pudermos! Diz a mulher.

O médico ficou impressionado com aquelas palavras, a mulher demonstrava uma lucidez e uma calma em suas palavras, em seu falar, e sua expressão facial não era de dor, ou angústia... Era de paz... Aos poucos, ela desfalece... Sem escolha, Dr César faz um parto de emergência, e nasce Paulo...

O jovem casal, era do nordeste do Brasil, haviam ido tentar a sorte em São Paulo, a pouco haviam se estabilizado, eram os anos 90 ainda, sem a internet, era difícil as informações se espalharem.... César se apegou ao bebê de maneira inexplicável, talvez por sua esposa nunca ter lhe dado um filho, fato que César manteve o bebê por alguns dias no seu hospital, as enfermeiras se revezavam nos cuidados ao bebê, que logo se tornou o xodó de todas... Dr César, fez questão de pagar pelo funeral do casal, o caixão, e que não fossem enterrados como indigentes...

A senhora Clarice, esposa de César era uma senhora de certa idade assim como marido, nunca haviam tido filhos, por causas desconhecidas por eles, César já havia consultado as autoridades, e via a possibilidade de adotar o pequeno Paulo, faltava apenas acertar com sua esposa.

Certa noite, ao terminar o seu expediente, César antes de ir para casa, foi ver Paulo no berçário, era o terceiro dia do pequeno após o nascimento, ele não podia ficar tanto tempo ali no hospital, e César havia conseguido uma autorização caso quisesse ficar com o pequeno, ao menos de maneira provisória, mas a guarda permanente era questão de tempo.

- Ei ! Paulo! Vou falar com a Clarice hoje sobre você! Me deseje sorte filho, se ela disser sim, ainda hoje venho te buscar, você terá outros pais... Prometo que tentarei o melhor pai possível ! Diz César.

O médico relembra das últimas palavras da mãe de Paulo, ao dizer que de onde estivesse cuidaria do pequeno...

- Bom, eu sou ateu... Não creio no além, nem nada dessas coisas... Mas... Seria bom se realmente existisse algo além do que podemos ver! E se realmente existisse.. Poderiam me dar uma força com minha esposa... Ela é um pouco teimosa... Diz César....

O bebê que dormia, de repente sorri, mas isso era normal, na verdade o sorriso de um recém nascido é um ato involuntário de seus músculos faciais em desenvolvimento, ou uma resposta satisfatória a respostas externas, mas César sente um inexplicável arrepio...

Marta, a mãe biológica de Paulo, estava em pé, ao lado do berçário... César não podia ver, mas de alguma podia sentir, embora não quisesse admitir isso.

- Doutor! Leve o Paulo! Tenho certeza que o sorriso de um bebê, vai amolecer o coração da senhora Clarice.. Diz Marta em espírito.

Somos donos de nosso destino, temos o direito de escolha sobre nossos atos e ações, mas somos constantemente influenciados pelo plano espiritual, seja para o bem, ou para o mal a depender dos nossos pensamentos, e da companhia espiritual que atraímos, Nisso , César que já estava inclinado em levar o bebê com ele, acaba decidindo arriscar, baseado naquela intuição que acabara de receber, o motorista já o esperava no estacionamento, as enfermeiras iriam sentir falta do pequeno bebê, mas com certeza sob os cuidados do Dr César, Paulo cresceria um homem forte e firme em suas convicções, inteligente e teria acesso ao melhor.

Sem dizer uma palavra, César entra no carro com o bebê nos braços, ele senta no banco de trás, Pedro, o motorista arregala os olhos... Em dúvida se fazia algum comentário ou não, já que seu patrão não costumava ser de muitas palavras... Era difícil esconder a expressão de surpresa para o patrão.

- Algum problema Pedro? Pergunta César.

- Não senhor! Me desculpe... Devemos ir para casa agora? Pergunta o motorista.

- Obviamente Sim! Ou tenho hábito de ir a algum outro lugar ao sair do trabalho? Diz César.

- Desculpe senhor, estamos indo... Já...

César olhava o pequeno Paulo dormindo em seus braços, junto deles ia o espírito de Marta, sentado no banco ao lado deles no carro... Sua presença fazia o coração endurecido de César amolecer um pouco, César não era um homem ruim, era duro, mas era justo, todos que trabalhavam para ele já estavam acostumados ao seu jeito.

- Pedro... Acha que Clarice vai gostar da surpresa? Pretendo adotar este bebê, os pais faleceram em um acidente de carro... Como não tenho filho com Clarice... Diz ele.

