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Romano - Coroados pelo sangue

Romano - Coroados pelo sangue

Autor:: Afrodite LesFolies
Gênero: Moderno
Ele matou o homem com quem eu deveria me casar. E me tomou como troféu diante de toda a máfia. Agora carrego seu nome. Mas jamais pertencerei a ele. Tonny Romano não quer apenas o meu corpo. Ele quer a minha rendição, me ver curvada, marcada, obediente. Frio, impiedoso, dono de tudo o que toca, ele diz que sou sua esposa. Diz que sou sua rainha. Ele não reivindicou amor naquela noite. Reivindicou o direito de me manter cativa. O que ele não sabe... é que carrego o veneno sob a pele. E que um dia, vou enterrá-lo com as mesmas armas que usou para me prender. Entre ódio e desejo, somos dois predadores no escuro. Cada toque é uma ameaça. Cada olhar, uma provocação. Ele pensa que me possui. Mas somos inimigos disfarçados de amantes. Dois corpos em guerra. Dois nomes ligados por sangue, desejo e traição. De uma coisa eu sei: ninguém sai inteiro desse casamento. Nem ele. Nem eu. ⚠️ Este não é um conto de fadas. Este livro contém cenas de erotismo explícito, linguagem forte, temas sensíveis e relações marcadas por poder, dominação e desejo. É um dark romance, onde os limites entre o certo e o errado são constantemente desafiados. A protagonista não é fraca. O vilão não pede permissão. Se você procura uma história doce, esta não é para você. Mas se deseja ser levada até os extremos... Bem-vindos ao jogo de Tonny Romano.

Capítulo 1 Reivindicada

Tonny Romano

"O sangue é a única assinatura que não precisa de testemunhas."

O salão resplandecia em ouro, cristal e mentiras. Do alto da sacada, entre colunas esculpidas, eu observava o espetáculo da máfia encenando harmonia. Sorrisos forçados, brindes vazios, promessas tão frágeis quanto o cristal das taças. Cada olhar era calculado. Cada palavra, uma arma disfarçada.

E no centro de tudo, ela.

Angelina Rossi.

A filha da serpente.

A última relíquia da linhagem que destruiu a minha.

Prometida ao bastardo que jamais teria a chance de tocá-la.

O vestido champanhe se moldava ao corpo dela como uma confissão feita em silêncio. Pele dourada, ombros nus, cabelo solto. Ela parecia uma miragem e era. Porque por trás daquele disfarce angelical havia aço.

O olhar dela me encontrou, fixo, frio e calculado. Mas havia algo mais.

Ela fingia calma, mas eu via por trás da máscara.

Tensão. Raiva. Um medo ainda não assumido.

Ao lado dela, o noivo sorria como um tolo. Como se tivesse vencido. Como se soubesse o jogo. Mas ele nem conhecia o tabuleiro.

Pena.

Não teria tempo para aprender.

Soltei o botão do paletó e desci os degraus, sentindo o peso da arma sob a jaqueta. Cada passo meu era um aviso. Um som que cortava a música da orquestra, ainda tocando como se o mundo não estivesse prestes a ruir.

O noivo estendeu a mão.

Estúpido.

O disparo ecoou como um trovão.

A bala encontrou o coração dele com precisão, sem erros. O corpo caiu com um baque surdo, e o sangue se espalhou pelo mármore branco como tinta sobre um altar de guerra.

E então, o inferno se abriu.

- ELE MATOU O NOIVO!

- MEU DEUS, ALGUÉM FAÇA ALGUMA COISA!

- ABAIXEM-SE!

- CHAMEM OS GUARDAS!

Pratos se espatifaram. Cadeiras viraram. Mulheres gritavam. Algumas tentavam proteger os filhos, outras desmaiavam. Homens sacavam armas, mas hesitavam ao me ver. Ninguém queria ser o segundo.

A orquestra parou abruptamente. O maestro abandonou a batuta.

Pânico e caos ao redor e no meio de tudo, ela.

Angelina.

Ela estava imóvel, como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés. O sangue do noivo escorrendo até tocar a barra do vestido. E, mesmo assim, ela se manteve em pé.

