Esta obra reune os três livros com os títulos originais da série Doce Desejo.
✔️Só Minha! Volume I;
✔️Só Teu! Volume II;
✔️Meu Homem! Volume III.
Ficha Técnica:
Título original: Só Minha! Volume I da trilogia Doce Desejo.
ISBN: 978-65-00-21193-1
Autora: Yana Shadow
Copyright © 2.021 por Ana Paula P. Silva
Revisão: Heloísa Braga, Mestra em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira.
Só Minha! Volume I da Trilogia Doce Desejo por Yana Shadow.
Este livro é uma obra de ficção. Todos os personagens, lugares e acontecimentos descritos nesta obra foram criados pela mente da autora. Toda e qualquer semelhança com nomes, datas ou acontecimentos é apenas uma mera coincidência. Todos os direitos reservados, nenhuma parte deste livro poderá ser utilizada ou reproduzida sob quaisquer meios existentes sem a autorização prévia e por escrito da autora ou da titular do copyright.
A obra possui o registro de direitos autorais e encontra-se registrada nos termos e normas legais da Lei nº 9.610/1998 dos Direitos Autorais do Brasil. A infração de direitos implica sanções legais e pode constituir um delito contra propriedade intelectual. Plágio é crime!
Agradecimentos:
Eu não teria escrito o meu primeiro romance sem a paciência e o apoio do meu companheiro, Thiago Shadow, e da minha filha, Becky. O amor incondicional e o apoio deles me ajudaram muito.
Sobretudo agradeço a Deus que me permitiu viver em meio a esta pandemia, no ano de 2020, e escrever esta história durante a quarentena. Esse foi um jeito que encontrei para me desligar do mundo lá fora e criar esse mundo para compartilhar com vocês.
Não posso deixar de agradecer a Professora Heloísa Braga que me auxiliou na revisão deste livro e às minhas amigas, Day Christina e Joseanne, que, mesmo de longe, me auxiliaram e ficaram atentas a cada capítulo que eu escrevia. Acreditem, se elas amaram a história, é provável que vocês também gostem.
Rio de Janeiro, Brasil.
Setembro de 2010.
No décimo primeiro andar da unidade de terapia intensiva do hospital São Miguel, uma jovem com aparência debilitada respirava com auxílio de aparelhos.
Entre quatro paredes em tons terrosos, a luz halógena pairava sobre o rosto com alguns hematomas e a cabeça enfaixada. Aquela seria mais uma noite como as outras se não fosse por uma inesperada visita.
O homem com a fisionomia sisuda, estava parado próximo à janela do quarto bem arejado. Marcello Bordeaux passou os dedos pelos fios dourados e ajeitou a gola da camisa preta. Olhou na direção dos tubos que auxiliavam na respiração da mulher adormecida e se aproximou da cama.
― Por que você é tão estúpida, Nicky?
Os olhos de água-marinha encaravam o corpo imóvel sobre o leito do hospital. A lembrança da mulher caída na beira da escada em volta de uma poça de sangue ainda o atormentava. Marcello deu as costas e pegou o celular que vibrava no bolso da calça jeans.
― Oi, Alexander! Como vai o passeio com a nova amiga?
Enfiou uma das mãos no bolso e fixou os olhos no respirador que mantinha Nicole viva.
― Entendi! Amigão, você sabe que te considero como um irmão. ― Os dedos finos e pontudos tocaram o nariz afilado. ― Acabei de ver a Nicky com outro homem. ― Marcello tencionou o canto dos lábios. ― Pode acreditar! Você precisa relaxar e esquecer a Nicole, ela não presta.
Esfregou a testa com os dedos e chegou mais perto dela ao notar uma lágrima que fluía pelo canto dos olhos fechados.
― Curta a vida, amigo! Aproveite a viagem com a Isabella. ― As sobrancelhas claras se juntaram. ― Certo! Até breve!
Ele guardou o celular e examinou o semblante com marcas roxas. Marcello não tinha ideia se, mesmo em coma, Nicole escutou a conversa.
O dedo indicador tocou o rosto imóvel e secou a lágrima que rolava na pele macia com traços delicados.
― Eu lamento pela morte de um de seus filhos. ― A voz pesarosa cochichou. ― Espero que o outro bebê sobreviva. Adeus, Nicky!
Uma das mãos de Nicole segurou o lençol branco.
