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Rosa Escarlate - A Dançarina Exótica

Rosa Escarlate - A Dançarina Exótica

Autor:: AutoraAngelinna
Gênero: Moderno
Existe limite para a sensualidade? Isabella Natale leva uma vida dupla. De dia ela trabalha na confeitaria de sua família. De noite, se transforma em Rosa Escarlate, a dançarina exótica mais sensual de Chicago, uma sereia que deixa os homens enlouquecidos com sua máscara de veludo e calcinha fio-dental. Ninguém conhece seu segredo tampouco sua verdadeira identidade, nem mesmo Nick Santori, o novo segurança do clube... e a primeira paixão da vida de Isabella. Ele sempre viu a pequena Izzy como uma criança. Mas não há nada de infantil em sua reação a Rosa... Então, o que resta a ela fazer senão mostrar ao homem de seus sonhos que olhá-la é bom, porém tocá-la é melhor ainda...

Capítulo 1 1

Existe limite para a sensualidade?

Isabella Natale leva uma vida dupla. De dia ela trabalha na confeitaria de sua família. De noite, se transforma em Rosa Escarlate, a dançarina exótica mais sensual de Chicago, uma sereia que deixa os homens enlouquecidos com sua máscara de veludo e calcinha fio-dental. Ninguém conhece seu segredo tampouco sua verdadeira identidade, nem mesmo Nick Santori, o novo segurança do clube... e a primeira paixão da vida de Isabella. Ele sempre viu a pequena Izzy como uma criança. Mas não há nada de infantil em sua reação a Rosa... Então, o que resta a ela fazer senão mostrar ao homem de seus sonhos que olhá-la é bom, porém tocá-la é melhor ainda...

PRÓLOGO

ELES A chamavam de Rosa Escarlate.

Quando o nome dela era anunciado em tons sensuais, quase respeitosos, no Leather and Lace, um clube exclusivo para cavalheiros, um silêncio maravilhado começava a deslizar pela multidão. O cômodo ficava mudo, a conversa barulhenta dava lugar a uma expectativa silenciosa.

Empresários com camisas abertas nos colarinhos interrompiam seu flerte sussurrado com as garçonetes usando minissaias pretas e blusas minúsculas. Todos os participantes de uma despedida de solteiro retornavam às suas mesas, acotovelando o noivo para que assistisse e lamentasse. Homens solteiros, que vinham toda semana apenas para assistir a ela, voltavam a se sentar nas poltronas fofas de couro preto e olhavam extasiados para o palco através de olhos semicerrados. Logo o tilintar do gelo nos copos deles era o único som no ambiente luxuriosamente nomeado, até as garçonetes sabiam que não se deveria interromper a clientela quando Rosa estava no palco.

Ela dançava apenas duas vezes por semana, aos sábados e domingos, e desde a noite em que começara ali, Rosa Escarlate se tornara uma das atrações mais renomadas na cena noturna de Chicago. Porque, enquanto a cidade estava há muito acostumada a dançarinas sem emoção tirando suas roupas e girando sob a batida pesada da música sensual, eles simplesmente não tinham visto nada como ela.

Ela não era sem emoção; era elegante. Seus traços delicados e curvas naturais faziam todos os homens que a viam se perguntar como seria tocar aquela pele macia.

Ela não tirava a roupa... ela se despia. Lentamente. Sedutoramente. Como se tivesse todo o tempo do mundo para dar prazer a um homem.

Ela não girava, ela requebrava, movimentando-se com uma graça fluida. Todos os gestos, todas as voltinhas eram um convite para olhar para ela.

A vibração dela não era sexual, era sensual, erótica e expressiva o suficiente para fazer um homem fechar os olhos e percebê-la. Embora, é claro, quando estivesse no palco, ninguém nunca fechasse os olhos.

Enquanto o trabalho dela poderia diminuir algumas mulheres aos olhos daqueles ao redor, Rosa o dominava, assumia e erguia a um nível artístico em vez de pura excitação sexual.

Ela gostava do que fazia. E eles gostavam de vê-la.

A batida baixa e abafada de um número fumegante começou, porém o palco permaneceu escuro enquanto os assistentes posicionavam uma cortina vermelha de cetim usada. Usada apenas por ela. Havia sido uma adição recente por parte do gerente, que percebera que o clima classudo da artista era parte do apelo da Rosa Escarlate. Assim como o mistério dela.

Enquanto a maioria das outras dançarinas do clube se apresentava sob luzes intensas acima de suas cabeças e em exposição total, Rosa dançava sob sombras e poças de iluminação proporcionadas por holofotes precisamente cronometrados. A máscara de veludo vermelho nunca lhe abandonava o rosto. Muitos imaginavam que o gerente estava brincando com a popularidade da aura de mistério que cercava Rosa.

Finalmente, a música ficou mais alta, e os holofotes gelificados, cuja cor variava de um tom de rosa suave ao vermelho-sangue, iluminaram o palco, movimentando-se para frente e para trás, cada um deles tocando brevemente em um ponto: a junção da cortina de cetim fechada.

– Agora, para o deleite de seus olhos – disse uma voz masculina suave, no sistema de som –, a flor perfeita de Chicago, a Rosa Escarlate.

Ninguém aplaudiu ou cochichou. Ninguém se mexeu. Todos os olhares estavam sobre o centro da cortina, de onde a mão começou a emergir.

Era branca. Delicada, com dedos longos e pulso esguio. Havia um desenho colorido, pintado no corpo, iniciando na ponta de um dedo, como uma folha minúscula. Estava ligado a uma videira, que envolvia a mão dela, em volta do pulso. Quando o braço emergiu, mais da videira frondosa, completa, com espinhos afiados, foi revelada. O desenho cintilava, sensual e perverso, sedutor e perigoso.

Sinuosa, vagarosa, sem pressa, ela surgiu entre o drapeado da cortina, até se revelar completamente. Porém, sua cabeça permanecia abaixada, os longos cabelos castanho-avermelhados escondendo o rosto.

O ritmo pulsava. A dançarina permaneceu parada, como se completamente absorta da multidão. Finalmente, os holofotes mudaram de cor, os vermelhos intensos abrindo caminho a um amarelo suave. E, como se ela fosse um botão fechado sendo acordado em um amanhecer suave, Rosa começou a se mexer.

Sua cabeça se ergueu lentamente, a beleza delicada do pescoço alvo destacada por mais pinturas corporais. Os cabelos caíram pelas costas quando ela se virou em direção à luz, como se acolhendo a manhã.

Os lábios fartos, vermelhos e úmidos estavam entreabertos, enviando imagens vívidas e fantasias eróticas às mentes de todos os homens que estavam perto o suficiente para conferir seu resplendor... Aquela era uma mulher moldada para a arte do beijo. E do prazer sensual.

E a visão do rosto dela se limitava àquilo ali. Uma máscara delicada de veludo vermelho cobria o restante. A máscara brilhava com joias verdes como aquelas coladas à videira, deixando a plateia certa de que os olhos da mulher sedutora deviam ser de um verde-esmeralda vivo. Como a maioria já sabia que o mistério com relação ao rosto dela não seria revelado, seus admiradores voltaram a atenção ao restante dela.