Surpreso por César pedir sua opinião, o motorista então se manifesta a respeito...

- Bom dr... Eu acho que uma criança, vai trazer uma nova vida para sua casa, sua família... Acho que a dona Clarice vai gostar da ideia sim... Diz o motorista.

Algum tempo depois, César chega em casa com o bebê nos braços, Pedro para o carro na entrada da casa.

- Obrigado Pedro... Diz César que não costumava usar palavras gentis de agradecimento.

César entra em casa, sua esposa Clarice esperava por ele como de costume...

- Querida! Boa noite! Diz ele.

- César? Nos seus braços é um bebê? O que significa isso? Pergunta ela.

- Sim Clarice.. é um bebê! Seus pais morreram, ele não tem ninguém! Só sei que os pais dele eram do nordeste e que se chamavam Marta e Eduardo... Bem... Eu pensei... Pensei que poderíamos ... Já que nunca tivemos filhos... Diz César.

- Não, César! Você não fez isso? Sem me consultar! Sem saber a minha opinião! Você não fez uma coisa dessas! Adotar uma criança não é uma coisa assim tão simples quanto você pensa! Diz Clarice.

- Eu consegui uma autorização provisória! Clarice, o bebê vai crescer em um orfanato! Estamos envelhecendo, olha tudo que construímos! Diz ele.

- E por que nunca tivemos um filho, vamos deixar tudo para o filho de um casal desconhecido? Diz Clarice.

O espírito de Marta, vendo clarice de coração endurecido, então se aproxima dela, e põe a mão no seu coração...

- Querida! Meu papel era trazer Paulo ao mundo, mas a mãe! Quem deve educar... Quem deve cuidar, quem deve também amar! é você! Seu destino é ser mãe! Como em outras vezes você e ele já foi sua mãe! Se puder ao menos olhar no rostinho dele... Diz Marta .. Sem ser vista e nem ouvida, mas suas palavras podiam chegar ao coração de Clarice...

- Desculpe Clarice, fui egoísta, tomei a decisão sem lhe consultar, sem perguntar nada... Talvez eu tenha realmente errado...

Como coração mais amolecido agora, Clarice se aproxima do bebê nos braços de César, ela segura na sua pequena mãozinha... Algo parecia mudar na sua expressão facial....

- Quer adotar um filho e sequer sabe como segurar uma criança! Homens sempre são assim, acham que sabem de tudo! Diz Clarice segurando o pequeno em seus braços... Tudo parecia se transformar dentro dela, era como se aquele bebê tivesse uma forte ligação com ela, algo que ela sequer poderia saber explicar....

- Então Clarice... Eu devo deixar que uma das enfermeiras fique com o bebê? Eu ajudo no que for necessário.... Tinham várias querendo ser a mãe dele.... Diz César.

- Não! Talvez... Talvez você tenha razão... Não concordo de você tomar as decisões assim do nada sem me consultar, mas... O bebê... Não sei explicar... Mas ... Ele fica conosco... Qual o nome dele? Pergunta Clarice.

- Paulo... Ele se chama Paulo... Foi o nome que sua mãe sussurrou antes de falecer... Diz César.

Marta então com um sorriso no rosto e o coração tranquilo some, se despedindo do pequeno...

Capítulo 2 Cap 2

Paulo foi crescendo e sendo cuidado com muito carinho pelo casal César e Clarice, César tinha já seus 51 anos, era um médico bem conhecido, senhor distinto, Já sua esposa, Clarice teria uns 48 anos aproximadamente, o grande sonho do casal sempre foi ter um filho, ambos sempre discutiram a ideia de adotar, mas havia o receio de que não fossem capazes de amar a criança como se fosse gerado através deles, e por causa desse pensamento sempre adiavam uma possível adoção, mas Paulo... A forma como Paulo chegou na familia... Um pequeno bebê, órfão...

cujo os pais haviam morrido de forma tão triste e repentina...

César havia contado à esposa como havia se dado o nascimento de Paulo, seu pai morreu no local do acidente, sua mãe lutou para sobreviver e ele fez todo o possível para salvar a vida dela... Mas o último pedido ... O último pedido da mulher que agonizava sabendo que a morte se aproximava foi, que salvasse seu filho...

- César... Eu não sei explicar a você, mas só pela história que você me conta... Não sei, mas parece que a mãe do Paulo queria ... Que ele ficasse conosco! Sei que você é ateu, não acredita em nada disso... Mas sempre que você fala do nascimento do Paulo, eu sinto um arrepio! Diz Clarice.