Mas estava tremendo.

As mãos dela estavam cerradas ao lado do corpo. O peito arfava sob o tecido justo. Os olhos estavam arregalados. Mas havia algo contido ali, feroz e silencioso. Orgulho ferido. Raiva crua. E um medo novo que ela não sabia como esconder, afinal ela me conhecia era minha inimiga, eu era um Romano e ela uma Rossi.

Me aproximei ainda mais e a multidão se abriu, como se minha simples presença empurrasse o ar. Ninguém ousava me impedir.

Ela me encarou.

- Seu noivo está morto. - murmurei, a voz baixa, firme. - E agora, você é minha.

Os olhos dela se arregalaram por um instante. A mandíbula se tensionou. Vi o momento exato em que ela reprimiu o impulso de me atacar.

- Você é um monstro. - a voz dela saiu falha, mas ainda assim cheia de veneno. -Vá para o inferno.

- Já estive lá. - retruquei com um meio sorriso. - E voltei por você.

Ela deu um passo para trás, esbarrando em uma mulher que corria. As costas encostaram contra a parede, mas ela se manteve firme.

- Isso não te faz forte. - cuspiu. - Te faz doente. Um animal.

- Isso me faz necessário. - respondi. - E quanto ao noivo ele era só um peão e morreu como tal.

Ela oscilava entre a fúria e a incredulidade. O queixo trêmulo, os olhos marejados, mas sem chorar. Angelina não era o tipo de mulher que se curvava, mas logo ela mudaria.

- Vai me arrastar agora? - disse com desdém. - Vai me exibir como troféu, como se isso provasse algo?

- Não. Ainda não. - aproximei meu rosto do dela. - Mas vai lembrar desse momento. Porque é aqui que sua liberdade morre. E o que nasce é a minha esposa.

Ela ergueu a mão, tomada pela raiva, pronta para me acertar. Mas não chegou a me tocar. Em um segundo, seu pulso já estava preso na minha mão. O golpe morreu no ar.

- Você não me conhece. - sussurrou. - E nunca vai me dominar.

- Estou curioso para ver até onde sua resistência vai. E o que sobra depois dela. - Soltei seu pulso, vendo o tremor de seu corpo.

Um som de bengala ecoou pelo salão silencioso.

Mario Rossi.

O velho vinha mancando, pálido, olhos injetados de desespero.

- Isso é guerra, Romano?! - a voz dele cortou o ar, tensa. - Você enlouqueceu?!

Me aproximei devagar. Peguei o envelope no bolso interno do paletó, contendo o que precisava e deixei cair aos pés dele, como um aviso escrito em sangue.

- É o fim dela. Todos aqui sabem que para cessar uma Faida é necessário sangue. O último a cair foi um Romano. Pelas mãos de um Rossi. Reivindico sua filha, Angelina Rossi, para cessarmos a guerra.

O salão ficou mudo.

- Angelina Rossi no altar em sete dias. - completei, olhando nos olhos do velho. - Ou o próximo a cair será você.

Mario empalideceu como se o chão lhe faltasse. Atrás dele, capos recuaram instintivamente. Sabiam que eu não estava sozinho. Que o meu ato não era impulso, era estratégia.

Ele assentiu, lentamente. Os ombros curvados. A boca contraída em derrota.

Virei-me lentamente, ignorando os murmúrios abafados e os olhares incrédulos que ainda queimavam nas minhas costas.

Angelina continuava onde eu a deixei. A postura ereta, o vestido respingado de sangue, o queixo teimosamente erguido como se isso pudesse protegê-la. Mas não havia proteção possível agora.

A respiração dela estava rápida. O rosto, pálido sob o rubor forçado. As mãos ainda cerradas, mas trêmulas e não mais por raiva apenas, e sim por saber que acabara de se tornar peça de um jogo cujas regras não havia escolhido.

E mesmo assim, ela me olhava. Não com submissão. Não com desespero. Com algo que queimava mais fundo: desafio.

Desafio e algo que não deveria estar ali, sentia a sua curiosidade.