Ela vestia camadas de um tecido delicado, cortado no formato de pétalas. Ainda agindo como a flor sendo acordada pelo sol, ela começou a se render ao calor do holofote. Requebrando, alongouse preguiçosamente como um gato sob uma poça de luz. Os movimentos eram lentos, revelando um pedaço da coxa, um vislumbre do quadril.

Então a música embalou. Assim como o passo dela. Ela arqueou o corpo e requebrou pelo palco com uma graça feminina. Mas, para a maioria, ela parecia solitária, tirada de seu meio, revelando um desejo sensual que implorava pela saciedade que nunca viria.

Qualquer um na plateia teria se oferecido para saciá-la.

Qualquer um.

Todos os movimentos que ela fazia movimentavam as camadas esvoaçantes da roupa, até as pétalas quase dançarem em volta dela por conta própria. Elas se entreabriram para revelar as pernas esguias, proporcionando uma espiada aqui e um vislumbre acolá.

E então elas começaram a desaparecer.

Todos os homens do lugar se inclinaram para frente. Sempre que ela se virava, mais um pedacinho de tecido caía no chão. As mãos se movimentavam tão facilmente que as camadas pareciam cair por si só. Os véus externos e volumosos em tom de rosa-claro se foram primeiro, seguidos pelos pedaços de cetim mais pesados. Logo as pernas longas e perfeitamente torneadas estavam reveladas até as coxas. Uma veste de cetim que lhe cobria a barriga caiu em seguida, arrancada das alças de um top de biquíni.

Ela continuou sua dança de sereia enquanto o tecido caía, o ritmo aumentando, os quadris investindo em resposta. Finalmente, quando já não vestia mais nada além de um fio-dental vermelho reluzente e duas pequenas pétalas rosadas delicadas nas pontas dos seios, ela olhou para a plateia, dignando-se a lhes conceder sua atenção. Normalmente, nesse instante, ela ofereceria um sorriso atrevido, arrancaria as pétalas dos mamilos e então se encolheria atrás das cortinas. Ela lhes lançaria uma olhadela, breve, sexy a ponto de tirar o fôlego, e então desapareceria nos recantos escuros do clube até o momento de sua segunda apresentação da noite. Mas esta noite... esta noite ela hesitou. Não. Esta noite, ela congelou.

Porque, quando deu uma olhadela final para seu público, vendo uma boa quantidade de rostos familiares na plateia, sua atenção foi capturada por uma figura sombria nos fundos do cômodo, ao lado do balcão do bar. Ignorando o silêncio cheio de expectativas daqueles que já conheciam sua performance, de todos que estavam aguardando pelo desfecho compensador que tinham ido ver, ela concentrou toda sua atenção nele.

Não conseguia enxergar muita coisa daquela distância, tanto por causa da máscara que usava quanto por causa dos holofotes ainda reluzindo em seu rosto. Mas Rosa viu o suficiente para que seu coração, que já batia freneticamente por causa da performance, acelerasse enlouquecidamente.

Dali, ele parecia ter cabelos negros, olhos negros e roupas também negras. Ela não conseguia distinguir nenhum dos traços dele, apenas aquela presença alta e sombria, com ombros largos e quadris estreitos. Ele podia ser perigoso, considerando seu tamanho e a escuridão sombria que o engolia sob o ponto de vista dela, mas agora, naquele momento, Rosa se sentia atraída por ele. Arrebatada. Fascinada.

Os olhares de ambos se sustentaram. Ele sabia que havia captado a intenção dela. E, naquele instante, ela desejava desesperadamente descer do palco, cruzar o salão, aproximar-se o suficiente para ver se o rosto dele era tão belo quanto sua forma sombria sugeria. E então mais perto ainda, para ver quais verdades repousavam naquelas profundezas misteriosas daqueles olhos negros como tinta.

Mas de repente alguém assobiou... e outra pessoa vaiou. Ela percebeu que havia perdido o ritmo da música, a dança, a plateia e todos os motivos pelos quais estava ali.

Excitação. Sedução. Aqueles eram os motivos pelo quais ela estava lá. E isso tornava ainda mais estranho o fato de que, agora, era Rosa quem estava sendo seduzida.

Chega. Hora de finalizar.

Varrendo o olhar pela multidão, ela lançou a todos um olhar perversamente sexy, como se a pausa tivesse sido inteiramente proposital. E inteiramente para o deleite pessoal deles. Com aquele olhar, ela os convidou a imaginar quem havia acabado de lhe despertar a excitação, lambendo os lábios em expectativa. Quem havia feito a pele dela corar, seu sexo umedecer e os mamilos enrijecerem.

Ela só desejava saber a resposta.

Com mais uma olhada longa de soslaio por entre olhos semicerrados, ela pôs as mãos nas pequenas pétalas, róseas para combinar com a pele delicada de seus mamilos tesos, e as arrancou.

A multidão estava uivando quando ela desapareceu atrás da cortina. Eles aplaudiram por longos minutos durante os quais ela recuperou o fôlego e tentou obrigar a pulsação a retornar à sua batida normal, calculada.

Quando se acalmou, aproveitou uma oportunidade para espiar através da cortina, o olhar cercando aquela região escura perto do bar.

Porém, o estranho sombrio havia ido embora.

Capítulo 2 2

DURANTE AS duas primeiras semanas após ter retornado do Oriente Médio, Nick Santori genuinamente não se importara com o jeito como sua família se preocupara com ele. Houvera uma série de churrascos de boas-vindas no pequeno quintal da casa geminada onde ele havia sido criado. Houvera até mesmo jantares maiores na pizzaria da família, que havia sido sua segunda casa enquanto ele crescia.

Fora arrastado para casamentos da família pela mãe e para a cozinha do restaurante pelo pai. Tivera bebês molhados e pegajosos colocados em seu colo pelas cunhadas, e fora coberto de cerveja pelos irmãos, que queriam saber detalhes de tudo o que ele havia visto e feito em outro continente. E ele bebera várias rodadas de drinques erguidos em brinde a ele por quase estranhos que, o tendo elogiado devidamente como patriota, queriam ir além e discutir a política da bagunça toda.

E fora aí que ele colocara limites. Não queria conversar a respeito. Após 12 anos na Corporação, vários deles na ativa no Iraque, estava cansado. Não queria reviver as batalhas, feridas ou dias de glória, nem mesmo com os irmãos, e certamente não justificaria sua escolha em se alistar às forças armadas a pessoas que nunca nem mesmo conhecera.

Aos 18 anos, recém-saído do Ensino Médio, sem qualquer interesse na universidade e muito menos nos negócios da família, alistar-se na Marinha parecera um jeito legal de passar alguns anos.

Que rebelde idiota ele fora! Estúpido. Despreparado. Imaturo.

Ele rapidamente aprendera... e amadurecera. E, ao mesmo tempo em que não se arrependia dos anos passados servindo seu país, algumas vezes desejava poder voltar no tempo para socar aquele moleque de 18 anos e acordá-lo para a realidade que iria enfrentar.

Realidade como esta: voltar para casa, para um mundo que ele não reconhecia. Para uma família que há muito optara por seguir a vida sem ele.

– Tudo certo com você? – perguntou seu irmão gêmeo, Mark, que estava sentado diante dele emuma baia de bar, bebericando uma cerveja. Todos os irmãos tinham o hábito de parar no restaurante da família depois do trabalho algumas vezes por semana.

– Estou bem.

– Sentindo o molho marinara correr em suas veias outra vez?