- Meu amor, eu devo confessar para você que sim... Embora eu seja ateu, não acredite em Deus, em destino, em nada... Mas ... Eu também sinto que este bebê.... Estava destinado a nós... E que era a vontade daquela mulher também... Isso é tão... Difícil de explicar! Diz César...

Os dois tiveram esta conversa enquanto Clarice dava mamadeira para o pequeno Paulo.

E assim, num piscar de olhos... 3 anos se passaram....

Paulo fazia 3 anos, estava crescendo e se tornando um garoto forte e saudável, sob os cuidados de seus pais adotivos, todos estavam felizes, a casa inteira estava em rebuliço, pelo aniversário do pequeno Paulo.

- Desde quando o patrão trouxe este menino para esta casa, o ambiente aqui mudou, não é verdade? Dizia uma das empregadas...

- Sim! É verdade! O Dr César era muito rude com todo mundo, a dona Clarice também... Nossa! Que mudança! Diz a outra.

- Ei! Meninas! Conversem menos! Trabalhem mais! Eu quero tudo perfeito para o aniversário do meu filho! Diz Clarice, que trazia o menino nos braços...

Todos estavam ocupados na decoração, Clarice deixa o impaciente menino caminhar pela casa, ele corre pela casa, alegrando o ambiente...

- Ei Paulo! Acho que vou ter que te levar para dentro! Filho! Você fica distraindo todo mundo com sua fofura! Diz Clarice...

Os funcionários sorriem...

- Deixa ele dona Clarice! Está supervisionando os preparativos da festa dele! Diz uma das empregadas...

O telefone residencial toca, uma das empregadas atende, e passa a ligação para Clarice, era César seu esposo...

- Dona Clarice! Seu marido! Ele quer falar com a senhora! Diz a empregada entregando o telefone para a patroa.

- Obrigada querida! Meninas! Fiquem de olho no aniversariante sapeca! Eu vou atender a ligação do meu esposo, já eu volto!

Clarice sai para atender a ligação do lado de fora da casa, e Paulo ao ver ela sair pela porta da sala a segue... Sem que ninguém veja.

- Tá bom, César! Está tudo confirmado já! Os convidados... As meninas estão fazendo os últimos ajustes na decoração, como não costumávamos sair muito de casa, praticamente ninguém sabe que o Paulo é adotado... E acho melhor assim, afinal de contas... Ninguḿ precisa saber que ele é adotado... Diz Clarice.

- Isso não é importante para mim, adotado ou não, ele é nosso filho! Pouco me importa o que os outros digam! Clarice.. Não podemos esconder dele isso, um dia iremos ter que dizer toda a verdade! Diz César.

Mas Clarice não gosta de tocar neste assunto, por ela, Paulo nunca precisaria saber de sua origem... é quando Clarice percebe que o menino arteiro havia lhe seguido e estava caminhando perto da piscina.

Assustada e com medo do menino cair da água, ela larga o telefone, deixando César falando sozinho... Ele ouve quando ela grita...

- Meu Deus! Paulo! Saia de perto da piscina meu filho! Grita ela!

No susto, o garoto se desequilibra e cai na água, Clarice torce o pé, e acaba caindo...

Ela grita por socorro, mas ninguém lhe ouve dentro de casa, César ao ouvir os gritos no telefone, e deduzir o que acontecia... Larga tudo que fazia e sai correndo, abandonando os pacientes que atendia...

- Dr! O que houve? Pergunta sua assistente...

Mas ele não respondeu...

Clarice se arrastava até a piscina, quando uma mulher de branco se atira na água, e tira o pequeno da piscina, não era uma empregada, não era ninguém conhecido... A mulher sai da água sem estar molhada...

- Muito obrigada! Obrigada por ter salvo meu filho! Não tenho palavras para lhe agradecer! Diz Clarice.

- Uma mãe, entende a aflição do coração de outra mãe! Afinal, o Paulo é nosso tesouro não é mesmo? Diz a mulher que abraça Paulo e o entrega para Clarice de volta...

- Quem é você? Pergunta Clarice...

- Eu? Eu sou apenas alguém destinada a entregar este pequeno aqui a você! E a realizar o sonho seu e do seu marido de serem pais! Diz ela com um sorriso no rosto e uma expressão de tranquilidade...

Clarice fica paralisada, ela sabia quem era, só não não sabia como aceitar estar diante da mãe do pequeno Paulo, a mãe biológica...