Ela queria entender o que viria depois. Queria saber se eu era só brutalidade e minhas reais intenções em fazer dela minha esposa. Queria descobrir até onde eu estava disposto a ir.

E a resposta estava escrita nos meus olhos quando parei diante dela:

- Eu irei até o fim, bambina.

Dei um passo à frente, obrigando-a a inclinar levemente o rosto para cima.

- Mesmo que o fim... seja você.

Angelina estava com o rosto banhado de lágrimas silenciosas, e mesmo assim, havia nela uma beleza inquebrável, feita de raiva, dor e uma dignidade que sangrava por dentro. Quando ela ergueu o braço, a mão aberta no impulso desesperado de me atingir novamente, eu a segurei no ar com firmeza. Meus dedos fecharam ao redor de seu pulso com a mesma precisão de antes, arrancando-lhe um gemido rouco. Puxei ela com força, colando nossos corpos, fazendo seu vestido ranger entre nós como se protestasse pelo que se tornava inevitável.

Seu rosto ficou a poucos centímetros do meu. A respiração vinha entrecortada, instável. O olhar que ela lançou sobre mim era assassino, carregado de um ódio feroz, mas ainda assim belo. Para todos ali, ela ainda era a rainha do gelo, intacta, intocável, inquebrável. Mas para mim, ela não passava de uma peça no tabuleiro, uma refém das minhas decisões, da minha vingança, da minha vontade.

- Não ouse, princesa. Não cometa o mesmo erro. - Murmurei rente à sua pele, a voz baixa, controlada, um sussurro que feria mais do que um grito. - Ou eu vou profanar esse lugar sagrado e te foder ali mesmo, naquele altar, na frente de todos, só para mostrar que você já me pertence.

Ela não respondeu, mas o tremor que percorreu seu corpo confirmou tudo que as palavras tentavam esconder. Estava assustada, envergonhada, humilhada, mas ainda assim se recusava a baixar a cabeça. E isso apenas atiçava o prazer sombrio de tê-la exatamente onde eu queria.

Inclinei-me para ela e, com lentidão depositei um beijo no canto de sua boca, sentindo o gosto amargo de sua resistência misturado às lágrimas que escorriam em silêncio. Deslizei o polegar pela trilha úmida que marcava sua bochecha e levei aquela gota solitária aos meus lábios, saboreando. Então, sem pressa soltei seu pulso e a deixei recuperar o espaço que lhe restava.

Ela cambaleou um passo para trás, respirando com dificuldade, os olhos ainda cravados em mim. Por mais frágil que estivesse, ela resistia. Ardente, furiosa, marcada. Uma mulher despedaçada por dentro, mas ainda de pé diante do inimigo.

Virei-me sem olhar para trás, atravessando o salão que ainda ecoava em gritos e passos apressados, deixando o caos atrás de mim como uma trilha de pólvora acesa. Os convidados se afastavam, os capos cochichavam entre si com expressões tomadas pelo pavor e pela incredulidade. E ela continuava ali, imóvel no centro da cena, vestida de sangue e silêncio, assistindo enquanto eu me retirava.

Era hora de partir e esperar pelas consequências. Porque elas viriam e eu sabia. Mas nenhuma delas seria capaz de mudar o que já estava feito.

A minha vitória, naquela noite, estava selada. E Angelina Rossi, querendo ou não, já era minha.

Capítulo 2 Exatamente o que eu queria

Angelina Rossi

"Alguns chamam de desgraça. Eu chamo de oportunidade."

Levantei-me da minha cama com a consciência tranquila de que aquela era a penúltima noite da minha vida como mulher solteira. A última em que repousaria entre os meus próprios lençóis, no silêncio do meu quarto, antes de ser levada à mansão inimiga onde cada detalhe, até a cama em que eu dormiria, não passaria de uma lembrança de tudo que abandonaria.

Aquele era o quarto onde cresci. As paredes cobertas de retratos intocáveis. O criado-mudo onde minha mãe costumava deixar flores. A janela voltada para os jardins de inverno. Tudo exatamente igual. Exceto eu.