Nick riu.

– Você acha que o Papà ao menos percebeu que existem outros tipos de comida?

Mark balançou a cabeça. Esticando a mão para a cesta de pães, serviu-se de um palitinho de pão.

– Você acha mesmo que mamãe já tentou cozinhar para ele outro tipo de comida?

– Bem pensado. – Os pais combinavam bem em sua certeza de que qualquer outra comida além daitaliana era imprópria para consumo.

– Ela ainda está reclamando porque você não vai voltar para casa?

Assentindo, Nick pegou um palitinho de pão para si. Pelo seu murmúrio, ele não trocaria a comida do pai por nada... especialmente o bandejão interminável que ele tinha de tolerar no serviço militar.

– Ela parece pensar que eu seria feliz morando em nosso velho quarto com o pôster na parede daDemi Moore em Proposta indecente. É como entrar em uma maldita fenda no tempo.

– Você sempre preferiu Até o limite da honra.

Nick apenas suspirou. Mark raramente levava alguma coisa a sério. Nesse aspecto, ele não tinha mudado nada. Mas todo o restante certamente mudara. Durante os anos que ele passara fora, as poucas visitas ao lar não permitiram que Nick se mantivesse mentalmente alinhado aos seus comuns. Em sua cabeça, quando deitava em sua cama de lona se perguntando se haveria um dia no qual a areia não iria se infiltrar em cada superfície das roupas dele outra vez, os Santori eram o mesmo bando grande e barulhento com o qual ele crescera: dois pais trabalhadores e um monte de crianças.

Eles não eram crianças mais, no entanto. E a Mamma e o Papà haviam desacelerado bastante ao longo dos anos. O pai havia entregado a gestão diária do Santori's ao irmão mais velho de Nick, Tony, e ficava na cozinha bebendo chianti e cozinhando.

Um dos irmãos era promotor público. Outro, um empreiteiro de sucesso. A única irmã deles era recém-casada. E, o mais chocante de tudo para Nick, Mark, o gêmeo dele, estava prestes a se tornar pai.

Casado, domesticado e reproduzindo... isso descrevia as vidas felizes dos cinco outros irmãos Santori. E cada um deles parecia achar que Nick deveria fazer exatamente a mesma coisa.

Nick concordava com eles. Pelo menos, havia concordado com eles enquanto estava vivendo a rotina diária em um lugar onde nada era garantido, nem mesmo a vida dele. Parecia perfeito. Um sonho pelo qual poderia lutar ao fim do serviço militar. E agora estava ao seu alcance.

Ele só não tinha certeza se ainda o queria.

Não duvidava que seus irmãos fossem felizes. As conversas deles eram repletas de gracejos, casas, carros utilitários e conversas sobre bebês que todos pareciam adorar, mas Nick simplesmente não acompanhava. E não tinha certeza se um dia acompanharia... apesar de saber que deveria.

Eu vou acompanhar.

Pelo menos, ele esperava que acompanhasse.

O fato de ele estar entediado até a alma ao ajudar no Santori's e de ainda não ter conhecido nenhuma mulher adequada que fazia seu coração bater mais depressa, muito menos uma com quem ele gostaria de escolher nomes de bebês, era meramente produto da própria readaptação à vida civil. Ele se reenquadraria. Em breve. Não havia dúvidas sobre isso.

No entanto, tinha que evitar ir atrás da única mulher que ele vira recentemente que não apenas fizera seu coração acelerar, mas também lhe oferecera uma experiência quase sexual dentro de um ambiente lotado. Porque de jeito nenhum ela era adequada. Era uma stripper. Uma com a qual estaria trabalhando muito em breve agora que havia concordado em aceitar o trabalho como segurança em um clube chamado Leather and Lace.

Obrigando-se a afastar a visão da dançarina sensual de seu cérebro, Nick se concentrou no tipo de mulher normal que ele conheceria algum dia e que poderia lhe inspirar reação semelhante.

Ele estava tendo ajuda para encontrá-la. Todo mundo, aparentemente, queria que ele encontrasse a mulher "perfeita" e, por acaso, todos a conheciam. A mais recente, sua cunhada, que o convidara para jantar e coincidentemente tinha chamado a melhor amiga solteira para ir também, ficaria olhando para a cadeira vazia de Nick.

– Você tem ideia do quanto estou feliz por sua esposa estar grávida?

– Sim, eu também – respondeu Mark, ostentando o mesmo olhar cheio de vida desde que começaraa contar a todo mundo que Noelle estava esperando um bebê. – Mas eu quero saber por que você está tão feliz. – Porque isso significa que ela não vai ter tempo para arranjar encontros para mim com a última amiga/cabeleireira/vizinha solteira dela ou simplesmente com qualquer mulher que passar. Mark teve a audácia de sorrir largamente.

– Isso não é engraçado.

– Sim, é. Eu tenho visto as mulheres que eles têm jogado em cima de você.

– Você também tem me visto jogá-las de volta para eles.

Assentindo, Mark bebeu um gole da cerveja.

– Não importa se ela é loura, morena, ruiva ou careca. Qualquer mulher solteira que estiver viva éempurrada em cima de mim.

– E católica – apontou Mark.

– As escolhas de mamãe, sim. Mas nenhuma delas faz meu tipo. Impassível, o irmão perguntou:

– Mulheres?

– Vá se ferrar – respondeu ele. – Quero dizer, tenho algumas preferências.– Grandes...

– Além disso – rebateu Nick.

Mark cedeu:

– Tudo bem, estou brincando. O que você de fato quer?

Aquela era a pergunta-chave, não era? Nick não fazia ideia do que queria. Supostamente deveria ser alguém que o fizesse desejar aquilo ali. Aquele estilo de vida sossegado de interior-na-cidadegrande.

– Não sei se sirvo para todas essas coisas que vocês têm.

Quando Mark arqueou uma sobrancelha, Nick acrescentou:

– Eu não estava criticando. Vocês todos parecem felizes. Os casais nesta família não parecem tão...

– Entediantes?

– Acho que sim.

– Obrigado – respondeu o irmão secamente.

– Sem ofensas. Mas vocês são exceção, não a regra.

Mark murmurou:

– São muitas exceções, então.

E eram. Isso significava que Nick era um azarado. Quantos casamentos ótimos e felizes poderia haver em uma única família?

Mas ele não iria deixar de tentar. Estivera dizendo a si durante os últimos três anos de ativa no alistamento que, uma vez que estivesse livre, uma vez que estivesse em casa, iria ter o tipo de vida que o restante de sua família possuía. Os sonhos que aquele estilo de vida normal e feliz que o sustentaram durante alguns dos combates mais perversos que ele já vira. Ele não iria desistir deles agora. Nem mesmo se, repentinamente, pareciam um pouco adormecidos.

– Encare, eles não vão descansar até você sossegar.

– Como você? – perguntou ele, levantando uma sobrancelha. Seu irmão gêmeo era um policial linha-dura de Chicago que dificilmente poderia ser descrito como "sossegado". O sujeito era tão durão quanto aparentava, apesar de seu senso de humor pateta, às vezes.

– Sim. Como eu.

Nick revirou os olhos.

– Sossegado é algo que você, com certeza, não é. – Ele olhou para os cortes nos nós dos dedos do irmão.

Mark sorriu, dando uma piscadela.

– O cara resistiu à prisão.