Quando uma das empregadas vêem a cena de Clarice com o pequeno nos braços, ele tosse e coloca a água para fora... Estava bem....

- Dona Clarice! Gente! Ajuda! Dona Clarice está machucada! Diz a empregada que havia dado a falta de Paulo dentro de casa e ia ver se ele havia seguido sua mãe....

Em uma fração de segundos que Clarice tirou a atenção da mulher, ela desapareceu, Tudo que parecia tão fantástico e fugia à lógica da explicação, havia acontecido de verdade, foi tudo real... Clarice não tinha dúvidas... Diante de tudo que ocorreu...

Mais tarde, em 15 minutos, César chega assustado e encontra a mulher com o tornozelo inchado e pequeno já refeito de tudo, brincando...

- Meu Deus! O que aconteceu? Clarice! O que houve? Eu escutei pelo telefone, vim correndo! Você está bem? Pergunta César.

- César ... Eu sei que você não acredita nessas coisas... Mas... A mãe do Paulo! Eu vi ela! Eu falei com ela! Eu vi! Por favor ... Acredita em mim! Eu vi ela! Diz Clarice com convicção diante de um incrédulo César... Que tinha seu pensamento, ele era Ateu,assim como a esposa também, e ouvir dela aquela afirmação! Aquele relato inexplicável...

- Você acredita em mim, não acredita César? Pergunta ela.

- Sim meu amor, claro que sim... Claro que acredito, diz ele tranquilizando a esposa.

Capítulo 3 Cap 3

Mas, na verdade, César não acreditava que fosse nada além de um delírio, algo pelo susto, pelo desespero do momento, projetado pela mente de Clarice, o fato de que eles sempre falavam sobre o nascimento de Paulo, deve ter acabado impactando a mente de Clarice, era isso que César imaginava.

- Eu vi! Eu vi ela, César! Ela salvou o Paulo! Ela disse que nós estávamos destinados a ser os seus pais! Ela havia cumprido a missão dela, que era trazer o nosso filho ao mundo! Diz Clarice.

- Meu amor, eu confesso que mesmo eu, tive minhas convicções abaladas sobre toda esta história do Paulo, da morte dos pais dele... Mas .... Não quero te magoar.... Você não acha isso incrível demais? Pergunta ele.

- Você não viu... Não viu o que eu vi! Pra você que é ateu... Deve ser difícil de acreditar... Diz Clarice.

- Até um tempo atrás, você também era ateu... Depois que começou a ler aqueles livros, Supostas psicografias... Clarice... Você é uma mulher inteligente! Uma dentista conceituada, você cursou psicologia! Você sabe bem como a mente humana se sugestiona de ... Enfim... Não quero brigar com você, não quero discutir, respeito suas novas crenças... Deixe eu ver o seu pé! Está bem inchado! Bom seria fazer um raio X ... Diz ele.

Paulo vem ao encontro de César e o abraça, o médico o coloca no braço, o examinando também...

- Filho... Não assuste mais a gente dessa forma! Seus pais estão ficando velhos... Abandonei meus pacientes no meio de uma consulta! Diz ele.

 Clarice sorri, ela não leva a discussão adiante sobre o que viu, pois tinha certeza, e agora tinha plena convicção na existência da vida no além.

Depois desse episódio, nunca mais nada igual aconteceu, mas conforme Paulo foi crescendo, era comum ele relatar ver pessoas que apenas ele era capaz de enxergar... E isso era fato recorrente.

Paulo agora aos 9 anos de idade, gostava de brincar no jardim de casa, nos finais de tarde, após ter respondido todo o dever de casa.

- Mãe! Estou indo brincar no jardim, já fiz todo o dever de casa. Diz o menino.

- Tudo bem querido! Mas não vai se sujar viu! Seu pai hoje vai estar de plantão, e nós vamos sair para jantar fora, eu e você... Diz Clarice.

- Tá bom mamãe! Só vou conversar com minha amiga Cintia! Diz ele que sai logo correndo.

- Cintia? Quem é Cintia? Ninguém aqui em casa se chama Cintia! Diz Clarice, curiosa e espantada.

Clarice resolve ir ao jardim, ver quem era a Cintia que o filho havia mencionado, e quando chega lá, se surpreende, Paulo aparentemente conversava sozinho, então o menino olha na direção de sua mãe.

- Mãe? Já vamos sair? Diz Paulo.

- Filho? Com quem estava conversando? Pergunta Clarice curiosa.