O silêncio da casa parecia mais pesado do que o habitual. Como se um funeral estivesse prestes a acontecer, em breve eu estaria nas mãos de um Romano, isto para os Rossi era a morte. Estaria nos braços do homem que impediu o meu casamento com um assassinato.

O noivo com quem meu pai havia me prometido jazia agora em um caixão fechado. Vítima de um tiro certeiro em uma execução pública. Uma resposta que a Cosa Nostra entenderia perfeitamente. Um ato que os Rossi deveriam respeitar e acatar, cessar a Faida, cessar a briga entre as famílias era mais importante para a máfia. Tudo aconteceria como deveria acontecer.

Fechei os olhos por um segundo. Respirei fundo e sorri, afinal estava viva, e solteira. E, pela primeira vez, livre daquele idiota arrogante que achava que me possuiria como um bibelô herdado.

Um sorriso quase imperceptível formou-se no canto da minha boca. Não de alívio ou de satisfação, mas por estar tudo acontecendo como deveria, eles achavam que haviam me punido. Mas haviam feito exatamente o que eu queria.

Tonny Romano, o homem que a minha família mais odiava. O nome que era sussurrado como ameaça por trás das paredes do escritório de meu pai, Mario Rossi. A presença que desestabilizava salas, alianças e corações, se tornaria o meu marido, mas a Faida estava longe de acabar.

Peguei o batom vermelho e delicadamente o passei em meus lábios contendo o sorriso. Romano pensava que havia me reivindicado. Mas, no fundo, ele não fazia ideia de que:

Eu o havia escolhido primeiro.

A porta do quarto se abriu com certa força, quebrando o fio do meu pensamento. Minha irmã entrou bufando, os cabelos loiros soltos, o rosto tenso, os olhos faiscando de fúria e confusão.

- Você está se maquiando?! - Ela parou, encarando minha imagem refletida no espelho. - Não acredito que depois do que aconteceu, depois daquele massacre, você está aqui se preparando como se fosse um dia qualquer!

- Não é um dia qualquer. - Respondi, enquanto delineava os olhos. - É o último.

- O último?

- O último dia em que sou uma Rossi com algum controle. - Virei para ela. - Amanhã, oficialmente, serei uma Romano.

Ela se aproximou devagar, como se me observar mais de perto fosse ajudá-la a entender. Mas não conseguiria. Ela não tinha ideia do que se passava na minha mente e eu não queria envolver Chiara no meu lado sombrio, ela era luz, sempre fora.

- Ainda não entendi por que você aceitou tão complacente. Você, logo você, ser entregue como um troféu para o clã que destruiu metade da nossa linhagem. Para o homem que matou o seu noivo, não que ele fosse grande coisa, mas...

- Ele era um idiota. - Cortei com um sorriso frio. - E você sabe disso.

- Ainda assim, Angelina... - ela se sentou na beira da cama, os ombros caídos, exausta. - Justamente um Romano? Por que tinha que ser assim?

Fechei o estojo da maquiagem e me levantei.

- Porque você não podia ser você, Chiara. - Respondi, firme, olhando direto em seus olhos. - As regras da máfia não são apenas tradições, são sentenças. Quando uma Faida é encerrada, o sangue da família que atacou por último precisa ser entregue. No nosso caso, o meu.

Ela empalideceu.

- Os Romano exigiram sangue puro e virgem. E você, você está apaixonada por Vincenzo. Eu sei o que vivem. E se eu recusasse, se fugisse, se hesitasse, você seria a próxima. O papai não teria escolha. O Romano iria reivindicar você.

Chiara começou a negar, mas levantei a mão.

- Não me interrompa. Você acha que eu aceitei isso por covardia? Eu aceitei porque não suportaria ver você nesse lugar. Porque, mesmo que eu odeie cada segundo ao lado daquele homem, nunca me perdoaria se fosse você no meu lugar.

Me aproximei dela e completei, mais baixa:

- Você tem uma chance de amar, Chiara. Não estrague isso, fique longe da malavita. Serei uma moeda de troca, mas faço questão de te manter longe deste jogo sujo.

Ela piscou, confusa por um segundo, até que a ficha caiu. A raiva deu lugar ao choque. Depois, ao medo.