– Noelle sabe disso?

O sorriso desapareceu.

– Não. E, se contar a ela, vou socar você.

– Eu gostaria de ver você tentar.

Recostando-se e cruzando os braços, Mark assentiu.

– Acho que você é capaz de fazer o mesmo agora que os fuzileiros o deixaram mais durão emusculoso.

Era uma discussão antiga e amigável entre eles o fato de Nick ter herdado o físico esguio e alto da mãe, tal como Luke e Joe. Mark e Tony se assemelhavam ao pai, de peito largo.

Porém, após muitos anos fazendo exercícios físicos pesados no alistamento, Nick não era mais o "irmãozinho" de ninguém.

– Acho que eu poderia dar conta de você.

– Acho que você poderia dar conta de qualquer um. Então, por que você não vem até a delegacia para conversar com meu tenente?

– Não estou interessado no seu trabalho, mano. Já aguentei regras e normas o suficiente por hora. –Eles haviam conversado sobre tal possibilidade algumas vezes desde que Nick voltara para casa, mas ele não pretendia ceder naquela questão. Havia cumprido sua pena nos campos de batalha no Iraque, e não queria aumentá-la em Chicago.

– Sim, tudo bem – disse Mark, olhando em volta do restaurante lotado. – Estou vendo por que isto aqui mexe muito mais com você.

Nick seguiu o olhar do irmão e sufocou um suspiro. Porque Mark estava certo. Ajudar na pizzaria não era um problema no curto prazo, afinal ele tinha ajudado a gerir o lugar quando estava no Ensino Médio, dedicando mais tempo do que qualquer um dos irmãos. Mas ele realmente desejava se tornar um sócio nos negócios junto ao seu irmão Tony, conforme costumava dizer... e conforme a família estava esperando?

Parecia impossível. Mas Mark era o único que compreenderia isso.

– Vou entrar no ramo da proteção – admitiu ele.

– Você vai produzir camisinhas em massa? – Mark soou completamente inocente, embora seusolhos cintilassem com seu bom humor de sempre.

– Mal posso esperar para contar ao seu filho sobre o delinquente juvenil que você era. Como quando você colocou a revista Playboy na gaveta da escrivaninha do Padre Michael quando estava na sexta série.

– Acredite, meu filho vai saber que o papai está na ativa assim que tiver idade suficiente pensar em surrupiar chocolates em lojas. Agora, qual é a desse seu trabalho com proteção?

– Vou trabalhar meio período como guarda-costas.

– Está brincando? – disse Mark, soando surpreso.

– Joe fez uma reforma em uma boate no subúrbio da cidade e ficou amigo do dono. Acontece queeles precisavam de pessoal extra na segurança, então ele arranjou uma entrevista. Fui lá no domingo à noite para conversar com eles.

– Aposto que Meg adorou ver nosso irmão mais velho Joe reformando uma boate.

Assim como o restante, Joe tinha um casamento feliz. Nick sabia que ele nem mesmo iria olhar para outra mulher.

– Então – perguntou Mark –, por que uma boate precisa de um guarda-costas?

Nick sabia exatamente por que aquela boate precisava de um guarda-costas após assistir à apresentação de uma dançarina chamada Rosa Escarlate. A estranha sensual habitara os sonhos dele e mais do que algumas de suas fantasias desde que ele a vira no palco, revelando seu corpo incrível enquanto ainda permanecia, de algum modo, tão acima daquilo tudo. Ele imaginava que homens com menos autocontrole poderiam tentar fazer mais do que fantasiar com aquela mulher.

– As dançarinas atraem muita atenção indesejada – disse ele, sem querer entrar em mais detalhes.Não porque ficava constrangido sobre seu emprego, mas porque não queria começar a conversar sobre a dançarina envolta em pétalas de rosa e sobre o efeito que ela causava nele.

Nick não precisava daquele tipo de distração em sua vida. Uma stripper sensual definitivamente não se encaixava no estilo de vida certinho dos Santori que ele ficava dizendo a si que desejava. Nem um pouco. Portanto, trabalhar com ela iria ser um embuste.

Mas ele já havia lidado com desafios maiores. Além disso, conhecê-la, conversar com ela, acabaria com a beleza daquela rosa. Fantasias intensas eram feitas para mulheres intocáveis, misteriosas, desconhecidas. Era, conforme ele viera a acreditar enquanto estava vivendo no Oriente Médio, parte do fascínio das mulheres veladas daquela cultura. O desconhecido sempre construía altas expectativas.

Rosa Escarlate logo deixaria de ser uma desconhecida. Ele veria o rosto que tinha ficado escondido atrás da máscara e os segredos dela seriam revelados. Então ela se tornaria muito menos intrigante.

Querendo tirá-la da mente até o instante inevitável, quando ele começasse a trabalhar, Nick mudou de assunto:

– O lugar está movimentado.

– Então por que você não está lá aceitando ordens de mulheres que gostariam de jantar você, com aquele atrevimento todo delas?

– Até mesmo os empregados têm uma noite de folga de vez em quando.

Ele lançou um olhar entediado pelo cômodo. Uma fileira de clientes estava junto ao balcão, esperando para levar os pedidos para viagem. Todas as mesas estavam ocupadas. Garçonetes iam para lá e para cá em movimento constante, todas supervisionadas pela Mamma. Nada captou a atenção dele... até ela aparecer. E então ele não conseguiu desviar o olhar.

Ela fez o coração dele parar, do mesmo jeito que a dançarina havia feito, embora ambas não pudessem ser mais diferentes.

A estranha parou junto à porta, recostando-se contra a parede. Sem olhar para ninguém, os olhos dela permaneciam concentrados sobre algum ponto lá fora. A postura dela ostentava um desinteresse cansado, como se ela estivesse ausente da tagarelice dos clientes em volta. Ela estava distante, sozinha, perdida no próprio mundo de pensamentos.

Deslocada.

Aquilo, tanto quanto a aparência dela, captou a atenção de Nick diretamente. Porque ele também sabia como era não se encaixar naquele mundo barulhento da família, amigos e vizinhos que se conheciam há anos.

Ela era solitária, independente, fato que o interessava.

E a aparência dela o deixou simplesmente sem fôlego.

Dali de onde estava sentado, ele tinha uma visão ideal do perfil dela. Os cabelos volumosos e castanho-escuros caíam de um rabo de cavalo casual, destacando as maçãs do rosto salientes e o queixo delicado. O rosto parecia macio, a pele, lisa e delicada. Embora os lábios estivessem entreabertos, ela não parecia estar sorrindo. Ele suspeitava de que ela estivesse suspirando de vez em quando, mas, se de infelicidade ou de tédio, ele não sabia dizer.

Vestida casualmente com jeans e camiseta, ela também usava um enorme avental de padeiro sobre as roupas. Aquilo tornava a conferência de suas formas impossível. Mas, a julgar pelo comprimento daquelas pernas, embaladas a vácuo na calça jeans desbotada e apertada, ele imaginava que era espetacular. Com uma mochila leve pendurada em um ombro, ela parecia ter parado para pegar uma pizza no caminho do trabalho para casa, assim como todos na fila.

Só que ela era incrivelmente sexy com sua indiferença reservada, e não se parecia com nenhuma outra pessoa da fila.