Paulo fica sem responder, de cabeça baixa.

- Era sua amiga Cintia? Pergunta ela.

Paulo responde que sim com a cabeça.

- Assim como o papai, a senhora vai brigar comigo também? O papai disse que tudo era coisa da minha imaginação, que nada disso existia... Diz o menino.

Clarice sente uma presença, uma presença boa e lembra do dia em que viu a mãe biológica de Paulo, quando ela salvou ele da piscina, ela se abaixa perto do pequeno, e o abraça...

- Seu pai é um homem bom, ele não acredita nestas coisas filho... Não fala mais isso para ele tá bom...? Vai ser um segredo só nosso... Diz Clarice, que já havia lido sobre mediunidade, ela sabia que o filho tinha um dom, que Paulo era uma criança muito especial.

- Igual o segredo que tenho com a minha outra mãe? Pergunta Paulo.

Clarice fica assustada, ela e nem César seu marido haviam falado nada sobre Paulo ser adotado...

- Que outra mãe meu filho? Me conta isso direito, por favor! Diz Clarice nervosa.

- A minha mãe que se chama Marta... Que desencarnou em um acidente de carro.... Ela sempre vem me visitar, ela que me apresentou a Cintia... Diz o menino.

Clarice abraça forte o filho, ela sabia que César não iria acreditar em nada daquilo, iria levar Paulo em psicólogos, psiquiatras... Seria bem difícil para ele aceitar....

- Meu Deus! Tudo era verdade! Tudo é verdade! Escute meu filho... Você não vai falar nada com ninguém sobre isso, pelo menos por um tempo, tudo bem? Promete? Seu pai não acredita nestas coisas, mas eu acredito! Vou te levar em um lugar que vai ajudar você a entender tudo isso... Diz ela.

E assim, Clarice que tem uma amiga que é espírita, passa a levar o filho em um centro espírita kardecista, chamado " Casa da fraternidade" onde uma vez por semana iam assistir palestra e onde ela colocou Paulo na evangelização infantil, onde nada mais era que grupos de crianças que iam para serem doutrinados em temas do evangelho, com dinâmicas, brincadeiras que ajudavam e despertar e trabalhar valores cristãos....

Paulo faz amizade com uma menina chamada Mirela e logo os dois se tornam grandes amigos, e por incrível que pareça, por um tempo, as visões de Paulo sumiram....

Certa Noite, desejando fazer uma surpresa para a família e chegar mais cedo em casa, César chega bem quando Clarice saia por volta das 19:00 com Paulo, César vai atrás dos dois, afinal estava determinado a fazer uma surpresa para eles.

- Clarice e Paulo devem estar indo jantar fora, ficarão surpresos de me ver chegar... Diz César.

César segue o carro da esposa, e qual não é sua surpresa, ao ver que eles param no Centro Espírita...

- "Casa da fraternidade"... Que original! Não me importo que minha esposa tenha se dado acredita nestas crendices, mas... Colocar estas ideias na cabeça do meu filho? Não acho que isso esteja certo, não mesmo... Vou procurar uma forma de fazer Clarie recobrar a consciência... Isso é um absurdo! Vou até ficar para assistir, assim eu tenho uma base para se argumentar... Diz César...

Ele entra no centro espírita, e senta em uma das cadeiras do auditório, nos últimos lugares, Clarice junto de Paulo estava bem na frente... Uma moça entrega para César uma mensagem em um panfleto pequeno, César recebe, e agradece... O Tema da mensagem:

" O que o espiritismo fala sobre ateísmo"

"A negação de Deus é, para o espiritismo, como a negação do sol. O ateu, o descrente, não é um condenado, um pecador irremissível, mas um cego, cujos olhos podem ser abertos, e realmente o serão. Porque Deus é necessariamente existente, segundo o princípio cartesiano. Nada se pode entender sem Deus.... Assim dizia a primeira parte do panfleto.

- Tá de brincadeira... Diz César surpreso pela coincidência...

O preletor da palestra então inicia a palestra ...

- Queridos irmãos, vamos relaxar, fechar os olhos e pensar em Cristo, elevando nosso pensamento a Deus... Pedindo a orientação ao plano espiritual para explorar o tema da noite de hoje... " Provas da existência de Deus"....

Mesmo em suas convicções, aquilo provoca grande impacto em César, que fica curioso pelo tema, que parecia ser voltado para ele, desde a mensagem que recebera, até o título da palestra que seria ministrada.

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