Marcello se aproximou do display do ventilador pulmonar. Estava prestes a tocar no circuito dos controles, porém, ele se afastou logo que ouviu o ranger da porta.
― O que você faz aqui? ― Uma senhora de cabelos grisalhos, com um corte na altura do pescoço, ajeitou o blazer do terninho preto assim que atravessou a porta. ― Responda! ― Sophie Bittencourt se impôs com uma seriedade hostil.
Centro de Lyon, França.
Janeiro de 2015.
As primeiras chuvas frias do inverno caíram sobre a cidade. Na janela do penúltimo andar do hospital Saint-Mary, Alexander fitou o céu encoberto por nuvens cinzas, ajeitou os óculos e desviou o olhar para a tela do celular, enquanto escutava as batidas suaves das gotas contra o vidro.
― O que você quer, Josephiné? ― O tom na voz rouca soou fria, assim que atendeu a ligação. ― Estou muito ocupado!
― É só isso que você tem a dizer, mon coeur? Tem cinco dias que você não aparece em casa.
― Ficarei por uns dias no hotel aqui perto.
― Você ainda está zangado por que eu sugeri um ménage?
Alexander suspirou pesado e sentou na cadeira da sala onde lia as informações do paciente antes da cirurgia. Os olhos pareciam fendas cortantes como facas, por mais que ele fugisse e desviasse do assunto, era impossível agir como se nada tivesse acontecido nos últimos dias.
― Chega, Josephiné! ― Levantou os óculos e coçou os olhos com os dedos longos. ― Essa conversa acabou!
Ele passou a mão na mandíbula quadrada e em seguida fechou os arquivos com as informações do paciente no computador.
― Quer saber a verdade, eu acreditava que você era gay. ― A voz de Josephiné se ergueu até ficar rouca. ― Depois que achei as fotos no seu livro, eu tive a certeza que era por causa daquela idiota.
― A Nicky ficou no passado. ― Alterou a voz.
― Não! Ela não ficou ― retrucou Josephiné, em voz alta. ― Você gosta de sofrer pela mulher que te abandonou.
― Au revoir, Josephiné!
Alexander verificou a hora no relógio e desistiu de discutir. Encerrou a ligação, passou os dedos longos na testa e respirou fundo.
Ele costumava deixar os problemas em casa e manter o foco no trabalho; contudo, os últimos dias se tornaram mais difíceis depois que Josephiné encontrou algumas fotos e uma passagem para o Rio de Janeiro.
O movimento no ambulatório e na emergência do hospital era constante. A maioria dos médicos residentes sofriam com o trabalho braçal e iam de um lado a outro sem descanso. Suturas, triagens, baterias de exames, diagnósticos precisos faziam parte dos exaustivos plantões.
Na sala de cirurgia, Dr. Bittencourt ressecou e removeu o cordoma, tumor que se espalhava no osso da base do crânio do paciente. Elevou a cabeça para uma das enfermeiras que lhe enxugou o suor na testa e prosseguiu com a sutura.
Logo depois de passar cinco horas na cirurgia, Alexander retirou as luvas, o avental e a touca azul, lavou as mãos e seguiu ao encontro da família do paciente que aguardava por notícias.
― Excusez-moi, madame Françoise!
― Como está meu esposo, Doutor Bittencourt?
― A cirurgia foi um sucesso!
Mesmo que estivesse acostumado com a rotina e as extensas horas extras, naquele dia, ele parecia mais cansado. Por cinco anos deu o melhor de si, obteve avaliações positivas e construiu uma carreira. Naquela quinta-feira fria e chuvosa, Alexander concluiu o seu último dia de residência no hospital.
No término do plantão, Alexander relaxou por alguns minutos no banho quente e, em seguida, envolveu a toalha nos músculos que se formavam abaixo da cintura estreita.
Parecia um soldado confiante, com seu 1,85 m de altura. O porte físico forte e destemido intimidava e chamava atenção de qualquer um que se aproximava. Colocou a calça preta de linho, ajeitou o cinto e fingiu não ver a sombra que o espiava. Sentou no banco, colocou as meias pretas e pegou os mocassins.
― O que você quer, Isabella? ― Levantou após calçar os sapatos.
― Calma, só estava apreciando a visão.
Isabella caminhou, com brio, sob o jaleco branco que sobrepunha a camisa de cetim lilás e a saia preta na altura dos joelhos. Os cabelos dela flamejavam como uma fogueira ardente quando jogou para trás dos ombros.
― Você não perde tempo, não é!