Sentado diante dele, Mark disse alguma coisa, porém Nick não prestou atenção. Ele continuou a olhá-la, desejando que ela virasse em direção a ele, assim ele poderia descobrir a cor de seus olhos. Finalmente, como se tivesse lido o pedido mental dele, a morena se mexeu, inclinou a cabeça em um alongamento delicado que destacou seu pescoço delgado e se virou. Passando um olhar preguiçoso pelo cômodo, ela suspirou de maneira quase audível, confirmando que estava entediada.

Então os olhos dela encontraram os dele... e pararam.

Os dela eram castanhos, tão escuros quanto os dele. Quando os olhares se sustentaram, ele notou o lampejo de ciência calorosa no olhar dela. Ela não fez esforço para desviar o olhar, mirando-o

enquanto ele a observava. Como se ela soubesse que ele a estava avaliando, ela retribuiu o favor, analisando-o do rosto até abaixo, o olhar se prolongando um pouco sobre os ombros dele, e até mesmo sobre o tórax. Nick se remexeu no banco, o jeans gasto ficando mais apertado na virilha, onde o calor deslizava e pulsava com uma intensidade digna de romper a costura.

Embora ele estivesse sentado e não houvesse jeito algum de ela notar o efeito que causava nele, a estranha começou a sorrir. Um canto da boca se erguia, revelando uma pequena covinha na bochecha. Mas não era um sorriso bonitinho, paquerador... nada naquela mulher era bonitinho ou paquerador; ela era agressiva e sedutora.

Necessitado para conhecê-la agora, ele largou a cerveja e deslizou até a ponta do banco sem dizer uma palavra.

– Nick? – perguntou o irmão dele, obviamente alarmado.

– Eu preciso conhecê-la.

– Quem?

Nick não respondeu, mas simplesmente se levantou, sem tirar os olhos da estranha.

Mark se virou.

– Ela? – perguntou o irmão, soando tão surpreso que Nick se perguntou se o casamento o tornara completamente imune aos apelos de uma estranha ardente e sensual. – Você precisa conhecer aquela ali?

Já se afastando, Nick não respondeu. Em vez disso, saiu a passos largos pelo restaurante, determinado a não deixá-la fugir. Ele precisava conhecer a primeira mulher de verdade, e não uma fantasia vestida com pétalas de rosa, que tinha feito o coração dele bater forte novamente desde o dia em que chegara em casa depois da guerra.

IZZIE NATALE tinha um segredo.

Bem, ela possuía muitos segredos. Mas o segredo que estava tentando esconder agora era um que poderia fazê-la ser expulsa da cidade dos ventos pela eternidade.

Ela preferia a pizza fininha, feita para se comer com a mão, ao estilo de Nova York, à pizza super recheada para se comer com garfo e faca, ao estilo de Chicago.

Chocante, mas verdadeiro. Durante os anos em que estivera morando em Nova York, em sua carreira de dançarina, ela se apaixonara por tudo lá, incluindo a comida. Mas estaria correndo sérios riscos caso o admitisse. Porque eles levavam a pizza muito a sério ali. O avô dela se reviraria no túmulo se descobrisse que ela havia virado a casaca. O pai dela, cuja solicitação tinha feito com que ela passasse ali no Santori's, iria deserdá-la. E a irmã, cujo marido gerenciava aquele local, nunca falaria com ela outra vez.

Hum. Isso poderia ser uma bênção. Considerando que a irmã Gloria nunca havia dominado a arte de calar a boca quando a ocasião exigia, Izzie se sentia tentada a contar que não apenas gostava da massa fina, como também preferia os Mets em vez dos Cubbies no beisebol. Aquilo faria a irmã ficar petrificada no meio da rua.

Como é que vou me livrar dessa?

Não era a primeira vez que ela se fazia tal pergunta durante aqueles dois meses em que havia voltado para casa, enquanto cuidava da confeitaria da família quando o pai se recuperava de um derrame. Se os amigos em Manhattan pudessem vê-la coberta de farinha, vestindo um avental, trabalhando atrás de um balcão, eles achariam que ela havia sido abduzida.

Essa poderia não ser Izzie Natale, a ex-bailarina de pernas longilíneas das Rockettes que tinha os homens aos seus pés. Nem a Izzie que tinha ido embora para arranjar uma vaga em uma das companhias de dança modernas estreantes em Nova York, que existira por tão pouco tempo, pois a vaga surgira depois que a lesão do ligamento cruzado anterior do joelho exigira uma cirurgia de grande porte, sete meses antes.

Mas era. Ela era. E aquilo a estava deixando louca.

Não que ela não amasse a família. Mas, ah, ela desejava que um deles pudesse gerir a confeitaria. Porque ela não estava feliz por estar sob o microscópio mais uma vez, morando naquela região – grande geograficamente, porém pequena em essência – da Little Italy.

Antes que pudesse resmungar a respeito, no entanto, algo lhe captou a atenção em meio à pizzaria lotada. Ou melhor, alguém lhe captou a atenção. Assim que ela lançou mais um olhar entediado ao redor, meio que desejando encontrar alguém que reconhecesse de sua outra vida ali em Chicago, a vida sobre a qual ninguém mais sabia, ela viu... ele.

Um homem de cabelos e olhos escuros a estava encarando de lá do outro lado do salão. Mesmo a cinco metros de distância ela sentia o calor emanando dele. Um fogo sensual, faminto em resposta, espiralou desde as pontas dos cabelos escuros cacheados dela até as solas dos pés.

Deus, o sujeito era quente. Ardentemente quente. Quente tipo "aquecimento global".

Os cabelos bem pretos eram curtos, espetados. Um militar.

Os olhos escuros combinavam com os cabelos. Eram profundos, com cílios pesados... focados em sexo, ela diria. O rosto era magro e mais robusto do que bonito. O maxilar forte se projetava um pouquinho, e a boca séria estava intensamente contraída, como se tentando disfarçar intencionalmente a plenitude de um par de lábios masculinos espetaculares.

Os ombros eram muito largos e o peito era do tamanho do de um jogador de futebol americano. E a postura dele era completamente, cem por cento, dos homens Santori.

Porque Izzie sabia que era Nick Santori quem havia encarado o olhar dela do outro lado do salão.

Nick Santori quem tinha se levantado de seu assento e que estava caminhando em direção a ela. Nick Santori, que estava fazendo a terra tremer um pouco sob os pés dela, exatamente como sempre fizera quando ela era adolescente.

Ela disse a si para respirar e não permitir que ele a afetasse. Ele certamente o fizera certa vez... como no casamento de Gloria e Tony, quando ela fora uma dama de honra de 14 anos e ele fora padrinho. Ele tivera de acompanhá-la até a nave, e sua postura durona de "tenho 18 anos e vou ser fuzileiro naval" não tinha gostado nem um pouco daquilo. E aquele era um dia que ela nunca iria superar, tamanho o constrangimento por que passara. De algum modo, no entanto, aquela lembrança não fez o chão parar de tremer. Nem a acalmou quando ele se aproximou mais. Aqueles olhos escuros estavam fixados no rosto dela quando ele abriu caminho pela multidão sem esforço, dando um olhar aqui, uma olhadela acolá. Todo mundo dava espaço para ele. Os homens, por respeito. As mulheres... bem, as mulheres estavam do jeito que Izzie também achava estar: embasbacadas. Tudo por causa da sensualidade latente daquele homem sexy.