- Aquele... filho da puta. - Sussurrou, baixando os olhos. - Ele pode te machucar, te matar...

- Ele poderia, mas os planos dele são outros tenho certeza. Tonny Romano não ameaça. Ele cumpre. - Toquei o ombro dela. - Fique tranquila. E entre mim e você, bem, eu sou mais preparada para suportar um monstro.

Ela levantou e me abraçou com força.

- Eu odeio isso. Odeio tudo isso...

- Eu sei. - Murmurei, apertando-a de volta. - Mas nem toda desgraça termina em ruína, Chiara. Pelo menos, não a minha.

Ela se afastou e me olhou com algo entre orgulho e desconcerto.

- Às vezes eu tenho medo da forma fria como você encara as coisas.

- E eu tenho medo da forma como você romantiza demais as suas. - Sorri. - Somos duas extremas tentando sobreviver no mesmo inferno.

- Você vai mesmo se casar amanhã?

- Sim. - Voltei ao espelho. - Mas não vou dormir virgem esta noite.

Ela arregalou os olhos.

- Como é?

- Exatamente o que ouviu. - Deslizei as mãos por minhas coxas aplicando o hidratante - Hoje é meu último dia de liberdade. E amanhã, quando ele me tiver, não vai ser o primeiro.

Chiara engoliu em seco, confusa entre gritar, bater ou simplesmente fugir dali.

- Isso é insano, Angelina. - Murmurou, a voz embargada. - Concordo que tudo isso é. arcaico, mesmo para os padrões da máfia.

Ela sabia. Sabia exatamente o que Tonny Romano queria: minha virgindade. Queria ser o primeiro. O único. Queria reivindicar posse sobre uma Rossi, marcando seu território não com alianças, mas com sangue.

- E é justamente por isso que eu não vou entregar o que ele quer. - Respondi, pegando o vestido e jogando-o sobre a cama sem delicadeza. - Porque para ele, o sangue é símbolo. É marca. É ritual de domínio. Mas ele não vai ter esse gosto. Pelo menos, não da forma que imagina.

Chiara me olhou com incredulidade.

- E você vai dar a quem, então?

- Ao primeiro que me excitar. Ao primeiro que me olhar como mulher, não como moeda de troca. - Respondi firme, sustentando seu olhar. - Hoje à noite, Chiara, eu escolho. Porque amanhã, terei que obedecer às regras, ou serei facilmente descartada com o aval da máfia.

Ela hesitou, com os olhos brilhando de preocupação.

- Espero que você saiba o que está fazendo, Angelina.

- Sei exatamente o que estou fazendo. - Disse com um sorriso calmo, entregando a ela o batom e ajeitando os ombros do vestido.

Era um risco, sim. Um daqueles que podiam custar caro, mas eu já havia pagado demais para viver com medo.

Naquela noite, pela primeira vez, o corpo era meu e a decisão também.

O controle estava nas minhas mãos, e eu não cederia nada. Nem o sangue. Nem o símbolo.

Naquela noite, eu tinha algo que ninguém podia me tirar: liberdade. E a escolha era só minha.

Capítulo 3 Antecipando o jogo

Horas depois...

A boate pulsava com a música envolvente em alto volume. As luzes cortavam a penumbra em tons de vermelho e âmbar, dançando sobre corpos mascarados, escondendo intenções, desnudando pecados. O cheiro era uma mistura de perfume caro, álcool e luxúria abafada, o tipo de atmosfera em que ninguém pergunta nomes, só até onde se está disposto a ir.

Aquela boate era uma das poucas que todos se mantinham sob anonimato de máscaras e era um lugar exclusivo, frequentando apenas pela alta sociedade da Itália.

Meu vestido preto colava no meu corpo contornando as minhas curvas. Cada passo que eu dava, cada gole do champanhe gelado entre meus dedos, era uma despedida silenciosa da minha liberdade. Mas naquela noite, eu seria minha, pela última vez e faria isso do meu jeito.

- Você ainda pode voltar atrás, Angelina - sussurrou minha irmã ao meu lado, os olhos claros inquietos, quase suplicantes.