Os músculos do braço e do abdômen ondulavam na manga longa enquanto ele vestia o casaco acinturado cinza e ajeitava sobre os ombros largos. Colocou a jaqueta acolchoada e pegou a mochila.
― Podemos tomar um café?
― Hoje, eu não posso! Tenho muitas coisas para resolver e, além disso, eu preciso conversar com a Josephiné.
Alexander ajeitou os óculos sobre o nariz curvo para cima e a encarou com expressão ilegível, esperava que Isabella não insistisse no assunto.
― Você voltará para casa? ― Foi ao encontro dele até que seus corpos encostassem. ― Vamos sair! Só mais uma noite.
― Não! ― Negou com a cabeça. ― Isso não vai se repetir!
Isabella olhou à sua volta, tudo estava tranquilo e vazio. Os dedos finos abriram os primeiros botões e revelou o colo dos seios volumosos no sutiã vermelho com um decote meia taça.
― Se quiser, podemos ir para um lugar mais tranquilo ou podemos entrar ali. ― Isabella mordiscou o lábio inferior e levantou o queixo indicando a porta da cabine vazia. ― Adoro aventuras.
Com o corpo reteso, Alexander dominou o impulso, os lábios finos e macios de Isabella deslizavam do pescoço até a orelha. A ousadia dela mexia com a libido. A mochila caiu no chão, no momento em que ela tocou e apertou o desejo duro que medrava o tecido liso da calça.
― Vamos?
― Aqui é o nosso ambiente de trabalho.
― Então vamos para um lugar mais tranquilo ― sussurrou
Alexander removeu os óculos. Respirou fundo e olhou na direção da mochila como se tentasse encontrar um ponto de equilíbrio. Logo que colocou os óculos, num rápido movimento, pegou a mochila e colocou nas costas.
― Chega, Isabella! ― Se afastou. ― Isso não vai se repetir!
― Por quê?
― Naquele dia, eu estava bêbado. Além disso, foi você quem me contou que eu só falava o nome da minha ex.
― Talvez eu ajude você a esquecê-la.
― Se em três anos, a Josephiné não conseguiu. Quem dirá você?
― Que merda, Alexander! Assim você me magoa.
― Então, desiste! Porra! Eu já tenho muitos problemas e não posso desperdiçar meu tempo. ― O olhar era frio e demorado. ― Preciso ir para casa. Josephiné está me esperando. Adeus Dra. Dufour!
Alexander desvencilhou-se, deu as costas para Isabella e a deixou murmurando sobre o quanto ele se arrependeria por desprezá-la daquela forma. Isabella era uma amiga brasileira que nunca escondeu as suas verdadeiras intenções. Ela sempre deixou claro os sentimentos que nutria por ele.
Em passos largos, ele foi direto para o elevador e, em poucos minutos, estava na entrada principal do hospital. Olhou para o prédio e sentiu o vento frio que batia em seu rosto enquanto ajeitava o capuz da jaqueta impermeável acolchoada.
Antes de sair de casa, ele corria todas as manhãs e, após o trabalho, ia para o seu treino habitual na academia. O corpo atlético era definido por um árduo treinamento físico e uma alimentação adequada.
Alexander arrumou as hastes prateadas dos óculos e, em seguida, removeu o capuz da jaqueta ao entrar no Hard Rock Café. Avistou uma mesa vazia no canto próximo a uma enorme janela de vidro e se acomodou.
― Bonsoir, monsieur! ― O garçom entregou-lhe o menu.
― Bonsoir! ― Limpou a garganta. ― Traga um cappuccino com bastante canela e um croissant, S'il te plait! ― Fechou o cardápio.
― Oui, monsieur! ― O garçom se retirou.
Eram quase cinco da tarde e o celular não parava de vibrar. Era a vigésima ligação de Josephiné. Os dedos esguios tamborilavam na mesa, rejeitou a chamada e tocou na agenda de contatos. Fixou os olhos no número de Sophie e decidiu ligar.
O telefone tocou uma, duas, três vezes...
― Alô! ― Do outro lado da linha, a voz suave atendeu.
Alexander permaneceu em silêncio, não teve coragem de desligar. A mente e o coração lutavam numa guerra intensa na qual não existiam vencedores. O subconsciente era traiçoeiro e fazia questão de trazer à memória o aroma delicioso da pele, o brilho nos olhos amendoados e a doce voz.
Copyright © 2.021 por Ana Paula P. Silva