Aquele que ela desejara desde a primeira vez em que sentira calor entre as pernas e compreendera o que significava.

– Oi – disse ele, quando finalmente chegou até ela.

– Ei. – Ela se sentiu quase triunfante por ter alcançado aquele tom de desinteresse casual. Atémesmo conseguiu continuar inclinada de encontro à parede, provavelmente porque precisava do apoio. Ela podia ter aprendido a lidar com os homens, mas nunca havia superado a sensação de ser a Izzie-nerd quando estava perto daquele ali.

– Há algo que eu possa fazer por você?

Ah, sim. Ela era capaz de pensar em várias coisas. Começando pelo troco por ele ignorá-la quando ela era uma garota rechonchuda e apaixonada. E finalizando com ele nu na cama dela.

Mas ficar nua na cama com Nick Santori envolveria sérias complicações. A irmã dela era casada com o irmão dele. As famílias eram velhas amigas. Se ela sequer olhasse para o sujeito com interesse, a vizinhança os faria produzir bebês italianos de cabelos castanhos em um ano.

Oh-oh. Não, obrigada. Não para Izzie. O sexo com Nick seria delicioso. Mas vinha com consequências demais.

– Acho que não – respondeu ela finalmente.

Ele não recuou.

– Tenho certeza de que há alguma coisa.

– O que foi, você virou garçom agora? – perguntou ela, achando graça da ideia de ele estar servindo mesas. Especialmente considerando que aquele peito dele poderia provavelmente funcionar como uma mesa.

Nick tinha, tal como todos os filhos dos Santori, trabalhado no restaurante durante o Ensino Médio. Do mesmo jeito que Izzie trabalhara na confeitaria, frequentemente comendo seu salário para adoçar sua angústia adolescente.

Mas ele estivera na Marinha durante anos. Ela não o vira erguendo pizzas agora que estava de volta a Chicago. Não depois de erguer metralhadoras Uzi ou o que quer que aqueles soldados viris carregassem.

– Talvez. Por que você não me diz o que deseja e eu digo se posso conseguir para você?

Uma pizza fininha e cheia de queijo ao estilo de Nova York foi a primeira coisa que veio à cabeça dela, mas Izzie não queria ser enforcada na esquina da Taylor com Racine. – Eu já fiz meu pedido.

Ele sorriu sutilmente.

– Eu não estava falando só da pizza.

Deus, aquilo foi... sim, foi. Houve uma piscadela repleta de flerte naqueles olhos castanhoescuros dele. Ele estava jogando algumas insinuações sutis para ela, e aquilo havia ficado bem claro.

– Oh. – Foi tudo que ela conseguiu dizer.

A farinha de bolo deveria ter entupido seus genes de femme-fatale nos últimos dois meses. Só isso explicava como alguém com a experiência dela com relação a homens poderia não ter entendido o duplo sentido na frase dele.

– Quer se sentar enquanto aguarda seu pedido? – perguntou ele, gesticulando em direção a algumascadeiras na área de espera.

– Não, obrigada. – Ela ficou em silêncio. Se abrisse a boca outra vez, poderia fazer algo estúpidocomo falar uma besteira como: "Uau, o que eu não teria dado para você me olhar assim quando eu era adolescente." E isso ela não queria fazer de jeito algum.

Ela cerrou os lábios. Iria ser Izzie, a muda desinteressada. O que era bem melhor do que Izzie, a mutante apaixonada.

– Que tal na mesa?

– Na mesa... o quê?

Ele sorriu outra vez, aquele sorriso sensual e autoconfiante que provavelmente fizera mulheres dos cinco continentes baixarem a calcinha 60 segundos depois de conhecerem-no. – Podemos sentar a uma das mesas enquanto você aguarda seu pedido.

Deus, ela era uma idiota.

– Não, estou bem aqui, obrigada.

Ela precisava se dar uma folguinha por ser tão lenta. Afinal, Nick Santori lhe bagunçava o cérebro desde que ela possuía 10 anos, época em que sua irmã Gloria começara a namorar o irmão dele, Tony. E, embora ele sempre tivesse jeito com mulheres, nunca olhara duas vezes para ela daquele jeito.

Especialmente desde o casamento de Gloria e Tony. Aquele em que ela tropeçara em seu vestido marrom horroroso, o mesmo que era colado nos quadris e bumbum roliços, enquanto eles estavam dançando a valsa obrigatória. Ela, a garota que tivera aulas de dança desde os 3 anos, tropeçara.

Talvez não fosse tão chocante. Ela estava preocupada com o que ele pensaria das palmas das mãos suadas dela. Estava apavorada por sua maquiagem estar borrada no rosto, revelando que ela tivera a maior das crises de acne naquela manhã.

O nervosismo, somado aos compassos apavorados do tamborilar de seu coração e ao formigar doloroso de seus seios pequenos no ponto onde roçavam de encontro à lapela do smoking de Nick, deixou-a tonta. Tão tonta que ela falhara o passo na beirada da pista de dança levemente elevada e ambos caíram sobre uma mesa repleta de biscoitos e doces preparados especialmente pelos pais dela para o casamento.

Não fora algo bonito de se ver.

Amêndoas confeitadas de todas as cores voaram em todas as direções. O bumbum dela pousara em uma bandeja de pastéis de nata, os cotovelos sobre pilhas de waffles italianos. O vestido subira até a cintura para revelar uma cinta que ela usara no esforço para esconder sua barriga resultante da comilança compulsiva de biscoitos após a escola.

A cereja do bolo de cinco andares coberto por creme italiano, que de algum modo ela não conseguira destruir, fora Nick. Ele se embolara no vestido e caíra em cima de Izzie, aberto sobre o peito dela.

E bem entre as pernas dela.

Foi a primeira, e última, vez que ela imaginara que Nick Santori estaria entre suas pernas, o que tanto partira seu coração quanto alimentara algumas fantasias intensas durante seus anos no Ensino Médio. Chocada pela imprevisibilidade e pelo prazer da coisa, ela fora lenta ao abrir aquelas pernas e permitir que ele se levantasse. Lenta o suficiente para o momento ir de "constrangedoramente longo" a "indecentemente chocante".

Ela pensara que a mãe fosse matá-la mais tarde.

Mas isso não fora tudo. Porque Izzie tinha a sorte de alguém que quebrava espelhos como meio de vida, o incidente também fora a cena principal do dia. O cinegrafista havia captado a coisa inteira na filmagem, criando uma obra-prima que iria zombar dela por toda a eternidade.

Ela se tornara motivo de chacota. Todos os convidados gritaram, aplaudiram e a provocaram com isso por meses depois. Ela podia muito bem usar um cartaz se autoproclamando "a púbere apaixonada que esmagou os biscoitos e se esfregou no padrinho no casamento dos Santori-Natale".

– Eu não vi você por aqui antes – disse ele, finalmente quebrando o silêncio que havia caído entreeles.

– Eu venho aqui algumas vezes por semana – respondeu ela.

Ele deu de ombros.

– Eu estive fora por muito tempo.

– No serviço militar.

– Certo. As coisas definitivamente mudaram por aqui nos últimos 12 anos.

– Talvez em alguns aspectos – disse ela. Então ela olhou ao redor e viu pelo menos cinco pessoasque conhecia... todas observando atentamente enquanto ela conversava com Nick. Franzindo a testa, Izzie murmurou: – Em alguns aspectos, ainda é a mesma cidadezinha desgraçada que sempre foi.