- Eu sei exatamente o que estou fazendo, Chiara - retruquei, sem desviar o olhar de um homem interessante. - Ele quer o meu corpo. E vai ter. Mas não do jeito que espera.

- Ele pode te fazer pagar...

- Pode. E talvez tente. Mas não vai quebrar o que eu sou. Ele se autointitula rei da máfia, acha que pode me ver curvada aos pés dele como se fosse um troféu. Vai me punir, sim, mas do jeito dele e eu estou preparada para isso. Não se preocupe comigo.

Ela empalideceu, e por dentro, eu sorri. Cada palavra dita servia para lembrá-la de que, apesar do caos, eu ainda tinha o controle. Eu não era mártir de ninguém, era estrategista de uma linhagem que sangrava. E naquele momento, protegê-la era mais que obrigação, era uma jogada. E eu sabia exatamente o que estava fazendo.

- Então, quem será o escolhido? - ela perguntou com a voz trêmula.

- O primeiro que me olhar como mulher. E não como posse. - Respondi firme, antes de dar o último gole e abandonar minha taça.

Foi quando o vi. Alto, máscara que cobria metade do rosto, terno impecável, olhar que atravessava as sombras e encontrava o meu, como se esperasse minha aprovacao. Sorri e fiz sinal para ele que caminhou até mim com a calma de quem não precisava correr para obter o que desejava. Era o tipo de homem que fazia o mundo desacelerar.

Talvez já fosse o álcool que me fazia aquele efeito, talvez fosse a urgência depois de tantas negativas para uma aproximação dos idiotas que se aproximaram de mim naquela noite, mas aquele homem ali era bem diferente de todos os outros naquele lugar.

Ele segurou a minha mão e a levou nos lábios de maneira lenta e maliciosa depositando um beijo que me fez querer que ele continuasse por todo o meu corpo. Olhei para o lado e Chiara já estava de longe dançando e sorrindo para mim.

- Gostaria de beber algo?

Sussurrou no meu ouvido e mesmo com a música alta a sua voz me fez arrepiar, era grossa e sensual.

- Vinho tinto. - Respondi sem demora.

Ele me ofereceu um copo. Aceitei e depois do brinde, nenhum nome foi dito. Apenas olhares carregados, frases curtas, sorrisos enviesados e toques que fingiam sutileza, mas sabiam exatamente onde queriam chegar.

- Então, misteriosa, o que te traz aqui essa noite?

- Liberdade. Como eu disse, não quero nomes, nem promessas, nem amarras. somente sexo.

- Você é sempre assim, ousada? - ele perguntou com a voz baixa e rouca, perigosamente perto do meu pescoço.

- Só com o que vale a pena - respondi, deixando meu hálito roçar a pele dele como uma provocação calculada.

Ele segurou minha mão e me guiou pelas cortinas espessas da área VIP. Lá dentro, a música vibrava como se saísse de dentro do peito, abafando qualquer razão. O tempo ali não obedecia lógica e nem regras.

O beijo veio antes de qualquer outra palavra. Línguas em confronto, mãos famintas. Eu puxei sua gravata com firmeza enquanto ele me prensava contra a parede, os dedos descendo pelo meu corpo até alcançarem o zíper do vestido.

- Você está tremendo - ele murmurou.

- Não é medo. - garanti. - E não tire a máscara.

- Te digo o mesmo, principessa.

Sua boca voltou para minha roubando todo o meu juízo e o meu fôlego. Seus dedos passearam por minha coxa em segundos a minha calcinha foi arrebentada. Eu estava literalmente pingando, me molhando inteira por aquele homem.

Os dedos hábeis vagaram por minha pele até alcançar a minha boceta e abri-la sem cerimônia alguma, e quando alcançou o meu clitóris gemi despudorada.

Minhas mãos não paravam de acariciar os músculos sob a camisa, não era bastante ele apenas ter se livrado do terno, precisava dele nu.

Ele compreendeu o meu desejo e me ajudando em pouco tempo se livrou de todas as suas roupas entre um toque e outro.