Ela foi surpreendida com uma risada dele.

– De algum modo, acho que temos muito em comum.

A risada suavizou o rosto bronzeado dele, formando rugas ao redor dos olhos. E também o deixou absolutamente irresistível, conforme várias mulheres sentadas por perto indubitavelmente também notaram.

Nick fora incrivelmente lindo quando adolescente. Esbelto e musculoso, sombrio e intenso. E aos 30 anos ele era absolutamente de fazer babar. Não que tivesse mudado muito... Apenas havia amadurecido. Enquanto antes era apenas um cara sexy, agora era um homem durão, de parar o coração, grande, largo, poderoso e intimidador.

Ela não presumia que ele tivesse mudado por dentro, no entanto. Uma vez um Santori, sempre um Santori. Os homens daquela família sempre tiveram um bom coração.

Honestamente, fazendo uma retrospectiva, se Nick tivesse sido um babaca a respeito do que havia acontecido no casamento, ela poderia ter superado sua paixonite muito antes, e o momento atual seria muito mais simples. Ela podia mandá-lo se danar, lembrá-lo que ele havia rido dela uma vez e aumentado sua humilhação. Só que... ele não tinha feito isso. Desgraçado.

Ele fora muito doce, ajudando-a cuidadosamente a se levantar... assim que ela libertara os quadris dele de sua chave de perna. Ele limpara delicadamente o açúcar de confeiteiro e o creme do rosto dela. Ajudara a recolocar o vestido no lugar sem fazer nenhuma piadinha sobre suas coxas roliças ou sobre a cinta. Fingira que não tinha sido praticamente violado por ela. E a ajudara a retornar à pista de dança, dando continuidade à valsa. Certamente, a única coisa irritante que ele fizera foi começar a chamá-la de "doçura".

Conforme a mãe dela sempre dizia, ele fora criado do jeito certo. Exatamente como os irmãos. Era totalmente cavalheiro, um protetor, e nunca lhe dera olhadelas que não fossem meramente amigáveis. Aos olhos dele, ela sempre fora a irmã caçula de Gloria, a bailarina gordinha que parecia uma salsichinha recheada com seu tutu e meia-calça cor-de-rosa, e ele a tratara com nada além de uma gentileza de irmão mais velho.

Até agora.

Felizmente, no entanto, ela não era mais a doce Izzie devoradora de biscoitos. Ele não a via há quase uma década... Ela não mais corava ou gaguejava quando um sujeito bonitão a provocava. E nem sequer tentara imaginar que poderia se tornar uma bailarina com sua postura mais do que esbelta.

Assim que ela parara de comer doces e ficara bem alta, aos 18 anos, soubera que seu futuro como bailarina iria vir de outro lugar além do balé.

Izzie também aprendeu a lidar com os homens.

Agora, era ela quem comandava no que dizia respeito à sedução. Estava comandando o espetáculo com os homens há anos. E tinha passado da hora de Nick Santori ficar sabendo disso.

– Então... Quando você se ofereceu para me servir... do que você estava falando? – perguntou ela, passando a língua nos lábios. Era um movimento que ela havia aperfeiçoado no camarote das Rockettes. Os homens costumavam ir aos bastidores, tentando conquistar as dançarinas, e tinham especial predileção pela coisa de lamber os lábios. Deus, homens eram tão previsíveis! Ela prendeu a respiração, esperando conseguir mais a partir daquilo.

E conseguiu.

– Refiro-me a servir você com uma cantada e você me dar seu telefone como gorjeta. Mas, como olugar está lotado e eu estou enferrujado nessa coisa toda, por que você simplesmente não me dá o número do seu telefone?

Izzie teve que rir. Se ele tivesse replicado com uma cantada bajuladora, a risada teria sido à custa dele, porque ela duvidava que houvesse alguma que já não tivesse ouvido. Mas Nick fora completamente honesto, o que ela considerou incrivelmente atraente.

Ela também riu para esconder a excitação nervosa que sentiu quando percebeu que Nick Santori realmente queria o telefone dela. Que ele realmente estava tentando conquistá-la.

Ela... a garota de quem ele outrora reclamara por ter que tirar para dançar em um casamento.

Quais eram as chances de isso acontecer?

– Acho que eu tenho seu telefone. – Ela o possuía há anos.

Ele não desistiu.

– Use-o. Por favor.

Ele falava seriamente. Não estava provocando, não estava tentando fazê-la corar, não estava tratando-a do jeito que tratava sua irmã caçula, Lottie, que tinha sido uma das colegas de turma dela.

Nick Santori estava tentando conquistá-la. E isso não teria sido grande coisa, mas, por algum motivo, fez o coração dela vibrar dentro do peito como um pássaro preso em uma gaiola.

– A propósito, meu nome é Nick.

Não diga. Ela estava prestes a dizer isso, quando notou o olhar dele: aquele olhar sério e intenso.

Ele não estava brincando. Não estava fingindo que tinham acabado de se conhecer.

Ela voltou a se recostar à parede, não muito certa se deveria rir ou socá-lo bem no meio da cara.

Porque o filho da mãe ordinário não fazia ideia de quem ela era.

Capítulo 3 3

A MULHER tinha farinha nos cabelos. Tinha cheiro de amêndoas. O avental estava manchado com cobertura e chantili. Corante alimentício sujava a ponta de dois de seus dedos.

E ela estava absolutamente deliciosa.

As notas de sabor exalandao de Izzie não eram capazes de competir com o perfume inato, cálido e feminino do corpo dela, que tomou os sentidos de Nick de assalto de um jeito que nenhum ataque direto conseguiria. Embora estivessem em um restaurante lotado, cercados por clientes e membros da família dele, Nick só sentia a presença dela. Ele havia sido atraído para ela, capturado em um mundo íntimo que ambos criaram no instante em que seus olhares se encontraram.

– Seu nome é Nick – disse ela, como se estivesse se certificando. A voz foi um pouco áspera, osolhos se semicerrando.

Preocupado com a possibilidade de ela ter um ex de mesmo nome, ele respondeu: – Atenderei a qualquer coisa da qual você quiser me chamar.

– Qualquer coisa?

Ele assentiu, incapaz de desviar a atenção daquele bocadinho de farinha nos cabelos dela. Gostaria de erguer e mão e limpá-lo. E então enterrar os dedos naqueles cabelos castanhos volumosos, soltar o rabo de cavalo, formando uma cortina sobre os ombros dela. Ele cerrou os dedos em punho junto às laterais do corpo face à necessidade de enveredar aquelas madeixas em suas mãos e puxar o rosto dela para o dele para um beijo enlouquecedor.

Ela possuía o tipo de boca que implorava para ser beijada. Uma que prometia prazer. Deus, fazia muito tempo desde que ele realmente beijara uma mulher do jeito como gostava de fazer. Lentamente. Profundamente. Como uma exploração exaustiva de todas as curvas e fendas.

Recentemente, a vida sexual dele estivera limitada pela proximidade e sua condição de militar na ativa. Ele não tivera qualquer tipo de relacionamento em anos. E o sexo que tinha feito normalmente era rápido, coisa de uma noite só, em que o beijo lento e indulgente não entrava em pauta.

Ele poderia beijar a boca daquela mulher por horas.

Nick não compreendia por que estava tão atraído por ela. Tudo o que ele sabia era que estava atraído por ela de um jeito que não ficara por ninguém há muito tempo. Não apenas porque ela era linda com o avental e aquele rabo de cavalo desgrenhado. Mas por causa do olhar saudoso e solitário que ela ostentara mais cedo, que dizia que ela não pertencia àquele lugar e sabia disso.

Exatamente o mesmo olhar que ele exibia ultimamente.

– Você é solteira? – perguntou ele, desejando uma confirmação.

Ela assentiu, o movimento fazendo o rabo de cavalo dela balançar. Os cabelos captaram o reflexo

de uma vela na mesa mais próxima, os fios brilhando em um véu de marrons e dourados que fizeram o coração dele tinir de encontro aos pulmões.

– Qual é o seu nome? – perguntou ele finalmente.

Ela arqueou uma sobrancelha fina.

– Ainda não entramos em acordo sobre o modo como vamos chamar você.

Ele se virou, ficando mais perto dela, quando um grupo adentrou o restaurante. A morena deslizou ao longo da parede, ficando longe do restante das pessoas. Nick a seguiu, irresistivelmente atraído pelo perfume e pelo mistério nos olhos dela.

– Acho que você tem um Nick no seu passado...?

– Aham.

– E não deu certo?

– Acho que posso dizer que não.

– Um término ruim?

– Não. Nós nunca namoramos. – Ela deu um meio-sorriso. Não havia alegria nele, apenas umadiversão enfadada. – Ele mal notava minha existência.

– Então ele era um idiota.

O outro canto da boca de Izzie se arqueou; desta vez a diversão genuína reluziu claramente. – Ah, sem dúvida.

– Ele não merecia você.

– Com certeza não.

– Você está melhor sem ele.

– Ninguém sabe disso melhor do que eu. – Ela soava mais divertida agora, como se estivessebaixando a guarda.

– Chega de falar dele – disse Nick. – Se você não gosta do meu nome, chame-me pelo meusobrenome. É Santori.

Ele a observou aguardando um arroubo de surpresa, um mirar de olhos para a placa na janela, anunciando o nome do lugar.

Estranhamente, ela não reagiu de jeito algum.

– Acho que já determinamos como eu deveria chamá-lo. Você mesmo se autodenominou.

Confuso, Nick apenas aguardou.

– Idiota – falou ela, batendo a pontinha do dedo no próprio rosto, como se pensando no assunto. –Embora, honestamente, o título não capte sua essência totalmente agora. Poderia ter bastado anos atrás, mas, hoje, acho que vamos ter que ficar com... completo babaca.

Nick ficou boquiaberto. Mas a morena sensual não tinha terminado:

– A propósito, aquele número de telefone que você queria? Aqui está, você pode querer anotar...0-800-não-vai-rolar.

E, sem mais uma palavra, ela empurrou o peito dele, afastando-o de seu caminho, e então saiu pela porta. Nick ficou parado ali, encarando as costas dela em choque total.

– Eu diria que isto não deu muito certo. – Mark parou atrás dele, observando, assim como Nick, enquanto a morena marchava rua abaixo como se tivesse acabado de dar uma surra em alguém.

Bem, tinha dado mesmo. A saber, nele. Ele só não sabia por quê.

– Não me diga.

– Vejo que você não perdeu seu jeito com as mulheres.

– Cale a boca. – Balançando a cabeça em espanto, ele ergueu uma das mãos e esfregou o queixo. –Não sei como consegui estragar tudo.

– Mas com certeza conseguiu.

Ouvindo seu irmão rir, Nick o encarou.

– Pelo menos não estou usando uma aliança. Ainda posso tentar conquistar uma linda estranha.

Mark apenas riu com mais intensidade, o que fez Nick cogitar socá-lo. Só que Mamma estava bem atrás do balcão, olhando curiosamente para os dois enquanto aguardava os clientes. Se Nick partisse para cima do irmão, ela viria e acertaria os dois na cabeça com uma concha de sopa.

– Linda estranha... Ai, cara, você vai se odiar quando perceber o que acabou de fazer.

Estreitando os olhos, Nick aguardou para que o irmão continuasse.

– Você realmente não a reconheceu, não é?

Ai, diabos. Ele deveria tê-la reconhecido? Ele a conhecia?

– Ainda não está sacando?

– Diga-me qual é o tamanho da encrenca na qual me meti – murmurou ele, rezando para não terdado em cima de uma prima que não via há anos. Se eles fossem parentes, e ele não pudesse tê-la, isso seria um crime digno de um tribunal militar. Então ele rezava ainda mais para que ela fosse alguma garota que ele havia conhecido na época de escola.

– Uma encrenca enorme.

Ele aguardou, sabendo que Mark estava gostando de vê-lo suar.

– Ela é da família, você sabe.

Droga. Todo o sangue no corpo dele desceu aos pés de constrangimento... e decepção.

– Por que você não me impediu?

– Você saiu da baia como se seu traseiro estivesse pegando fogo.

Esfregando os olhos e balançando a cabeça, Nick murmurou:

– Quem é ela? Do lado da Mamma ou do Papà? Por favor, diga que ela não é uma das 30 netas donosso tio-avô Vincenza. Do contrário, eu posso ter de me realistar e me esconder dele e de seus companheiros de máfia pela próxima década.

Os olhos de Mark brilharam de diversão. Ele estava gostando daquilo.

– Não é do lado do nosso tio-avô Vincenza. Pense em alguém mais próximo.

Mais próximo. Jesus Cristo.

– Ela não tem como ser uma prima de primeiro grau...– Não é uma prima.

Ai, graças a Deus.

– Então quem?

– Vou lhe dar uma pista. Você por acaso notou toda a cobertura de bolo e farinha no avental dela?

Notou. Ele não sabia se já havia sentido cheiro mais gostoso do que daquela bagunça açucarada combinada à essência natural da morena.

– Sim. E daí?

– Você normalmente não é tão concentrado assim.

– E você normalmente não fica assim tão perto de ser morto.

– Pense... a confeitaria...

– A Natale's? É do pessoal da Gloria? – E de repente ele se deu conta. – Não.

– Ah, sim.

Não. Impossível. Estava fora de questão.

– Nao é a irmã caçula de Gloria. Diga-me que não era aquela doçura rechonchudinha.

– Ela não está rechonchuda e acho que, se você a chamasse de doçura, ela o surraria. – Markpassou um braço consolador em torno dos ombros de Nick, o peito vibrando de tanto rir. – Para responder à sua pergunta, sim, meu irmão, aquela era Isabella Natale.

Nick não conseguia falar. Estava chocado demais, pensando no quanto ela havia mudado. Fazia pelo menos nove, dez anos talvez, desde que a vira pela última vez. Ela ainda estava no Ensino Médio, e ele dera de cara com ela em uma festa de natal na casa de Gloria e de Tony, quando estava de licença do serviço militar. Ela ainda corava e gaguejava perto dele. E ainda estava femininamente cheinha, bonita, mas com um rosto tão infantil que ele nunca levara a paixonite dela por ele a sério.

Ah, ele sabia da paixonite. Todo mundo sabia da paixonite. Seu irmão Tony ameaçara lhe quebrar as pernas caso ele a olhasse torto durante o casamento.

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