Meu vestido virou frangalhos no chão mas eu não estava me importando com nada, tudo o que desejava era ele dentro de mim. Não tinha a mínima ideia de como seria, mas o desejava.

Apesar de ser virgem, não era santa sabia o que estava buscando. A boca dele desceu depositando beijos no meu pescoço e quando abocanhou os meus seios sem deixar de acariciar meu clitóris me desmanchei literalmente em sua mão.

- Isto... bambolina, dê tudo para mim... goze...- sussurrou em meu ouvido.

- Sim... quero você... - gemi, buscando sua boca.

Sem me responder, ele nos deitou no sofá de veludo e se posicionou entre minhas pernas. O corpo musculoso, na penumbra, revelava algumas tatuagens, mas eu não conseguia me concentrar em nenhuma. Estava queimada por ele, com o coração acelerado, enquanto a pulsação na minha boceta não me deixava pensar.

Vi apenas quando ele alcançou um preservativo na mesa próxima ao sofá e, em segundos, ele estava pronto, pressionando contra meu clitóris.

Mas quando ele forçou a entrada e encontrou a pele intacta, ele parou.

- É a sua primeira vez... - disse, mais para si.

- Sim, mas não pare.

- Não vou parar, bambolina. Isso te assusta? - perguntou, pressionando ainda mais o seu grande e grosso pau em mim.

- Nada em você me assusta... - menti, pois ele era enorme e grosso, e aquela era minha primeira vez, mas não admitiria.

- Mas deveria... - dizendo isso, nem me deu tempo de pensar. Ele entrou com um golpe profundo, uma estocada forte.

Foi intenso, rude, luxurioso. O prazer veio misturado ao ardor de ser rasgada por dentro. Minhas mãos cravaram nos ombros dele, e ele me sussurrava coisas sujas e promessas que eu não entendia.

- Feita para o meu pau... sua pequena boceta foi feita para mim...

Ele inverteu nossas posições, e eu fui grata, pois tomei o comando.

Eu o cavalguei com raiva. Ele me colocou de quatro e me fodeu com dominância, tirando meu fôlego, devolvendo cada sentada que eu havia dado em seu pau quando estava no comando.

Quando gozamos, foi como se o mundo parasse. Ele sorriu, um sorriso malicioso nos lábios ao observar o ponto que nos unia: o meu sangue em nossos corpos. Ele saiu de dentro de mim, pegou a jaqueta do terno jogado no chão e a jogou sobre mim.

- Vista isso. Rasguei seu vestido. - A voz dele agora era um tom abaixo da crueldade.

Cobri meu corpo ainda trêmulo e o observei erguer as mãos até a máscara. E então, ele a tirou.

Meu coração parou. A respiração congelou no peito. O mundo girou ao contrário.

- Tonny Romano. - sussurrei, sentindo o sangue recuar do meu rosto.

Ele sorriu com uma lentidão que me deu vontade de gritar. Um sorriso de escárnio, cheio de posse, orgulhoso de sua vitória.

- Lamento decepcioná-la. - disse com desprezo elegante. - Você queria dar a outro o que me pertence. Mas eu jamais permitiria.

- Você é doente! - cuspi.

- E você é tola. - ele respondeu. - Mas amanhã será minha esposa. E essa, foi a nossa lua de mel antecipada.

- Vai se arrepender amargamente de se casar comigo. - falei entre dentes, o corpo ainda nu sob o paletó dele, a vergonha queimando em mim como fogo.

Ele deu um passo para trás, olhos fixos nos meus.

- Posso dizer o mesmo para você. - E virou as costas.

Dois homens enormes, vestidos de preto, entraram pelas cortinas.

- Levem-nas para casa. Em segurança. - Ordenou Tonny, sem sequer olhar para trás.

Neste momento percebi que Chiara estava com eles. Os homens nos escoltaram até a saída. Chiara tremia. Eu não conseguia lidar com o que tinha acontecido, havia planejado tudo para aquela noite, imaginava que ele me seguiria, mas esperava outra atitude dele.

Naquela noite, eu havia perdido algo sim. Mas não o controle.

Ainda não. Ele havia vencido naquela noite, mas ainda tínhamos muitas disputas pela frente.

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